“Todo pasa” (Tudo passa) é a inscrição no anel que ostenta Grondona. Mas, seus críticos ressaltam com ironia “tudo passa…menos Grondona!”
“Don Julio”, como é chamado Julio Grondona, preside com mão de ferro a Associação de Futebol da Argentina (AFA) há 33 anos, desde que foi designado pela ditadura militar (1976-83) para ocupar o posto. Grondona – uma versão “gold” argentina de Ricardo Teixeira - sobreviveu ao longo de mais de três décadas com apenas uma Copa do Mundo conquistada (México 1986), oito greves de jogadores, três paralisações de árbitros, mais de 40 casos de doping dos jogadores da seleção, o surgimento – e o fortalecimento dos “barrabravas” (os hooligans argentinos), além de acusações de corrupção e de vínculos controvertidos com o poder e empresários amigos que possuem negócios comerciais com a AFA. Grondona costuma relativizar os contratempos pronunciando sua frase preferida: “tudo passa”.
O todo-poderoso Julio Humberto Grondona, máximo cartola argentino há 33 anos, uma década a mais do que o brasileiro Ricardo Teixeira
“Tudo passa, menos Grondona”, afirmam seus inimigos, já que desde 1979 a AFA teve um único presidente. Mas, a República Argentina está no décimo-terceiro presidente desde aquela época (os generais e ditadores Jorge Rafael Videla, Roberto Viola, Leopoldo Fortunato Galtieri e Reynaldo Bignone, os presidentes civis constitucionais Raúl Alfonsín, Carlos Menem, Fernando De la Rúa, Ramón Puerta, Adolfo Rodríguez Saá, Eduardo Camaño, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e a atual Cristina Kirchner).
Grondona, inicialmente, seria um presidente provisório. Mas, nos seguintes anos, foi reeleito oito vezes. Somente uma vez enfrentou um opositor, o ex-técnico Teodoro Nitti, em 1991. O rival conseguiu um único voto. Grondona teve 40. Em 2011 foi novamente reeleito. Mas, desta vez a eleição esteve envolvida em um escândalo público, já que o empresário Carlos Ávila tentou realizar uma eleição paralela, sem sucesso. Grondona foi reeleito. Não existem especulações sobre um eventual sucessor de Grondona que não seja o próprio Grondona.
Grondona, sentado à direita da foto. Na cabeceira da mesa, o então ditador e general JR Videla.
Desde que “Don Julio” está no comando, a AFA teve dez técnicos da seleção (César Luis Menotti, Carlos Salvador Bilardo, Alfio Basile, Daniel Passarella, Marcelo Bielsa, José Pekerman, novamente Alfio Basile, Diego Maradona, Sergio Batista).
Os críticos de Grondona afirmam que ele montou uma estrutura que permitiu a consolidação de “uma AFA rica e clubes pobres”.
O poder de Grondona – que preside a Comissão de Finanças da FIFA – não é apenas nacional, pois possui grande influência internacional. O analista esportivo Ezequiel Fernández Moores, autor de livros sobre negociatas no futebol argentino, disse ao Estado que “Joseph Blatter foi reeleito presidente da FIFA em 2002 graças ao respaldo de Grondona, que foi fundamental”.
Cristina Kirchner e Julio Grondona
Nos últimos anos Grondona transformou-se no principal aliado do governo da presidente Cristina Kirchner em sua política de conseguir dividendos eleitorais por intermédio do esporte favorito dos argentinos. Grondona foi a peça crucial para que o governo Kirchner implementasse a estatização das transmissões dos jogos, denominada de “Futebol para todos”.
Em 2009 o cartola convenceu os falidos clubes argentinos a aceitar um suculento contrato de US$ 150 milhões anuais até 2019 oferecido pelo governo para ficar com todos os direitos de transmissão do futebol do país. No ano passado, para agradar Cristina, Grondona batizou o prêmio do campeonato nacional de futebol com o nome do ex-presidente Nestor Kirchner, que morreu em outubro de 2010.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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A mascote da Copa América será o boneco de um “ñandú” (uma espécie de avestruz dos Pampas), batizada de “Suri”. Até o fim de semana passado a maior parte dos torcedores argentinos desconhecia a existência do símbolo da edição 2011 da Copa América. Os imbróglios do River Plate acabaram monopolizando as atenções desse setor da população. Os índios guaranis chamavam esta ave de “ñandú suri” ou “ñandú churi”. Esta simpática avezinha foi repasto dos gaúchos argentinos, que preferiam os petistos de suas asas e a picanha do ñandú. Acima, foto de ñandú matutando sobre assunto desconhecido com extrema atenção..
