Kirchner discursa perante um microfone. Esta imagem é a tatuagem que o parlamentar M.Funes começou a ostentar há poucos dias.
O ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007) estará presente na epiderme do deputado Miguel Funes enquanto estiver vivo. A não ser que a tecnologia dermatológica evolua, o parlamentar – militante de “La Cámpora”, a juventude kirchnerista – ostentará para sempre a efígie monocromática de Kirchner em uma tatuagem em um de seus braços.
Funes, que declara idolatria pelo ex-presidente morto em outubro do ano passado, sustenta que Kirchner protagonizou uma “tatuagem política” em toda a Argentina.
“Considero que Néstor (Kirchner) marcou todos nós. Ele, de alguma forma, nos tatuou. Todos temos uma lembrança indelével dele. Eu precisava tê-lo em minha pele”, explica o jovem deputado sobre a marca indelével em seu corpo.
E já que o assunto é esse, “Tatuaje”, uma “copla” de 1941, interpretada por Concha Piquer:
A mesma canção, por Ana Belén, em 1999:
A figura de Kirchner, além de tatuagem de parlamentar, será protagonista de filme de amor. O anúncio foi realizado pelo diretor argentino Pablo Yotich durante o Festival de Havana, Cuba, que disse que o longa-metragem, que está em etapa de pré-produção. A obra, “Balada de um povo”, contará o surgimento do romance de Néstor e Cristina nos anos 70, quando ambos eram estudantes de Direito na Universidade de La Plata.
Yotich ressaltou que pretende “refletir a vida de dois jovens apaixonados um pelo outro, com as mesmas convicções e ideais políticos”. Segundo ele, o filme não pretende ser uma “épica”. O diretor quer que a filha de Diego Armando Maradona, Dalma Maradona, seja uma das protagonistas do filme, embora não tenha dito se ela feria o papel de Cristina.
Presidente Chávez debuta no mundo das artes plásticas com quadro de Kirchner (e com o autor incluído). Abaixo, detalhe da obra.
ARTE BOLIVARIANO - O presidente Hugo Chávez também usou a figura de Néstor Kirchner para mostrar ao mundo que possui aspirações de ser artista plástico. Na semana passada, em Caracas, durante a visita da viúva, Cristina, mostrou um grande espaço do palácio presidencial de Miraflores que foi batizado com o nome de “Salão Nestor Kirchner”, decorado com vários quadros alusivos ao ex-presidente e símbolos da Argentina.
Ao ver a tela na qual aparecia Kirchner em primeiro plano, de perfil, e com o próprio Chávez auto-retratado no quadro (em segundo plano) Cristina arregalou os olhos, surpresa com a pintura.
O líder boliviariano, rapidamente explicou que era o autor da obra pictórica que ali estava pendurada. “Pintei-o (Kirchner) para você, minha querida”, disse Chávez, exibindo um quadro de estilo realista convencional, sem toques revolucionários.
O OUTRO KIRCHNER
O outro Kirchner. Neste caso,o pintor suíço Ernest Ludwig Kirchner, que fez este felino entre 1924 e 1926. E abaixo, uma gravura de Kirchner intitulada “Cavalheiro com cãozinho no colo”.
Nascido em 1880 em Aschaffenburg, foi um expressionista que fundou a sociedade artística Die Brücke (A Ponte). E.Kirchner, que fez carreira na Alemanha, foi perseguido pelos nazistas. Sua obra foi considerada “degenerada” pelo Terceiro Reich, cometeu suicídio em 1938, quando estava mentalmente perturbado.
Néstor Kirchner e Ernesto Kirchner – apesar do mesmo sobrenome – não são parentes.
Acima, foto de Kirchner, Ernst. Não Néstor. Ernst.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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“Esse não”: Presidente Cristina Kirchner não quer que seu vice atual, Julio Cobos, presida a cerimônia de sua segunda posse, dia 10 de dezembro.
A presidente Cristina Kirchner, reeleita nas eleições de outubro passado, não deseja a presença de seu próprio vice-presidente, Julio Cobos, na posse de seu segundo mandato. Cristina, que considera o vice um “traidor”, quer driblar a Constituição argentina e evitar que Cobos – que também acumula o cargo de presidente do Senado – faça a leitura de seu juramento presidencial. No entanto, os assessores jurídicos da Casa Rosada estão elaborando estratégias para modificar a tradicional cerimônia, marcada para o dia 10 de dezembro.
O argumento do governo é que Cristina, por ser reeleita, sucede a si própria. Portanto, afirmam no palácio presidencial, ela própria poderia ler seu juramento. Na sequência, Cristina pegaria de cima da mesa da presidência do Senado a faixa e o bastão presidencial que ela teria ali colocado segundos antes do juramento.
Mas, os historiadores recordam que o caso mais recente de reeleição, o de Carlos Menem em 1995, implicou em uma cerimônia na qual o presidente do Senado (coincidentemente, seu próprio irmão, Eduardo Menem) tomou seu juramento.
A Constituição argentina determina que o vice-presidente da República é o presidente do Senado. Neste posto, em julho de 2008, Cobos, com seu voto de Minerva, desempatou a votação sobre o “impostaço agrário” que a presidente Cristina queria aprovar. “Meu voto não é positivo”, disse Cobos na ocasião, derrubando o projeto de lei do governo Kirchner. Desde então, a presidente Cristina nunca mais falou com seu vice e o ignora em todas as cerimônias públicas.
Em diversas ocasiões os ministros de Cristina exigiram a renúncia do vice. No entanto, Cobos resistiu às pressões.
Rumores no âmbito político indicam que o governo pretenderia que Cobos renuncie a seu cargo minutos antes da posse, de forma a permitir que outra autoridade institucional tome o juramento de Cristina.
Os assessores de Cobos sustentam que por enquanto não foram notificados sobre qualquer alteração da cerimônia de posse.
No entanto, na última semana os sinais foram mais explícitos:
- O ministro da Economia, Amado Boudou, vice-presidente eleito de Cristina, disse publicamente que não quer Cobos “ao redor” na posse da presidente reeleita.
- O deputado kirchnerista Edgardo Depetri alertou Cobos publicamente: “ele deve pular fora e não tentar tomar o juramento da presidente” Cristina.
Cobos, assustado – ou precavido – indicou há poucos dias que não teria problemas em ficar fora da cerimônia, caso façam um pedido oficial desde a Casa Rosada.
Vice-presidente Julio Cleto Cobos. Charge de El Niño Rodríguez. Site do artista:http://www.elninorodriguez.com/
VICE POLÊMICO - Em 2007, Cobos – na época governador da província de Mendoza – foi escolhido pelo então presidente Nestor Kirchner para ser o vice de sua mulher. Representante dos “Radicais-K” (denominação dos integrantes do setor dissidente da União Cívica Radical, alinhado com o casal Kirchner), Cobos era chamado ironicamente pelos peronistas de “mosquinha morta”, por causa de seu nulo carisma e falta de influência política.
Mas, o protagonismo decisivo de Cobos na derrubada do “impostaço agrário” de Cristina disparou a popularidade do vice, que durante dois anos teve uma aprovação popular que duplicava a da própria presidente (no entanto, sem timing assumir protagonismo político caiu de forma gradual e persistente nas pesquisas, até deixar de ter importância…Hoje em dia Cobos carece de qualquer tipo de influência política).
O próprio Kirchner comentou no final de 2008 que todos os dias, no café da manhã, a presidente Cristina lhe recriminava: “olha o vice que você me colocou!”.
Para os próximos quatro anos Cristina optou por um vice de comprovada fidelidade, o atual ministro da Economia, Amado Boudou, roqueiro nas horas vagas (e também nas horas de trabalho).
Boudou, daqui a 4 anos, quando conclua o segundo mandato de Cristina Kirchner, faria o mesmo que a Constituição Nacional argentina determina, e – tal como Cobos tinha a intenção de fazer (originalmente) – tomará o juramento do sucessor ou sucessora da atual presidente.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Cristina Kirchner teria hoje uma vitória esmagadora nas urnas. Ilustração do cartunista argentino “El Niño Rodríguez”. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
“Hegemonia kirchnerista” e “hiperpresidencialismo” são as expressões que integrantes da oposição usam para definir o cenário político que surgiria neste domingo com a virtual reeleição da presidente Cristina Kirchner. Segundo as pesquisas a presidente Cristina Kirchner venceria com uma proporção que oscilaria entre 51% e 57% dos votos, embora alguns analistas afirmem que poderia chegar aos 60%. Nenhum partido da oposição conseguiria, sozinho, na melhor das hipóteses, mais de 17% dos votos, segundo os prognósticos dos analistas de opinião pública. Os argentinos também irão às urnas para renovar o Parlamento e os governos provinciais.
A presidente, que nos últimos dois anos – após a derrota nas eleições parlamentares de 2009 – havia ficado em minoria no Parlamento, conseguiria (com parlamentares próprios e os aliados) uma confortável maioria em ambas câmaras. Em seu eventual novo mandato Cristina teria uma margem de manobra política que nenhum governo teve desde o presidente Juan Domingo Perón nos anos 50.
