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Ariel Palacios

Paródia finlandesa da “Criação de Adão” de Michelangelo Buonarroti mostra uma alterada Mão de Deus capelasistiniana como a Mão do ‘Diez’, isto é, D.A.Maradona (ex-técnico e ex-jogador). Ilustração acima mostra o irônico grafite estampado em uma parede da capital finlandesa, Helsinqui. Mas, desta vez não é “Vox populi, vox Dei”, pois torcida argentina está ateia e rechaça vontade de “Dios” ressuscitar e comandar novamente a seleção. No entanto, Maradona diz que pretende voltar. E que voltará com a ajuda dos Kirchners.

OPERAÇÃO RETORNO - Diego Armando Maradona, outrora chamado de “Dios” (Deus) pela torcida argentina, depara-se atualmente com um cenário de ateísmo futebolístico alastrado em seu país. Nesta sexta-feira, em entrevista ao canal Fox Sports, candidatou-se ao cargo de técnico da seleção de futebol argentina. Mas, as pesquisas realizadas pouco depois da notícia aparecer, indicaram que os argentinos rejeitam o retorno de “Dios”.

Maradona declarou que está “desesperado” e “com muita vontade” de retornar ao posto de técnico da seleção, onde esteve ao longo de 637 dias entre novembro de 2008 e julho de 2010. “Daria minha vida para voltar ao cargo de técnico”, disse.

Quando partiu, em julho passado, disparou uma saraivada de críticas contra Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), que havia rejeitado a permanência de boa parte dos assessores de Maradona. Na ocasião, o ex-técnico chamou Grondona de “traidor” entre vários outros adjetivos (Grondona é o comandante da AFA desde 1978, tempos da ditadura militar; o cartola há dois anos transformou-se em um firme aliado do casal Kirchner).

Um dos motivos principais para a não renovação do contrato de Maradona foi sua determinação em manter todo seu time de assessores. Na ocasião, o ex-astro disse que seria fiel a seus colegas e não permitira a demissão de nenhum deles (seus contratos não foram renovados, junto com a não renovação de Maradona).

Mas, nesta sexta-feira, “El Diez” indicou que poderia voltar ao cargo de técnico sem seus colaboradores. “Isso é algo sobre o qual podemos conversar”, disse o ex-técnico.

Com um tom inesperado, Maradona tentou colocar panos quentes nos entreveros que manteve com o presidente da AFA e afirmou que sabia que “o projeto não existe sem Grondona. Mas o patrão (Grondona) tem que falar comigo… se ele fala comigo, a gente soluciona isso”.

Na semana passada Maradona teve um encontro com a presidente Cristina Kirchner e o ex-presidente Néstor Kirchner na residência de Olivos que rendeu especulações sobre manobras do governo para recolocar “El Pibe de Oro” (O Garoto de Ouro) no cargo. Depois de dias em silêncio Maradona confirmou a intenção dos Kirchners de ver o ex-jogador novamente no posto. “Kirchner disse que estava zangado com a decisão de não me renovar como técnico”, disse Maradona categórico. “Néstor e Cristina foram bem clarinhos nisso”, afirmou.

 

Presidente Cristina Kirchner (da República) e presidente Julio Grondona (da AFA) . Kirchners querem Maradona de volta. Maradona diz que topa conversar com Grondona, a quem haviam chamado de ‘traidor’ há dois meses. A AFA de Grondona, coincidentemente, recebeu verbas extras do governo federal nesta semana.

 ALTERNATIVAS PARA MARADONA – O governo, nas últimas semanas, expressou em diversas ocasiões que desejava que Maradona estivesse no cargo de técnico da seleção durante a Copa América, que será realizada no ano que vem na Argentina. Além disso, circularam rumores provenientes do entourage presidencial que indicavam que os Kirchners planejavam colocar Maradona como Secretário dos Esportes, caso não fosse viável seu retorno ao posto de técnico. Diversos setores do governo sonham em colocar Maradona na lista de deputados federais nas eleições parlamentares e presidenciais do ano que vem.

 PESQUISAS - No entanto, as pesquisas indicam que os argentinos não querem que “Dios” volte a comandar a seleção.

No conservador “La Nación”, os internautas responderam de forma negativa à pesquisa que fazia a pergunta “Diego se desespera por voltar à seleção. Você gostaria que ele volte?”. Na noite desta sexta-feira 5,68% dos internautas diziam que “sim”, queriam Maradona novamente como técnico. Mas, uma avassaladora proporção de 94,32% deixou claro que “não” deseja sua volta.

O jornal “Infobae”, de simpatias governistas e que evitar criticar Maradona, mostrou que os leitores não desejam que o desejo de “El Diez” e dos Kirchners se concretize. À pergunta: “você quer que D.Maradona volte a ser o técnico da seleção nacional?”, 12,04% dos internautas responderam “sim”. Mas, 87,96% indicaram que “não” querem Maradona no cargo outra vez.

No jornal esportivo “Olé” a rejeição a Maradona era um pouco menor que em outras pesquisas. No entanto, exibia uma categórica negativa à hipotética volta de “El Diez” ao posto. Somente 21% apoiavam o retorno de Maradona. Outros 79% eram contra sua volta.

COMO TÉCNICO, REJEIÇÃO CONSTANTE - Maradona – ídolo futebolístico nos anos 80 e nos 90 – ostentou uma constante rejeição como técnico desde que foi designado para o posto por Grondona.

Em 2008, quando tomou posse, 65% dos torcedores não queriam Maradona de forma alguma no comando da seleção. Em novembro de 2009 as pesquisas indicavam que apesar de conseguir de forma suada a classificação para a Copa, 85% dos torcedores exigiam sua remoção. Após a eliminação da Argentina da Copa, 70% exigiam sua retirada.

Camisetas com pensamentos de Maradona foram vendidas na web

MARADONA TÉCNICO – Breve antologia de frases pronunciadas durante os 637 dias da Era Maradona

- “O que busco em meus colaboradores é a lealdade total e que sigam as ordens da mente absoluta, que sou eu” (ao tomar posse como técnico, em novembro de 2008)

- “Que vocês me c… !” (quando, em novembro passado, convidou os jornalistas a praticar sexo oral nele próprio, depois de derrotar o Uruguai e conseguir uma suada classificação da seleção argentina).

- “E que vocês continuem me mamando!” (reiteração do convite para o sexo oral, meia hora após a primeira proposta)

- “Não estou levando muitas coisas na mala…é que a coisa mais importante é aquela que vou trazer da África do Sul” (antes de partir para a Copa, confiante de que voltaria à Buenos Aires com a taça da FIFA).

- “O time é este aqui. Não há motivos para mexer nele!” (categórico, rejeitando sugestões, poucas horas antes de enfrentar a Alemanha nas quartas de final)

- “Se mexerem no cara do almoxarifado, vou embora da seleção” (em julho, quando indicou que só ficaria no cargo de técnico se todos os homens de sua equipe permanecessem em seus respectivos lugares).

Falando em “Dios”, cá está uma reprodução do original de M.Buonarrotti.

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra ).