De olho no impacto político que o esporte preferido dos argentinos possui no país, a presidente Cristina Kirchner espalhou as doze seleções que participarão da Copa América 2011 em oito cidades. Coincidentemente, quando a Copa foi organizada, meses atrás, seis delas – La Plata, Mendoza, San Juan, Salta, Jujuy e Córdoba – eram capitais de províncias controladas por aliados leais ao governo. Outra delas, Santa Fé, é a capital da província homônima onde o governista Partido Justicialista (Peronista) confronta-se há meia década com os socialistas, que possuem o poder. Ao designar Santa Fé – a cidade do peronista ex-piloto de Fórmula Um Carlos Reutemann, que a presidente Cristina tentou convencer a passar às suas fileiras – o governo e a Associação de Futebol da Argentina (AFA) preteriram a terceira maior cidade do país, Rosário, controlada pelos socialistas (de oposição). Rosario está na mira da presidente Cristina desde 2008, quando tornou-se o foco dos protestos ruralistas contra o governo.
A última da lista é Buenos Aires, controlada pelo prefeito Maurício Macri, de oposição. No entanto, a capital argentina albergará apenas o jogo de encerramento.
Desta forma, além de Rosário e a realização de um único jogo em Buenos Aires, ficou de fora da competição internacional mais importante ocorrida dentro da Argentina em duas décadas o balneário de Mar del Plata, ponto costumeiro de eventos esportivos nacionais e internacionais.
A distribuição não é geograficamente equitativa, já que existe uma concentração de jogos no centro-oeste e noroeste do país. Na escolha das cidades tampouco pesaram os tamanhos de seus estádios (San Juan possui capacidade para apenas 25 mil pessoas, Jujuy conta com 23 mil cadeiras e Salta somente 20 mil).
Umberto Boccioni, um dos expoentes do movimento futurista, e sua obra “Estudo de um jogador de futebol”. Boccioni nasceu em 1882 e morreu em 1916. A obra acima é de 1913.
POPULISMO ESPORTIVO – Analistas políticos acusam a presidente Cristina de aplicar “populismo esportivo” em pleno ano eleitoral. Esse é o caso do think tank Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nueva Mayoría, que afirmou ao Estado que “não há dúvida de que o torneio foi encarado com olhos políticos pelo ex-presidente Nestor Kirchner (marido da presidente Cristina e considerado, até sua morte em outubro passado, o verdadeiro poder no governo da mulher), que pensava que um triunfo esportivo argentino nesta Copa reforçaria o governo do ponto de vista eleitoral”.
Ricardo Gotta, editor de esportes no jornal “Tiempo Argentino”, considera que a distribuição das cidades “é algo peculiar, mas está pensada com espírito federalista. Por um lado não é nada prático, pois os times precisarão viajar de um lado para outro continuamente em poucos dias”.
No entanto, Gotta disse ao Estado que “o lado positivo é que esta distribuição permitirá que as pessoas do interior tenham acesso às grandes seleções da região, coisa que costumeiramente não poderiam ver. Além disso, a Copa América levou à modernização de velhos estádios. Sem ela, essas obras talvez nunca teriam sido feitas”.
Fraga argumenta que “desde a Copa de 1978 (organizada pela ditadura e usada politicamente para respaldar o ditador Jorge Rafael Videla) vivemos na época de maior utilização política do futebol. O governo coloca publicidade oficial com fins eleitorais no meio dos jogos, financia as dívidas dos clubes de futebol e organiza e paga as torcidas”.
O denominado “populismo esportivo” do governo também teria ficado evidente no ano passado quando aliados da presidente tentaram convencer o ex-técnico da seleção argentina, Diego Armando Maradona, a integrar as listas de deputados nas eleições de 2011. Embora tenha declinado uma entrada direta na política, Maradona tornou-se ativo cabo eleitoral de Cristina.
Os analistas afirmam que a pedra fundamental do “populismo esportivo” é a estatização das transmissões dos jogos de futebol – batizada pela presidente de “Futebol para todos” – implementada dias após a derrota do governo nas eleições parlamentares de 2009.
Na ocasião, em troca de US$ 150 milhões anuais até 2019 à AFA e aos clubes, o governo ficou com o controle total das transmissões dos jogos, veiculados pelo canal estatal TV Pública. Durante os jogos transmitidos pelo canal, as únicas publicidades consistem na divulgação de obras e leis feitas pelo governo Kirchner.
Ainda dentro da utilização política do futebol, Fraga destaca que o chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández, esteve por trás da criação do movimento das “Torcidas Unidas Argentinas”, que organizou os temidos “barrabravas” (hooligans) em uma entidade formal. Seus integrantes são costumeiramente usados nas manifestações políticas do governo.
LCDs PARA TODOS – O governo aproveitou o lançamento oficial da candidatura da presidente Cristina à reeleição em outubro, realizado há dez dias, para também anunciar o programa governamental de subsídios “TV para todos” (também chamado de “LCD para todos”), que implicará na venda, a partir de hoje, de um lote inicial de 200 mil televisores de alta definição LCD de 32 polegadas com um aparelho acoplado que permitirá captar os sinais de TV digital.
Os televisores, que serão vendidos por US$ 675, poderão ser comprados em módicas 60 prestações graças a créditos do estatal Banco de La Nación. Segundo o economista Gabriel Rubinztein, “é pão e circo com molho eleitoral, vinculado à Copa América”.
Mais Boccioni, “La città che sale” (A cidade levanta-se). Está no Museu de Arte Moderno de Nova York.
