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Ariel Palacios

Edifício do Congresso Nacional do Uruguai. Ali, no plenário do Senado, na noite da terça-feira, a Lei de Anistia aos militares foi anulada. A próxima etapa será a Câmara de Deputados, dia 4 de maio. Foto da Wikipedia.

Por 17 votos a 16 o Senado do Uruguai aprovou no final da noite desta terça-feira a anulação da “Lei de Caducidade Punitiva do Estado”, denominação aplicada à anistia concedida em 1986 aos militares que sequestraram, torturaram e assassinaram civis durante a ditadura que governou o Uruguai entre 1973 e 1985. A anulação da lei ainda precisa passar pela Câmara de Deputados no dia 4 de maio. Mas, ali, tudo indica, será aprovada graças à maioria confortável da Frente Ampla, a coalizão de centro-esquerda que governa o Uruguai desde 2005.

O fim da lei do perdão aos ex-integrantes da ditadura permitirá o julgamento dos oficiais envolvidos nos crimes da ditadura.

No entanto, essa aprovação está provocando polêmicas na sociedade e fissuras graves na coalizão de governo.

A Lei de Caducidade foi aprovada em 1986 pelo Parlamento sob fortes pressões dos militares, que ameaçavam realizar novos levantes nos quartéis.

Nos anos seguintes a pressão e o poder dos militares encolheu. Em 1989, com a democracia consolidada, a anistia foi confirmada em um plebiscito. Em 2009, de forma simultânea às eleições presidenciais, o eleitorado voltou a confirmar a aplicação da anistia.

O plebiscito em 2009 foi um balde de água fria nos organismos de defesa dos direitos humanos. No entanto, os parlamentares da Frente Ampla, nos últimos meses, mobilizaram-se novamente para tentar a anulação da anistia no plenário do Congresso Nacional.

Esta mobilização foi reforçada há poucas semanas quando a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Uruguai por não esclarecer um dos mais famosos casos de desaparecidos políticos, o do sequestro de um bebê e a morte de sua mãe, a uruguaia María Claudia García Irureta de Gelman, nora do poeta argentino Juan Gelman.

Um dos principais homens da Frente Ampla, o deputado Felipe Michelini, sustenta que levar os militares envolvidos nos crimes ao banco dos réus está relacionado com o respeito dos “direitos da vida das pessoas, direitos humanos intransferíveis”. Ele é filho do senador Zelmar Michelini, assassinado em Buenos Aires em 1976 por um comando argentino-uruguaio.

DIVERGÊNCIAS – A votação foi agitada, especialmente pela dissidência de dois veteranos, figuras emblemáticas da esquerda. 

Um deles, o senador Aparício Saravia, foi o único parlamentar do Frente Amplo que não respaldou o projeto de lei. Saravia foi punido com a expulsão do Espaço 609, grupo partidário que integra a Frente Ampla.

O outro foi o senador Eleutério Fernández Huidobro – preso e torturado durante os treze anos da ditadura – que votou a favor da anulação da anistia. Mas, na sequência, renunciou à sua vaga no Senado.

Huidobro, o único integrante do trio fundador nos anos 60 do grupo guerrilheiro “Tupamaros”, indicou que havia votado a favor somente por “disciplina partidária”.

Mas, ressaltou, a aprovação da anulação da anistia violava o “sagrado o respeito à soberania popular”, em referência aos dois plebiscitos que nas últimas duas décadas e meia indicaram que a população respaldava a permanência da anistia aos militares.

O presidente José Mujica anunciou nesta quarta-feira que não vetará o projeto de anulação da anistia. Segundo ele, o Parlamento é “a máxima representação” dos uruguaios, e portanto, seguirá sua decisão. “Sou contra os vetos presidenciais, por princípios”, disse Mujica, que argumentou que seria “um excesso vetar uma decisão do Parlamento, goste ou não goste”.

 

Manifestação em Montevidéu a favor da anulação da Lei de Caducidade, denominação da Lei de Anistia aos militares de 1986. Foto da Wikipedia.

SALVOS, ATÉ AGORA – Ao contrário dos militares que participaram de crimes contra a Humanidade durante a Ditadura na Argentina (1976-83), a maioria dos oficiais envolvidos com torturas e assassinatos no Uruguai não foram julgados por seus crimes.

No entanto, os organismos de defesa dos Direitos Humanos conseguiram driblar a lei em diversos casos, e – desde 2006 – puderam levar ao banco dos réus alguns militares e civis, entre os quais os ex-presidentes Juan María Bordaberry e Gregorio Alvarez. Ambos foram colocados na prisão por envolvimento nos casos de uruguaios assassinados no exterior. Esses casos específicos não estavam previstos pela lei de anistia, que contemplava somente os crimes cometidos dentro do território uruguaio.

Também foram extraditados para a Argentina e o Chile militares uruguaios que participaram de crimes nesses países dentro do Plano Condor.

