Numa análise simples da tabela de jogos da Série B de 2008, divulgada nesta quarta-feira pela CBF, o Corinthians pode ter problemas no começo, mas o fim será positivo. É que dos oito jogos iniciais, cinco serão fora de casa, com duas seqüências, mas só uma cansativa: na segunda e terceira rodada, quando o time jogará contra Gama e ABC na casa destes adversários.
Na reta final, o time fará quatro jogos em casa nos últimos sete, sendo dois seguidos em casa antes do último jogo, contra o América-RN, na última rodada, previsto para 29 de novembro. No meio do campeonato, o único desgaste com viagem longa – sem considerar possíveis jogos da Copa do Brasil que intercalem – será contra Ceará e Paraná, perto do fim do primeiro turno.
Essa ordenação dos jogos não significa que o time tenha vantagem na tabela em relação aos outros times. Esta seqüência se repete com outros times, mantendo a lógica dos últimos anos, desde que foram estabelecidos os pontos corridos.
A ordem de jogos do Corinthians é a seguinte (C – em casa; F – fora):
Turno: C-F-F-C-F-C-F-F-C-C-F-C-F-F-C-C-F-F-C
Returno: F-C-C-F-C-F-C-C-F-F-C-F-C-C-F-F-C-C-F
Já a tabela de jogos é:
TURNO
9 ou 10 de maio
Corinthians x CRB
13, 16 ou 17 de maio
Gama x Corinthians
20, 23 ou 24 de maio
ABC x Corinthians
27, 30 ou 31 de maio
Corinthians x Fortaleza
3, 6 ou 7 de junho
Barueri x Corinthians
10, 13 ou 14 de junho
Corinthians x Brasiliense
17, 20 ou 21 de junho
Ponte Preta x Corinthians
24, 27 ou 28 de junho
Bragantino x Corinthians
1, 4 ou 5 de julho
Corinthians x São Caetano
8 de julho
Corinthians x Marília
11 ou 12 de julho
Santo André x Corinthians
15, 18 ou 19 de julho
Corinthians x Bahia
22 de julho
Ceará x Corinthians
25 ou 26 de julho
Paraná x Corinthians
29 de julho, 1 ou 2 de agosto
Corinthians x Criciúma
5 de agosto
Corinthians x Juventude
8 ou 9 de agosto
Vila Nova x Corinthians
12 de agosto
Avaí x Corinthians
15 ou 16 de agosto
Corinthians x América-RN
RETURNO
19, 22 ou 23 de agosto
CRB x Corinthians
26 de agosto
Corinthians x Gama
29 ou 30 de agosto
Corinthians x ABC
2, 5 ou 6 de setembro
Fortaleza x Corinthians
9, 12 ou 13 de setembro
Corinthians x Barueri
16 de setembro
Brasiliense x Corinthians
19 ou 20 de setembro
Corinthians x Ponte Preta
23 de setembro
Corinthians x Bragantino
26 ou 27 de setembro
São Caetano x Corinthians
30 de setembro, 3 ou 4 de outubro
Marília x Corinthians
7, 10 ou 11 de outubro
Corinthians x Santo André
14, 17 ou 18 de outubro
Bahia x Corinthians
21, 24 e 25 de outubro
Corinthians x Ceará
28, 31 de outubro ou 1 de novembro
Corinthians x Paraná
4, 7 ou 8 de novembro
Criciúma x Corinthians
11 de novembro
Juventude x Corinthians
14 ou 15 de novembro
Corinthians x Vila Nova
22 de novembro
Corinthians x Avaí
29 de novembro
América-RN x Corinthians
Assim como admirei a iniciativa corintiana ao colocar a Sabrina Sato na campanha “Nunca vou ter abandonar”, eu não poderia ficar de fora do assunto do momento: o novo patrocínio do Palmeiras.
A Fiat desembolsará R$ 22 milhões por ano para estampar sua marca na camisa alviverde, sendo, até o momento, o maior patrocínio no futebol brasileiro. Essa notícia é ótima para o Palmeiras e para o futebol nacional, o que mostra uma luz no fim do túnel para a crise vivida nas últimas temporadas, resumida pela debandada desenfreada de jovens talentos, como os casos de Breno e Alexandre Pato.
