ARLINGTON, Estados Unidos – Se existe uma coisa que jornalista adora é queimar a língua. Perdi a conta das brincadeiras que fazemos um com o outro sobre as previsões que escrevemos, mas que nunca se concretizam. “Fulano não perde mais… Cicrano é imbatível”, sempre dizemos. As previsões furadas também são prato cheio para os leitores, que não perdoam mesmo, nem deveriam.
Pois bem, fiz a pequena embromação acima para dizer que, mesmo sabendo dos riscos, eu vou prever o seguinte: se o técnico do Rangers, Ron Washington (foto abaixo), continuar a errar nas decisões durante o jogo, sua equipe perderá a World Series. O Rangers é mais time, não tenho dúvida disso, mas Washington insiste em errar na rotação dos rebatedores, mas principalmente na utilização de seus arremessadores.
Colby Lewis estava visivelmente acabado, mas não foi substituído na sétima entrada, cedendo duas corridas, o que fez de um jogo tranqüilo uma decisão até o último strike. Washington já havia errado nos dois primeiros jogos – principalmente o segundo – quando manteve arremessadores cansados e totalmente fora de sintonia. “Eu acho que as decisões foram boas e que estamos no caminho certo. Foi uma vitória merecida e vamos pensar somente no próximo jogo”, disse o técnico ao ser justamente questionado sobre ter mantido Lewis por mais tempo que o devido.
Como escrito no título, alguém vai queimar a língua. Eu ou o Ron Washington. Minha experiência como profissional de beisebol é inexistente. Então você, amigo que lê este post, tem de dar crédito às palavras do treinador que, independente do que eu acho de suas decisões nesta World Series, fez do Rangers – outrora chacota na MLB – um dos principais times das grandes ligas do beisebol americano.
Agora, com a vitória no jogo 3 a tendência é que a rotação original seja mantida para o jogo 4, neste domingo, ou seja, jogará Tommy Hunter e não Cliff Lee, como foi cogitado para evitar que o Giants fechasse a série em 4 jogos a 0.