FATOS E NÚMEROS DA DITADURA URUGUAIA

- Ditadura, que começou com um presidente civil títere, respaldado pelos militares, durou de 1973 a 1985.

- Ditadura foi implantada apesar do fim da guerrilha dos tupamaros em 1972. Os próprios militares anunciaram que a guerrilha havia sido “liquidada” um ano antes do golpe.

- Estimativas indicam que militares uruguaios torturaram 4.700 civis. A imensa maioria das vítimas não tinham vínculos com a guerrilha.

- Dentro do Uruguai militares assassinaram 34 pessoas. Outras 8 suicidaram-se para evitar a continuação da tortura.

- Militares uruguaios assassinaram 106 civis de seu país no exterior, principalmente na Argentina.

- Entre os desaparecidos existem seis crianças, das quais três nasceram durante o cativeiro das mães.

- Estimativas conservadoras afirmam que por causa da Ditadura, 250 mil uruguaios partiram em exílio. Outras estimativas sustentam que o êxodo chegou a 400 mil exilados. Em 1973, ano do golpe, o Uruguai tinha 2,8 milhões de habitantes.

MODALIDADE URUGUAIA: Comparada com outras ditaduras da região – como a Argentina, onde foram torturados e assassinados 30 mil civis (algumas lideranças militares, ex-integrantes da ditadura admitem o assassinato de 8 mil), ou o Chile, com 3.197 pessoas mortas pelos militares (de 27 mil torturados) – o massacre no Uruguai foi numericamente menor.  

No entanto, a ditadura uruguaia foi caracterizada por um elevado número de pessoas torturadas em comparação com os assassinados (mais de 4.700 pessoas sofreram torturas), além de períodos mais prolongados de cativeiro.

A ditadura torturou até o final do regime, já que em abril de 1984, sete meses das eleições que levariam o país novamente à democracia, foi registrada a última morte, a de Vladimir Roslik, na mesa de torturas.

Mais de 10 mil uruguaios foram presos por motivos políticos sem julgamento ou condenação durante o regime militar.

Um dos casos de prisões prolongadas é o do próprio presidente do Uruguai, José Mujica, que ficou preso em duras condições durante 13 anos, grande parte do quais na solitária. Mujica saiu da prisão com graves problemas renais que ainda hoje afetam sua saúde.

 

Bordaberry, o ditador civil que virou neologismo político

DITADURA E NEOLOGISMO – A “BORDABERRIZAÇÃO”: O presidente civil do início da ditadura uruguaia, Juan María Bordaberry, entrou para a História por gerar a criação, nos anos 70, de um termo da ciência política, a “Bordaberrização”. A palavra refere-se a uma ditadura militar que pretende ter aparência civil e para isso deixa (ou coloca) um presidente civil no cargo formal da presidência. 

Bordaberry havia sido eleito nas urnas em 1972 pelo partido Colorado. Em 1973, as forças armadas deram um golpe mas mantiveram Bordaberry no posto. Ele foi removido do cargo em 1976, um ano antes do final formal de seu mandato, previsto para 1977.

A ditadura no Uruguai foi encerrada no dia 1 de março de 1985. Quatorze dias depois, terminava a ditadura militar no Brasil.

 

Mujica, ao sair da prisão, em 1985

DA GUERRILHA AO PODER PELAS URNAS – Nascido em 1935 no seio de uma família de classe média austera, Mujica aderiu na juventude ao conservador Partido Nacional (Blanco). Mas, nos anos 60 passaria para a esquerda e fundaria, junto com outros colegas de origens comunistas e anarquistas, o Movimento de Liberação Nacional-Tupamaros. Ali conheceu Lucia Topolanski, uma bela militante que transformou-se em senadora e sua esposa.

Em 1972 foi detido no meio de um confronto com as forças de segurança. Foi ferido com seis balas, várias das quais ainda estão dentro de seu corpo. Sua prisão foi prolongada. Um total de 14 anos, ao longo dos quais foi torturado físicamente com intensidade pelos militares no final do governo civil e ao longo da Ditadura.

Sua psique também foi alvo de terrorismo.

Mujica, nos dias de bom humor dos guardas, só podia ir ao banheiro uma vez a cada 24 horas. Mas, com um capuz na cabeça que o impedia ver e com as mãos algemadas. Nos dias de má vontade de seus carcereiros, Mujica não podia ir no banheiro. Sem alternativa, suas fezes e urina escorriam pelas pernas.

Seu colega de guerrilha, Eleuterio Fernández Huidobro, indicou que Mujica, em diversas ocasiões, quando os guardas passavam dias sem lhe dar água, precisou recorrer ao próprios fluídos corporais. “Talvez tenhamos pela primeira vez um presidente que teve que beber sua urina”, ilustrou.

Em 1985, com a volta da democracia, Mujica recuperou a liberdade. Adaptado aos novos tempos, deixou de pregar a luta armada e transformou o grupo de ex-guerrilheiros em um coeso partido político que integra a coalizão Frente Ampla. Eleito senador, posteriormente, no governo do socialista Tabaré Vázquez, foi designado ministro da Agricultura.

