Começa a contagem regressiva da campanha eleitoral argentina. Faltam exatamente quatro semanas para que os argentinos compareçam às urnas. Os candidatos presidenciais arrancam as folhinhas do calendário por puro costume, afirmam os analistas, já que o resultado do dia 23 de outubro estaria definido desde as primárias do 14 de agosto. “Calendrier républicain” (Calendário Republicano) de 1794 é a ilustração acima, da autoria de Louis-Philibert Debucourt (1755-1832).
Exatamente daqui a quatro semanas, pela sétima vez desde a volta da democracia em 1983, os argentinos irão às urnas para eleger o presidente da República. As pesquisas indicam de forma unânime que Cristina Kirchner seria reeleita com ampla margem de votos (de 52% a 55%) para outros quatro anos no comando da Casa Rosada, o palácio presidencial. A oposição – marcada por profundos antagonismos – além de fracassar em todas as tentativas de armar uma frente comum contra o kirchnerismo nos últimos dois anos, protagonizaria o pior desempenho eleitoral desde a volta da democracia em 1983.
Os analistas ressaltam que o novo mapa do poder na Argentina ficou praticamente definido desde as eleições primárias dos partidos políticos do dia 14 de agosto, quando Cristina obteve 52% dos votos. O segundo colocado, Ricardo Alfonsín, da União Cívica Radical (UCR), ficou 40 pontos percentuais abaixo, com apenas 12,4% dos votos. Nunca antes na História da tumultuada política argentina houve uma diferença de tal magnitude entre o primeiro e o segundo colocado.
Os analistas também destacam com ironia que as primárias foram “a pesquisa de intenção de voto mais cara do mundo”, já que – por ser obrigatória – levou às urnas mais de 70% dos eleitores argentinos.
“A sensação é que estas eleições de outubro serão um mero trâmite burocrático”, sustenta o cientista político Fabian Bosoer, professor de ciências políticas e relações internacionais da Universidade de Buenos Aires.
“Existem sete chapas que candidatam-se formalmente à presidência. Mas, é um torneio cujo resultado principal todos conhecem de forma antecipada”, explica.
Logo após as primárias Alfonsín ficou de cama vários dias por causa de uma pneumonia que, afirmam seus críticos com ironia, agravou-se com “a frieza do eleitorado” nas urnas. O ex-presidente Eduardo Duhalde (2002-2003) – candidato do peronismo dissidente, que ficou em terceiro lugar, com 12,16% – também deprimiu-se com os resultados e refugiou-se em um centro para tratamento antiestresse durante uma semana.
Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, que obteve somente 3,2% dos votos (nas presidenciais de 2007, ficou em segundo lugar, com 25%), admitiu com amargura: “97% da sociedade não gosta de mim”. Depois, partiu para mini-férias no México. Ao voltar, praticamente abandonou a campanha eleitoral, para desespero de seus candidatos a deputado.
“Nunca houve uma oposição tão fraca e tão desarticulada”, afirmou ao Estado o analista de opinião pública Carlos Fara. Ele sustenta que nas eleições do dia 23 de outubro Cristina “manterá seu volume de votos e talvez até aumente um pouco. Mas, dificilmente perderia votos”.
No entanto,segundo ele, “haverá uma queda no volume de votos destinados a Alfonsín e Carrió que seriam redirecionados para o socialista Hermes Binner, que nas últimas pesquisas desponta com 14% das intenções de voto. Enquanto isso, os peronistas dissidentes Eduardo Duhalde e Alberto Rodríguez Saá ficariam com a mesma proporação de votos que tiveram nas primárias.
Oposição poderia protagonizar a pior derrota da História do país no dia 23 de outubro. Acima, ilustração que mostra o mês de Brumário, no calendário da Revolução Francesa. O 23 de outubro coincide com o 2 de Brumário. Como cada dia tinha um nome, os franceses colocaram neste o nome de “céleri”, isto é, o aipo (o vegetal).
MATEMÁTICA - O prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, líder do partido Proposta Republicana, de oposição, avaliou as dificuldades para reverter o cenário das primárias: “a matemática é cruel. A diferença de votos do governo com a oposição e as divisões existentes nesta tornam impossível uma eventual derrota de Cristina. Ela venceu nas primárias por méritos próprios e por erros da oposição”.
SALVE-SE QUEM PUDER - Perante o cenário de uma nova catástrofe nas urnas – e com a perspectiva de mais quatro anos de kirchnerismo – a oposição sofreu ao longo deste mês em suas fileiras um êxodo de parlamentares, prefeitos e governadores que começam a aproximar-se da presidente Cristina para oferecer “colaboração” no novo mandato, que é encarado como inexorável. “É um salve-se quem puder”, admitiu em off ao Estado uma deputada federal do peronismo dissidente que começou sua transição do anti-kirchnerismo para um progressivo “filo-kirchnerismo”.
Esse foi o caso do deputado Felipe Solá, um aliado dos Kirchners que depois passou ao Peronismo dissidente. Ele, até o começo deste ano, era pré-candidato presidencial de um dos vários grupos da oposição. Mas, na semana passada, indicou que deixava a oposição. A declaração foi acompanhada de uma série de elogios à presidente. Assim, Solá foi recebido de novo pelo kirchnerismo com elogios e palavras de boas-vindas.
O mesmo cenário está ocorrendo em Córdoba e Santa Fe, com os respectivos líderes dissidentes José Manuel dela Sota e Carlos Reutemann.
“É um salve-se quem puder”, admitiu em off ao Estado uma deputada federal do peronismo dissidente da província de Buenos Aires que começou sua transição do anti-kirchnerismo para um progressivo “filo-kirchnerismo”.
“Fazer o quê”, ela disse, durante uma visita a eleitores em Ramos Mejía, na Grande Buenos Aires. Depois de aceitar um “tereré” (um chimarrão frio, típico doParaguai e donorte da Argentina) de um simpatizante, virou-se para este blogueiro que vos fala, caminhou uns passos pela rua de terra da periferia e parou ao lado de um esgoto ao ar livre. Ali, arrematou falando baixinho: “a realidade é que não tem outro jeito. E, a verdade é que o kirchnerismo recebe de novo qualquer um, se for para aumentar seu poder. Se até aceitaram o (ex-presidente e atual senador Carlos) Menem. Tudo cabe dentro do governo…”
EMPRESÁRIOS - A aproximação a Cristina também ocorre por parte dos industriais, antes arisco com as políticas intervencionistas do governo na economia. Há duas semanas 1.500 empresários a ovacionaram nas celebrações do dia da indústria. “A oposição não conseguiu apresentar uma proposta econômica melhor, somente algumas ideias para combater a inflação”, ilustrou o presidente da União Industrial Argentina (UIA), José Ignácio De Mendiguren. O setor ruralista, que em 2008 gerou a pior crise política do governo de Cristina agora mantém uma relação pacífica com a presidente.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Nestor Kirchner foi eleito em 2003 com 22% dos votos. Em 2007 colocou a máquina do Estado argentino para eleger sua própria esposa, a então senadora Cristina Kirchner, como sua sucessora presidencial. Até outubro do ano passado Nestor – considerado o verdadeiro poder no governo da mulher – era o candidato do casal presidencial para as eleições de 2011.
