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Bateia encerra as atividades e editor comenta os dissabores do mercado editorial

Maria Fernanda Rodrigues

06 junho 2014 | 22:22

A coluna Babel, publicada no caderno 2 de 7 de junho, traz informações sobre o fim da editora Bateia e o desabafo de Lui Fagundes, o novo selo da Dublinense e uma pegada mais comercial para a editora gaúcha, Marta Suplicy “contrariada” com o projeto de Patricia Engel Secco de simplificar Machado de Assis e mais.

INDEPENDENTE – 1
Bateia fecha e editor comenta os dissabores do mercado

Há dois anos a coluna anunciava a criação da Bateia, editora idealizada por Lui Fagundes para publicar bons e quase desconhecidos autores (Mircea Cartarescu, Juan Emar, Tomas Espedal, etc.). Para ajudar a bancar isso, editaria infantis – e começou a coleção Firula com títulos sobre o Grêmio e o Inter, que foram licenciados pelos clubes. Nesse meio tempo, Fagundes fez uma grande aposta para uma editora independente: lançou Acorn, a primeira obra de Yoko Ono (na foto de Lucas Jackson/Reuters) a sair no País. Hoje, desanimado com as dificuldades, sobretudo de entrada nas livrarias, ele sai de campo. Em entrevista à Babel, ele comenta as agruras de ser pequeno, o derradeiro livro, os planos e faz um desabafo: “Se Acorn tivesse sido publicado por editoras como Companhia das Letras ou Cosac Naify, ele estaria em todas as estantes com destaque”.

INDEPENDENTE – 2
Um pé lá e outro cá
A gaúcha Dublinense está lançando os primeiros títulos do Terceiro Selo: Melhor Não Abrir Essa Gaveta – Contos de Razão e Loucura, organizado por Luiz Antonio de Assis Brasil, e Talvez Mais Tarde, Ou Amanhã, de Gecy Belmonte, também de contos.
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A ideia do editor Gustavo Faraon é que o selo reúna “as promessas, livros autorais, gente jovem e escritores mais iniciantes”. Os autores da coletânea saíram todos da oficina de criação literária do organizador.
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Com isso, a Dublinense propriamente dita passa a se dedicar a obras mais comerciais, como À Sombra do Meu Irmão: Vida e Morte na SS, de Uwe Timm.

PRÊMIO
Ops, de novo
Com Terminália, romance resultante de mestrado em escrita criativa feito em Nova York, Roberto Taddei poderia concorrer ao Prêmio São Paulo na categoria autor estreante com menos de 40 anos. Mas a Prumo não inscreveu a obra.
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A mudança da editora para o Rio – para ficar perto da Rocco, do mesmo dono -, atrapalhou, justifica a editora. Em 2011, também por esquecimento, todos os autores da Rocco ficaram de fora do Portugal Telecom.
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A editora diz que a obra de Taddei, no entanto, foi inscrita no Portugal Telecom. Mas o romance não conseguiu chegar à semifinal – a lista saiu na 2.ª feira.

CLÁSSICO
Dos ricos para os pobres
Robin Hood, de Alexandre Dumas (foto), será lançado em julho pela Zahar com tradução, notas e apresentação de Jorge Bastos. A obra traz dois volumes: O Príncipe dos Ladrões e O Proscrito.

SOCIOLOGIA
O fim do capital
Acaba de sair, em inglês, 17 Contradições e o Fim do Capitalismo, em que o geógrafo britânico David Harvey comenta, entre outras coisas, a recente onda de protestos Brasil afora. Sairá, aqui, pela Boitempo em 2015.

POLÊMICA
Machado maculado
Henrique Autran Dourado, diretor do Conservatório Dramático e Musical de Tatuí e filho do escritor Autran Dourado, reproduziu no Facebook a resposta da ministra Marta Suplicy às críticas que ele fez ao projeto de Patricia Secco de ‘simplificar’ clássicos. A ministra disse que a decisão de apoiar o projeto foi anterior à sua chegada ao MinC, mas que ela ficou “contrariada ao tomar conhecimento do fato, pois iniciativas como essa maculam os grandes escritores”.
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O Estado teve acesso à integra da proposta de Secco em que se lê, sem preocupação com a gramática, que “haverão quando necessário, adaptações”. Sic. E a tragédia estava anunciada.