EM ANOS ELEITORAIS, PROLIFERAÇÃO DE CIDADES – Em 1987 a Argentina – na época sob a presidência de Raúl Alfonsín, caracterizado por sua relativa sobriedade em relação ao futebol – organizou a Copa América com as seleções de dez países participantes em apenas três cidades (Buenos Aires, Córdoba e Rosario). Dois anos depois, foi a vez do Brasil, que distribuiu os jogos de dez times em quatro cidades.
Em 1991, no Chile, a dezena de seleções que participava da Copa concentrou-se em quatro sedes diferentes. Na sequência, em 1993, no Equador, os doze times que participaram espalharam-se em seis cidades. Dois anos mais tarde, no Uruguai, as doze seleções foram colocadas em quatro cidades. Em 1997, na Bolívia, doze times foram distribuídos em cinco sedes. Em 1999 foi a vez do Paraguai, que colocou a dúzia de seleções em quatro cidades.
Na primeira competição do novo século, na Colômbia em 2001 – ano do início de uma dura campanha eleitoral – os doze times foram colocados em sete cidades. Dois anos mais tarde, o governo do presidente peruano Alejandro Toledo, assolado por greves, crises ministeriais e a declaração do Estado de Emergência, distribuiu as doze seleções em sete cidades.
Em 2007, coincidindo com sua ofensiva contra os meios de comunicação e ao surgimento de diversos protestos estudantis contra seu governo, além do agravamento da crise econômica, o presidente venezuelano Hugo Chávez ordenou que o torneio, com doze seleções, fosse distribuído em nove cidades.
Desta forma, com a designação de oito cidades para os jogos da Copa América, a presidente Cristina só perde para a marca de Chávez em 2007.
PERFIL DE GRONDONA, O ALIADO DE CRISTINA PARA O “POPULISMO ESPORTIVO”
Cartola que comanda futebol argentino sobreviveu a nove presidentes civis e quatro ditadores
Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) é o principal aliado do governo da presidente Cristina Kirchner em sua política de conseguir dividendos eleitorais por intermédio do esporte favorito dos argentinos. Grondona foi a peça crucial para que o governo Kirchner implementasse o “Futebol para todos”.
Em 2009 o cartola convenceu os falidos clubes argentinos a aceitar um suculento contrato de US$ 150 milhões anuais até 2019 oferecido pelo governo para ficar com todos os direitos de transmissão do futebol do país.
Peça inestimável para a presidente Cristina, Grondona controla a AFA com mão de ferro há 32 anos, desde que foi designado pela ditadura militar (1976-83) para ocupar o posto. Grondona sobreviveu ao longo de mais de três décadas com apenas uma Copa do Mundo conquistada (México 1986), oito greves de jogadores, três paralisações de árbitros, mais de 40 casos de doping dos jogadores da seleção, além de acusações de corrupção e de vínculos controvertidos com o poder e empresários amigos que possuem negócios comerciais com a AFA. Grondona costuma relativizar os contratempos pronunciando sua frase preferida: “tudo passa”.
“Tudo passa, menos Grondona”, afirmam seus inimigos, já que desde 1979 a AFA teve um único presidente. Mas, a República Argentina está no décimo-terceiro presidente desde aquela época (os generais e ditadores Jorge Rafael Videla, Roberto Viola, Leopoldo Fortunato Galtieri e Reynaldo Bignone, os presidentes civis constitucionais Raúl Alfonsín, Carlos Menem, Fernando De la Rúa, Ramón Puerta, Adolfo Rodríguez Saá, Eduardo Camaño, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e a atual Cristina Kirchner).
Desde que Grondona está no comando, a AFA teve oito técnicos da seleção (César Luis Menotti, Carlos Salvador Bilardo, Alfio Basile, Daniel Passarella, Marcelo Bielsa, José Pekerman, novamente Alfio Basile, Diego Maradona e o atual, Sergio Batista).
Os críticos de Grondona afirmam que ele montou uma estrutura que permitiu a consolidação de “uma AFA rica e clubes pobres”.
O poder de Grondona – que preside a Comissão de Finanças da FIFA – não é apenas nacional, pois possui grande influência internacional. Segundo o analista esportivo Ezequiel Fernández Moores, autor de livros sobre negociatas no futebol argentino, Grondona “foi elemento crucial na reeleição de Joseph Blatter, presidente da FIFA, em 2002”.
Contabilidade: a imagem acima mostra o banqueiro mais poderoso de Flandres, Jakob Fugger, com seu principal contador M.Schwartz. Ao fundo aparecem os dossieres das sucursais de seu banco. A obra, de 1517, está no Herzog-Anton-Ulrich-Museum da cidade alemã de Braunschweig (que teria sido a cidade natal do personagem do Barão de Munchhausen, o Hieronymus Carl Friedrich Freiherr von Münchhausen).
UM POUCO DE CONTABILIDADE FUTEBOLÍSTICA - Esta será a nona Copa América a ser realizada em território argentino. As edições anteriores foram em 1916 (a primeira copa), 1921, 1925, 1929, 1937, 1946, 1959 e 1987. Destas, venceu, na categoria de anfitrião, um total de seis campeonatos. Outras oito copas foram conquistadas pela Argentina nos outros países.