Desta forma, implementava-se o comentado plano “4+4+4+4”. Isto é, Néstor seguido de Cristina, seguido de Néstor novamente, seguido de Cristina mais uma vez, para completar um período de 16 anos. Mas, Kirchner morreu no dia 27 de outubro de 2010. Viúva, a saída para o governo foi a de uma reeleição presidencial de Cristina. O chefe do gabinete de ministros, Aníbal Fernández, disse há duas semanas que o kirchnerismo prepara-se para governar a Argentina durante os próximos “60 anos”.
A presidente Cristina Kirchner deu a largada à corrida eleitoral com objetivo de conseguir o terceiro mandato presidencial do kirchnerismo. Na noite da terça-feira ela acabou com o suspense que havia feito nos últimos meses e oficializou sua candidatura à reeleição em outubro. Nesta quarta-feira o cenário político argentino estava em polvorosa na expectativa da definição do candidato a vice-presidente, já que este despontaria como seu virtual sucessor, na ausência da possibilidade constitucional de disputar uma segunda reeleição em 2015. Os analistas políticos destacavam que a presidente, além de estar blindada contra os diversos escândalos de corrupção que assolam seu governo, está sendo favorecida pela recuperação econômica, além de uma fragmentação sem precedentes dos partidos de oposição.
Os analistas também ressaltam que Cristina é a favorita nas pesquisas de opinião pública, com uma ampla vantagem sobre os candidatos da oposição.
Caso vença nas urnas, Cristina emplacará o terceiro mandato do kirchnerismo, inciado em 2003 com seu marido, o presidente Nestor Kirchner (2003-2007). O segundo mandato do kirchnerismo foi protagonizado por Cristina, que sucedeu a seu próprio cônjuge, algo inédito na História mundial da democracia. O plano inicial do casal presidencial, até outubro do ano passado, era de uma candidatura de Kirchner para as eleições de 2011. No entanto, sua inesperada morte por um fulminante ataque cardíaco há oito meses, levou Cristina a tentar a sucessão de si própria.
O analista político e sociólogo Carlos Fara, da consultoria Fara e Associados, disse ontem ao Estado que suas pesquisas indicam que Cristina teria 47% das intenções de voto. Outros 18% estariam destinados a Ricardo Alfonsín, filho do ex-presidente Raúl Alfonsín (1983-89) e candidato da União Cívica Radical (UCR), de centro. Outros 14% dos votos seriam absorvidos pelo ex-presidente Eduardo Duhalde, que lidera uma das facções do peronismo dissidente. A deputada Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica, de centro-esquerda, obteria 9% dos votos, proporção significativamente inferior aos 25% que conseguiu nas eleições de 2007, quando ficou em segundo lugar. Outros 7% dos votos ficariam nas mãos de Hermes Binner, governador da província de Santa Fe.
Com estes resultados, Cristina venceria no primeiro turno, já que no sui generis sistema eleitoral argentino, um candidato vence se conseguir mais de 45% dos votos. Outra alternativa é que obtenha pelo menos 40% dos votos, sempre que o segundo colocado esteja dez pontos percentuais atrás.
Com valores similares à pesquisa de Fara, a consultoria Ceop indica que Cristina contaria com 48,2% das intenções de voto, enquanto Alfonsín possui 12,8%. O ex-presidente Duhalde teria 7,5%, enquanto que o governador de San Luis, Alberto Rodríguez Saá teria 5,5%. Carrió obteria 5,9%.
No en tanto, uma pesquisa da consultoria Management & Fit indicou que Cristina conta com 33,4%. Mas, Alfonsín teria menos da metade de sua intenção de voto, já que teria 15,3%. Duhalde obteria 5,8%, enquanto que Rodríguez Saá conseguiria 7%. Elisa Carrió ficaria com 4%.
Segundo Fara, “independentemente das variações que os números possam ter nos próximos meses, é praticamente uma certeza de que Cristina Kirchner ganhará na primeiro turno em outubro”. O analista destacou que as eventuais variações que podem ocorrer “é a somatória de dois ou três assuntos que possam remover alguns pontos da presidnete. Mas, aí a discussão é sobre qual a amplitude desses votos que poderia perder”.
Fara considera que entre os fatores que provocariam perda de votos está “a crescente inflação, uma atitude soberba do governo – tal como ocorreu em outras ocasiões – além dos escândalos de corrupção. Mas, embora acumulados, esses fatores não provocariam uma derrota do governo”.
“O fato é que estamos registrando os níveis mais altos de otimismo sobre o futuro econômico nos últimos oito anos, graças à obras públicas, entre outros. Matematicamente Cristina Kirchner poderia até obter alguns votos a mais dos 45% conseguidos em 2007”.
O vice-presidente argentino, Julio Cleto Cobos, que rachou com o governo Kirchner em 2008. Cristina agora busca um vice de total fidelidade e alinhamento automático, já que este poderia tornar-se seu sucessor. Charge de El Niño Rodríguez. Site do artista:http://www.elninorodriguez.com/
A SÍNDROME DE COBOS - As especulações no âmbito político indicam que uma potencial vice de Cristina seria sua cunhada, a ministra da Ação Social, Alicia Kirchner, irmã do ex-presidente Néstor Kirchner, que morreu em outubro passado de um ataque cardíaco fulminante. Os rumores também indicam que o vice poderia ser um governador do norte da Argentina, onde o kirchnerismo possui um reduto eleitoral. Entre os nomes mais citados estão o governador do Chaco, Jorge Capitanich, considerado um “ultra-kirchnerista”; Sergio Urribarri, de Entre Rios; e José Alperovich, de Tucumán.
Outras especulações – baseadas nas declarações realizadas durante seu discurso de lançamento, quando ressaltou que pretendia ser “uma ponte e as novas gerações” – reforçaram os boatos de que o futuro candidato a vice poderia ser um dos integrantes da jovem geração de seu gabinete, entre eles o ministro da Economia, Amado Boudou, e o secretário de Comunicação, Juan Abal Medina.
Além disso, na lista dos “vice-presidenciáveis” também desponta o nome de Carlos Zanini, o secretário jurídico do governo, um kirchnerista histórico, já que assessora os Kirchners desde os anos 80. Outro histórico é o deputado Nicolas Fernández, da província de Santa Cruz, aliado há um quarto de século.
Os analistas destacam que este vice será crucial, já que ao contrário dos tempos em que Nestor Kirchner estava vivo, Cristina não contará com seu marido para uma eventual alternância no poder. Desta forma, os analistas sustentam que o vice terá status de “sucessor” de Cristina.
