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Ariel Palacios

20.dezembro.2010 11:21:38

Peculiarmente espremidos: 80% dos argentinos em 1% do território

Foto de 1914: imigrantes espanhóis em Buenos Aires. A cidade cresceu na virada do século XIX para o XX graças à migração dos países europeus. Naquele ano, metade dos habitantes da cidade não haviam nascido no país.

Buenos Aires, os municípios da Grande Buenos Aires e de áreas vizinhas (entre as cidades de Escobar e La Plata), além das aglomerações urbanas das principais cidades argentinas, como Córdoba, Rosario, Mendoza, Santa Fe, Salta, Mar del Plata entre várias outras, ilustram um peculiar modus vivendi “espremido” dos argentinos: segundo os dados do censo nacional elaborado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), em 1% do território nacional, concentra-se 80% da população do país. 

Isto é, oito de cada dez argentinos residem em cidades de grande ou médio porte que, se estivessem concentradas em um único aglomerado urbano, equivaleria a 22,5 mil quilômetros quadrados, isto é, 1% do território argentino. Ou, o equivalente à menor província em área do país, Tucumán.

Desse total, boa parte – 12,7 milhões – concentram-se na cidade de Buenos Aires e sua região metropolitana. Se for acrescentado o resto da província de Buenos Aires, 18,4 milhões de pessoas (dos 40 milhões do país) aglomeram-se na cidade de Buenos Aires e no território bonaerense.

Este dado – que reforça a denominação da área metropolitana de Buenos Aires como “Cabeça de Golias” (Cabeza de Goliath, nome do livro de Ezequiel Martínez Estrada, que já em 1940 criticava a concentração excessiva da população e atividade política e econômica do país na área da capital) – é um dos diversos resultados do censo nacional. Mas, a maior parte dos dados consolidados somente serão anunciados no ano que vem.

Em diversas áreas do país o estilo de concentração de Buenos Aires e da Grande Buenos Aires é reproduzida em escala menor. Esse é o caso de Mendoza, cuja capital homônima – e sua área metropolitana – concentra boa parte da população provincial. O mesmo repete-se com as capitais provinciais em Tucumán, Salta, Santa Cruz, La Pampa, entre outras.  Isto é: grande concentração ao redor de uma cidade, enquanto que o resto da província fica semi-deserta.

Por este motivo é que, ao viajar pelas estradas argentinas, o viajante poderá ver imensas áreas totalmente despovoadas entre os aglomerados urbanos.

40 MILHÕES – Segundo o censo a Argentina possui 40 milhões de habitantes. Isso equivale a 10,6% a mais do que no censo de 2001, que registrou na época 36,26 milhões de pessoas. O ritmo do crescimento da população teve uma média anual de 1,17%.

Além disso, o Indec calculou que a densidade demográfica da Argentina passou de 13 habitantes por quilômetro quadrado em 2001 para 14,4 em 2010.

Multidão em comício na portenha avenida 9 de Julio no início dos anos 5o.

BONAERENSES - Os dados indicam que província de Buenos Aires, a maior do país, possui 15,5 milhões de pessoas. Isto é, concentra 38,9% do total dos habitantes da Argentina.

Do total de habitantes no território bonaerense 9,9 milhões residem nos 24 municípios que formam a Grande Buenos Aires, cinturão industrial da capital argentina e feudo político do partido Justicialista (Peronista).

Concentração da população argentina na área de Buenos Aires. Capital do país e sua região metropolitana marcadas com a linha vermelha. Letra A, delta do rio Paraná; letra B, foz do rio Uruguai; letra C, a cidade uruguaia de Colonia; letra U, o Uruguai. A letra D marca o rio da Prata (mapa do Google Earth). Ali estão 12,7 milhões (do total de 40 milhões) de pessoas.

Embaixo, em vermelho,a província de Tucumán: sua superfície equivale a 1% do território nacional. Se a população de Buenos Aires, das cidades da Grande Buenos Aires e as principais cidades do país fossem concentradas em um único aglomerado urbano, caberia dentro desta pequena província.