A distância no tempo da última conquista – 18 anos – incomoda a torcida local. Mas, os “hinchas” (torcedores) possuem o consolo de tempos piores. Esse foi o caso dos 32 anos que transcorreram entre 1959 e 1991 sem conquista alguma do troféu regional.
As estimativas dos organizadores é que a Copa América – que começará hoje com o confronto entre as seleções da Argentina e da Bolívia na cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires, é que movimente quase US$ 1 bilhão nos mais variados setores da economia argentina. Esse volume duplica o faturamento obtido no campeonato realizado na Venezuela em 2007, que movimentou US$ 500 milhões.
Os jogos serão transmitidos para 5 bilhões de pessoas em 198 países (11 mais do que os jogos realizados na última Copa América, na Venezuela). Mas, somente 750 mil poderão assistir os jogos, in loco, nos estádios.
Dos doze técnicos das seleções que participarão do Campeonato sete – da Argentina, Bolívia, Chile, Brasil, Venezuela e México – serão “debutantes” nesta Copa. Na contra-mão, o técnico colombiano, Bolillo Gómez, acumula a experiência de quatro copas.
E falando em contabilidade, um retrato de Luca Pacioli (1456-1517), considerado o primeiro autor de um livro sobre contabilidade. Foi o Summa de arithmetica, geometrica, proportioni et proportionalita, impresso em Veneza em 1494. O quadro é atribuído a Jacopo de Barbari (1440-1515). E falando em futebol, na falta de uma esfera, temos no canto superior esquerdo um Rombicuboctaedro pendendo do teto.
CLIMA - O clima sobre a Copa América é relativamente morno, já que a “hinchada” (torcida) argentina estava focalizada nas últimas semanas na possibilidade – concretizada no domingo passado – da insólita queda do River Plate da Primeira para a Segunda Divisão. O interesse pelo campeonato regional só começou a ter um destaque especial nesta semana.
Além disso, a ausência de conquistas desse troféu desde 1987 (um ano depois arrebatar a segunda – e última – Copa do Mundo) criaram um cenário de expectativas moderadas de vitória na edição deste ano nesse campeonato.
A perspectiva de cenas de violência tal como as transcorridas no jogo do River versus Belgrano são baixas, já que isso costuma ocorrer entre torcidas compatriotas e muito menos durante a visita de torcidas estrangeiras.
Mas, caso ocorra violência, segue um trecho da opereta “Os piratas de Pezance”, da dupla Gilbert e Sullivan, alusivo às forças de segurança. Aqui.
EPÍLOGO MUSICAL PARA EMBALAR ESTA SEXTA
E, nada a ver com o assunto acima, um pouco dE Harry James, interpretando “You made me love you”. Aqui.
E uma pitada de Benny Goodman p/embalar a entrada no fim de semana. Aqui, “Sweet Georgia Brown”, show no Japão em 1980. Aqui.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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O poeta francês Charles Baudelaire – que não conheceu o futebol e era classificado de ‘maldito’ - dizia que “Deus é um escândalo…um escândalo que dá vendas”. De Maradona, poderia ter dito “Dios, El Diez, é um escândalo…um escândalo que dá vendas” (foto realizada ao redor de 1863). Os contratos de publicidade que a seleção argentina conseguiu com Maradona como técnico (independentemente das vitórias ou derrotas) foram substancialmente lucrativas. Maradona vende bem, seja como fracasso ou vencedor.
Diego Armando Maradona é conhecido pela prática constante do esporte das epígrafes. Com intensa frequência ele dispara novas pérolas do pensamento ‘maradoniano’. Como não podia deixar de ser, durante seu breve período como técnico da seleção argentina – 637 dias, o mais curto de um técnico argentino em mais de três décadas – “El Diez” pronunciou várias frases que ficarão para a antologia do futebol. Aqui segue uma pequena mostra:
- “O que busco em meus colaboradores é a lealdade total e que sigam as ordens da mente absoluta, que sou eu” (ao tomar posse como técnico, em novembro de 2008)
- “Cada gol da Bolívia foi uma punhalada no coração. Levamos uma goleada que ninguém esperava” (no ano passado, depois que a seleção argentina foi goleada por 6 a 1 em La Paz. Lembrete: Maradona apóia Evo Morales na defesa da realização de jogos em elevadas altitudes)
- “Que vocês me c… !” (quando, em novembro passado, convidou os jornalistas a praticar o fellatio nele próprio, depois de derrotar o Uruguai e conseguir uma suada classificação da seleção argentina).
- “E que vocês continuem me mamando!” (reiteração do convite para a prática de sexo oral, meia hora após a primeira proposta)
- “Se vencermos a Copa, tiro a roupa, fico ‘en bolas’ (expressão em espanhol equivalente a ‘ficar nu”) e corro ao redor do Obelisco” (pouco antes de partir para a África do Sul).
- “Não estou levando muitas coisas na mala…é que a coisa mais importante é aquela que vou trazer da África do Sul” (antes de partir para a Copa, confiante de que voltaria à Buenos Aires com a taça da FIFA).
