Bate-Pronto - Estadao.com.br
ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

O lance do pênalti com Edu Sales, do FortalezaÉ incrível e inacreditável. O pênalti no atacante Edu Sales marcado pelo árbitro Carlos Eugênio Simon no jogo Ceará x Fortaleza, final do Campeonato Cearense, é inaceitável.

Segundo o tira-teima da TV Globo, o atacante do time alvinegro estava a 3 metros (repito: três metros) e tropeçou no próprio pé, é evidente. Simon estava a 14 metros do lance (repito: 14 metros). Erros acontecem, mas o pior de tudo é ele dizer que o pênalti aconteceu.

Por que não admite que errou? Não há o que falar. Não vou nem entrar no mérito do uso da tecnologia no jogo (que parece ser a cada dia mais necessária). É lamentável que ele seja um dos nossos candidatos a ir a uma Copa do Mundo.

É evidente: precisa-se de renovação e trabalho na arbitragem. Não é a primeira e nem será a última do Simon e de muitos outros. Tem de usar o que torna as decisões justas. O árbitro é soberano, e tem de continuar assim. Mas não pode decidir sozinho. E nem brigar com a tecnologia. É clichê, mas vale: abram os olhos!

Comentários (3) | comente

Sei que muitos dos que leem esta coluna fazem parte da geração do msn, do twitter, do YouTube, dos blogs, dos games, do pay-per-view e de tantas maravilhas virtuais reconhecíveis em inglês. Sei também que muitos se proclamam torcedores de Manchester, Milan, Barcelona, Real Madrid e outros gigantes europeus – e até desfilam com camisetas desses clubes como se fossem tupiniquins. Tudo bonito, moderno e inevitável, mas não são minha praia.

Minha paixão pelo futebol surgiu com Thomas Mazzoni no jornal, Fiori Gigliotti no rádio e Raul Tabajara na tevê a descreverem as proezas de Santos, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Portuguesa nos gramados. Façanhas respaldadas por combates inesquecíveis contra rivais como Ferroviária, Lusinha Santista, Comercial, Juventus. Esses pequenos eram terríveis e, não por acaso, tinham apelidos como Moleque Travesso, Briosa, Ferrinha…

Desde criança me sinto ligado a esses coadjuvantes domésticos – não me liberto da influência deles, nem quero, por emocionante que seja ver jogos como Chelsea 4 x Liverpool 4. Mas não dá pra negar a realidade, chocante, pesada: o futebol do interior morreu. Clubes que se orgulhavam de ser viveiros de craques agora só existem no papel e em nossa memória afetiva.

Não é por acaso que o quarteto que citei ali atrás acaba de desabar para a 3.ª Divisão paulista. Não veio do nada a queda do Guarani. Também não é por azar que a Inter de Limeira, campeã estadual em 1986 em cima do Palmeiras, foi empurrada para a 4.ª Divisão. Lembro quando Fran Augusti, na época editor de Esportes do Estado, me despachou pra Terra da Laranja para conversar com o técnico Pepe e mostrar que fenômeno era aquele que ousava tirar a hegemonia dos grandes.

Hoje esses times na prática não contam mais, não têm peso, não alteram campeonatos, não acrescentam. Só reforçam a constatação de que a vida passa, de que ciclos se fecham, de que aumenta nossa lista de saudades. Para quem como eu há algum tempo cruzou “o meio do caminho de nossas vidas” – isso quem escreveu foi um tal de Dante Alighieri, que não jogou na Fiorentina –, o enfraquecimento do futebol caipira só nos torna mais nostálgicos.

Fazer o quê? Só posso agradecer o encantamento que me proporcionaram XV de Piracicaba, Guarani, Ponte, Velo Clube, São Bento, América de Rio Preto, Prudentina, Desportiva de Guará, Botafogo de Ribeirão e tantas equipes que embalaram a emoção de milhões de torcedores. Para elas, digo que estarão sempre no meu coração. Pela vida eterna, amei.

QUE É ISSO, SILVEIRINHA?!
Roberto Silveira entra na minha lista dos estraga-prazeres. O juiz uruguaio que passou pelo Palestra Itália, anteontem, teve a insensibilidade de expulsar Wilson, por ele ter levantado a camisa na comemoração do gol de empate do Sport contra o Palmeiras. Ah, Silveira estava certo, porque a regra não permite esse tipo de manifestação. Ora, a regra não permite também cera e jogo violento e, no entanto, muitas vezes os juízes fecham os olhos para essas coisas feias. Mas são lépidos em punir um jogador que, na euforia, levanta a camisa ou se aproxima do público. São coveiros do futebol.

