Amado Boudou, vice-presidente argentino, na 6afeira passada durante uma coletiva de imprensa que não permitiu perguntas dos jornalistas. Monólogo do vice, ex-ministro da Economia,durou 45 minutos.
O “Boudou-gate”, irônica denominação do escândalo de corrupção cujo principal suspeito é o vice-presidente Amado Boudou, provocou nesta terça-feira por efeitos colaterais a primeira baixa nas fileiras do governo com a renúncia do procurador-geral da República, Esteban Righi. O motivo da saída de Righi – um histórico peronista – foi a denúncia feita pelo vice-presidente na sexta-feira passada, quando acusou Righi e seus assessores de terem tentado suborná-lo em 2009. Na ocasião, Boudou, para esquivar explicações sobre seu suposto envolvimento em tráfico de influências, disparou acusações contra a mídia e integrantes da oposição. No entanto, causou surpresa ao atacar diversos aliados do governo, entre eles Righi.
“Meu passado me defende. A esta altura de minha carreira não tenho que me defender do ataque de Boudou”, teria dito Righi, visivelmente ofendido, a um grupo de amigos na segunda-feira à noite. Ontem à tarde, Righi apresentou formalmente sua renúncia à presidente Cristina. Na carta, o ex-procurador indica que as acusações de Boudou são falsas.
O vice é suspeito de tráfico de influências na licitação da Casa da Moeda que favoreceu a empresa Companhia de Valores Sul-americana, a maior gráfica do país especializada na impressão de cédulas de pesos.
O contrato da Casa da Moeda é para imprimir 50% do total das notas de 100 pesos (seriam 600 milhões de notas).
O dono da empresa, Alejandro Vanderbroele, é – segundo sua ex-esposa, Laura Muñoz – testa de ferro de Boudou. O vice-presidente, no entanto, afirmou publicamente que nunca viu Vanderbroele em sua vida. Mas, Muñoz retruca e afirma que seu ex e o vice são amigos de longa data. Por este motivo, o juiz Rafecas também está investigando Boudou por suposta lavagem de dinheiro.
Além disso, a Justiça investiga se Boudou interferiu a favor da suspensão do estado de falência da gráfica quando foi comprada por Vanderbroele.
Na quinta-feira passada o juiz federal Daniel Rafecas ordenou uma blitz no apartamento que Boudou possui no elegante bairro de Puerto Madero. O vice aluga o imóvel para Fabián Carosso Donatiello, sócio e amigo de Vanderbroele. Mas, na hora em que as forças de segurança entraram no apartamento para fazer a blitz, o imóvel estava totalmente vazio, já que o inquilino não visita o país desde o ano passado. No entanto, o juiz verificou que Vanderbroele paga o condomínio e a TV a cabo do apartamento que Boudou aluga para Donatiello.
Além disso, embora o vice diga que não possui vínculo algum com o empresário, Boudou mora em um apartamento em Puerto Madero que – coincidentemente - aluga de outro sócio de Vanderbroele.
Boudou participa de uma cerimônia oficial na Casa Rosada.
Na sexta-feira, perante o crescimento do escândalo, Boudou – “desesperado”, segundo os analistas políticos – convocou uma coletiva de imprensa para explicar sua posição. Mas, em vez de responder as perguntas dos jornalistas, fez um monólogo de 45 minutos ao longo dos quais lançou uma saraivada de acusações contra a oposição e alguns integrantes do próprio governo Kirchner.
Na segunda-feira, perante o crescimento de pedidos da oposição para que Boudou explicasse porque não havia denunciado a suposta tentativa de suborno feita pelos assessores de Righi, o vice-presidente foi aos tribunais apresentar uma denúncia contra o escritório de advogados do ex-procurador.
Segundo o vice, o escritório de advogados de Righi ofereceu fazer lobby para Boudou,para evitar problemas na Justiça (tal como possui agora, com Vanderbroele). Boudou rejeitou a oferta na época. E, coincide, que o promotor que pediu a investigação sobre o vice é Carlos Rívolo, protegido de Righi.
Boudou também acusou o juiz Rafecas, indicando que age como “uma agência de notícias”, filtrando informações à imprensa. Rafecas, até este escândalo, era um dos juízes mais elogiados pelo kirchnerismo.
O analista político e ex-embaixador Jorge Asís, sustenta que em seu “tobogã” de queda de popularidade “a presidente Cristina cometeu três erros gaves em relação a Boudou. O primeiro foi designá-lo vice; o segundo, o de sustentá-lo mesmo quando o escândalo estava crescendo sem parar. O terceiro, o de ter armado uma defesa de seu vice quando já era tarde demais”.
O vice-presidente Boudou, segundo uma pesquisa elaborada pela consultoria Isonomia, está com a credibilidade arrasada: somente 15,4% dos entrevistados consideram que é totalmente inocente deste escândalo de corrupção.
O ataque a Righi feito por Boudou – que os peronistas tradicionalistas encaram como um ex-neoliberal arrivista no peronismo – foi criticado pelo filósofo Ricardo Foster, um dos líderes do Carta Abierta, grupo de intelectuais ultra-kirchneristas. “Tenho muito respeito por Righi e pelo juiz Rafecas”, disse Foster. “A Justiça seguirá seu caminho, independentemente do que o vice diga”, afirmou o filósofo, em uma inédita crítica a Boudou.
Setores da oposição pedem o julgamento político do vice. Além disso, dentro do próprio governo, um grupo quer que Boudou renuncie, enquanto outros setores consideram que isso implicaria em um imenso custo político. Em off, um alto ex-ministro do ex-presidente Nestor Kirchner afirmou ao Estado que “Cristina não removerá Boudou. Não somente porque isso implicaria em um custo político que ela não quer enfrentar. Mas, principalmente por teimosia. Ela quis colocar Boudou no posto de vice-presidente e não atura que alguém possa lhe recomendar o contrário”.
Na quarta-feira à noite a presidente Cristina Kirchner definiu que o novo procurador-geral da República será Daniel Reposo, homem que colaborou com Boudou em 2009 quando o então economista era o diretor da ANSES, o sistema previdenciário argentino.
No entanto, a designação de Reposo dependerá do Parlamento. Mas, ali o governo possui uma confortável maioria.
Esteban “Bebe” Righi, peronista militante há cinco décadas, renunciou por causa de Boudou, peronista há meia década.
1973, a “Primavera Peronista”: Esteban “Bebê” Righi, na extrema direita da foto. A seu lado, o então presidente Héctor Cámpora.
RIGHI, HISTÓRICO DA ESQUERDA PERONISTA – Esteban “Bebê” Righi – militante do partido peronista há meio século – foi ministro do interior durante os três meses de governo do presidente Héctor Cámpora, em 1973, quando centenas de prisioneiros políticos, entre os quais dezenas de montoneros, foram colocados em liberdade. O período, conhecido como a “primavera peronista”, é admirado pelos atuais integrantes do governo, a maioria dos quais eram jovens militantes nos anos 70, tal como a própria presidente Cristina Kirchner.
Righi, na época, tinha 35 anos. Sua juventude e sua cara arredondada valheram-lhe o apelido de “Bebê”.
Em 2005 o então presidente Nestor Kirchner designou Righi para o posto de procurador-geral da república. O experiente advogado deixou seu escritório, administrado por sua mulher e filho, que continuou com uma carteira de clientes que incluem o ministro do Planejamento Julio De Vido, o secretário de Comércio Interior Guillermo Moreno e o ministro do Trabalho, Carlos Tomada.
No novo posto, Righi foi útil ao governo, arquivando uma série de denúncias de casos de corrupção da Era Kirchner.
“Bebê” Righi, recentemente, quando ainda era procurador-geral da República. Righi, com 50 anos de militância peronista, renunciou por causa de Boudou, que está no peronismo há pouco mais de meia década.
ROCK, I PHONE & NACIONAL y POPULAR - Boudou costuma exibir seus dotes de roqueiro amador tocando a guitarra elétrica em cerimônias do governo e comícios. O vice não conta com o respaldo de diversos setores internos do governo, especialmente os peronistas tradicionais, que consideram que Boudou tem um passado “excessivamente neoliberal”. Esses setores encaram o vice como um “arrivista” no estatizante kirchnerismo.
O vice coleciona canetas-tinteiro e motos Harley Davidson (obviamente, importadas). E é um fã dos eletrônicos feitos no exterior. No entanto, o vice faz pose de defensor do “nac y pop” (nacional y popular), denominação da política protecionista do kirchnerismo e de defesa da produção nacional.
Paradoxalmente, na semana passada Boudou protagonizou uma curiosa cena quando, pela rede de micro-bloggings Twitter defendeu a indústria nacional…desde um IPhone importado.
O comportamento de Boudou, definido como “fútil” pelos analistas políticos, parece ter preocupado a própria presidente Cristina. Em dezembro passado, antes de iniciar uma breve licença médica, interrompeu um discurso na Casa Rosada para virar para Boudou – que ficaria na presidência interina do país – e fazer um alerta: “vê lá o que vai fazer, hein? E isto que eu disse não é brincadeira!”
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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O governo da presidente Cristina Kirchner não estaria disposto a cumprir o pacto anunciado na semana passada entre o ministro da Agricultura do Brasil Jorge Mendes Ribeiro e seu colega argentino, Norberto Yahuar, que determinava que as vendas de carne suína Made in Brazil não seriam mais regidas pelas normas de livre comércio do Mercosul, já que passariam a estar limitadas dentro de um regime de cotas.
O cenário que desponta seria pior ainda, já que o acordo entre os ministros seria barrado informalmente pelo poderoso secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, que nesta semana deixou claro aos industriais argentinos do setor de alimentos elaborados com carne suína que somente poderiam importar “o mínimo indispensável”. Além disso, este “mínimo” não deve exibir oscilações ao longo deste ano.
“Caso não acatemos suas imposições, de comprar muito menos do que a cota, Moreno disse que fechará absolutamente as importações”, me disse na sexta-feira uma alta fonte do setor. “Além disso, ameaçou perseguir as empresas que não respeitem as ordens emitidas”, concluíram, pedindo estrito off sobre suas identidades.
Outra fonte lamentou a escalada de barreiras: “quando anunciaram as cotas, a notícia já era ruim. Mas agora o cenário que desponta para o resto do ano é pior ainda!”. Segundo as fontes, os industriais do setor estão sendo forçados a usar carne bovina dentro dos produtos formalmente vendidos como “suínos”.
Os industriais argentinos ficaram entre a espada e a parede com as pressões de Moreno, que por um lado exige que os empresários produzam “fiambres baratos”, ao mesmo tempo que impõe uma redução drástica das compras de carne suína brasileira.
Do total utilizado pela indústria alimentícia argentina, 40% da polpa é Made in Brazil.
O governo da presidente Cristina Kirchner começou a brecar a entrada da carne suína brasileira em janeiro, especialmente a polpa. As barreiras estão provocando falta de produtos suínos nas gôndolas dos supermercados argentinos.
Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), lamentou ao Estado o cenário existente: “o embargo à carne suína brasileira continua. Compreendemos as dificuldades da Argentina. Porém, as medidas prejudicam os produtores do Brasil, os consumidores da Argentina e vão contra todo o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, ideia tão boa que não deveria estar sendo prejudicada”.
ORDENS - As ordens de Moreno – famoso por disparar uma miríade de epítetos em cada frase que pronuncia nas conversas com os empresários – costumam ser “informais” já que não são escritas. Geralmente são exigências verbais feitas pelo próprio secretário aos empresários argentinos.
Desta forma, ficaria anulado o acordo feito entre os ministros Ribeiro e Yahuar no dia 16 em Buenos Aires.
O acordo implicava em reduzir a entrada de carne suína brasileira de uma média de 3,5 mil toneladas mensais para somente 3 mil toneladas. Desta forma, além do encolhimento nas vendas para o mercado argentino, as indústrias brasileiras perderiam o crescimento do consumo do país vizinho.
O pacto Ribeiro-Yahuar foi definido pelo ministro brasileiro como “muito positivo”, já que no início deste ano as barreiras argentinas haviam provocado uma queda abrupta nas vendas de derivados suínos brasileiros para a Argentina entre janeiro e fevereiro, mês no qual somente entraram no país 400 toneladas. “Ora, passar de 400 toneladas para uma garantia de 3 mil toneladas é muito bom”, exclamou Ribeiro na ocasião, com um sorriso confiante nos lábios.
Esta é a “Quarta Guerra Suína” surgida entre os dois países nos últimos 17 anos. Em todos estes conflitos (1995-97, 199-2001, 2004 e o atual, iniciado no ano passado) a Argentina sempre venceu, conseguindo a imposição de restrições para a entrada de carne suína brasileira.
No ano passado o mercado argentino absorveu 42 mil toneladas de carne suína brasileira, pelo total de US$ 129 milhões.
QUEDA - Na quarta-feira, durante uma visita à Buenos Aires, onde reuniu-se com as lideranças da União Industrial Argentina (UIA), o presidente da Confederação Nacional de Indústrias (CNI) do Brasil, Robson Braga de Andrade, afirmou em conversa com correspondentes brasileiros e jornalistas argentinos que a entidade industrial está elaborando um levantamento com empresários brasileiros para verificar qual foi o impacto das novas medidas protecionistas argentinas para a entrada de produtos Made in Brazil de forma geral.
Os dados preliminares, segundo Andrade, indicam que as exportações brasileiras para o sócio do Mercosul despencaram 22% entre janeiro e fevereiro.
Irritado, no dia seguinte o ministro da Economia da Argentina, Hernán Lorenzino, acusou os industriais de “fazer lobby com a imprensa”. O ministro recomendou aos argentinos e os representantes da CNI que “deixem os coquetéis e comecem a trabalhar para ver a forma de aumentar o comércio entre os dois países”.
Lorenzino negou os dados de Andrade, sustentando que as vendas brasileiras haviam crescido 10%, em vez de registrar quedas. No entanto, segundo o próprio Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), sob intervenção do governo Kirchner desde 2006, as importações de produtos brasileiros caíram 15% em fevereiro.
PARA ENTENDER – MORENO É O HOMEM FORTE DA ADMINISTRAÇÃO ECONÔMICA ARGENTINA: Ao longo da última meia década o secretário de Comércio Interior Guillermo Moreno foi o encarregado das polêmicas políticas de congelamento de preços e da maquiagem dos índices de inflação do governo Kirchner. Mas desde 2010 ele também transformou-se autor de medidas protecionistas para impedir a entrada de produtos estrangeiros na Argentina, incluindo os Made in Brazil.
O secretário telefona diretamente a empresários argentinos para pressioná-los a deixar de comprar os importados. Suas ordens, muitas das quais não-escritas, também provocam demoras para a liberação de produtos nas alfândegas.
Analistas, políticos e empresários em Buenos Aires afirmam que o secretário é o homem que faz o “trabalho sujo” da administração Kirchner.
Moreno é famoso por ter iniciado encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa. Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – inclusive nos fins de semana – para exigir que congelem seus preços. Nessas ocasiões suas frases são entremeadas com sonoros palavrões e alusões sexuais.
Após a reeleição da presidente Cristina Kirchner em outubro passado, o poder de Moreno aumentou. Apesar de ser hierarquicamente inferior – pois tem cargo de secretário – Moreno impõe suas decisões aos ministros.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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E, de bonus track, veja o Facebook da editoria de Internacional do Portal do Estadão, aqui. “Todo pasa” (Tudo passa) é a inscrição no anel que ostenta Grondona. Mas, seus críticos ressaltam com ironia “tudo passa…menos Grondona!”
“Don Julio”, como é chamado Julio Grondona, preside com mão de ferro a Associação de Futebol da Argentina (AFA) há 33 anos, desde que foi designado pela ditadura militar (1976-83) para ocupar o posto. Grondona – uma versão “gold” argentina de Ricardo Teixeira - sobreviveu ao longo de mais de três décadas com apenas uma Copa do Mundo conquistada (México 1986), oito greves de jogadores, três paralisações de árbitros, mais de 40 casos de doping dos jogadores da seleção, o surgimento – e o fortalecimento dos “barrabravas” (os hooligans argentinos), além de acusações de corrupção e de vínculos controvertidos com o poder e empresários amigos que possuem negócios comerciais com a AFA. Grondona costuma relativizar os contratempos pronunciando sua frase preferida: “tudo passa”.
O todo-poderoso Julio Humberto Grondona, máximo cartola argentino há 33 anos, uma década a mais do que o brasileiro Ricardo Teixeira
“Tudo passa, menos Grondona”, afirmam seus inimigos, já que desde 1979 a AFA teve um único presidente. Mas, a República Argentina está no décimo-terceiro presidente desde aquela época (os generais e ditadores Jorge Rafael Videla, Roberto Viola, Leopoldo Fortunato Galtieri e Reynaldo Bignone, os presidentes civis constitucionais Raúl Alfonsín, Carlos Menem, Fernando De la Rúa, Ramón Puerta, Adolfo Rodríguez Saá, Eduardo Camaño, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e a atual Cristina Kirchner).
Grondona, inicialmente, seria um presidente provisório. Mas, nos seguintes anos, foi reeleito oito vezes. Somente uma vez enfrentou um opositor, o ex-técnico Teodoro Nitti, em 1991. O rival conseguiu um único voto. Grondona teve 40. Em 2011 foi novamente reeleito. Mas, desta vez a eleição esteve envolvida em um escândalo público, já que o empresário Carlos Ávila tentou realizar uma eleição paralela, sem sucesso. Grondona foi reeleito. Não existem especulações sobre um eventual sucessor de Grondona que não seja o próprio Grondona.
Grondona, sentado à direita da foto. Na cabeceira da mesa, o então ditador e general JR Videla.
Desde que “Don Julio” está no comando, a AFA teve dez técnicos da seleção (César Luis Menotti, Carlos Salvador Bilardo, Alfio Basile, Daniel Passarella, Marcelo Bielsa, José Pekerman, novamente Alfio Basile, Diego Maradona, Sergio Batista).
Os críticos de Grondona afirmam que ele montou uma estrutura que permitiu a consolidação de “uma AFA rica e clubes pobres”.
O poder de Grondona – que preside a Comissão de Finanças da FIFA – não é apenas nacional, pois possui grande influência internacional. O analista esportivo Ezequiel Fernández Moores, autor de livros sobre negociatas no futebol argentino, disse ao Estado que “Joseph Blatter foi reeleito presidente da FIFA em 2002 graças ao respaldo de Grondona, que foi fundamental”.
Cristina Kirchner e Julio Grondona
Nos últimos anos Grondona transformou-se no principal aliado do governo da presidente Cristina Kirchner em sua política de conseguir dividendos eleitorais por intermédio do esporte favorito dos argentinos. Grondona foi a peça crucial para que o governo Kirchner implementasse a estatização das transmissões dos jogos, denominada de “Futebol para todos”.
Em 2009 o cartola convenceu os falidos clubes argentinos a aceitar um suculento contrato de US$ 150 milhões anuais até 2019 oferecido pelo governo para ficar com todos os direitos de transmissão do futebol do país. No ano passado, para agradar Cristina, Grondona batizou o prêmio do campeonato nacional de futebol com o nome do ex-presidente Nestor Kirchner, que morreu em outubro de 2010.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, brinca com um balão durante a abertura do ano parlamentar no Congresso Nacional. “Globito” – “balãozinho” em castelhano - na gíria portenha equivale a preservativo.
O erotismo argentino não escapou às barreiras protecionistas do governo da presidente Cristina Kirchner. Tal como outros setores, entre os quais as autopeças, alimentos, têxteis, calçados e brinquedos, agora é vez dos preservativos e vibradores, além da lingerie erótica estrangeiros. Estes produtos tornaram-se o mais recente alvo da cruzada anti-importações implementada pelo secretário de Comércio, Guillermo Moreno, homem de confiança da presidente Cristina.
A miríade de barreiras argentinas abarcam valores-critério, licenças não-automáticas, acordos voluntários de autorrestrição de venda para o mercado argentino, entre outros. Além disso, desde o dia 1 de fevereiro incluem uma autorização especial da receita federal como passo prévio para iniciar um trâmite de importação. A “blindagem” da Argentina contra a entrada de produtos provenientes do exterior é coordenada por Moreno.
Durante uma reunião com a empresa Kopelco, que fabrica a marca “Tulipán”, e Buhl, que produz a marca “Prime”, Moreno pediu aos executivos que produzam 3 milhões a 3,5 milhões de unidades mensais a mais em cada empresa. A política do governo é que os preservativos nativos fiquem com o mercado das compras públicas realizadas pela administração Kirchner para o setor de saúde.
Por qual motivo caras como este acima não contam com estátuas? Além de Pinkus, um dos criadores da pílula anticoncepcional, outra figura relativamente esquecida é Gabriele Falloppio, um dos mais importantes anatomistas do século XVI. Ele descreveu as trompas que levam os óvulos do ovário para o útero e que ostentam seu sobrenome. Mas o que o signore Falloppio tem a ver com o assunto desta postagem? Ele foi o criador do primeiro preservativo masculino devidamente documentado, no ano da graça de 1564. O médico defendia o uso desta proteção como forma de combater o flagelo daqueles tempos, a sífilis. E deu certo, segundo ele próprio escreveu: “convenci 1.100 homens a usar (o preservativo). E convoco Deus imortal para testemunhar que nenhum deles foi infectado”. O versátil Fallopio também cunhou a mundialmente famosa palavra “vagina” (e também criou o termo ‘placenta’). Falloppio nasceu em 1523. Deixou de existir 39 anos depois.