- “A seleção argentina é como um Rolls Royce. E (Lionel) Messi é seu motorista” (comparação com o elitista britânico automóvel e seu time, exatamente 48 horas antes de debutar na Copa).
- “Gosto de mulheres. Não vamos começar com esses papos, pois senão depois vão dizer por aí que desmunheco” (durante a Copa, quando defendeu seu costume de beijar e abraçar efusivamente os jogadores da seleção, ao mesmo tempo que ressaltava sua heterossexualidade).
- “O time é este aqui. Não há motivos para mexer nele!” (poucas horas antes de enfrentar a Alemanha nas quartas de final e levar quatro teutões gols no arco de sua seleção)
- “Isso foi como um soco do Mohammed Ali…é a coisa mais dura pela qual já passei” (comparação com Cassius Clay, a.k.a. M.Ali, campeão mundial de pugilato, logo depois que a Argentina levou quatro gols da Alemanha, nas quartas de final e não emplacou gol algum).
- “Se mexerem no cara do almoxarifado, vou embora da seleção” (no domingo, quando indicou que só ficaria no cargo de técnico se todos os homens de sua equipe permanecessem em seus respectivos lugares).

Segundo pesquisa,30% dos torcedores definem Era Maradona de ‘péssima’ e outros 32% como ‘ruim’. Em Buenos Aires, torcida rejeitou designação de Maradona em 2008 para o cargo de técnico, continuou rechaçando o ex-jogador ao longo do ano passado, e persistiu no rechaço durante a Copa neste ano. O altar em questão está situado em Nápoles, onde D.A.M. ainda é reverenciado.
AFA DEFINE SUCESSOR MENOS MIDIÁTICO
Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), está há 31 anos no poder. O octogenário líder da entidade esportiva, que é vice-presidente da FIFA, gosta de afirmar que já sobreviveu a um papa (João Paulo II) e ainda perdura no pontificado do sucessor (Bento XVI). Mas Grondona também passou incólume pela troca de quatro ditadores e nove presidentes civis.
De quebra, desde que está no comando da AFA, assistiu a passagem de oito técnicos da seleção argentina, de César Luis Menotti a Diego Armando Maradona. Na terça-feira à noite Grondona anunciou que não renovaria o contrato de “El Diez”. Desde esse dia tenta definir o nome do nono técnico das últimas três décadas.
O prazo para definir o status empregatício de Maradona terminava na terça-feira, já que era o último dia para que a a AFA anunciasse a lista de jogadores convocados para o amistoso contra a Irlanda no dia 11 de agosto em Dublim, Irlanda.
De forma interina, unicamente para esse jogo – o posto de Maradona será ocupado por Sergio Batista, que atualmente comanda a seleção sub-20 da Argentina.
O nome preferido dos torcedores é Carlos Bianchi, ex-técnico do Vélez Sarsfield e do Boca Juniors, que segundo uma pesquisa do jornal “Perfil” contaria com o respaldo de 42% dos torcedores. Alejandro Sabella, do Estudiantes de La Plata, possui 15% das preferências.
O jornal esportivo “Olé” também apontou Bianchi como o favorito. Segundo sua pesquisa, 46% dos internautas desejam que o ex-técnico do Boca Juniors comande a seleção. O segundo colocado é o ex-técnico River Plate, Ramón Díaz, com 13%. Américo Gallego conta com 9% dos votos, enquanto que Marcelo Bielsa, que comandou a seleção chilena nesta copa, obteve 7% dos votos.
Mas, Grondona não aceitaria a presença de Bianchi, com o qual possui péssima relação e com o qual não conversa desde 2004. Os preferidos do presidente da AFA são Sabella e Miguel Ángel Russo, técnico do Racing. Na pesquisa do “Olé”, Sabella teve 0% dos votos. Russo conseguiu 3%.
Os analistas esportivos indicam que Grondona pretende que o próximo técnico seja uma pessoa de baixo perfil, sem o tom midiático que caracterizou a fase ‘maradoniana’. Maradona foi o técnico que menos tempo durou no posto na “Era Grondona” (apenas 637 dias).
Fernando Signorini, preparador físico da seleção, criticou a decisão da AFA e defendeu Maradona. “Uma pessoa que deu tanto ao futebol merecia outro tratamento”, afirmou.
O porta-voz da AFA, Ernesto Cherquis Bialo sustentou na quarta-feira que a entidade esportiva não demitiu Maradona: “simplesmente não renovamos o contrato, já que não havia condições para isso”.

Touch divino não deu certo desta vez. Grafite em uma parede da capital finlandesa, Helsinqui, mostra uma versão alterada da “Criação de Adão”, de Michelangelo Buonarroti, com a Mão de Deus como a Mão do ‘Diez’.
‘PÉSSIMA’ ERA - Uma pesquisa realizada pelo Canchallena.com, o site esportivo do jornal “La Nación”, indicou que 30% dos entrevistados definem a “Era Maradona” de “péssima”, enquanto que outros 32% a definem de “ruim”. Outros 18% a considera “regular”; apenas 7% a qualificam de “boa”, enquanto que 3% indicam que foi “muito boa”. E uma porcentagem mínima, somente 2%, afirmam que foi “excelente”.