PORTENHOS – Segundo o censo, a cidade de Buenos Aires teria 2,89 milhões de habitantes. Isso indica que a cidade cresceu somente 4% na última década, já que em 2001 tinha 2,7 milhões de habitantes. No entanto, a população do distrito federal caiu em relação a 1945, momento de maior expansão da cidade, quando contava com 3,2 milhões.

Segundo especialistas, a cidade esvaziou-se nas décadas posteriores com diversos êxodos de profissionais ao exterior nas crises econômicas argentinas, exílios políticos e a mudança de portenhos para bairros privados na Grande Buenos Aires, longe do tumulto do centro da capital.

Do total de habitantes em território portenho, 11% nasceram no exterior. Desse total, 6% são imigrantes de países com fronteiras com a Argentina.

Segundo o censo 5 milhões de pessoas de fora de Buenos Aires circulam diariamente nas ruas da capital. A maior parte delas são habitantes dos municípios da Grande Buenos Aires. 

Buenos Aires em um mapa do ano 1800,  quando ainda era um vilarejo perdido no sul do continente que vivia às custas do contrabando no Rio da Prata.

OUTRAS - Córdoba, capital da província homônima, que tornou-se a segunda maior cidade do país em 2001, mantém o posto com 1,33 milhão de pessoas. Rosario, na província de Santa Fe, e o maior porto de escoamento de cereais da Argentina, possui 1,19 milhão, ficando em terceiro lugar.

As duas províncias com menor quantidade de habitantes estão no extremo sul do país: Santa Cruz, com 272 mil habitantes, e Terra do Fogo, com 126 mil.

MULHERES E HOMENS – O censo também indicou que existem 95,4 homens para cada 100 mulheres em todo o país. Mas, na cidade de Buenos Aires a proporção de homens cai para 85,8 a cada 100 mulheres.

No bairro portenho da Recoleta está o menor índice de presença masculina, com 73,3 homens para cada centena de mulheres.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Comentários (33)| Comente!

33 Comentários Comente também
  • 20/12/2010 - 12:10
    Enviado por: Tweets that mention Peculiarmente espremidos: 80% dos argentinos em 1% do território « Ariel Palacios -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Dafna Nudelman, Vitor Marchetti and others. Vitor Marchetti said: RT @estadao Peculiarmente espremidos: 80% dos argentinos em 1% do território « Ariel Palacios http://bit.ly/ge1cwt [...]

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  • 20/12/2010 - 12:28
    Enviado por: phillip von opel

    E os Argentinos reclamam?? Venham ver a grande S.Paulo, que a meu ver está hoje muito mais congestionada que a grande B.Aires, que aliás, conheço muito bem. Nosso transito principalmente está muuuuuiiiiiito pior…

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    • 20/12/2010 - 13:22
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Philip, os argentinos reclamam da concentração política de B.Aires desde… a independência.
      Mas, da concentração demográfica, isso ocorre desde 1900.
      E de lá para cá, só piorou.
      São Paulo é congestionadíssima…mas a população do Brasil está melhor distribuída.
      Ter um de cada três dos argentinos em B.Aires e na Grande B.Aires equivaleria que em São Paulo cidade e na Grande São Paulo morassem….63 milhões de habitantes!!!!
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/12/2010 - 12:33
    Enviado por: VICTOR PASIN

    A Argentina formou-se pela união de diversas provincias autonomas.Nesta formação sempre foi maior a influencia de Buenos Aires,tanto que o bonarense assim não se auto denomida,mas como “da capital federal”.Esta talvez seja a principal causa da concretração populacional.Ariel fez bem em representar no google o Uruguai pois até hoje para muitos argentinos é a provincia mais oriental do de seu pais.Assim como para os brasileiros o Uruguai é seu estado mais meridional.São devaneios.

