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Ariel Palacios

O governo da presidente Cristina Kirchner não estaria disposto a cumprir o pacto anunciado na semana passada entre o ministro da Agricultura do Brasil Jorge Mendes Ribeiro e seu colega argentino, Norberto Yahuar, que determinava que as vendas de carne suína Made in Brazil não seriam mais regidas pelas normas de livre comércio do Mercosul, já que passariam a estar limitadas dentro de um regime de cotas.

O cenário que desponta seria pior ainda, já que o acordo entre os ministros seria barrado informalmente pelo poderoso secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, que nesta semana deixou claro aos industriais argentinos do setor de alimentos elaborados com carne suína que somente poderiam importar “o mínimo indispensável”. Além disso, este “mínimo” não deve exibir oscilações ao longo deste ano.

“Caso não acatemos suas imposições, de comprar muito menos do que a cota, Moreno disse que fechará absolutamente as importações”, me disse na sexta-feira uma alta fonte do setor. “Além disso, ameaçou perseguir as empresas que não respeitem as ordens emitidas”, concluíram, pedindo estrito off sobre suas identidades.

Outra fonte lamentou a escalada de barreiras: “quando anunciaram as cotas, a notícia já era ruim. Mas agora o cenário que desponta para o resto do ano é pior ainda!”. Segundo as fontes, os industriais do setor estão sendo forçados a usar carne bovina dentro dos produtos formalmente vendidos como “suínos”.

Os industriais argentinos ficaram entre a espada e a parede com as pressões de Moreno, que por um lado exige que os empresários produzam “fiambres baratos”, ao mesmo tempo que impõe uma redução drástica das compras de carne suína brasileira.

Do total utilizado pela indústria alimentícia argentina, 40% da polpa é Made in Brazil.

O governo da presidente Cristina Kirchner começou a brecar a entrada da carne suína brasileira em janeiro, especialmente a polpa. As barreiras estão provocando falta de produtos suínos nas gôndolas dos supermercados argentinos.

Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), lamentou ao Estado o cenário existente: “o embargo à carne suína brasileira continua. Compreendemos as dificuldades da Argentina. Porém, as medidas prejudicam os produtores do Brasil, os consumidores da Argentina e vão contra todo o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, ideia tão boa que não deveria estar sendo prejudicada”.

ORDENS - As ordens de Moreno – famoso por disparar uma miríade de epítetos em cada frase que pronuncia nas conversas com os empresários – costumam ser “informais” já que não são escritas. Geralmente são exigências verbais feitas pelo próprio secretário aos empresários argentinos.

Desta forma, ficaria anulado o acordo feito entre os ministros Ribeiro e Yahuar no dia 16 em Buenos Aires.

O acordo implicava em reduzir a entrada de carne suína brasileira de uma média de 3,5 mil toneladas mensais para somente 3 mil toneladas. Desta forma, além do encolhimento nas vendas para o mercado argentino, as indústrias brasileiras perderiam o crescimento do consumo do país vizinho.

O pacto Ribeiro-Yahuar foi definido pelo ministro brasileiro como “muito positivo”, já que no início deste ano as barreiras argentinas haviam provocado uma queda abrupta nas vendas de derivados suínos brasileiros para a Argentina entre janeiro e fevereiro, mês no qual somente entraram no país 400 toneladas. “Ora, passar de 400 toneladas para uma garantia de 3 mil toneladas é muito bom”, exclamou Ribeiro na ocasião, com um sorriso confiante nos lábios.

Esta é a “Quarta Guerra Suína” surgida entre os dois países nos últimos 17 anos. Em todos estes conflitos (1995-97, 199-2001, 2004 e o atual, iniciado no ano passado) a Argentina sempre venceu, conseguindo a imposição de restrições para a entrada de carne suína brasileira.

No ano passado o mercado argentino absorveu 42 mil toneladas de carne suína brasileira, pelo total de US$ 129 milhões.

QUEDA - Na quarta-feira, durante uma visita à Buenos Aires, onde reuniu-se com as lideranças da União Industrial Argentina (UIA), o presidente da Confederação Nacional de Indústrias (CNI) do Brasil, Robson Braga de Andrade, afirmou em conversa com correspondentes brasileiros e jornalistas argentinos que a entidade industrial está elaborando um levantamento com empresários brasileiros para verificar qual foi o impacto das novas medidas protecionistas argentinas para a entrada de produtos Made in Brazil de forma geral.

Os dados preliminares, segundo Andrade, indicam que as exportações brasileiras para o sócio do Mercosul despencaram 22% entre janeiro e fevereiro.

