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Ariel Palacios

 

Berlusconi, Silvio, dá escaneada em mulher que passa na recente reunião do G-20 na Itália. Desde a tarde deste sábado Berlusconi é “ex-primeiro-ministro” italiano.

nfundá la mandolina” é um tango de 1930 Francisco Pracánico com letra de José Zubiria Mansilla, imortalizado por Carlos Gardel.

O título irônico – “Coloca o bandolim dentro da capa” – equivale a “se aposenta, meu” ou “desista disso”.

A letra é uma ironia com um homem que costumava dar uma de Don Juan apesar da idade. Gardel recomenda que ele “guarde a viola”, ou neste caso, que guarde mesmo o bandolim – que se aposente e deixe de incomodar - e que deixe as moças para os jovens.

Um trecho, especificamente, diz “O que você quer, Cipriano, já não rendem mais tuas cinqüenta primaveras que você carrega nas costas; junto com o cabelo que foi embora do cocoruto, já foi embora o charme que não volta mais… deixa as garotas para os rapazes; esses pratos fortes não são para você… Escapa do orvalho, e vai pra cama, pois, depois, amanhã, você anda com tosse… cóf-cóf” (evidentemente, as 50 primaveras citadas na letra são os pesados 50 anos da década de 1930, quando as pessoas morriam mais cedo. O Il Cavaliere está com 75, com várias cirurgias plásticas e muita tintura capilar).

Esse tango, com Gardel, aqui.

O mesmo tango com Julio Sosa, aqui.

E a letra:

Sosegate que ya es tiempo

de archivar las ilusiones,

dedicate a balconearla,

que pa’ vos ya se acabo,

y es muy triste eso de verte

esperando a la fulana

con la pinta de un Mateo

desalquilao y triston.

No hay que hacerle, ya estas viejo,

se acabaron los programas,

y haces gracias con tus locos

berretines de gavion;

ni te miran las muchachas,

y, si alguna te da labia,

es pa’ pedirte un consejo

de baquiano en el amor.

Que queres, Cipriano,

ya no dan más jugo

los cincuenta abriles

que encima llevas;

junto con el pelo

que fugo del mate

se te fue la pinta

que no vuelve mas.

Deja las pebetas

para los muchachos;

esos platos fuertes

no son para vos.

Pianta del sereno

y andate a la cama

que, después mañana,

andas con la tos.

Enfunda la mandolina,

ya no estas pa’ serenatas!

te aconseja la chiruza

que tenes en el bulin,

dibujandose en la boca

la atrevida cruz pagana

con la punta perfumada

de su lapiz de carmin.

Han caido tus acciones

en la rueda de grisetas

y a compas del almanaque

se deshoja tu ilusion,

y ya todo te convida

a ganar cuartel de invierno,

junto al fuego de tus recuerdos

en la sombra de un rincon.

Picasso, Pablo, e seu quadro “Bandolim, prato de frutas e braço”, de 1925.

ITÁLIA E ARGENTINA: O interesse pelos escândalos de Berlusconi sempre foi grande na Argentina, já que existe uma imensa comunidade italiana no país, além do fato de que metade dos eleitores italianos residentes na América Latina moram neste país. De quebra, vários parlamentares em Roma nasceram na Argentina.

Além disso, dezenas de milhares de argentinos migraram para a Itália durante as várias crises que o país sofreu nos últimos 20 anos… e agora, com o colapso da economia italiana, muitos estão voltando para a Argentina.

Proporcionalmente, embora não em números absolutos, a Argentina é o país mais italianizado das Américas, já que 52% dos argentinos – isto é, 25 milhões – são descendentes completos ou parcialmente de imigrantes provenientes da península mediterrânea.

O próprio nome de Buenos Aires vem da “Madonna de Bonaria”, de Cagliari, na italiana ilha da Sardenha, cuja imagem foi levada por marinheiros espanhóis para o rio da Prata.