O REI E A BEBIDA
Pelé pisou na bola em muitas ocasiões. Mas em favor do Rei é necessário reconhecer: nunca fez propaganda de bebida alcoólica. Uma postura fenomenal.

* Esta coluna é publicada todas as sextas-feiras no jornal ‘O Estado de S. Paulo’, na seção ‘Boleiros’

Comentários (4) | comente

Este é o time eleito pelos jornalistas do Grupo Estado após os dois jogos de ida das semifinais do Campeonato Paulista. Gostou? Tem outras sugestões? Deixe sua opinião nos comentários.

A seleção do primeiro jogo das semifinais do Paulistão 2009

Comentários (5) | comente

A semifinal deste sábado na Vila Belmiro foi de grande qualidade. Palmeiras e Santos demonstraram um futebol ofensivo e fizeram uma partida que encheu os olhos dos torcedores. O time alvinegro saiu vitorioso por 2 a 1, graças ao talento de Neymar.

Apesar da vitória, a definição da vaga ainda está longe. No próximo sábado, 18, o Santos joga por um empate no Palestra Itália para garantir a classificação.

Ao se falar de favoritismo, os santistas levam ligeira vantagem. Não apenas pelo fato de jogarem pelo empate, mas sim por não ter compromisso no meio de semana – o Palmeiras tem um duelo de vida ou morte na Libertadores diante do Sport Recife.

Fábio Costa diz que o Santos foi ‘escolhido por Deus’ no Paulistão. Se ele está certo ou não, só ao final do segundo duelo teremos a resposta. A única certeza é que no próximo sábado teremos outro grande confronto de “futebol ofensivo” entre Palmeiras e Santos.

Comentários (3) | comente

Até o começo da noite da quarta-feira, desconfiava que teria pronto o tema para a coluna desta quinta. O mote, quase incontornável nestes dias de Semana Santa, recairia sobre a malhação do Judas, personagem contraditório, que passou para a história como sinônimo de traidor. Se bem que agora tentam recuperá-lo, vai entender…

O Judas escolhido seria coletivo – e encarnaria em Vanderlei Luxemburgo e seus jogadores. Pois nada me tirava da cabeça que o Palmeiras voltaria do Recife desclassificado da Libertadores. Eu não havia engolido a derrota estúpida para o Colo-Colo, no Palestra Itália, e sei que palmeirenses dividem comigo esse sentimento – muitos ficaram com a pulga atrás da orelha, desconfiados de que o time negaria fogo. Afinal, nos 3 a 1 para os chilenos, a equipe apresentou futebol indigente.

Bastaram poucos minutos de bola rolando na Ilha do Retiro, para eu perceber que queimaria a língua. O Palmeiras que se viu no duelo com o Sport lembrou, pela segurança e autoridade, a equipe que tem uma das histórias mais ricas do futebol brasileiro. Não chegou a ser apresentação antológica, mas foi digna. Os jogadores correram, se multiplicaram em campo, deixaram atordoados os rivais, fizeram 2 a 0 e em raros momentos se viram ameaçados. Um resultado de se tirar o chapéu e que recoloca Luxemburgo e sua turma no caminho da classificação. Que ainda corre risco, é verdade.

A forma como o Palmeiras encarou o jogo foi decisiva. Não se viu a presunção do jogo com o Colo Colo, tampouco se viu um grupo acovardado. Cauteloso e atrevido em iguais proporções. A defesa, calcanhar-de-aquiles desse time, não negou fogo; ao contrário, segurou firme o rojão pernambucano – rojão que deu chabu. A dupla de zagueiros Danilo e Maurício esteve impecável e ainda contou com o apoio de Edmilson, que jogou como o volante-zagueiro da Copa de 2002. Vandinho e Ciro sumiram nessa marcação.

Pierre e Diego Souza também merecem elogios. O volante esteve em todos os cantos do campo de defesa. Aliás, faz tempo que joga muito, apesar de nunca ter despertado atenção de Dunga. Quem sabe um dia, quando for para o exterior. E Diego fez uma de suas melhores exibições: se comportou como o maestro do time e teve participação direta nos dois gols – no primeiro, desviou de cabeça para Maurício; fez o segundo.

O Palmeiras voltou mais fortalecido para o clássico de domingo com o Santos, na abertura das semifinais do Paulista. Se mantiver a regularidade da primeira fase, estará na final. O Santos entra como franco-atirador na reta final – e isso pode ser-lhe favorável, porque a pressão recai sobre o rival, teoricamente favorito.

O Palmeiras, porém, na sequência tem novo encontro marcado com o Sport – na semana que vem o tira-teima será no Parque Antártica. Outra decisão, se me permitem o lugar-comum, para um time que mostrou não ter vocação para Judas em sábado de aleluia.