Ali, começou a planejar sua conquista da presidência. Para não assustar a classe média e alta, indicou – com uma metáfora bovina – que não pretendia mais combater a burguesia: “não quero mais esmagá-la. Não. Eu quero é ordenhar a burguesia!”.

Em novembro de 2009 foi eleito. Tomou posse em março do ano passado.

Atualmente é considerado pelos empresários uruguaios um presidente “market-friendly”.

Mujica, em foto atual.

     

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Mujica, o espartano presidente do Uruguai em seu veículo pessoal (e único patrimônio). No Uruguai, bem como em vários outros países de língua espanhola (não em todos), o fusca é chamado de ‘escarabajo’ (escaravelho). Nos países anglo-saxões, de ‘beetle’ (escaravelho). O termo ‘fusca’ é uma corruptela de ‘Volks’ (por Volkswagen).

blog1dedo3Um escangalhado fusca modelo 1987 com valor estimado em US$ 1.900 é o único patrimônio do presidente do Uruguai, José ‘Pepe’ Mujica, segundo indica sua declaração oficial de bens apresentada à Junta de Transparência e Ética Pública. O espartano ex-guerrilheiro tupamaro, ex-senador, ex-ministro e floricultor comprou o fusca em 2004. Até esse ano – durante duas décadas – ele utilizou uma lambreta para deslocar-se em Montevidéu.

O uso desse pequeno veículo causou surpresa em 1994, quando foi eleito deputado federal. Na ocasião, um guarda do estacionamento do Senado viu que um senhor de aspecto desalinhado, com  capacete, que descia da lambreta e aproximou-se dele e disse: “aqui não pode estacionar, não. ..por acaso o sr. pretende ficar aí muito tempo?”. Mujica (que havia estado 13 anos preso e torturado durante a ditadura militar), removeu o capacete (só então foi reconhecido pelo guarda) e disse em tom brincalhão: “bom, se os milicos não me tiram daqui, penso ficar pelo menos cinco anos…”. 

A chácara onde Mujica mora, em Rincón del Cerro, no lado oeste de Montevidéu, está no nome de sua esposa, a senadora Lucia Topolansky.

A senadora, também uma ex-guerrilheira, ressaltou que nem ela nem seu esposo possuem cartões de crédito nem contas bancárias: “somos antiquados”.

O salário que Mujica – um socialista de 75 anos definido de “amigável” com os mercados – recebe como presidente, de US$ 11.545, por decisão pessoal é destinada em sua maior parte a obras sociais. Essa é uma política em prática desde os anos 90 por parte dos parlamentares e ministros que integram a coalizão de governo Frente Ampla, de centro-esquerda. 

Neste caso, Mujica doa 70% de seu salário de presidente para o Plano de Moradias Populares.

Mujica, nas horas livres, sobe no trator e prepara a terra da chácara, onde planta flores e hortaliças, a principal fonte de rende

Mais sobre Mujica (mais especificamente sobre seu sucesso com o empresariado) aqui. E, sobre sua vitória eleitoral no ano passado, aqui.

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Mujica e Lucia Topolansky, nos anos 90, na intrépida vespa

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SEXO ANAL: EM CASO DE VITÓRIA DA SELEÇÃO DE MARADONA

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Promessa de manager da seleção acrescenta-se à de Maradona, que jura que correrá nu ao redor do Obelisco.  Na ilustração, a famosa Taça Warren, uma peça romana de prata do primeiro século desta era, que ilustra a cópula anal. A peça foi encontrada pelos arquélogos perto de Bittir, Israel. Está no museu britânico.

blog1dedo2b Do outro lado do rio da Prata, enquanto isso, o assunto não são as declarações de bens presidenciais, mas sim as declarações de Carlos Salvador Bilardo, manager da seleção argentina, que prometeu publicamente que, em caso de vitória de seu país na Copa do Mundo na África do Sul, está disposto a ter sexo anal.

Bilardo, o segundo homem na hierarquia da seleção argentina depois do técnico Diego Armando Maradona, indicou que aceitará que o jogador protagonista do gol da hipotética vitória argentina seja o encarregado de praticar-lhe sexo anal. As declarações de Bilardo foram realizadas no canal de TV “Telefé” ao apresentador Matías Martín, no programa “Vértigo” (Vertigem).

“Se a Argentina for campeão, não me importa”, explicou Bilardo, para ressaltar que considera mais importante a obtenção da Copa do que a oferta de seu esfíncter anal.

Perante o olhar estupefato de Martín, que o entrevistava, Bilardo – médico de profissão e ex-técnico da seleção argentina de 1986 e 1990 – aprofundou sua explicação indicando que estava consciente que o sexo anal poderia implicar em dor. “Mas como o senhor sabe disso?”, inquiriu Martín. “Sei porque fazíamos retoscopias…e não sabe como os jogadores gritavam!”, ilustrou Bilardo, impassível.