E não é à toa que o mais famoso ditado sobre os habitantes deste país indica que “o argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês”.

Um sinal da italianidade profunda da Argentina? É só ver a lista de integrantes da seleção argentina de futebol parece que é a escalação da Scuadra Azzurra.

E dos 10 maiores goleadores da História argentina, 7 tem sobrenome italiano: Batistuta, Maradona, Passarella, Masantonio, Sanfilippo, Messi e Pontoni.

O próprio sotaque portenho – e a gíria – é diferente ao resto da América Latina por causa da influência italiana. O sotaque portenho é denominado de “canyengue”, uma referência ao sotaque de Gênova.

Algumas principais figuras do tango em Buenos Aires: Firpo, Grecco, Canaro, Cadicamo, Manzi, Stampone, e Piazzolla.

Em 1910 o Parlamento argentino, tendo em vista o peso descomunal dos imigrantes italianos no país, até avaliou um projeto de lei para tornar a Argentina um país bilingue castelhano-italiano.

Foto completa de Berlusconi escaneando a presidente Cristina Kirchner. Poucas semanas antes Berlusconi havia dado umas olhadas radiográficas na líder teutônica Angela Merkel.

SEXO BERLUSCONIANO-ROSARINO - E, como o sobrenome Berlusconi praticamente transformou-se em sinônimo de noitadas de sexo desenfreado, empresários da noite de Rosário, a terceira maior cidade da Argentina, batizaram um bordel de luxo – apresentado formalmente como um “night club” – com o nome “Palácio Berlusconi”, em pleno centro rosarino.

O lugar conta com mulheres belíssimas, espetáculos eróticos e garotas de programa.

Os donos, que se auto-definem como “empreendedores noturnos” declaram admiração pelo primeiro-ministro italiano, que aos 75 anos, ainda é capaz de proezas no leito.

Segundo Juan Cabrera, um dos criadores do Palácio Berlusconi, muitos dos habituès do estabelecimento gostariam de ser como Berlusconi.

Os freqüentadores do Palácio Berlusconi são grandes empresários, jogadores de futebol e donos das grandes fortunas da região.

Mas, associações italianas não gostaram que um bordel de luxo ostentasse o nome do primeiro-ministro da República e reclamaram, afirmando que trata-se de uma “ofensa”, já que tratava-se um lugar de “moral duvidosa”.

As autoridades responderam que o estabelecimento em Rosário não exibe o nome do primeiro-ministro no cartaz na rua. No entanto, um imenso estandarte com a letra “B” de Berlusconi é bem evidente na porta do lugar…

Nada que ver com Berlusconi, o sempre cavalheiro – e discreto – Carlos Gardel. E, é bom lembrar do tango “Corrientes y Esmeralda” que diz “cualquier cacatúa sueña con la pinta de Carlos Gardel”. Aqui. 

“Cacatúa”, em lunfardo, é uma “pessoa insignificante”.

 

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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As delícias de ser avó. Neste quadro – o “Bolo de aniversário da vovó” - de Fritz Sonderland (1836-96), aparecem diversas criancinhas que visitam a casa da avó para celebrar com a doce senhora. A obra está na Galeria Josef Mensing, Hamm Rhynern, na Renânia-Westfália do Norte, Alemanha.

Cristina Kirchner tornou-se aprimeira presidente na América do Sul a twittar o anúncio do surgimento de um herdeiro familiar. Nesta quarta-feira ela interrompeu os comentários políticos que costuma fazer na rede de microbloggings para informar que seu filho mais velho, Máximo, de 34 anos, será pai. “Terei um neto! CFK avó!”, twittou, citando as siglas de seu nome e sobrenome.

Depois, em referência à morte de seu marido, o ex-presidente NestorKirchner, em outubro passado, afirmou no twitter: “Deus tira de você…e Deus te dá” (o link para a twittada presidencial, aqui).