Irritado, no dia seguinte o ministro da Economia da Argentina, Hernán Lorenzino, acusou os industriais de “fazer lobby com a imprensa”. O ministro recomendou aos argentinos e os representantes da CNI que “deixem os coquetéis e comecem a trabalhar para ver a forma de aumentar o comércio entre os dois países”.

Lorenzino negou os dados de Andrade, sustentando que as vendas brasileiras haviam crescido 10%, em vez de registrar quedas. No entanto, segundo o próprio Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), sob intervenção do governo Kirchner desde 2006, as importações de produtos brasileiros caíram 15% em fevereiro.

    

PARA ENTENDER – MORENO É O HOMEM FORTE DA ADMINISTRAÇÃO ECONÔMICA ARGENTINA: Ao longo da última meia década o secretário de Comércio Interior Guillermo Moreno foi o encarregado das polêmicas políticas de congelamento de preços e da maquiagem dos índices de inflação do governo Kirchner. Mas desde 2010 ele também transformou-se autor de medidas protecionistas para impedir a entrada de produtos estrangeiros na Argentina, incluindo os Made in Brazil.

O secretário telefona diretamente a empresários argentinos para pressioná-los a deixar de comprar os importados. Suas ordens, muitas das quais não-escritas, também provocam demoras para a liberação de produtos nas alfândegas.

Analistas, políticos e empresários em Buenos Aires afirmam que o secretário é o homem que faz o “trabalho sujo” da administração Kirchner.

Moreno é famoso por ter iniciado encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa. Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – inclusive nos fins de semana – para exigir que congelem seus preços. Nessas ocasiões suas frases são entremeadas com sonoros palavrões e alusões sexuais.

Após a reeleição da presidente Cristina Kirchner em outubro passado, o poder de Moreno aumentou. Apesar de ser hierarquicamente inferior – pois tem cargo de secretário – Moreno impõe suas decisões aos ministros.

   

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Foto de 1914: imigrantes espanhóis em Buenos Aires. A cidade cresceu na virada do século XIX para o XX graças à migração dos países europeus. Naquele ano, metade dos habitantes da cidade não haviam nascido no país.

Buenos Aires, os municípios da Grande Buenos Aires e de áreas vizinhas (entre as cidades de Escobar e La Plata), além das aglomerações urbanas das principais cidades argentinas, como Córdoba, Rosario, Mendoza, Santa Fe, Salta, Mar del Plata entre várias outras, ilustram um peculiar modus vivendi “espremido” dos argentinos: segundo os dados do censo nacional elaborado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), em 1% do território nacional, concentra-se 80% da população do país. 

Isto é, oito de cada dez argentinos residem em cidades de grande ou médio porte que, se estivessem concentradas em um único aglomerado urbano, equivaleria a 22,5 mil quilômetros quadrados, isto é, 1% do território argentino. Ou, o equivalente à menor província em área do país, Tucumán.

Desse total, boa parte – 12,7 milhões – concentram-se na cidade de Buenos Aires e sua região metropolitana. Se for acrescentado o resto da província de Buenos Aires, 18,4 milhões de pessoas (dos 40 milhões do país) aglomeram-se na cidade de Buenos Aires e no território bonaerense.

Este dado – que reforça a denominação da área metropolitana de Buenos Aires como “Cabeça de Golias” (Cabeza de Goliath, nome do livro de Ezequiel Martínez Estrada, que já em 1940 criticava a concentração excessiva da população e atividade política e econômica do país na área da capital) – é um dos diversos resultados do censo nacional. Mas, a maior parte dos dados consolidados somente serão anunciados no ano que vem.

Em diversas áreas do país o estilo de concentração de Buenos Aires e da Grande Buenos Aires é reproduzida em escala menor. Esse é o caso de Mendoza, cuja capital homônima – e sua área metropolitana – concentra boa parte da população provincial. O mesmo repete-se com as capitais provinciais em Tucumán, Salta, Santa Cruz, La Pampa, entre outras.  Isto é: grande concentração ao redor de uma cidade, enquanto que o resto da província fica semi-deserta.

Por este motivo é que, ao viajar pelas estradas argentinas, o viajante poderá ver imensas áreas totalmente despovoadas entre os aglomerados urbanos.

40 MILHÕES – Segundo o censo a Argentina possui 40 milhões de habitantes. Isso equivale a 10,6% a mais do que no censo de 2001, que registrou na época 36,26 milhões de pessoas. O ritmo do crescimento da população teve uma média anual de 1,17%.