POSIÇÕES APTAS PARA A COPA - Bilardo também recomendou aos jogadores argentinos que, na hora de manter relações sexuais, optem na posição de baixo. “Que eles deixem que as moças fiquem em cima. Elas são jovens, e portanto, que elas façam o trabalho”, ressaltou, para justificar a coreografia sexual que considera mais adequada para os tempos de Copa do Mundo.

Há duas semanas o técnico da seleção, Diego Armando Maradona, prometeu que em caso de conquistar o troféu da FIFA retirará sua vestimenta e correrá “en bolas” (expressão da gíria hispano-americana para referir-se à nudez) ao redor do Obelisco, o monumento-símbolo da cidade de Buenos Aires.

A série de promessas também expandiu-se mais além dos envolvidos de forma direta com o futebol. Esse foi o caso de uma das principais sex symbols do país, a modelo e playmate Luciana Salazar, que comprometeu-se a posar totalmente nua na frente do Obelisco em caso de vitória da Argentina na África do Sul.

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Bilardo (o do sexo anal), com D.A.Maradona (o do sexo oral), em 1986, durante a Copa do México

SEXO ORAL – Bilardo fez referências ao sexo anal nesta semana. Mas, no ano passado, foi a vez do técnico DA Maradona de gerar polêmica com sua proposta de sexo oral aos jornalistas que cobriam o decisivo jogo da seleção argentina contra o Uruguai.

“Podem me chupar…e continuar chupando”, disse Maradona em frase direcionada aos jornalistas argentinos, que nos últimos meses desferiram intensas críticas contra a forma como Maradona treinava os “muchachos” da seleção.

Depois, reiterou o convite: “que a mamem” (“mamar” é a expressão usada em alguns países hispano-falantes, entre eles a Argentina, para designar a prática do sexo oral).

Em menos de uma hora, Maradona repetiu três vezes sua proposta de fellatio com os jornalistas, aos quais também chamou de “filhos da p…”.

De quebra, ao ser consultado por um jornalista de Buenos Aires, Maradona, antes de responder a pergunta, observou com outra referência sexual: “você tem uma dentro”.

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Representação de fellatio em vaso de cerâmica da cultura Moche (civilização do norte peruano que floresceu entre o ano 100 a.C e o ano 800 d.C). Peça arqueológica exibida no Museu Larco, em Lima. A obra é do ano 300 de nossa era.
Fellatio provém do latim fellātus, particípio passado do verbo ‘fellāre’, isto é, ’sugar’.

E embaixo, outra escultura moche, desta vez, representando o sexo anal

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Para mais detalhes sobre Maradona e o fellatio, aqui.

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blog1dedo2bCLARÍN COM LOOK RENOVADO – O jornal Clarín renovou na semana passada seu look no site na web. Com a reforma, o www.clarin.com  coloca (ao contrário da versão anterior) as notícias em ordem de importância (antes, pesava mais a ordem cronológica, fato que fazia que os leitores não vissem logo de cara as notícias que importavam).

Os blogs também foram renovados, com um look mais organizado.

Entre os meus preferidos está o de Juan Pablo Meneses. É imperdível a série que fez no ano passado sobre as vacas (isso mesmo, o emblemático quadrúpede mamífero que tantas alegrias propicia para a economia e a gastronomia local). O link para seu blog, aqui.

Outro blog, de tons mais literários, é o do jornalista Miguel Wiñazki, aqui (e é o pai de Nicolás Wiñazki, um jovem jornalista da área política, dono de impecável texto, que por enquanto – infelizmente – não possui um blog no jornal):

Em matéria de sites, ainda prefiro o do “La Nación”, que considero melhor organizado ( www.lanacion.com.ar ).

E está o site do jornal “Infobae” (www.infobae.com ), que embora cultive um peculiar sensacionalismo (e tem um mix de tom de direita, ao mesmo tempo que respalda enfaticamente o governo da presidente Cristina Kirchner), possui o mérito de ser o mais veloz de todos para atualizar as notícias.

Outros sites recomendados sobre notícias da Argentina, Uruguai e Paraguai estão do lado direito deste blog, na lista de links.

E aqui, lhes deixo os links de uns geniais cartunistas argentinos:

Niño Rodríguez: http://www.elninorodriguez.com/

Lucas Varela: http://lucasvarela.blogspot.com/

Liniers: http://www.porliniers.com/

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

blog1vinhetalendonewsstand3 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão 

Gustavo Chacra (Nova York): http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/ 
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/ 
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trevisan/ 
Adriana Carranca (Pelo Mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carranca/ 

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Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral ou partidária também será eliminada dos comentários.
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 bloglkirchnercristina

Esta é a primeira vez na História do mundo que – simultaneamente – uma chefe de Estado (Cristina Kirchner) tem um cônjuge (Néstor Kirchner) no comando de um organismo internacional (foto da presidência da República)

Personagem: Néstor Kirchner, ex-presidente argentino, esposo da atual presidente argentina (Cristina Kirchner)

Entidade: União das Nações Sul-americanas (Unasul), que reúne doze países da América do Sul (Peculiaridade: a Argentina ainda não aprovou a criação da Unasul). 