Mas o que realmente tenho a dizer, agora, é que o Palmeiras deu o “troco” no rival Corinthians. Na semana passada, eu havia elogiado a atitude do departamento de marketing do time do Parque São Jorge ao colocar Sabrina Sato com a camisa. Fui elogiado, obviamente por corintianos e grandes boêmios, assim como fui trucidado por torcedores de outros clubes, que tomaram como uma ofensa minhas comparações de outras campanhas de marketing. Agora, chegou a vez da diretoria palmeirense entrar no meu hall de elogios. Afinal, a camisa do Palmeiras está linda na Adriane Galisteu, não é? Ah, alguém aí poderia me dizer onde está a logomarca da FIAT? Eu não consigo encontrá-la…Isso sim é um patrocínio de respeito, e como!
EM TEMPO…
O Corinthians também fechou com um novo patrocinador, a Medial Saúde, que trabalha no ramo de assistência médica. Eis que as “línguas afiadas” já começam a dizer que a parceria tem tudo para dar certo, afinal, inúmeros serão os corintianos que precisarão e já precisaram de assistência médica por causa deste time aí. Colocaram até o Serginho Groismann para vestir a camisa…Pára, “garotô”!
Parece até ser regra, mas não é. É só uma coincidência. Se você é brasileiro, jogador de futebol e quer ser eleito o melhor do mundo, seu nome tem de começar com a letra R.
Todos os brasileiros que foram eleitos desde a criação do prêmio, em 1991, até este ano, tinham essa inicial: Romário, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho. Para quem não sabe, Kaká se chama Ricardo.
Portanto, se você se chama Rafael, Régis, Roberto, Rodrigo, etc, está com meio caminho andado. Obviamente, só faltará ser bom no futebol. Até porque, exemplos de fracasso com a letra R também não faltam.
Por Valmir Storti*
A questão da taça das bolinhas não vai acabar tão cedo e não acredito que um texto possa mudar a convicção dos apaixonados torcedores, mas uma analogia talvez explique bem como e por que avalio essa questão.
A Argentina não disputou a Copa de 1970, no México. Nem França, Espanha, Portugal, Chile, Hungria e Suíça. Todos esses países disputaram a Copa anterior, de 1966, na Inglaterra. Proponho um exercício de imaginação.
Vamos supor que o Brasil também não tivesse se classificado para a Copa de 1970. Que o técnico daquela seleção, João Saldanha, tivesse mandado o presidente militar cuidar do ministério no início das eliminatórias, que isso tivesse gerado uma crise profunda e o Brasil tivesse ficado fora da Copa, apesar de ter aquela seleção sensacional.
Vamos supor que estando fora da Copa, a CBD resolvesse organizar com esses países citados, que também estavam eliminados, uma “COPA UNIÃO DO MUNDO”, e o Brasil acabasse campeão.
Acreditem: se o Brasil disputasse uma “COPA UNIÃO DO MUNDO”, esta teria mais audiência aqui do que a da Fifa. Com o Brasil campeão da “COPA UNIÃO DO MUNDO”, alguém defenderia que nós deveríamos ter a posse definitiva da Taça Jules Rimet, da Fifa?
Foi isso que aconteceu com a taça das bolinhas. Ela estava em disputa nas competições da CBF, e os clube romperam com a CBF em 1987. Independentemente do interesses envolvidos, a Copa União foi uma liga pirata. Não importa quais clubes a disputavam, os jornalistas que a defendiam, os torcedores que lotavam os estádios e a emissora de TV que a transmitia. Passou a ser uma liga pirata a partir do momento em que rompeu com o órgão oficial.
Se os clubes mantivessem a rebeldia, continuariam ganhando dinheiro vendendo jogadores? Pergunto por um motivo: se estavam rompidos com a CBF, a Fifa autorizaria que os clubes ligados a ela, seja pela Confederação Sul-Americana ou pela Uefa, contratassem jogadores dos clubes rebeldes? Como se manteriam? Só com dinheiro da Coca-Cola? Seriam uma NBA, que, coincidentemente, também em 1987 descobriu que teria de se render ao Mundial oficial da Fiba depois que a seleção brasileira masculina de basquete venceu o Pan de Indianápolis, dentro dos Estados Unidos.
A rebeldia é legítima, mas é triste que os rebeldes não aceitem pagar o preço por sua postura. Os clubes se rebelaram contra a CBF, todos eles. E isso tem um preço a ser pago. Sempre foi assim. O preço, para o Flamengo, é não ter direito à Taça de Bolinhas. É o preço. Fosse o clube que fosse, seria assim. A Justiça já determinou isso e como se diz, decisão da Justiça não se discute, se cumpre.
Seja no Campeonato Paulista ou no Carioca, ao longo da história houve rupturas de clubes com a federação oficial. A história mostra que, com o tempo, o campeão das duas ligas, a oficial e a pirata, são considerados campeões estaduais. E o Flamengo e Sport serão considerados com o tempo campeões nacionais. Já estão sendo, 20 anos depois.