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Na época da Guerra das Malvinas era conveniente deixar de lado nomes ingleses para evitar ataques de multidões enfurecidas. No entanto, o futebol salvou-se dos “rebatizados” bélicos.  Apesar do frenesi anglófobo (posteriormente desaparecido), os times mantiveram seus very british names: River Plate, Racing Club, Boca Juniors… (acima, na foto, a Torre dos Ingleses, atacada por manifestantes e rebatizada como ‘Torre Monumental’)

blog1dedo2bNesta segunda-feira, dia 14 de junho, completaram-se 28 anos do final da Guerra das Malvinas. Nesse dia, em Port Stanley (para os ingleses) ou Puerto Argentino (uma das várias denominações que os argentinos aplicaram a esse vilarejo) o comandante argentino, o general Mario Benjamín Menéndez, assinou a rendição de suas tropas (a Junta Militar, em Buenos Aires, tentou camuflar a catástrofe bélica alegando que havia sido apenas um “cessar fogo”).

As ações bélicas argentinas haviam iniciado dois meses e meio antes, na noite do 1 de abril de 1982 (mas que os militares argentinos – e os governos civis posteriores também – preferiram situar horas depois, já na madrugada do dia 2 de abril, para ser alvo de menos ironias), quando o então ditador do país, o general Leopoldo Fortunato Galtieri – famoso por seu intenso approach ao scotch e demais destilados – invadiu as ilhas, que haviam sido argentinas durante 13 anos (de 1820 a 1833) e que na ocasião estavam em mãos britânicas há 149 anos.

Na manhã do dia 2, quando tornou-se pública a notícia da reconquista das ilhas, dezenas de milhares de pessoas foram à Praça de Mayo dar hurras a Galtieri.

Nos dias seguintes, surgiu um intenso clima antibritânico em Buenos Aires. Esse ambiente de agressividade no país contra tudo o que fosse proveniente das terras de Shakespeare, Churchill e a cachorrinha Lassie consolidou-se com a decisão da primeira-ministra Margareth Thatcher de tentar retomar o arquipélago e enviar a Royal Navy.

A Argentina, até esse momento, havia sido talvez o ponto da América do Sul que havia exibido maior influência da cultura inglesa. Não era à toa que o ditado popular definia o cidadão argentino como “um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês”.

Com a guerra, o governo militar argentino, que abominava o rock britânico – por considerá-lo ‘degenerado’ – encontrou uma desculpa para proibir toda transmissão de músicas em inglês de autores ou intérpretes que fossem súditos de sua Majestade. Mas, como não podia deixar os jovens sem esse ritmo, autorizou que em seu lugar as rádios na Argentina transmitissem até então pouco divulgado rock nacional. Os roqueiros argentinos, graças à guerra das Malvinas, encontraram uma oportunidade para serem conhecidos pelo grande público. Por estas ironias do destino, roqueiros como Charly García, Fito Páez e León Gieco tiveram seu boom a partir dessa virada que a guerra provocou na cultura argentina.

Enquanto isso, multidões enfurecidas começaram a apedrejar escolas de inglês e empresas que ostentavam nomes britânicos. 

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Ditador L.F.Galtieri em seu ponto culminante de poder, após anunciar a reconquista argentina das Malvinas, desata onda anti-inglesa (menos para os times de futebol)

blog1vinheta58 DE DUAS PARA APENAS UMA NACIONALIDADE - A farmácia “La Franco-Inglesa”, para evitar problemas com multidões fanatizadas, optou por cortar uma de suas ‘nacionalidades’, e assim, amputou de seu cartaz a palavra “Inglesa”.

Desta forma, esta farmácia, fundada em 1892, situada na tradicional ‘calle’ Florida, número 301, transformou-se na farmácia “La Franco”.

Na mesma ‘calle’ Florida estava o café “Florida Garden”, ponto de encontro de espiões durante a guerra. O estabelecimento foi rebatizado com o nome mais espanhol de “Jardín Florida” para evitar problemas com eventuais anglófobos.

blog1vinheta58 BAR SEM UMA SÍLABA - Outra vítima do patrulhamento de nomenclaturas desatado pela guerra foi o “Bar Británico”, localizado na esquina das ruas Brasil e Defensa, no bairro de San Telmo, na frente do Parque Lezama.

O bar – cujos donos eram imigrantes espanhóis da região da Galícia – havia recebido esse nome nos anos 40 por causa dos veteranos britânicos da Primeira Guerra Mundial que frequentavam o lugar. O bar também foi frequentado pelo escritor Ernesto Sábato, que nele inspirou-se para seu livro “Sobre heróis e tumbas”.

Na primeira semana da guerra das Malvinas seus vidros destroçados com pedradas. Assustados, os donos – pacíficos galegos que jamais haviam imaginado que seriam encarados como propagandistas da rainha Elisabeth II – decidiram mudar o nome do bar.

Mas, com pressa – e com medo de um novo ataque – os donos consideraram que a solução mais eficaz e rápida seria a de remover a primeira sílaba do emblemático estabelecimento.

Assim, o Bar Británico transformou-se em “Bar Tánico”. Anos depois, um turista grego avisou que ‘tánico’ era uma referência a “tánatos”, isto é, “morte”. Os donos do bar, levando em conta que a guerra havia passado e os ânimos violentos estavam adormecidos, rebatizaram o estabelecimento como “Bar Británico”.

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Plácido bar atendido por septuagenários garçons foi atacado em 1982 por ter nome alusivo à Grã-Bretanha. Bar Británico, às pressas, mudou seu nome para ‘Bar Tánico’. Posteriormente readquiriu a sílaba perdida na guerra.

blog1vinheta58 COMO NA IDADE MÉDIA - Na primeira semana da guerra a Torre dos Ingleses foi atacada por centenas de pessoas enfurecidas que – tal como na Idade Média – derrubaram os portões de bronze da base com um poste transformado em aríete. Integrantes da multidão subiram até o topo da torre onde destruíram o imenso relógio ali instalado, além dos vidros.

A torre – que havia sido construída com doações de anglo-argentinos para homenagear o centenário da Revolução de Maio de 1810, início do processo de independência da Argentina – era um marco da arquitetura portenha (há poucos anos foi restaurada).

Para impedir o ataque da multidão, de nada valeu a frase gravada sobre a porta de entrada, entre os escudos da Argentina e da Grã-Bretanha: “salve o grande povo argentino, da parte dos residentes britânicos, 25 de maio 1810-1910”.

Dias após o ataque, a torre foi rebatizada de “Torre Monumental” (apesar da troca de denominação, ela continua sendo popularmente chamada de ‘Torre dos Ingleses’).

A ex-torre dos ingleses está em uma praça na frente da estação de trens de Retiro (estação que dá nome ao bairro). Antes da guerra denominava-se Praça Britannia. Mas, após a invasão de Galtieri às Malvinas, essa área foi rebatizada de “Praça Força Aérea Argentina”.

blog1vinheta58 ESTÁTUA NO FUNDO DO RIO - Nessa praça existia uma estátua do primeiro-ministro britânico George Canning, ali instalada em 1937. Ela foi pichada durante a guerra das Malvinas. No entanto, não sobreviveu ao segundo aniversário da invasão de Galtieri: em 1984 um grupo de militantes peronistas marchou até a estátua.