Além disso, o Indec calculou que a densidade demográfica da Argentina passou de 13 habitantes por quilômetro quadrado em 2001 para 14,4 em 2010.

Multidão em comício na portenha avenida 9 de Julio no início dos anos 5o.

BONAERENSES - Os dados indicam que província de Buenos Aires, a maior do país, possui 15,5 milhões de pessoas. Isto é, concentra 38,9% do total dos habitantes da Argentina.

Do total de habitantes no território bonaerense 9,9 milhões residem nos 24 municípios que formam a Grande Buenos Aires, cinturão industrial da capital argentina e feudo político do partido Justicialista (Peronista).

Concentração da população argentina na área de Buenos Aires. Capital do país e sua região metropolitana marcadas com a linha vermelha. Letra A, delta do rio Paraná; letra B, foz do rio Uruguai; letra C, a cidade uruguaia de Colonia; letra U, o Uruguai. A letra D marca o rio da Prata (mapa do Google Earth). Ali estão 12,7 milhões (do total de 40 milhões) de pessoas.

Embaixo, em vermelho,a província de Tucumán: sua superfície equivale a 1% do território nacional. Se a população de Buenos Aires, das cidades da Grande Buenos Aires e as principais cidades do país fossem concentradas em um único aglomerado urbano, caberia dentro desta pequena província.

PORTENHOS – Segundo o censo, a cidade de Buenos Aires teria 2,89 milhões de habitantes. Isso indica que a cidade cresceu somente 4% na última década, já que em 2001 tinha 2,7 milhões de habitantes. No entanto, a população do distrito federal caiu em relação a 1945, momento de maior expansão da cidade, quando contava com 3,2 milhões.

Segundo especialistas, a cidade esvaziou-se nas décadas posteriores com diversos êxodos de profissionais ao exterior nas crises econômicas argentinas, exílios políticos e a mudança de portenhos para bairros privados na Grande Buenos Aires, longe do tumulto do centro da capital.

Do total de habitantes em território portenho, 11% nasceram no exterior. Desse total, 6% são imigrantes de países com fronteiras com a Argentina.

Segundo o censo 5 milhões de pessoas de fora de Buenos Aires circulam diariamente nas ruas da capital. A maior parte delas são habitantes dos municípios da Grande Buenos Aires. 

Buenos Aires em um mapa do ano 1800,  quando ainda era um vilarejo perdido no sul do continente que vivia às custas do contrabando no Rio da Prata.

OUTRAS - Córdoba, capital da província homônima, que tornou-se a segunda maior cidade do país em 2001, mantém o posto com 1,33 milhão de pessoas. Rosario, na província de Santa Fe, e o maior porto de escoamento de cereais da Argentina, possui 1,19 milhão, ficando em terceiro lugar.

As duas províncias com menor quantidade de habitantes estão no extremo sul do país: Santa Cruz, com 272 mil habitantes, e Terra do Fogo, com 126 mil.

MULHERES E HOMENS – O censo também indicou que existem 95,4 homens para cada 100 mulheres em todo o país. Mas, na cidade de Buenos Aires a proporção de homens cai para 85,8 a cada 100 mulheres.

No bairro portenho da Recoleta está o menor índice de presença masculina, com 73,3 homens para cada centena de mulheres.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

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‘Dragão’ da inflação preocupa cidadãos argentinos. Ilustração mostra dragão japonês, mas da escola chinesa. Século XIX. Bibliothèque des Arts décoratifs, Paris.

Assustados com a escalada de preços, os argentinos acreditam que a inflação acumulada dos próximos doze meses será de 33,7%. Isso é o que indica uma pesquisa feita pela Universidade Di Tella, que investigou as expectativas de inflação da população. A proporção mostra um aumento desde o mês passado, quando a expectativa de inflação para os seguintes doze meses era de 31,4%.

Mas, enquanto a população angustia-se com a persistente alta de preços – que tornou a Argentina o país com a segunda maior inflação do mundo (atrás da Venezuela) – o governo da presidente Cristina Kirchner nega a escalada inflacionária. Segundo o ministro da Economia, Amado Boudou, os alertas sobre a inflação não passam de “conspirações” dos partidos da oposição.

O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) anunciou na sexta-feira que o índice de inflação de setembro foi de 0,7%. Mas, economistas independentes e organizações de defesa dos consumidores consideram que a inflação oficial está “maquiada” e que o índice “real” é de pelo menos o dobro, já que oscilaria entre 1,6% a 1,8%.

A inflação acumulada desde janeiro, de acordo com os dados do governo, seria de 8,3%. No entanto, para a consultoria Ecolatina a inflação real acumulada nos primeiros nove meses deste ano chegaria a 19,6%.