Atualmente, o governo precisa recorrer a fornecedores asiáticos. Mas, caso o mercado local fique nas mãos dos fabricantes argentinos, Moreno evitaria a saída de dólares, política que tornou-se uma das principais metas da Casa Rosada.
Os executivos da Kopelco e a Buhl, que respectivamente possuem 52% e 35% do mercado local, prometeram a Moreno que aumentarão a produção para evitar a falta do produto no mercado, já que a escassez – devido ao impedimento para as marcas estrangeiras – começa a ser notada nas farmácias e supermercados.
Os empresários explicaram ao secretário que o consumo de preservativos oscila entre 150 milhões e 180 milhões unidades por ano. Quando foi informado sobre o número – segundo indicou o ”Política Online” - Moreno arregalou os olhos. Na sequência, fez observações sobre o que ele definiu – com palavras de baixo calão – como “uma intensa atividade sexual” de seus compatriotas.
Sexo paleolítico: Uma representação de uma deusa estilizada. É a “Vênus de Dolní Věstonice” (em tcheco, Věstonická Venuše). Esta pequena estátua de terracota, que data do 25 mil a.C, teria sido usada como um primitivo, embora eficaz, consolador. Uma alternativa a ser avaliada pelos consumidores, em caso de escassez dos importados. De quebra, este modelo não requer transferência de tecnologia.
VIBRADORES - Na reunião com os empresários Moreno indicou que havia assinado o bloqueio total para a entrada de vibradores importados (todo o consumo nacional é abastecido pelo exterior). O secretário também brincou sobre as tentativas frustradas dos importadores desse assessório sexual para driblar as barreiras: “nas declarações alfandegárias os caras colocavam ‘artigos para o prazer feminino’. Mas eu percebi logo do que se tratava!”.
Outros “brinquedos eróticos” também estão sofrendo com as barreiras, já que está escasseando no país matéria-prima importada (principalmente o silicone médico), crucial para a elaboração dos produtos. Representantes do setor também ressaltam que a a produção local de lingerie erótica está entrando em colapso, já que grande parte dos tecidos especiais provêm do exterior.
EL BUEN SALVAJE & ALARDE SOBRE GENITÁLIA - Os amigos de Guillermo Moreno o chamam “Napia”, gíria para nariz, devido a seu aquilino perfil. O ex-presidente Néstor Kirchner o chamava de “Lassie”, em irônica alusão à simpática e doce cadela collie imortalizada no cinema junto com Elizabeth Taylor. Ele também é chamado de “Highlander”, em alusão à sequência de filmes dos anos 80 cujo protagonista era um homem imortal – Connor Mc Leod – capaz de sobreviver a todas as circunstâncias (Moreno passou incólume por todas as reformas ministeriais que Cristina e seu marido fizeram, apesar dos pedidos dos empresários, sindicatos, partidos da oposição e intelectuais que pediram – e continuam pedindo – sua cabeça)
Os Kirchners sempre resistiram à ideia de removê-lo, já que Moreno é o homem que faz o “trabalho sujo”. Ele é o responsável pela manipulação de índices da inflação, pobreza, desemprego e o PIB. Estas estatísticas são elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob férrea intervenção do governo há seis anos.
Moreno (segundo relatos de empresários e sua biografia não-autorizada “El buen salvaje”) eventualmente iniciava encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa. Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – nos fins de semana, inclusive – para exigir, em frases entremeadas de sonoros palavrões, que congelem seus preços. Este comportamento iniciou na época que era secretário de Comunicações.
Dono de um frondoso bigode com as pontas curvas para baixo que fariam inveja ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata, o controvertido secretário também inicia as reuniões com executivos com afirmações sobre sua genitália, a qual, indica, é de dimensões superiores às dos presentes. O analista político Jorge Lanata, que nos anos 80 fundou o jornal Página 12, o batizou ironicamente de “El Poronga” (ver significado abaixo no glossário).
Óinc, teria dito o Marquês de Rabicó: a carne suína, considerada ‘afrodisíaca’ pela presidente Cristina, também sofre restrições. Me absterei de fazer comentários sobre o casamento do nobre suíno taubatense e sua união – supostamente ‘branca’ com Emília no sítio do Pica-pau Amarelo. Acima, a vaca Mocha, Emília e o Sus scrofa domesticus marquês.
LEITÕES, SEXO E BARREIRAS - Há dois anos a presidente Cristina Kirchner pregou um maior consumo de carne suína por parte dos argentinos, alegando que era “altamente afrodisíaca”. Em um discurso na TV, transmitido desde o palácio presidencial, Cristina sustentou na época que “é muito mais gratificante comer um leitãozinho do que tomar viagra”. Na ocasião, relatou que havia podido comprovar os efeitos da carne suína no fim de semana que havia passado em El Calafate, na Patagônia, com seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner.
No entanto, o consumo de carne suína, que cresceu após a divulgação presidencial de suas supostas qualidades sexuais, está enfrentando uma queda do abastecimento, já que as barreiras alfandegárias do secretário Moreno complicam a entrada de carne suína brasileira (especialmente a polpa).
Do total consumido no país, 40% da carne suína provinha do Brasil até o final do ano passado. Por este motivo, o preço do produto está subindo, fato que está causando problemas para a continuidade do programa ‘Leitão para todos’, lançado em 2010 por Cristina para ‘democratizar’ o consumo do afrodisíaco leitão entre os argentinos.
GLOSSÁRIO SEXUAL
COGER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “coger el autobús (ônibus)”, para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual.
COGIDA: “Uma cogida”. O coito.
GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…
GARCHE: A cópula, expressada sem elegância
EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.
TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.
FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, produto utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.
VACUNAR: Vacinar. Refere-se ao ato de penetrar alguém.
ACABAR: Cuidado ao utilizar esseverbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.
TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.
VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.
VERSERO/A: O praticante do ‘verso’.
TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.
PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.
CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavraemBuenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.
PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.
CAFISHIO: O gigolô.
TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’.
FORRO: Forma chula-light de referir-se ao preservativo.
E falando em coitos e leitãozinhos, aqui vai um vídeo de Miss Piggy, uma das estrelas dos Muppets, cantando o tema “Nunca aos domingos”, filme franco-grego cuja personagem principal é uma prostituta com intenso joie de vivre.
E, na seqüência, novamente Miss Piggy cantando “Don’t go breaking my heart”, com Sir Elton John:
E aqui, deixando de lado miss Piggy, mas ainda na área sexual,o tango “El Choclo” (O sabugo de milho), de Angel Villoldo, de 1905. O título, indicam historiadores do tango, era no início uma maliciosa referência ao falo (e não a esse alimento emblemático da civilização asteca):
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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A presidente Cristina Kirchner assinou um decreto publicado na segunda-feira no Diário Oficial da Argentina, no qual convoca o Congresso Nacional a realizar sessões extraordinárias para debater e votar uma série de projetos de lei, entre os quais está a declaração de “interesse público” da produção, comercialização e distribuição de papel de jornal em toda a Argentina. A presidente Cristina, no decreto, determinou que esse projeto – entre outros – sejam votados no plenário da Câmara de Deputados e no Senado no máximo até a véspera do Reveillon, dia 30 de dezembro.
O projeto – aprovado na comissão da Câmara nesta terça-feira com uma velocidade nunca antes vista – é um golpe direto aos dois maiores jornais do país, o “Clarín” e o “La Nación”, ambos de posições críticas com o governo.
O projeto poderia ser votado na Câmara de Deputados nesta sexta-feira. Se for aprovado – como tudo indica, graças à maioria do governo no plenário – irá na semana que vem ao Senado.
Se for aprovada, a lei irá na contra-mão da Convenção Americana de Direitos Humanos – o Pacto de San José de Costa Rica – que proíbe expressamente a aplicação de controles sobre papel-jornal.
Alguns setores da oposição – principalmente os partidos de centro e centro-direita – afirmam que o projeto da presidente Cristina não passa de uma “estatização encoberta” da única fábrica de papel de jornal em funcionamento no país.
Atualmente o Clarín possui 49% das ações da Papel Prensa. O Estado argentino é o segundo acionista, com 27,6%. O jornal “La Nación” possui 22,49%. Os restantes 1,05% estão nas mãos de pequenos investidores.
Caso o projeto seja aprovado, o “Clarín” e o “La Nación” serão forçados a vender suas ações, já que as novas normas proíbem que empresas de jornais impressos possam ter ações na “Papel Prensa”.
“Claramente, é um projeto com intencionalidade política. Apesar do impacto que isto pode ter, o governo pretende votá-lo às pressas, antes do fim do ano, com um Parlamento novo, que acabou de tomar posse há poucos dias. Além disso, nenhum meio de comunicação foi convocado às comissões parlamentares para expressar sua opinião sobre o caso”, disseram ontem ao Estado fontes do jornal “Clarín”. “É um confisco encoberto”, sustentaram as fontes, que ressaltaram que o projeto visa, além de um controle estatal sobre o papel de jornal, o favorecimento dos meios de comunicação aliados do governo, o denominado ‘amigopólio’”.
O projeto também determina que qualquer pessoa que tenha mais de 10% de ações de uma empresa de jornal impresso não poderá participar da “Papel Prensa”. Desta forma, fica aberto o caminho para que os novos acionistas sejam empresários de outros setores da economia. Analistas afirmam que donos de empreiteiras, com boa relação com o governo Kirchner, já estão de olho na “Papel Prensa”.
Nos artigos 16 e 41 o projeto determina que o Estado, que possui atualmente 27% das ações da Papel Prensa, poderá ampliar seu capital na empresa.
FISCALIZAÇÃO ESTATAL - Caso o projeto seja transformado em lei o papel de jornal será fiscalizado por uma entidade ainda a ser criada, a Autoridade Federal para o Controle e Acompanhamento da Produção, Distribuição e Comercialização de Papel de pasta de celulose para os jornais (AFePDICop). Esta entidade será comandada por um funcionário, designado pelo Poder Executivo, com um mandato de quatro anos de duração.
O governo Kirchner havia tentado aprovar esse projeto no ano passado, quando estava em minoria no Parlamento. No entanto, desde a semana passada a presidente Cristina conta – somando parlamentares próprios e aliados – com uma confortável maioria para obter a aprovação da lei.
CARTAZES - Neste fim de semana, após a posse de Cristina, reeleita para um segundo mandato que se prolongará até 2015, cartazes com os dizeres “Tchau, Clarín” em letras garrafais foram colocados nas paredes de Buenos Aires.
Os cartazes, de autoria da Juventude Peronista, do Movimento de União Popular e da “Kolina” (grupo político da ministra da Ação Social, Alicia Kirchner, irmã do ex-presidente Nestor Kirchner, morto em outubro de 2010 e cunhada da presidente Cristina), também ostentavam a frase “nenhum monopólio resistirá três governos populares” (alusão ao governo de Kirchner e os dois mandatos de Cristina).