Mas campeão da liga oficial só haverá um, assim como só haverá um campeão da liga pirata. E como em toda rebeldia, esse foi o prêmio conquistado pelo rebelde que lutou dignamente por suas convicções. Negá-lo é jogar no lixo também a história de luta por melhores condições. Fingir que não se lutou por melhoras que foram conquistadas nos anos seguintes não é tão digno assim. A rebeldia cobra um preço. Pagá-lo é uma virtude, também. Normalmente é um preço alto demais, mas às vezes é necessário pagá-lo. É recompensador. Para todos.
* Valmir Storti é jornalista e repórter da Agência Estado. Trabalhou na Folha de S. Paulo, Lance!, Veja e outros. É um dos autores dos livros “A história do Campeonato Paulista” (1996) e “Todos os jogos da seleção brasileira” (2006).
Em 2002, praticamente todos os palmeirenses com quem conversei foram unânimes em apontar Vanderlei Luxemburgo como um dos grandes culpados pelo rebaixamento da equipe a Série B, já que havia dispensado alguns jogadores que, mais tarde, poderiam ter ajudado o time a escapar da degola.
De lá pra cá, ambos tomaram rumos diferentes. Ao deixar o Palmeiras, Luxemburgo assumiu o Cruzeiro e preparou a equipe mineira para um ano espetacular em 2003, conquistando a Copa do Brasil, o Mineiro e o Campeonato Brasileiro, com sobras. Curiosamente, o time era comandado, dentro de campo, por um velho conhecido palmeirense: o meia Alex. Depois, foi campeão brasileiro e bicampeão paulista com o Santos.
O Palmeiras, por sua vez, ressurgir das cinzas com uma bela campanha na Série B em 2003 e surpreendeu no Brasileirão de 2004, chegando à Libertadores. A torcida, no entanto, não conseguiu comemorar título algum, fazendo com que a pressão ficasse insuportável para a atual diretoria que, espertamente, resolveu assumir uma posição agressiva para a próxima temporada, com projetos e, obviamente, a volta de Vanderlei Luxemburgo.
Se todos os projetos prometidos realmente saírem do papel e Luxemburgo provar que seu salário mensal de R$ 500 mil valerá cada centavo, o Palmeiras tem tudo para retomar a época gloriosa da década de 90.
Mas como num conto de fadas, tudo tem o seu porém, e no Palmeiras a história não é diferente. Vale destacar que o salário do treinador será bancado pela diretoria, e que qualquer tipo de desavença, seja lá por qual razão, pode afastar os milhões de reais que o empresário J. Hawilla promete investir, e a construção de um novo estádio não é garantia de títulos, que é o que o palmeirense realmente quer, neste momento.
Para isso, é preciso investimentos, como os que estão sendo prometidos, mas principalmente planejamento, e é isto que mais me preocupa, no momento. Apesar dos projetos apresentados e das inúmeras idéias, dá-se a impressão que a contratação de Luxemburgo foi muito mais um impulso da diretoria do que um planejamento, e isto pode custar caro no futuro…
De qualquer forma, o Palmeiras entra em 2008 determinado a deixar o papel de coadjuvante dos últimos anos para reassumir a ponta do futebol paulista e brasileiro.
A Fifa ratificou neste sábado que o Corinthians é o primeiro campeão mundial de clubes da história, com a vitória aqui no Brasil em 2000, acabando (por enquanto) com as pretensões de outros clubes, principalmente do Palmeiras, se terem em seu currículo a maior honra que um time pode conquistar. Uma decisão acertada? Sim, pelo critério técnico. Mas errada, do ponto de vista histórico.
Jogos como Santos x Milan, Juventus x Palmeiras, Grêmio x Hamburgo, entre tantos outros, foram sim decisões de força mundial. A Copa Rio teve qualidade para ser considerada um grande torneio. Mas, aí entra o ponto que avalio como decisivo para que o Mundial de 2000 seja o primeiro: a organização da Fifa, que procurou ter times de todos continentes para realizar o torneio. Equipes fracas o disputaram? Sim. Um time da casa foi convidado? Sim. Isso acontece na própria Copa do Mundo de seleções.
Exemplos não faltam. Quem conhece de história de futebol sabe que o bicampeonato olímpico do Uruguai em 1924-28 tem força de título mundial. Mas nunca houve confusão sobre o primeiro campeão do mundo – coincidentemente, o próprio Uruguai, em 1930, na primeira Copa e em sua casa (!). Ou seja, os campeões do mundo oficiais são mesmo Corinthians, São Paulo, Internacional e agora o Milan.