Ficaremos mesmo sem Judas pra malhar, noves fora políticos e cartolas? Eu fiquei, mas o pessoal da Lusa escolheu Jean como o Judas da vez. Insinua-se que o zagueiro da Ponte levou um por fora para cometer o pênalti que deu a vitória (3 a 2) e a classificação para o Santos. Não ponho a mão no fogo por ninguém no futebol, mas também não acho que o Jean seria tolo a esse ponto. Em troca de 30 dinheiros (ou R$ 20 mil) jogaria fora a carreira?

* Esta coluna é publicada todas as sextas-feiras no jornal ‘O Estado de S. Paulo’, na seção ‘Boleiros’

1 Comentário | comente

Na terça-feira o Bate-Pronto publicará a seleção da primeira fase do Paulistão, com os melhores jogadores eleitos pelos jornalistas do Grupo Estado. Você tem a sua? Deixe sua mensagem e participe da escolha.

Comentários (4) | comente

Por dever de ofício, segurei firme o sono até o começo da madrugada de ontem para acompanhar as entrevistas de Dunga e jogadores da seleção, depois da vitória sobre o Peru. Não que as declarações costumem ser imprescindíveis, mas sempre sobra algo para ser analisado. Desta vez, porém, me chamou a atenção o que não foi dito, mas apenas visto.

Eu e quem estava de olho grudado na telinha pudemos ver Ronaldinho Gaúcho e Adriano, dois integrantes do falecido quadrado mágico da amarelinha na Copa da Alemanha, saírem na do Beira Rio na maior vula. Passaram pelos repórteres com mais eficiência do que atualmente driblam zagueiros. Em trajes civis, cruzaram caladinhos os poucos metros que separavam os vestiários do estacionamento do estádio do Inter.

Assessores de ambos alegaram que não poderiam falar porque estavam com voos particulares marcados para levá-los de volta à base. Não ficou claro se a base seria Porto Alegre mesmo, Rio ou Milão, onde ganham para os pãezinhos e cada dia.

Fiquei a matutar: será que Berlusconi e Moratti, donos de Milan e Inter, respectivamente, têm cuidados especiais só com esses pupilos? Teriam reservado jatos especiais para o retorno à Europa? Pato, Kaká e Julio Cesar também estariam a bordo? Como se explica que esses pararam para conversar com a imprensa? Teriam perdido os voos? Pato pelo menos, segundo me informa Guto Monaco, do JT, esteve numa churrascaria depois da partida.

Divagações à parte, achei significativa a atitude de Ronaldinho Gaúcho e Adriano. Silêncio revelador, pois não tinham muito a dizer. Adriano não entrou em campo; Ronaldinho entrou, mas era como se não tivesse levantado do banco. Ambos retomaram seus destinos com a leve impressão de que já iam tarde.

Vejo a dupla como astros que já brilharam e, embora ainda jovens, se deslocam como sombras de si mesmos. Adriano vive há tempos na corda bamba, no limite entre a glória e o ostracismo. Você lembra qual foi o último período de regularidade do rapaz que um dia acreditou fosse mesmo Imperador? Se lembrar, mande e-mail no endereço que está abaixo do meu nome.

Adriano faz um jogo aqui, outro ali na Itália. Às vezes começa como titular, eventualmente marca, mas segue uma toada trôpega e esquenta banco com mais frequência do que seria normal para um jogador de seu nível. As convocações se devem, talvez, a sentimento de lealdade de Dunga, por serviços prestados. Hoje, porém, Adriano está a perder a corrida para Luís Fabiano e para o ascendente Pato. Não será surpresa se, com o tempo, for esquecido nas listas para a seleção.

O caso de Ronaldinho Gaúcho é constrangedor. Sou seu fã de carteirinha, fiquei indignado quando Dunga o escanteou nas primeiras chamadas, escrevi crônicas emocionadas por atuações antológicas que teve. Mas admito, como já escreveram aqui outros companheiros Boleiros: a alegria dele sumiu. Ronaldinho virou um jogador comum, para pobreza do futebol e tristeza das arquibancadas. Pode ir à Copa de 2010 pelo nome, não pelo desempenho atual. Faz três anos que patina em campo. Vai ver por isso a pressa para sair de cena. Tomara tivesse pressa de reencontrar-se.

Acho que esse que está aí é cópia pirata, com defeito. O verdadeiro Ronaldinho foi raptado em alguma esquina entre Barcelona, Weggis, Konigstein, Milão e Porto Alegre. É, foi isso. E os malvados não o libertaram.

* Esta coluna é publicada todas as sextas-feiras no jornal ‘O Estado de S. Paulo’, na seção ‘Boleiros’

1 Comentário | comente

Arquivos

Lista de Links

Blogs do Estadão