Desta forma, a presidente Cristina conseguiria para o kirchnerismo outros quatro anos no poder. Somados ao período de governo de seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007) e os quatro anos do primeiro mandato de Cristina, esta reeleição possibilitaria um total de doze anos de kirchnerismo na Argentina. Isso implicaria no período mais prolongado na História argentina de um mesmo grupo político no poder de forma ininterrupta nos últimos 150 anos.
A hegemonia que surgiria hoje nas urnas está gerando um clima político favorável aos planos de setores do governo de tentar uma reforma constitucional que permita uma segunda reeleição de Cristina em 2015.
“Uma democracia real na Argentina baseia-se na reeleição indefinida”, sustentou na semana passada durante uma conferência em Buenos Aires Ernesto Laclau, filósofo preferido de Cristina, que transformou-se no mentor ideológico do governo. Laclau, que reside parte do ano em Londres e é professor em Essex, Inglaterra, afirmou que “quando se constrói toda a possibilidade de um processo de mudanças ao redor de um nome determinado, se esse nome desaparece, o sistema fica vulnerável”.
Segundo o filósofo – que agora conta com um programa no “Encuentro”, o estatal canal de TV cultural – “se a Cristina se eternizar” no poder “não será algo que vá contra o sistema democrático”.
“Cristina Eterna” é a proposta de filósofo que transformou-se em mentor intelectual do kirchnerismo. Cristina seria reeleita hoje para o terceiro mandato do kirchnerismo. A idéia é um quarto mandato “Pinguim”. Pelo menos, “pra começar” (acima, os quatro pinguins do filme “Madagascar”).
PARLAMENTO - Na Câmara, Cristina Kirchner, por intermédio de seu partido, o Justicialista (Peronista), em conjunto com seus aliados, passaria das atuais 116 cadeiras para um total de 132. Os partidos da oposição, em conjunto, cairiam das atuais 141 cadeiras para 125.
No Senado o governo havia ficado em minoria após as eleições parlamentares de 2009. No entanto, ao longo do último ano conseguiu atrair os votos de dois senadores, um deles o ex-arquiinimigo do casal Kirchner, o ex-presidente e senador Carlos Menem. Desta forma, atualmente possui 37 cadeiras, contra as 35 da oposição. Mas, após as eleições deste domingo, o governo Kirchner conseguiria aumentar seu peso na câmara alta para 38 cadeiras. A oposição cairia de 35 para 34 senadores.
O professor de relações internacionais da Universidade Católica Argentina (UCA) e especialista em meios de comunicação Jorge Liotti disse ao Estado que além de “aprofundar o modelo econômico” o governo tem a ambição de “aproveitar a ausência de contra-pesos políticos da oposição para ocupar maiores espaços de poder”. Neste contexto, segundo Liotti, “o governo considera que o diálogo com a oposição é desnecessário”.
ÊXODO - Os analistas não descartam que as proporções a favor da presidente Cristina, especialmente na Câmara de Deputados, aumentem mais nos próximos meses, já que prevêm um êxodo de integrantes da oposição para o governo. Nas últimas semanas, diversos peronistas dissidentes deixaram de lado suas antigas diferenças com a presidente Cristina e voltaram para o seio do governo, que – pragmaticamente, sem rancor político – os recebeu com os braços abertos.
A oposição, enquanto isso, amarga a expectativa de uma derrota assegurada. No entanto, alguns líderes já pensam no futuro a médio prazo, como Ricardo Alfonsín, candidato presidencial da UCR, que declarou ontem que “será difícil conseguir um segundo turno nas presidenciais. Mas, nas eleições parlamentares de 2013 chegaremos cabeça a cabeça. E nas presidenciais de 2015 seremos uma opção firme de governo”.
Outros, como o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, do partido de centro-direita Proposta Republicana (Pro), estrategicamente deixaram de lado o confronto e optaram por declarar “todo o apoio” à presidente Cristina.
PROVÍNCIAS - Das 24 províncias argentinas 14 já realizaram suas eleições desde março passado, fora de sincronia com as presidenciais de hoje, dia no qual os argentinos de outras nove províncias irão às urnas para concluir a definição do mapa dos governadores do país.
Cristina, por vias diretas, ficaria com o controle de 17 (de um total de 24) províncias, número que indicaria a melhor performance do peronismo em um quarto de século.
No entanto, outras três – Neuquén, Chubut, Tierra del Fuego – embora nas mãos da oposição, estão nas mãos de governadores que já declararam seu alinhamento pragmático com o governo Kirchner. Desta forma, a presidente teria o controle direto ou indireto de 83% das províncias da Argentina.
E, para embalar este domingo, um pouco de música:
Mercedes Sosa canta “Todo cambia” (na genial cena de Habemus Papa, de Nani Moretti). Aqui.
“Libertango” de Astor Piazzolla. Na versão de Yo-Yo Ma e Nestor Marconi. Aqui.
Mais um Piazzolla, “Adiós Nonino”, com o próprio don Astor e a sinfônica da Rádio de Koln, Alemanha. Aqui.
Mais tango: Edmundo Rivero canta “Te lo digo por tu bien”. É lunfardo puro. Aqui.
Carlos Gardel cantando “Chorra” (Ladra), irônico tango que relata a história de uma profissional do ramo. Aqui.
Outra pérola de Edmundo Rivero: “Araca la cana” (Olha aí a polícia). Aqui.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Governo Kirchner, cujos integrantes são apelidados de ”Los Pinguinos” (Os Pinguins) tenta aproximar-se do recorde eleitoral de Perón e já movimenta-se para tentar reforma constitucional que permita uma segunda reeleição em 2015. Foto de Ariel Palácios com bonequinhos próprios dos Pingüins de Madagascar e biografia de Joseph Page em cima da mesa do escritório. Ao fundo, do lado esquerdo, dá pra ver a ponta de uma bandeirinha do Québec.
Cristina Kirchner venceria as eleições presidenciais argentinas do dia 23 de outubro com uma faixa de votos que oscilaria de 53% a 57% dos votos, segundo indicam pesquisas das consultorias Management & Fit, Ipsos e Graciela Romer e Associados. Desta forma, Cristina seria reeleita presidente com a maior vitória nas urnas desde que o país voltou à democracia há 28 anos, já que a maior marca até o momento pertence a Raúl Alfonsín, que teve 51,7% dos votos em 1983. Os analistas destacam que uma faixa de 55% de votos abriria caminho a Cristina para poder pleitear uma reforma constitucional que permita uma eventual segunda reeleição presidencial em 2015.
Segundo as pesquisas, a margem para o segundo colocado, o socialista Hermes Binner, é considerável pois implicaria em 36 pontos percentuais, a maior proporção na História política argentina entre os dois primeiros candidatos presidenciais. Segundo as pesquisas, Binner oscilaria entre 12% e 16,1% das intenções de voto.
O terceiro lugar estaria sendo disputado pelo peronista dissidente Alberto Rodríguez Saá, que flutua em uma faixa de votos que vai de 8,5% a 10,1%, enquanto que o candidato da União Cívica Radical (UCR), Ricardo Alfonsín (filho do ex-presidente Raúl Alfonsín) teria de 8% a 9%. Esta posição também é disputada pelo ex-presidente Eduardo Duhalde, de uma das facções do peronismo dissidente, que oscilaria entre 6% e 12%, de acordo com as pesquisas.
“A oposição, que desde o início da campanha estava dividida e sem propostas claras, agora está mais errática do que antes”, afirma ao Estado a analista de opinião pública Mariel Fornoni.
Cristina, nestas duas semanas que restam, não poderá mais realizar inaugurações de obras nem falar por rede nacional de TV, já que a legislação o impede nos 14 dias anteriores às eleições. Por isso mesmo aproveitou a semana passada para fazer uma maratona de inaugurações (pessoalmente e por teleconferência) de hospitais, estaleiros, uma refinaria e esgotos, entre outros.
Os analistas destacam que o governo Kirchner, nesta reta final da campanha, apesar de ter a garantia de uma confortável vitória eleitoral, está atarefado em crescer nas pesquisas e tentar aproximar-se dos 62,49% dos votos conseguidos em 1952 por Juan Domingo Perón, fundador do partido Justicialista (Peronista), ao qual pertence a presidente Cristina.
SEGUNDA REELEIÇÃO - Enquanto Cristina Kirchner entra na reta final da campanha surgem fortes rumores de que o governo tentaria uma modificação da Constituição Nacional para permitir uma segunda reeleição consecutiva. A lei atual somente autoriza a disputa por uma única reeleição consecutiva ao primeiro mandato presidencial. Quem quiser esperar um terceiro mandato, atualmente, deve esperar o prazo de quatro anos.