Máximo, o filhomais velho do casal Kirchner,transformou-se nos últimos dois anos no líder de “La Cámpora” – grupo que reúne a juventude kirchnerista – cujos integrantes começaram a ocupar diversos postos-chave do governo nos últimos tempos.

Na sequência, pelo twitter, Cristina definiu Kirchner como um “gladiador” e atribuiu sua morte, por um fulminante ataque cardíaco, ao fato de que “seu corpo ficou gasto de tantas lutas”.

Kirchner havia sido operado duas vezes em menos de um ano por obstruções na carótida. Mas, contrariando as recomendações médicas, Kirchner – considerado o verdadeiro poder no governode Cristina – continuou mantendo uma intensa atividade administrativa. 

A nora, o filho, a própria presidente. Da esquerda para a direita, Máximo Kirchner – o primogênito do casal Kirchner – e a presidente Cristina E.F. de Kirchner. Esta, será avó oficialmente pela primeira vez. Máximo passa a maior parte do tempo na província de Santa Cruz, feudo político dos Kirchners. Ali conheceu María Rocío García, filha de um ex-governador interino. A irmã de Rocío foi designada candidata para o Senado nas eleições de outubro.

BUSCADOR – Militantes kirchneristas lançaram o buscador de internet “busKador” (www.buskador.com.ar), no qual o internauta poderá encontrar notícias, pensamentos, blogs e os mais diversos sites que respaldam (ou que possuam vínculos) com o projeto “Nac e Pop” (Nacional e Popular, expressão usada pelo kircherismo para sintetizar seu pensamento político).

Ficaram excluídos do “busKador” os sites diretos de meios de comunicação críticos do governo Kirchner, como o “Clarín”, “La Nación” e “Perfil” e os partidos de oposição como o “Proposta Republicana” e a “União Cívica Radical”, entre outros. Estes jornais ou partidos só aparecem quando são citados em algum blog ou site alinhado com o kirchnerismo.

 

Do lado esquerdo, o Eternauta verdadeiro, o personagem de Juan Salvo, imortalizado pelo roteiro de Héctor Oesterheld e o traço de Solano López (descendente, este, do homônimo presidente do Paraguai em meados do século XIX). Do lado direito, Kirchner vestido como o Eternauta.

O site BusKador ostenta uma única ilustração, a do ex-presidente Kirchner caracterizadocomo o “Eternauta”, herói de uma tirinha de ficção científica argentina na qual o protagonista luta com sucesso contra invasores de outro planeta que querem escravizar a Humanidade. 

LES FRÈRES - E falando na transformação de Cristina Kirchner em avó, cá temos o escritor Victor Hugo com seus dois netos. O francês autor de “Os miseráveis” e “Os trabalhadores do mar” também escreveu o livro “ L’Art d’être Grand-Père” (A arte de ser avô, de 1877), uma pequena obra-prima sobre as delícias e obrigações de cuidar dos netos.

O francês Victor Hugo e seus netos foram o gancho para recordar que hoje é o 14 juillet, o 14 de julho, a data emblemática francesa, o dia da queda da Bastilha, o pontapé inicial da França moderna e dos ideais de Liberté, Egalité e Fraternité.  

E, como este é um blog francófilo, faremos uma ponte entre a França e a Argentina – e entre Paris e Buenos Aires (denominada na primeira metade do século XX de “A Paris da América do Sul”) brevemente transformaremos “Os Hermanos” em “Les Frères”

A “Tomada da Bastilha”, de Jean-Pierre Louis Laurent Houël.  No centro se vê a prisão de Jourdan de René de Bernard, marquês de Launay (1740-1789).

A melodia comme il faut desta jornada é La Marseillaise, o Hino Nacional francês. Neste link do Youtube,  esse vraiment supimpa hino cantado por Plácido Domingo. Ici même….Aqui mesmo. 

 E, para fazer um link novamente com a Argentina, Carlos Gardel, cantando Anclao en Paris, aqui.

E Gardel cantando “Francesita”, Aqui.

