Da abolição da escravidão à promulgação da Constituição, do voo de Santos Dumont à chegada do homem à Lua, da Proclamação da República à redemocratização, do nascimento do futebol à conquista do pentacampeonato, do conflito de Canudos a duas guerras mundiais, não há assunto relevante que não tenha sido noticiado nas páginas do Estadão ao longo de seus 137 anos de história.
Mais de 2 milhões de páginas publicadas pelo jornal desde a sua fundação, em 4 de janeiro de 1875, estarão na íntegra à disposição para consultas na internet a partir do próximo dia 23. Com alguns cliques no computador, tablet ou celular será possível mergulhar na história do Brasil e do mundo.
Mais do que uma poderosa ferramenta de busca de informações, o Acervo Estadão proporcionará uma experiência inédita em termos de disseminação de conhecimento. Convênios com bibliotecas e instituições de ensino do País garantirão acesso pleno a pesquisadores e estudantes. Ao entregar esse valioso acervo aos leitores, o Estado reafirma seu compromisso com a disseminação do conhecimento por meio do jornalismo independente e de qualidade.
A digitalização dará destaque à censura sofrida pelo Estado em vários períodos, especialmente após a edição do Ato Institucional n.º 5 (AI-5) em 13 de dezembro de 1968. As páginas censuradas durante a ditadura militar e nunca publicadas estarão disponíveis tal qual foram planejadas. O leitor poderá ver como o jornal desafiou a censura publicando versos de Camões nos espaços deixados pelas reportagens barradas.
A digitalização dá sequência a um histórico de inovações tecnológicas que sempre marcou a trajetória do Estado. Uma das primeiras foi a contratação da agência de notícias Havas, atual France Presse, pelo jornalista Julio Mesquita, o patriarca da família proprietária da empresa.
O acervo torna possível a consulta dos relatos enviados pelo escritor Euclides da Cunha sobre a Guerra de Canudos, ainda nos primeiros anos da República, no interior da Bahia. O trabalho deu origem ao clássico da literatura brasileira Os Sertões.
Um conversor de valores vai auxiliar o internauta a calcular preços de produtos anunciados em diferentes épocas.
Até recentemente, o trabalho dos pesquisadores interessados em consultar jornais antigos exigia tempo e disposição para folhear originais de papel, em volumosas coleções encadernadas guardadas em bibliotecas. Havia ainda a dificuldades de reprodução e organização, barreiras agora superadas com a possibilidade de fazer buscas pela internet nos arquivos digitalizados.
Perfiladas, as páginas do acervo do Estado cobririam 1.440 km, distância entre São Paulo e Vitória da Conquista (BA). Encadernados, os volumes ocupam 230 metros, altura de um prédio de 76 andares.
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O Estado de S. Paulo – 29/3/1912

Há 100 anos, a página 3 do Estadão reproduzia uma caricatura, aparentemente do presidente argentino Sáenz Peña, publicada na revista portenha Caras y Caretas. Nosso correspondente Ariel Palácios talvez possa explicar melhor a história por trás da caricatura.
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A edição do dia 26 de março de 1912 do Estadão noticiava a compra de um terreno na rua 25 de março, onde seria erguida a primeira sede própria do jornal. A construção ficaria a cargo do engrenheiro Julio Micheli. As novas oficinas gráficas passariam a contar com novas rotativas Marinoni encomendadas na Europa. O novo equipamento permitia uma tiragem de 35.000 exemplares.
Este novo prelo, já encommendado à Casa Marinoni, de Paris, é construído pelo typo especialmente feito por aquella reputada casa para o grande jornal argentino “La Nacion”, de Buenos Aires. O nosso prelo terá sobre este algumas vantagens, que a experiência aconselhou aos constructores. Poderá imprimir um jornal do formado do Estado com o máximo de 64 páginas.
O grau de desenvolvimento attingido pelo Estado e a sua crescente circulação na capital e neste Estado, bem como em Estados da Republica, obrigam-nos a montar installações próprias, onde todos os serviços possam ser feitos com regularidade, assegurando ao mesmo temo, ao pessoal nelle empregado, as condições de hygiene indispensaveis numa officina. Para esse fim adquirimos um amplo terreno à rua Vinte e Cinco de Março onde, de accordo com as plantas acima, serão construidas as nossas officinas.
O prédio ainda existe, foi ampliado em três andares e atualmente é ocupado por uma loja, nos informa o ótimo site São Paulo Antiga:
Pesquisa e Texto: Rose Saconi
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O Estado de S. Paulo – 16/3/1927
Julio Mesquita, o criador da imprensa moderna no Brasil, morreu no dia 15 de março de 1927. Abolicionista e defensor da República, ele dirigiu O Estado de S. Paulo entre 1891 e 1927 com espírito de luta e independência que até hoje norteiam a vida do jornal.
Desde as primeiras colaborações enviadas para A Província, Julio Mesquita se revelou um espírito altamente combativo e um dedicado estudioso das questões públicas.
6/1/1885 – primeiro artigo de Julio Mesquita no Estado
Em 1897 contratou Euclides da Cunha como correspondente da Guerra de Canudos. Quando se tornou o único proprietário do jornal, em 1902, começou a editar a série de reportagens que mais tarde se transformaria numa das obras fundamentais da literatura brasileira: Os Sertões.
Relatos da Guerra
Durante os quatro anos da Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, o Estadão publicou todas as segundas-feiras artigos reflexivos sobre o grande conflito escritos pelo jornalista Julio Mesquita (textos estes que foram publicados em 2002 por Ruy Mesquita Filho no livro A Guerra).
O Estado de S. Paulo – 23/8/1915 – segunda-feira, dia do boletim semanal
Pesquisa: Rose Saconi
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2012
2011