Outra pesquisa, do jornal “Infobae”, sustenta que 82,91% dos internautas respaldam a decisão da AFA de não renovar o contrato de Maradona. Apenas 17,09% criticam a medida.

Não é Jabba Desilijic Tiure, mais conhecido como Jabba o Hutt (para mais detalhes do caudilho de Tatooine – planeta relevante em Star Wars - clique aqui.) A foto ilustra ’Don’ Julio Grondona, o homem que sobreviveu a quatro ditadores e nove presidentes civis… e oito técnicos.
DON JULIO – Julio Grondona, chamado por seus subordinados e presidentes de clubes de “Don” Julio domina a AFA sem oposições nem questionamentos. Grondona conseguiu ficar no comando da entidade esportiva apesar de ter conseguido, em 31 anos de poder, apenas uma Copa do Mundo (México, 1986). Nesse intervalo, passou por oito greves de jogadores, três paralisações de árbitros, além de quatro dezenas de casos de doping dos jogadores da seleção e uma série de suspeitas de corrupção. De quebra, no ano passado, fechou um acordo com a presidente Cristina Kirchner para a estatização das transmissões dos jogos de futebol. Em troca do controle estatal das transmissões, a AFA receberá, durante dez anos, um total de US$ 156 milhões por ano.

Cristina Kirchner e Julio Grondona fizeram acordo para estatizar transmissões dos jogos. Governo fica com o público que assiste o esporte e presidente da AFA obtém uma fonte de renda adicional para a entidade esportiva. Antes da briga com Grondona, Maradona abençoou o acordo.
CREPÚSCULO DE ‘DIOS’ – Por trás da queda de “La Mano de Dios” (A Mão de Deus) estaria a recusa de Maradona em aceitar a inclusão de homens de confiança de Grondona em sua equipe. Simultaneamente, Maradona ambicionava manter todos seus assessores e colaboradores, para os quais requeria aumentos salariais de 20% a 30%.
Nos últimos dias a situação de Maradona havia ficado delicada, já que – segundo informações extraoficiais – teria perdido o respaldo do governo, irritado com a indiferença do outrora “El Pibe de Oro” perante o insistente convite da presidente Cristina Kirchner para que fosse visitá-la na Casa Rosada, o palácio presidencial, depois que retornou da Copa do Mundo.
A gota d’água para o governo Kirchner e a AFA teria sido a ostensiva presença de Maradona em Caracas na semana passada durante a declaração do presidente Hugo Chávez de rompimento de relações diplomáticas com a Colômbia. Na ocasião, Maradona, em pé ao lado de Chávez, apoiou ao vivo pela TV a decisão do líder bolivariano e fez piadas sobre o presidente colombiano Alvaro Uribe.

Início dos anos 90, Maradona com o então presidente Carlos Menem. “El Diez” cultivou o alinhamento político com o mais variado leque de presidentes, desde “El Turco” até os “Pingüinos” Kirchners.
JOGADORES, TORCIDA E JORNALISTAS - Desde sua designação em novembro de 2008, Maradona também enfrentou a oposição de uma parte substancial da imprensa, que não perdoou a miríade de impropérios e ataques pessoais que o técnico desferiu contra jornalistas durante seu período como técnico.
De quebra, parte dos jogadores da seleção não concordavam com o estilo de comando de Maradona, considerado “vago”. Os analistas esportivos o criticavam por sua ausência de estratégia e de improviso em momentos decisivos.
Para complicar a situação de Maradona, as pesquisas de opinião pública indicam que a torcida argentina – majoritariamente – desejava sua remoção do cargo de técnico da seleção. Os torcedores não perdoaram Maradona pela derrota de 6 a 1 perante a Bolívia no ano passado, a desclassificação na Copa com a Alemanha, por 4 a 0, além da exclusão da seleção de figuras de peso do futebol argentino como Román Riquelme.

Maradona, com boné cubano, charuto cubano e os dois costumeiros rolex em ambos pulsos
VINHO TINTO - Rumores indicam que o presidente Hugo Chávez – amigo de Maradona - teria oferecido ao argentino o comando do “Vinho Tinto”, a seleção venezuelana. Durante sua visita à Caracas na sexta-feira passada, Maradona brincou sobre o assunto: “a presidente Cristina Kirchner me telefonou antes de viajar para cá e pediu que não assinasse (um contrato) com Chávez. Mas, o que Cristina não sabe é que já assinamos tudo…”.
Maradona declara explicitamente sua admiração por Chávez. No ano passado, o técnico, que possui uma tatuagem do guerrilheiro argentino Ernesto ‘Che’ Guevara no ombro direito e a efígie do líder cubano Fidel Castro na panturrilha esquerda, prometeu que tatuaria a face de Chávez em uma parte ainda não definida de sua anatomia.
MARADONA ‘DE LUTO’, DESABAFA – Com profundas olheiras e alguns quilos adicionais, Maradona rompeu o silêncio que manteve desde seu amargo retorno da África do Sul e disparou na quarta-feira à noite uma saraivada de desabafos e críticas. Os alvos das acusações foram Grondona, e o manager da seleção, Carlos Salvador Bilardo.
