
Quem é quem no casal Kirchner? Em Buenos Aires, analistas, empresários e a opinião pública consideram que “Cristina governa, mas quem manda é Néstor”. Fotomontagem que ilustra o imbróglio dos Kirchners
Nesta segunda-feira dia 25 os Kirchners – Néstor e Cristina – completaram seis anos no poder. Quando Cristina – a segunda dos Kirchners a tornar-se presidente – tomou posse, os analistas e a população especulavam que seria um governo bicéfalo, já que a presença do ex-presidente Kirchner despontava como assegurada e intensa.
Kirchner, nos primeiros meses do governo de sua esposa, brincava, afirmando que fora de “El sillón de Rivadavia” (a cadeira presidencial) se dedicaria “ao café literário”. Mas, continuou exercendo o poder. E até alugou um escritório em Puerto Madero, a sete quarteirões da Casa Rosada, o palácio presidencial, para estar – fisicamente – perto do poder.
No entanto, desde o início, Kirchner não escondeu que o verdadeiro poder continuava sendo ele próprio. Líderes sindicais, empresariais e políticos costumam reunir-se com ele primeiro antes de falar com sua esposa.
Nos últimos tempos, Kirchner, que não possui cargo oficial algum no governo, até faz anúncios econômicos em nome da esposa.
Há poucas semanas lançou sua candidatura a deputado federal pelo governista Partido Justicialista (Peronista) e sua sub-legenda Frente pela Vitória (FpV).
Kirchner, embora tenha feito toda sua carreira política em sua província natal, Santa Cruz, será candidato pela província de Buenos Aires.
Motivos para isso há de sobra: o território bonaerense concentra 38,1% do eleitorado argentino…enquanto que Santa Cruz possui apenas 0,5% dos eleitores do país.
BREVE DISSECAÇÃO DOS SEIS ANOS ‘K’
No dia 25 de maio de 2003, Néstor Kirchner tomou posse como presidente da República.
Seu mandato acabou no dia 10 de dezembro de 2007.
Desta forma, Kirchner foi presidente durante quatro anos e meio.
O mandato presidencial argentino é de quatro anos.
No entanto, Kirchner tomou posse seis meses antes do previsto, já que as eleições presidenciais foram realizadas um semestre antes.
Esse imbróglio começou quando o presidente Fernando De la Rúa renunciou no meio do caos social, financeiro, econômico e político de dezembro de 2001.
No dia 2 de janeiro de 2002 tomou posse o senador Eduardo Duhalde. A princípio, ele completaria o mandato inacabado de De la Rúa. Isto é, deveria passar o poder em dezembro de 2003.
Mas, uma série de conflitos sociais em julho de 2002 levaram Duhalde a anunciar uma antecipação do fim de seu mandato. Desta forma, convocou eleições para abril de 2003. O novo presidente seria empossado no dia 25 de maio.
O menos votado:
Aqui, mais uma reviravolta da História: os candidatos eram Kirchner e Carlos Menem. No primeiro turno Menem conseguiu 24,2% dos votos, enquanto que Kirchner obteve 22%. Mas, o segundo turno nunca ocorreu.
Dias antes, Menem – perante a imensa maioria das pesquisas que indicavam que ocorreria uma onda de votos anti-Menem, e que Kirchner – embora um desconhecido para maioria das pessoas – conseguiria 70% dos votos, “El Turco” renunciou ao segundo turno.
Kirchner tomou posse como o presidente menos votado da História da Argentina, batendo o recorde de Arturo Illía, que em 1963 foi eleito com 25,14% dos votos.
Kirchner completou os seis meses que faltavam para terminar o mandato inacabado de De la Rúa (e o de Duhalde) e os quatro anos próprios.