Um dos homens do grupo laçou a cabeça de Canning e amarrou a corda em uma camionete, que acelerou até derrubar o monumento. Canning – enquanto o grupo de militantes gritava cânticos tradicionais de estádios de futebol – foi arrastrado até a beira do rio da Prata e jogado em suas águas.

O próprio Canning também aparecia na cartografia portenha com uma avenida, que vai desde Palermo até Villa Crespo. Neste caso, o nome dessa via já havia sido trocada em 1974, durante o último governo do general Juan Domingo Perón, que pretendia homenagear um pensador argentino, Raúl Scalabrini Ortiz.

Em 1976, com o golpe militar, a avenida voltou a ser Canning. Mas, com a guerra, o nome foi novamente trocado. Embora seja de novo “Scalabrini Ortiz”, os moradores da região (especialmente aqueles com mais de 50 anos de idade) costumam chamar a avenida de Canning, tal como ela foi durante quase todo o século XX.

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River Plate confronta-se contra o Independiente. Foto de 1939

blog1dedo2bAPESAR DA GUERRA, NOMENCLATURA FUTEBOLÍSTICA INCÓLUME – No entanto, apesar da obsessão anti-inglesa que tomou conta de vários setores da sociedade argentina no meio do frenesi da Guerra das Malvinas, nem a ditadura militar e sequer os mais acirrados manifestantes propuseram atacar os times de futebol, que ostentavam (e ainda ostentam) sonoros nomes ingleses.

Enquanto a Torre dos Ingleses era alvo de incêndios; escolas de inglês eram atacadas com coquetéis molotov, bares e cafés com nomes alusivos à Grã-Bretanha eram apedrejados – e ruas com nomes ingleses eram rebatizadas – os estádios dos times ficaram incólumes, longe de qualquer anglofobia.

Os torcedores não perceberam a sonoridade britânica dos nomes do “River Plate” (Rio da Prata em inglês) e Boca ‘Juniors’?  Ou, se perceberam, talvez consideraram que seria demasiada heresia alterar os nomes dos clubes que idolatravam. Estariam os clubes acima da anglofobia que imperava no país? Esse é um assunto para psicanalistas esportivos analisarem.

Além dos óbvios River Plate e Boca Juniors, na lista dos times que ostentam nomes ingleses na Argentina estão…

- Racing Club

- Newell’s Old Boys

- All Boys

- Banfield

- Chaco For Ever

- Temperley

…entre outros.

No entanto, após a derrota na Guerra das Malvinas, a sociedade argentina encontrou no futebol uma forma de vendetta contra a Inglaterra.

O futebol já havia tornado-se um campo de batalha entre a Argentina e a Inglaterra em 1966, quando ambas seleções confrontaram-se em Londres. Na ocasião, a Argentina perdeu de 1 a 0, fato que causou profunda irritação em Buenos Aires, onde a imprensa atacou o árbitro, acusado de parcialidade.

Na ocasião, os cartolas da Associação de Futebol da Argentina (AFA) também irritaram-se e criticaram o desenlace do jogo em Londres com alusões à conquista das Malvinas por parte da Grã-Bretanha em 1833: “os ingleses não se conformam em nos roubar as Malvinas e agora também nos roubam jogos de futebol!!”.

Para complicar, o capitão argentino, Antonio Rattin, foi expulso após cometer duas faltas. Cansado, sentou-se sem querer no tapete vermelho da rainha Elisabeth II (que não estava presente na ocasião, pois somente havia participado da abertura da Copa).

Os torcedores britânicos, irritados, começaram a jogar objetos sobre o jogador argentino, que, zangado levantou-se e saiu do campo. Mas, no meio do caminho pegou uma bandeirola inglesa à beira do gramado e a amarrotou levemente. A torcida inglesa gritava “animals, animals!” desde as arquibancadas. O gesto tornou Rattin no jogador mais comentado dessa Copa (a ‘amarrotada’ de Rattin, aqui ).

bloguruguaigolfinal1930

Gol do Uruguai contra a Argentina na final de 1930, em Montevidéu. O Uruguai seria o rival comme il faut da Argentina na maior parte do século XX. Depois, foi o Brasil. Mas, desde 1982, por questões geopolíticas, Inglaterra ocupa esse posto.

blog1vinheta60 INGLATERRA, MAIS DO QUE O BRASIL - Uma década e meia depois, a guerra das Malvinas potenciou a rivalidade argentino-britânica.

Neste ponto, é preciso fazer um resumo célere das rivalidades argentinas no futebol.

Podemos dizer que desde o início do século XX o rival futebolístico comme il faut da Argentina foi o Uruguai, país com o qual os argentinos possuíam vários pontos culturais, políticos, históricos e gastronômicos em comum. A Argentina perdeu a Copa do Mundo para a seleção uruguaia em 1930. A derrota ocorreu em Montevidéu, a curta distância de Buenos Aires.

Os times uruguaios e argentinos, até pela proximidade geográfica, confrontavam-se com mais frequência entre si do que com times de outros países, entre eles, o Brasil.

Até o início dos anos 60 o Uruguai foi o rival principal dos argentinos, pelo menos, no imaginário coletivo. Nessa mesma década, o Brasil começou a ocupar esse lugar.

O posto de rival principal foi consolidado nos anos 80 pelo Brasil.

Mas, em 1982, a guerra das Malvinas deslocou o Brasil do imaginário coletivo argentino como o principal rival a derrotar nos estádios. Não por questões esportivas, mas por questões geopolíticas.

Desta forma, enquanto que – supostamente – para os brasileiros poderia não existir sabor mais supremo do que infligir uma derrota à seleção argentina, para os argentinos não haveria maior delícia do que derrotar a Inglaterra.

Pesquisas publicadas na imprensa portenha nas copas de 2002 e 2006 indicaram que em caso do Brasil confrontar-se com a Inglaterra, mais da metade dos argentinos torceriam a favor do Brasil.

O cientista político Vicente Palermo, especialista em Malvinas, além de ser um profundo estudioso do Brasil, afirma que “a rivalidade argentino-brasileira no futebol é intensa. Mas é essencialmente presente. Cada jogo renova o conflito esportivo, que não somente carece de conotações extra-esportivas, mas também de qualquer raiva por ambas partes, inteiramente desprovisto de contas a saldar”. No entanto, segundo Palermo, “a oposição futebolística argentino-inglesa é completamente diferente”. O politólogo considera que contra a Inglaterra “não se trata somente da profusão de conotações extra-futebolísticas, mas sim, principalmente, de que é um vínculo estabelecido no passado: revive e se restabelece no passado em cada ocasião”. O especialista sustenta que neste caso, para os torcedores argentinos, “cada jogo está carregado de passado e é a ocasião para a vingança”.