“O FIM” - O jornalista e historiador Jorge Lanata, fundador do jornal “Página 12” na segunda metade dos anos 80, disse ao Estado que a eventual aprovação da declaração de “interesse público” da produção e distribuição de papel de jornal, será “o fim do jornalismo na Argentina”. Segundo Lanata, os governos de plantão poderão determinar maiores quantidades de papel de jornal aos periódicos alinhados ou condescendentes com a Casa Rosada, enquanto que os jornais críticos correriam o risco de receber quantidades mínimas desse insumo.
Lanata foi recentemente apedrejado por militantes kirchneristas enquanto o jornalista participava ao ar livre de um debate sobre liberdade de imprensa na Universidade de Palermo.
Ao longo do ano passado o governo tentou culpar o “Clarín” e o “La Nación” de terem realizado em 1976 uma compra irregular, por intermédio de torturas, durante a ditadura, da “Papel Prensa”. No entanto, nada foi comprovado até o momento.
Um breve interlúdio musical com o argentino-israelense Daniel Barenboim e a Filarmônica de Berlim. Barenboim rege um clássico das milongas argentinas: “Taquito Militar”. Na sequência, a rocambolesca história da Papel Prensa.
A PECULIAR HISTÓRIA DA PAPEL PRENSA
David Graiver, banqueiro de Perón que financiava militares de direita e guerrilheiros de esquerda, morreu misteriosamente no México.
Em 1969 Papel Prensa foi criada por decreto do general Juan Carlos Onganía. Em 1972, quando governava o general Alejandro Lanusse, a empresa foi entregue a Cesar Augusto Civita e à Editora Abril. Em 1973, durante o governo de Juan Domingo Perón, o ministro da Economia, José Ber Gelbard, forçou a venda ao banqueiro David Gravier, aliado do governo peronista. Além desta aliança com Perón o banqueiro também tinha intrincadas relações financeiras com os militares e com o grupo guerrilheiro Montoneros.
Em 1975 os guerrilheiros entregaram a Graiver US$ 17 milhões de um total de US$ 60 milhões obtidos com sequestro dos irmãos Born (os principais milionários da Argentina na época) para que o banqueiro os investisse.
Em 1976 os militares derrubaram o governo de Isabelita Perón. Graiver morreu em agosto de 1976 em estranho acidente de avião no México. Seus bancos na Europa e EUA faliram. Nessa conjuntura complicada, seus herdeiros venderam as ações da Papel Prensa no dia 2 de novembro daquele ano. Um mês depois, os Montoneros pressionaram a víuva para que entregasse o dinheiro que seu falecido marido havia administrado para a guerrilha, ameaçando-a jogar pela janela de seu edifício.
Seis meses depois Papaleo e seu cunhado, Isidoro Graiver, foram detidos pelos militares, acusados de ter o dinheiro do sequestro feito pelos Montoneros. Os militares confiscaram diversos bens da família e torturaram Lídia e Isidoro.
Em 1986 Papaleo prestou depoimento nas investigações realizadas na época sobre crimes da ditadura. Na ocasião afirmou que havia sido detida em março de 1977, meses depois da venda de Papel Prensa. Ela foi indenizada em US$ 84 milhões pelo presidente Raúl Alfonsín pelos confiscos aplicados pelos militares. Na ocasião, Lídia nada reclamou sobre a Papel Prensa.
O surgimento da polêmica sobre Papel Prensa trouxe à tona, além de Lídia Papaleo, seu irmão, Osvaldo, que foi porta-voz em 1975 da então presidente Maria Estela Martinez de Perón, a.k.a. “Isabelita”, viúva de Perón.
Osvaldo Papaleo, que participou abertamente de reuniões políticas com integrantes do kirchnerismo, foi também um dos principais homens de José López Rega, astrólogo e super-ministro da então presidente Isabelita Perón. López Rega criou na época uma força paramilitar de extrema-direita, a “Tríplice A”, com a qual perseguia representantes de partidos da esquerda e da própria ala esquerdista do partido governista, o Justicialista.
OS TIMERMAN - Graiver também havia investido no jornal “La Opinión” e no “La Tarde”, respectivamente de Jacobo Timerman e de Héctor Timerman, pai e filho.
Jacobo, que foi um enfático defensor do golpe de Estado de 1976 (já havia defendido o golpe de 1966, que derrubou o então presidente Arturo Illia), posteriormente foi detido e torturado selvagemente pelos militares, seus ex-aliados. Jacobo foi salvo graças à intervenção pessoal do presidente americano Jimmy Carter.
O filho de Jacobo, Héctor, que também comandou um jornal que respaldou a preparação do golpe militar, transformou-se nos anos 80 em ativista dos direitos humanos. Atualmente é o chanceler do governo Kirchner.
DIFERENTES VERSÕES PARA UMA HISTÓRIA
- Dos jornais Clarín e La Nación
a) Ambas empresas – junto com o já extinto La Razón – afirmam que compraram as ações da família Graiver-Papaleo em novembro de 1976. As torturas, nas quais indicam que não tiveram participação, só começaram em março de 1977.
b) Além disso, o jornal “La Nación” publicou em 2010 uma denúncia feita pelo presidente da diretoria do próprio periódico portenho, Julio Saguier, que indica que Lidia Papaleo de Graiver, a viúva de David Graiver – o falecido dono da empresa Papel Prensa – teria negociado com a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner um pagamento para contar outra versão da História sobre a venda em 1976 da companhia, a única produtora de papel de jornal da Argentina.
Saguier afirma que reuniu-se em maio deste ano com Papaleo para um café no elegante Hotel Alvear. Na ocasião, o governo Kirchner já havia deslanchado o confronto com o “Clarín” e o “La Nación” por causa da Papel Prensa. Papaleo aceitou conversar com Saguier por agradecimento à boa relação que teve com seu pai, Julio César Saguier, primeiro prefeito de Buenos Aires com a volta da democracia, em 1983.
Papaleo, nessa conversa, teria confessado a Saguier que os Kirchners lhe ofereceram US$ 200 mil de entrada, caso confirmasse a versão do casal presidencial sobre o caso de Papel Prensa. Mas, na hipótese de que a “operação fosse coroada com sucesso” contra ambos jornais, receberia outros US$ 2 milhões.
Papel Prensa era comandada em meados dos anos 70 pelo banqueiro David Graiver. Mas, com a misteriosa morte deste, em agosto de 1976, em um acidente de avião no norte do México, as ações passaram para sua viúva Lídia, que era psicóloga e mãe da filha de ambos, María Sol Graiver. Em novembro daquele ano, em meio a problemas financeiros provocados pela falência dos bancos do falecido marido, Papaleo vendeu as ações aos jornais “Clarín”, “La Nación” e o “La Razón” (posteriormente extinto).
Na conversa com Saguier a viúva admitiu que precisava do dinheiro oferecido pelos Kirchners, já que sua fortuna havia ficado com sua filha María Sol, com a qual não conversa há anos. Papaleo teria dito a Saguier que o acordo com os Kirchners foi pactuado após três reuniões. Para evitar a filtragem de informações sobre esses encontros realizados na residência presidencialde Olivos, o deputado Carlos Kunkel, amigo de juventude dos Kirchners e um de seus principais homens no Parlamento, levou Papaleo pessoalmente em seu carro.
- Do governo Kirchner
Meses atrás o governo afirmou que Lidia Papaleo foi torturada em novembro de 1976, ocasião na qual foi forçada a vender as ações da empresa.
Depois, perante a polêmica, o governo emitiu uma segunda versão, na qual sustentava que os membros da família Graiver-Papaleo viviam em uma “liberdade ambulatória” e que haviam sido levados à força para a assinatura da venda das ações.
- Da viúva Papaleo (quatro versões diferentes)
a) Na segunda metade dos anos 80 declarou perante a Justiça – durante o julgamento das juntas militares – que havia sido torturada em março-abril de 1977 porque os militares suspeitavam que ela tinha dinheiro da guerrilha Montoneros. Na ocasião, Papaleo não vinculou suas torturas com a venda de Papel Prensa.
b) Nos últimos meses sustentou que foi intimidada e posteriormente detida e torturada para vender as ações de Papel Prensa.
c) Perante a Justiça em La Plata afirmou que enquanto esteve detida pelos militares não saiu da prisão para assinar a venda das ações de Papel Prensa.
d) A mais recente versão é a da conversa com Saguier, na qual teria admitido que receberia dinheiro para inventar um relato favorável às intenções dos Kirchneres.
- De Isidoro Graiver, irmão do falecido David Graiver, torturado no mesmo centro de detenção de Lidia Papaleo
A venda das ações foi em novembro de 1976; prisão e torturas ocorreram em março e abril de 1977. Segundo Isidoro, não há vínculos entre os dois jornais e as torturas contra a família.
- De Gustavo Caraballo, ex-embaixador do governo de Juan Domingo Perón na Unesco
Caraballo afirma que foi torturado junto com Lídia Papaleo de Graiver em 1977, confirmou que as sessões de tortura ocorreram vários meses depois da operação de venda
Presidente argentina tenta conseguir controle da mídia, tal como fundador do peronismo fez há 60 anos. Na foto, Perón abraça o ditador e general paraguaio Alfredo Stroessner.
NA GUERRA CONTRA A IMPRENSA, CRISTINA SEGUE OS PASSOS DE PERÓN
Poucos meses antes de morrer em 1974, o presidente Juan Domingo Perón admitiu: “fui colocado para fora do governo quando tinha todos os meios de comunicação a favor…e ganhei as eleições quanto os tinha todos contra mim!”. Perón referia-se à sua queda, em 1955, época em que ostentava um controle sem precedentes da maioria dos meios de comunicação, e de sua vitoriosa eleição, em 1974, quando a mídia era majoritariamente contra o septuagenário caudilho.
A presidente Cristina Kirchner, afirmam analistas e representantes da oposição, em vez de comportar-se como o Perón dos últimos anos, reprisam a ambição de controle dos meios de comunicação que o caudilho exercia nos anos 40 e 50.
Um dos sinais mais evidentes foi a aprovação – em 2009 – da polêmica lei de radiodifusão – também denominada de “lei de mídia” – que determina maior controle da mídia por parte do governo.
Da mesma forma que os Kirchners tentam atualmente destruir o poder do Grupo Clarín, o maior holding multimídia argentino, Perón e sua esposa Eva colocaram uma série de restrições à mídia privada e armaram uma super-estrutura de meios de comunicação estatais, além de redes privadas de empresários “amigáveis”.
DEFENSIVA E OFENSIVA - Segundo o historiador Eduardo Lazzari, Perón inicialmente tentava defender-se dos ataques da oposição. Mas, logo depois percebeu que a defesa não era suficiente e fechou jornais como “La Prensa”, entregue a sindicalistas fiéis.