Dragão que havia sequestrado donzela (a moça da esquerda que está com as mãos amarradas) leva bolachas a granel de santo tolerância zero.  Obra de Paolo Uccello, “São Jorge em luta contra o dragão”, de 1470. Quadro exposto na National Gallery, Londres.

  Economistas independentes afirmam que 2010 será encerrado com uma inflação que oscilará entre 25% e 30%. Mas, o governo calcula que será no máximo de 9,9%.

No entanto, nas recentes negociações salariais feitas com empresas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país, alinhada com a administração Kirchner, os sindicalistas exigiram (e obtiveram) altas salariais de 25% a 30%, proporção mais próxima aos cálculos de inflação das consultorias econômicas independentes do que do índice elaborado pelo Indec.

São Miguel, celestial cabra destemido, depois de uns bons sopapos em um dragão (não era o dragão da inflação) prepara-se para abotoar o paletó de madeira do dito cujo monstro com sua afiada peixeira medieval. Quadro de Raffaello Sanzio (1483-1520). Mais detalhes sobre esta obra genial, aqui.

 Em 2006, o governo do presidente Néstor Kirchner tentou conter a inflação com o congelamento de preços. Mas, com o fracasso dessa política, em dezembro desse ano iniciou a manipulação de dados. Segundo o jornalista  Jorge Lanata, o casal presidencial “não gostava da febre da inflação…por isso, a saída que os Kirchners encontraram foi conseguir um termômetro que indicasse só a febre que eles querem”.

Desde janeiro de 2007 a medição da inflação do Indec, organismo sob férrea – e controvertida – intervenção do governo Kirchner, é alvo de acusações de “maquiagem” por parte de empresários, associações de consumidores, economistas e a própria população, que diariamente depara-se nos comércios com substanciais aumentos de preços e serviços.

Ao longo destes três anos e meio a inflação “maquiada” oscilou entre metade e um terço da inflação calculada por diversos economistas e associações de defesa do consumidor.

Segundo o governo, em 2006 a inflação foi de 9,8%. Mas, de acordo com vários economistas, o índice sofreu uma leve manipulação em dezembro daquele ano. A inflação real teria sido de 10,7%.

Em 2007, com a intervenção intensa do Indec o índice oficial foi de apenas 8,5%. Segundo diversos cálculos de ex-integrantes do Indec, economistas e associações de consumidores, a inflação real esteve ao redor de 25% a 27%.

Em 2008, a inflação, segundo o Indec, foi menor ainda, de 7,2%. Mas, os economistas indicam que estes ao redor de 25%.

Em 2009 o governo disse que a inflação foi de 7,7%. Mas, os economistas afirmam que foi de 14% a 18%.

 A “camuflagem” da escalada inflacionária argentina também preocupa a Organização Internacional do Trabalho (OIT), que em setembro anunciou que reconhece a falta de credibilidade do Indec.

O organismo está sob o controle do polêmico secretário de Comércio, Guillermo Moreno, considerado o homem que “faz o trabalho sujo” dos Kirchners na área.

 

Quase Kirchner…Kircher. Athanasius Kircher, intelectual jesuíta, autor de “A História natural dos dragões”. Acima, “o grande dragão da ilha de Rodes”, que ilustra a obra do clérigo polivalente. E para mais detalhes sobre Kircher, aqui.  E melhor ainda, aqui.

 

Tal como a inflação no cotidiano argentino… A serpente-dragão Quetzalcoatl deglute um asteca desprevenido. No  Códice Telleriano-Remensis, que está Bibliothèque nationale de France, em Paris.

ATENÇÃO! Nenhum dragão verdadeiro foi ferido ou prejudicado no decorrer da preparação e publicação desta postagem.

    

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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100Pesos03

Nota de 100 pesos cada vez vale menos. E o governo não pensa emitir uma nota com valor numérico maior, já que nega a escalada inflacionária. Na cédula – que antes comprava muito e agora pouco – o general e presidente Julio Argentino Roca (1843-1914).

blog1dedo2bA efígie de Julio A. Roca, general e presidente argentino do século dezenove e início da vigésima centúria, está desprestigiada, embora decore as notas de 100 pesos, as de maior numeração em circulação no país há duas décadas. Apesar disso, estas cédulas possuem um poder de compra cada vez menor por causa da escalda inflacionária que assola o país. Segundo o economista Ricardo Delgado, da consultoria Analytica, ao longo da última meia década as notas de 100 pesos sofreram uma desvalorização de mais de 50%. Mas, embora exista a necessidade de notas com maiores números, o governo da presidente Cristina Kirchner – que nega a existência da escalada da inflação – rejeita a ideia de emitir cédulas de 200 ou 500 pesos.