Um dos sinais mais evidentes da preferência argentina em derrotar a Inglaterra (trauma para muitos no Brasil, por questões de algo que poderíamos pitorescamente chamar de “ódios não correspondidos”) é que os dois gols mais recordados pelos argentinos são duas marcas realizadas contra a Inglaterra (e não são gols feitos contra o Brasil).

Os dois gols em questão foram realizados na Copa do Mundo de 1986, no México.

O autor de ambos gols foi o então jogador número 10 da seleção argentina, Diego Armando Maradona, atual técnico da seleção de seu país.

Um dos gols de Maradona foi aquele marcado com a denominada “Mano de Dios” (Mão de Deus), isto é, a própria mão de Maradona, que passou desapercebida para o árbitro, que validou o gol.

O outro gol foi conseguido após driblar seis jogadores ingleses (incluindo o próprio goleiro inglês).

Este segundo gol levou o prêmio de “Gol do Século” ou “O melhor gol da História da Copa Mundial de Futebol”, definido em uma pesquisa na internet feita pela FIFA em 2002. O próprio Maradona referiu-se a ambos gols como uma vingança contra a Inglaterra pela derrota argentina nas Malvinas.

E, para aumentar a rivalidade entre os dois países – fato que exclui totalmente o Brasil deste assunto – o denominado “segundo gol do século” (o que está em segundo posto nesse ranking) foi (ironias do destino futebolístico) um gol infligido pelos ingleses aos argentinos.

Esse outro gol foi de autoria de Michael Owen, que na Copa do Mundo da França de 1998 desferiu um gol contra a Argentina após significativa exibição de virtuosismo no gramado (como careço de background sobre coreografias e manobras para implementar gols, me abstenho de realizar considerações sobre os eventuais méritos estéticos deste ou de qualquer outro gol. Portanto, comento o ranking supracitado exclusivamente pelo fato de ter sido elaborado pelo organismo encarregado desse esporte, isto é, a FIFA).

A historiadora Emma Cibotti, em seu livro “Queridos inimigos” (sobre a rivalidade argentino-inglesa) da editora Aguilar, ressalta a existência da expressão popular “contra os ingleses é melhor”.

Cibotti também recorda a frase sempre cantada pela torcida argentina, quando pula nas arquibancadas ou nas praças para estimular a seleção: “quem não pula é um inglês”. Mesmo que o jogo não seja contra a Inglaterra…

Cibotti também afirma que desde que a guerra das Malvinas acabou, os ‘poréns’ contra a Inglaterra foram significativamente reduzidos: “desde essa época, a anglofobia passeia apertada em um punho… mas só dentro dos campos de futebol”.

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O brasileiro Campos Salles e o argentino Roca, amantes do cavalheirismo nos campos de futebol

blog1vinheta55 PS: RIVALIDADE COM O BRASIL E CAVALHEIRISIMO

Aqui segue o link para uma postagem de setembro passado, no qual comentamos os tempos em que o cavalheirismo predominava no futebol. E, neste caso, em um jogo da Argentina com o Brasil. Aqui.

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EM CAFÉS, NA EMBAIXADA E NA CASA DE ARGENTINOS ‘BRASILÓFILOS’, COMUNIDADE BRASILEIRA ACOMPANHOU O JOGO DE ESTRÉIA

blog1hand-prawo4 Na ausência de bairro equivalente a um “Little Brazil” que aglutine os escassos 7 mil brasileiros que residem na área da cidade de Buenos Aires e sua região metropolitana (em todo o país morariam 35 mil brasileiros, especialmente concentrados na área da fronteira), os torcedores do Brasil espalharam-se nesta terça-feira em cafés e restaurantes para assistir o jogo do Brasil contra a Coreia do Norte. Os brasileiros também optaram por acompanhar o embate transmitido pela TV em suas próprias residências ou na casa de amigos argentinos “brasilófilos”.

Tal como costuma fazer em todas as copas desde 1998, a sede administrativa da Embaixada do Brasil em Buenos Aires abriu seu auditório para que os torcedores pudessem assistir o jogo em dois telões. Diplomatas, executivos de empresas brasileiras instaladas na Argentina, além de turistas e residentes brasileiros em Buenos Aires acompanharam o primeiro tempo com angústia.

Entre os torcedores presentes estava a mineira Selma Pinheiro dos Santos, residente na Argentina há nove anos. “O time está esquentando ainda. Não está indo bem, mas no final vai dar certo e ganhará”, disse ao Estado no décimo-quinto minuto do jogo.

No intervalo, a dez quarteirões dali, na calçada do bar “Locos por el fútbol” no bairro da Recoleta, na esquina das ruas Azcuénaga e Vicente López, o paulista Rogério Barbosa – que está em Buenos Aires por trabalho durante esta semana – ostentava uma camiseta da seleção brasileira e analisava o primeiro tempo com seu colega Marcelo Zanolla.

“Acho que esta seleção não tem confiança”, ressaltou Barbosa ao Estado. “Temos jogadores talentosos. Mas falta que esses talentos joguem de forma conjugada”, completou Zanolla.

RESPIRANDO ALIVIADA - Com o segundo tempo iniciado, no bairro de Palermo, a gaúcha Elena Fernandes começava a respirar aliviada. “Agora, depois do gol do Maicon, estou mais tranquila…mas no primeiro tempo, foi impossível”, afirmou Elena por telefone ao Estado.

Elena, que reside em Buenos Aires há dois anos e meio, onde é subgerente de um hotel no bairro de Palermo, teve uma licença de seu trabalho para assistir o jogo na casa de uma amiga paraibana que mora na capital argentina. Elena vestiu uma camiseta com os dizeres “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste” para assistir o jogo. Segundo ela, “a maioria” de seus amigos argentinos “torce para o Brasil”.

UM BRASILEIRO E 30 ARGENTINOS – No centro da cidade, o mineiro Carlo Moiana Turtelli, que trabalha no setor de informática de uma empresa petrolífera em Buenos Aires há meia década, era ontem o único brasileiro no meio de trinta argentinos que assistiam o jogo.

“Não sou exatamente um fanático do futebol”, explicou Carlo ao Estado. Mas, apesar disso, fez uma sucinta avaliação do desempenho da seleção brasileira após o segundo gol: “como dizem aqui na Argentina, parece que os jogadores ‘se están poniendo las pilas’ (“estão colocando as pilhas”, expressão que indica que estão se esforçando).

‘AMO CAMBORIÚ’ - Mozart de Aquino, estudante brasileiro, relatou ao Estado que foi convidado por um grupo de amigos argentinos ‘brasilófilos’ para assistir o jogo contra a Coreia do Norte na casa de um deles no bairro de Boedo. O grupo de quatro amigos, auto-definidos como “fanáticos” pelo Brasil (música, praias, garotas, economia e política), vestiu camisetas da seleção brasileira. Um deles, no entanto, por carecer de tal vestimenta, homenageou o Brasil com uma camiseta com os dizeres “Eu amo Camboriú”.

“Levei uma garrafa de Velho Barreiro para celebrar”, explicou Mozart. “E eles ofereceram empanadas… foi uma boa mistura!”.