Nos dois primeiros governos de Perón (1946-55), grande parte dos donos de meios de comunicação foram pressionados a vender seus jornais, revistas e estações de rádio. Em alguns casos, se os empresários mostrassem obediência, podiam ser designados como diretores de suas ex-empresas, agora estatizadas, de forma a camuflar a compra compulsória realizada pelo governo.
O modus operandi era o de destinar os fundos necessários para essas compras eram provenientes do Instituto Argentina para o Estímulo ao Intercâmbio (Iapi), comandado por Miguel Miranda, um gênio da contabilidade criativa.
MÍDIA ALIADA - O governo peronista contava com um quarteto de redes de comunicação. Além do colossal monopólio estatal, o Alea SA, tinha o respaldo de três grupos nominalmente privados: a editora Heynes, a Associação Promotores de Teleradiodifusão e a editora La Razón, que editava o influente jornal homônimo.
Tal como o governo da presidente Cristina Kirchner fez com o jornal “Clarín” em 2009 ao realizar uma blitz de insólitas proporções da Afip (a receita federal argentina) – as companhias jornalísticas que resistiam ao assédio de Perón eram pressionadas com o Fisco.
O braço inquisidor do governo peronista era a Comissão Bicameral de Atividades Argentinas, comandada pelo ultra-peronista deputado Emilio Visca, que vasculhava os livros de contabilidade dos jornais não alinhados com Perón para ter argumentos para seu fechamento, confisco ou intervenção.
Capas do La Prensa quando havia sido confiscada pelo governo de Perón. Manchetes mostram alinhamento ostensivo com Perón, que havia ficado viúvo (pela segunda vez) com a morte de Eva Perón.
LA PRENSA - Esse foi o caso de “La Prensa”, jornal da aristocrática família Paz – definido pela revista americana “Time” como um dos mais respeitados periódicos do mundo na época – e detestado por Evita Perón, a primeira-dama. O “La Prensa”, cuja tiragem era de 480 mil exemplares, tornou-se alvo de uma campanha do governo a partir de 1947.
O “La Prensa” foi atacado pelas rádios aliadas do governo e enfrentou uma campanha oficial que promovia o boicote da compra de seus exemplares. Os anunciantes eram pressionados para não colocar publicidade nas páginas do “La Prensa”. O racionamento de papel encolheu o jornal das 40 páginas costumeiras a apenas 12. Mas, o jornal, apesar das pressões, continuava saindo às ruas.
Em 1950, o governo confiscou as novas rotativas importadas e as destinou para o “Democracia”, jornal editado pelo próprio Estado argentino. Em 1951 o sindicato dos jornaleiros ameaçou não distribuir mais o periódico.
Na sequência, com a aprovação do Parlamento – no qual o peronismo era maioria – foi confiscado e entregue à Confederação Geral do Trabalho (CGT), a única central sindical autorizada por Perón. O líder do bloco peronista na Câmara, John William Cooke, afirmou que o governo estava contra “La Prensa” porque, segundo ele, o jornal “estava contra os operários e contra os peronistas”.
Outros jornais, como “La Nación” – que já enfrentava o racionamento de papel de jornal, controlado pelo governo – tiveram que moderar suas críticas ao presidente Perón, para evitar correr destino similar ao “La Prensa”.
Com a queda de Perón em 1955, o “La Prensa” voltou às mãos de seus donos originais. No entanto, o jornal nunca mais foi o mesmo, já que durante a intervenção iniciou uma fase de decadência que foi aproveitada por um períodico que começava seus primeiros passos, o “Clarín”, a atual fonte de irritação para o casal Kirchner.
Modelo francesa da década de 1920 posa com vestido feito de papel-jornal.
“Tranqüilo, viejo, tranqüilo”, com Tita Merello:
“Se dice de mi”, também com Tita Merello:
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Cristina Kirchner, Hugo Moyano e Eva Perón. Foto dos tempos em que os dois vivos (isto é, os dois primeiros citados) eram aliados incondicionais.
O secretário-geral da Confederação do Trabalho (CGT), o caminhoneiro Hugo Moyano, fará uma demonstração de força sindical nesta quinta-feira, quando pretende reunir mais de 80 mil militantes no portenho estádio de Huracán. Moyano, ex-aliado incondicional do governo de Cristina Kirchner, atualmente em rota de colisão com a presidente, exigirá ao governo a concessão de mais subsídios às famílias pobres com filhos. Ele também pedirá a aprovação no Parlamento do projeto de lei elaborado pela CGT que determina distribuição de lucros das empresas entre os trabalhadores.
O projeto, criticado pelo empresariado, era respaldado pelo governo no início do ano, mas a administração Kirchner não contava com maioria no Parlamento. Após as eleições de outubro, a presidente Cristina passou a ter maioria na Câmara e no Senado. No entanto, há poucos dias a presidente Cristina deixou claro que não apoiaria mais essa iniciativa da CGT.
A relação entre a CGT e Cristina ficou mais tensa a partir da cerimônia de posse, neste fim de semana, quando a presidente - em uma crítica inédita a Juan Domingo Perón, fundador do Peronismo (o partido de Cristina) - afirmou que nos tempos de Perón não havia direito à greve, e que portanto, nenhum sindicalista poderia usar a imagem de Perón contra o governo Kirchner.
“Hoje em dia existe direito de greve, mas não de chantagem e de extorsão”, disse Cristina, em alusão direta ao caminhoneiro.
Horas depois, Moyano retrucou: “a presidente está mal-assessorada”.
“A relação do governo com a CGT atravessa um momento difícil”, admitiu nesta segunda-feira Juan Carlos Schmidt, um dos braços direitos de Moyano. Em tom de cobrança ao governo, Schmidt argumentou que Moyano serviu de cabo eleitoral para o governo durante a campanha presidencial: “estivemos ao lado do governo em diversos momentos complicados para sustentar este projeto nacional e popular”.
No entanto, o sindicalista tentou colocar panos quentes sobre a polêmica gerada pela ausência do líder da CGT na posse presidencial da reeleita Cristina Kirchner no sábado: “institucionalmente, a CGT estava representada”.
Diversos setores sindicais afirmam que Cristina, neste segundo mandato, fará “La Gran Menem” (A Grande Menem), isto é, uma guinada para a direita, afastando-se dos sindicatos.
A CGT foi tradicional aliada de todos os governos peronistas, inclusive com cargos nos ministérios e estatais. Esta é a segunda vez em mais de seis décadas que a central sindical entra em rota de colisão com um governo peronista.
PODER - Moyano, o principal respaldo do governo na área social desde os tempos do ex-presidente Nestor Kirchner, está melindrado com Cristina desde o segundo trimestre deste ano, quando ela recusou-se, apesar de seus pedidos, a designar um vice-presidente de origem sindical.
A presidente tampouco concedeu espaço à CGT na lista de candidatos a deputado nas recentes eleições presidenciais e parlamentares. Cristina somente ofereceu um lugar ao filho de Moyano, Facundo, que foi eleito.
O clã Moyano, no entanto, reclama e recorda que no último governo de Juan Domingo Perón os deputados sindicalistas representavam um terço do total dos peronistas no Congresso Nacional.
O melindre ficou evidente na festa da reeleição de Cristina, quando Moyano optou por não comparecer às celebrações. Simultaneamente o governo fez acenos a sindicalistas rivais de Moyano, que pretendem removê-lo do cargo em 2012.
Nos dois primeiros governos do general J.D.Perón não havia direito à greve, disse Cristina Kirchner, em recado direto à CGT. Na foto acima, do início de 1974 (terceiro governo de “El Conductor”), Perón cumprimenta com um sorriso o general e ditador chileno A.R.Pinochet.
TELEFONEMA - Desde a morte do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) a relação entre a presidente Cristina e Moyano foi marcada pela crescente tensão. Rumores no âmbito político indicam que a presidente coloca no caminhoneiro parte da culpa da morte do marido, já que na noite anterior ao enfarte fulminante que matou Kirchner, o líder da CGT e o ex-presidente mantiveram uma violenta discussão por telefone.
DETALHES - Mais detalhes sobre Moyano e sua relação com o governo, nesta postagem de meses atrás, aqui.
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“Esse não”: Presidente Cristina Kirchner não quer que seu vice atual, Julio Cobos, presida a cerimônia de sua segunda posse, dia 10 de dezembro.
A presidente Cristina Kirchner, reeleita nas eleições de outubro passado, não deseja a presença de seu próprio vice-presidente, Julio Cobos, na posse de seu segundo mandato. Cristina, que considera o vice um “traidor”, quer driblar a Constituição argentina e evitar que Cobos – que também acumula o cargo de presidente do Senado – faça a leitura de seu juramento presidencial. No entanto, os assessores jurídicos da Casa Rosada estão elaborando estratégias para modificar a tradicional cerimônia, marcada para o dia 10 de dezembro.
O argumento do governo é que Cristina, por ser reeleita, sucede a si própria. Portanto, afirmam no palácio presidencial, ela própria poderia ler seu juramento. Na sequência, Cristina pegaria de cima da mesa da presidência do Senado a faixa e o bastão presidencial que ela teria ali colocado segundos antes do juramento.
Mas, os historiadores recordam que o caso mais recente de reeleição, o de Carlos Menem em 1995, implicou em uma cerimônia na qual o presidente do Senado (coincidentemente, seu próprio irmão, Eduardo Menem) tomou seu juramento.
A Constituição argentina determina que o vice-presidente da República é o presidente do Senado. Neste posto, em julho de 2008, Cobos, com seu voto de Minerva, desempatou a votação sobre o “impostaço agrário” que a presidente Cristina queria aprovar. “Meu voto não é positivo”, disse Cobos na ocasião, derrubando o projeto de lei do governo Kirchner. Desde então, a presidente Cristina nunca mais falou com seu vice e o ignora em todas as cerimônias públicas.
Em diversas ocasiões os ministros de Cristina exigiram a renúncia do vice. No entanto, Cobos resistiu às pressões.
Rumores no âmbito político indicam que o governo pretenderia que Cobos renuncie a seu cargo minutos antes da posse, de forma a permitir que outra autoridade institucional tome o juramento de Cristina.
Os assessores de Cobos sustentam que por enquanto não foram notificados sobre qualquer alteração da cerimônia de posse.
No entanto, na última semana os sinais foram mais explícitos:
- O ministro da Economia, Amado Boudou, vice-presidente eleito de Cristina, disse publicamente que não quer Cobos “ao redor” na posse da presidente reeleita.
- O deputado kirchnerista Edgardo Depetri alertou Cobos publicamente: “ele deve pular fora e não tentar tomar o juramento da presidente” Cristina.
Cobos, assustado – ou precavido – indicou há poucos dias que não teria problemas em ficar fora da cerimônia, caso façam um pedido oficial desde a Casa Rosada.