Posto: Secretário-geral da Unasul, cargo de dois anos de mandato, teoricamente de dedicação exclusiva. Isto é, teria que abandonar os cargos de deputado federal e de presidente do partido Justicialista (Peronista). Mas, nesta terça-feira à noite, cinco horas após ter sido designado secretário-geral da Unasul, Kirchner participou de uma sessão da Câmara de Deputados.

Requisitos: Capacidade de consenso para lidar com crises internas da América do Sul e aptidão para representar a região perante governos de outras regiões.

Sede da Unasul: Quito, capital do Equador.  Sede, pero no mucho, já que Rafael Correa, presidente equatoriano, disse que a sede pode ser transferida provisoriamente para Buenos Aires, para facilitar a vida de Kirchner.

Argumento em defesa de Kirchner: “Ele conhece o continente” (presidente Lula)

Argumento contra Kirchner: “Em vez de integrar, vai desintegrar. Sua cultura é a do confronto” (ex-presidente Duhalde)

blog1hand-prawo2O ex–presidente Néstor Kirchner, famoso por sua falta de tato e tendência ao confronto, foi eleito nesta terça-feira para o cargo de Secretário-geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul) com a missão de aprofundar a integração dos países da região. Kirchner – que já acumula o cargo de deputado e presidente do partido Justicialista (Peronista) – foi eleito por consenso entre os doze governos sul-americanos para um mandato de dois anos, renovável por uma única vez. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva proclamou seu apoio de forma enfática. “Penso que a designação do companheiro Kirchner na Secretaria-geral da Unasul é uma consolidação” para esta entidade, “já que ele conhece o continente”, afirmou. “Ele está 100% apto para ser secretário-geral”, arrematou.

GUINESS BOOK - Esta é a primeira vez na História do mundo que – simultaneamente – uma chefe de Estado (Cristina Kirchner) tem um cônjuge (Néstor Kirchner) no comando de um organismo internacional. De quebra, a Argentina, além de ficar no comando da Unasul, também estará na chefia do Mercosul, pois a secretaria-geral do bloco do Cone Sul está desde o ano passado nas mãos do argentino Agustín Colombo Sierra.

O Uruguai havia sido o principal obstáculo para a aprovação de Kirchner nos últimos dois anos. Por trás da resistência uruguaia à essa designação estava o conflito que o país possui desde 2005 com a Argentina, cujo pivô é a fábrica de celulose Botnia, instalada sobre as margens uruguaias do rio Uruguai, na fronteira dos dois países. Para protestar contra a fábrica, manifestantes argentinos – respaldados por Kirchner – realizam há quatro anos piquetes de forma ininterrupta na fronteira que impedem a livre entrada de mercadorias no Uruguai. No entanto, com o intuito de desativar o conflito, o presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, afirmou que apoiaria a designação de Kirchner, “apesar do alto custo político” que isso lhe causaria no cenário político interno. 

Mas, longe de celebrar a designação de um argentino, a eleição de Kirchner foi criticada intensamente por seus próprios compatriotas, entre eles o ex-presidente provisório Eduardo Duhalde (2002-2003) – um dos defensores da criação da Unasul em seus primórdios em 2004 – que sustentam que o temperamental Kirchner só causará mais problemas dentro da região. “Kirchner não vai integrar a América do Sul…ele é um fator de desintegraçao”.

Na terça-feira, o tradicional jornal “la Nación” dedicou seu editorial para analisar a eleição de Kirchner para a Unasul. Em alusão aos vários casos de corrupção dos quais o ex-presidente é suspeito, o jornal afirma que “seria triste que o primeiro presidente da Unasul fosse atingido por um escândalo”. Em tom fúnebre, o “La Nación” indica que “a unção do ex-presidente argentino será um réquiem para a Unasul”.

Aqui vai um link do jornal La Nación, desta quarta-feira, sobre a polêmica da dedicação exclusiva (ou não) de Kirchner à secretaria, aqui.

O presidente chileno, Sebastián Piñera, que debutou em sua primeira cúpula internacional, apoiou a candidatura de Kirchner, mas foi na contra-mão das tradicionais declarações de intenções sobre “sonhos latino-americanos” das cúpulas regionais ao ressaltar que a região deve estabelecer “metas ambiciosas” para intensificar a integração. “É preciso diferenciar sonhos de projetos. Os sonhos não possuem prazos nem metas. Nós precisamos projetos!”.

 bloamericadosul

Segundo ex-presidente Eduardo Duhalde, Kirchner, será fator de desintegração regional . Mapa que mostra como era a região há um século.

ESTILO K: CONFRONTOS E ALERGIA A PROTOCOLO

“Não cheguei ao governo para ficar indo de cocktail em cocktail”. A frase foi disparada em 2004 pelo então presidente Néstor Kirchner para explicar suas costumeiras ausências em recepções a presidentes de outros países, reuniões com empresários, além de cúpulas internacionais. Naquele ano recusou-se a ir à reunião de presidentes em Cusco, no Peru, na qual seria criada a Comunidade Sul-americana de Nações, que em 2008 adquiriria o nome de Unasul.

