Em primeiro lugar, gostaria de cumprimentar a diretoria palmeirense pela conquista do título mundial interclubes de 1951. Mas já aproveito para mandar parabéns antecipados para diretores e torcedores do Fluminense e do Vasco da Gama. Como o Flu conquistou a Taça Rio de 1952 e o Vasco o torneio Rivadavia Corrêa Meyer, que substituiu a Taça Rio em 1953, não demora também serão proclamados campeões mundiais pela FIFA. É uma questão de justiça, tempo e lobby correto. Quem aí ficou sem título mundial? Botafogo, Atlético Mineiro, Sport do Recife, Bahia? Corram aos arquivos, pesquisem, remexam papéis velhos. Ânimo: pequisa dá trabalho, mas sempre será mais fácil que enfrentar uma pedreira como a Libertadores e depois ainda ter de jogar no outro lado do mundo contra um Liverpool ou um Barcelona. De algum torneio internacional o time de vocês, em alguma época deste século e tanto de futebol, deve ter participado, e talvez vencido. Vão lá, que a FIFA reconhece.
Já que estou dando parabéns, aproveito para cumprimentar Romário pelos mil gols, contabilidade que inclui os do seu tempo de amador. Eis que a sábia revisão de cálculos criou uma fonte inesgotável de artilheiros estelares. Outro dia ouvi uma entrevista com Túlio Maravilha na qual ele afirmava ter mais de 700 gols, mas como Romário havia incluído os da fase amadora, ele também, Túlio, se sentia à vontade para refazer a sua matemática. Na nova contabilidade, Túlio já teria 800 e tantos. Como pretende jogar mais três anos, os mil são já uma possibilidade concreta. Dizem que o Lulinha, que ainda nem estreou no profissional do Corinthians, já teria mais de 160. Chega aos mil fácil, fácil.
Enfim, com a elasticidade dos critérios, democratizaram-se as conquistas. Liberou geral e todo mundo pode ser feliz.
O que mais deve doer para os corintianos, sobretudo para o técnico Leão, é que o Palmeiras estava na mesma situação ruim na tabela que o Corinthians, mas conseguiu se reerguer e, após a vitória sobre o América por 2 a 0 na quinta, deu passo importante para a classificação. O torcedor não é bobo. Como que um time com elenco semelhante, mas treinador ‘muito’ melhor fica para trás e vê seu maior rival subir na tabela? Ou alguém pode dizer que o elenco do Palmeiras e melhor que o elenco do Corinthians?
Que nada! Edmundo está jogando o que o Amoroso poderia jogar, mas não joga. Atraso de salário há nos dois clubes. Diretoria batendo a cabeça também, embora o pessoal do Palestra deu boa melhorada e parece ter achado seu caminho. Por enquanto. A MSI sumiu? O Palmeiras nunca teve um patrocinador nesta temporada. Para mim a resposta de tamanha diferença hoje entre Palmeiras e Corinthians é o envolvimento. Acho os palmeirenses mais envolvidos com o time que os corintianos. É isso.
Deu para o Corinthians no Campeonato Paulista. A derrota para o Santos por 2 a 1 na Vila sepultou as pretensões do time, que já eram pequenas, de chegar entre os quatro primeiros que passarão para a outra fase. Já era! A matemática ainda não diz isso. Hoje, no Parque São Jorge, certamente algum jogador vai soltar a seguinte frase: “enquanto tiver esperança, vamos lutar pela vaga”.
A verdade é que time algum sobrevive mais sem planejamento, sem ter um time base, sem peças de reposição no banco, sem estrutura emocional e política de sua diretoria. O Parque São Jorge nesse Paulista foi tudo isso e um pouco mais. Perdeu os três clássicos que disputou. Apanhou do São Paulo (3 a 1), do Palmeiras (3 a 0) e agora do Santos (2 a 1). Pior. Voltou a ter uma recaída em relação às expulsões. Amargou na Vila mais dois cartões vermelhos, para Amoroso e Gustavo. E Leão não vira o filme, continua a reclamar da arbitragem. Não percebeu ainda que o problema do Corinthians é outro.
Talvez o maior motivo que leva uma pessoa a gostar de um esporte é o ídolo. Como bem define o dicionário Aurélio, é aquela pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo. Com o passar dos anos, nossos craques no futebol foram embora do País cada vez mais cedo e as novas gerações não conseguem mais criar vínculos. Se o fazem, acabam torcendo para times da Itália, da Espanha, da Inglaterra, lugares onde esses jogadores estão.
Até os anos oitenta, porém, era diferente. Existiam esses jogadores aqui, bem perto de nós. No vídeo que está no Youtube, abaixo, veja a emoção do filho do humorista Costinha (já morto), ao conhecer Zico, que estava no Flamengo. Saudades do tempo em que tínhamos isso por aqui (reclamação que vale para outros universos da nossa sociedade).