Vice-presidente Julio Cleto Cobos. Charge de El Niño Rodríguez. Site do artista:http://www.elninorodriguez.com/
VICE POLÊMICO - Em 2007, Cobos – na época governador da província de Mendoza – foi escolhido pelo então presidente Nestor Kirchner para ser o vice de sua mulher. Representante dos “Radicais-K” (denominação dos integrantes do setor dissidente da União Cívica Radical, alinhado com o casal Kirchner), Cobos era chamado ironicamente pelos peronistas de “mosquinha morta”, por causa de seu nulo carisma e falta de influência política.
Mas, o protagonismo decisivo de Cobos na derrubada do “impostaço agrário” de Cristina disparou a popularidade do vice, que durante dois anos teve uma aprovação popular que duplicava a da própria presidente (no entanto, sem timing assumir protagonismo político caiu de forma gradual e persistente nas pesquisas, até deixar de ter importância…Hoje em dia Cobos carece de qualquer tipo de influência política).
O próprio Kirchner comentou no final de 2008 que todos os dias, no café da manhã, a presidente Cristina lhe recriminava: “olha o vice que você me colocou!”.
Para os próximos quatro anos Cristina optou por um vice de comprovada fidelidade, o atual ministro da Economia, Amado Boudou, roqueiro nas horas vagas (e também nas horas de trabalho).
Boudou, daqui a 4 anos, quando conclua o segundo mandato de Cristina Kirchner, faria o mesmo que a Constituição Nacional argentina determina, e – tal como Cobos tinha a intenção de fazer (originalmente) – tomará o juramento do sucessor ou sucessora da atual presidente.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Pinguins e dólares: origami feito com uma cédula americana imita físico dos integrantes da ordem dos Sphenisciformes, família dos Spheniscidae.
Os argentinos vivem desde segunda-feira o denominado “corralito verde”, denominação aplicada às medidas de restrição sobre o dólar que o governo da presidente Cristina Kirchner anunciou no fim da noite da sexta-feira. A ordem do governo é que todas as operações de compra e venda da moeda americana dentro da Argentina deverão passar pelos controles da AFIP (sigla da receita federal argentina), que determinará se os fundos para realizar o câmbio possuem origens justificáveis e se as operações serão autorizadas ou não. A medida, elaborada pela presidente do Banco Central, Mercedes Marcó del Pont (cotada para o posto de ministra da economia no segundo governo de Cristina Kirchner), pretende desestimular a demanda das divisas, já que o país sofre uma intensa fuga de dólares que em outubro teria sido de 3,6 bilhões. As estimativas de diversas consultorias econômicas indicam que em dezembro o país acumularia doze meses de fuga que superaria faixa recorde de US$ 24 bilhões.
A decisão causou polêmica, já que o dólar é – há décadas – o refúgio preferido dos argentinos de classe média para resguardar suas economias dos altos e baixos da economia local. Ironias da vida, o primeiro dia de aplicação das medidas do governo Kirchner coincidiu com o “dia internacional da poupança”
A medida evidencia que o governo – uma semana após a reeleição da presidente Cristina, com 53,9% dos votos – não pretende desvalorizar a moeda nacional, o peso, apesar dos pedidos dos industriais argentinos, que querem recuperar a competitividade perdida com a escalada da inflação na última meia década.
O ministro da Economia, Amado Boudou, defendeu os novos controles para as operações com dólares e afirmou que o crescimento da demanda de dólares desde o início deste ano devia-se a um “golpe especulativo”. Boudou acusou a imprensa de estar por trás desse “golpe”.
Para fiscalizar os bancos e agências de câmbio a AFIP colocou 4.400 funcionários nas ruas. Diversas casas de câmbio optaram por não abrir suas portas na 2afeira na city financeira portenha. Ainda nesta 3afeira poucas pessoas passavam pela rua San Martín, que aglutina a maior parte dessas entidades financeiras.
O dólar oficial manteve os mesmos níveis apresentados na semana passada, de 4,26 pesos para a venda. No entanto, no paralelo, a moeda americana chegou à cotação de 4,65 pesos. No interior do país superou os 5,20 pesos. Simultaneamente os bônus da dívida pública argentina cotados em dólares registraram uma alta de 3%, enquanto que os papéis em pesos tiveram em média uma queda de 3%.
O “corralito” dos dólares é mais uma medida de uma série que o governo aplicou nos últimos dias para impedir a alta do dólar. Na semana passada o governo determinou que as empresas de mineração e petrolíferas deveriam liquidar seus dólares dentro do país. Na luta contra o aumento da cotação da moeda americana, o Banco Central teve que recorrer às próprias reservas, que caíram de US$ 52 bilhões no início do ano para os atuais US$ 48 bilhões. Na semana passada o BC precisou vender US$ 800 milhões para conter o dólar.
TURISTAS, TEORICAMENTE SEM PROBLEMAS (TEORICAMENTE) – Os turistas estrangeirosem Buenos Aires, entre eles os brasileiros, não teriam – teoricamente –problemas para trocar moedas estrangeiras pelo peso argentino. Os únicos problemas seriam operacionais, já que desde segunda-feira diversas casas de câmbio permanecem com as portas fechadas, na espera de um cenário mais definido para o setor. Outros bancos e agências estavam com “problemas” em seus sistemas informáticos e não podiam fazer operação alguma.
Na rua Florida, o calçadão do centro portenho que – apesar de decadente – continua atraindo massas de turistas provenientes do Brasil – desapareceram os “arbolitos” (arvorezinhas), denominação dos cambistas ilegais que visavam principalmente os visitantes do exterior.
No entanto, segundo apurou o Estado, os turistas que optavam por pagar as mercadorias compradas com a moeda americana eram recebidos de braços abertos, já que para vários comerciantes esta será a única oportunidade que terão nos próximos tempos para adquirir dólares. Nestes casos, a cotação oferecida pelos comerciantes era mais favorável do que nas casas de câmbio.
O principal risco para os turistas brasileiros era o de não conseguir trocar para dólares ou reais nas horas prévias ao retorno ao Brasil, fato que implicaria em voltar com pesos argentinos na carteira.
Relação dos argentinos com a moeda americana é intensa. Fotomontagem que ironiza a obra de Michelangelo Buonarroti.
“QUEM APOSTA…” - O vice-presidente do Banco Central, Miguel Pesce, afirmou que “quem compra dólares estará fazendo um mau negócio”. A frase fez os argentinos relembrarem de Lorenzo Sigaut, ministro da economia da Argentina em 1981, que declarou “quem aposta no dólar, perde”. No entanto, a realidade contrariou o ministro, já que uma semana após a frase de Sigaut o dólar havia disparado, aumentando sua cotação em 35%. No entanto, a frase – e seu autor – entraram para o panteão dos prognósticos categóricos que falharam na História da economia nativa.
Nesta semana, na city financeira portenha, os analistas veteranos recordavam que diversos governos – civis e militares – tentaram colocar barreiras para a compra e venda de dólares em 1975, 1982, 1989 e 2001. No entanto, em todas as ocasiões as medidas fracassaram perante a tradição dos argentinos em buscar refúgio na moeda americana.
O ex-presidente do BC e atual deputado da oposição, Alfonso Prat-Gay, afirmou que as medidas serão um tiro pela culatra, já que a aplicação de controles sobre o dólar “aumentarão o desejo” dos argentinos pela divisa americana. “Para brecar a fuga, em vez disso, o governo deveria ter um combate frontal contra a inflação”, disse. Outro ex-presidente do BC argentino, Martín Redrado (foi o presidente da entidade durante a maior parte do governo Kirchner), sustentou que “a política cambial do governo gera mais incertezas do que soluções”.
Presidente Cristina E.F. de Kirchner com gesto típico em discurso. A líder do Poder Executivo argentino pede aos argentinos que não apostem de jeito algum na moeda americana. No entanto, ela própria investiu intensamente no dólar durante anos.
CRISTINA, NACIONAL, POPULAR E DOLARIZADA – A presidente Cristina, defensora do “Nac e Pop” (nacional e popular) começou a dar sinais públicos de que pretendia controlar a moeda americana no mercado argentino em julho, quando visitou a Bolsa de Valores. Na ocasião, em um discurso, a presidente pediu aos argentinos que “não apostassem no dólar”. No entanto, o pedido presidencial teve pouco efeito na época, já que as declarações oficiais de bens de 2008 e 2009 da própria Cristina Kirchner (divulgada em 2010) evidenciava que ela e seu marido e ex-presidente Nestor Kirchner, morto em outubro do ano passado, haviam colocado 62% de suas aplicações financeiras na moeda de “El Imperio” (denominação informal dos EUA no jargão político do setor), isto é, o dólar.
De forma geral, a declaração de bens do casal indica que desde 1999 a maior parte dos depósitos bancários do casal Kirchner esteve em dólares.Pouco antes da implantação do “corralito”, o mega-confisco bancário do fim do governo do ex-presidente Fernando De la Rúa (dezembro de 2001), os Kirchners – aconselhados pelo ministro da Economia, Domingo Cavallo, com quem tinham uma relação de amizade desde 1991 – retiraram a totalidade de suas economias em cash, no total de US$ 1,8 milhão (que por causa da conversibilidade econômica equivaliam a 1,8 milhão de pesos), e a colocaram em uma conta corrente do Deutsche Bank, nos EUA. Em 2002, após a desvalorização do peso, os Kirchners trouxeram suas economias de volta ao país. Nessa ocasião, o dinheiro que haviam colocado a salvo da crise no exterior valia, ao retornar 6,2 milhões de pesos (mais detalhes nesta postagem antiga, aqui).
“Alguém viu um dólar aí?” perguntou desafiante Perón em 1953 à multidão na Praça de Mayo. Vinte anos depois, o velho caudilho não se atreveu a realizar a mesma pergunta. Perón começou a perceber que a procura desesperada dos argentinos pela moeda americana superava qualquer discurso e carisma. Em 1973, pouco antes de encerrar seu exílio em Madri, afirmou com ceticismo: “o bolso é a víscera mais sensível do corpo humano…”. Na imagem acima, Perón em Buenos Aires, de volta ao poder e pouco antes de morrer, em 1974.
DÓLAR, OBSESSÃO ARGENTINA HÁ CINCO DÉCADAS
Em 1953, perante uma multidão acotovelada na Praça de Mayo, o general e presidente Juan Domingo Perón, desde a sacada da Casa Rosada, o palácio presidencial, fez uma pergunta em tom de desafio: “quem aí viu um dólar de perto?” Perón tentava minimizar a crescente importância da moeda americana no pós-guerra, já que esta começava a despertar o interesse dos argentinos, cansados dos constantes altos e baixos da economia local.
Nas quase seis décadas seguintes o frisson dos argentinos pelo dólar continuou crescendo e transformou-se em parte da cultura local, ao ponto de gerar um vocabulário próprio. Motivos havia de sobra, já que nesse período a Argentina passou por 13 graves crises econômicas (com desvalorizações repentinas, confiscos bancários, recessão e hiperinflação) que levaram os habitantes deste país a buscar a segurança da moeda americana.
