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Das várias notas publicadas no Estado sobre o Titanic, 3 dias após o naufrágio, uma delas informava a existência de vítima com nome de José Brito. Não se sabia se ele era brasileiro ou português.

 

O Estado de S. Paulo – 18/4/1912

 

O “José Brito” se tratava de José Joaquim de Brito. Era um dos 4 portugueses embarcados que iriam tentar a vida em outros países.
Brito, o mais abastados dos emigrantes portugueses no navio, estava na segunda classe do Titanic. Chegando em Nova York trocaria de barco para chegar ao seu destino final, São Paulo. Brito era comerciante e tentara a vida em Londres. Os outros 3, José Neto Jardim, Manuel Gonçalves Estanislau e Domingos Fernandes Coelho estavam na 3ª classe. Eram da Ilha da Madeira e iriam para Nova York. Os corpos dos portugueses nunca foram achados ou identificados.

 

Dados do Emigrante José Joaquim de Brito no site Titanic-Titanic

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# Há cem anos, Titanic era lançado ao mar

# O naufrágio nas páginas do Estadão

 

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Pesquisa e Texto: Lizbeth Batista, Carlos Eduardo Entini e Rose Saconi
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Primeira imagem do Titanic publicada no Estado de S.Paulo

O Estado de S. Paulo, 19 de abril de 1912

No dia seguinte ao naufrágio,16 de abril de 1912, o jornal O Estado de S. Paulo publicou a primeira notícia sobre o desastre.

Ainda eram poucas as informações que chegavam. Os telegramas eram desencontrados e inconsistentes.

Com o passar dos dias chegaram vários telegramas, de diferentes partes do mundo, anunciando que o naufrágio fez vítimas. O número de mortos ainda era impreciso, mas a sensação que fora grande a catástrofe dominava os espíritos. Parentes e amigos dos viajantes viviam um misto de preocupação, aflição e esperança.

Foi só com a chegada do RMS Carpathia à Nova York que a tragédia começou a ganhar forma concreta. Mais da metade das pessoas à bordo pereceram no mar gelado.

Viaje pelas galerias, conheça detalhes, testemunhos e impressões publicadas imediatamente após a tragédia marítima mais marcante do século XX:

Em busca de notícias, parentes e jornalistas dirigiam-se diariamente aos escritórios da Companhia White Star Line. Em Londres e em Nova York, uma multidão ocupou seus prédios.

A Companhia White Star Line pela primeira vez declara que é alto o número de mortos, mas não precisa quantos.

Em terra, o desastre tinha as perdas materiais contabilizadas. O prejuízo não atingiu apenas a Companhia White Star Line. Todas as companhias de transporte marítimo viram suas cotações caírem nas Bolsas e as Companhias de Seguros podiam prever as altas indenizações para desembolsar.

A chegada do RMS Carpathia a Nova York: com ele vem a confirmação do grande número de vítimas. Em seus depoimentos, sobreviventes revelam os dramáticos momentos da madrugada do dia 15, desde o choque contra o iceberg no final da noite do dia 14 à confusão e desespero no abandono do transatlântico que afundava.

A Marinha Mercante brasileira transmitiu seus sentimentos aos companheiros ingleses e declarou luto por 3 dias.
Na Inglaterra, o primeiro- ministro, sr. Herbert Asquith declarou que as tradições da Marinha foram mantidas durante o naufrágio. Enalteceu os bravos homens à bordo do Titanic que garantiram o salvamento dos mais fracos e zelaram pela integridade de mulheres e crianças.

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Pesquisa e Texto: Lizbeth Batista,  Carlos Eduardo Entini e Rose Saconi
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A Mão do Destino

Dudle Tennat/ The Graphic London News, 1912

Novos pedaços do complicado quebra cabeças que tentam remontar os momentos finais do Titanic surgem de todas as partes. Mas muitos dos motivos da tragédia ainda permanecem desconhecidos.

Nesse processo, as expedições submarinas que exploram os restos do naufrágio são determinantes para desvendar quais foram os danos causados pelo iceberg e como a estrutura do navio reagiu à invasão da água e à enorme pressão que o puxava para o fundo

A investigação de documentos da época e o intenso trabalho de recuperação da história oral tem suma importância também. Eles reúnem desde relatos e diários de sobreviventes como o de seus parentes. Foi assim que passamos a conhecer segredos mantidos por oficiais do navio em seus testemunhos nas comissões de inquéritos.

O mistério em torno daquela desventurada noite faz parte do fascínio exercido pela história do Titanic. A mais famosa tragédia marítima excita o imaginário coletivo há décadas.