Analistas indicam que Cristina, embora apareça mais, é presidente protocolar; Néstor é quem tem as rédeas do poder
Do marido à esposa:
Em 2007, mais uma peculiaridade da política argentina: Kirchner decidiu apresentar sua própria esposa como candidata presidencial. Sem convenção interna partidária.
A senadora Cristina Kirchner venceu as eleições presidenciais de outubro de 2007 no primeiro turno, com 45,6% dos votos.
Pode parecer peculiar, novamente, mas é que a reforma constitucional de 1994, realizada durante o governo Menem, estabeleceu que não seria necessário um segundo turno se alguém…
A - …conseguisse 40% dos votos, sendo que o segundo colocado teria que estar pelo menos 10% abaixo do primeiro colocado. Isto é, poderia vencer no primeiro turno um candidato que tivesse 40% dos votos, enquanto o segundo tivesse 30%. Ou menos.
B- …tivesse mais de 45% dos votos, independentemente de quantos votos tivesse obtido o segundo colocado.
Dois presidentes na cama:
E aqui está mais uma peculiaridade da intrincada política local: Kirchner transformou-se no primeiro presidente eleito nas urnas na História mundial a passar o poder a sua própria esposa, também eleita nas urnas. Caso para o livro Guiness dos Recordes.
Entre outubro e dezembro de 2007 a residência presidencial de Olivos albergava uma situação inédita na História do mundo: dois presidentes dormiam na mesma cama.
Isto é, a presidente eleita Cristina Kirchner e o presidente “saliente” (expressão usada na Argentina para o presidente que está “saindo” do cargo) Néstor Kirchner.
Esse status diferente do leito presidencial mudou a partir do dia 10 de dezembro de 2007, data da posse de Cristina, quando Kirchner tornou-se o “primeiro-cavalheiro” da República.
No ano passado, segundo fontes, no meio da crise com os ruralistas, Cristina, circunstancialmente farta da interferência do marido, teria gritado: “La presidenta soy yo, carajo!”
Os ministros de Cristina, a maioria herdados de seu marido, continuam referindo-se publicamente a Kirchner como “el presidente”, sem perceber a gafe que cometem.
Por este motivo, em Buenos Aires costuma usar-se a expressão “Cristina no governo, Kirchner no poder”, para explicar como funciona a relação de forças desse sui generis casal presidencial.
SEMINÁRIO EM BUENOS AIRES
Para aqueles que estiverem em B.Aires nesta 5afeira dia 28, um seminário no Centro Cultural Borges, que terá um bom debate sobre a visão do Brasil na Argentina e vice-versa (estarei participando dos debates):
JORNADA ACADÉMICA BINACIONAL ARGENTINA – BRASIL
¿CÓMO SE PERCIBEN AMBAS SOCIEDADES A TRAVÉS DE LA CULTURA Y LOS MEDIOS DE COMUNICACIÓN?
Con la participación del Ministro Rodrigo Baena Soares; el Embajador de la República Federativa del Brasil, Mauro Vieira; el rector de la UNTREF, Aníbal Jozami; periodistas y especialistas.
La Universidad Nacional de Tres de Febrero organiza la jornada académica binacional Argentina – Brasil donde se reflexionará acerca de cómo se percibe la sociedad brasilera y la argentina a través de la cultura y de los medios de comunicación.
La jornada se llevará a cabo el jueves 28 de Mayo de 2009, de 15 hs. a 19:30 hs. en la sede de posgrados de la UNTREF Viamonte 525, 2do. piso, sala 27 del Centro Cultural Borges de la Ciudad de Buenos Aires. Informes e inscripción: 4314-0022
El objetivo de la jornada es analizar cómo ha evolucionado la mirada de ambas sociedades desde la crisis de 1929 hasta la crisis de 2008, superar la visión de “vecinos distantes” y la existencia de “estereotipos” culturales y clichés gastados que aun persisten e interfieren la consolidación de una alianza estratégica entre ambos países y la formación de un eje político, económico y cultural, fundamental para la unidad de América del Sur. Se trata de abordar la relación bilateral con realismo, sin duplicidades, valorando su potencialidad, pero sin disimular la falta de convergencia en ciertos planos como pueden ser las diferentes posturas -que incentiva la crisis internacional- en temas como el proteccionismo, el voto divergente en la Ronda de Doha o la posición en el G20.
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
Todos os comentários devem ter relação com o tema da postagem.
E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.

