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Arquivo Estado

Domingo, 08 de outubro de 1911

Novas informações sobre a situação em Portugal eram publicadas na edição de 08 de outubro de 1911.  Falavam do cenário no norte do país.

Apesar do apoio dos antigos monarcas  exilados, o levante monarquista contra a República foi frustrado.  Telegramas vindos de Lisboa diziam: “Causam aqui a maior surprezas as notícias vindas do estrangeiro a propósito da reação política da Republica. Os insistentes pedidos telegraphicos de informações, que particulares e commerciantes do estrangeiro, especialmente do Brasil, dirigem aos seus parentes e correspondentes, fazem crêr que se divulgam no exterior as mais fantásticas notícias a respeito da conspiração monarchica.(…)Não há, porém, na vida política do paiz facto algum que justifique tão alarmante s telegrammas. O que se está passando é a conseqüência natural da vasta conspiração monarquista que o governo conseguiu descobrir e que realmente conta com o auxílio de alguns portuguezes do Brasil e dos clericaes de todos ao pizes, principalmente de Hespanha. (…)”

Terminavam tranqüilizando os partidários do governo republicano

 

Se hoje a internet não é terreno seguro em se tratando de veracidade de informações, tão pouco o telegrafo era em outros tempos.

Em 1911, as informações via telegrafo tinham sua cota de imprecisão. Jornais publicavam notas telegráficas numa edição para na seguinte se retratar. Telegramas falsos eram recebidos com freqüência, vindos, principalmente, de locais envolvidos em conflitos.

Para não abalar a confiança dos seus leitores, o Estado procurava checar essas informações. O jornal mantinha correspondentes nos Estados Unidos, na Europa e na América Latina, e enviava correspondentes especiais para cobertura de conflitos e eventos de sumo interesse para o país.

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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Sexta-feira, 06 deoutubro de 1911

Comemorando um ano de vida, a República Portuguesa estava em festa e também em perigo.

O jornal trazia telegramas que contavam como transcorreram os festejos em Portugal e tratavam da incipiente rebelião na região norte.

As celebrações só não foram mais animadas por conta do mau tempo e da tentativa de um levante contra o governo republicano português.

Telegramas enviados da região do Porto falavam do levante de forças monarquistas numa tentativa de insurreição militar na região.

 

 

A invasão monarquista, chefiada por Henrique Mitchell de Paiva Couceiro era apenas obstáculos enfrentados pelo, relativamente, novo governo democrático de Portugal.  Suas dissensões internas formavam grande entrave para o pleno estabelecimento de suas novas  instituições .

Sua política, naquele momento, de aberto ataque ao monarquismo e perseguição à igreja tornava o impopular entre grande parcela da sociedade lusitana. Medidas como a expulsão de ordens religiosas do país, confisco de suas propriedades, a extinção do ensino religioso nas escolas primárias; faziam crescer as fileiras da oposição.

 

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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 Segunda-feira, 25 de setembro de 1911

A imagem de uma das obras mais emblemáticas do artista português, Jorge Colaço, estampava a página central da edição de 25 de setembro de 1911.

O jornal mostrava aos seus leitores algumas das obras do artista que crescia em popularidade na Europa.

“Jorge Colaço, o admirável caricaturista que o publico hontem applaudiu no Sant’Anna, e cuja figura de mosqueteiro tanta curiosidade desperta actualmente na nossa cidade, offerece uma modalidade muito interessante do seu grande talento artístico nos dois trabalhos que acima reproduzimos. São dois esplendidos painéis em azulejos compostos e pintados por Colaço com a mestria que o tornou inexcedível em Portugal e que lhe garante um lugar de destaque entre os artistas da Europa. A industria artística dos azulejos em Portugal, de que os nossos conventos do rio e da Bahia conservam alguns preciosos exemplares, encontrou em Jorge Colaço um renovador que lhe tem insuflado um espírito novo de accôrdo com os progressos da arte e da cultura em geral.” (O Estado de S.Paulo, 23/09/1911)

O Estado de S.Paulo, 23/09/1911

Nascido no Marrocos, Colaço foi aluno de Ferdinand Cormon e estudou arte em Paris e em Madri.

Conhecido pelo seu domínio do desenho realizou alguns trabalhos de caricatura, uma arte ainda incipiente.