A presidente também quer evitar a “síndrome de Cobos”, em alusão a seu atual vice-presidente, Julio Cobos, da UCR, que rachou com o governo Kirchner em 2008 quando, na categoria de presidente do Senado, com seu voto de Minerva provocou a derrota do governo na votação do “impostaço agrário”. Embora pressionado pela presidente, Cobos recusou-se a renunciar, fato que lhe valeu a denominação de “traidor”. Segundo os analistas, desta vez Cristina buscará um vice de alinhamento automático e que exiba uma “blindagem de fidelidade” à presidente.
A intriga sobre o vice terminará neste sábado, quando vence o prazo para o registro do nome que acompanhará Cristina na chapa presidencial.
Cristina Kirchner, do partido Justicialista, sublegenda Frente pela Vitória
Ricardo Alfonsín, União Cívica Radical (UCR)
Elisa Carrió, Coalizão Cívica
Hermes Binner, Partido Socialista
Eduardo Duhalde, Partido Justicialista, sublegenda União Popular
Alberto Rodríguez Saá, Partido Justicialista, sublegenda Peronismo Federal
Jorge Altamira, Partido Operário
Desistiram da corrida presidencial
O vice-presidente Juio Cobos, da UCR
O prefeito Maurício Macri, do Proposta Republicana
O deputado e cineasta Fernando Solanas, do Projeto Sul
SISTEMA ELEITORAL ARGENTINO E SEU SUI GENERIS SEGUNDO TURNO
Ao contrário de outros países, nos quais para vencer no primeiro turno é preciso 50% mais um dos votos, no sui generis sistema eleitoral argentino, para vencer na etapa inicial das eleições presidenciais basta obter 40% dos votos com uma vantagem de 10% sobre o segundo colocado. A outra opção é a de obter 45% dos votos, proporção suficiente para conseguir a vitória de forma automática.
O primeiro turno está marcado para o dia 23 de outubro. O segundo turno tem data para o 20 de novembro.
A posse do novo presidente será no dia 10 de dezembro.
Charge de jornal da Catalunha mostra o casal com uma única faixa presidencial.
PERANTE “EFEITO VIÚVA”, OPOSIÇÃO APRESENTA-SE FRAGMENTADA E IRRECONCILIÁVEL
“Efeito viúva” é a denominação do clima de compaixão que grandes setores da população argentina sentem pela presidente Cristina Kirchner, cujo marido, o ex-presidente Nestor Kirchner, morreu de um ataque cardíaco fulminante em outubro do ano passado. Em quase todos os discursos públicos que proferiu desde a morte de seu marido a presidente Cristina faz constantes alusões a Kirchner. Ostentando rigorosa vestimenta escura em sinal de luto, ela sustenta que seu marido, desde o além, marca seu caminho político.
Coincidentemente, desde a morte de Kirchner, Cristina disparou nas pesquisas de opinião pública.
“Estamos vendo um espetáculo de circo, um relato de um ato fictício. É óbvio que Cristina Kirchner está mentindo quando chora na frente dos pobres. O vestido preto forma parte de uma cena semiótica. O luto forma parte desse disfarce”, dispara Elisa Carrió, uma das candidatas presidenciais da oposição.
Mariel Fornoni, da consultoria de opinião pública Management & Fit, afirmou ao Estado que “o efeito viúva deveria começar a diluir-se por causa de todos os escândalos de corrupção que apareceram e continuam aparecendo”. Segundo Fornoni, “a presidente continua utilizando o nome do ex-presidente Kirchner em seus discursos. E com certeza continuará fazendo isso”. A analista sustenta que os casos de corrupção estão afetando a imagem da presidente Cristina.
No entanto, o analista político Carlos Fara afirmou ao Estado que “o efeito viúva já passou. As pessoas não votam mais por condolências”.
Quatro pinguins: Plano original dos Kirchners era um mandato de Néstor, um segundo de Cristina, um terceiro de Néstor e um quarto de Cristina. Mas, a morte de Néstor alterou os planos. Cristina só poderá disputar uma reeleição. Se quiser uma segunda reeleição, terá que mudar a Constituição. Em 1999 o então presidente Carlos Menem tentou arrancar da Corte Suprema um parecer favorável a seus planos de segunda reeleição, denominada ironicamente de “la re-reelección” ou simplesmente, “la re-re”.
FRAGMENTADA – Os diversos escândalos de corrupção que envolvem integrantes e ex-integrantes do governo Kirchner não teriam suficiente impacto para levar a presidente Cristina à uma derrota nas urnas em outubro. Segundo os analistas, a recuperação econômica – subsidiada amplamente pelo Estado argentino – seria o fator crucial para que os escândalos tenham pouco peso político atualmente.
Os candidatos da oposição são Ricardo Alfonsín, da UCR; Elisa Carrió, da Coalizão Cívica; o socialista Hermes Binner, os peronistas dissidentes Eduardo Duhalde e Alberto Rodríguez Saá, além do trotskista Jorge Altamira, irmão de Luis Favre, ex-marido da ex-prefeita Marta Suplicy. Mas, apesar de algumas negociações, os diversos candidatos não conseguiram formar alianças para enfrentar o governo.
Segundo Fornoni, a oposição continuará fragmentada: “a realidade é que ainda não deram mostras de poder articular-se”.
“Não acho que a oposição se unirá. Houve várias tentativas de coalizões, todas fracassadas. Não imagino nem Binner e Carrió fazendo uma aliança com a UCR”, sustentou Fara.
Cristina e Néstor na charge do cartunista argentino El Niño Rodríguez. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
A TEMPO DA COPA AMÉRICA E DAS ELEIÇÕES, CRISTINA LANÇA O “TV PARA TODOS”
Televisores baratos nas vitrines das lojas argentinas a tempo da Copa América, que começa no dia 3 de julho na cidade de La Plata, um dos principais redutos eleitorais do governo. Este foi o pontapé inicial da presidente Cristina Kirchner para começar sua campanha eleitoral. No anúncio feito em rede nacional de TV – junto com seu lançamento à reeleição – a presidente Cristina ressaltou que o programa governamental “TV para todos” (também chamado de “LCD para todos”) implicará na venda, a partir da sexta-feira da semana que vem, de 200 mil televisores de alta definição LCD de 32 polegadas com um aparelho acoplado que permitirá captar os sinais de TV digital.
“Sou uma presidente que não gosta de uma Argentina para poucos, mas sim, para muitos”, argumentou em defesa da distribuição de créditos do estatal Banco de la Nación para a compra dos televisores, que serão vendidos por US$ 675. A compra pode ser feita em até 60 vezes, isto é, cinco anos, coincidindo com as eleições presidenciais de 2015. “É pão e circo com molho eleitoral, vinculado à Copa América”, criticou o economista Gabriel Rubinztein.