A possibilidade de reforma constitucional surgiu no início deste ano, quando a deputada kirchnerista Diana Conti propôs uma alteração das normas para permitir aquilo que denominou de “uma Cristina eterna”.
Nas últimas duas semanas, de forma simultânea ao crescimento de Cristina nas pesquisas, os rumores sobre a reforma constitucional intensificaram-se. Diversos grupos sociais kirchneristas prometem, quatro dias após as eleições, no dia 27, usar o primeiro aniversário de morte de Nestor Kirchner para fazer um apelo à segunda reeleição de Cristina, de forma a garantir a permanência do “modelo” econômico e político.
Oficialmente, o governo nega a hipótese de tentativa de modificação da Constituição (extra-oficialmente, alguns sim, confirmam). Mas, os analistas recordam que esta não seria a primeira vez que o governo nega uma informação e depois ela se concretiza (a própria Cristina Kirchner negava em março que seria candidata à reeleição em outubro deste ano. Este é um link da própria presidente falando sobre o assunto, aqui).
A manobra recorda quando, entre fins de 1998 e início de 1999 o então presidente Carlos Menem tentou modificar a carta magna, mais uma vez, para aprovar a possibilidade de uma segunda reeleição presidencial. Na época, o ácido humor portenho batizou a manobra de “la re-relección”. Ou, simplesmente, “la re-re”.
O analista político Silvio Santamarina, colunista da revista “Notícias”, disse ao Estado que, caso Cristina consiga mais de 55% dos votos, o governo terá um patamar de votos que lhe permitirá popularidade suficiente para começar manobras no Parlamento para tentar a reforma constitucional.
Cristina foi eleita em 2007, com 45% dos votos, para suceder seu próprio marido, o ex-presidente Nestor Kirchner, eleito em 2003 com 22% dos votos, a mais baixa marca da História argentina.
Jim Carrey e os amigos pingüins em “Mr.Poppers Penguins”
E falando em conquistar o poder, um pouco de dance music com o clássico do hip house “I’ve got the power”. Com “coreografia” de Jim Carrey, aqui.
Ou neste original do Snap!, aqui.
I’ve got the power hey yeah, hehI’ve got the power -Oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh yeah-eah-eah-eah-eah-eah- I’ve got the power – Oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh-oh yeah-eah-eah-eah-eah-eah
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Pablo Vázquez, historiador, cientista social e doutor em comunicação, analisa simbologia peronista reutilizada pelo governo Kirchner. Vázquez é autor de “Arturo Jauretche e a comunicação política moderna”, sobre a vida e pensamento de Jauretche, um dos principais pensadores peronistas resgatados pelo governo Kirchner (foto de Ariel Palacios)
O historiador Pablo Vázquez, coordenador do arquivo do Museu Evita, sustenta que o governo da presidente Cristina Kirchner resgatou dos tempos do peronismo clássico o “apelo ao povo” e a “não-intermediação entre líderes e a massa”. Em entrevista ao Estado em seu escritório transbordando de documentos sobre os tempos peronistas, Vázquez explicou que “Cristina deixa claro que é porta-voz de si própria, além de expressar sentimentos e valores daqueles tempos”.
Estado – Nos últimos anos surgiram cafés com memorabilia peronista, tal como se fossem uma espécie de “Hard Rock Cafés” do peronismo, Perón aparece em desenhos animados, Evita é colocada em imensos murais em via pública. O peronismo transformou-se em algo pop?
Vázquez – O Peronismo é uma produção cultural. E, sem dúvida, ficou pop. É que o fato de ser um elemento cotidiano o tornou mais transferível a outros setores que em outras épocas teriam apresentado uma forte rejeição ao peronismo. Talvez, além da imagem do Che Guevara, as figuras de Perón e Eva sejam os únicos que tenham essa massividade na Argentina. Tem a ver com a maneira argentina de nos relacionar com nossos líderes. A crise econômica de 2001-2002 teve uma profunda marca na política argentina. E trouxe saudade pelos tempos peronistas nos quais o Estado era mais presente na economia…
Estado – O peronismo acabou virando assunto de videogame…
Vázquez – Eu vi os videogames e os achei muito divertidos! Como peronista, não é uma ofensa. Neste mundo virtual, dos sentidos e da coisa imediata, o fato de que o peronismo ocupe todos os espaços disponíveis, inclusive na web, em coisas como um videogame, é como uma ponta de lança a mais na batalha cultural. Outras figuras da política argentinas ficaram relegadas. Não há videogames com as figuras da União Cívica Radical (UCR, o rival clássico do peronismo), por exemplo. A imagem de Perón e Eva está hoje em chaveiros, camisetas, posters, isqueiros e adesivos. E, este não é um fenômeno solto no espaço, pois ele está acompanhado de um processo de reindustrialização que lembra os primórdios do peronismo.
Estado – O peronismo, ou mais especificamente sua vertente kirchnerista, nos últimos anos foi mais além de suas fronteiras culturais tradicionais e começou a absorver elementos de fora. Por exemplo, é comum ver em comícios kirchneristas a “Don’t cry for me Argentina” (Não chores por mim Argentina), uma canção de um musical britânico que inclusive é crítico com Evita. Anos atrás, tocar essa canção em um comício na Argentina teria sido heresia para os peronistas tradicionais…
Vázquez – O peronismo, que recorre ao saber e às tradições populares, toma aquilo que lhe serve. Ou, o reutiliza e o ressignifica. Tal como a “antropofagia” brasileira citada por Darcy Ribeiro. Desta forma, pega o “Não chores por mim Argentina” e o usa. Mas, só essa canção específica… o resto do musical não. E é muito comum que nos comícios, além da Marcha Los Muchachos Peronistas toquem o “Não chores por mim”. O peronismo faz essa operação habitual de pegar algo negativo e virar a coisa a seu favor…
E falando em soundtrack peronista, aqui vai…
a) A marcha Los Muchachos Peronistas, com Hugo del Carril. Aqui.
b) O “Don’t cry for me Argentina”, que apareceu na série “Glee” recentemente. Aqui.
c) E em espanhol, “No llores por mi Argentina”, com a argentina Nacha Guevara. Aqui.
d) E de novo a Marcha Los Muchachos Peronistas. Mas, já que o peronismo está “cool”, vamos em ritmo de jazz. Aqui.
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A Era do Bronze: Ex-presidente Kirchner é recordado com rebatizados de ruas, rodoviárias e até um longa-metragem. Acima, imagem que mostra como ficaria estátua de Kirchner em Rio Gallegos, sua cidade natal.
imagem em bronze do ex-presidente Néstor Kirchner, morto em outubro passado de um fulminante ataque cardíaco, promete substituir a figura do também morto ex-presidente e general Julio Argentino Roca (1843-1914) na principal avenida de Rio Gallegos, capital da província de Santa Cruz, feudo do kirchnerismo nas últimas duas décadas e meia, no extremo sul do país. O plano de um grupo de políticos locais é retirar a imagem do general que conquistou a Patagônia e colocar uma estátua de Kirchner.
O grupo, que conta com o respaldo midiático de Rudy Ulloa – ex-office boy dos Kirchners que em meia década transformou-se em magnata dos meios de comunicação na Patagônia – quer inaugurar a estátua às pressas, no dia do primeiro aniversário de sua morte, o 27 de outubro. A data quase coincidirá com as eleições presidenciais, marcadas para o 23 de setembro, dia no qual apresidente Cristina Kirchner, viúva do ex-presidente, disputará sua reeleição.
O lugar do monumento é a antiga avenida presidente Julio Roca, rebatizada de “avenida Néstor Kirchner” poucos dias após a morte do marido da presidente Cristina. “Em todos seus discursos públicos, a presidente Cristina sempre alterna uma referência sobre seu governo com seu marido morto”, afirmou ao Estado Luis Majul, autor de “Ele e ela”, livro que disseca a relação de poder dentro do casal presidencial.
Analistas políticos afirmam que o governo recorre à necromania, marca bastante constante da política argentina nos últimos dois séculos, e faz um uso propagandístico intensivo da morte de Kirchner.
A estátua original em argila usada para o molde em bronze
AVENIDAS, FUTEBOL E PRISÃO - Desde sua morte, há quase um ano, dezenas de estradas, avenidas, rodoviárias, pontes e centros culturais – além de prêmios e bolsas de estudo – foram rebatizadas com o nome do ex-presidente. Na pressa de batizar algum edifício com o nome de Kirchner, o governador de Misiones, Maurice Closs, optou por dar o nome do ex-presidente à uma delegacia/prisão na cidade de Posadas.
A Associação de Futebol da Argentina (AFA), comandada por Julio Grondona, um aliado da presidente Cristina,batizou o prêmio do campeonato nacional de futebol com o nome do ex-presidente.
LEITE COM PADROEIRO PRESIDENCIAL - Na sexta-feira foi a vez da própria presidente Cristina inaugurar um centro de produção e de genética da área leiteira com o nome de “Nestor Kirchner”. Na ocasião, Cristina afirmou que o “enorme esforço físico” de seu marido em defesa do modelo político e econômico teria provocado sua morte.