Neste, cantando “Silencio”, um tango que relata a história de uma mãe cujos filhos estão lutando nas trincheiras na França na Primeira Guerra Mundial. Aqui.

 E outro tango com referências à França, “El Marne”, de Eduardo “El Tigre” Arolas, em uma versão de Astor Piazzolla. Aqui.

E as primeiras cenas do filme “Tangos, o exílio de Gardel”, rodado em Paris. O trecho deste filme de Fernando Solanas,aqui.

Claude Monet, Rue Montorgueil, Paris, Festival de 30 de junho, 1878. Pintado em 1878. Musée d’Orsay, Paris.

Buenos Aires foi chamada de “A Paris da América do Sul” no início do século XX… e não era à toa: a aristocracia portenha fazia com grande frequência viagens à capital francesa para ali passar vários meses. A própria Buenos Aires inspirava-se na arquitetura francesa. E de quebra, importavam esculturas da França para decorar os parques e praças portenhas.

Neste post de tempos atrás, a presença de Auguste Rodin em Buenos Aires…quase um portenho honorário! Aqui.

Bom, neste globalizado blog não poderíamos deixar de citar a Itália…que entra aqui pela figura de Yves Montand, italiano de nascimento e posteriormente cidadão francês. Originalmente foi Ivo Livi, nascido em 1921em Monsummano Alto, Toscana.

Neste link, canta “Paris canaille”. Aqui.

Neste outro, entoa o “Canto dos partisanos”, o hino da resistência francesa. Aqui.

E para encerrar, escolhemos um clássico, “Casablanca”. A arrepiante cena na qual Lazlo, em pleno bar do Rick, desafia os representantes do Terceiro Reich e canta “A Marselhesa”. Aqui.

Meu “Vive la France!” aos franceses, franco-argentinos e franco-brasileiros.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

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Carlos Gardel, ícone do tango no Rio da Prata, fuma em um filme da Paramount nos anos 30.

O tango Fumando espero”, cuja letra dizia “Fumar é um prazer genial, sensual…Fumando espero a mulher que eu quero”, não poderá mais ser colocado na prática de forma 100% pelos argentinos e qualquer estrangeiro que esteja dentro do território nacional. O ato de fumar, sentado em um café – enquanto olha pela janela - acabou. As únicas alternativas serão a de esperar na rua – sob a chuva, sol ou vento, dependendo do enlouquecido clima portenho – ou trancado dentro de casa, já que a atividade de fumar estará categoricamente limitada às residências, ruas e praças. Nunca mais uma pessoa poderá esperar fumando em um restaurante, bar, cinema, teatro, cemitério, hall de um prédio, discoteca, entre outros lugares.

Quem quiser colocar na prática a espera nicotínica imortalizada por Carlos Gardel (e na versão feminina, pela espanhola Sarita Montiel), também terá a oportunidade – pouco romântica – de esperar fumando nos estádios. Mas somente os estádios não cobertos.

Isso é o que determina a lei aprovada pelo Senado em dezembro passado e confirmada pela Câmara de Deputados na terça-feira à noite. A nova lei será promulgada pela presidente Cristina Kirchner em breve e entrará em vigência antes do fim do ano, segundo afirmou o senador Daniel Filmus, ex-ministro da Educação e autor do projeto de lei.

O tradicional cigarro colocado na mão esquerda da estátua de Gardel em seu túmulo no cemitério de La Chacarita será uma lembrança do passado. Nas últimas sete décadas e meia, desde seu enterro em 1935, a mão de Gardel quase sempre ostentou um cigarro fumegante colocado pelos fãs.

“É um dia histórico” exclamou Verônica Schoj, coordenadora da ONG Aliança Livre de Fumaça Argentina. Segundo ela, a nova lei “não estigmatizará os fumantes, pois vai ajuda-los a deixar os cigarros”. O ministro da Saúde, Juan Manzur, declarou que a lei será “crucial” para reduzir o número de 40 mil mortes anuais provocadas pelo cigarro na Argentina.