Mas, e os outros, o que são depois desta decisão? São campeões de seus torneios, seja a Copa Rio, Mundial Interclubes ou Copa Toyota, escolha o nome que quiser. Oficialmente, porque no coração de seus torcedores e na visão de quem tem respeito pelo futebol, uso uma frase que a própria Fifa já usou, em 2005, quando reconheceu a existência desses outros torneios (mas nunca disse que são Mundiais, com o mesmo peso do que organiza hoje): todos são grandes campeões. E a decisão, obiviamente, vale até a próxima polêmica.
Certamente, a foto da Sabrina Sato com a camisa “Eu nunca vou te abandonar” foi a melhor coisa feita pelo Corinthians no ano de 2007. Obviamente que torcedores de outros clubes discordarão ao dizer que a melhor coisa foi o rebaixamento, mas convenhamos: esta foto dá até vontade de comprar o kit… E que kit, meu amigo!
SEGUIR O EXEMPLO
O São Paulo é o campeão Brasileiro com todos os méritos, mas eis aí uma coisa que poderia aprender com o Corinthians. Basta lembrar as fotos da campanha “5-3-3″ e “Penta Único”. Lastimável. E o kit do Palmeiras, com as vozes de “veludo” de Edmundo, Marcos e Valdívia, além de um pedacinho do gramado do Palestra? Melhor nem comentar…
Tocando no assunto sobre como um clube pode aprender com o outro, o Palmeiras entrou na luta para ter uma arena multiuso que possa abrigar jogos da Copa do Mundo de 2014, juntando-se ao São Paulo, que tenta de todas as formas assegurar ao menos a abertura do evento. A apresentação não foi a esperada e, para piorar, a grana (R$ 250 milhões) para a construção da “Arena Palestra” simplesmente não apareceu. Isso remete a um projeto “famoso” para a construção de um Estádio para o Corinthians, que nunca saiu do papel. Bem, pelo menos o layout do complexo multiuso, prometido para 2010, é bonito. Agora, é esperar para ver. E por falar em ver, curtam a foto aí do lado…
A grande pergunta no mundo do futebol nas últimas semanas tem sido: quem merece ficar com a taça das “bolinhas” (acho esse apelido péssimo, mas pela falta de outro, vamos com ele) pelo pentacampeonato brasileiro, São Paulo ou Flamengo? A resposta, depois de analisar o que aconteceu na época é simples: ninguém. Por quê? Todos (repito, todos) erraram na época, os clubes e a CBF.
O argumento tem como base os textos do jornal O Estado de S. Paulo sobre o que envolveu o regulamento do campeonato nacional de 1987. Para isso, contextualizo o que acontecia na época: o futebol brasileiro estava em crise por causa de um racha entre os clubes e a CBF, administrada pela dupla Octávio Pinto Guimarães/Nabi Abi Chedid. Tudo, obviamente, por causa de dinheiro e poder. Foi isso o que forçou a criação do Clube dos 13, que teve como presidente Carlos Miguel Aidar, do São Paulo.
Os times queriam administrar o Campeonato Brasileiro e a CBF não queria ceder em seus pedidos. Com isso, foi criada a Copa União, um torneio paralelo com nome simbólico. A CBF tentou forçar os clubes a obedecê-la, anunciando a Copa Brasil e uma tabela de jogos (São Paulo x Atlético-MG abririam o campeonato), que no fim não foi cumprida – a atitude, claramente, era um blefe. A briga quase se tornou jurídica, com os clubes exaltando o direito de realizar o campeonato com base em uma lei federal (6.257). Depois de muitas conversas, foi acertado, em 1 de setembro, a realização da Copa União.
O acordo previa que campeão e vice do Módulo Verde (que seriam Flamengo e Internacional) disputariam um quadrangular com campeão e vice do Módulo Amarelo (Sport Recife e Guarani) para definir os dois representantes brasileiros na Copa Libertadores de 1988. O impasse era que o Clube dos 13 exigia que o campeão brasileiro fosse o vencedor da Copa União, e não do quadrangular. Mesmo assim, o Clube dos 13 assinou o acordo, o que significa que aceitava a realização do quadrangular. Mas o ignorou, depois.
O principal problema era o repasse de verbas à entidade. A CBF queria 5% do arrecadado das rendas brutas, mas abriu mão. Além disso, os jogos que seriam televisionados na TV aberta (ainda não existiam os canais por assinatura) seriam sorteados.
Por causa da confusão, até o Conselho Nacional de Desportos (CND), órgão do Governo Federal que regulava o esporte no País, teve de intervir, exigindo a criação de um conselho arbitral na entidade e nas federações. O presidente na época, Manoel Tubino, também era contra a realização do quadrangular, por sinal.