Ricardo Walter Oscar Darré, do bairro portenho de Belgrano aos comícios racistas de Berlim
A Argentina forneceu ao Terceiro Reich um punhado de nazistas nativos, a maioria de pouca relevância na Alemanha de Adolf Hitler. No entanto, um deles, Ricardo Walter Oscar Darré, teve intensa influência no regime da “Nova Ordem” teutônica.
O portenho Darré foi um dos principais teóricos da doutrina do “Blut und Boden” (Sangue e Solo), que deu origem às leis raciais da Alemanha nazista.
As máximas dessa obra são citadas atualmente nos sites skinheads e grupos afins.
A frase mais conhecida é aquela na qual Darré indica que os alemães não são uma raça: “a palavra ‘espécie’ é que seria mais adequada para nós”.
Filho de alemães, Darré – que posteriormente germanizou seu Ricardo para “Richard” – nasceu na rua 11 de Setembro 769, no bairro de Belgrano, em Buenos Aires, no dia 14 de julho de 1895 (no terreno de sua casa de infância agora existe uma quadra de tênis de uma escola religiosa). Foi batizado na Igreja da Congregação Evangélica Alemã da rua Esmeralda 162. Fez a escola primária no Colégio Alemão Superior Belgrano.
Aos 14 anos foi estudar na Alemanha. Lutou na Primeira Guerra Mundial (1914-18), na qual foi ferido levemente várias vezes. Quando o conflito bélico terminou, Darré começou a planejar sua volta à Argentina para dedicar-se à vida agropecuária. Mas, a falência de sua família nos anos 20 na Alemanha colocou esses planos a pique.

Comício nazista na Argentina nos anos 30. Os grupos nazistas argentinos eram os principais no continente americano antes da Segunda Guerra.
Este evento foi realizado no Luna Park, lugar tradicional de eventos esportivos e espetáculos musicais. O Luna Park localiza-se no início da Avenida Corrientes, em pleno centro portenho.
VACAS PURAS, LOIROS IDEM - Darré continuou na Alemanha, onde retornou aos estudos de Agronomia, especializando-se em cruzamento de animais. Ficou especialmente obcecado em conseguir vacas “puras” e cavalos idem (estes últimos, para uso de uma futura aristocracia ariana).
Posteriormente, as idéias de conseguir animais “puros” transferiu-se aos seres humanos. Darré entrou no Partido Nazista, onde formulou a teoria do “Blut und Boden”.
Junto com Alfred Rosenberg, escreveu as Leis Raciais de Nuremberg, que condenaram à segregação e à morte milhões de judeus (Rosenberg, no entanto, teve mais ibope do que Darré). Darré influenciou o chefe da SS, Heinrich Himmler, a criar uma aristocracia racial alemã baseada no cruzamento seletivo.
Darré foi o Ministro da Agricultura de Hitler entre 1933 e 1942. Além disso, foi diretor do Departamento de Raça e Reassentamento, uma das entidades mais fanaticamente racistas e anti-semitas da Alemanha da época.

Darré, vestido à moda do Terceiro Reich
No comando desse departamento, conhecido pela sigla RuSHA (Rasse und Siedlungshauptamt), Darré propôs “restringir a proliferação de seres inferiores”. Um dos organismos na órbita do RuSHA era o “Lebensborn”, a rede de casas-maternidades para mulheres arianas que eram ‘cruzadas’ com a casta das SS.
Darré, fascinado por sua experiência bovina, pregava em seus livros “a reconstituição da Raça no homem, utilizando as mesmas normas que servem de base para a criação de animais”. O RuSHA era o organismo encarregado de emitir os certificados de “pureza racial” que diferenciavam os integrantes da “Nova Alemanha” das pessoas condenadas aos campos de concentração.
No meio da guerra, Darré perdeu sua influência e foi substituído por um parente do marechal Hermann Göring, um dos principais homens do Führer. Nessa época, Darré mostrava sinais de que estava psicologicamente desequilibrado (mais que a média dos já desequilibrados integrantes da cúpula nazista).