A norma, que transformou a Argentina nesta semana no oitavo país 100% livre de fumaça de cigarros na América Latina (depois do Uruguai, Peru, Venezuela, Colômbia, Panamá, Guatemala e Honduras), também estipula restrições à publicidade de cigarros e demais estímulos para o consumo de produtos elaborados com fumo.

A partir de sua promulgação será proibida a colocação de publicidade em meios de comunicação e na via pública. Além disso, as empresas de cigarros não poderão patrocinar eventos ou atividades públicas.

Os maços – que deverão ostentar advertências sanitárias sobre os riscos de fumar – não poderão mais utilizar as denominações “light”, “suave” ou “baixo conteúdo de nicotina”.

A lei estipula que fica expressamente proibida a atividade de fumar em escritórios públicos ou privados. A única possibilidade que fica aberta é a dos escritórios de apenas uma pessoa, sem atendimento ao público e sem empregados.

A lei foi aprovada na Câmara por 182 votos a favor. Um deputado absteve-se, enquanto outro votou contra a lei. Após a votação, o deputado Jorge Obeid destacou que os próprios parlamentares deveriam dar o exemplo do cumprimento das restrições ao fumo e remover os cinzeiros espalhados no plenário dos deputados.

As multas para os infratores da nova norma oscilarão entre os valores equivalentes de 250 e um milhão dos maços mais caros de cigarros (entre US$ 437 e US$ 1,5 milhão).

Acima, mais uma vez Gardel com o cigarro na mão.

Tango “Fumando espero” Canta Ignacio Corsini. Aqui.

“Fumando espero” foi composto em 1922, época em que o tango era um gênero que causava furor na Europa. Este tango específico foi criado na Espanha pelo músico barcelonês Juan Villadomat Masanas, com letra de Félix Garzo. A obra, originalmente, foi preparada para uma peça teatral, “La Nueva España”.

Mas, o estilo espanhol não vingou neste caso. “Fumando espero” só tornou-se um sucesso quando foi levado para a Argentina por um grupo chamado “The Mexicans” (assim, em inglês, embora com referência aos mexicanos, apesar de ser integrado por espanhóis que tentavam conquistar o mercado argentino).

A estrela do grupo era  cantora Ana Luciano Divis, mais conhecida pelos argentinos como Tania (ela nasceu em Toledo, Espanha, em 1893, foi para Buenos Aires em 1917 e casou com o compositor Enrique Santos Discépolo em 1927 e morreu na capital argentina em 1999).

Em Buenos Aires, além de Tânia, este tango foi interpretado por Gardel e muitos outros tangueiros. Em 1957 este tango teve um novo impulso mundial com o filme “El último cuplé”, protagonizado por Sarita Montiel.

Na realidade, a letra de Félix Garzo refere-se a um cigarro que possui cocaína dentro. Só com este detalhe fica clara a letra do tango.

O cantor mexicano Tin Tan, que sabia bem como imitar o sotaque portenho, em uma versão do mesmo tango, aqui.

E a versão com a emblemática espanhola Sarita Montiel. Aqui.

A letra de Fumando espero:

Fumar es un placer

genial, sensual.

Fumando espero

al hombre a quien yo quiero,

tras los cristales

de alegres ventanales.

Y mientras fumo,

mi vida no consumo

porque flotando el humo

me suelo adormecer…

Tendida en la chaisse longue

fumar y amar… 

Ver a mi amante

solícito y galante,

sentir sus labios

besar con besos sabios,

y el devaneo

sentir con más deseos

cuando sus ojos veo,

sedientos de pasión.

Por eso estando mi bien

es mi fumar un edén.

Dame el humo de tu boca.

Anda, que así me vuelvo loca.

Corre que quiero enloquecer

de placer,

sintiendo ese calor

del humo embriagador

que acaba por prender

la llama ardiente del amor. 