Em 2005 – antes do início da escalada inflacionária – as notas de 100 pesos constituíam 35% do total de notas em circulação na Argentina. Atualmente estas cédulas representam 46% do total do papel-moeda, fato que indica que estas notas estão sendo cada vez mais requisitadas. Cada vez mais o governo emite maior volume de notas de 100 pesos e menos notas de 20 e 50.

Susana Andrada, presidente da Centro de Educação de Consumidores, considera que o Banco Central está tentando evitar a emissão de uma nova nota. Segundo os especialistas, isso implicaria em admitir que o valor da maior nota existente não é suficiente para a maioria das compras realizadas pelos argentinos, e portanto, teria que confessar que a inflação “real” é maior que a “oficial”.

O economista Fausto Spotorno, da consultoria Orlando Ferreres e Associados, afirma que desde a crise de 2001 até junho deste ano a Argentina teve uma inflação acumulada real de 244%. Por esse motivo, afirma, o governo “pelo menos poderia emitir uma nota de 200 pesos”. Andrada, defensora dos consumidores, sustenta que a nota de 100 pesos que no ano 2008 um argentino gastava em três dias, “atualmente a gasta em 24 horas”.

blogmoedasargentinas

A moeda de 1 peso, a última à direita, não vale para quase nada. Logo, as colegas que estão à sua esquerda…

blog1dedo2bAs moedas de um peso também estão com sua utilidade comprometida. Cada vez mais, sozinhas, não compram ou pagam nada. Atualmente, com um peso uma pessoa pode pagar uma passagem de trem do bairro de Liniers, na fronteira da cidade de Buenos Aires até a estação de Once, no centro da capital. Além disso, o Estado conferiu em um quiosque na estação de trem de Retiro que uma moeda de um peso apenas pode comprar pequenos doces e unidades de balas e chicletes.

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Quem quer ser um milionário? O general José de San Martín, em sua versão ‘senior’, na desprestigiada nota de 1 milhão de pesos, emitida no final da última ditadura militar (1976-83). Na época, estas notas foram vendidas nos EUA por um empresário que fez a seguinte publicidade: “Quer ser um milionário? Compre esta nota de 1 milhão de pesos por US$ 10,00! Enviaremos a nota em uma fantástica moldura para que impressione os amigos!”. E falando em “Quem quer ser um milionário”, o irônico “Who wants to be a millionaire”, de Cole Porter. Nesta versão, com Frank Sinatra, no filme do qual também participa Louis Armstrong (o filme é o “High Society”). O link, aqui.

 blog1vinheta58 ‘OFICIAL’ E ‘REAL’ - O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) – organismo sob controvertida intervenção federal há mais de três anos – anunciou que a inflação de julho foi de 0,8%. Na contra-mão, economistas independentes, sindicatos não-alinhados com o governo e associações de defesa dos consumidores, afirmam que a administração Kirchner “maquia” o índice e sustentam que a inflação “real” de julho teria sido de 1,7 a 2%.

Segundo a consultoria Estudio Bein a inflação acumulada nos primeiros sete meses deste ano é de 13,5%. A consultoria Ecolatina calcula a alta em 15,6%. Mas, de acordo com os números do governo anunciados há pouco mais de uma semana, a inflação acumulada desde janeiro seria de 6,7%

Desta forma, a inflação registrada pelo governo da presidente Cristina Kirchner, ultrapassa as estimativas feitas no Orçamento Nacional de 2010, no qual calculou uma alta de 6,1%.

Os economistas independentes afirmam que a inflação neste ano será superior a 28%.

Mas, na população, a percepção da inflação é mais dramática que a calculada pelos economistas críticos do governo. Segundo uma pesquisa realizada pelo Centro de Investigação em Finanças da Universidade Torcuato Di Tella, os argentinos esperam uma inflação acumulada de 32,5% para os próximos doze meses.

Enquanto diversos sindicatos conseguirm altas salariais que até quadruplicam a proporção de inflação estimada pelo governo (por via das dúvidas, negociaram nas últimas três semanas altas salariais de até 30%), o discurso oficial da cúpula, isto é, Confederação Geral do Trabalho (CGT) é o de que a inflação argentina é “mínima”.

