O Estado de S.Paulo – 06/7/1929
“Verdadeira fonte de ensinamentos para a consecução da felicidade conjugal..”

Veja também o blog Reclames do Estadão
Siga o Arquivo Estadão: twitter@estadaoarquivo e facebook/arquivoestadao

Anuncio publicado no Estadão em 1911
Há um século, a mais recente revolução no vestuário feminino era notícia nas páginas do Estadão. O artigo anunciava: “chegou a vez das mulheres, que já atiram ás ortigas faixas elásticas e barbatanas, proclamando a liberdade do busto na elegância do vestuário.” Antes indispensável, o espartilho era agora o grande vilão que atentava contra a saúde e liberdade das damas.
Quinta-feira, 21 de setembro de 1911
No começo do século XX, as mulheres lutavam por maior participação política, igualdade de direitos jurídicos e liberdade de ação. As transformações no vestuário do período demonstravam essas novas demandas. As calças foram incorporadas ao guarda-roupas feminino e os corsets estavam com seus dias contados.
As conquistas femininas, destes anos, passavam pela conquista de direitos sobre o próprio corpo. Na Europa ligas femininas foram organizadas para combater o corset.

É fácil compreender o anseio das senhoras em ver longe de seus armários a roupa de barbatanas e amarras, pois como explicava o artigo, “o espartilho condemna a viver nas mesmas condições de um individuo que tivesse todos os seus ossos fracturados e estivesse protegido pó r um apparelho de gesso, permanentemente applicado, e apenas deixando livres os movimentos do coração e o funccionamento dos pulmões. Dahi o ser hoje impossível a uma senhora descer de um vagão ferro-viario: o collete não permitte absolutamente o jogo das pernas exigido pelos acrobáticos estribos dos nossos vagões de estrada de ferro.(…)”.
Médicos afirmavam que espartilhos muito apertados poderiam levar a problemas circulatórios, dificultar a respiração, promover atrofia muscular e gerar problemas de esterilidade. Higienistas e ginecologistas iniciaram uma verdadeira cruzada contra a vestimenta.
Os mais exaltados chegaram a apontar o “enfraquecimento cerebral” como conseqüência do uso indevido do espartilho. Numa equação fisiológica de difícil compreensão, relacionavam o diâmetro da cintura ao funcionamento cerebral.
A controvérsia era grande. Até mesmo a comunidade médica estava dividida, pois havia aqueles que argumentavam a favor da peça. Defendiam o uso medicinal -com moderação nas amarras- para correção de postura e problemas nas costas.
Entre os defensores dos corsets estavam, também, aqueles que não colocavam em pauta a saúde ou o bem estar das damas. Defendiam o uso da peça para puro deleite visual. Pediam para que “(…) antes de dar a palavra ao médico, deixar que falasse o estheta (…)”.
O autor do texto publicado no jornal, prof. Ernesto Bertarelli, deu voz aos admiradores da silhueta vespa, na matéria dizia “(…) não denunciamos apenas o mal do espartilho: seriamos injustos para com a esthetica, pois somente á custa delle é que nos seduzem os flancos femininos. O collete é o enveloppe da mulher; e como tal lhe esconde deliciosamente os segredos, tornando a promessa mais doce, e mais alta a conquista (…).”
Pesquisa e texto: Lizbeth Batista
Veja também:
# Mulheres de calças chocavam a sociedade em 1911
# Em 1911, calças e aviões também eram coisas de mulher
Siga o Arquivo Estadão: Twitter@arquivo_estadao e Facebook/arquivoestadao
As propostas para regulamentação do trabalho de mulheres e crianças na indústria e no comércio, apresentadas pelo Dr. Deodato Maia ao Instituto da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro, era um dos destaques da edição de 13 de julho de 1911.
A conferência foi realizada na sessão do dia 6 de julho de 1911.
Quinta-feira, 13 de julho de 1911
Além da notícia, o Estado transcreveu uma nota da Gazeta de Notícias que dava mais detalhes sobre o conjunto de propostas apresentadas.
A nota começava dizendo que “o movimento de interesse pelas classes desprotegidas” era “crescente” e avaliava como positivo o emprego da mão-de-obra feminina e infantil nas fábricas e no comércio para o estabelecimento econômico das famílias operárias “foram as fabricas no Rio, criando verdadeiros centros operários em vastos bairros, que solveram a precária situação de pobres familias numerosas, dando trabalho ás crianças e ás mulheres. Outrora a situação do operário, com prole grande era lamentável. O salário, por maior que fosse- e no Brasil pagam-se salarios enormes em comparação com outros paízes- seria irrizorio para o sustento da família. As fabricas deram uma solução ao caso, empregando em serviços leves os rapazes e as mulheres.”
