Aproveitei as férias do futebol para assistir à série Jogos Para Sempre, no SporTV. Ótima e simples fórmula, com partidas históricas sendo comentadas por alguns dos seus protagonistas. Vi, por exemplo, Flamengo 1 Vasco 0, na decisão do Carioca de 1978; Corinthians 1 Fluminense 1, na invasão corintiana ao Maracanã, em 1976; Palmeiras 3 River 0 na semifinal da Libertadores de 1999; Santos 2 Boca 1 na final da Libertadores de 1963. E vários outros. Que jogos! Era um tempo em que o Brasil mantinha seus craques em casa e portanto podia oferecer a nós, torcedores, espetáculos dignos de reis. Tudo mudou? Sim, mas se mudou, por que não pode mudar de novo? Ou vocês acham que a História acabou? Que nada: o mundo é redondo e dá voltas, como uma bola.
Esses são meus votos para 2007 – que as coisas comecem a melhorar por aqui, nem que seja um pouquinho, para que a gente possa alimentar a esperança de ter de novo, talvez num futuro muito distante, o melhor futebol do mundo jogado aqui, para nós.
Um grande abraço e excelente 2007 a todos!
A delegacia e a justiça não são mais novidades no noticiário envolvendo o campeão mundial dos pesos pesados Mike Tyson. Ao longo de sua vida, ele já prestou depoimento, foi preso e julgado várias vezes. Na noite desta sexta ele acrescentou mais uma, quando teria admitido o uso de cocaína.
Abaixo, uma lista com alguns dos problemas do ex-boxeador:
1978 - É preso aos 12 anos por pequenos roubos em Nova York e é levado para um reformatório
1986 - É acusado de abordar sexualmente uma caixa de um shopping de Albany, Nova York.
1987 - Uma recepcionista de um estacionamento acusa Tyson de tentar beijá-la à força.
1988 - Casamento com a atriz Robin Givens dura 8 meses. Ela diz que ele é maníaco depressivo. Tyson bate o carro em uma árvore. Há suspeita de tentativa de suicídio.
1990 - É acusado de abusar sexualmente de uma massagista de Robin Givens.
1991 - Em Indiana, a Miss America Negra Desireé Washington acusa o pugilista de estupro.
1992 - É julgado e condenado.
1997 - Tyson morde as orelhas de Evander Holyfield e é desclassificado. Tem sua licença cassada por um ano.
1998 - Processa o empresário Don King em US$ 100 milhões. Envolve-se em um acidente de carro e agride dois motoristas.
1999 - Condenado, cumpre oito meses de prisão.
2003 - Decreta falência, após ganhar US$ 300 milhões na carreira.
2005 - Tyson agride cinegrafista em casa noturna de São Paulo.
2006 - Ele é detido no Arizona (EUA) com cocaína. Policial diz que ele teria admitido o uso.
A pergunta que fica no ar é: Como pode um campeão fenomenal como ele arranhar tanto sua imagem? O que ficará para o futuro?
Leia mais sobre a detenção de Tyson no Portal Estadão
O interessante não é o Santos contratar um zagueiro de 37 anos, como Antonio Carlos, num ano em que precisa participar da Libertadores, entre outras disputas. Interessante, mesmo, é o Antonio Carlos dizer que, como deseja encerrar a carreira este ano e ser técnico de futebol, nada melhor do que fazer um estágio com o Vanderlei Luxemburgo. Quer dizer, quando um atacante enfiar uma bola no meio das canetas dele, e a torcida vaiar, o Antonio Carlos vai poder dizer: “pô, sou só estagiário…”

A torcida do Cruzeiro votou na tradição, e o clube terá apenas as estrelas que formam o Cruzeiro do Sul no uniforme de 2007, em vez do distintivo completo do clube, que vem sendo usado desde 2003. A opção com as estrelas, e sem a coroa, que representa a Tríplice Coroa obtida em 2003 (os títulos do Mineiro, da Copa do Brasil e o inédito Brasileirão), foi escolhida por 53% dos mais de 13 mil torcedores que participaram da votação no site oficial, nas últimas duas semanas.
O escudo foi criado em 1943, quando o clube se tornou Cruzeiro e abandonou o nome Palestra Itália, assim como fizera o Palmeiras no ano anterior. Em 1959, o clube decidiu usar apenas as estrelas na camisa, e foi assim que o Cruzeiro se tornou conhecido em todo o país – foi assim que, em 1966, comandado por Tostão, o time conquistou a Taça Brasil de 1966, goleando o Santos de Pelé por 6 a 2.