De lá para cá, Kichner continuou exibindo aversão a todo tipo de convescotes presidenciais. Seus assessores, ao longo destes anos, confessaram em diversas oportunidades: “ele não suporta essas formalidades”. Paradoxalmente, Kirchner foi eleito secretário-geral da Unasul para propiciar “mais institucionalidade” à essa organização internacional.

Na lista de vítimas da aversão de Kirchner ao protocolo e boas maneiras esteve a Petrobrás, que em 2004 foi alvo de dois adiamentos da assinatura de um acordo de ampliação de um gasoduto. Carly Fiorina, na época a CEO mundial da Hewlett Packard, esperou 40 minutos sentada em um corredor da Casa Rosada por uma reunião com Kirchner até que foi informada – sem maiores explicações – que o encontro havia sido cancelado.

 blogputin

Presidentes e empresários foram vítimas do desprezo de Kirchner. O então presidente Vladimir Vladimirovich Putin, ou, Владимир Владимирович Путин (no alfabeto de Nikolái Andréyevich Rimsky-Korsakov e de María Yúrievna Sharápova), esperou por Kirchner inutilmente. A culpa do atraso: um quitute tcheco.

Os reis da Espanha – o país que protagonizou os maiores investimentos estrangeiros na Argentina – também foram alvo de Kirchner, que os deixou esperando duas horas na cidade de Rosario.

O presidente chinês, Hu Jintao, em sua única visita à Argentina foi tratado com desprezo por Kirchner, que, no encontro oficial na Casa Rosada, mostrou desalinho, com direito à paletó desabotoado e mocassins sem lustrar.

O presidente do Vietnã, Tran Duc Lueong, em sua visita à Buenos Aires, ficou esperando Kirchner no jantar oficial (que o próprio Kirchner havia convocado). No entanto, não deu as caras. Seus assessores explicaram que estava doente. Mas, fontes do governo confirmaram que Kirchner havia estado trabalhando no palácio presidencial até altas horas da noite. 

Kirchner também protagonizou um desplante com o então presidente Vladimir Putin. O argentino havia pedido um encontro com russo no aeroporto de Moscou, onde faria uma escala técnica entre Praga e Beijing. No entanto, o avião de Kirchner não apareceu na hora marcada. Putin, depois de esperar, voltou – furioso – para o Kremlin.

A comitiva argentina, na ocasião, alegou que problemas climáticos haviam atrasado o voo entre Praga e Moscou. Mas, os mapas meteorológicos do dia indicam que o trecho entre a capitais tcheca e russa era um “céu de brigadeiro”. Extraoficialmente, fontes do governo admitem que o atraso de Kirchner em Praga foi causado pela degustação de quitutes tchecos em um emblemático restaurante da cidade, que o então presidente argentino insistiu em experimentar.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também  foi vítimas das repentinas mudanças de humor de Kirchner. Esse foi o caso de uma cúpula de presidentes dos países do Grupo do Rio, realizada no Rio de Janeiro. Kirchner foi esperado para a reunião, à qual só comunicou que faltaria no próprio dia do encerramento. Desde que Kirchner chegou ao poder em 2003, os argentinos denominam essa forma de ser de “estilo K”.

PRESIDENTE DE UM CLUBE DO QUAL NÃO É SÓCIO

 bloggrouchomarxgreat_comedians

O cômico Groucho Marx dizia que nunca aceitaria pertencer a clube que o aceitasse de sócio. Charge do genial Al Hirschfeld (1903-2003) que mostra, da esquerda para a direita, CW Fields, Charles Chaplin, Buster Keaton e o citado Groucho.

 blog1vinhetas44A União de Nações Sul-americanas teve na terça-feira o paradoxo de eleger como secretário-geral do bloco um cidadão de um país que ainda não ratificou em seu Parlamento o tratado da Unasul.

A Câmara de Deputados da Argentina ainda não aprovou como lei o tratado que estabelece a criação dessa entidade regional. “É como ser presidente de um clube do qual ainda não é sócio”, disse um diplomata de um país do Mercosul ao Estado, em alusão à insistência de Kirchner em tornar-se secretário-geral da Unasul.

Tempo para a aprovação houve de sobra, já que o governo remeteu o tratado de formação da Unasul para ratificação parlamentar em setembro de 2008. Em dezembro daquele ano o Senado argentino aprovou o tratado. Mas, ficou pendente a ratificação da Câmara de Deputados.

Maioria para aprovar o tratado também existiu na maior parte desse período, já que entre setembro de 2008 e dezembro do ano passado o governo da presidente Cristina Kirchner – uma enfática defensora da Unasul – contou com maioria na Câmara de Deputados.

Somente quatro dos doze países da Unasul aprovaram o tratado que a cria.