Cristina também anunciou a licitação de 110 sinais de TV em todo o país para empresas privadas. Outros 110 sinais serão distribuídos de forma direta aos governos das províncias, universidades públicas, além de ONGs, setor onde o governo possui grande influência.
O quarteto de Pinguins da série televisiva originada no filme “Madagascar” assistem TV.
“PARA TODOS” - No último ano e meio o governo Kirchner lançou diversos programas sob a égide do “para todos”, que implica em produtos a preços mais acessíveis para a maioria da população. Desta forma, já anunciou o “carne para todos” (cortes de carne bovina a valores mais baixos do que a média do mercado); “milanesas para todos” (programa de distribuição com preços baixos do corte de bife à milanesa, um dos pratos mais populares do país).
Além disso, lançou o “futebol para todos” (estatização das transmissões dos jogos de futebol, que passaram dos canais de TV a cabo a serem veiculados no canal estatal 7, uma TV aberta). Até 2019 o governo desembolsará US$ 150 milhões por ano para a Associação de Futebol da Argentina (AFA) e os clubes em troca dos direitos de transmissão.
Há poucos meses a presidente anunciou o “botijões para todos” (gás em botijão mais barato para os setores da população que não possuem gás encanado); e merluza para todos (o peixe marítimo mais popular na gastronomia argentina), entre outros programas de subsídios.
A oposição acusa o governo de fazer “populismo” com estes programas e ressaltam que, na prática, não passam de subsídios para obter dividendos políticos para as eleições presidenciais de outubro.

Oposição afirma que programa de LDC para todos trata-se de espetáculo para distrair população dos problemas do país, além de servir para publicidade para o governo. “É pão e circo com molho eleitoral, vinculado à Copa América”, criticou o economista Gabriel Rubinztein. Charge de El Niño Rodríguez – “Kirchner crooner”. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
Nossa semana borgiana foi brevemente interrompida para colocar a postagem acima sobre o lançamento de Cristina Kirchner. Na próxima postagem voltaremos à programação original e encerraremos a semana sobre JL Borges com uma postagem sobre os “Mitos borgianos: Georgie e Mick Jagger”.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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“Os direitos não se mendigam… conquistam-se!” costumava afirmar Julieta Lanteri, a primeira sufragista da América do Sul.Sua biógrafa, a jornalista Araceli Bellota, a define com estas palavras: “foi uma consciente transgressora”.
No dia internacional da mulher, conto brevemente a história da primeira sufragista argentina (e da América do Sul, Julieta Lanteri). Depois, passamos ao quadro da crescente violência contra as mulheres na Argentina. E terminamos com um panorama do peso feminino no poder presidencial e parlamentar.
Julieta Lanteri (1873-32) foi uma pioneira das lutas pela igualdade de direitos das mulheres. Sem marido político para respaldar sua carreira, nem fundos estatais, Lanteri foi um símbolo de liberdade nas primeiras décadas do século XX.
Nascida na Itália, desembarcou aos seis anos de idade em Buenos Aires, acompanhada por seus pais.
Aos 18 anos decidiu que estudaria Medicina. No entanto, a profissão estava vetada para as mulheres. Lanteri contornou a proibição com uma permissão especial do decano da faculdade, Leopoldo Montes de Oca.
Entrou na faculdade em 1896 e formou-se em 1907.
Formada, fundou com sua colega Cecilia Grierson a Associação Universitária Argentina. Na sequência, fez seu doutorado em Medicina e Cirurgia.
“Solteirona” para os padrões da época, aos 36 anos ela casou-se com o americano (criado na Espanha) Alberto Renshaw, que não tinha fortuna, nem influências políticas ou intelectuais, e de quebra, era 14 anos mais jovem do que ela.
Na época, Lanteri, que sempre vestia-se impecavelmente de branco, estudava intensamente sobre saúde mental e decidiu candidatar-se para a cátedra de psiquiatria.
Mas, a faculdade negou seu pedido acadêmico com o insólito argumento de que era “estrangeira” (apesar de ter passado a maior parte de sua vida na Argentina).
Lanteri não se intimidou e solicitou a cidadania argentina. Após um ano de lutas, conseguiu a carta de cidadania (a segunda concedida no país).
O seguinte passo foi o de lutar pelo voto, na época um direito somente exercido pelos homens.
Em julho 1911 a prefeitura de Buenos Aires convocou os moradores da cidade para que se registrassem com dados atualizados nas listas de eleitores. A convocação indicava que deviam registrar-se “os cidadãos maiores de idade, residentes na cidade há pelo menos um ano, que tenham um comércio, indústria ou exerçam uma profissão liberal e paguem impostos municipais com valor mínimo de 100 pesos”.
Lanteri percebeu que a norma tinha uma brecha: ela não indicava nada sobre o sexo. Desta forma, um dia depois de conseguir a cidadania argentina, registrou-se nas listas eleitorais, e em novembro de 1911 apresentou-se para votar.
Na contra-mão do murmurinho generalizado e dos protestos de diversos homens que indicaram “indignação” com a presença feminina de Julieta Lanteri na sala de voto, o presidente de mesa Adolfo Saldías afirmou com entusiasmo: “estou alegre de ser quem assinará o documento do primeiro voto de uma mulher neste país e na América do Sul”.
Foi o primeiro e último voto feminino em 40 anos.
A notícia espalhou-se rapidamente, e em poucos dias o assunto era a polêmica da cidade. Na sequência, a Câmara de Vereadores de Buenos Aires emitiu uma lei que proibia explicitamente o voto às mulheres, alegando que os registros dos eleitores era feito com as listas dos registrados para o serviço militar.
Lanteri não se intimidou. Sem vacilar, apresentou-se perante as autoridades militares, exigindo sua admissão para o serviço militar.
Expulsa pelos funcionários dos quartéis, Lanteri foi ao próprio Ministério de Guerra e Marinha pedir ao ministro que fosse aceita como recruta.
A luta de Lanteri prolongou-se ao longo da década. Mas, em 1919, encontrou uma saída: a Constituição Nacional impedia as mulheres de votar… mas não havia impedimento para que fossem eleitas.
Desta forma, criou um partido, o Partido Nacional Feminista, e em abril de 1919 candidatou-se a deputada. Desta forma, tornou-se a primeira mulher a ser candidata na História da Argentina. Não foi eleita. Mas não desistiu de sua luta.
Em 1932 foi atropelada de forma misteriosa em pleno centro portenho, na esquina da avenida Diagonal Norte e da rua Suipacha. Tinha 59 anos e estava enfrentando o governo do general Agustín Justo.
“Os direitos não se mendigam… conquistam-se!” costumava afirmar Julieta Lanteri, a primeira sufragista da América do Sul.