Depois do acordo, mais confusão. A TV Globo, que comprou os direitos do campeonato, queria transmitir jogos aos domingos às 17 horas. Mas as federações locais reclamaram, dizendo que isso mataria o futebol das divisões inferiores. Os clubes que não foram incluídos na Copa União ficaram revoltados e ameaçaram entrar na Justiça. O Guarani, aliás, o fez. Mas nada mudou.
A confusão sobre o regulamento foi grande. Todos queriam levar vantagem e ninguém estava disposto a abrir mão de algo. Como reflexo disso, até mesmo para se definir o campeão do Módulo Verde, no jogo entre Flamengo e Internacional, havia dúvida. Não se sabia quem tinha vantagem. O time carioca reclamava a vantagem de um ponto nas finais por ter mais vitórias (8 a 7), mas a CBF dizia que o válido era o saldo de gols. E foi isso o que prevaleceu, embora não tenha sido necessário (1 a 1 na ida e 1 a 0 Fla na volta).
Ao final da fase decisiva, Flamengo e Internacional ignoraram o quadrangular pelo qual concordaram participar, ao assinar o regulamento. Passaram o campeonato inteiro dizendo que não o disputariam. Mas pergunto: por quê, então, assinaram o regulamento? Sport e Guarani o fizeram e ganharam. Por isso, o time pernambucano é considerado o campeão nacional. Nisso, não há o que fazer, pois o caso já foi até julgado na Justiça e o time pernambucano foi considerado o campeão de 1987. E está certo.
Há os que defendem o direito para seu time alegando um erro menor nesta história. Mas esse argumento é péssimo, não deveria existir. Todos erraram. E a taça das “bolinhas”, que não está em disputa desde 1992 por causa do impasse na época se o Flamengo era ou não pentacampeão – o caso estava na Justiça – foi parar num cofre de banco. Uma decisão correta. Ela não deve ser entregue ao São Paulo justamente por isso: não estava em disputa. E o time tricolor, assim como os outros que participaram da Copa União na época, fazem parte da confusão.
A solução que sugiro para o caso é simples: museu. Coloquem a taça em um. Para que sirva de exemplo. Seja pelo lado bom (grandes campeões a levantaram) ou seja pelo lado ruim (que nunca mais aconteça esse tipo de confusão).
P.S.: É necessário que se faça o registro de outros personagens envolvidos, além do presidente e vice da CBF e do presidente são-paulino. Eurico Miranda, Eduardo Viana, Carlos Hoffmeister (então presidente da Federação Gaúcha) e, principalmente, Márcio Braga, então e atual presidente do Flamengo. Sabendo do grande time que tinha em mãos (com Zico, Bebeto, etc), ele fez de tudo por ele mesmo. Em nada ajudou o futebol brasileiro. Só agitou. Só fez barulho para a torcida. Lamentável que anos depois esteja de volta ao poder e novamente reclamando de ter vantagem em algo que ele mesmo só prejudicou.
“O time foi aguerrido, mas faltou o gol. Como eu. Fui aguerrido, tive raça e fiz zero ponto. Os dois foram rebaixados”
Rubens Barrichello, piloto da Honda, sobre o Corinthians, time pelo qual torce, em entrevista à rádio Jovem Pan.
O São Paulo pretende superar Flamengo e Corinthians e se tornar a maior torcida do Brasil dentro de 10 anos. Para isso, investe pesado em marketing. Nesta quarta-feira, 5, o clube lançou kits com as redes do gol do Morumbi na conquista do pentacampeonato e bonecos de pelúcia para atrair os torcedores mais jovens.
Em outubro deste ano, o CNT/Sensus divulgou uma pesquisa que apontou o São Paulo com 8% dos torcedores do Brasil, contra 14,4% do Flamengo e 10,5% do Corinthians. O Palmeiras está logo atrás dos são-paulinos, com 7,2% dos torcedores.
Apesar do bom momento do São Paulo, dificilmente a meta da diretoria será alcançada. Não é porque o time praticamente “ganha tudo” que torcedores rivais simplesmente irão “virar a casaca”. Corintianos, por exemplo, não deixarão de torcer para seu time simplesmente porque caiu para a Série B.
No entanto, o projeto são-paulino é o melhor que existe hoje no Brasil e, entre os jovens torcedores, com certeza fará sucesso. É quase certo que a torcida são-paulino continuará a crescer mais do que os rivais. Porém, atingir o número de corintianos em 10 anos é pouco provável, muito menos se aproximar do Flamengo.
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006