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    • 20/12/2010 - 13:26
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Victor, B.Aires era a capital do Vice-reinado do Prata. Com a independência, ficou a Argentina por um lado, e por outro o Paraguai, Uruguai e Bolívia. Na sequência a Argentina passou por uma série de guerras civis que prolongaram-se até 1880… E em boa parte dos casos eram as províncias do interior contra B.Aires (não 100%, mas boa parte). No que concerne ao Uruguai, a mentalidade de achar que o Uruguai era uma província que deveria ter continuado sob a administração de B.Aires é coisa que só afeta os mais idosos, atualmente. E, como você diz, são devaneios similares ao pessoal que sonha com a província Cisplatina.
      Obrigado por recordar este assunto!
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/12/2010 - 12:46
    Enviado por: AB

    Concordo que a população argentina ta concetrada demais em umas poucas cidades. Isso é geralmente um problema porque faz que a politica fique concentrada so nas areas metropolitanas.

    Embora isso, o dado do 80% esta errado. Se na Provincia de Buenos Aires toda tem 15 millhões, na Cidade de Buenos Aires mais 3, então é no maximo, um 35% do total do pais que mora na area metropolitana de Buenos Aires.

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    • 20/12/2010 - 13:28
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro AB,
      Foi um erro da primeira versão do texto. Pode ler de novo, pois agora está corrigido e ampliado!
      No entanto, é correto o valor de 80% da população que está concentrada em 1% do território nacional. Aí está a correção: em B.Aires, Grande B.Aires e as principais cidades grandes e médias do país. Se todas estas populações estivessem em um único aglomerado urbano, seria equivalente em área a 1% da Argentina.
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/12/2010 - 13:06
    Enviado por: gustavo giroti

    querido ariel, em uma área menor, vivem mais paulistanos por aqui
    SP tem 11 milhões de habitantes + 9 da grande SP= 20 milhões em um espaço até menor que a gde buenos aires!

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    • 20/12/2010 - 13:32
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Gustavo, pois é, a concentração de habitantes por km quadrado é maior. Mas, a sorte é que São Paulo e a Grande SP não concentram um terço da população, tal como ocorre na Argentina.
      De quebra, B.Aires concentra o poder político, econômico, grande parte da atividade cultural, o poder sindical…
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/12/2010 - 13:12
    Enviado por: Glúon

    .
    _____________________
    .
    Buenos Aires em 2 atos
    .
    _____________________
    .
    …………………………………………Ato I…………………………….
    .

    - Você leu “Cabeça de Golias” de Ezequiel Martínez Estrada?
    - Ah, sei, o que dizia que os argentinos viviam espremidos na capital do país?
    - Mas não existe outra conclusão mais significativa no livro?
    - Que 99,9% deles usavam boinas, né?
    .
    …………………………………………Ato II……………………………
    .

    - Você sabia que 80% dos argentinos vivem espremidos em 1% do território?
    - Estou sabendo. É uma estratégia de segurança dos hermanos.
    - Como assim?
    - Estão sempre treinando para ocupar as Malvinas, né?
    .
    ______________________________
    .

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    • 20/12/2010 - 13:35
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Glúon, hehehhee…pois é, a foto é de 1914. Uma concentração de imigrantes espanhóis em Buenos Aires.
      Logo, não podiam faltar as boinas!
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/12/2010 - 14:25
    Enviado por: Andres

    Boa materia Ariel.

    La esta tudo em Bs As e muitas veces para fazer alguma papelada nos ministerios e demais tem q ser em Bs As.
    Eu fiquei impresionado quando vim morar aqui , quando entrei na Receita Federal do Rio e depios na de SP e dava para fazer todos os tramites.
    Otra coisa q mudou recentemente foi o tramite para fazer o DNI (RG) , antes se vc moraba no interior , tinha q esperar varios dias ( y coloca varios nisso ) para q chegase o documento de Bs As.

    Tem aquele ditado “Dios esta en todas partes pero atiende en Buenos Aires”.