VOTO - A socialista Alicia Moreau de Justo, que fundou em 1918 a União Feminista Nacional, elaborou um projeto de lei em 1932 que estabelecia o sufrágio feminino. No entanto, foi necessário esperar até 1947, quando Eva Perón, cujo marido era o presidente Juan Domingo Perón, ressuscitou a ideia e conseguiu sua aprovação. Desta forma, as argentinas puderam votar em massa em 1951.
Nos tempos da Inquisição: Ilustração de 1531 mostra uma mulher, acusada de ser bruxa, sendo queimada em uma fogueira na cidade de Schlitach. A mulher em questão era acusada de ter sido cúmplice do “demônio” no incêndio da cidade, localizada no lado esquerdo da imagem. O livro com ilustração está na Zentralbibliothek, Zurich, Suíça. Atualmente, no século XXI, mulheres continuam sendo queimadas vivas em diversas partes do mundo por seus cônjuges, ex-cônjuges e similares.
MULHERES QUEIMADAS - O dia internacional das mulheres está tendo na Argentina um sabor amargo, já que desde o início deste ano 13 mulheres foram queimadas por seus cônjuges/namorados/ex-maridos/amantes. Destas, apenas quatro sobreviveram.
O fenômeno está chamando a atenção, já que em todo 2010 o número de mulheres queimadas por homens foi de 11, volume que já estava causando grande preocupação no ano passado.
O fenômeno, afirmam os analistas, parece ter aumentado depois que o baterista Eduardo Vázquez, ex-integrante do grupo de rock “Callejeros”, foi acusado de incinerar sua esposa, Wanda Taddei, em fevereiro do ano passado. Wanda morreu dias depois que seu marido lhe jogasse álcool e acendesse um cigarro ao lado dela. O ato lhe provocou graves queimaduras em 60% do corpo.
O último caso, registrado neste fim de semana, ocorreu na província de Santiago del Estero, A vítima, uma garota de 17 anos, mãe de um bebê de 7 meses, foi queimada por seu namorado, de 22 anos. A jovem, que saiu correndo em chamas de sua casa, foi socorrida pelos vizinhos. O namorado, que está detido, alegou que estava na cama, brincando com o bebê, quando repentinamente viu a mulher “inexplicavelmente” em chamas.
A penúltima vítima, em fevereiro, era de Florencio Varela, na Grande Buenos Aires. Na ocasião o marido da vítima a banhou em acetona e depois lhe jogou um fósforo aceso.
Neste domingo, na província de Santa Fe, outro homem tentou queimar sua namorada, grávida de 8 meses. No entanto, foi salva a tempo por seu cunhado.
Na Argentina no ano passado um total de 260 mulheres foram assassinadas dentro de crimes classificados de “violência de gênero”.
Nos primeiros dois meses deste ano treze mulheres haviam sido assassinadas em toda a Argentina por violência de gênero.
DADOS:
- Do total de mulheres vítimas de violência de gênero, 18% são jovens de menos de 18 anos de idade.
- Do total de mulheres vítimas de violência de gênero, 51% foram alvo dos ataques de cônjuges, ex-cônjuges ou amantes e namorados.
PESO PRESIDENCIAL – Em 1974 María Estela Martínez de Perón – uma ex-dançarina de cabaré no Panamá – assumiu a presidência da Argentina. Mais conhecida por seu apelido, “Isabelita”, ela chegava ao poder por ser a vice-presidente do marido defunto, Juan Domingo Perón, que no ano anterior havia sido eleito nas urnas.
Isabelita durou menos de dois anos no posto. Controlada pela eminência parda do governo, o ministro José López Rega, Isabelita exerceu uma presidência desorientada e caótica. Foi derrubada por um golpe militar em 1976.
Isabelita, formalmente, foi a primeira mulher presidente da Argentina. No entanto, assumiu por ser a vice do marido.
A primeira mulher a ser eleita diretamente para o cargo de presidente foi Cristina Kirchner, que sucedeu seu próprio marido, Néstor Kirchner, na presidência do país.
Nas eleições que venceu com 45% dos votos, sua principal adversária foi outra mulher, Elisa Carrió, líder da opositora Coalizão Cívica, que obteve 23% dos votos.
Desta forma, as duas mulheres obtiveram juntas 68% dos votos emitidos.
PESO PARLAMENTAR - Em 1991, durante o governo do presidente Carlos Menem (1989-99), o Congresso Nacional aprovou a lei que determina que os partidos políticos são obrigados a contar com um mínimo de um terço de candidatas mulheres.
Na época, a Câmara de Deputados e o Senado somente contavam com 6% de presença feminina.
Os resultados dessa lei, a primeira desse gênero nas Américas, foram comprovados em 1993. Graças à nova norma, a proporção de mulheres parlamentares subiu para 13,6% em 1993.
Atualmente as mulheres ocupam 38,8% das cadeiras do Senado. Além disso, estão presentes em 36,5% das cadeiras da Câmara de Deputados na Argentina.
PESO MINISTERIAL - Apesar da presença de uma mulher na presidência da Argentina, o peso feminino no gabinete presidencial é baixo. De um total de 16 pastas a presidente Cristina somente possui três mulheres ministras (uma delas é sua própria cunhada, Alicia Kirchner, ministra que herdou do marido e antecessor, o ex-presidente Néstor Kirchner).
Isto é, o gabinete possui apenas 18,7% de mulheres com hierarquia ministerial.
Além disso, das cinco secretarias de Estado do governo Cristina, nenhuma é comandada por mulheres.
UM BAIRRO ‘FEMININO’: As ruas de Puerto Madero, bairro criado nos anos 90 em Buenos Aires, conta exclusivamente com ruas com nomes de mulheres argentinas que lutaram pelos direitos de igualdade. Entre elas há médicas, intelectuais, políticas, líderes sociais, escritoras e até heroínas da independência.
Para mais detalhes sobre cada uma delas, clique aqui.
E para terminar a jornada, duas tirinhas de Mafalda… elas são dos anos 60. Mas é impressionante como são vigentes.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).
“Lilita” para os amigos; “La Gorda” segundo seus críticos; e “periférica e provinciana” segundo a própria líder da Coalizão Cívica. Caricatura de El Niño Rodríguez. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
“Cavaleira templária da República”. Esta é uma das definições aplicadas a Elisa Avelina Carrió, conhecida por sua honestidade – definida como “inquestionável” mesmo por seus rivais – e a visceral luta pela ética (na costumeiramente corrupta política argentina). Desde que entrou na política por acaso em 1994, ela foi considerada o “bastião da pureza republicana” e a principal fonte de denúncias de casos de corrupção dos governos de plantão.
Seus inimigos, ex-colegas e atuais correligionários reconhecem que possui um temperamento político “apaixonado”, “retumbante” e “genial”. Mas, também afirmam que freqüentemente é “precipitada” e “intempestiva”, além de mudar de planos constantemente. Os críticos também a acusam de ser “apocalíptica”, já que constantemente alerta para cenários políticos caóticos.