Seção Efeméride quae sera tamen (um pouquinho tamen):

Parabéns à Itália pelos 150 anos da Reunificação (celebrada ontem, dia 2 de junho)!

G.Garibaldi, “herói de dois mundos”, acima.

Hino, aqui.

E o “samba italiano”, aqui.

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Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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De Gardel a Camões, uma Pulex irritans incomoda muita gente. Muitas Pulex irritans incomodam muito mais.  Ilustração de uma pulga no livro “Micrographia”, do físico, biólogo, geólogo e arquiteto inglês Robert Hooke (1635-1703).

Caras e caros, aqui está nossa periódica coluna sobre as expressões idiomáticas usadas na Argentina (e de aplicação em outros países hispano-falantes).

Andá cantarle a Gardel (Vá cantar ao Gardel): A frase literalmente indica que o interlocutor vá até o cantor de tangos Carlos Gardel e cante para ele. No entanto, é uma ironia, já que a verdadeira mensagem – ao enviar a pessoa ao Gardel, morto desde 1935 (além do paradoxo de cantar para o emblemático cantor do tango) – é “vá reclamar a outra pessoa”, também podendo equivaler a “vá ver se estou na esquina”.

A frase é muito usada no contexto de incredulidade da pessoa “A”, que considera inverossímil (ou insuportável) algum comentário da pessoa “B”. Por isso, “A!” diz a ”B” que vá cantar para o famoso intérprete de “Anclao en Paris” e “Mi Buenos Aires querido” (além do divertido fox trot “Rubias de New York”).

Gardel, Carlos. O emblemático cantor de tangos. Ele morreu em 1935. Mas, seus admiradores afirmam que “Gardel cada día canta mejor” (Gardel cada dia canta melhor).

 O “andá a cantarle a Gardel” também seria equivalente à expressão usada em Lisboa “vá chatear o Camões”, em alusão ao poeta zarolho lusitano Luís Vaz de Camões. Evidentemente, o chatear em questão equivale a “encher” e nada tem a ver com manter um chat com o autor do verso “as armas e os barões assinalados que, da ocidental praia lusitana, por mares nunca de antes navegados passaram ainda além da Trapobana”.

Falando em Trapobana, o “andá a cantarle a Gardel…” equivaleria (se alguém dissesse algo assim) a “vá para a Taprobana cantar um fado à Amália Rodrigues e aproveite e cate coquinho na ladeira do Chiado quando desce para o Rossio”, ou ainda o “vá para a Bessarábia” (anos 50 e 60, usado no Brasil). Ou o clássico dos clássicos, “vá para a Cochinchina”, isto é, quando se expressa o desejo de que o interlocutor visite as terras outrora colonizadas pela França e que agora ocupam as áreas meridionais do Vietnã e do Cambodja.

Dentro do círculo vermelho a tão famosa Cochinchina, para onde foram enviadas tantas pessoas ao longo de décadas!

 O “Andá cantarle a Gardel”, no entanto, não possui grau de agressividade elevado, já que contém alta ironia.

Outras expressões que expressam que o interlocutor rume para algum lugar específico possuem cargas agressivas mais elevadas.

É o caso do insulto de convite imperativo “Andá a la puta que te parió!” (equivalente em 100% ao “Vai para a puta que te pariu” aplicado cotidianamente no Brasil e outras terras luso-falantes). Este carece da ironia utilizada no “Andá a cantarle a Gardel”.

O “Andá a la puta que te parió” pode ser tonificado com um reforço não obrigatório. Desta forma, transforma-se na expressão ampliada “andá a la puta que te parió, boludo (para mais explicações sobre o ‘boludo’, ver aqui).