GOLS E CHURRASCO - Enquanto isso, a 40 quilômetros de Buenos Aires, em La Plata, capital da província de Buenos Aires, Lívia Stevaux, estudante brasileira de cinema, que ali reside há quatro anos, assistiu o jogo acompanhada de seis amigos brasileiros e dois argentinos. Todos usavam camisetas da seleção brasileira, inclusive os argentinos. “Um dos argentinos morou no Brasil vários anos, enquanto que o outro é casado com uma brasileira”, explicou ao Estado por telefone.

“O primeiro tempo foi triste. Mas, depois, no segundo tempo, ficamos contentes e começamos a gritar de alegria”, disse Lívia. No entanto, apesar da vitória, considerou que o desempenho do time “não poderia ser classificado de satisfatório. A Coreia do Norte era um time supostamente fraco. Não sei como será quando o Brasil tiver que enfrentar um time bom de verdade…”.

Na terça-feira da semana que vem, Lívia acompanhará o jogo da Argentina contra a Grécia em sua casa em La Plata, em companhia de seus amigos argentinos, onde saborearão um suculento churrasco enquanto assistem o embate pela TV.

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Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Gustavo Chacra (Nova York): http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/ 
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/ 
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trevisan/ 
Adriana Carranca (Pelo Mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carranca/ 

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 blogquerubinesdresden4

‘Barrabravas’ argentinos estão longe da atitude contemplativa e plácida dos dois famosos anjinhos de Rafaello Sanzio (1483-1520). O quadro – o “Madonna Sistina”, um óleo sobre painel, que está no Gemäldegalerie Alte Meister, Dresden – é geralmente reproduzido de forma parcial. Quase sempre aparecem somente os dois celestiais guris acima. Ele foi pintado entre 1512 e 1514 por (suposta) encomenda do papa Julio II. Este, aliás, teve uma interessante interpretação por parte do ator britânico Rex Harrison no filme “Agonia e êxtase” (1965) com Charlton Heston, que fazia o papel do pintor e escultor Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni. Rex Harrison foi ‘Henry Higgings’ no filme “My fair lady” (um link de uma das melhores cenas, aqui. )

blog1dedo2bOs “barrabravas” – denominação dos “hooligans” na Argentina – estão viajando em peso à África do Sul para acompanhar de perto a seleção de seu país. Diversas estimativas do jornalismo esportivo portenho afirmam que entre 600 e 800 “barrabravas” terão desembarcado até este sábado em Pretoria, sede da concentração argentina. O primeiro grupo, composto por vinte e duas pessoas, viajou há duas semanas junto com a seleção, no mesmo avião do técnico Diego Armando Maradona.

O técnico, no entanto, nega categoricamente qualquer tipo de vínculo com os “barrabravas”. Mas, os torcedores afirmam que possuem um “arranjo direto” com Maradona e o manager da seleção, Carlos Salvador Bilardo.

O grupo que acompanhou Maradona, que autodenomina-se “a torcida oficial” da seleção, é comandado por Marcelo Aravena, que integrou a “barrabrava” do Boca Juniors nos tempos de José “El Abuelo” (O Avô) Barrita, famoso e truculento torcedor.

Aravena – que não viajou à África do Sul, mas enviou seus principais homens em seu lugar – atualmente está em liberdade condicional, já que entre 1994 e 2007 cumpriu uma parte da pena de 20 anos de prisão pelo assassinato de dois torcedores do time River Plate. Após sair da prisão fez um rejuntado de diversas torcidas de times pequenos e criou a ‘torcida oficial’.

A presença dos barrabravas na Copa está causando intensa polêmica, já que diversos grupos estão sendo vinculados com o governo da presidente Cristina Kirchner, como a Hinchadas Unidas Argentina (HUA), que engloba militantes ‘kirchneristas’.

As denúncias também apontam contra Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) desde 1979, época em que o país era governado pelo ditador e general Jorge Rafael Videla.

Grondona, que possui boas relações com o casal Kirchner, afirmou que o assunto não constituiu um problema para a AFA: “não sei porque os barrabravas estavam no avião (de Maradona). Esse é um problema de vocês (jornalistas). Não é meu problema” (mais informações sobre Grodona, nesta postagem do ano passado, aqui. )

No ano passado Grondona fechou um suculento acordo com o governo Kirchner. Ele cancelou o contrato que a AFA e os clubes de futebol possuíam com a empresa empresa privada TyC – que pagava US$ 59 milhões por ano à associação e os clubes para transmitir os jogos de futebol – e pactuou com o governo um contrato de US$ 157 milhões anuais.

A ONG Parentes das Vítimas da Violência no Futebol Argentino (Favifa) apresentou na Justiça uma denúncia sobre a presença de “barrabravas” na África do Sul, vinculando-os a Grondona, Maradona, Bilardo, além do empresário Rudy Ulloa (íntimo amigo do casal Kirchner) e Hugo Moyano, o secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), a principal central sindical do país (aliada do governo, com setores sindicais que respaldam os barrabravas).  O link do site desta ONG que denuncia a violência dos barrabravas, aqui.

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O ditador Jorge Rafael Videla, que utilizou o futebol para desviar a atenção dos problemas do país. Os barrabravas começaram a florescer em seu governo.

blog1dedo2bBARRABRAVAS SURGIRAM NA DITADURA

A Copa do Mundo de 1978, realizada na fase mais dura da última ditadura militar (1976-83) foi um divisor de águas na Argentina na violência e no esquema de poder dos “cartolas” do futebol local.

A truculência do regime – que sequestrou, torturou e assassinou mais de 30 mil civis – teve forte influência sobre a estrutura dos times e das torcidas de futebol. Vários jogadores e técnicos participaram de ações de sequestro de opositores da ditadura (um dos casos é o do ‘Gato’ Andrada, que jogou no Brasil nos anos 70. Para mais detalhes sobre seu sinistro caso, esta postagem do ano passado, aqui. )

A partir dali, os “barrabravas” – que até então eram um fenômeno de quase nulo peso – consolidaram seu crescimento e começaram a desfrutar da cumplicidade das autoridades esportivas.

A tendência de crescimento continuou apesar da volta da democracia, já que os “barrabravas” e suas estruturas de organização também passaram a ser utilizados amplamente por cabos eleitorais, especialmente nos empobrecidos municípios da Grande Buenos Aires, feudo político do partido Justicialista (Peronista), atualmente no governo.

Os integrantes dos “barrabravas” ocasionalmente trabalham como seguranças de deputados, prefeitos e vereadores. Além disso, possuem a função de causar distúrbios em comícios de opositores políticos.

De quebra, os barrabravas arrecadam substanciais fundos nos fins de semana, pois nas principais cidades do país controlam os flanelinhas que cuidam dos veículos estacionados nos arredores dos estádios, em dias de jogo. 

blog1vinheta62 KIRCHNER 2011 – O principal grupo de barrabravas está representada pela HUA – autodefinida como uma “ONG” – presidida pelo líder kirchnerista Marcelo Mallo, que desembarcou na África do Sul nesta semana.