Ao contrário dos brasileiros, cuja economia nunca foi dolarizada, os argentinos refugiaram-se no dólar mesmo durante a conversibilidade econômica, quando o governo garantia a paridade entre as moedas dos EUA e da Argentina.
Segundo autoridades americanas os argentinos são o segundo povo estrangeiro mais dolarizado no mundo, atrás – obviamente – dos Estados Unidos. Os russos estão em terceiro lugar no ranking. Os argentinos possuem US$ 130 bilhões fora do sistema financeiro, tanto em contas no exterior, caixas de segurança ou dentro do tradicional colchão e outros refúgios domésticos.
Do total de dólares vendidos ao público argentino em 2011, 80% foi comprado por pequenos e médios poupadores. Os analistas destacam que o dólar é refúgio tradicional das classes médias perante a variação de preços, enquanto que as elites possuem ferramentas mais “sofisticadas”, como ações e outras aplicações.
GLOSSÁRIO DOS DÓLARES NA ARGENTINA
Arbolito: Literalmente significa “arvorezinha”, pois ficavam em pé, imóveis, tais como os arbustos existentes nos anos 70 no meio do calçadão da rua Florida. Eles sussurravam, como o barulho do vento nas folhas: “dólar, dólar…”. O uso do termo posteriormente ampliou-se e é usado atualmente para os cambistas ilegais.
Cueva: Literalmente significa “caverna”, isto é, escritórios no centro de Buenos Aires onde as operações de compra e venda da moeda americana são de volume substancial.
Luca verde: Mil dólares. Uma “luca”, na gíria portenha, equivale a mil.
Palo verde: Um milhão de dólares. Um “palo” equivale a um milhão.
“Donde hay un mango?”: Uma “ranchera” antiga (embora com letra que resistiu à passagem do tempo) sobre a falta de dinheiro. Interpretada por Tita Merello, aqui.
E nada a ver com a temática acima,o tango “Naranjo en flor”. Aqui.
Verne luta contra a morte e procura a luz.
E já que estamos no dia de finados, minha homenagem a todos meus entrevistados e fontes nos governos (e outros âmbitos) que partiram desta vida nos últimos 16 anos. Pessoas de diferentes atividades (e de diversas ideologias e personalidades) como o ensaísta Tomás Eloy Martinez, o ex-guerrilheiro e ativista cultural Envar El Kadri, o historiador José Ignácio García Hamilton, a salvadora de judeus do Holocausto Emile Schindler, o escritor Adolfo Bioy Casares, o diplomata Gustavo Figueroa, a mãe da praça de Mayo Delícia Córdoba, o cartunista Roberto Fontanarrosa e tantos – tantíssimos – outros que de uma forma ou outra colaboraram com a atividade jornalística e com a sociedade enquanto estiveram vivos.
E, como homenagem, uma ilustração que mostra a supimpa tumba de Jules Verne (1828-1905), escritor que – caso exista um céu e caso ele esteja lá e caso eu vá parar ali – adoraria entrevistar.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
Cristina Kirchner teria hoje uma vitória esmagadora nas urnas. Ilustração do cartunista argentino “El Niño Rodríguez”. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
“Hegemonia kirchnerista” e “hiperpresidencialismo” são as expressões que integrantes da oposição usam para definir o cenário político que surgiria neste domingo com a virtual reeleição da presidente Cristina Kirchner. Segundo as pesquisas a presidente Cristina Kirchner venceria com uma proporção que oscilaria entre 51% e 57% dos votos, embora alguns analistas afirmem que poderia chegar aos 60%. Nenhum partido da oposição conseguiria, sozinho, na melhor das hipóteses, mais de 17% dos votos, segundo os prognósticos dos analistas de opinião pública. Os argentinos também irão às urnas para renovar o Parlamento e os governos provinciais.
A presidente, que nos últimos dois anos – após a derrota nas eleições parlamentares de 2009 – havia ficado em minoria no Parlamento, conseguiria (com parlamentares próprios e os aliados) uma confortável maioria em ambas câmaras. Em seu eventual novo mandato Cristina teria uma margem de manobra política que nenhum governo teve desde o presidente Juan Domingo Perón nos anos 50.
Desta forma, a presidente Cristina conseguiria para o kirchnerismo outros quatro anos no poder. Somados ao período de governo de seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007) e os quatro anos do primeiro mandato de Cristina, esta reeleição possibilitaria um total de doze anos de kirchnerismo na Argentina. Isso implicaria no período mais prolongado na História argentina de um mesmo grupo político no poder de forma ininterrupta nos últimos 150 anos.
A hegemonia que surgiria hoje nas urnas está gerando um clima político favorável aos planos de setores do governo de tentar uma reforma constitucional que permita uma segunda reeleição de Cristina em 2015.
“Uma democracia real na Argentina baseia-se na reeleição indefinida”, sustentou na semana passada durante uma conferência em Buenos Aires Ernesto Laclau, filósofo preferido de Cristina, que transformou-se no mentor ideológico do governo. Laclau, que reside parte do ano em Londres e é professor em Essex, Inglaterra, afirmou que “quando se constrói toda a possibilidade de um processo de mudanças ao redor de um nome determinado, se esse nome desaparece, o sistema fica vulnerável”.
Segundo o filósofo – que agora conta com um programa no “Encuentro”, o estatal canal de TV cultural – “se a Cristina se eternizar” no poder “não será algo que vá contra o sistema democrático”.
“Cristina Eterna” é a proposta de filósofo que transformou-se em mentor intelectual do kirchnerismo. Cristina seria reeleita hoje para o terceiro mandato do kirchnerismo. A idéia é um quarto mandato “Pinguim”. Pelo menos, “pra começar” (acima, os quatro pinguins do filme “Madagascar”).
PARLAMENTO - Na Câmara, Cristina Kirchner, por intermédio de seu partido, o Justicialista (Peronista), em conjunto com seus aliados, passaria das atuais 116 cadeiras para um total de 132. Os partidos da oposição, em conjunto, cairiam das atuais 141 cadeiras para 125.
No Senado o governo havia ficado em minoria após as eleições parlamentares de 2009. No entanto, ao longo do último ano conseguiu atrair os votos de dois senadores, um deles o ex-arquiinimigo do casal Kirchner, o ex-presidente e senador Carlos Menem. Desta forma, atualmente possui 37 cadeiras, contra as 35 da oposição. Mas, após as eleições deste domingo, o governo Kirchner conseguiria aumentar seu peso na câmara alta para 38 cadeiras. A oposição cairia de 35 para 34 senadores.
O professor de relações internacionais da Universidade Católica Argentina (UCA) e especialista em meios de comunicação Jorge Liotti disse ao Estado que além de “aprofundar o modelo econômico” o governo tem a ambição de “aproveitar a ausência de contra-pesos políticos da oposição para ocupar maiores espaços de poder”. Neste contexto, segundo Liotti, “o governo considera que o diálogo com a oposição é desnecessário”.
ÊXODO - Os analistas não descartam que as proporções a favor da presidente Cristina, especialmente na Câmara de Deputados, aumentem mais nos próximos meses, já que prevêm um êxodo de integrantes da oposição para o governo. Nas últimas semanas, diversos peronistas dissidentes deixaram de lado suas antigas diferenças com a presidente Cristina e voltaram para o seio do governo, que – pragmaticamente, sem rancor político – os recebeu com os braços abertos.
A oposição, enquanto isso, amarga a expectativa de uma derrota assegurada. No entanto, alguns líderes já pensam no futuro a médio prazo, como Ricardo Alfonsín, candidato presidencial da UCR, que declarou ontem que “será difícil conseguir um segundo turno nas presidenciais. Mas, nas eleições parlamentares de 2013 chegaremos cabeça a cabeça. E nas presidenciais de 2015 seremos uma opção firme de governo”.
Outros, como o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, do partido de centro-direita Proposta Republicana (Pro), estrategicamente deixaram de lado o confronto e optaram por declarar “todo o apoio” à presidente Cristina.
PROVÍNCIAS - Das 24 províncias argentinas 14 já realizaram suas eleições desde março passado, fora de sincronia com as presidenciais de hoje, dia no qual os argentinos de outras nove províncias irão às urnas para concluir a definição do mapa dos governadores do país.
Cristina, por vias diretas, ficaria com o controle de 17 (de um total de 24) províncias, número que indicaria a melhor performance do peronismo em um quarto de século.
No entanto, outras três – Neuquén, Chubut, Tierra del Fuego – embora nas mãos da oposição, estão nas mãos de governadores que já declararam seu alinhamento pragmático com o governo Kirchner. Desta forma, a presidente teria o controle direto ou indireto de 83% das províncias da Argentina.
E, para embalar este domingo, um pouco de música:
Mercedes Sosa canta “Todo cambia” (na genial cena de Habemus Papa, de Nani Moretti). Aqui.
“Libertango” de Astor Piazzolla. Na versão de Yo-Yo Ma e Nestor Marconi. Aqui.
Mais um Piazzolla, “Adiós Nonino”, com o próprio don Astor e a sinfônica da Rádio de Koln, Alemanha. Aqui.
Mais tango: Edmundo Rivero canta “Te lo digo por tu bien”. É lunfardo puro. Aqui.
Carlos Gardel cantando “Chorra” (Ladra), irônico tango que relata a história de uma profissional do ramo. Aqui.
Outra pérola de Edmundo Rivero: “Araca la cana” (Olha aí a polícia). Aqui.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
Georges “O Tigre” Clemenceau ficou impressionado com a capacidade de roubo dos políticos argentinos há um século. Cem anos depois, a moda continua.
“A economia da Argentina só cresce porque de noite os políticos e empresários estão dormindo e não podem roubar. E enquanto isso, à noite o trigo cresce e a vacas fornicam com luxúria”. A sarcástica frase, pronunciada pelo estadista francês Georges Clemenceau, após sua visita à Buenos Aires em 1910, é recordada com frequência mais de um século depois na Argentina pelos analistas políticos que avaliam o impacto da elevada corrupção que existe atualmente no país. “Infelizmente, a corrupção tornou-se um elemento a mais na política do governo”, afirma ao Estado o jornalista e escritor Luis Majul, autor de vários livros de investigação sobre a corrupção dos governos do ex-presidente Nestor Kirchner e a presidente Cristina Kirchner, entre os quais dois best-sellers: “O Dono” (sobre as supostas negociatas do ex-presidente Kirchner com empresários amigos) e “Ele e ela” (sobre a relação de poder entre os dois integrantes do casal presidencial).