É preciso destacar que o uso do “boludo” aqui aplicado não é uma obrigação (cara/caro leitora/leitor não sinta-se induzido ou forçado a ampliar a expressão original, pois já dizia o brilhante arquiteto Mies van der Rohe “less is more”) nem é o único insulto que pode ser colocado após a vírgula. Existe uma miríade de possibilidades no universo dos epítetos. Outra alternativa é o “andá a la puta que te parió, zopenco” (zopenco equivale a “tonto” e é pouco usado atualmente… mas é sempre uma ocasião de recuperar este insulto, que pode ser encarado como ‘vintage’, não é?). Uma alternativa mais atual (no entanto com menos glamour) é o “andá a la puta que te parió, repelotudo“. Sobre esta palavra, recorra à postagem de meses atrás sobre o “Boludo”. Ali encontrará mais referências sobre o pelotudo e o repelotudo (a segunda palavra é na verdade, uma versão anabolizada da primeira palavra).

Enquanto que em Buenos Aires o insulto de convite imperativo é “vá cantar ao Gardel”, em Lisboa é “vá chatear o Camões”. Acima, o autor dos “Lusíadas”.

 A expressão “andá a la puta que te parió, boludotambém pode ser novamente tonificada da seguinte maneira: “andá a la puta que te parió, pedazo de boludo.

Neste caso a pessoa “A”, que dirige a palavra ao interlocutor, isto é, a pessoa “B”, reforça seu desejo com a palavra “pedazo” (pedaço), que especifica mais ainda o “boludo” em questão.

Paradoxalmente, a frase fica mais sonora e enfática, embora o “pedazo de boludo” indique que não se trata de um boludo 100%, mas sim, um boludo parcial.

Isto é, segundo algumas teorias, poderia significar uma ironia, já que algumas correntes filosóficas indicam que um boludo não pode ser parcialmente boludo. Ou é boludo ou não é boludo. Eu, pessoalmente, discordo de tais posições ortodoxas e considero que podem existir boludos ma non troppo.

De quebra, o “andá…” pode ser também aplicado com uma versão inquisitiva, o “porque no te vas a la puta que te parió?”. Neste caso, a pessoa “A”, em vez de mandar – com o verbo no imperativo (tal como nos anteriores exemplos) – a pessoa “B” para o lugar determinado, ela opta por perguntar se por acaso não iria a esse lugar.

A pergunta é meramente retórica, já que a pessoa “A” não tem curiosidade sobre a eventual ida de “B” à “puta que te parió”. É uma ironia, no fundo.

Ludwig Mies van der Rohe (1886 – 1969) tinha a teoria de “less is more” (menos é mais). No entanto, a arte dos epítetos (especialmente a dos convites imperativos) vai na contra-mão do autor de obras como a “poltrona Barcelona” e a “Farnsworth House” e prefere um modo mais rococó para os insultos.

Ser de pocas pulgas (Ser de poucas pulgas): Pessoa que não suporta que coisa alguma a incomode. A expressão refere-se a alguém que não suporta qualquer incômodo, neste caso as pulgas, mesmo que sejam poucas Pulex irritans, estas irritantes representantes da ordem das Siphonaptera.

Sacar los trapitos al sol (Colocar os trapinhos no sol): Esta é a expressão equivalente na Argentina e outroas países hispano-falantes a “lavar a roupa suja fora de casa”. Utilizada principalmente para aqueles casais ou parentes que discutem em voz alta, divulgando em público características ou fatos comprometedores dos protagonistas. Curiosamente, a frase em português parece referir-se ao ato da lavanderia, enquanto que no caso em espanhol trata-se da colocação da roupa (trapitos, em tom despectivo) no varal para secar.

   E já que falamos em cantar ao Gardel, nada melhor que o Gardel cante para a gente.

“Chorra” (Ladra), um irônico relato sobre uma picareta (que por seu lado era filha de pai e mãe picareta!), aqui.

E o pouco conhecido “Micifuz”, aqui.

E deixando Gardel de lado, passamos para Osvaldo Pugliese. Com sua orquestra, “Derecho Viejo”. Genial Pugliese, cuja foto é levada por milhares de portenhos como “amuleto”. Aqui.

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