Mallo, militante da organização kirchnerista “Compromisso K” na cidade de Quilmes – terra de Aníbal Fernández, chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina – é amigo íntimo de Rudy Ullo Igor, ex-office boy e ex-chofer do casal Kirchner, que na última década transformou-se no principal empresário do setor de mídia da Patagônia.

(Nesta entrevista feita com Mallo pelo jornal ‘Perfil’, o líder barrabrava posa na frente de um retrato do líder pacifista Mohandas Karamchand  Gandhi, o ‘Mahatma’ Gandhi. Aqui. )

Informações extraoficiais indicam que nas arquibancadas dos estádios desenrolarão faixas com os dizeres “Néstor Kirchner 2011”, antecipando a disputa presidencial do ano que vem.

O ex-presidente do time Vélez Sarsfield, Raúl Gámez – um ex-integrante de barrabravas na juventude, atualmente arrependido de seu passado – sustentou que o atual governo utiliza “a mão de obra barata dos barrabravas” para manifestações políticas.

O chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández, foi sabatinado no Senado sobre o caso. No entanto, negou qualquer envolvimento do governo com os torcedores. “Não temos interesse algum que estas pessoas viagem para a África do Sul. Mas, qualquer cidadão livre pode ir, e portanto, não podemos impedir sua viagem”, admitiu.

A HUA tenta manter as aparências. Em Pretoria seus integrantes ficarão hospedados no Christian Progress College. Os “barrabravas”, em troca de obras de reformas da escola, pagarão um módico aluguel de US$ 11 diários por pessoa.

blog1vinheta62 MESSI E ‘GUSANO’ - Uma das principais figuras dos barrabravas é Ariel Pugliese, conhecido pelo nom de guerre de “Gusano” (Verme). Ele é funcionário do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob intervenção federal. Em abril “Gusano” atacou o jornalista Gustavo Noriega na Feira do Livro. Noriega estava lançando um livro com denúncias de corrupção do governo Kirchner, mais especificamente, sobre a manipulação de estatísticas no Indec.

“Gusano” também foi o responsável da segurança de Messi durante o jogo da seleção contra o Uruguai no ano passado. No entanto, segundo o porta-voz da AFA, Ernesto Cherquis Bialo, “Messi não sabia quem era o cara. Nós tampouco sabíamos”.

O “barrabrava” também está sendo investigado pelo suposto assassinato de Marcelo Cejas, um torcedor do clube Tigre, em junho de 2007.

blog1vinheta62 FOGOS E ‘PILLÍN’ – Andrés Bracamonte, cujo nome de guerra é “Pillín” (Travesso), líder da torcida ‘barrabrava’ do time Rosario Central, suspeito de tentativa de homicídio, tentou entrar na semana passada na África do Sul. Sua partida ocorreu com a autorização da Justiça argentina. O líder dos ‘barrabravas’ foi autorizado após deixar dois carros de luxo como garantia nos tribunais.

Bracamonte está sendo investigado pela Justiça de Rosario pelos incidentes com fogos de artifício disparados durante o jogo Brasil-Argentina em setembro do ano passado no estádio do Rosario Central.

Mas, as autoridades sul-africanas não aceitaram a presença de “Pillín” no país e o deportaram para a Argentina.

Além de ‘Pillín’ – que posteriormente afirmou que havia sido ‘discriminado’ pelas autoridades sul-africanas – foram enviados de volta à Argentina um grupo de barrabravas com peculiares noms-de-guerre:

Emiliano ‘Bocón’ (Bocão) Tagliarino

Pablo “El Narigón” (O Narigão) Derrespinis (irmão de Cláudo Derrespinis, a.k.a. “El Gordo Cone”)

Pablo ‘Bebote’ (Bebezão) Álvarez

Carros de luxo recolheram este peculiar grupo quando voltou para a Argentina. Antes de entrar nos veículos, agrediram os jornalistas argentinos de plantão no lugar.

blog1vinheta71OPINIÃO PÚBLICA, CONTRA OS ‘BARRAS’ - A opinião pública está ostensivamente a favor da deportação dos barrabravas. Isso é o que indica uma pesquisa feita pelo jornal “La Nación”. Segundo os resultados, 97% dos internautas consideram que é “muito bom” que os hooligans locais tenham sido reenviados para a Argentina. Outros 2% dos internautas afirmam que, se a Justiça permitiu que saíssem do país, a África do Sul deveria ter permitido que ficassem em território sul-africano. O restante 1% indicou que não tinha opinião formada sobre o caso.

blogquerubinsquadrointeiro

O antes citado quadro de Sanzio, na versão completa

 

blog1dedo4UMA NOITE OFF-COPA

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O batutésimo Yo Yo Ma, que apresentou-se nesta sexta-feira no Teatro Colón, dando início ao ciclo internacional dessa casa

blog1vinheta67 Ontem (sexta-feira) à noite tive o deleite de assistir o violoncelista Yo Yo Ma no Teatro Colón. O supimpa intérprete francês (filho de chineses) interpretou o Prelúdio número 2 de George Gershwin, além de “Cristal”, do brasileiro César Camargo Mariano.

Yo Yo Ma também interpretou Johannes Brahms, com a Sonata para violoncelo e piano número 1 em Mi menor. O terceiro movimento, o Allegro, eletrizou o exigente público do Colón, que aplaudiu em pé.

Mas, o parisiense celista estava apenas ‘esquentando os tamborins’. Após o intervalo interpretou a Sonata para violoncelo e piano em Sol menor, opus 19, de Sergei Rachmaninov.

O segundo movimento, o Allegro Scherzando, foi brilhante. Mas, o quarto movimento, o Alegro Mosso, foi espetacular. O público aplaudiu em êxtase.

Yo Yo Ma saiu do palco, mas teve que retornar após insistentes pedidos de bis. Nesse instante, interpretou uma peça de Astor Piazzolla. O público urrou e pediu mais. O violoncelista teve que voltar para um segundo bis, no qual interpretou uma peça de Camile de Saint Säens.

A entrevista que Yo Yo Ma deu horas antes do concerto, no jornal “La Nación”, aqui.

E neste link, Yo Yo Ma interpreta o Prelúdio da Suíte número 1 de J.S. Bach. Aqui.

blog1vinheta99

 

BlogBorgesFoto3

O cosmopolita J.L. Borges, um irreverente ‘copa-fóbico’ 

blog1dedo4UM DIA OFF-COPA

O irônico escritor argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), autor de “O Aleph” e “Ficções” protagonizou uma peculiar rebeldia cultural em 1978, quando a Copa do Mundo estava sendo disputada na Argentina, país na época controlado com mão de ferro pelo ditador e general Jorge Rafael Videla.

Borges – sem interesse algum pelo futebol – decidiu pronunciar uma conferência em Buenos Aires no mesmo minuto em que a seleção argentina iniciava seu primeiro jogo (contra a seleção da Hungria). A palestra do irreverente Borges foi encarada por diversos setores como um desafio ao “patriotismo” e à própria ditadura (que Borges havia elogiado nos primeiros meses, tal como o escritor Ernesto Sábato, mas a qual começou a criticar pouco depois). Grupos de fanáticos tentaram impedir a realização do evento.