Segundo empresários e analistas consultados pelo Estado, desde a volta da democracia, em 1983, a porcentagem das propinas exigidas pelos funcionários públicos cresceu sem parar, indo de uma faixa de 6% a 7% nos anos 80, para 10% nos anos 90 (esta porcentagem era ironicamente chamada de “Diego”, em alusão à camisa número 10 de Maradona). No entanto, desde 2003, ano da posse de Kirchner, a proporção continuou sua escalada. Em 2009 a consultoria internacional KPMG emitiu um relatório no qual indicava que a porcentagem das propinas exigidas pelos funcionários públicos argentinos, segundo empresários entrevistados, havia subido de 15% em 2003 para 20% em 2009.
“De lá para cá, aumentou. Já passou dos 20%” afirma Majul. “Um alto empresário me contou que durante o menemismo a corrupção era de ladrões de galinheiro, Isto é, as penas ficavam de forma óbvia, coladas nas roupas dos ladrões. Mas, no governo Kirchner a corrupção ficou mais sofisticada, não somente com os pedidos de comissões, mas também com participação nos negócios”, explica.
Daniel Santoro, jornalista que investigou escândalos de desvios de fundos do governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), afirma que “a corrupção no período menemista foi por intermédio das privatizações ou concessões das empresas do Estado argentino. Eram as ‘joias da vovó’, mas com um governo de poucos ingressos e em uma época de vacas magras. No entanto, a corrupção do kirchnerismo foi a dos milionários contratos de obras públicas em uma época de vacas gordas”.
Manuel Garrido, ex-promotor federal e ex-diretor do Departamento Anticorrupção, tornou-se em 2003 diretor da Promotoria de Investigações Administrativas. Mas, renunciou poucos meses depois, quando o procurador-geral da República, Esteban Righi, restringiu suas investigações, que começavam a dar pistas sobre os primeiros escândalos do governo Kirchner. Garrido disse ao Estado que “a impunidade continua, pois atualmente ninguém investiga a corrupção na Argentina”.
ESCÂNDALOS – Mais de uma centena de funcionários do governo de Néstor Kirchner e de Cristina Kirchner foram indiciados na Justiça por supostos envolvimentos em casos de corrupção nos últimos oito anos. No entanto, em diversos casos o governo conseguiu blindar-se das investigações feitas pela Justiça.
Esse é o caso do processo sobre enriquecimento ilícito dos Kirchners na província de Santa Cruz, que investiga irregularidades na compra de um terreno na cidade de El Calafate em 2006. O terreno foi vendido aos Kirchners pela prefeitura, comandada por um aliado do casal – por US$ 34 mil. O mesmo terreno foi revendido em 2008 por US$ 1,65 milhão.
Mas, a investigação sobre o caso está praticamente paralisada, já que ficou nas mãos da sobrinha do casal Kirchner, a promotora Natalia Mercado, filha de Alicia Kirchner, ministra da Ação Social, irmã do ex-presidente Néstor Kirchner.
A oposição também pede uma investigação sobre o crescimento exponencial da fortuna da presidente Cristina e de seu marido, falecido em outubro passado, já que o patrimîonio do casal aumentou 928,84% desde 2003. Os bens oficiais dos Kirchners, em um período de sete anos, passaram dos 6,851 milhões de pesos (US$ 1,647 milhão) para 70,49 milhões de pesos (US$ 16,945 milhões).
O deputado Miguel Bonasso, um ex-kirchnerista desencantado com o casal presidencial, os acusa de corrupção: “nem o narcotráfico tem esses níveis de enriquecimento súbito”.
Dólares foram aplicação preferida do casal Kirchner durante anos. Ilustração do cartunista argentino “El Niño Rodríguez”. Site do cartunista: http://www.elninorodriguez.com/
FORTUNA DOS KIRCHNERS AUMENTOU QUASE 930% DESDE POSSE EM 2003
A fortuna da presidente Cristina Kirchner e de seu marido e ex-presidente Nestor Kirchner, falecido em outubro passado, aumentou 928,84% desde que o casal chegou ao poder em maio de 2003.
Os bens oficiais dos Kirchners, em um período de sete anos, passaram dos 6,851 milhões de pesos (US$ 1,647 milhão) para 70,49 milhões de pesos (US$ 16,945 milhões). Isso é o que indica a declaração de bens apresentada em agosto – depois de dois meses de atraso – pela presidente Cristina Kirchner ao Departamento Anticorrupção, organismo federal cuja missão oficial é a de fiscalizar os funcionários públicos.
Somente entre 2009 e 2010 o aumento dos bens dos Kirchners foi de 27%, proporção que indica que seu lucro triplicou a inflação admitida pelo governo nesse período (de 8,9%).
Segundo as explicações oficiais, o patrimônio dos Kirchners – concentrado na área financeira e hoteleira – aumentou principalmente devido às dezoito aplicações bancárias do casal e à valorização das ações das três sociedades que controlam hotéis na Patagônia.
No entanto, o caso do Hotel Los Sauces, na cidade turística de El Calafate, despertou suspeitas, já que a parte dos títulos dessa empresa que está nas mãos de Cristina exibe metade do valor das ações que estão a nome de Kirchner. Os integrantes do casal possuíam 45% das ações do hotel cada um.
Os representantes da oposição também indicam que é “suspeito” o crescimento da riqueza familiar, já que os afazeres governamentais da costumeiramente agitada Argentina não permitem tempo de sobra para ocupar-se com os investimentos pessoais.
O desaquecimento da economia argentina em 2008, em meio ao conflito ruralista, e a crise de 2009 não abalaram a capacidade de poupança e investimento do casal Kirchner. Entre esses dois anos sua fortuna aumentou 158%, fato que despertou as suspeitas de enriquecimento ilícito.
A última declaração de bens do casal indicava que a fortuna dos Kirchners originava-se pelas operações de compra, venda e aluguéis de imóveis, além de investimentos em hotelaria na Patagônia. Além disso, apesar da defesa enfática do “nacionalismo popular”, o casal presidencial tinha a maior parte de suas aplicações financeiras em dólares, e não em pesos, a moeda nacional. Em 2008, 62% das aplicações do casal estavam na moeda do “Império”, denominação aplicada pelos militantes kirchneristas aos Estados Unidos.
Cornucópia, o símbolo clássico da abundância e da riqueza.
ALGUNS CASOS DE CORRUPÇÃO DO GOVERNO KIRCHNER
Fundos de Santa Cruz (desde 2003): Nos anos 90 o então governador de Santa Cruz, Néstor Kirchner, enviou US$ 500 milhões para o exterior. Com o dinheiro fora do país, a província salvou-se do “corralito” (confisco bancário) de 2001 e a crise financeira de 2002. Kirchner prometeu que, quando fosse eleito presidente, o dinheiro voltaria ao país. Kirchner tomou posse em 2003. Entre 2007 e 2009 os fundos voltaram. Mas, a oposição afirma que existem outros US$ 500 milhões em juros sobre os quais nada se fala e que não voltaram ao país.
Caso Skanska (2005): Escândalo que envolve empreiteiras argentinas e estrangeiras, entre elas a sueca Skanska, no superfaturamento das obras de dois mega-gasodutos no sul e norte da Argentina. O principal suspeito do affaire é o Ministro do Planejamento Julio De Vido. As denúncias indicam subornos pelo valor de US$ 5 milhões.
Trem-bala (2006): A Oposição acusa os Kirchners de graves irregularidades no contrato que o governo assinou com a empresa francesa Alstom para a construção do controvertido trem-bala argentino. O governo diz que o custo da obra seria de 2,5 bilhões de euros. Mas, a Oposição afirma que os contratos, da forma como foram elaborados, implicam em um custo três vezes superior ao orçamento oficial. O projeto está temporariamente suspenso.
“Valijagate” (Maleta-gate) ou o “Caso da Mala” (2007): Suposto envio de fundos de Chávez para a campanha eleitoral de Cristina Kirchner em 2007. Existem pistas sobre o envio de pelo menos US$ 5 milhões.
Banheiro-gate (2008): Posse irregular de pelo menos US$ 60 mil por parte da então Ministra da Economia Felisa Miceli. A ministra, sem encontrar justificativas para a posse desse dinheiro, encontrado em uma sacola de pale en seu banheiro, teve que renunciar.
Enriquecimento ilícito (desde 2008): A oposição, advogados independentes e a mídia acusam os Kirchners de enriquecimento ilícito. Eles afirmam que o crescimento exponencial do patrimônio presidencial desde 2003 não tem justificativas contábeis lógicas. Os Kirchners argumentavam que seu enriquecimento devia-se aos investimentos em imóveis.
“Embaixada paralela” (2010): O ex-embaixador argentino em Caracas, Eduardo Sadous, denunciou na Justiça que integrantes do governo da Venezuela e da Argentina durante vários anos exigiram a empresários exportadores de ambos países o pagamento de propinas de 15% a 20% para não causar obstáculos em suas operações de comércio bilateral. Segundo o embaixador, as pessoas envolvidas na exigência da propina referiam-se a ela como um “pedágio”.
SUBORNOS TÊM VOCABULÁRIO ESPECIAL NA ARGENTINA
Coima – Suborno preparado, organizado. “Propina”, em espanhol, é usado para “gorjeta”.
La Banelco – Alusão à “Banelco”, marca de um cartão de débito bancário. Surgiu no ano 2000, quando o então ministro do Trabalho do presidente Fernando De la Rúa, Alberto Flamarique, do partido Frepaso, teria afirmado que resolveria um impasse sobre a votação da polêmica Lei Trabalhista no Senado com “La Banelco”. Ou seja, pagando aos senadores. O termo, usado de forma geral para o pagamento de subornos em empresas e governo, voltou a ser aplicado nos últimos anos no caso da suposta compra de votos na Câmarade Deputados por parte do governo de Cristina Kirchner.
Diego – Alusão a “El Diez” (O Dez), apelido do ex-astro do futebol, Diego Armando Maradona. Mas, neste caso, o “Diego” referia-se nos anos 90 e início deste século aos 10% de alguma quantia em jogo. Uma espécie de dízimo periódico. Ficou defasado pelo aumento na porcentagem das coimas nos anos posteriores.
Celular – Alusão ao prefixo “15” dos telefones celulares na Argentina, e por tabela, referência à comissão de 15% que diversos ministros cobravam de empresários em meados da década. O ministro de Obras e Planejamento Federal, Julio De Vido, homem que está como casal Kirchnerdesde que Nestor Kirchner foi prefeito de Rio Gallegosem 1987, era chamado de “ministro celular”. Nos últimos anos este apelido também ficou defasado pelo aumento da porcentagem das coimas.
falando em sofisticação da corrupção, lembrei de sofisticação no jazz…e lembrei de “Sophisticated lady”. Neste link do Youtube, com Duke Ellington e sua orquestra durante um concerto em Copenhague, Dinamarca, nos anos 60. Ouça Duke E. acompanhado pelo saxofonista Harry Carney, aqui.
E neste outro link, a mesma canção, mas entoada pela genial Billie Holiday. Aqui.
Duke Ellington, o “duque” do jazz.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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