Até terça-feira à noite, apenas 13 mil ingressos dos 70 mil colocados à venda haviam sido adquiridos antecipadamente por torcedores do São Paulo para a partida de logo mais contra o Alianza Lima – a primeira do Tricolor no Morumbi nesta Libertadores.
Tenho duas explicações para essa ‘debandada’ são-paulina do estádio. A primeira delas é a grana curta do torcedor. O dinheiro acabou e o mês não. Boa parte espera o dia do próximo pagamento para voltar a gastar. Esse mês ainda teve carnaval, que sempre ‘morde’ um trocado dos brasileiros.
A segunda explicação, no entanto, é a que mais me incomoda: o alto preço dos ingressos, R$ 30 uma arquibancada. É muito dinheiro para o pobre torcedor.
Numa conta ligeira, seis jogos por mês no Paulista a R$ 15 daria R$ 90, mais um da Libertadores a R$ 30: total R$ 120… quase meio salário mínimo… Muita coisa…
Amor pelo clube não tem limites, mas o dinheiro acaba, né diretoria! Uma sugestão: um jogo por mês com ingressos retirados no CT da Barra Funda. 70 mil ingressos doados para os primeiros 70 mil que forem ao CT em horários pré-estipulados… O clube deixa de ganhar dinheiro, mas cativa seus seguidores…
Vi uma notícia do William, do Palmeiras, prometendo “respeito ao eterno ídolo do clube”. Pensei que estivesse se referindo a Ademir da Guia. Não: falava de Magrão, seu adversário no clássico de domingo,agora vestindo a camisa do Corinthians. Que tempo o nosso, meu Deus!
O zagueiro Marcelo, desconhecido até sua boa apresentação na vitória do Santos sobre o Marília, no fim de semana, é apenas mais uma prova do trabalho de ‘garimpagem’ do técnico Vanderlei Luxemburgo no CT Rei Pelé.
Mais que fazer o time funcionar nas competições que disputa, o treinador deve estar atento ao surgimento e aprimoramente de novos atletas, sobretudo no futebol brasileiro, onde uma bola é basicamente o primeiro presente que um garoto ganha ao deixar o berço.
Se cada técnico revelasse um bom jogador das bases a cada seis meses ou um ano, já estaria de bom tamanho. Quando digo jogador refiro-me ao atleta que vista a camisa e resolva os problemas do time na posição e não apostas antecipadas e imaturas.
Marcelo veio para ficar. No quesito ‘garimpagem’, Luxemburgo está na frente dos seus colegas de profissão.
A semana só está começando, mas o clássico de domingo entre Corinthians e Palmeiras já domina as discussões no futebol paulista. É jogo imperdível, mais pela tradição dessas duas equipes no Estado que propriamente pelo que vêm mostrando na temporada.
O Corinthians, com todos os seus problemas, ainda consegue estar na frente do Palmeiras na classificação do torneio. Ambos têm 16 pontos, mas o time do Parque São Jorge é 7º colocado. A equipe do Palestra é 9ª.
Quem ganhar volta para a briga com os quatro primeiros. Não estará ainda no G-4, mas se aproxima bem deste pelotão.
Será jogo tenso. Caçapa cantada? Terá expulsões. Os próprios jogadores, dos dois lados, já declararam em outras ocosiões ser este o maior clássico do futebol paulista. Para palmeirenses e corintianos é muito bom ganhar de são-paulinos e santistas, mas nada se compara ao sabor de derrotar o ‘grande’ rival. Um vitória no clássico é assunto no domingo, segunda e terça-feira, até o próximo compromisso.
Tivesse de apostar em um, apostaria no Palmeiras, um time que parece ter voltado aos trilhos e que terá semana cheia para trabalhar. Na Fazendinha, tudo parece meio incerto, desde o comportamento do técnico Leão, passando pelo esquema da equipe, e resultando na qualidade dos jogadores, que são razoavelmente bons, mas que andam se atrapalhando com as próprias pernas.
O Corinthians ainda terá uma decisão contra o Pirambu, pela Copa do Brasil, quinta-feira. É jogo ‘fácil’ para o time dentro de campo, mas um tremendo desgaste emocional nos dias e horas que antecedem a partida. O Corinthians sairá no Pacaembu esmagado emocionalmente, embora, aposto, classificado. E a partir daí começará a pensar no Palmeiras.
A edição espanhola do mês de março da revista Rolling Stone, voltada para o universo pop, entrou neste mês no mundo do futebol e traz uma entrevista com o atacante camaronês Eto’o. O atacante do Barcelona reforça sua personalidade forte (“Peco por ser sincero, mas não há muito que fazer sobre isso”, diz) e fala sobre o fato de ser uma estrela negra em um continente que sofre com o problema do racismo – o próprio já foi vítima de bananas atiradas no campo por torcedores.
A forma como ele encara isso foi bem comparada com o meio-campo inglês David Beckham, loiro, branco, milionário e casado com uma ex-cantora, Victoria – um dos melhores exemplos do mundo pop atual. “Não invejo a vida de Beckham, ele é mais elegante que eu, mas eu sou melhor que ele”, disse. “Graças a Deus aprendi descalço a jogar futebol. Nunca cairei na armadilha de pensar que sou melhor que os demais”. Reforça, lembrando as origens e mostrando que craques surgem das mais variadas formas e lugares.