Prisioneiros judeus no Campo de concentração de Buchenwald
Corpos de judeus, ciganos e demais “raças” consideradas “impuras” pelo Terceiro Reich
MORTO SEM TÚMULO - Darré não foi julgado no Triubunal de Nuremberg (onde esteve quase toda a cúpula do Terceiro Reich). Ele foi levado ao banco dos réus no “Julgamento de Wilhelmstrasse”, no qual foram julgados 21 nazistas de segundo escalão, entre eles funcionários civis e banqueiros. Mas, quando os julgamentos de Wilhelmstrasse concluíram, em 1949, os EUA já estava enfocado na Guerra Fria contra a URSS e as sentenças para esta última leva de nazistas processados foram mais leves.
Darré foi condenado a sete anos de prisão. No entanto, foi solto antes do fim previsto de sua pena, em 1950.
Na época surgiram diversos rumores de que Darré havia retornado à Argentina e que estava organizando a rede de fuga de nazistas para América do Sul.
Além disso, os boatos indicavam que Darré havia levado para a Argentina o ouro roubado de países ocupados pelo Terceiro Reich na Europa durante a guerra para financiar a rede nazista no Cone Sul.
Mais boatos afirmavam que havia falecido em um acidente de carro na Alemanha. Outra informação sustentava que Darré havia morrido em circunstâncias “amorosas” na Cotê d’Azur.
Simon Wiesenthal, o famoso caçador de nazistas, disse em 1997 que Darré – que apreciava de forma intensa bebidas destiladas e fermentadas – havia morrido de cirrose em 1953. Wiesenthal explicou que – já que o ex-teórico nazista estava morto – não havia mais acompanhado seu caso.
O irmão do autor do “Blut und Boden”, Alan Darré, que tinha 89 anos em 1997 (er muitos anos mais jovem que o ministro de Hitler), e que residia na Alemanha, disse que Ricardo Oscar havia morrido em 1954.
Segundo ele, estava enterrado no cemitério de Munique.
Mas, nesse cemitério não há registros de seu túmulo.

Hitler, acompanhado por Darré, planejou a eliminação de todos aqueles que não fossem suficientemente ‘puros’
FRASES de Ricardo Oscar Darré:
- “O conceito de sangue e solo nos dá o direito moral de pegar de volta quanta terra for necessária no leste (isto é, Polônia e Rússia) para estabelecer harmonia entre nosso povo e o espaço geopolítico”.
- “Vamos criar uma nova aristocracia germânica das reservas humanas da SS. Vamos fazer de forma sistemática e com base na ciência e conhecimento biológico aquilo que o velho sangue aristocráticos dos dias de antigamente fazia por instinto”.
EM TEMPO 1: O sobrenome Darré, na realidade, é basco-francês. Seu pai argumentava que era “um basco-francês de origem germânico”. Essa era uma das várias peculiaridades de Darré, que tal como o próprio nazismo, era pleno em contradições (Hitler, homem baixinho de cabelos negros, pregava o predomínio dos altos loiros germânicos).
EM TEMPO 2: Darré nunca perdeu seu sotaque portenho.
EM TEMPO 3: Darré foi um dos vários integrantes do entourage do austríaco vegetariano de bigodinho à la Chaplin – A. Hilter – que não havia nascido dentro das fronteiras da Alemanha.
Rudolf Hess, um dos braços-direitos do Führer, nasceu no Egito.
Alfred Rosenberg, co-autor das leis raciais, havia nascido na Lituânia (parte da Rússia na época de seu nascimento).
O próprio Hitler nasceu em Brannau, Áustria.
Para o Nazismo, não importava onde o representante ariano tivesse nascido. O importante era ser um “puro germânico”. Tal como as vacas de Ricardo Oscar Darré.
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
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Os quitutes tradicionais do Uruguai mostram que os habitantes desse país fazem jus ao segundo lugar no ranking mundial de consumo de carne bovina, logo atrás de seus vizinhos argentinos. Os doces, por seu lado, mostram uma clara influência andaluza (junto com algum touch lusitano), além da criatividade nativa para concentrar em superfícies pequenas um volume colossal de tentadoras calorias.

Lord John Montagu, quarto Conde de Sandwich (em quadro de Sir Thomas Gainsborough)
jamais teria imaginado que o conceito de sanduíche por ele criado seria levado a extremos nunca antes vistos. E menos ainda, tão longe de sua Inglaterra natal, nas meridionais terras uruguaias
CHIVITO – Chivo em espanhol é “bode”. Chivito seria “cabrito” (o bode novinho). Mas, a palavra, no Uruguai, denomina um monumental sanduíche feito de carne bovina. A exuberância do sanduíche é sui generis. O Chivito, apto só para os famélicos, inclui carne na grelha, presunto, lombo defumado, lombo comum, bacon e mozzarella. Além disso, o Chivito inclui, como “decoração” a maionese, alface, rodelas de tomate, rodelas de ovo cozido e pimentão (geralmente, ao escabeche). Para evitar que essa gastronômica arquitetura desmonte como um edifício no meio de um terremoto 9 pontos na escala Richter, o cozinheiro coloca um firme palito que – para coroar a obra – possui na ponta uma singela azeitona verde.
Como se fosse pouco, tal colossal sanduíche geralmente está acompanhado de uma porção de batatas fritas, maionese ou outros acompanhamentos de considerável volume calórico. Esta versão anabolizada é denominada de Chivito Canadense. O porquê de ter como attachment a nacionalidade da pátria de Pamela Anderson, Celine Dion ou Kenneth Galbraith, é um mistério. No entanto, torna mais peculiar o charme do chivito feito no Uruguai, que nem é cabrito…sequer canadense.