Foi seu trabalho em azulejos trouxe-lhe reconhecimento internacional.

Com temáticas medievais, manuelinas e bucólicas, seus conhecidos azulejos azuis e brancos estão espalhados em lindos painéis que adornam prédios públicos de Portugal. Entre eles estão os painéis do Pavilhão Carlos Lopes (1922), da Academia Militar, da Casa do Alentejo (1918) e da loja A Merendinha, em Lisboa; os da Estação de São Bento (1915), das paredes externas das Igrejas de Santo Ildefonso (1932) e dos Congregados (1929), no Porto; e os da decoração do Palace-Hotel de  Buçaco (1907), no Luso.

Fora do país, seus painéis compõem a decoração do Palácio de Windsor, na Inglaterra, e também podem ser encontrados na Suíça, na Argentina, no Brasil e em Cuba.

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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Uma curiosa nota ocupava a capa do Estado de 04 de agosto de 1911.

Sob o título “socego público” , a nota comunicava que um estado de quietude imperava por toda a República de Portugal.

Sexta-feira, 04 de agosto de 1911

 

Rivalizando com outros telegramas, que davam contata justamente do contrário em outros países, a nota chama atenção ao informar que lá “ reina o socego, não havendo noticia de qualquer incidente desagradavel

Nos telegramas vindos da Alemanha a tensa situação no Marrocos evidenciava a dificuldade de um acordo entre a potência germânica e a França,  nos vindos da Argentina nota-se o agravamento das  desavença diplomáticas entre a nação platina e a Itália em torno de questões sanitárias envolvendo os navios que chegavam à Buenos Aires , levantando suspeitas sobre  o cumprimento da Convenção Sanitária de 1904 por parte do Brasil.

Uma pergunta nos vem à mente diante da nota: quantas vezes a concórdia , e a tranquilidade foram notícia de capa de um jornal?  Talvez essa tenha sido a única.

Pesquisa  e texto: Lizbeth Batista

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Retratada por Carolus-Duran em 1880.

A edição de 06 de julho de 1911 comunicava o falecimento de Dona Maria Pia de sabóia .

A nota lembrava como a antiga rainha consorte de Portugal era querida.

Quinta-feira, 06 de julho de 1911

Grande realizadora de obras filantrópicas e de caridade era chamada pelo povo de “Anjo da Caridade” e “Mãe dos Pobres”. Não se envolvia em assuntos políticos, dirigia seu poder régio às ações sociais. Por sua iniciativa muitas comissões de socorro foram criadas e medidas oficiais foram tomadas para atender os afligidos por grandes tragédias. O auxílio às pessoas atingidas pelas inundações em 1876 e aos parentes das vítimas do incêndio do Teatro Baquet em 1888 estão entre os atos mais lembrados da solidária monarca.

Segunda filha do rei Victor Emanuel II, primeiro rei da Itália, tornou-se rainha aos quinze anos de idade, ao casar-se com o rei de Portugal, D. Luís I de Bragança.

Histórias pessoais que mostravam sua postura em momentos críticos colaboravam para formar uma imagem que refletia força e decisão.

Quando a Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910 empurrou para o exílio a família real portuguesa, D. Maria Pia repeliu a idéia de deixar seu palácio pelos fundos. Declarou: “- A filha de Victor Manuel não tem necessidade de sair por outra porta, que não seja aquella por onde entrou!” Como conta a nota, mandou “pôr o coche á porta do palácio e quando emfim o toma, encarando serenamente a multidão, esta descobre-se com um fundo respeito e vê em silencio partir a rainha (…)Este facto, traduz perfeitamente quanto a rainha d. Maria Pia era estimada pelos portugueses que viam  nella uma alma de elevadas virtudes, a cada passo affirmadas em actos de philantropia e caridade.”

Nos momentos finais de uma revolução gestada em anos de violência e que teve em seu processo um episódio dramático de regicídio, quando um atentado tirou a vida do rei de Portugal, D. Carlos I, e de seu filho, o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, a rainha Maria Pia conseguiu deixar Portugal pela porta da frente.

O silêncio na partida da rainha mostra o respeito de um povo que, em meio à luta para instaurar uma República, reconhece um bom governante, mesmo quando este usa vestes reais.

Pesquisa e Texto: Lizbeth Batista
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