FILME E PINGUIM – A estreia do documentário longa-metragem sobre a vida do ex-presidente Kirchner, anunciado com toda pompa em março passado, será adiada até o ano que vem. Mais de 80% do filme já foi concluído pelo diretor uruguaio Adrián Caetano, que conta com a participação da filha de Kirchner, Florência, estudante de cinema. No entanto, sem maiores explicações, a presidente Cristina decidiu adiar a estreia para março.
O filme ainda não possui um nome definido. Uma das sugestões apresentadas pela produção, “O pinguim louco” (em referência ao apelido de Kirchner, “o pinguim”) foi rejeitada categoricamente pelos integrantes do governo.
Mocassins eram a marca registrada de Néstor Kirchner. Era a delícia dos caricaturistas. Mas, também tornou-se símbolo de seus simpatizantes. Capa da revista “Debates”, criada pelo atual chanceler Héctor Timerman, na semana que Kirchner bateu os mocassins para sempre.
MARATONA COM MOCASSINS - No dia 10 de outubro os bosques de Palermo serão o cenário da “Maratona da alegria Nestor Kirchner”. O trajeto completo da corrida será de 8 quilômetros. Mas, haverá uma versão especial de 2 quilômetros para aqueles que façam a corrida em mocassins, o calçado preferido de Kirchner (o ex-presidente costumava ostentar em público mocassins sem lustrar, sempre empoeirados, que eram a delícia dos caricaturistas).
O evento, organizado pelo Clube dos Corredores, conta com o patrocínio de diversos ministérios.
Vários integrantes do governo (abaixo dos 45 anos) anunciaram que estarão presentes para suar nessa jornada esportiva que terá forte condimento político.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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A Patagônia no distante século XVI. Neste mapa que não está em posição norte-sul (aparece “deitado”), Tierra del Fuego está à esquerda, enquanto que Santa Cruz está à direita. Ali podemos ver a imagem de dois índios patagones, que, segundo a lenda, eram gigantescos, muito mais altos que os conquistadores europeus. Na realidade, a mítica altura dos índios patagones (na realidade, a outrora vasta tribo tehuelche), não passava de uma espécie de “superfaturamento” dos relatos dos viajantes que visitavam este recôndito pedaço do planeta. Meio milênio depois deste mapa, os superfaturamentos passaram a ser de outro tipo.
província de Santa Cruz, feudo político do casal Kirchner há duas décadas, está sendo amplamente privilegiada com fundos especiais da presidência da República, segundo indicou um relatório do Instituto de Investigações sobre a Realidade Argentina e Latinoamericana (Ieral) da Fundação Mediterrânea. A instituição, com base em números oficiais, sustenta que a província de Santa Cruz recebeu desde 2003 (ano em que Nestor Kirchner foi eleito presidente) até 2010 fundos para obras públicas com um volume equivalente a 20.893 pesos (US$ 5.071) por cada habitante.
Desta forma, o volume de dinheiro destinado a Santa Cruz é 32 vezes maior que os fundos para obras remetidos pela União à província de Buenos Aires, a maior da Argentina, que recebeu o equivalente a 644,40 pesos (US$ 156,40). O governo silencia sobre a ajuda fornecida à Santa Cruz, que, graças aos royalties pela exploração de gás e petróleo, além do turismo e dos subsídios estatais, conta com a maior renda per capita da Argentina, com US$ 32 mil por santacrucenho.
A província transformou-se no feudo político doex-presidente Kirchner em1991, quando foi eleito governador. Com sua morte, em outubro do ano passado, o controle da política local passou à viúva, apresidente Cristina Kirchner.
Geograficamente, a província de Santa Cruz é a segunda maior da Argentina, com 8,77% do território nacional, atrás da província de Buenos Aires, que representa 11,06%. No entanto, Santa Cruz ocupa o segundo lugar no ranking de menor população, já que em sua árida área concentram-se somente 272 mil habitantes, o equivalente a apenas 0,68% do total da população argentina.
“Nunca antes um presidente argentino beneficioutanto sua própria província com fundos presidenciais como fizeram os Kirchners com Santa Cruz”, afirmou ao EstadoLuis Majul, autor de “O Dono”, best-seller que relata as negociatas dos Kirchner na província.
Pinguins (e um lêmur incluído) maravilhados com grandes riquezas. Os plumíferos ilustrados acima são os piguins de Madagascar, filme que virou série.
PINGUINS E PINGUINEIRA – Antes da chegadade Kirchner à presidência Santa Cruz tinha nulo peso na política argentina. No entanto, nos últimos oito anos transformou-se em um lugar de alta influência, já que os mais importantes ministros do gabinete da presidente Cristina são dessa província ou de outras áreas vizinhas da Patagônia.
Os funcionários patagônios da administração Kirchner são apelidados de “pinguins”, a ave que predomina nas costas do sul da Argentina. O grupo destes funcionários que tomam as principais decisões governamentais é denominado ironicamente de “a pinguineira”.
Outros integrantes do governo Kirchner não nascidos ou criados na Patagônia tentaram nos últimos anos “patagonizar-se”, comprando casas na cidadede El Calafate, na província de Santa Cruz. O vilarejo, a 2800 quilômetrosde Buenos Aires,é o lugar de relax da presidente Cristina, que ali costuma passar seus fins de semana.
Um pouco de arquivo. Os vários casos dos pinguins.
ais detalhes sobre Santa Cruz, terra de irregularidades
A HIDRELÉTRICA, O AMIGO E O LAGO – O partido Coalizão Cívica, de oposição, denunciou no ano passado que existem irregularidades na indenização de terras que serão alagadas pelo lago de uma hidrelétrica na província de Santa Cruz. Segundo a denúncia, o empresário Lázaro Báez, amigo dos Kirchners (e sócio em diversos empreendimentos) comprou 182 mil hectares de terras que serão alagadas pela represa La Barrancosa.
A Coalizão Cívica ressalta que a empresa de Báez, a Austral Construções, “predomina” no setor de obras públicas em Santa Cruz. Além disso, sustenta que o amigo dos Kirchners sabia “de forma antecipada” qual seria a área alagada.
Além disso, uma estrada inaugurada pela presidente Cristina em El Calafate apresentaria sinais de superfaturamento no asfalto, já que cada quilômetro de asfalto custaria US$ 780 mil. No entanto, por cada quilômetro realizado por outras empresas em diversas províncias argentinas os preços oscilam entre US$ 77 mil (na província de Buenos Aires) e US$ 337 mil (em áreas complexas da província de Mendoza).
Os “superfaturados” índios patagones em gravura do início do século XVII
TERMELÉTRICA SUPERFATURADA - O juiz federal Claudio Bonadío comanda uma investigação sobre as suspeitas de que o governo Kirchner teria permitido superfaturamento na construção da usina termelétrica de carvão de Río Turbio, localizada a 278 quilômetros da capital da provínciade Santa Cruz, Río Gallegos.
Após a contratação das obras, o custo da termelétrica – de 240 megawatts – ficou na faixa de US$ 2,68 bilhões, substancialmente superior ao valor originalmente anunciado no orçamento, de US$ 1,5 bilhão. Segundo especialistas, a usina de Río Turbio custará 300% vezes a mais do que o custo médio internacional de uma obra do gênero. Além disso, custaria 174% a mais do que o volume investido no Chile para uma usina similar, em Puchuncaví.
A denúncia de superfaturamento feita por parlamentares da oposição indica que em Río Turbio a instalação de cada megawatt implicaria em US$ 3,4 milhões. A comparação com Puchuncaví chama a atenção, já que cada megawatt instalado na usina chilena implicou em um desembolso de apenas US$ 1,2 milhão.
FUNDOS, CAPITAL E JUROS – O caso mais famoso de uso irregular de fundos envolvendo Santa Cruz é o dos fundos provinciais que Kirchner, nos anos 90, quando era governador, remeteu a bancos no exterior. No total, Kirchner teria enviado mais de US$ 500 milhões para fora do país, principalmente para a Suíça. Em 2007 Kirchner e Cristina afirmaram que os fundos voltaram ao país.
Mas, lideranças da Oposição afirmam que não há provas consistentes do retorno desse dinheiro. Os opositores também sustentam que os juros acumulados ao longo de vários anos teriam aumentado o volume dos fundos para mais de US$ 1 bilhão. No entanto, o paradeiro desse margem adicional é desconhecido.
TERRENOS E SOBRINHA – Em 2006 os Kirchners compraram da prefeitura de El Calafate – onde governam seus aliados – um terreno de 20 mil metros quadrados, que estava sendo vendido por US$ 34 mil.