    Abrazos

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    • 20/12/2010 - 14:40
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Andrés, pois é, a centralização de B.Aires é algo fora do normal…
      Hehehe… genial lembrança a da frase sobre Deus e B.Aires.
      Nos anos 90, na época do Menem alguns diziam com ironia: “Deus está em todas as partes, mas tem escritório em B.Aires. No entanto, o chefe dele (!) está em N.York…”.
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/12/2010 - 14:30
    Enviado por: Do Contra

    Ariel,

    Incrível a sua observação sobre a concentração demográfica argentina. Mas parece que as mudanças ocorreram de maneira mais sensível do lado de cá da fronteira, com a explosão das cidades médias no Brasil nas últimas duas décadas.

    Na verdade, mesmo com tamanha concentração na Grande Bs As, quando vou lá tenho a sensação que os portenhos não se massacraram no espaço urbano como aqui em SP, onde a cada dia brotam novos arranha-céus absurdos em bairros que já estão saturados.

    Bs As tem calçadas que convidam ao passeio, seja você turista ou habitante. Para todos os efeitos, é uma cidade infinitamente mais civilizada que SP, mesmo com os seus defeitos e efeitos das crises econômicas recentes.

    Grande abraço!

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    • 20/12/2010 - 14:41
      Enviado por: Ariel Palacios

      Caro Do Contra, é verdade: o problema de B.Aires não se compara ao de S.Paulo…no que concerne a lugares abarrotados.
      Mas, o problema é mais político e econômico: tudo se resolve aqui (ou tenta ser resolvido), tudo acontece aqui… e existe aquela sensação de que o resto do país pouco importa.
      Mas, no quesito “vida cotidiana”, sim, sem dúvida, é mais fácil deslocar-se ou caminhar em B.Aires.
      Abraços,
      Ariel

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  • 20/12/2010 - 15:19
    Enviado por: LAERTE CARMELLO

    ARIEL: apesar da grande polêmica aí na Argentina sobre tal censo, o qual foi conduzido pelo bastante desacreditado INDEC, há resultados destacados por
    Você que são deveras esclarecedores. O país cresceu pouco em 1 década, devido
    à crise econômica. A população do interior,proporcionalmente, cresceu mais do
    que na capital devido à descontraçao econômica. Faz sentido, e o governo deveria
    criar políticas para desenvolver cada vez o interior, que é rico em recursos. Aliás,
    o inesquecível presidente Alfonsin lutou muito para, à exemplo do Brasil com
    Brasília, mudar a capital do país para o interior. Não conseguiu. Uma pena!

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  • 20/12/2010 - 17:08
    Enviado por: Durvaldisko

    Buenos Aires, é uma cidade planejada, e isso faz alguma diferença em termos urbanísticos. As multidões surgem e se formam nas manifestações políticas.Os grandes comícios nos tempos de Perón,inundavam as avenidas e transbordavam pelas transversais como os de outubro de 1945 em que a estrela era “Evita”.
    Buenos Aires, supre,ainda, plasticamente , nostalgias europeias.Por enquanto…

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  • 20/12/2010 - 17:08
    Enviado por: Paulo Nittolo

    Ariel, qual a importância dessa histórica concentração populacional em Buenos Aires e subúrbios no IDH e desenvolvimento economico da Argentina hoje, muito superiores aos nossos e de outras nações americanas com número de habitantes e megalópoles equivalentes? Vejo que é muito mais fácil construir infra-estrutura e oferecer serviços públicos em um espaço territorial reduzido, não importa o número de pessoas que ali residam, mas porque países como Colombia e Peru, que possuem situações parecidas, não obtiveram o mesmo sucesso?