“El Diez” (O Dez) também aproveitou a coletiva de imprensa que convocou em Ezeiza, na Grande Buenos Aires, para desabafar e indicar que está arrasado pela desclassificação argentina na Copa da África do Sul. “Estou de luto. Continua em minha cabeça o jogo que perdemos 4 a 0 com a Alemanha. E isso ainda dói em minha alma”, afirmou.
“Grondona mentiu para mim. Bilardo me traiu”, disse Maradona, com voz grave e pausada. Segundo ele, Grondona havia expressado após o jogo com a Alemanha que desejava que Maradona permanecesse no cargo, pois estava “muito satisfeito” com seu trabalho, apesar da derrota.
No entanto, Grondona, nos últimos dias, colocou como condição para a permanência de Maradona a saída de vários de seus colaboradores.
Maradona rechaçou esse pedido. “Tenho valores e códigos que meus pais me ensinaram. Tenho minhas virtudes e meus defeitos. Mas ainda posso olhar as pessoas nos olhos”, disse.
CONSPIRAÇÃO - O ex-técnico também indicou que Bilardo (que foi seu técnico na seleção de 1986), conspirava contra ele “quando ainda estávamos de luto” pela derrota perante a seleção germânica.
CONTAS BANCÁRIAS - Maradona afirmou que “há pessoas que não gostam do futebol argentino. Só pensam nelas mesmas e em suas contas bancárias”. Lembrete: Maradona recebia US$ 100 mil de salário mensal como técnico da seleção. E cada entrevista exclusiva que concede é realizada em troca de substanciais honorários.
BOMBEIRO - “El Pibe de Oro” (O Garoto de Ouro), como era chamado nos anos 80 e 90, sustentou que, quando assumiu o posto de técnico, a seleção tinha “objetivos ambicioso e prazos escassos. Meu ciclo durou apenas um ano e meio, o mais curto dos últimos 35 anos. Fui chamado para apagar um incêndio. E quando íamos ter calma e tranquilidade, aconteceu isto (a não-renovação do contrato)”.
Maradona também fez uma avaliação do estado da seleção argentina nos últimos anos. “Desde a década de 90 a Argentina não passa das quartas de final nas Copas. Há coisas que estão sendo mal feitas no futebol argentino, e há questões que vem lá de cima que estão mal. E são feitas poucas coisas para mudá-las”, disse.
No entanto, Maradona não explicou quais eram as coisas “mal feitas” dentro do âmbito futebolístico nacional.
PSICÓLOGO - “Senhores, vocês sabem tudo o que fiz pela camiseta argentina. Deixei tudo, absolutamente tudo. Ninguém pode negá-lo. O futebol argentino precisa de tempo, para um trabalho técnico e psicológico”, sustentou.
Depois, concluiu: “quem for pegar (o cargo de técnico) precisa saber que estará rodeado de traidores…”.
Maradona saiu da sala da coletiva sem responder as perguntas dos jornalistas.

Frase de Maradona com convite ao fellatio, imortalizada em camiseta de algodão disponível à venda pela internet a preços módicos.
E para encerrar a jornada, já que começamos falando em Baudelaire, lembramos de Paris… E como Buenos Aires já foi a “Paris da América do Sul”, colocamos o link da primeira cena de “Tangos – O exílio de Gardel”, filme dos anos 80, de Fernando “Pino” Solanas. A cena mostra o tango em Paris (não o último tango de Schneider e Brando, obviamente). Clique aqui.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Maradona está atrás de qualquer aeronave que leve seus jogadores à África do Sul
O técnico argentino Diego Armando Maradona não consegue deter o acúmulo de conflitos, queda de prestígio e problemas de comando a granel a poucas semanas do início da Copa do Mundo na África do Sul. Depois de enfrentar brigas entre seus próprios comandados e críticas de ex-técnicos Maradona admitiu que ainda não sabe como transportará seus jogadores através do Atlântico Sul para que cheguem a tempo de concentrar-se e preparar-se para a Copa. O motivo da angústia de Maradona é que seus assessores – entre eles o manager da seleção, Carlos Bilardo – não compraram as passagens para que o time possa viajar para a África do Sul.
No entanto, conseguir as escassas passagens aéreas que restam para a África do Sul é uma tarefa de Hércules, afirmam os agentes de viagens.
Para evitar a vergonha pública, informações extraoficiais indicam que Maradona deixou claro a Bilardo que não lhe importa viajar em classe turista, onde também colocaria integrantes do corpo técnico, caso fosse necessário. Mas, sustentou que pretende que todos seus “muchachos” (rapazes) façam o trajeto em classe executiva. Para conseguir os lugares, os assessores de Maradona estão até telefonando aos passageiros com passagens compradas, para ver se conseguem convencê-los a trocar a viagem para outro dia.
“Ficou difícil para que Bilardo encontre passagens em cima da hora”, afirmou o técnico sobre o manager, com o qual possui uma relação tensa.