Em 2008 os Kirchners revenderam o terreno por US$ 1,65 milhão à uma rede de supermercados. A valorização sem precedentes do terreno despertou a atenção da mídia e da oposição. No entanto, a investigação sobre o caso foi paralisada, já que ficou nas mãos da sobrinha docasal Kirchner, a promotora Natalia Mercado, filha de Alicia Kirchner, ministra da Ação Social, irmã do ex-presidente Néstor Kirchner.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Karl Wilhelm von Nägeli (1817-1891) era um botânico suíço que descobriu os cromossomos. E, graças a seus estudos, um século e meio depois desvendou-se o Caso Noble. Na ilustração, o cientista, autor de “Pflanzenphysiologische Untersuchungen”. Possivelmente, herr Karl, que residia na Alemanha, nunca imaginou que sua descoberta teria impacto político no início do século XXI nos confins da América do Sul.
Marcela e Felipe Herrera de Noble, os herdeiros do maior holding multimídia da Argentina, o Grupo Clarín, não são filhos dos desaparecidos do último ano do governo de Isabelita Perón e do primeiro ano da ditadura militar (1976-83). A notícia, anunciada quase no fim da noite desta sexta-feira, foi misteriosamente ignorada durante uma hora e meia pelos canais alinhados com o governo da presidente Cristina Kirchner e a estatal TV Pública, além dos sites dos jornais aliados, que omitiram a notícia durante um bom tempo.
Nunca antes na História da Argentina a expectativa pelo desvendamento da origem familiar de duas pessoas havia sido tão elevada.
Desta forma, além da acusação da Promotoria, cai a acusação realizada pela presidente Cristina Kirchner, que nos últimos três anos havia mobilizado seu gabinete, parlamentares e militantes para desferir uma campanha contra o Grupo Clarín.
A presidente Cristina – que transformou o Caso Noble em bandeira do governo Kirchner – sustentava que Ernestina Herrera de Noble, a dona do Clarín, era a cúmplice do sequestro e ocultamento da identidade original de seus filhos adotivos. Além disso, o governo insistia na teoria de que os dois irmãos haviam sido bebês apropriados ilegalmente pelo regime militar.
Além de Ernestina Noble, o casal Kirchner pretendia levar à cadeia o principal cérebro administrativo do holding, Héctor Magnetto. O ex-presidente Nestor Kirchner afirmou em meados do ano passado que Magnetto “é um delinquente” que participou da suposta operação de apropriação dos bebês em 1976, poucos meses depois do golpe de Estado.
No início do ano passado Kirchner havia afirmado que pretendia colocar o Clarín “de joelhos”. Também no ano passado o jornalista Orlando Barone, uma das figuras principais do programa governista “6-7-8”, emitido durante as noites pelo estatal Canal TV Pública, sustentou que “o Grupo Clarín não poderá continuar existindo se os resultados (dos exames de ADN) forem positivos”.
Marcela e Felipe Herrera de Noble: o caso dos dois irmãos envolveu três mulheres de alta importância na Argentina. Por um lado, as duas mulheres mais poderosas do país, isto é, Cristina Kirchner e Ernestina Noble. Por outro, a líder das Avós da Praça de Mayo, Estela de Carloto, cuja organização foi candidata várias vezes ao prêmio Nobel da Paz por seu trabalho de quase três décadas de procura dos bebês sequestrados pelos militares.
FAMÍLIAS – Na segunda-feira passada começou no Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG) uma bateria de testes para comparar o ADN dos irmãos Noble com as amostras genéticas das famílias de crianças seqüestradas pelos militares.
Na própria segunda-feira apareceu a notícia de que Marcela e Felipe Herrera de Noble não eram os bebês desaparecidos das famílias Lanoscu-Miranda e Gualdero-Garcia, que haviam aberto o processo original na Justiça por suspeitas de que os dois irmãos seriam seus netos sequestrados pelos militares.
Nesse dia, o anúncio sobre a falta de compatibilidade entre o DNA dos irmãos Noble e as duas famílias foi realizado pela agência estatal Telam às 15:00 horas. Mas, sem explicações, meia hora depois a agência de notícias – considerada uma virtual porta-voz do governo Kirchner – eliminou a matéria de seu próprio site.
Nesta sexta-feira as autoridades do Banco de Dados afirmaram que o ADN dos irmãos Noble foi comparado com o de todas as famílias do período 1975-76.
Somente os dados de três famílias de desaparecidos não puderam ser plenamente cotejadas, já que essas amostras estavam “incompletas”. No entanto, as autoridades do BNDG admitiram que as amostras dessas três famílias já estavam “incompletas” há vários anos. Por esse motivo, a tarefa de cotejar o ADN desse trio de famílias com outros casos anteriores de bebês desaparecidos tampouco pode ser feito de forma completa.
Representantes da organização das Avós da Praça de Mayo argumentavam no fim de semana que estas três famílias de perfis genéticos “incompletos” impedem afirmar que a comparação foi “negativa”.
A Justiça decidiu fazer uma pausa e retomar as comparações genéticas com outras 200 famílias de bebês desaparecidos em 1977 e 1978.
Os advogados dos Noble e analistas políticos afirmam que, na ausência de tecnologia de viagem no tempo, não faz sentido que sejam realizados exames com as famílias de bebês desaparecidos depois da adoção dos irmãos Noble. Os analistas destacam que, no entanto, esta pode ser uma manobra política do governo Kirchner para prolongar, de forma artificial, o debate sobre o caso Noble durante mais algumas semanas ou meses.
Os irmãos Noble concordaram em realizar os exames com as outras famílias de bebês nascidos anos depois deles próprios.
FRUSTRAÇÃO - As famílias Lanoscu-Miranda, Gualdero García, além de Maria “Chicha” Mariani, uma das antigas líderes das Avós, entre várias outras, foram estimuladas pelos Kirchners a insistir no processo judiciário.
Quase vinte famílias pleiteavam (a maioria sem processos na Justiça) serem as verdadeiras famílias dos dois jovens.
Estas, com o sonho de terem encontrado finalmente seus bebês desaparecidos, nos últimos anos mostravam em público fotos dos pais das crianças desaparecidas quando estes eram pequenos, para imaginar comparações com as feições físicas de Marcela e Felipe. Neste sábado, o clima entre dezenas de avós era de frustração pela falta de resultados positivos.
Analistas políticos consideram que os Kirchners “usaram” a nobre causa das octogenárias avós de forma política, como arma contra o Clarín, embarcando em uma aventura que foi derrubada pelos exames científicos.
No caso de Chicha Mariani, atualmente com 84 anos, a suspeita – tonificada pelo governo – era que sua neta Clara Anahí, que tinha três meses quando foi seqüestrada em novembro de 1976 junto com seus pais em sua casa na cidade deLa Plata, era Marcela Noble.
Apesar da discrepância das datas (Marcela e Felipe já estavam nessa data em posse de Ernestina Herrera de Noble), o casal Kirchner insistiu na teoria de que Anahí Mariani era na verdade Marcela Noble.
Sua nora, Diana Teruggi, foi morta no tiroteio dentro da casaem La Plata. Seufilho, Daniel Mariani, foi colocado em um centro clandestino de detenção, torturado e assassinado em 1977.
“Não posso me dar o luxo de morrer… tenho que encontrar minha neta”, havia dito a avó em janeiro de 2008, poucos meses antes que começasse a briga Kirchners-Clarín.
COMPULSÓRIO - O processo judiciário original determinava que os Noble deveriam fazer uma comparação genética com duas famílias que haviam pedido a investigação inicial, já que possuíam bebês desaparecidos em 1976, ano do nascimento e adoção de Felipe e Marcela.
Mas, após pressões do governo Kirchner, a Justiça determinou que os novos exames teriam que ser cotejados com a totalidade das famílias de bebês desaparecidos, que contam com crianças sequestradas entre 1975 e 1978.
A decisão causou polêmica, já que a lei não obrigava os irmãos Noble – que não eram processados na Justiça por crime algum – a aceitar uma extração de sangue compulsória.
No dia 17 de junho passado os irmãos Noble aceitaram cotejar seu ADN com todas as famílias de netos desaparecidos. Na ocasião argumentaram que estavam cansados da “perseguição política do governo” e que estavam dispostos a realizar todos os exames “para acabar” com as pressões da presidente Cristina Kirchner sobre sua mãe, a empresária Ernestina Herrera de Noble.
Felipe e Marcela realizaram três exames de DNA desde dezembro de 2009. No entanto, apenas um teste chegou à conclusão. Sem poder confirmar o vínculo com os desaparecidos, o BGN argumentou que as amostras estavam “corrompidas”.
ADOÇÕES - Em maio de 1976 Ernestina De Noble adotou uma menina. Segundo ela, a criança registrada posteriormente como Marcela foi encontrada em uma caixa de papelão colocada diante da porta de sua casa. Em julho de1976, a empresária pediu a adoção de um menino, Felipe, filho de uma mãe solteira (que nunca mais foi vista) que teria dado a criança à empresária.