O assunto da conferência borgiana em 1978? “A Imortalidade”.

Trinta e dois anos depois, hoje (sábado), na mesma hora em que a Argentina enfrentará a Nigéria, na cidade argentina de Rosario, na província de Santa Fe, centenas de pessoas estarão novamente focalizadas em Borges, já que será realizado o encerramento de um ciclo de conferências sobre Borges e o escritor sul-africano John Ronald Reuel Tolkien, o autor de “O senhor dos anéis”.

Os organizadores do evento, da Universidade do Centro Educativo Latino-americano (Ucel), afirmam que foi pura coincidência, pois – fiéis ao desinteresse de Borges sobre “esse esporte inglês” (tal como o chamava) – sequer haviam pensado na data em que iniciava a participação argentina na Copa.

Para aqueles que estiverem em Rosario, uma interessante chance de ver as palestras. Para mais detalhes, aqui.

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hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

blog1vinhetalendonewsstand3 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão 

Gustavo Chacra (Nova York): http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/ 
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/ 
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Maradona está atrás de qualquer aeronave que leve seus jogadores à África do Sul

Copia de blog1dedo2O técnico argentino Diego Armando Maradona não consegue deter o acúmulo de conflitos, queda de prestígio e problemas de comando a granel a poucas semanas do início da Copa do Mundo na África do Sul. Depois de enfrentar brigas entre seus próprios comandados e críticas de ex-técnicos Maradona admitiu que ainda não sabe como transportará seus jogadores através do Atlântico Sul para que cheguem a tempo de concentrar-se e preparar-se para a Copa. O motivo da angústia de Maradona é que seus assessores – entre eles o manager da seleção, Carlos Bilardo – não compraram as passagens para que o time possa viajar para a África do Sul.

No entanto, conseguir as escassas passagens aéreas que restam para a África do Sul é uma tarefa de Hércules, afirmam os agentes de viagens.

Para evitar a vergonha pública, informações extraoficiais indicam que Maradona deixou claro a Bilardo que não lhe importa viajar em classe turista, onde também colocaria integrantes do corpo técnico, caso fosse necessário. Mas, sustentou que pretende que todos seus “muchachos” (rapazes) façam o trajeto em classe executiva. Para conseguir os lugares, os assessores de Maradona estão até telefonando aos passageiros com passagens compradas, para ver se conseguem convencê-los a trocar a viagem para outro dia.

“Ficou difícil para que Bilardo encontre passagens em cima da hora”, afirmou o técnico sobre o manager, com o qual possui uma relação tensa.

“Acho que viajaremos no dia 26…quero viajar no dia 26”, balbuciou Maradona em declarações à imprensa portenha, ao referir-se a seu desejo de partir na quarta-feira da semana que vem.

Segundo o técnico, não seria adequado viajar nos dias 27 e 28, já que não existem voos com lugares suficientes para a viagem do time em um único bloco, cenário no qual a seleção teria que desembarcar na África do Sul de forma parcelada. No entanto, Maradona prefere evitar esta opção: “não é sério que seis rapazes viagem por um lado, outros seis em um dia diferente e outros dez jogadores em outro dia. Não é sério”.

Maradona também confessou que está “conversando” com “pessoas” com as quais o jogador Carlos Tevez fez uma “aproximação” para ver a possibilidade de que todos os jogadores da  seleção e boa parte da delegação argentina viagem em conjunto em um voo charter.

O presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Julio Grondona, enquanto isso, mantém silêncio sobre os imbroglios de “El Diez”.

Na próxima segunda-feira, dia 24, a seleção enfrentará o Canadá para um amistoso no portenho Monumental de River, estádio no qual Maradona já declarou que não gosta de estar.

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PALERMO E A EX – Maradona, além de acumular problemas para transportar a equipe para a África do Sul, as brigas entre seus jogadores, e as recentes acusações de ter “conspirado” contra o ex-técnico Alfio Basile para conseguir o posto de técnico no final de 2008, também enfrenta o risco de ficar sem um de seus jogadores favoritos, Martín Palermo.

O motivo de eventual ausência de Palermo na África do Sul é o processo que a ex-esposa do jogador do Boca Juniors, Lorena Barrichi, abriu contra ele. Os advogados de Lorena, uma ex-modelo que casou-se com Palermo em 2005 iniciaram uma demanda penal por sonegação fiscal contra o jogador, suspeito de não ter declarado a totalidade de seu patrimônio. Desta forma, a Justiça poderia impedir Palermo de sair do país para participar da Copa. 

Copia de blog1dedo2CONFRONTOS E DROGAS - Nas últimas duas semanas Maradona teve uma frenética atividade na mídia. A tensão crescente do técnico com Julio Grondona – presidente da AFA há 31 anos – irritou o filho deste, Humberto Grondona. Em declarações à rádio “La Red”, o filho de Grondona ameaçou, sem sutilezas: “se você ataca meu pai, eu te piso”.

Maradona também participou do programa de auditório da apresentadora Susana Giménez. Ali, jurou que há seis anos não consome drogas, isto é, desde a overdose que em abril de 2004 quase o matou em Buenos Aires, pouco tempo depois de retornar de Cuba.

Na sequência foi o alvo de uma nova polêmica quando o filho do ex-técnico Alfio Basile, Alfio Basile Junior, divulgou pela rede de micro-blogs Twitter que Maradona havia “conspirado” para derrubar seu pai e tomar seu posto de técnico da seleção em 2008.

De quebra, após todos estes quiproquós, Jorge Ribolzi, ex-assessor do ex-técnico Basile, foi categórico ao definir Maradona: “como jogador, foi o melhor que eu vi … como técnico, ele terá que mostrar sua capacidade. Mas, como ser humano, é um lixo de pessoa”.

blog1atençaowydarzenie E ATENÇÃO, FINALMENTE…

Agora há pouco, nesta noite de terça-feira, integrantes do entourage de Maradona anunciaram que os jogadores já possuem uma forma de chegar à África do Sul. Desta forma, a AFA evitou o fiasco sobre as passagens para os jogadores.

Segundo os assessores de Maradona, a seleção partirá no dia 28 de maio, em um voo da South African Airways. O avião partirá do aerporto internacional de Ezeiza nesse dia às 16:45.

Neste avião partirão os 23 jogadores, 10 integrantes do corpo técnico, 16 ajudantes e alguns cartolas.

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BREVE FOFOCAGEM COM BACKGROUND, dos arquivos de ‘Os Hermanos‘:

- Maradona e o fellatio, aqui.

- Maradona sob o olhar de um sociólogo, aqui.

- E um pouco sobre Julio Grondona, o cartola comme il faut, aqui.

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ANÍBAL TROILO, 35 ANOS DE SUA MORTE

E, mudando de assunto radicalmente, hoje completam-se 35 anos da morte de Aníbal “Pichuco” Troilo, considerado um dos maiores compositores do tango.