“Acho que viajaremos no dia 26…quero viajar no dia 26”, balbuciou Maradona em declarações à imprensa portenha, ao referir-se a seu desejo de partir na quarta-feira da semana que vem.
Segundo o técnico, não seria adequado viajar nos dias 27 e 28, já que não existem voos com lugares suficientes para a viagem do time em um único bloco, cenário no qual a seleção teria que desembarcar na África do Sul de forma parcelada. No entanto, Maradona prefere evitar esta opção: “não é sério que seis rapazes viagem por um lado, outros seis em um dia diferente e outros dez jogadores em outro dia. Não é sério”.
Maradona também confessou que está “conversando” com “pessoas” com as quais o jogador Carlos Tevez fez uma “aproximação” para ver a possibilidade de que todos os jogadores da seleção e boa parte da delegação argentina viagem em conjunto em um voo charter.
O presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA), Julio Grondona, enquanto isso, mantém silêncio sobre os imbroglios de “El Diez”.
Na próxima segunda-feira, dia 24, a seleção enfrentará o Canadá para um amistoso no portenho Monumental de River, estádio no qual Maradona já declarou que não gosta de estar.

PALERMO E A EX – Maradona, além de acumular problemas para transportar a equipe para a África do Sul, as brigas entre seus jogadores, e as recentes acusações de ter “conspirado” contra o ex-técnico Alfio Basile para conseguir o posto de técnico no final de 2008, também enfrenta o risco de ficar sem um de seus jogadores favoritos, Martín Palermo.
O motivo de eventual ausência de Palermo na África do Sul é o processo que a ex-esposa do jogador do Boca Juniors, Lorena Barrichi, abriu contra ele. Os advogados de Lorena, uma ex-modelo que casou-se com Palermo em 2005 iniciaram uma demanda penal por sonegação fiscal contra o jogador, suspeito de não ter declarado a totalidade de seu patrimônio. Desta forma, a Justiça poderia impedir Palermo de sair do país para participar da Copa.
CONFRONTOS E DROGAS - Nas últimas duas semanas Maradona teve uma frenética atividade na mídia. A tensão crescente do técnico com Julio Grondona – presidente da AFA há 31 anos – irritou o filho deste, Humberto Grondona. Em declarações à rádio “La Red”, o filho de Grondona ameaçou, sem sutilezas: “se você ataca meu pai, eu te piso”.
Maradona também participou do programa de auditório da apresentadora Susana Giménez. Ali, jurou que há seis anos não consome drogas, isto é, desde a overdose que em abril de 2004 quase o matou em Buenos Aires, pouco tempo depois de retornar de Cuba.
Na sequência foi o alvo de uma nova polêmica quando o filho do ex-técnico Alfio Basile, Alfio Basile Junior, divulgou pela rede de micro-blogs Twitter que Maradona havia “conspirado” para derrubar seu pai e tomar seu posto de técnico da seleção em 2008.
De quebra, após todos estes quiproquós, Jorge Ribolzi, ex-assessor do ex-técnico Basile, foi categórico ao definir Maradona: “como jogador, foi o melhor que eu vi … como técnico, ele terá que mostrar sua capacidade. Mas, como ser humano, é um lixo de pessoa”.
E ATENÇÃO, FINALMENTE…
Agora há pouco, nesta noite de terça-feira, integrantes do entourage de Maradona anunciaram que os jogadores já possuem uma forma de chegar à África do Sul. Desta forma, a AFA evitou o fiasco sobre as passagens para os jogadores.
Segundo os assessores de Maradona, a seleção partirá no dia 28 de maio, em um voo da South African Airways. O avião partirá do aerporto internacional de Ezeiza nesse dia às 16:45.
Neste avião partirão os 23 jogadores, 10 integrantes do corpo técnico, 16 ajudantes e alguns cartolas.

BREVE FOFOCAGEM COM BACKGROUND, dos arquivos de ‘Os Hermanos‘:
- Maradona e o fellatio, aqui.
- Maradona sob o olhar de um sociólogo, aqui.
- E um pouco sobre Julio Grondona, o cartola comme il faut, aqui.

ANÍBAL TROILO, 35 ANOS DE SUA MORTE
E, mudando de assunto radicalmente, hoje completam-se 35 anos da morte de Aníbal “Pichuco” Troilo, considerado um dos maiores compositores do tango.

Aníbal Troilo, uma espécie de Buda do tango. Ele tocava com a alma.
Um artigo de hoje do jornal “Perfil”, no qual o poeta uruguaio Horacio Ferrer, presidente da Academia Nacional del Tango, relembra o amigo. Aqui.
Uma velha gravação de um programa de TV com Troilo, interpretando “Quejas de bandoneón”. Aqui.
Neste link do Youtube, Troilo com um de seus amigos, Astor Piazzolla, interpretam “Volver”. Aqui.
E neste, para encerrar, um trecho de um documentário sobre Troilo, onde ele, com sua voz áspera, recita “Nocturno a mi barrio”. Para os troilanos xiitas, é o filé-mignon, especialmente na segunda metade do video (onde ele recita) e no último terço, onde está com sua orquestra. Aqui.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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