A existência de irregularidades nos documentos de adoção das crianças – e a participação de uma juíza que teria colaborado com adoções de bebês sequestrados – despertaram em 1995 as suspeitas de parentes de desaparecidos cujos filhos foram sequestrados pelos militares e da organização de defesa dos direitos humanos Avós da Praça de Mayo.
Em 2002 Ernestina foi detida por “irregularidades na adoção”. Mas, após dias em uma cela, Noble foi liberada.
IRREGULARIDADES - Na data de adoção de Marcela, Ernestina Noble não residia no lugar citado nos documentos,em San Isidro, mas sim, na cidade de Buenos Aires.As testemunhas que ela apresentou eram supostamente
a) uma vizinha de San Isidro (onde Noble não morava)
b) o jardineiro da casa
No entanto, a vizinha não moravaem San Isidro, mas sim em Acasusso (era duplamente uma ‘não-vizinha’)
E o jardineiro não era jardineiro, mas sim, o chofer da família Noble.
Em julho de 1976 pediu a adoção de um menino, Felipe, filho de uma mãe solteira que teria dado a criança à empresária.
No entanto,
a) a mulher que teria entregue Felipe nunca mais apareceu,
b) …e o nome que forneceu é falso, pois não há ninguém registrado com esse nome e número de documento.
No entanto, apesar das irregularidades, Marcela e Felipe não são filhos dos desaparecidos políticos registrados no BNDG, tal como afirmavam as Avós da Praça de Mayo e a presidente Cristina.
“A maioria das adoções de bebês na Argentina ainda hoje são feitas de forma irregular, já que existe muita burocracia… e milhares de crianças esperando por um lar. Pouco mudou com o passado” me comentou em off um especialista no assunto, que trabalha, coincidentemente, no governo. “Mas uma coisa é uma adoção feita de forma picareta e outra é de mandar matar os pais de um bebê e ficar com ele”, arrematou.
BEBÊS – As estimativas das Avós da Praça de Mayo indicam que durante a Ditadura ao redor de 500 bebês foram sequestrados, filhos das desaparecidas. Desse total, nos últimos 35 anos foram recuperadas – ou identificadas por suas famílias biológicas – apenas 103 filhos. O paradeiro dos outros 400 bebês é desconhecido.
Grande parte das crianças nasceram em maternidades clandestinas dentro dos centros de tortura da ditadura. Após o parto as crianças eram entregues a famílias de militares sem filhos, policiais ou civis aliados da ditadura. As mães, após a entrega de seus bebês, eram assassinadas pelos militares.
BANCO GENÉTICO – Desde o final dos anos 90 as avós da Praça de Mayo contam com um banco de dados genético para cotejar as amostras de DNA das famílias dos desaparecidos e dos adultos (atualmente na faixa dos 31 aos 36 anos) suspeitos de terem sido sequestrados quando eram recém-nascidos.
Kathleen Turner e Michael Douglas interpretando o outrora apaixonado casal que protagonizava uma feroz briga mortal no filme ‘A guerra dos Roses’ (de 1989, dirigido por Warren Adler). Em Buenos Aires, analistas comparam a briga dos Kirchners com o Clarín com o supracitado filme de Hollywood. Isto é, do tórrido casamento ao divórcio com abundantes sopapos e golpes letais.
DE ALIADO A INIMIGO – Em 2003 os Noble concordaram em comparar seu material genético com o ADN das duas famílias que haviam aberto o processo na Justiça. As Avós da Praça de Mayo insistiram em realizar o exame com todas as família do BNDG. Nos anos seguintes, as investigações sobre o caso Noble estiveram praticamente paralisadas na Justiça entre 2002 e 2008.
No entanto, em2008 aaliança que existia entre a presidente Cristina Kirchner e o Grupo Clarín acabou. O holding multimídia passou a ser encarado como um “inimigo mortal” do governo Kirchner, que implementou várias medidas para reduzir o poder do “Clarín” com a implementação da lei de mídia (que pretende limitar a atuação dos meios de comunicação), piquetes protagonizados por sindicalistas aliados do governo para impedir a saída de exemplares do jornal, entre outras.
Na sequência, o governo Cristina impulsou a retomada das investigações sobre o caso Noble nos tribunais, enquanto a presidente e seus ministros começaram a acusar Ernestina Herrera de Noble de ser cúmplice do hipotético sequestro e ocultamento da identidade original de Felipe e Marcela.
Para mais detalhes sobre as conexões entre os Kirchners e o Clarín e o que dois lados fizeram durante a ditadura, em um post de julho do ano passado. Aqui.
E, nada a ver com a postagem acima: Ginger Rogers teria feito 100 anos neste sábado.
Neste link do Youtube vemos como uma mais fascinante dos musicais “le saca viruta al piso”. Aqui.
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As delícias de ser avó. Neste quadro – o “Bolo de aniversário da vovó” - de Fritz Sonderland (1836-96), aparecem diversas criancinhas que visitam a casa da avó para celebrar com a doce senhora. A obra está na Galeria Josef Mensing, Hamm Rhynern, na Renânia-Westfália do Norte, Alemanha.
Cristina Kirchner tornou-se aprimeira presidente na América do Sul a twittar o anúncio do surgimento de um herdeiro familiar. Nesta quarta-feira ela interrompeu os comentários políticos que costuma fazer na rede de microbloggings para informar que seu filho mais velho, Máximo, de 34 anos, será pai. “Terei um neto! CFK avó!”, twittou, citando as siglas de seu nome e sobrenome.
Depois, em referência à morte de seu marido, o ex-presidente NestorKirchner, em outubro passado, afirmou no twitter: “Deus tira de você…e Deus te dá” (o link para a twittada presidencial, aqui).
Máximo, o filhomais velho do casal Kirchner,transformou-se nos últimos dois anos no líder de “La Cámpora” – grupo que reúne a juventude kirchnerista – cujos integrantes começaram a ocupar diversos postos-chave do governo nos últimos tempos.
Na sequência, pelo twitter, Cristina definiu Kirchner como um “gladiador” e atribuiu sua morte, por um fulminante ataque cardíaco, ao fato de que “seu corpo ficou gasto de tantas lutas”.
Kirchner havia sido operado duas vezes em menos de um ano por obstruções na carótida. Mas, contrariando as recomendações médicas, Kirchner – considerado o verdadeiro poder no governode Cristina – continuou mantendo uma intensa atividade administrativa.
A nora, o filho, a própria presidente. Da esquerda para a direita, Máximo Kirchner – o primogênito do casal Kirchner – e a presidente Cristina E.F. de Kirchner. Esta, será avó oficialmente pela primeira vez. Máximo passa a maior parte do tempo na província de Santa Cruz, feudo político dos Kirchners. Ali conheceu María Rocío García, filha de um ex-governador interino. A irmã de Rocío foi designada candidata para o Senado nas eleições de outubro.
BUSCADOR – Militantes kirchneristas lançaram o buscador de internet “busKador” (www.buskador.com.ar), no qual o internauta poderá encontrar notícias, pensamentos, blogs e os mais diversos sites que respaldam (ou que possuam vínculos) com o projeto “Nac e Pop” (Nacional e Popular, expressão usada pelo kircherismo para sintetizar seu pensamento político).
Ficaram excluídos do “busKador” os sites diretos de meios de comunicação críticos do governo Kirchner, como o “Clarín”, “La Nación” e “Perfil” e os partidos de oposição como o “Proposta Republicana” e a “União Cívica Radical”, entre outros. Estes jornais ou partidos só aparecem quando são citados em algum blog ou site alinhado com o kirchnerismo.
Do lado esquerdo, o Eternauta verdadeiro, o personagem de Juan Salvo, imortalizado pelo roteiro de Héctor Oesterheld e o traço de Solano López (descendente, este, do homônimo presidente do Paraguai em meados do século XIX). Do lado direito, Kirchner vestido como o Eternauta.
O site BusKador ostenta uma única ilustração, a do ex-presidente Kirchner caracterizadocomo o “Eternauta”, herói de uma tirinha de ficção científica argentina na qual o protagonista luta com sucesso contra invasores de outro planeta que querem escravizar a Humanidade.
LES FRÈRES - E falando na transformação de Cristina Kirchner em avó, cá temos o escritor Victor Hugo com seus dois netos. O francês autor de “Os miseráveis” e “Os trabalhadores do mar” também escreveu o livro “ L’Art d’être Grand-Père” (A arte de ser avô, de 1877), uma pequena obra-prima sobre as delícias e obrigações de cuidar dos netos.
O francês Victor Hugo e seus netos foram o gancho para recordar que hoje é o 14 juillet, o 14 de julho, a data emblemática francesa, o dia da queda da Bastilha, o pontapé inicial da França moderna e dos ideais de Liberté, Egalité e Fraternité.
E, como este é um blog francófilo, faremos uma ponte entre a França e a Argentina – e entre Paris e Buenos Aires (denominada na primeira metade do século XX de “A Paris da América do Sul”) brevemente transformaremos “Os Hermanos” em “Les Frères”…
A “Tomada da Bastilha”, de Jean-Pierre Louis Laurent Houël. No centro se vê a prisão de Jourdan de René de Bernard, marquês de Launay (1740-1789).