Chivito Canadense (que é uruguaio): arquitetura gastronômica que confronta quem a devora com as forças centrífugas que tendem a expelir a miríade de alimentos que o integram
A outra versão, mais light do Chivito, é o “comum” ou “ao pão”, composto só por carne, alface, tomate e maionese. O Chivito Canadense também pode ser servido como um sanduíche aberto sobre um prato, o que torna mais fácil seu consumo, já que evita-se a costumeira fuga precipitada – pela periferia do pão do sanduíche – de vários de seus componentes (apesar da força de coesão exercida pelo palito). O Chivito ao prato, pasme o leitor, tem todos os ingredientes supracitados, mas em maior volume. E de brinde, é acompanhado por um ovo frito.
Um prato simples em seu sabor, embora complexo em sua engenharia, o Chivito é o prato uruguaio par excellence, cuja criação os argentinos – que argumentam que o tango é Made in Buenos Aires, junto com a defesa da argentinidade doce de leite (os uruguaios atribuem-se a criação do tango e do doce de leite também) – não ousam discutir.
MORCILLA – A morcilla, conhecida no sul do Brasil como “morcela” é um “tubo” de tripa seca de leitão ou de vaca, em cujo interior está o recheio de sangue coagulado e arroz. No Uruguai convivem pacificamente as versões doce e salgada (na Argentina predomina a salgada). A versão doce, que encontra-se principalmente nos bares da área do mercado do porto, inclui passas, amendoins e nozes. Pode ser consumida fria ou quente. A criação da morcilla, no entanto, não é uruguaia, sequer dos conquistadores espanhóis. Segundo o filósofo grego Platão, ela foi criada por seu compatriota Aftónitas.
EMPANADA – A empanada é um dos pratos cuja criação é disputada enfaticamente entre uruguaios, chilenos e argentinos. O quitute é composto por uma ou duas rodelas de massa de farinha de trigo, banha bovina e ovo (desta forma, podem ter um formato redondo ou de meia-lua) que fecham-se, levando dentro dentro delas um recheio que varia de região em região. Ela pode ser feita no forno ou frita. Geralmente, na América do Sul a empanada pode ser recheada de carne, frango, além de milho, verdura e queijo, além de estar acompanhada de passas, cebola e ovos.
Os uruguaios, mais do que os argentinos, conferem especial protagonismo à empanada de estilo “gallego”, que contém atum. No entanto, a rainha das empanadas no país continua sendo a de carne. Os uruguaios também contemplam a degustação da empanada doce, que possui doce de marmelo, doce de leite ou ricota com passas.
Não diga jamais a um uruguaio que uma empanada recorda a esfiha libanesa, um pastel paulista ou um pie londrino. Civilizados como costumam ser, eles não diriam nada. Mas ficariam silenciosamente escandalizados com a comparação herética.
CHAJÁ – Sobremesa puramente uruguaia, da qual se orgulham os habitantes deste país. Seu nascimento tem até data historicamente comprovada: foi criada no dia 27 de abril de 1927 na confeitaria das Famílias na cidade de Paysandú. É feito de suspiro, pão de ló, creme chajá (feita com leite e baunilha), além de morango ou pêssego. Esta tentação é a sobremesa uruguaia preferida do correspondente da TV Globo em Buenos Aires, Carlos de Lannoy, que passou a infância no interior do Uruguai, no departamento de Treinta y Tres Orientales. De Lannoy recomenda comer o chajá em estado frio. O chajá de Paysandú, segundo ele, “é um negócio!!!!”.
TOCINITOS DE CIELO – Uma iguaria de origem andaluza, pièce de résistance de qualquer sobremesa uruguaia. O tocino del cielo, ou tocinito, é feito com gema de ovo caramelizada e açúcar. Costuma ser um cubo compacto de cor amarela intensa. Embora andaluza, foi adotada pelos uruguaios, que são os maiores consumidores desta iguaria em todo o Cone Sul americano.
A culinária, que pode despertar paixões intensas tal o futebol, também é foco de disputas nacionalistas. Esse é o caso do aparentemente inócuo ‘tocinito’, cuja paternidade é defendida não somente pelos andaluzes, mas também pelos portugueses.
PS: “Inócuo” do ponto de vista geopolítico. Mas, tratando-se de calorias…