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  • 20/12/2010 - 17:33
    Enviado por: martí

    Caro Ariel, este levanatamento suscita algumas questões.
    Primeiro, tradicional celeiro agropecuário, o país, com uma concentração de população tão grande nas maiores cidades faz pensar a quantas andam a força de trabalho no setor agropecuário e a mecanização. É possível afirmar que o tradicional espaço agropecuário argentino venha sendo, crescentemente, articulado não apenas pelo centro financeiro e político de B.A, mas pelos centros comerciais e políticos das cidades médias, conformando realidades “rururbanas”?
    Segundo, do ponto de vista da composição das alianças políticas, a grande concentração urbana, com interesses muitas vezes opostos aos dos produtores agropecuários liberais, poderia forçar (ou, isto é tendência visível?) este grupo a aliar-se a outros setores urbanos. Considerando que na nos municípios da Grande B. A impera o justicialismo, há aproximação dos produtores agropecuários à classes médias dos aglomerados urbanos do interior do país ?

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  • 20/12/2010 - 18:05
    Enviado por: Gabriel

    Caro Ariel, tive hoje o primeiro contato com seu blog – O achei excelente! Tanto a última postagem como as anteriores.

    O assunto da excessiva concentração em Buenos Aires é recorrente na história argentina desde a independência. Podemos lembrar as lutas entre “Unitarios” e “Federales”; o crescimento de Buenos Aires olhando para fora, de costas ao interior do país e dos grandes espaços vazios na imensidão da Pampa. Aliás, isto último me lembra das viagens da minha infância, horas olhando para a paisagem imutável da planície, e dos retões intermináveis na Patagônia, a caminho de Bariloche…

    A concentração é algo que acontece em diversas áreas da sociedade argentina, além da demográfica. Por exemplo, a Argentina normalmente sofre com a concentração de poder na Presidência, onde o partido do governo costuma ser hegemônico. Ocorre com os Kirchner, da mesma maneira que ocorreu com Menem e Perón. Mesmo Alfonsín, um político de perfil mais democrático e conciliador, teve devaneios com a criação do “Terceiro Movimento Histórico” e acabou saindo pela porta dos fundos da Casa Rosada.
    Talvez esta seja uma das grandes diferenças entre a Argentina e o Brasil, onde ninguém consegue acumular a soma do poder político e quem está no governo deve obrigatoriamente negociar os espaços de poder. Pode ser que a solução para as crises argentinas seja exportar o PMDB….

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  • 20/12/2010 - 18:37
    Enviado por: Mauro

    Caro Ariel,
    Há algumas semanas meus colegas de trabalho na Argentina avisaram que teriam um feriado (se não me engano foi numa quarta-feira) e que a razão seria o CENSO, ou seja, entendi que era feriado para que as pessoas ficassem em casa para serem entrevistadas! Foi isso mesmo? Tudo resolvido em um dia ou eu entendi mal?
    Abraços,
    Mauro

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  • 21/12/2010 - 00:49
    Enviado por: simao pedro tavares

    Caro Ariel, sempre acompanho seu blog, pela primeira vez, no entanto, participo, pedindo que fale sobre Gato Barbieri (Marques de Sade, etc). Abraço e admiração, Simão

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  • 21/12/2010 - 02:28
    Enviado por: luiz

    Este fato explica, em parte, o porquê do sucesso do populismo naquele país.

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  • 21/12/2010 - 14:50
    Enviado por: Carlito

    Mais um excelente trabalho teu, Ariel! Deixe-me, então, além dessa exclamação. desejar ao raro Jornalista (com J maiusculo) boas e felizes festas e que 2011 me faça, cada vez mais, admirador dos teus trabalhos.
    Felicitaciones, hermano!!!

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  • 22/12/2010 - 09:48
    Enviado por: Alfredo Azevedo

    Caro Ariel,
    Essa massiva concentração populacional teria uma razão maior para explicá-la? Esses nichos de alta densidade ao longo da história argentina, eram uma realida sem o dimensionamento estatístico, ou algum fato disparador teria ocorido em algum período que poderia explicitá-lo? Não sei se na Argentina, como no Brasil, o êxodo rural teria exercido o papel de causa principal. Seria interessante ter essas informações.
    De toda sorte, meu aplauso pela argúcia e votos de saúde e alegria junto aos seus, neste findar de ano.