Em 2000, a diretoria novamente mudou de idéia e reaproveitou o escudo. Dois anos depois, voltaram as estrelas, e com elas o time venceu o Mineiro e a Copa do Brasil em 2003, para em seguida voltar o escudo, presente na conquista do Brasileirão e até o fim deste ano. A coroa, que tem presença obrigatória no uniforme desde 2004, segundo o estatuto do clube, ficará em outro lugar.
“Fiquei surpreso, mas o resultado prova que a torcida estava com saudades das estrelas soltas. Os dois símbolos, na minha opinião, são muito bonitos, mas a pesquisa vem confirmar que temos uma administração democrática e que a participação e a força da nossa torcida são fundamentais para o nosso sucesso”, disse o presidente Alvimar Perrella, num arroubo de falta de modéstia.
Quem está com saudades, no entanto, vai ter de esperar um pouco mais, porque a fabricante, a Puma, só deve apresentar o novo modelo no fim de fevereiro.
Ótima a lei aprovada pela Câmara que proíbe jogos depois das 21h. Agora o prefeito Gilberto Kassab terá 60 dias para sancioná-la. Nesse meio-tempo as pressões irão rolar. É que a Todo-Poderosa gosta de colocar os jogos às 21h45 para não atrapalhar a novela. E o torcedor? O torcedor que se dane. Se quiser ver o seu time, que se sujeite a sair do estádio à meia-noite, numa cidade com os problemas de segurança como São Paulo. E que durma pouco, se conseguir chegar em casa, para ir ao trabalho na manhã seguinte. Enquanto isso, leio no Lance! que o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, já se pronunciou contra a lei e a favor da Globo. Assim são as coisas neste País. Pensa-se no interesse de todas as partes, menos na do consumidor final. Cabe perguntar: o que seria do futebol se não fosse o torcedor, hein?
O Real Madrid pagou US$ 8 milhões para tirar do Fluminense o lateral-esquerdo Marcelo, de 18 anos. Ele chegou com status de “futuro Roberto Carlos”, e a diretoria do tricolor carioca deve ter achado que fez um negócio da China. Pois o mesmo Real pagou US$ 17 milhões para contratar o franco-argentino Higuaín, do River Plate, e nesta quinta fechou pela bagatela de US$ 27 milhões a contratação do volante Gago, do Boca Juniors, apontado como o “futuro Redondo”. Pagará a fatura em três parcelas anuais de US$ 9 milhões, ou seja, um Gago é igual a mais que três Marcelos.
Não cabe aqui discutir a diferença técnica entre Gago, Higuaín e Marcelo, até porque os três até agora ainda não ultrapassaram a condição de promessa – e a diretoria do Real sabe disso, tanto que o técnico Fabio Capello já admitiu que são três apostas que o clube está fazendo. Apostas caras, mas ainda assim apostas.
O que fica é a impressão de que, se fizesse um pouco mais de jogo duro, a diretoria do Fluminense poderia aumentar o faturamento conseguido com o jogador. O problema é que a penúria dos clubes brasileiros é tamanha, e a sede dos empresários de igual tamanho, que os clubes não resistem ao primeiro maço de dólares (ou euros) que é balançado com origem no Velho Mundo.
É uma pena, porque nosso futebol fica cada vez mais pobre de talentos. Isso o torna menos atrativo, por exemplo, para que a transmissão pela TV seja vendida mundo afora – o que seria uma saída para aumentar a renda dos clubes. Cai também o interesse dos patrocinadores, a freqüência do público nos estádios, a venda de camisas e de produtos com a logomarca dos clubes. Assim, há menos dinheiro para pagar os salários e segurar os craques – que acabam indo cada vez mais cedo, e mais facilmente, para o exterior.
Uma bola de neve gigante e incontrolável, de fato. Mas na Argentina a situação tampouco é muito mais animadora – e o Boca ignorou solenemente a primeira proposta do Real por Gago, de cerca de US$ 22 milhões. Não porque não precisa do dinheiro, mas porque sabe do valor que seu produto pode alcançar. Coisa que o Fluminense não soube fazer com Marcelo. Por quanto o Flu venderá sua próxima revelação?