Carrió nasceu em 1956 na cidade de Resistencia, capital da província do Chaco, no norte do país. Na juventude, graças à sua longilínea figura, foi Miss provincial. Casou-se aos 17 anos e foi mãe pouco depois. Tudo indicava que Elisa Carrió seria uma esposa dócil, tal como milhares no machista norte da Argentina. Mas o destino lhe reservava uma guinada.
Em 1994, seu pai, um caudilho local da União Cívica Radical (UCR), estava doente. Ele pediu à filha que participasse em seu lugar da Constituinte de 1994, que reformaria Carta Magna.
Desta forma, “Lilita”, como era chamada carinhosamente pelos parentes e amigos, largou advocacia e – apadrinhada pelo pai e o ex-presidente Raúl Alfonsín, entrou na política. Esta atividade coincidiu com um aumento exponencial de peso que lhe valeu o apelido de “La Gorda” (A Gorda), utilizado tanto pelos fãs como seus críticos.
“Gorda, provinciana, marginal e periférica”. Normalmente esta seqüência de adjetivos seria proferida por alguém contra um inimigo. No entanto, é a auto-definição que Carrió orgulhosamente ostenta.
Esta robusta parlamentar chacoalhou a política argentina ao denunciar casos de corrupção dos governos dos ex-presidentes Carlos Menem, Fernando De la Rúa e Néstor Kirchner. Além disso – algo insólito neste país – levou as investigações até o final, apesar da oposições dos governos de plantão e de parte da oposição que poderia ser envolvida nos escândalos.
No ano 2000 deixou a UCR e fundou seu próprio partido, o Alternativa por uma República Igualitária (ARI). Depois deixou o partido e criou a Coalizão Cívica, uma união de tecnocratas, políticos e intelectuais que pretendem realizar uma “limpeza ética” da República. Carrió afirma que a Argentina é governada por máfias.
Em 2003 foi candidata presidencial. Nas urnas ficou em quinto lugar, com 14,05% dos votos.
Em 2007, ano da vitória de Cristina Kirchner nas eleições presidenciais, Carrió ficou em segundo lugar, com 23,04% dos votos.
Nas eleições parlamentares de 2009 Carrió formou uma coalizão com a UCR e o Partido Socialista, o Acordo Cívico e Social, que transformou-se na força política mais votada do país. No entanto, em 2010 a própria ‘Lilita’ deixou essa aliança, levando consigo parte de seu partido.
Carrió não esconde seu fervor religioso. Vai à missa diariamente em qualquer parte do mundo em que estiver. Sua casa está cheia de imagens da Virgem Maria. Os analistas afirmam que ela se considera destinada à gesta de limpar a Argentina da corrupção endêmica. São freqüentes as comparações com Joana D’Arc ou a mística freira Juana Inés de la Cruz.
Alternando gíria com elaboradas análises sociológicas, esta leitora de Soren Kierkgaard e Sigmund Freud costuma deixar boquiabertos jornalistas e parlamentares com analogias filosóficas e psicanalíticas sobre a política nativa.
Søren Kierkegaard, filósofo preferido da presidenciável argentina. Esboço feito em 1840 por Niels Christian Kierkegaard.
CRUZ - Profundamente religiosa, carrega no peito uma anabolizada cruz da Santíssima Trinidade e vai à missa todo dia.
EX-SARTRIANA - “Fui sartriana. Mas agora sou mais para o lado de Kierkgaard…Nunca gostei do poder”.
PREÇOS - “Há preços que nunca vou pagar. Um deles é ter aparato”.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Néstor Kirchner, já primeiro-cavalheiro, faz discurso em defesa do governo da mulher e sucessora. O ex-presidente, considerado o verdadeiro poder no governo de Cristina Fernández de Kirchner, morreu em outubro passado. Sua morte alterou o mapa político do país. A nova configuração dessa cartografia do poder ainda não está clara (foto da presidência da República).
A presidente Cristina Kirchner completou em dezembro três anos de governo. Ela também começou a reta final de seu mandato, já que restam-lhe pouco mais de 340 dias na Casa Rosada, o palácio presidencial. No entanto, a intenção do governo é que Cristina não se restrinja a este ano que lhe resta e que dispute as eleições presidenciais previstas para daqui a dez meses. Ao longo das últimas semanas diversos ministros de seu gabinete afirmaram que ela é a candidata.
O chanceler Héctor Timerman declarou que “não vislumbra outro candidato” e que a presidente é a “opção natural” do governo. Timerman sustentou que a candidatura de Cristina Kirchner expressa “a vontade do povo argentino”.
De quebra, diversos governadores respaldaram sua reeleição, além de centenas de prefeitos peronistas que reuniram-se com ela em meados de dezembro na residência oficial de Olivos.
Este também será o primeiro ano que a presidente Cristina passa sem seu marido e antecessor no cargo, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007), considerado o verdadeiro poder no governo da mulher até sua morte, ocorrida no dia 27 de outubro. Na manhã desse dia Kirchner sofreu um ataque cardíaco fulminante.
De lá para cá o governo passou por uma primeira etapa de paralisia pela morte do líder, que centralizava todas as decisões, da política à economia. Depois, ficou desorientado, com o surgimento de brigas entre ministros, que antes eram disciplinados pelo temperamental Kirchner. Para complicar, surgiu o escândalo WikiLeaks, com telegramas americanos que indicavam que a secretária de Estado dos EUA. Hillary Clinton, estava preocupada pela “saúde mental” da presidente argentina e perguntava a seus diplomatas quais “remédios” ela tomava.
Mas, entre meados de novembro e início de dezembro, perante a apatia da oposição, a presidente Cristina começou a dar uma guinada que incluiu a moderação do discurso; a reaproximação com o FMI (organismo que seu marido abominava) e uma leve redução dos decibéis de críticas à imprensa.
Os analistas afirmam que o ano que resta de mandato de Cristina Kirchner poderá ser significativamente diferente aos três anos anteriores, marcados pela presença do marido.
ALTOS E BAIXOS E ALTOS - Mariel Fornoni, diretora da consultoria Management & Fit afirmou ao Estado que Cristina Kirchner havia começado relativa recuperação de sua imagem em setembro graças à recuperação econômica. Mas, em outubro, a morte de seu marido, o consequente período de luto – o denominado “fator viúva” – e um comportamento mais “moderado” de Cristina melhoraram drasticamente a imagem da presidente.
No entanto, depois dos incidentes ocorridos no dia 10 de dezembro, quando três imigrantes bolivianos e paraguaios foram mortos pelas forças de segurança – e centenas de outros foram espancados por moradores do bairro portenho de Villa Soldati (perante a omissão do governo federal) – a imagem da presidente voltou a cair.