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  • 22/12/2010 - 12:16
    Enviado por: Andres

    Ariel , tudo bem ?

    Eu vi ontem a inauguração da tan esperada autopista Rosario-Cordoba , autopista q une o segundo e o terceiro polos industriais do pais , fiquei feliz pq era uma obra prometida desde 1970 e q foi retomada nos ultimos anos . O problema e q eu não sei se foi por Centralismo portenho que so importa o q acontece la , ou pela briga q o goberno mantem com as grandes midias , mas eu procurei nas edição de hoje de clarin e não achei nenhuma materia do assunto (usei ate o buscador ). E uma pena que muito argentinos não possan se informar dos fatos importantes que acontecen no pais.

    Abrazos

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    • 22/12/2010 - 13:38
      Enviado por: LAERTE CARMELLO

      Caro Andres: viví vários anos na Argentina(década de 90) e ficava escandalizado
      com as piadas e deboches dos porteños em relação ás pessoas do interior,
      até imitando o sotaque cantarolado dos mesmos. Este preconceito, é claro, se reflete na mídia, que omite os eventos do interior. Quanto à inauguração desta
      nova autopista Córdoba/Rosário, recomendo consultar a edição de hoje do diário
      Gaceta de Tucumán e veja o quanto o pessoal do norte argentino está vibrando
      com a nova ruta, bem mais moderna e mais segura. Saludos!

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    • 22/12/2010 - 22:30
      Enviado por: Andres

      Sim Laerte , Me chamou muito a atencao q nao tem nem uma lina em Clarin , pq e uma obra importante , senao a maior obra vial da Argentina em varios anos , depois eu vi a noticia en La Nacion e demais jornais e me toquei q nao e discriminacao nem centralismo dos portenhos , e oculatamneto da informacao por parte de Clarin.

      Abrazos

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  • 22/12/2010 - 23:51
    Enviado por: carlos 3m

    a parte mais imortante do seu texto:
    “na cidade de Buenos Aires a proporção de homens cai para 85,8 a cada 100 mulheres”

    ja entendi porque voce esta morando la e porque devo retornar meu turismo por la. nao que as nossas sejam piores, mas a estatistica ajuda.

    a unica saida para a argentina eh fazer acordo com a china e desovar alguns milhoes de chineses que seriam transferidos para as regioes mais desertas da argentina, com incentivos fiscais locais e garantia de fornecimento de graos para a china. topariam na hora. seria win-win.

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  • 23/12/2010 - 06:54
    Enviado por: Jorge Trimboli

    Tudo converge em Buenos Aires: ferrovias, estradas e vías fluviais. É um grande funil por onde escoam os produtos para exportação e consumo interno. O modelo implantado por Juan Manuel de Rosas, dono da Caledonia, a maior fazenda que ocupou a provincia de Buenos Aires. Rosas foi o Alexandre Magno argentino. Assim como o império romano e Europa foram desdobramentos derivados do reino de Alexandre, a realidade fotografada por Ariel são derivações do projeto político de Rosas. Viva la Santa Federação e fique tudo unitário, canejo!

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  • 23/12/2010 - 10:10
    Enviado por: Ariel Palacios

    Caras e caros,
    Mil perdões pela demora em responder os comentários. Com o veredicto sobre Videla ontem, foi totalmente impossível. Hoje, 5afeira à noitinha, responderei os comentários.
    Abraços,
    Ariel

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  • 23/12/2010 - 10:30
    Enviado por: andrea martin

    O criador da picana eletrica foi Leopoldo Lugones Filho, filho do escritor. Leopoldo Marechal nao tem nada ver.