OCIOSAS - Em dezembro de 2004, quando os presidentes da América do Sul reuniram-se em Cusco, no Peru, para formar a Comunidade Sul-americana de Nações (posteriormente denominada de Unasul), o então presidente Kirchner – que na época não concordava com sua criação, preferiu não participar. Uma semana antes da reunião, Kirchner deixou claro o motivo: “só vou a cúpulas que considero importantes”. O chanceler de Kirchner, Rafael Bielsa, arrematou o argumento de seu chefe: “algumas cúpulas são um pouquinho ociosas…”.

 DA ‘CASA’ À ‘UNASUL’

blog1vinhetas44Em dezembro 2004, durante a terceira reunião de presidentes sul-americanos, na peruana cidade de Cusco, foi criada uma organização paralela às outras entidades regionais (como o Mercosul e a Comunidade Andina). Desta forma, inaugurou-se a Comunidade Sul-americana de Nações.

A sigla, no início, tornou-se assunto de debate, já que no Brasil foi “CASA”, enquanto que nos outros países adotou-se a designação “CSN”. Em abril de 2007 os presidentes da região, com a intenção de mostrar mais integração, decidiram mudar seu nome para “Unasul” (“Unasur”, para os países hispano-falantes; “Usan” na Guiana, onde fala-se o inglês e “Uzan” no Suriname, onde o idioma é o holandês).

 A Unasul é composta pelos 12 países da América do Sul: a Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Suriname e Guiana (a ex-Guiana Britânica). As únicas exclusões da Unsaul na América do Sul são a Guiana Francesa (departamento de além-mar da França) e as Ilhas Malvinas (administradas pela Grã-Bretanha).

A suposta praticidade da Unasul como organização supranacional criada com a intenção de aprofundar a integração econômica, política e  de defesa da região é constante alvo de críticas por parte de partidos da oposição dos vários governos da região, que consideram que este organismo só acrescenta mais burocracia regional.

O tratado de criação da Unasul estipula que a sede do quartel-general será em Quito, Equador. Por outro lado, a sede do futuro “Parlamento da América do Sul” estará na cidade boliviana de Cochabamba, enquanto que o edifício do “Banco do Sul está, por insistência do presidente Hugo Chávez, em Caracas, Venezuela.

Desde sua criação, a Unasul respaldou o presidente Evo Morales para evitar movimentos autonomistas na Bolívia e suavizou as tensões fronteiriças entre a Colômbia e a Venezuela em 2009.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

blog1vinhetalendonewsstand3 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão 

Gustavo Chacra (Nova York): http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/ 
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/ 
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trevisan/
Adriana Carranca (Pelo Mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carranca/ 

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blogkirchnersorri

Kirchner, considerado o verdadeiro poder do governo de sua esposa e sucessora, Cristina Kirchner, pretende ter um cargo internacional

 

blog1mao3O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), atual deputado – e considerado o verdadeiro poder no governo de sua esposa, a presidente Cristina Kirchner – contaria com o respaldo da maioria dos presidentes dos países da América do Sul para transformar-se no secretário-geral da Unasul, entidade supranacional criada em 2007 com a intenção de aprofundar a integração econômica e política da região. O mais recente respaldo concedido a Kirchner provém do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O apoio do governo brasileiro à candidatura de Kirchner – conhecido por ter pouco tato, ausência de diplomacia e por sua aversão a reuniões internacionais – foi anunciado dias atrás pelo governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, homem de confiança do casal presidencial. Scioli, ex-vice-presidente da república (2003-2007), afirmou em Nova York: “a administração do Brasil deu seu respaldo a Kirchner”.

O plano é que Kirchner seja entronizado no comando da Unasul na reunião de cúpula que esta entidade regional realizará nos dias 4 e 5 de maio em Buenos Aires.

Nesse conclave, além da candidatura de Kirchner, os presidentes discutiriam a formação de um fundo de ajuda sul-americano para o Haiti. O encontro também servirá para debater que posição a Unasul assumirá perante o governo do novo presidente de Honduras, Porfírio Lobo, ainda não reconhecido por vários países da América do Sul.

O sonho de Kirchner de ter um cargo internacional conta com o respaldo explícito do presidente boliviano Evo Morales, além do venezuelano Hugo Chávez e do equatoriano Rafael Correa. Outros países da região concordam com a essa candidatura, embora sem tom enfático.

blogchaveztanque

O presidente venezuelano Hugo Chávez é um dos mais entusiastas defensores da candidatura de Kirchner

O Uruguai foi o único empecilho declarado contra Kirchner ao longo dos últimos dois anos por causa da tensão diplomática entre o governo argentino e o presidente uruguaio Tabaré Vázquez (que vetou a escolha de Kirchner).

No entanto, o novo presidente do Uruguai, José Mujica, que tomou posse em março, segundo informações extraoficiais, teria indicado à presidente Cristina Kirchner que não teria obstáculos contra a candidatura de seu esposo. 