Os incidentes – que incluíram as ocupações de uma dezena de terrenos em várias áreas da Grande Buenos Aires e da cidade de Buenos Aires por parte de milhares de favelados e sem-teto – abalaram tanto o governo Kirchner como o prefeito portenho Maurício Macri, da oposição.
Mas, segundo a consultoria Poliarquia, entre altos e baixos, a presidente Cristina encerrou o ano melhor do que começou.
A pesquisa da Poliarquia – que não chegou a medir o impacto dos recentes conflitos sociais – indica que sua imagem negativa caiu 30 pontos, enquanto que sua imagem positiva melhorou em 36 pontos.
Dessa alta, 20 pontos foram obtidos imediatamente após a morte de Kirchner em outubro. O resto da alta foi conseguido de forma gradual ao longo do ano.
Desta forma, a presidente Cristina conta hoje com 57% de imagem positiva e 21% de imagem negativa.
Cristina Kirchner optou, na cúpula de Mar del Plata, por não aceitar o pedido do presidente venezuelano Hugo Chávez de fazer uma condenação pública dos EUA por causa do escândalo WikiLeaks.
“MODERAÇÃO” – “Cristina está moderando seu discurso e reduziu as críticas à imprensa. Durante a cúpula ibero-americana em Mar del Plata, no início do mês, ela ficou mais do lado do Chile e do Brasil, que preferiam moderação com os EUA pelo escândalo WikiLeaks, distante dos países ‘bolivarianos’ como a Venezuela, Bolívia e Equador, que queriam uma condenação conjunta”, afirma Fornoni. “Ora, Cristina é muito mais racional do que Néstor Kirchner”, em referência aos acessos de raiva e medidas que o ex-presidente tomava por questões passionais.
“Parece que Cristina tinha um plano na cabeça que estava em stand by enquanto Kirchner estava vivo”, afirma ao Estado o colunista político Carlos Pagni, do jornal “La Nación”.
Segundo Pagni, a morte de Kirchner remove de cima do governo um “passivo eleitoral”: “Kirchner era um péssimo candidato para as eleições presidenciais de 2011. Ele possivelmente teria levado o kirchnerismo à derrota. O governo perdeu um grande passivo, enquanto que a oposição perdeu um grande ativo com sua morte. A oposição terá que se reorganizar, já que todos cresciam nas pesquisas só pelo fato de opor-se a Kirchner. Isso acabou”.
Em sintonia, Fornoni afirma que “a oposição, com a morte de Kirchner, está desorientada. Era mais fácil bater no governo quando Kirchner estava vivo. E, para complicar a situação, a oposição não está conseguindo seduzir a população”.
Pagni considera que o governo tentará ser moderado nos próximos tempos, ao contrário dos anos anteriores, quando Kirchner pairava sobre a administração de Cristina: “se tivessem me perguntado antes da morte de Kirchner quantas crises políticas de grande tamanho ele provocaria antes de dezembro do ano que vem, eu teria respondido ‘umas três’. Mas, atualmente, não vejo as possibilidades dessas grandes crises. Kirchner era uma máquina de produzir furações e maremotos em um vaso de flores, como a crise com o campo, a remoção do presidente do Banco Central. Isso não vai ocorrer mais desse jeito”.
Santiago Kovadloff analisa prós e contras dos primeiros três anos de governo Cristina
CRISTINA KIRCHNER É CAUDILHA PROVINCIANA COM TOQUES DE VANGUARDA, DIZ FILÓSOFO
“A presidente Cristina Kirchner teve três anos de governo peculiar. Ela teve atitudes de vanguarda ao mesmo tempo de atitudes conservadoras, caudilhescas e provincianas”. A frase é do filósofo e ensaísta argentino Santiago Kovadloff, que em entrevista ao Estado analisou os três anos de governo da presidente Cristina e as perspectivas para o último ano de seu mandato.
Estado – Como definiria o estilo de governar de Cristina?
Kovadlof – Para consolidar o poder que alcançaram em 2003, os Kirchner seguiram um procedimento de capitalizar a fragilidade institucional que existia na época a favor de uma liderança fortemente pessoal. De lá para cá houve uma alta concentração do Poder Executivo, a permanente crítica e ofensa da oposição, a exploração da cultura caudilhesca em detrimento das instituições republicanas. Desde que Cristina assumiu o poder em 2007, ela esteve sob forte influência de seu esposo. No entanto, desde a morte de Kirchner desponta uma Cristina livre do peso do marido, que mostra mais moderação e emite sinais de que não é tão “kirchnerista”, de forma a conquistar setores da classe média que a rejeitavam…
Estado – A sociedade vai acreditar em uma “deskirchnerização” de Cristina?
Kovalodff – Veremos se a sociedade vai encarar isso como uma mudança real ou se somente será algo superficial. Mas, se a oposição não emitir sinais claros de que é capaz de superar suas divergências internas, é bem possível que boa parte do empresariado e da opinião pública respaldem a candidatura de Cristina.
Estado – Considera que a oposição conseguiria unir suas forças?
Kovadloff – Se a intenção de voto para Cristina no primeiro turno não for muito elevada, a oposição poderá ter o luxo de desfrutar de sua fragmentação. Mas, se as chances de Cristina forem elevadas, a oposição precisará de um candidato de consenso. No entanto, tal como o cenário desponta, os riscos de que a oposição faça acordos de forma apressada são maiores do que a possibilidade de que a convergência seja o resultado de um acordo longamente meditado.
Estado – Uma coisa é que a oposição una forças e ganhe a eleição. Mas outra é que tentar governar nos quatro anos seguintes..
Kovadloff – São dois passos sucessivos e não necessariamente complementares…
Estado – Quais os pontos positivos e negativos destes três anos de governo?
Kovadloff - O governo tem vários pontos positivos, embora isso não altere sua orientação despótica e caudilhista. Cristina criou programas para ajudar famílias pobres, manteve a Corte Suprema que recebeu, respaldou leis de vanguarda como o casamento de pessoas do mesmo sexo, além de criar o ministério de ciência e tecnologia e estimular a cultura nacional. Ela também reaproximou-se dos EUA e reforçou a aliança com o Brasil. Não são conquistas conjunturais. São estruturais. Mas, ao mesmo tempo, seu governo foi espantosamente retardatário, ao ser sectário com todos aqueles que não concordam 100% com a presidente, o desinteresse pelo diálogo com a oposição, as pressões à imprensa, suas alianças com os conservadores caudilhos do norte do país, a corrupção. Este governo foi de uma insularidade provinciana…
GOVERNADORES E AS ELEIÇÕES ANTECIPADAS – As 24 províncias argentinas (incluindo o distrito federal) possuem algumas peculiaridades que as tornam diferentes aos estados brasileiros. Embora economicamente elas possuam uma maior dependência do governo federal, elas são mais autônomas no que concerne ao lado eleitoral. Desta forma, uma assembleia legislativa de uma província “X” pode determinar uma modificação das normas sobre reeleição de governadores.