BENEDETTI: Mario Benedetti (1920-2009), o mais emblemático dos poetas uruguaios das últimas décadas, era um grande apreciador dos quitutes citados nesta postagem.
Benedetti, que faleceu na noite deste domingo, recebeu o adeus de uma imensa multidão em Montevidéu nesta terça-feira.
Seu velório foi realizado no Congresso Nacional.
Aqui, um link com um poema de Benedetti, “Se Deus fosse mulher”:
Outro link, no qual o escritor português José Saramago se despede de seu amigo Mario:
http://caderno.josesaramago.org/
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Mafalda, na porta de seu prédio. Para aqueles que desejarem fazer um tour ‘mafaldiano’, podem começar por aqui: Calle Chile 371 (fotomontagem do blog “Bloc de Periodista”, do jornalista Darío Gallo)

Quadrinho que mostra Mafalda sentada na frente de seu prédio
Mafalda, a inconformista menina-filósofa com senso de humor ferino, que analisa a conjuntura mundial e é apaixonada pelos Beatles (e odeia a sopa que sua mãe prepara) é o cartum argentino mais famoso em todo o planeta. Objeto de cult há décadas, foi criada pelo desenhista Joaquín Lavado, mais conhecido como “Quino”.
Originalmente, Mafalda foi criada para ser a garota-propaganda de uma marca de eletrodomésticos. Mas adquiriu vida – e tirinha – própria: Em suas histórias atacava os conflitos bélicos (eram os tempos da Guerra do Vietnã), a Guerra Fria, o consumismo, a pobreza, o totalitarismo e a violência policial.
Mafalda tornou-se um ícone da rebeldia. O próprio escritor Julio Cortázar lia as tirinhas e destacou sua relevância em 1973: “O que é que eu penso da Mafalda? Isso não importa! O importante é o que é que a Mafalda pensa de mim!”.

Julio Cortázar, de olho naquilo que dizia a irreverente menina-filósofa da calle Chile
Durante décadas, o lugar de residência de Mafalda foi um mistério. Sabia-se que ela ‘morava’ na capital argentina. Mas o bairro era desconhecido. No entanto, há poucos anos esse segredo foi revelado. Um grupo de jornalistas, fãs de Quino, analisou cada detalhe das declarações do cartunista à imprensa na qual dava pistas sobre o eventual ‘bairro mafaldiano’. Além disso, verificaram que diversos prédios de uma área central de Buenos Aires correspondiam aos desenhos das tirinhas de Quino, além do ônibus da linha número 86.
O resultado da pesquisa, posteriormente confirmada por Quino, foi que San Telmo era o bairro da menina autora de frases como “hoje entrei no mundo pela porta traseira” e “não é verdade que o passado foi melhor, o que acontece é que aqueles que estavam em má situação ainda não haviam percebido isso”.

Felipe, Manolito, Susanita, Mafalda, Libertad, os pais de Mafalda, Guille e Miguelito
Mais especificamente, as aventuras de Mafalda transcorriam no lado desse bairro ao norte da avenida Independência (o setor mais turístico – onde está a feira de antiguidades da Praça Dorrego, além dos hostals e bares – está do lado sul dessa via).
Mafalda, seus pais e seu irmão Guille moravam na rua Chile, 371, no décimo andar, no mesmo prédio onde residiu seu criador, Quino, nos anos 60. Esse é um dos dois únicos pontos do tour mafaldiano que – fazendo jus ao rigor cartográfico – pertence ao bairro de Monserrat. Era só atravessar a rua e Mafalda já estava em San Telmo.
Quino retratou seu edifício tal e qual era, com o detalhe da maçaneta de bronze no portão de entrada, registrado em vários quadrinhos no qual Mafalda está sentada, no degrau da frente.
ESCULTURA
Há poucos dias o escultor Pablo Irrgang anunciou que realizará uma escultura de Mafalda – em tamanho ‘real’ – que será colocada na porta do prédio. Os moradores do edifício onde viveu Quino – e também sua criação – estão exultantes. A prefeitura portenha há três anos decidiu colocar uma placa na entrada do prédio em homenagem a Mafalda e Quino. Mas, a burocracia do governo da cidade padece de amnésia, pois ainda não colocou a placa.
Veja o prédio, os vizinhos neste link, onde há uma reportagem do jornal “Perfil” e um vídeo: http://www.perfil.com/contenidos/2009/05…
No mesmo quarteirão, na esquina com a rua Balcarce, está o estacionamento onde o pai da heroína de Quino guardava todas as noites seu carrinho Citröen, com o qual a família passeava e ia de férias.
Na frente do prédio de Mafalda, atravessando a rua, já em San Telmo, está a banca de jornais de “Don Jorge” frequentada pela menina-filósofa. A banca (kiosco de diarios, em espanhol) ainda está lá, embora com diferente dono.