Oficialmente, o governo uruguaio ainda não confirmou que respaldará Kirchner. Fontes diplomáticas indicam que o governo uruguaio está esperando nesta terça-feira a definição na corte internacional de Haia sobre o conflito que o país mantém com a Argentina por causa da fábrica de celulose da empresa finlandesa Bótnia, instalada nas margens uruguaias do rio Uruguai, na fronteira de ambos países.

Caso o parecer seja favorável ao Uruguai (e na hipótese que a presidente Cristina o acate) o presidente Mujica apoiaria a candidatura de Kirchner.

Mas, na semana passada, o chanceler equatoriano Ricardo Patiño indicou que a unanimidade não seria necessária para colocar Kirchner no posto de secretário-geral. Segundo ele, o “ideal” é que a pessoa eleita pelos membros da Unasul seja eleito de forma unânime…mas, caso isso não seja possível, será consagrado quem conseguir maior número de adesões.

Atualmente, o único candidato é Kirchner.

blogvinhetas19 Sobre o conflito Uruguai-Argentina: O governo uruguaio está irritado com Kirchner, pois ele, desde 2005, apoiou os manifestantes argentinos que fazem piquetes nas pontes que ligam a Argentina com o Uruguai. Os manifestantes protestam contra o funcionamento da fábrica de celulose Botnia, do lado uruguaio da fronteira, alegando que a empresa polui o rio Uruguai, que divide os dois países.

Os manifestantes argentinos bloqueiam uma das pontes de forma ininterrupta, há quase quatro anos, impedindo a passagem de pessoas, bens e veículos.

O Uruguai levou o caso à Corte Internacional de Haia, alegando que os piqueteiros argentinos, com a conivência da Casa Rosada, viola o direito de livre circulação do Mercosul.

blogvinhetas41TRANSFERÊNCIA TEMPORÁRIA – A certeza da eleição de Kirchner é uma certeza no círculo do ex-presidente. Assessores do ex-presidente avaliam reciclar um edifício governamental abandonado da rua Juncal, na área central de Buenos Aires, para que Kirchner ali instale a secretaria-geral da entidade.

O Secretariado permanente da Unasul, quando seja estabelecido, ficará em Quito, Equador. Mas Rafael Correa, amigo de Kirchner, estaria de acordo na transferência temporária da sede para Buenos Aires.

Atualmente, a Unasul conta com presidentes pro-tempore, de um ano de duração. O posto é ocupado, de forma rotativa, pelos presidentes dos países que integram a entidade. O objetivo do posto de Secretário-Geral é de que a entidade conte com alguém que se ocupe de forma executiva da estrutura.

A duração do mandato é de um ano. A não ser que as regras sejam modificadas.

 

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Kirchner, um dia antes de passar a presidência para a esposa em dezembro de 2007, reunido com presidentes sul-americanos para a assinatura da ata de criação do Banco do Sul (foto da presidência da República)

blogvinhetas41COQUETÉIS, AUSÊNCIA PARLAMENTAR E PERGUNTAS – Diplomatas consultados pelo Estado ressaltam que Kirchner não se enquadra no papel de um líder regional para armar consensos e desativar crises, já que não tem papas na língua e aplica a estratégia de ‘bater primeiro para conversar depois’. Eles ressaltaram que o próprio possui aversão às cúpulas. “Não gosto de ir por aí de coquetel em coquetel”, disse Kirchner durante seu governo.

No entanto, em Buenos Aires, no âmbito político também comenta-se que Kirchner não se adapta à sua nova função, isto é, a de deputado federal (foi eleito em junho e tomou posse em dezembro). O marido da presidente Cristina só foi à sessão de juramento do cargo e à abertura do ano parlamentar. Nunca mais colocou os pés no plenário, apesar do salário que recebe para desempenhar a função (seu colega ex-presidente, Carlos Menem, atualmente senador, tampouco costuma dedicar-se às atividades de seu cargo, embora também seja pago para estar no plenário).

O regulamento da Unasul determina que a pessoa escolhida para coordenar essa entidade sul-americana não poderá intervir na política nacional de seu país. Isso levou os analistas em Buenos Aires a perguntar: “Kirchner conseguirá conter a si próprio e não intervir na política argentina?”

blog1vinhetas44 ORIGENS

A Unasul é composta pelos 12 países da América do Sul: a Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Suriname e Guiana (a ex-Guiana Britânica). As únicas exclusões da Unasul na América do Sul são a Guiana Francesa (departamento de além-mar da França) e as Ilhas Malvinas (pertencente à Grã-Bretanha).

 A Unasul foi criada em 2007 com a intenção de aprofundar a integração econômica e política da região. Ela foi constituída formalmente em maio deste ano em Brasília. Sua antecessora foi a Comunidade Sul-americana de Nações (CSN), fundada em 2004.

A suposta praticidade da Unasul como organização supranacional é constante alvo de críticas por parte de partidos da oposição dos vários governos da região, que consideram que este organismo só acrescenta mais burocracia regional.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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