Isto é, enquanto que a constituição nacional permite apenas uma reeleição presidencial consecutiva, existem várias constituições provinciais que permitem reeleições indefinidas. Outras não permitem reeleição alguma. E outras, como no sistema presidencial, permitem apenas uma reeleição.
Essa autonomia também vale na hora de marcar a data das eleições para governador. Cada província tem o direito de marcar a eleição provincial na data em que quiser.
Este direito será usado intensamente neste ano, já que onze províncias (pelo menos) deixaram claro que pretendem “desdobrar” as eleições. Isto é, fazer as eleições provinciais antes das eleições presidenciais.
Este desdobramento indica que os governadores (tanto do governo como da oposição( consideram que o cenário político para as eleições presidenciais é de total incerteza. E portanto, preferem evitar riscos de ‘afundar’ junto com o governo ou com a oposição em outubro.
OPOSIÇÃO COMEÇA A APRESENTAR CANDIDATURAS
Em julho do ano passado, quando a presidente Cristina Kirchner sofreu uma fragorosa derrota nas eleições parlamentares, obtendo somente 30% dos votos contra 70% da totalidade dos partidos da oposição, os analistas e a opinião pública acreditavam que os diversos partidos críticos da administração kirchnerista organizariam uma frente sólida contra o governo. Na época, a expectativa era que dali apareceria um candidato presidencial de consenso para a sucessão da presidente Cristina.
Mas, um ano e meio depois, o cenário é diametralmente outro. Ciumentos uns dos outros, os líderes dos principais partidos da oposição – a União Cívica Radical (UCR), de centro; a Coalizão Cívica, de centro-esquerda; o Projeto Sul, de esquerda, e a Proposta Republicana e o peronismo dissidente, de centro-direita – foram incapazes de negociar o consenso.
De quebra, não conseguiram formar um bloco consistente contra o governo no Parlamento. “O governo é minoria no Congresso, mas está unido. A oposição é maioria, mas está dividida e não possui uma liderança que articule suas ações”, disse ao Estado o analista político Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nueva Mayoría.
Neste contexto de profundas divisões e troca de acusações, os partidos de oposição aproveitaram o último mês do ano para anunciar seus pré-candidatos presidenciais.
No início de dezembro, o primeiro foi Ricardo Alfonsín – filho do ex-presidente Raúl Alfonsín – que lançou sua candidatura pela União Cívica Radical (UCR), de centro. Uma semana depois foi a vez do principal líder da esquerda, o diretor de cinema e deputado Fernando “Pino” Solanas, do partido Projeto Sul.
A deputada Elisa Carrió, conhecida como “a caçadora de corruptos”, por sua constante denúncia de casos de corrupção, líder da Coalizão Cívica, de centro, que pretendia lançar sua pré-candidatura em janeiro, antecipou seus planos e também anunciou seu lançamento em dezembro.
O ex-presidente provisório Eduardo Duhalde (2002-2003) também apresentou sua pré-candidatura à presidência da República, pouco antes do Natal.
Duhalde, um dos líderes do Peronismo Federal, também denominado de “Peronismo dissidente”, de oposição ao governo da presidente Cristina Kirchner, integra o setor do partido Justicialista (Peronista) que reúne os peronistas insatisfeitos com o governo Kirchner.
Dias antes de seu lançamento a presidente Cristina sugeriu que o ex-presidente estava por trás dos incidentes nas ocupações de terrenos na cidade de Buenos Aires e na Grande Buenos Aires por parte de favelados e sem-teto. Segundo ela, o Duhalde “apadrinhou” os incidentes. Duhalde retrucou: “há cinco anos tentam me culpar de tudo o que acontece no país”.
O prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, do Proposta Republicana, de centro-direita, deu sinais a seus correligionários nos últimos dias de que não disputaria a presidência da República. Ele tentaria a reeleição da prefeitura portenha em 2011. No entanto, dias depois Macri – famoso por oscilar com frequência – mudou de ideia e anunciou que possui mais “vocação de presidente” do que de tentar uma reeleição para a prefeitura.
No entanto, todo este cenário poderia ser bastante alterado em caso de eventual retirada da candidatura da presidente Cristina (seus ministros a estão empurrando para a reeleição, mas ela ainda não se pronunciou sobre o caso). Os analistas destacam que será preciso avaliar como nos próximos meses pesará no lado emocional da presidente a ausência do defunto marido.
No caso de retirada da candidatura de Cristina especula-se no nome do governador de Buenos Aires, Daniel Scioli, como candidato do governo à presidência. Scioli, que já foi o vice de Néstor Kirchner, é encarado como um candidato que poderia gerar um retorno de diversos peronistas dissidentes. Uma espécie de nome de consenso que – sem gerar grande entusiasmo – seria útil para ocupar a presidência da República enquanto as forças peronistas se reacomodam e definem o surgimento de um novo caudilho.
Os analistas também destacam que o silêncio de Cristina sobre sua própria candidatura poderia ser uma estratégia para esperar uma época mais próxima às eleições para oficializar seu lançamento. Uma espécie de golpe de efeito para atordoar a oposição.
PRESIDENCIÁVEIS
CENTRO/CENTRO-ESQUERDA/com touchs de centro-direita
- Pelo partido Peronista, ou mais especificamente pela sub-legenda Frente para a Vitória
Cristina Kirchner
(e Daniel Scioli, caso a presidente Cristina não se apresente à reeleição)
CENTRO
- Pela União Cívica Radical (UCR)
Julio Cobos
Ricardo Alfonsín
Ernesto Sanz
- Pela Coalizão Cívica
Elisa Carrió
CENTRO-ESQUERDA
- Pelo Socialismo
Hermes Binner
CENTRO-DIREITA
- Pelo Peronismo dissidente
Eduardo Duhalde
Carlos Reutemann (embora semanas atrás, mais uma vez, disse que não seria candidato e afastou-se do Peronismo Federal ou ‘dissidente’)
Felipe Solá
Mario das Neves
- Pelo Proposta Republicana (Pro)
Maurício Macri
ESQUERDA
- Pelo Projeto Sul
Fernando ‘Pino’ Solanas
Independentes (candidatos sem chance alguma de passar de 2% das intenções de voto, embora afirmem que serão candidatos)
- Carlos Menem
- Alberto Rodríguez Sáa
A partir desta 3afeira – a não ser por caso de força maior – teremos os perfis dos vários candidatos presidenciais que estão despontando (com chances ou sem chances):
Começaremos por Elisa Carrió na 3afeira
Eduardo Duhalde será na 4afeira
Maurício Macri na 5afeira
Julio Cobos, Ricardo Alfonsín e Ernesto Sanz serão na 6afeira
Fernando ‘Pino’ Solanas e Hermes Binner no sábado
E Carlos Reutemann, Carlos Menem e outros peronistas dissidentes no domingo.
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