A melodia comme il faut desta jornada é La Marseillaise, o Hino Nacional francês. Neste link do Youtube, esse vraiment supimpa hino cantado por Plácido Domingo. Ici même….Aqui mesmo.
E, para fazer um link novamente com a Argentina, Carlos Gardel, cantando Anclao en Paris, aqui.
E Gardel cantando “Francesita”, Aqui.
Neste, cantando “Silencio”, um tango que relata a história de uma mãe cujos filhos estão lutando nas trincheiras na França na Primeira Guerra Mundial. Aqui.
E outro tango com referências à França, “El Marne”, de Eduardo “El Tigre” Arolas, em uma versão de Astor Piazzolla. Aqui.
E as primeiras cenas do filme “Tangos, o exílio de Gardel”, rodado em Paris. O trecho deste filme de Fernando Solanas,aqui.
Claude Monet, Rue Montorgueil, Paris, Festival de 30 de junho, 1878. Pintado em 1878. Musée d’Orsay, Paris.
Buenos Aires foi chamada de “A Paris da América do Sul” no início do século XX… e não era à toa: a aristocracia portenha fazia com grande frequência viagens à capital francesa para ali passar vários meses. A própria Buenos Aires inspirava-se na arquitetura francesa. E de quebra, importavam esculturas da França para decorar os parques e praças portenhas.
Neste post de tempos atrás, a presença de Auguste Rodin em Buenos Aires…quase um portenho honorário! Aqui.
Bom, neste globalizado blog não poderíamos deixar de citar a Itália…que entra aqui pela figura de Yves Montand, italiano de nascimento e posteriormente cidadão francês. Originalmente foi Ivo Livi, nascido em 1921em Monsummano Alto, Toscana.
Neste link, canta “Paris canaille”. Aqui.
Neste outro, entoa o “Canto dos partisanos”, o hino da resistência francesa. Aqui.
E para encerrar, escolhemos um clássico, “Casablanca”. A arrepiante cena na qual Lazlo, em pleno bar do Rick, desafia os representantes do Terceiro Reich e canta “A Marselhesa”. Aqui.
Meu “Vive la France!” aos franceses, franco-argentinos e franco-brasileiros.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Nestor Kirchner foi eleito em 2003 com 22% dos votos. Em 2007 colocou a máquina do Estado argentino para eleger sua própria esposa, a então senadora Cristina Kirchner, como sua sucessora presidencial. Até outubro do ano passado Nestor – considerado o verdadeiro poder no governo da mulher – era o candidato do casal presidencial para as eleições de 2011.
Desta forma, implementava-se o comentado plano “4+4+4+4”. Isto é, Néstor seguido de Cristina, seguido de Néstor novamente, seguido de Cristina mais uma vez, para completar um período de 16 anos. Mas, Kirchner morreu no dia 27 de outubro de 2010. Viúva, a saída para o governo foi a de uma reeleição presidencial de Cristina. O chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández, disse há duas semanas que o kirchnerismo prepara-se para governar a Argentina durante os próximos “60 anos”.
A presidente Cristina Kirchner deu a largada à corrida eleitoral com objetivo de conseguir o terceiro mandato presidencial do kirchnerismo. Na noite da terça-feira ela acabou com o suspense que havia feito nos últimos meses e oficializou sua candidatura à reeleição em outubro. Nesta quarta-feira o cenário político argentino estava em polvorosa na expectativa da definição do candidato a vice-presidente, já que este despontaria como seu virtual sucessor, na ausência da possibilidade constitucional de disputar uma segunda reeleição em 2015. Os analistas políticos destacavam que a presidente, além de estar blindada contra os diversos escândalos de corrupção que assolam seu governo, está sendo favorecida pela recuperação econômica, além de uma fragmentação sem precedentes dos partidos de oposição.
Os analistas também ressaltam que Cristina é a favorita nas pesquisas de opinião pública, com uma ampla vantagem sobre os candidatos da oposição.
Caso vença nas urnas, Cristina emplacará o terceiro mandato do kirchnerismo, inciado em 2003 com seu marido, o presidente Nestor Kirchner (2003-2007). O segundo mandato do kirchnerismo foi protagonizado por Cristina, que sucedeu a seu próprio cônjuge, algo inédito na História mundial da democracia. O plano inicial do casal presidencial, até outubro do ano passado, era de uma candidatura de Kirchner para as eleições de 2011. No entanto, sua inesperada morte por um fulminante ataque cardíaco há oito meses, levou Cristina a tentar a sucessão de si própria.
O analista político e sociólogo Carlos Fara, da consultoria Fara e Associados, disse ontem ao Estado que suas pesquisas indicam que Cristina teria 47% das intenções de voto. Outros 18% estariam destinados a Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-89) e candidato da União Cívica Radical (UCR), de centro. Outros 14% dos votos seriam absorvidos pelo ex-presidente Eduardo Duhalde, que lidera uma das facções do peronismo dissidente. A deputada Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica, de centro-esquerda, obteria 9% dos votos, proporção significativamente inferior aos 25% que conseguiu nas eleições de 2007, quando ficou em segundo lugar. Outros 7% dos votos ficariam nas mãos de Hermes Binner, governador da província de Santa Fe.
Com estes resultados, Cristina venceria no primeiro turno, já que no sui generis sistema eleitoral argentino, um candidato vence se conseguir mais de 45% dos votos. Outra alternativa é que obtenha pelo menos 40% dos votos, sempre que o segundo colocado esteja dez pontos percentuais atrás.
Com valores similares à pesquisa de Fara, a consultoria Ceop indica que Cristina contaria com 48,2% das intenções de voto, enquanto Alfonsín possui 12,8%. O ex-presidente Duhalde teria 7,5%, enquanto que o governador de San Luis, Alberto Rodríguez Saá teria 5,5%. Carrió obteria 5,9%.
No en tanto, uma pesquisa da consultoria Management & Fit indicou que Cristina conta com 33,4%. Mas, Alfonsín teria menos da metade de sua intenção de voto, já que teria 15,3%. Duhalde obteria 5,8%, enquanto que Rodríguez Saá conseguiria 7%. Elisa Carrió ficaria com 4%.
Segundo Fara, “independentemente das variações que os números possam ter nos próximos meses, é praticamente uma certeza de que Cristina Kirchner ganhará na primeiro turno em outubro”. O analista destacou que as eventuais variações que podem ocorrer “é a somatória de dois ou três assuntos que possam remover alguns pontos da presidnete. Mas, aí a discussão é sobre qual a amplitude desses votos que poderia perder”.
Fara considera que entre os fatores que provocariam perda de votos está “a crescente inflação, uma atitude soberba do governo – tal como ocorreu em outras ocasiões – além dos escândalos de corrupção. Mas, embora acumulados, esses fatores não provocariam uma derrota do governo”.
“O fato é que estamos registrando os níveis mais altos de otimismo sobre o futuro econômico nos últimos oito anos, graças à obras públicas, entre outros. Matematicamente Cristina Kirchner poderia até obter alguns votos a mais dos 45% conseguidos em 2007”.
O vice-presidente argentino, Julio Cleto Cobos, que rachou com o governo Kirchner em 2008. Cristina agora busca um vice de total fidelidade e alinhamento automático, já que este poderia tornar-se seu sucessor. Charge de El Niño Rodríguez. Site do artista:http://www.elninorodriguez.com/
A SÍNDROME DE COBOS - As especulações no âmbito político indicam que uma potencial vice de Cristina seria sua cunhada, a ministra da Ação Social, Alicia Kirchner, irmã do ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu em outubro passado de um ataque cardíaco fulminante. Os rumores também indicam que o vice poderia ser um governador do norte da Argentina, onde o kirchnerismo possui um reduto eleitoral. Entre os nomes mais citados estão o governador do Chaco, Jorge Capitanich, considerado um “ultra-kirchnerista”; Sergio Urribarri, de Entre Rios; e José Alperovich, de Tucumán.
Outras especulações – baseadas nas declarações realizadas durante seu discurso de lançamento, quando ressaltou que pretendia ser “uma ponte e as novas gerações” – reforçaram os boatos de que o futuro candidato a vice poderia ser um dos integrantes da jovem geração de seu gabinete, entre eles o ministro da Economia, Amado Boudou, e o secretário de Comunicação, Juan Abal Medina.
Além disso, na lista dos “vice-presidenciáveis” também desponta o nome de Carlos Zanini, o secretário jurídico do governo, um kirchnerista histórico, já que assessora os Kirchners desde os anos 80. Outro histórico é o deputado Nicolas Fernández, da província de Santa Cruz, aliado há um quarto de século.
Os analistas destacam que este vice será crucial, já que ao contrário dos tempos em que Nestor Kirchner estava vivo, Cristina não contará com seu marido para uma eventual alternância no poder. Desta forma, os analistas sustentam que o vice terá status de “sucessor” de Cristina.