Na seqüência a matéria especificava os pontos que a proposta de regulamentação buscava firmar.
Quanto às crianças determinava que só fossem “admittidos os maiores de 10 annos com 6 horas de trabalho até os 16 annos, intervallo de uma hora nesse tempo, feriados e nos domingos, prohibição de trabalho nos subterrâneos, etc. E mais: permissão para ir á escola, criação de escolas nas fabricas, quando a escola for longe e a regulamentação da entrada, com certidão de edade e certidão sanitária.”
No que tangiam às condições de trabalho das mulheres a nota, sem especificar as idéias apresentadas, dizia que “com a regulamentação das horas de trabalho da mulher, o projecto preocupa-se com um caso que em todos os paizes é magna preocupação dos governos e aqui, até agora, dependia apenas dos sentimentos humanos dos industriaes a conservação da espécie, cercando a operaria durante a gravides e depois do parto de todos os cuidados e garantias.”
Sabemos que entre as propostas do Dr. Deodato Maia para as mulheres estava a jornada de dez horas, com uma hora de intervalo,folgas nos feriados e nos domingo, a proibição da jornada noturna e do emprego de mulheres na limpeza de motores e no manejo de máquinas perigosas. Às gestantes ficava proibida a manipulação de substâncias químicas, e às mesmas seria concedida uma licença nos primeiros meses de vida do bebê. E indústrias e estabelecimentos comerciais com mais de trinta funcionárias deveriam manter uma creche.
O projeto, também, propunha a criação do Departamento Geral do Trabalho, órgão que ficaria encarregado de, entre outras coisas, organizar o código de trabalho, criar um fundo de auxílio aos operários e zelar pelo cumprimento das leis referentes ao trabalho.
As propostas do Dr. Deodato representavam um grande avanço da legislação trabalhista para mulheres e crianças, uma vez que a legislação brasileira do período não possuía dispositivos que regulassem esses ofícios, eram comuns fábricas com jornadas de trabalho que chegavam a dezesseis horas diárias, com semanas sete dias.
Pesquisa e texto: Lizbeth Batista
Em 04 de abril de 1911, o Estado publicava matéria intitulada “A invasão feminina”.
Nela eram discutidos os novos papéis desempenhados pelas mulheres na sociedade de 1911.
Terça-feira , 04 de abril de 1911
Começava lembrando a Rev. Industrial e o início do emprego da mão de obra feminina nas fábricas. Depois analisava as informações levantadas pelo censo da França. Demonstra como os números apontam a grande entrada das mulheres no mercado de trabalho no séc. XX. E Conclui que foi graças ao trabalho que muitas mulheres tornavam-se capazes de “tirar sua subsistência dos seus próprios esforços”.
O artigo termina prevendo que a transformação da condição econômica das mulheres traria outras transformações, pois “o trabalho é o mais incontestável fundamento do direito.”
Pesquisa e Texto: Lizbeth Batista
Siga o Arquivo Estadão: Twitter@arquivo_estadao e Facebook/arquivoestadao
Uma fotografia era o grande destaque na edição de 25 de março do Estado.
O momento capturado naquela imagem representava o perfil da mulher do século XX. Usando calças ela estava pronta para alcançar o céu.
A s jupe-culottes possibilitavam maior liberdade de movimentos, e vinham para atender as novas demandas femininas
Em 1911, as mulheres lutavam por participação social. A incorporação das calças ao vestuário feminino é símbolo dessa luta. Representam a busca por igualdade de direitos e liberdade de ação. Nesse momento, áreas tidas como essencialmente masculinas, abriam espaço para as mulheres.
A aviação era uma dessas áreas.
Muitas mulheres participaram dos primórdios da aviação. A Baronesa de Laroche,está entre essas pioneiras aviadoras. Em março de 1910, Raymonde de Laroche conseguiu seu brevê, tornando-se a primeira mulher a obter uma licença para pilotar aviões. Em 1911, foi a vez da inglesa Hilde Hewlett.
No ano seguinte, em agosto de 1912, a americana Harriet Quimby, num feito notável, voou de Dover, na Inglaterra, até Calais, na França. Harriet foi a primeira mulher a atravessar o Canal da Mancha.
Pesquisa e Texto: Lizbeth Batista
Siga o Arquivo Estadão: Twitter@arquivo_estadao e Facebook/arquivoestadao
2012
2011