O matemático holandês John Einmahl, da Universidade de Tilburg, calculou que o recorde absoluto dos 100 metros rasos jamais será inferior a 9s29. A marca é quase meio segundo inferior ao atual recorde, 9s77, dividido entre o jamaicano Asafa Powell e o norte-americano Justin Gatlin, hoje suspenso por uso de doping.
Einmahl baseou-se na teoria dos valores extremos, que calcula eventos associados a probabilidades muito pequenas ou fatos raros – teoria utilizada por seguradoras para o cálculo de apólices -, e fez projeções estatísticas depois de analisar as melhores marcas de 1.546 atletas masculinos e 1.024 atletas femininas de elite de cada uma das 14 provas estudadas.
O estudo aponta que esses recordes não dependem de nenhuma evolução tecnológica, apenas de condições físicas e técnicas dos atletas, e citou uma marca especialmente notável, a da maratona, hoje nas mãos do queniano Paul Tergat, com 2h04min55s. Para ele, esse índice só poderá ser reduzido em no máximo 49 segundos. Einmahl prevê, no entanto, grande evolução na marca da maratona feminina, hoje da britânica Paula Radcliffe, 2h15min25s, que pode ser reduzida em até 8 minutos e 50 segundos.
Os cálculos de Einmahl vão na contramão de outros estudiosos, que apontam uma margem ínfima para a redução de recordes nas provas de velocidade. Ele acredita, por exemplo, que os 19s32, recorde dos 200 metros rasos que pertence desde 1996 ao norte-americano Michael Johnson, podem cair até um segundo. É esperar para ver.
Confesso que chego ao fim do ano em dúvida: qual o melhor time brasileiro, Inter ou São Paulo? O Inter foi campeão da Libertadores e Mundial. O São Paulo foi campeão brasileiro. Já no confronto direto entre os dois deu Inter. Ainda assim, não sei não – acho um páreo pra lá de equilibrado. Agora, quanto à satisfação das duas torcidas, tenho menos dúvidas. Se a do São Paulo vibrou com o título nacional que não ganhava havia muito tempo, a do Inter simplesmente comemorou a maior conquista de toda a sua história. Não há o que se compare a ser campeão do mundo, e, sabe como é?, a primeira vez a gente nunca esquece.
Cannavaro foi eleito pela Fifa como o melhor jogador do mundo (leia mais aqui). Foi premiado pela perfeita atuação como capitão e zagueiro da Itália na conquista do tetra na Copa da Alemanha.
Mas o título de melhor do mundo parece ser meio exagerado para Cannavaro. O problema é que 2006 não teve uma unanimidade, um jogador que fosse evidentemente melhor dos que os outros, como aconteceu em anos anteriores.
Ronaldinho Gaúcho continua brilhando nos gramados e ainda teve um primeiro semestre excelente, com títulos pelo Barcelona. Mas falhou na hora mais importante do ano: a Copa do Mundo.
Zidane fez uma boa Copa, apesar da estúpida cabeçada na final. Mas não foi além disso, já que se aposentou depois do Mundial e não teve um primeiro semestre muito bom. E no Mundial, ele nem conseguiu levar a França ao título.
É possível citar muitos outros candidatos, como Henry, Kaká, Eto’o, mas nenhum mostrou ser superior aos demais. Então, para quem dar o prêmio de melhor do mundo em 2006? Ninguém mereceu.
A conquista do título da Copa do Mundo de Clubes é o desfecho perfeito para o melhor ano da história do Internacional, que enfim se eleva ao status que indica seu nome. Isso tudo é o reflexo de um trabalho de longo prazo, com planejamento e dedicação, realizado há pelo menos três anos no clube de Porto Alegre.
Logo depois de conquistar a Copa Libertadores neste ano, ao ganhar do forte time do São Paulo na decisão (que seria depois campeão brasileiro), o time do técnico Abel Braga (que vinha com uma fama de pé-frio nas costas por ter perdido títulos principalmente da Copa do Brasil) dizia que iria batalhar por tudo, voltado ao Mundial. Conseguiu isso, pois esteve direto na briga pelo título nacional.
Só faltou mesmo o título gaúcho, que foi perdido para o arqui-rival Grêmio. Mas isso agora fica em segundo plano. O que fica marcado é que o Inter agora se igualou ao adversário. Mesmo jogando de branco na final, o time colorado é dono do mundo. Parabéns.
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