O técnico do Vasco, Renato Gaúcho, parece às vezes uma cópia do presidente de seu clube, Eurico Miranda. Após a derrota para o Flamengo, pela semifinal da Taça Guanabara, no domingo, foi muito infeliz na entrevista coletiva. Desafiou jornalistas com arrogância. Deu mau exemplo.
Em tempo: o Flamengo mereceu vencer. Foi melhor o tempo todo e o jogo nem deveria ter ido para os pênaltis.
Por falar em pênaltis, Romário quis ser o último a bater. Uma espera inútil. Romário não sabia – será que deveria saber? – que seus colegas são aprendizes nessas cobranças, com exceção de Leandro Amaral.
O Palmeiras ganhou um refresco com a vitória sobre o São Caetano. Já o Corinthians patinou de novo no empate de sábado com o Rio Branco. Leão está sob fogo cruzado do seu elenco, da direção do clube e da mídia, com a qual ele se relaciona muito mal. Tem, no meio da semana, encontro marcado com o Pirambu, que rima com Pacaembu. Domingo, Palmeiras e Corinthians se encontram. Deve ser um clássico de arrepiar. E, conforme o resultado, cabeças rolam. A semana vai ser de alta temperatura, mesmo que chegue uma frente fria por aí.
No dia 24 de janeiro, durante partida entre América e Volta Redonda, no campo do América, um torcedor jogou uma latinha em campo. Poucos dias depois, o América foi punido com perda de mando de campo e teve de enfrentar o Vasco em 7 de fevereiro fora de seu estádio – o confronto foi no Maracanã.
Nos corredores da Federação de Futebol do Rio, o comentário era de que o Vasco agira nos bastidores para tirar o jogo do Estádio Giulite Coutinho. Verdade ou não, o que importa é o resultado final: o América venceu por 2 a 1.
Em 31 de janeiro, durante a partida entre Botafogo e Cabofriense, em Cabo Frio, transmitida pela TV Globo, ficou evidente que alguém do meio da torcida do Botafogo jogou uma latinha em campo. O árbitro atravessou o campo com a latinha na mão e a entregou a um de seus assistentes. Esse caso até agora não foi julgado pela Justiça Esportiva do Rio – o que só deve ocorrer dia 28.
A pergunta que fica no ar:
Por que no caso do América o julgamento foi em 10 dias e, no caso do Botafogo, deve ser feito somente um mês depois do incidente?
Paulo Baier confirmou sua saída do Palmeiras. Disse ter feito um acordo sobre os sete meses de direitos de imagem atrasados. Abriu mão do dinheiro em troca de sua liberdade. Alguma coisa parece-me entranha nessa história toda. Ele diz não ter nada acertado com outra equipe e que pensa somente em descansar.
Descansar? Mas os jogadores voltaram de férias há menos de três meses, fizeram nove jogos no Paulista e um na Copa do Brasil. Descansar do que então, cara pálida?
E cá entre nós, vocês já viram jogador de futebol abrir mão de dinheiro assim tão facilmente, para se dizer depois desempregado, como disse Baier em sua entrevista de despedida? Claro que não. Jogador não rasga dinheiro. E é claro que depois da ‘semaninha’ que Baier pediu para descansar, ele se apresentará em algum novo clube.
Clube este que certamente já lhe adiantou algum a título de ‘luvas’. Pela Lei Pelé, o jogador de futebol tem o direito de romper seu contrato se o clube para o qual trabalha atrasar três meses de salário. Foi o que Baier fez, de forma amigável. E o Palmeiras ficou a ver navios…
O problema do técnico Emerson Leão é que ele se impõe mais pelo medo ou receio dos seus jogadores que propriamente pelo bom trabalho apresentado na temporada. Acho Leão o treinador de maior peso hoje no futebol brasileiro, mais até que o Luxemburgo, que anda meio ‘quietão’ lá na Baixada.
E sei também que ele é de vestir a camisa dos clubes que o contratam até o último dia de acerto. Mas perece que está se perdendo no Parque São Jorge, onde tinha tudo para dar certo, ganhar títulos, trabalhar direito.
Leão precisa dar uma cara a este time, mesmo se tiver de amargar alguns resultados ruins. Tudo bem que enfrenta problemas de expulsões e contusões, mas precisa apostar numa equipe e esquema de jogo e confiar nele até o fim.
Muricy Ramalho faz isso no São Paulo e tem dado certo. Tem uma base montada há duas temporadas e vai encaixando aqui e ali peças que lhe são dadas pela diretoria. O time vai ‘revelando’ jogadores sem perder a pegada. Com isso, Muricy ganha o respeito da moçada.
Leão tem competência e elenco para fazer o mesmo, e se começar no Paulista poderá colher os frutos já neste Brasileiro. Brigar com árbitros e sair na bronca com jornalistas deve ser secundário em seu dia-a-dia. E parece que não está sendo…
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