Segundo Hugo Moyano, secretário-geral da CGT e aliado da presidente Cristina, a atual inflação “está controlada” e “não é prejudicial”.

blog-inflacaoapezieren

Cidadão alemão usa notas com valor implodido pela hiper-inflação dos anos 20 como papel de parede. A foto é do acervo do Bundesarchiv.

blog1dedo2bCUMPRIMENTAM, MAS NÃO COMPRAM - O jornaleiro Juan Carlos Brescia, 60 anos, disse ao Estado que “ri” quando vê os números do governo. “Esses números estão longe da realidade dos trabalhadores”, sustenta, enquanto arruma as revistas em sua banca. “Muitos clientes passam pela frente da banca e dizem ‘oi!’ mas não compram nada por causa da alta de preços”.

Brescia afirma que o aumento de preços e a consequente perda do poder aquisitivo de seus clientes na Recoleta, um bairro de classe média alta e classe alta, provocou uma perda de 50% de suas vendas.

Segundo a Ecolatina, a inflação de 2010 será a maior registrada desde a desvalorização do peso, em 2002, ano em que o índice foi de 40%.

A carne bovina registrou um aumento de 60% no preço desde janeiro. O pão subiu 10% no mesmo período, enquanto que os combustíveis, desde o início deste ano, registraram uma alta de 28% a 40%, dependendo do produto. Neste último caso, na semana passada o governo Kirchner anunciou que aplicará a “Lei de Abastecimento”, de 1974, para punir empresas que aumentem o preço dos combustíveis.

 blogbrescia3a

Assustado com a inflação, Brescia tem um consolo: “os clientes não compram mais como antes… mas pelo menos passam na frente da banca e dizem ‘oi!’ “

blog1dedo2x SENSAÇÃO DE POBREZA – Uma pesquisa do Centro de Economia Regional e Experimental (Cerx) indicou que 72,7% dos argentinos sentem-se “pobres”, já que afirmam que o volume de dinheiro que ganham mensalmente não é suficiente para chegar no fim do mês. A proporção de pessoas que sentem “pobreza subjetiva” – segundo a denominação aplicada pela diretora da Cerx, Victoria Giarrizzo – era de 63,3% no ano passado. Os analistas da consultoria afirmam que por trás desta sensação de pobreza está a crescente inflação.

QUEIJO, OBJETO DE COBIÇA: Neste link, do jornal Perfil, detalhes sobre a cobiça que os cada vez mais caros lácteos estão despertando no nicho profissional dos ladrões. Aqui.

blog1vinheta78

blog1vinheta67 FANTASMA DA INFLAÇÃO ASSOMBRA ARGENTINOS HÁ QUATRO DÉCADAS

 bloglandruonganiaTia vicenta

General e ditador Juan Carlos “La Morsa” Onganía começou a moda de cortar zeros. De lá para cá 20 presidentes e 43 ministros da economia tentaram combater espiral inflacionária. Charge do irônico Landrú, cartunista que despertou a ira do militar.

 

blog1mao2bOs economistas ressaltam que entre 1890, quando foi instituído o “peso nacional”, até o “peso lei” do final dos anos 60, a Argentina teve estabilidade financeira. Mas, em 1969 o então presidente e ditador general Juan Carlos Onganía decretou a primeira lei que eliminou zeros das notas de pesos, com o intuito de dissimular a escalada inflacionária. De lá para cá, as notas argentinas perderam treze zeros.

Nestes últimos 41 anos o país foi assolado de forma persistente pelo fantasma da inflação, contra o qual tentaram lutar, com escassos resultados, os 20 presidentes que passaram pela Casa Rosada – o palácio presidencial – e os 43 ministros da Economia que ocuparam a pasta.

Em 1989 a Argentina teve sua primeira hiperinflação, que chegou a 4.923,6%. A espiral inflacionária levou Alfonsín à renúncia seis meses antes do fim programado de seu mandato.

Seu sucessor, Carlos Menem (1989-99), tentou de forma errática diversas fórmulas econômicas. O resultado foi um segundo período hiperinflacionário, que chegou a 1.343,9% em 1990.

Nos anos 90, a conversibilidade econômica – que estabelecia a paridade um a um entre o dólar e o peso – apesar dos problemas que trazia em seu bojo, foi respaldada com entusiasmo pelos argentinos, que depois de décadas viam finalmente um período de inflação zero (e até de deflação.

Mas, a conversibilidade naufragou em dezembro de 2001. A inflação só não voltou a galopar de forma imediata porque a economia estava estancada e o poder de compra era quase nulo. Mas, a economia recuperou-se a partir de 2003. E a inflação voltou a aparecer.