A presidente também quer evitar a “síndrome de Cobos”, em alusão a seu atual vice-presidente, Julio Cobos, da UCR, que rachou com o governo Kirchner em 2008 quando, na categoria de presidente do Senado, com seu voto de Minerva provocou a derrota do governo na votação do “impostaço agrário”. Embora pressionado pela presidente, Cobos recusou-se a renunciar, fato que lhe valeu a denominação de “traidor”. Segundo os analistas, desta vez Cristina buscará um vice de alinhamento automático e que exiba uma “blindagem de fidelidade” à presidente.
A intriga sobre o vice terminará neste sábado, quando vence o prazo para o registro do nome que acompanhará Cristina na chapa presidencial.
Cristina Kirchner, do partido Justicialista, sublegenda Frente pela Vitória
Ricardo Alfonsín, União Cívica Radical (UCR)
Elisa Carrió, Coalizão Cívica
Hermes Binner, Partido Socialista
Eduardo Duhalde, Partido Justicialista, sublegenda União Popular
Alberto Rodríguez Saá, Partido Justicialista, sublegenda Peronismo Federal
Jorge Altamira, Partido Operário
Desistiram da corrida presidencial
O vice-presidente Juio Cobos, da UCR
O prefeito Maurício Macri, do Proposta Republicana
O deputado e cineasta Fernando Solanas, do Projeto Sul
SISTEMA ELEITORAL ARGENTINO E SEU SUI GENERIS SEGUNDO TURNO
Ao contrário de outros países, nos quais para vencer no primeiro turno é preciso 50% mais um dos votos, no sui generis sistema eleitoral argentino, para vencer na etapa inicial das eleições presidenciais basta obter 40% dos votos com uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado. A outra opção é a de obter 45% dos votos, proporção suficiente para conseguir a vitória de forma automática.
O primeiro turno está marcado para o dia 23 de outubro. O segundo turno tem data para o 20 de novembro.
A posse do novo presidente será no dia 10 de dezembro.
Charge de jornal da Catalunha mostra o casal com uma única faixa presidencial.
PERANTE “EFEITO VIÚVA”, OPOSIÇÃO APRESENTA-SE FRAGMENTADA E IRRECONCILIÁVEL
“Efeito viúva” é a denominação do clima de compaixão que grandes setores da população argentina sentem pela presidente Cristina Kirchner, cujo marido, o ex-presidente Nestor Kirchner, morreu de um ataque cardíaco fulminante em outubro do ano passado. Em quase todos os discursos públicos que proferiu desde a morte de seu marido a presidente Cristina faz constantes alusões a Kirchner. Ostentando rigorosa vestimenta escura em sinal de luto, ela sustenta que seu marido, desde o além, marca seu caminho político.
Coincidentemente, desde a morte de Kirchner, Cristina disparou nas pesquisas de opinião pública.
“Estamos vendo um espetáculo de circo, um relato de um ato fictício. É óbvio que Cristina Kirchner está mentindo quando chora na frente dos pobres. O vestido preto forma parte de uma cena semiótica. O luto forma parte desse disfarce”, dispara Elisa Carrió, uma das candidatas presidenciais da oposição.
Mariel Fornoni, da consultoria de opinião pública Management & Fit, afirmou ao Estado que “o efeito viúva deveria começar a diluir-se por causa de todos os escândalos de corrupção que apareceram e continuam aparecendo”. Segundo Fornoni, “a presidente continua utilizando o nome do ex-presidente Kirchner em seus discursos. E com certeza continuará fazendo isso”. A analista sustenta que os casos de corrupção estão afetando a imagem da presidente Cristina.
No entanto, o analista político Carlos Fara afirmou ao Estado que “o efeito viúva já passou. As pessoas não votam mais por condolências”.
Quatro pinguins: Plano original dos Kirchners era um mandato de Néstor, um segundo de Cristina, um terceiro de Néstor e um quarto de Cristina. Mas, a morte de Néstor alterou os planos. Cristina só poderá disputar uma reeleição. Se quiser uma segunda reeleição, terá que mudar a Constituição. Em 1999 o então presidente Carlos Menem tentou arrancar da Corte Suprema um parecer favorável a seus planos de segunda reeleição, denominada ironicamente de “la re-reelección” ou simplesmente, “la re-re”.
FRAGMENTADA – Os diversos escândalos de corrupção que envolvem integrantes e ex-integrantes do governo Kirchner não teriam suficiente impacto para levar a presidente Cristina à uma derrota nas urnas em outubro. Segundo os analistas, a recuperação econômica – subsidiada amplamente pelo Estado argentino – seria o fator crucial para que os escândalos tenham pouco peso político atualmente.
Os candidatos da oposição são Ricardo Alfonsín, da UCR; Elisa Carrió, da Coalizão Cívica; o socialista Hermes Binner, os peronistas dissidentes Eduardo Duhalde e Alberto Rodríguez Saá, além do trotskista Jorge Altamira, irmão de Luis Favre, ex-marido da ex-prefeita Marta Suplicy. Mas, apesar de algumas negociações, os diversos candidatos não conseguiram formar alianças para enfrentar o governo.
Segundo Fornoni, a oposição continuará fragmentada: “a realidade é que ainda não deram mostras de poder articular-se”.
“Não acho que a oposição se unirá. Houve várias tentativas de coalizões, todas fracassadas. Não imagino nem Binner e Carrió fazendo uma aliança com a UCR”, sustentou Fara.
Cristina e Néstor na charge do cartunista argentino El Niño Rodríguez. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
A TEMPO DA COPA AMÉRICA E DAS ELEIÇÕES, CRISTINA LANÇA O “TV PARA TODOS”
Televisores baratos nas vitrines das lojas argentinas a tempo da Copa América, que começa no dia 3 de julho na cidade de La Plata, um dos principais redutos eleitorais do governo. Este foi o pontapé inicial da presidente Cristina Kirchner para começar sua campanha eleitoral. No anúncio feito em rede nacional de TV – junto com seu lançamento à reeleição – a presidente Cristina ressaltou que o programa governamental “TV para todos” (também chamado de “LCD para todos”) implicará na venda, a partir da sexta-feira da semana que vem, de 200 mil televisores de alta definição LCD de 32 polegadas com um aparelho acoplado que permitirá captar os sinais de TV digital.
“Sou uma presidente que não gosta de uma Argentina para poucos, mas sim, para muitos”, argumentou em defesa da distribuição de créditos do estatal Banco de la Nación para a compra dos televisores, que serão vendidos por US$ 675. A compra pode ser feita em até 60 vezes, isto é, cinco anos, coincidindo com as eleições presidenciais de 2015. “É pão e circo com molho eleitoral, vinculado à Copa América”, criticou o economista Gabriel Rubinztein.
Cristina também anunciou a licitação de 110 sinais de TV em todo o país para empresas privadas. Outros 110 sinais serão distribuídos de forma direta aos governos das províncias, universidades públicas, além de ONGs, setor onde o governo possui grande influência.
O quarteto de Pinguins da série televisiva originada no filme “Madagascar” assistem TV.
“PARA TODOS” - No último ano e meio o governo Kirchner lançou diversos programas sob a égide do “para todos”, que implica em produtos a preços mais acessíveis para a maioria da população. Desta forma, já anunciou o “carne para todos” (cortes de carne bovina a valores mais baixos do que a média do mercado); “milanesas para todos” (programa de distribuição com preços baixos do corte de bife à milanesa, um dos pratos mais populares do país).
Além disso, lançou o “futebol para todos” (estatização das transmissões dos jogos de futebol, que passaram dos canais de TV a cabo a serem veiculados no canal estatal 7, uma TV aberta). Até 2019 o governo desembolsará US$ 150 milhões por ano para a Associação de Futebol da Argentina (AFA) e os clubes em troca dos direitos de transmissão.
Há poucos meses a presidente anunciou o “botijões para todos” (gás em botijão mais barato para os setores da população que não possuem gás encanado); e merluza para todos (o peixe marítimo mais popular na gastronomia argentina), entre outros programas de subsídios.
A oposição acusa o governo de fazer “populismo” com estes programas e ressaltam que, na prática, não passam de subsídios para obter dividendos políticos para as eleições presidenciais de outubro.

Oposição afirma que programa de LDC para todos trata-se de espetáculo para distrair população dos problemas do país, além de servir para publicidade para o governo. “É pão e circo com molho eleitoral, vinculado à Copa América”, criticou o economista Gabriel Rubinztein. Charge de El Niño Rodríguez – “Kirchner crooner”. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
Nossa semana borgiana foi brevemente interrompida para colocar a postagem acima sobre o lançamento de Cristina Kirchner. Na próxima postagem voltaremos à programação original e encerraremos a semana sobre JL Borges com uma postagem sobre os “Mitos borgianos: Georgie e Mick Jagger”.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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