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Aníbal Troilo, uma espécie de Buda do tango. Ele tocava com a alma.

blog1vinheta50 Um artigo de hoje do jornal “Perfil”, no qual o poeta uruguaio Horacio Ferrer, presidente da Academia Nacional del Tango, relembra o amigo. Aqui.

Uma velha gravação de um programa de TV com Troilo, interpretando “Quejas de bandoneón”. Aqui.

Neste link do Youtube, Troilo com um de seus amigos, Astor Piazzolla, interpretam “Volver”. Aqui.

E neste, para encerrar, um trecho de um documentário sobre Troilo, onde ele, com sua voz áspera, recita “Nocturno a mi barrio”. Para os troilanos xiitas, é o filé-mignon, especialmente na segunda metade do video (onde ele recita) e no último terço, onde está com sua orquestra. Aqui. 

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blogthe_geographer

“O geógrafo”, óleo em tela de Johannes Vermeer (1632-1675). A obra, pintada entre 1668 e 1669, está no Steadelsches Kunstinstitut, em Frankfurt. Vermeer pintou este quadro para mostrar a influência crescente, na época, do saber científico na Europa.  Segundo as autoridades argentinas, os professores das escolas aproveitarão os jogos da Copa do Mundo para “transmitir noções de geografia e dados culturais” sobre o país anfitrião da Copa e os países das seleções que enfrentarão a Argentina. Mais detalhes sobre esta obra (a de Vermeer), aqui.

blog1mao3“Não podemos dizer às crianças que venham às aulas, exatamente quando a Argentina está colocando a vida em jogo!”. Com estas palavras – ditas em tom dramático – o técnico da seleção argentina de futebol, Diego Armando Maradona – defendeu o plano do governo da presidente Cristina Kirchner de estimular as escolas públicas em todo o país para que “flexibilizem” os horários, de forma que os estudantes possam assistir aos jogos protagonizados pela Argentina durante a Copa do Mundo da África do Sul nas salas de aula.

As enfáticas declarações de Maradona foram pronunciadas durante o lançamento do livro didático que será enviado a 25 mil escolas com diretrizes para os professores sobre como transmitir às crianças aquilo que o governo denomina de “o lado cultural” da Copa.

Segundo Maradona, graças à competição mundial na África do Sul as crianças argentinas poderão “saber quem é Nelson Mandela, que esteve preso mais de 25 anos por defender os direitos na África do Sul”.

Ao lado de Maradona, o ministro da Educação, Alberto Sileoni, afirmou que a Copa do Mundo é “um fato cultural muito importante, uma festa, e pode ter um grande efeito pedagógico”.

Sileoni, fanático do futebol – e que não parava de sorrir ao lado de Maradona – apresentou um argumento ‘moral’ para defender a suspensão das aulas para assistir os jogos da Copa: “é que também aprendem-se valores dentro dos estádios…os alunos sabem que vão na escola não somente para aprender teoremas, mas também para cultivar os valores que são representados pelos jogadores”.

A medida causou intensa polêmica. Comentaristas esportivos e políticos alegaram que a suspensão das aulas para os alunos das escolas argentinas poderia ser aproveitada para aprender geografia – durante os jogos – graças às referências incontáveis que ocorreriam na TV e rádio sobre as seleções rivais da Argentina.

Alguns até argumentaram – recorrendo a Pitágoras e Tales de Mileto – que seria possível aplicar teoremas para fazer alusões entre um escanteio ou um tiro de meta com a geometria durante os jogos assistidos na sala de aula.

No entanto, diversos pedagogos e pais de família duvidam que os alunos fiquem concentrados nas explicações sobre geometria e os principais rios e montanhas da topografia sul-africana, e consideram que a medida não passa de populismo explícito.

 blogpythagoras

Πυθαγόρας ο Σάμιος, isto é, Pitágoras de Samos (circa 580 aC a circa 490 a.C)…

 blogthales

…e o Θαλς Μιλήσιος, nosso batuta Tales de Mileto (639 a.C a 547 a.C), voltam à baila em Buenos Aires, usados em defesa da Copa do Mundo.

Mario Oporto, secretário da Educação da província de Buenos Aires (que concentra 40% dos alunos de todo o país), discordou dos “efeitos culturais” argumentados pelo governo da presidente Cristina Kirchner: “a Copa não gerará um fato pedagógico…não acho que por causa de um jogo as crianças aprendam algo!”.

Mas, pressionado pelo governo Kirchner, o governador bonaerense, Daniel Scioli, aliado do casal presidencial, ordenou a “flexibilização” das atividades escolares durante a Copa, e disse que estão “bem” os eventuais atrasos dos alunos para chegar à escola por causa dos jogos. O motivo, segundo Scioli, é que esse torneio mundial “é um evento cultural e patriótico”.

Na Argentina, as escolas públicas (com raras exceções) estão sob controle das províncias. O governo federal não pode obrigar as províncias a flexibilizar os horários para os dias da Copa. No entanto, nos últimos dias – após relativa resistência – a maioria das províncias aderiu à iniciativa federal.

Gustavo Iaies, presidente da Fundação Centro de Estudos em Políticas Públicas, discorda. Segundo ele, a autorização do governo para que os jogos possam ser assistidos livremente não possui “justificativa pedagógica”.

Iaies sustenta que os alunos, em vez de aprender conteúdos, passarão horas assistindo os jogos. “Ora, essas crianças vão prestar atenção nos jogos, nos resultados, nas torcidas. Como qualquer pessoa, deverão ter que recuperar posteriormente o tempo que iam dedicar para o cumprimento de suas obrigações”.

Os analistas políticos consideram que o Parlamento, que pouco funcionou ao longo deste ano (basicamente por falta de quórum do governista partido Peronista) ficaria totalmente paralisado ao longo de todo o mês que transcorrerá entre o início e o final dos jogos na África do Sul.

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ESQUERDA E DIREITA UNEM-SE NO CHILE

Do outro lado da Cordilheira dos Andes, a esquerda e a direita do leque político concordam em “flexibilizar” os horários trabalhistas e escolares para que os chilenos possam assistir os jogos disputados por sua seleção nacional.

O caso será debatido nos próximos dias no plenário do Parlamento, onde o deputado socialista Fidel Espinoza apresentou um projeto de lei para permitir que os chilenos possam ver os jogos sem restrições.

“Tivemos um ano péssimo com o terremoto (de 8,8 graus na escala de Richter, que causou a morte de centenas de pessoas e graves prejuízos em fevereiro). Por isso, acreditamos que será uma festa única e fantástica, que queremos aproveitar”, argumentou Espinoza, que – além de destacar a condição sui generis do Chile nesta Copa por causa do sismo – ressaltou que esta é a primeira vez em 12 anos que o Chile participa de uma Copa.

O ministro da Educação, o conservador Joaquín Lavín, costumeiramente um ácido crítico dos socialistas, respaldou enfaticamente o projeto de lei de Fidel Espinoza: “os meninos precisam ver os jogos da Copa!”

 blogvinhetaanjoscorneta1…E já que falamos em Tales de Mileto, segue um link com o grupo musical humorístico argentino Les Luthiers, cantando o “Teorema de Tales”, aqui.

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Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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