Economistas, associações de defesa dos consumidores, empresários e sindicatos afirmam que o casal Kirchner, sem sucesso para deter a inflação, camufla os índices elaborados pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec).

Em sarcástica alusão à persistência da inflação na economia argentina, Roberto Dvoskin, professor da Universidade de San Andrés e ex-secretário de Comércio, afirma: “a Argentina é alcoólica em relação à inflação. E o alcoolismo não se cura… administra-se!”.  

blogongania1

O ‘La Morsa’ original, J.C.Onganía, militar que – segundo as más línguas – não era famoso por contar com muitas sinapses em sua massa cinzenta.

 blog1vinheta71O desejo incontrolável de escrever “zeros”, aqui.

blog1vinheta71bE um artigo da Times, de 1923, sobre o assunto, aqui.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

passaro4 Acompanhe-nos no Twitter, aqui.

blog1vinhetalendonewsstand4 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:

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 blogSimone_Martini3

Argentinos possuem US$ 148 bilhões nos colchões e fora do país. Dinheiro fora do sistema financeiro e investimentos empresariais diretos no exterior equivalem a 60% do PIB. No colchão acima, São Martim de Tours (316-397) dormindo profundamente (embaixo do colchão, umas misteriosas grandes caixas). A obra, que está na capela de São Martim,na igreja de São Francisco, em Assis, Itália, é “O sonho de São Martim”, pintada entre 1312 e 1317 por Simone Martini (1284-1344), um dos grandes pintores do ‘trecento’ italiano (e o mais famoso no domínio da cor). É impressionante o detalhe das dobras da colcha (quem quiser ver mais minúcias da ilustração, clique para ver uma versão ampliada, aqui). São Martim de Tours, coincidentemente, é o patrono da cidade de Buenos Aires (e como ele se transformou no patrono portenho,bom… essa é uma história divertida que vale a pena contar em outra postagem, mais especificamente, no dia 11 de novembro, que é o dia deste santo).

blog1dedo2bOs colchões – este magnífico invento do Neolítico que foi brilhantemente aperfeiçoado pelos árabes antes das cruzadas – são o símbolo do dinheiro em lugar seguro. Eles foram um dos diversos esconderijos que os argentinos utilizaram ao longo das últimas décadas para resguardar suas economias. Desconfiados dos governos de plantão (que volta e meia realizavam confiscos) e dos bancos instalados no país (que volta e meia fechavam suas portas, deixando os correntistas na mão), os argentinos acumularam grande parte do dinheiro não somente nos colchões, mas também em caixas de segurança, latas de conservas, o interior de livros (entre várias outras modalidades de esconderijos caseiros), além de instituições financeiras no exterior.

A Argentina conta com 67 bancos em todo o território nacional. Deste total, 12 bancos são públicos, enquanto que os outros 55 são particulares. O sistema financeiro argentino possui com 4.065 filiais bancárias, com apenas 10.700 caixas eletrônicos.

Segundo estimativas da city financeira portenha, o grau de bancarização dos argentinos é um dos mais baixos do ocidente. O volume de créditos representa somente 14,7% do PIB (enquanto que a média da América Latina é de 33%). A desconfiança no sistema financeiro é evidenciada por este dado: 53% das famílias do país não operam com banco algum.

blog1dedo2x Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) indicam que em 2009 o total acumulado pelos argentinos fora do sistema bancário nacional alcançou US$ 148 bilhões, volume que constituiu um recorde histórico.

O volume de dinheiro acumulado fora do sistema pelos argentinos equivale a quase três vezes o volume que compõe as reservas do Banco Central do país, de US$ 50 bilhões.

O ex-secretário de Fazenda, Mario Brodersohn, sustenta que o elevado índice de risco do país da Argentina, atualmente em 683 pontos básicos, significativamente superior ao do Brasil (197 pontos) e do México (131), pode ser explicado em grande parte pela fuga de capitais que caracteriza a Argentina.

Além do dinheiro nos colchões ou nos bancos no exterior que os cidadãos argentinos possuem, as empresas deste país contam com um total de US$ 29,44 bilhões em investimentos diretos privados no exterior.

Desta forma, o total dos investimentos de empresas no exterior e o dinheiro que os argentinos possuem fora do sistema alcança a faixa de US$ 177 bilhões. Isso equivale a 60% do PIB argentino.

Embora o ato de colocar o dinheiro fora do país e nos colchões seja um clássico há tempos, essa tendência acentuou-se desde a crise de 2001, ano em que o país afundou no caos social, na disparada da pobreza e no descalabro financeiro. Na época, os argentinos tinham um total de US$ 81,87 bilhões fora do sistema, pouco mais da metade que possuem atualmente.