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ARLINGTON, Estados Unidos – Leia o relato do terceiro jogo da final do beisebol norte-americano (vencido pelo Texas Rangers por 4 a 2 sobre o San Francisco Giants) clicando aqui!
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ARLINGTON, Estados Unidos – A famosa campanha de uma de das principais bandeiras de cartão de crédito do mundo sempre se enquadra para descrever um fã. Nas 3h55 que passei no avião no vôo de São Francisco e Dallas conheci dois torcedores excêntricos e dispostos a tudo para acompanhar sua equipe, o San Francisco Giants. Um deles, que ficou com o assento da janela (sim, eu estava na coluna B, ou seja, no pior tipo de assento de um AirBus 320), continuava a usar o passe de acesso dos jogos 1 e 2, disputados na Califórnia.
Ele diz que não tira os passes pendurados no pescoço nem para tomar banho para dar sorte ao Giants. “Temos que terminar o que começamos”, avisou. Sua excentricidade lhe garantiu alguns segundos de fama numa transmissão ao vivo do Canal 4 (acredito que era isso) antes do embarque. Detalhe: ele desembolsou quase US$ 20 mil dólares para garantir os ingressos para todos os jogos necessários.
Já o outro torcedor mostrou o que é amar um clube. Com seus quase 70 anos, Carl revelou que torce pelo Giants desde quando a equipe jogava em Nova York, sua cidade natal. “Eu ouvi a World Series de 1954 pelo rádio”, contou todo empolgado. “Essa é uma oportunidade que não posso perder”.
Além dos dois, o avião estava repleto de torcedores do Giants. O comissário de bordo não hesitou e, mesmo não torcendo pela equipe de São Francisco, passou a seguinte mensagem pelo rádio: “Go Giants”.
No aeroporto de Dallas, fui perguntado a respeito do meio de comunicação do qual pertenço. Quando respondi que eu sou um jornalista brasileiro, a cara de espanto tomou conta do sabatinador. Primeiro disse que não pareço com um brasileiro (gostaria de saber o que seria isso, na prática), e depois ficou maravilhado por eu ter viajado tanto tempo para acompanhar a World Series. “Você deve realmente gostar de beisebol”, disse o rapaz de uma companhia de aluguel de carros. É… Ele tem razão.
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ARLINGTON, Estados Unidos – Depois de uns 20 km tranqüilos, eis que me deparo com o Texas Rangers Ballpark, em Arlington, e afirmo que é um estádio muito bonito. Assim como o AT&T Park, o estádio texano, inaugurado em 1994, mantém uma cara tradicional, com tijolos e as cores características de qualquer estádio de beisebol: branco, marrom e verde.
Até agora não encontrei problemas para me deslocar. Estacionamento é o que não falta, já que o estádio foi construído numa área longe do centro de Dallas, e o preço é muito mais cômodo que o encontrado em São Francisco (US$ 30 contra US$ 120).
Além disso, o deslocamento dentro do estádio é ótimo. Rampas para todos os lados, assim como escadas rolantes e elevadores, e o staff do Texas Rangers parece bem mais preparado para atender um evento deste tamanho. Boa sinalização e instrução na entrada.
Para a imprensa, uma sala confortável para realizar o trabalho necessário, com regalias como bebidas e comidas até dizer chega. Ainda existe uma falha de comunicação entre a liga e o clube para definir os assentos dos jornalistas, não visto nas finais da NBA.
PRIORIDADE – Fidelidade é algo levado a sério por aqui, pelo menos no quesito esporte. Os estacionamentos que estão localizados a metros do estádio são apenas para pessoas que compraram ingresso para mais de 50% dos jogos disputados em casa (81 por temporada) ou para os que compraram o carnê completo. Pessoas que estão aqui somente para a World Series conseguem vagas, mas muito mais longe.
COWBOYS – Ao lado do estádio do Rangers está o novo estádio do Cowboys, que será sede do próximo Super Bowl, em 2010. É uma visão sensacional para qualquer amante de esporte. Agora entendo como cabem 100 mil pessoas dentro do complexo que custou algo em torno de US$ 1,3 bilhão, custeados em parte com dinheiro público.
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IRVING, Estados Unidos – A vida do botafoguense é se vangloriar de que a superstição é uma característica sua e de mais ninguém. Tenho dois amigos que reforçam isso em todas as oportunidades que temos para conversar sobre futebol, mas o beisebol não fica para trás.
Toda equipe que se preza tem uma superstição. O Red Sox tinha a maldição do Bambino, terminada em 2004, após 86 anos de fila; o Cubs tem a maldição do bode, que até hoje perdura, com 102 anos sem títulos, e o Giants tem a sua.
Apesar de estar com uma boa vantagem de 2 jogos a 0, o Giants convive com uma maldição que foi levantada por inúmeros torcedores após a vitória por 9 a 0 sobre o Texas Rangers. A equipe era originalmente de Nova York, cidade onde conquistou cinco World Series em 14 tentativas. Com problemas financeiros, a franquia optou por São Francisco em 1958, e nunca mais conquistou um título, e isso teria um motivo: uma placa feita para homenagear o jogador Eddie Grant – morto durante a Primeira Guerra Mundial – se perdeu durante a mudança da franquia de Nova York para a Costa Oeste dos Estados Unidos. Desde então, a equipe esteve em três finais (62, 89 e 2002) e foi derrotado em todas.
Maldição deixada de lado, a equipe de São Francisco tem a oportunidade de abrir 3 a 0 na série neste sábado, no primeiro jogo da World Series no estádio do Texas Rangers, em Arlington (inclusive parei num café à beira da estrada para escrever este post). O arremessador Jonathan Sanchez tem fama de temperamental e pode colocar tudo a perder para o Giants se entrar na provocação dos jogadores do Rangers, que não têm mais nada a perder.
Pelo lado do Rangers, a esperança recai sobre o arremessador Colby Lewis, que foi “ressuscitado” pela equipe do Texas após passar duas temporadas no beisebol japonês. A expectativa é que o jogador segure o ataque do Giants por pelo menos seis entradas, dando tranqüilidade aos rebatedores do clube texano para anotar corridas.
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SÃO FRANCISCO, Estados Unidos – Leia o relato do segundo jogo da final do beisebol norte-americano (vencido pelo San Francisco Giants por 9 a 0 sobre o Texas Rangers) clicando aqui!
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SÃO FRANCISCO, Estados Unidos – Dizem que o beisebol é o esporte onde os sonhos são realizados. Onde um garoto do interior dos Estados Unidos pode se tornar astro do dia para noite, e foi isso que o ator Kevin Costner deixou claro no ótimo filme Campo dos Sonhos (1989, Phil Alden Robinson). É claro que esse tema é explorado por várias modalidades esportivas, e o peso é o mesmo. Mas nesta quinta-feira eu posso dizer que mais um sonho de garoto foi realizado: a oportunidade de fazer o caminho dos atletas profissionais até o gramado, além de acompanhar o aquecimento do Giants e do Rangers antes do jogo 2 da World Series.
Como se isso não fosse suficiente, tive o imenso prazer de conhecer in loco dois jornalistas por quem tenho admiração: Peter Gammons e Chris Berman. Mas o principal estava por vir. Como torcedor confesso do Atlanta Braves, tive a oportunidade de conhecer e conversar com um dos meus ídolos, o venezuelano Andrés Galarraga, campeão com a equipe de Atlanta em 1996. Para finalizar, algumas palavras com outro grande ex-atleta, Nomar Garciaparra, que hoje é comentarista.
Todos se admiram com o fato de um jornalista brasileiro cobrir o evento. Perguntam se a modalidade é vista em terras tupiniquins. A minha resposta padrão é de que, a cada dia, novos adeptos do beisebol são conquistados e, num futuro próximo, teremos um jogador nas grandes ligas. Quem sabe, se segurimos o exemplo de Costner no filme e construírmos um campo (neste caso, muito mais do que um), o beisebol venha e fique conosco. Pena que a mentalidade do momento é investir apenas em modalidades que possam nos dar medalhas olímpicas.
Bem, deixada a tietagem e os anseios de lado, o jogo 2 está a começar, e os comentaristas americanos agora estão divididos. O favoritismo do Rangers já não é unanimidade, e a conversa é que, se a equipe de São Francisco vencer hoje, leva a World Series.
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“Preciso de um ingresso, por favor!” é o que diz o cartaz do torcedor do Giants

O sanduíche que está sendo preparado é de camarão, dentro do AT&T Stadium

Os capacetes dos jogadores do São Francisco Giants no banco de reservas

As barbas postiças são em homenagem ao pitcher Brian Wilson, do SF Giants
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SÃO FRANCISCO, Estados Unidos – Leia o relato do primeiro jogo da final do beisebol norte-americano (vencido pelo San Francisco Giants por 11 a 7 sobre o Texas Rangers) clicando aqui!
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