Só quatro disputarão o título Paulista. Santos e São Paulo estão dentro. As outras duas vagas são paqueradas por seis equipes. Todas elas de calculadora nas mãos:
São Caetano – 30 pontos: enfreta Bragantino, Barueri, São Bento e Rio Branco. Pode chegar a 42 pontos. Teria até quatro pontos para descartar: dois empates.
Palmeiras – 28 pontos: tem América, São Paulo, Guaratinguerá e São Bento. Tem de ganhar três jogos e tentar arrancar um empate no clássico. Se perder só para o São Paulo chega a 37 pontos.
Paulista – 28 pontos: encara Ponte Preta, Guaratinguetá, Juventus e Rio Claro. Precisa somar 12 pontos para passar o Palmeiras e ainda torcer por um tropeço do rival.
Bragantino – 26 pontos: joga ainda com Paulista, Marília, Sertãozinho e Barueri. Para somar 38 pontos, precisa ganhar todas as partidas. Mesmo assim, torce contra os rivais de cima.
Noroeste – 24 pontos: enfrenta Sertãozinho, Juventus, Santos e Guaratinguetá. Só precisa vencer todos os jogos e torcer por uma combinação de resultados. Chegaria a 36 pontos.
Corinthians – 24 pontos: joga hoje com o Santos. Tem ainda Sertãozinho, América e Santo André. É quase impossível se classificar. Poderia chegar a 36 pontos. Mas não depende somente de suas forças.
A polêmica sobre a contagem do milésimo gol de Romário virou motivo de brincadeiras e exageros. No Rio, o que mais se ouve nas ruas nos últimos dias é o seguinte comentário: “eu também já fiz mil gols”. Será que existe algum boleiro amador, peladeiro, que conta mesmo seus gols?
Depois de um bom começo à frente da equipe, o técnico do Fluminense, Joel Santana, deu um sinal de que a crise é grave – algo que todo mundo sabia. A novidade foi a sinceridade usada pelo treinador ao dar uma idéia da dimensão do problema.
Um dia após ter sido eleito por Romário para comandar o time de craques idealizado pelo Baixinho, Joel não mediu palavras para descrever o momento do Fluminense.
“Não dá para descer mais, estamos no fundo do poço. Não podemos ficar mais ficar nesta situação que já dura 1 ano e três meses”, disse Joel.
Vale a pergunta, quantos treinadores teriam coragem de dizer o que pensam sobre o seu time? Será que Muricy, Leão, Luxemburgo ou Caio Jr. falariam francamente?
Mas, um lembrete para Joel: se pensar bem, vai ver que ainda dá para descer mais. Atualmente, no segundo turno do Campeonato Carioca, o Fluminense é apenas o penúltimo colocado, seis pontos atrás do líder Vasco, que tem nove. E faltam somente três rodadas para o final.
Êta joguinho chato esse da seleção brasileira contra a de Gana.Não repetiu nem de longe a boa atuação que teve contra o Chile, na goleada de 4 a 0. No começo, pareceu que seria interessante, com Vagner Love se movimentando muito mais do que Fred e trocando figurinhas com o famoso trio – Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Kaká. Só que o trio não se mostrava muito a fim de jogo. Como a turma de Gana gosta de chegar junto, como mandava mestre Osvaldo Brandão, as estrelas resolveram poupar as canelas, e o fôlego, para compromissos mais interessantes. Kleber foi discreto e Ilsinho ficou meio perdido num esquema que não previa muitos avanços na lateral, justamente sua característica mais forte. Dizem que a CBF faturou US$ 1 milhão pelo amistoso. Pelo anti-espetáculo apresentado pela seleção, quem pagou tem direito de se sentir lesado.
A bagunça de torcedores na Vila Belmiro na partida entre Santos e São Paulo custou R$ 200 mil de multa ao presidente Marcelo Teixeira e R$ 20 mil a Juvenal Juvêncio. Mais que isso, Santos e São Paulo perderam um mando e terão de jogar longe de suas sedes 80 quilômetros, no mínimo. Boa a decisão da Federação Paulista. Puniu os clubes e seus torcedores, que terão de enfrentar estrada para ver o time. E isso custa dinheiro.Vejo os torcedores como principais culpados pelas arruaças provocadas na Vila. Foram eles que arrancaram privadas para atirar uns nos outros. Mas não isento os clubes de suas responsabilidades na organização. Como o jogo foi na Vila, a diretoria santista falhou. É muito fácil mandar um comunicado para a Polícia Militar pedindo policiamento para as partidas. Paga-se depois um lanche de pão com queijo, um refrigerante qualquer aos policiais e dá-se por encerrada a participação da associação na segurança do estádio. É pouco. É preciso mais, bem mais.
Quanto mais Romário demorar a marcar o milésimo gol, mais motivos vai ter o presidente do Vasco, Eurico Miranda, para comemorar. Ele está no meio de um fogo cruzado em São Januário, com a anulação da eleição no seu clube, e quer conquistar parte dos votos de seu adversário Roberto Dinamite. Conta, para tanto, com Romário e todo apelo do gol 1000 para tentar vencer a nova eleição, determinada pela Justiça.
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