O filme Titanic, de 1997, superpremiado e detentor de recordes de bilheteria, foi relançado em versão 3D esta semana, na data do centenário do naufrágio. Esta obra, juntamente a milhares de publicações  e dezenas de documentários,  são grande prova da atração que sua história exerce até hoje.

Foram só  três dias após o acidente, com a chegada dos sobreviventes em Nova York, que o público pôde conhecer um pouco mais sobre o desastre.

Os 710 sobreviventes trazidos pelo transatlântico RMS Carpathia  relataram à imprensa os tenebrosos momentos vividos no gelado mar do Atlântico Norte.

Com base nesses relatos, diferentes artistas tentaram recriar o dantesco naufrágio.

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14 de abril de 1912

The Graphic London News, 1912

Desenho de Henri Lanos

Naquelas primeiras horas da noite de 14 de abril de 1912, os passageiros que caminhavam pelo deck do transatlântico relataram que podiam sentir que ela seria memorável. Não por preverem a enorme tragédia que se abateria sobre eles. Mas porque, com a noite, todo o mau tempo e o forte balanço de horas de mar bravio haviam ficado para trás com o dia, as águas do Atlântico Norte estavam plácidas e o céu coberto por estrelas, formando uma visão digna de lembrança.

Cherbourg , França, abril de 1912./ L’Illustration, 1912.

Imagem do majestoso transatlântico à noite, todo iluminado.

Mas até então formidável, a viagem inaugural do Titanic em poucas horas se transformou num dos maiores desastres do século XX .

Às 23h40 o Titanic atingiu um iceberg. No choque entre os dois gigantes, a natureza venceu o homem. Em 160 minutos, o majestoso navio foi engolido pelas águas geladas do Atlântico Norte. A estimativa é que, das mais de 2.200 pessoas a bordo, pouco mais de 700 sobreviveram.

O naufrágio do Titanic é, até hoje, uma das mais emblemáticas tragédias marítimas. Em 1912, era difícil de acreditar que o suprassumo da engenharia naval tenha naufragado na sua primeira travessia.

Todos se perguntavam como um casco feito de placas de aço soldadas e unidas por três milhões de rebites de aço e ferro havia sido rasgado pela maciça placa de gelo? Como seus 16 compartimentos estanques, com um sistema de drenagem e portas à prova d’água que fechavam em alguns segundos não impediram que o navio afundasse rapidamente?

Superada a frágil ideia da infalibilidade do moderno transatlântico, as perguntas se voltaram para os procedimentos de segurança. Por que haviam poucos botes salvas vidas? Quais foram as falhas na comunicação entre a tripulação que levaram à perda de vidas? Por que o navio não reduziu a velocidade e manteve um sistema de vigília mais atento sabendo que estava numa zona de icebergs?

Dois inquéritos foram abertos. Um na Inglaterra e outro nos Estados Unidos. O mundo buscava respostas.

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14.abril.2012 08:02:38

Ameaça submersa

The Graphic London News, 1912.

Mapa da região gelada onde o Titanic encontrou seu fim

No dia 13 de abril de 1912, o comandante do Titanic, Capitão Smith, recebeu avisos de rádio sobre icebergs avistados na sua rota. Achou prudente traçar um novo curso, mas, confiante na potência e na segurança oferecida por uma embarcação do porte do seu transatlântico, seguiu a prática comum à época e não reduziu sua velocidade, manteve o Titanic a pleno vapor.

Favorecido pelo bom tempo encontrado até então, o Titanic vinha cumprindo sua promessa de ser um dos navios mais velozes do seu tempo. Nos três dias de viagem, desde seu último embarque, já cruzara 200 milhas a uma velocidade média de 21 nós.

As coisas mudaram no dia seguinte, com a chegada de uma frente fria e a aproximação da região dos Grandes Bancos da Terra Nova, famosa zona de icebergs do Atlântico Norte.

Em 14 de abril de 1912, dia em que o transatlântico colidiu com a enorme placa de gelo, sabe-se que não menos que 7 avisos de icebergs foram enviados para sua central telegráfica.

Icebergs

Constituídos essencialmente de água doce, os icebergs são blocos de gelo que se soltam das geleiras formadas na era glacial.

A ponta do velho gigante gelado esconde o perigo. Apenas cerca de 1/7 da massa dos icebergs pode ser vistas à superfície, sua parte mais extensa, cerca 6/7 , fica submersa. Daí o grande risco que ele oferece à navegação nos mares gelados .

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