Diversos economistas sustentam que a crise só não foi mais dantesca graças ao dinheiro que os argentinos tinham fora do alcance do governo nos esconderijos caseiros e no exterior. O dinheiro de vastos setores da classe média, resguardados em bancos uruguaios, retornou gradualmente ao país, permitindo a injeção de cash na colapsada economia argentina da época.

blogpoderosochefao

Don Vito Corleone, isto é, Marlon Brando, protagonista de “O Poderoso Chefão”. “To go to the mattresses” era a modalidade preferida de Don Corleone e seu filho Sonny.

blog1dedo4baixo

ROMANOS, ÁRABES E O MARIO PUZO - Em diversas partes do planeta também usa-se a figura do colchão como uma quantia de dinheiro que serve de resguardo para imprevistos ou como base para um investimento.

A palavra em português e em espanhol vem do latim “culcita”, que significa colcha ou lugar para deitar. Dali vem o verbo francês “coucher” (deitar ou ter sexo).

Em outros idiomas, como o inglês (mattress), o francês (matelas), o alemão (matratze), o italiano (materasso) e o russo (Матрас) a origem da palavra provém do árabe máʈraħ (مطرح ), que significa lugar onde se joga alguma coisa (que deriva do verbo طرح (pronuncia-se araa, isto é, “jogar”).

No romance “O Poderoso Chefão” (The Godfather, de 1969) o escritor Mario Puzo cita a expressão mafiosa “to go to the mattresses” (ir aos colchões), como equivalente a ir para a guerra, usar táticas rudes, agira sem limites.

- I want Sollozzo. If not, it’s all-out war. We’ll go to the mattresses.

(Quero o Sollozzo. Se não for assim, será guerra total. Nós iremos aos colchões)

blogisabelita-longa

Isabelita Perón, ex-dançarina de cabaré no Panamá transformada em vice-presidente e posteriormente em presidente da Argentina, levou o país ao primeiro grande descalabro econômico de sua História. O primeiro de uma série de descalabros. Isabelita atualmente reside confortavelmente nas redondezas de Madri.

blog1vinheta55b COLCHÕES REQUISITADOS! “EL RODRIGAZO”, O DÉBUT DOS AJUSTES E DESCALABROS ECONÔMICOS –  Há 35 anos, no dia 4 de junho de 1975, o então ministro da Economia, Celestino Rodrigo, anunciou um pacote de medidas que causou o primeiro grande colapso econômico e financeiro que o país sofria desde a crise mundial de 1929. O pacote – “El Rodrigazo” – implicou em uma desvalorização de 160% da moeda, aumentos de 100% das tarifas de serviços públicos, entre outras controvertidas medidas.

Em seis meses, a inflação escalou 183%, enquanto protestos sociais, sindicais e políticos alastravam-se. A presidente Isabelita Perón perdeu respaldo e foi derrubada por um golpe militar oito meses depois.

Coincidentemente, de 1975 para cá o país teve uma grave crise econômica a cada sete anos. Em 1982, a Guerra das Malvinas gerou um descalabro financeiro que levou à uma nova crise que afundou o país em uma inflação de mais de 300%.

A seguinte grande crise ocorreu em 1989, com a hiper-inflação do final do governo do presidente Raúl Alfonsín, que passou de 5.000%. A pobreza disparou, junto com saques em massa a comércios.

Quase sete anos mais tarde, em 1995, o país foi duramente afetado pela crise mexicana, enquanto tentava de todas formas manter a conversbilidade econômica. Esta acabou com a seguinte crise, a de 2001-2002, quando o governo do presidente Fernando De la Rúa caiu no meio do caos social e financeiro. A pobreza, que estava na faixa dos 28%, disparou a 57%. O desemprego, de 17%, subiu para 28%. O PIB em 2002 despencou 11%.

O país entrou novamente em problemas em 2008, meses antes da crise mundial. O estopim, desta vez, foi o confronto do governo com o setor ruralista, o crescimento do gasto público, a escalada inflacionária e a retomada do crescimento da pobreza, que passou de 20% em 2006 para 30% (segundo a Central dos Trabalhadores Argentinos e diversas consultorias econômmicas) ou 40% (segundo a Igreja Católica).

blogcolcaoHenri_de_Toulouse-Lautrec

Em meio às turbulências das políticas econômicas dos governos de plantão nem sempre é possível dormir placidamente como neste quadro do batutésimo Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901). É o “Dans le lit” (Na cama), de 1893. Exposto no Musée D’Orsay, Paris.

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Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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