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  • 26/12/2010 - 10:05
    Enviado por: Ariel Palacios

    Caro Laerte, o país cresceu pouco mesmo em uma década… mas foi de forma geral assim desde os anos 60…
    Em 1970, existiam 25 milhões de habitantes, em 1980, 28 milhões… nos anos 90, 33 milhões, em 2000, 37 milhões….o crescimento lento é uma constante.
    Isso é bom por um lado, pois evita excesso de população. Mas, por outro, ocorre uma total falta de população em vastas áreas do país…e de quebra, tudo está centralizado em Buenos Aires.

    Caro Durvalisko, pois é, por enquanto B.Aires tem um ar europeu em sua arquitetura. Esperemos que dure bastante…

    Caro Paulo, a concentração de pessoas em uma única área poderia favorecer a administração se esta administração fosse boa. Mas, quando não é, como ocorre em B.Aires e a Grande B.Aires, acontecem os descalabros. É que nesses casos também concentra-se o caudilhismo, os problemas sociais.. e tudo se potencia!

    Caro Martí, a mecanização da área agrícola argentina é antiga… e, o tipo de produção agropecuária argentina entre 1850 e 1950 (trigo, gado) nunca precisou muita mão de obra, ao contrário da brasileira (café, fumo, cana de açúcar na mesma época).
    Não entendi a pergunta sobre os produtores agropecuários e a política. Refere-se com quais partidos políticos eles possuem maior alinhamento?

    Caro Gabriel, bem-vindo ao blog! Obrigado por visitá-lo. Concordo contigo: a concentração do poder foi uma constante. Nunca ocorreu aqui o estilo da política brasileira de compor, formar alianças e negociar. Isso, por um lado, permite que o governo tome decisões de urgência, sem empecilhos. Mas, o poder total, já viu para onde leva….

    Caro Mauro, exatamente isso. O feriado foi especialmente decretado para a realização do censo. E foi feito em um único dia.

    Caro Simão, obrigado por visitar o blog. Pedido anotado! O Gato Barbieri é mesmo uma figura interessante que fez muito sucesso nos EUA. Um caso parecido, duas décadas depois, foi o de Gustavo Santaolalla. A diferença é que Santaolalla foi reconhecido aqui.

    Caro Luiz, não é a única explicação para o fenômeno… mas é uma forte explicação para o populismo no caso argentino.

    Caro Carlito, obrigado pelo “J”!!! Hehehehe… felizes festas para você também!!!

    Caro Alfredo, o país sempre teve certa concentração de população….até porque o tipo de agricultura não necessitava de muita mão de obra. Por isso, o êxodo rural nunca foi das dimensões como a ocorrida no Brasil. A Argentina foi quase sempre assim… só que agora aparecem problemas graves decorrentes disso. Mas, era um problema para o qual havia alertas desde o início do século XX!

    Caro Andrés, pois é, a notícia saiu no Página 12, grande, uma página inteira (com publicidade oficial do governo enorme na página do lado). Os outros jornais portenhos não deram muita bola. Acho que foram duas coisas:
    a – o desinteresse de B.Aires pelo resto do país.
    b – o fato de ser uma obra do governo Kirchner, isto é, não interessava aos jornais críticos do governo falar sobre o assunto
    Mas, de forma geral, a própria imprensa aliada com o governo não deu muita bola, exceto o Página 12.
    No entanto, os jornais do interior publicaram material sobre o assunto, especialmente em Córdoba, onde estão grandes empreiteiras que possuem bons acordos com o governo.

    Caro Carlos, hehehehe… pois é, mas na Recoleta o superávit feminino é basicamente de terceira idade…
    Sobre a ‘importação’ de pessoas, Menem quis fazer algo assim na Patagônia com romenos após a queda do regime Ceacescu. Mas, acabou indo à pique…

    Caro Jorge, pois é: essa é a expressão…um funil! Digo, um funil, canejo!

    Cara Andrea, pois é, sempre, sempre, inevitavelmente, penso em Lugones e escrevo Marechal. O correto é mesmo Lugones, filho.

    Abraços a todos,
    Ariel

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