“¿Sabían que Almacén Don Manolo vende baratísimo?…”
Virando a esquina, na rua Balcarce 774 está o antigo armazén “Don Manolo”, do pai de Manolito, amiguinho de Mafalda que ficava no caixa sonhando em ser Rockefeller. Hoje em dia, o armazém é um quiosque. Uma pequena estátua de madeira representando Manolito decora a fachada do estabelecimento. A família proprietária é a mesma dos tempos de Quino. Quem atende ali é o filho de Don Manolo, isto é, o próprio ‘Manolito’.
A escola onde ia Mafalda com sua turma de amigos – Felipe, Miguelito, Susanita, Manolito e Libertad – está na esquina da rua Peru e da avenida Independencia. Deles todos, quem mais padecia ir à escola era o dentucinho Felipe, que sempre se distraía com outras coisas. A maior parte do tempo com devaneios sobre as aventuras de “El llanero solitário”. Ele próprio admitia: “até minhas fraquezas são mais fortes do que eu!”.

Escola frequentada por Mafalda e sua turma (e padecida principalmente por Felipe). Na calle Perú, quase esquina com a avenida Independencia (a escola atualmente está em reformas)
SOBRE A TIRINHA
Mafalda foi publicada somente entre 1964 e 1973. No entanto, a tirinha continua sendo um boom de vendas em inúmeras reedições na Argentina e no resto do mundo. Depois de Mafalda, Quino continuou tendo amplo sucesso com outras charges e tiras. Desde os anos 70 o desenhista reside na Europa.
Charles M. Schultz (1922-2000), o criador do personagem Snoopy, da tirinha Charlie Brown, costumava definir Quino como “um gigante”.

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Milanesa – supimpa conjunção de carne, ovos e farinha de rosca – reafirma verdades na Argentina
O lunfardo portenho – a gíria de Buenos Aires (1) – possui uma longa série de palavras para referir-se à comida e à bebida. Os portenhos também usam nomes de alimentos ou pratos para fazer alusão sobre outros assuntos.
Além disso, o lunfardo usa o nome de alimentos pra designar características de pessoas.
Um “papa frita” (batata frita), por exemplo, é um “otário” ou “bobo”. A palavra “salame” tem idêntica utilização. E inclusive “zapallo” (abóbora) designa alguém tonto e cabeça-dura.
Enquanto que no Brasil alguém que empresta ingenuamente seu nome para outra pessoa que o usa em uma negociata é um “laranja”, na Argentina é um “perejil” (salsinha).
Aqui segue uma pequena lista deste lunfardo alimentício:
LA VERDAD DE LA MILANESA: A expressão popular “la verdad de la milanesa” (a verdade da milanesa) refere-se a uma verdade precisa. É uma expressão enfática que reafirma a verdade de algum comentário. Exemplo: “a verdade da milanesa é que o deputado Neanderthal Bezerra roubou US$ 12 milhões naquela negociata com o senador Bombordo Peçanha”. Expressão para indicar que não há dúvida alguma.

Pochita Morfoni, personagem do desenhista Guillermo Divito (1914-1969). Pochita comia sempre, vorazmente.
“Morfoni” era uma forma de dissimular o adjetivo de “morfón” com a aparência de um sobrenome italiano.
MORFAR: Comer. Comer para valer, com voracidade pantagruélica. Exemplo: “me morfé tres platos de ñoquis!” (comi – para valer – tres pratos de nhoques). A palavra origina-se do termo “morfellier” que no ‘argot’ (a gíria francesa) do final do século XIX e começo do XX significava “comer”. Séculos antes disso, François Rabelais, o autor de “Pantagruel”, o anti-anoréxico personagem, usava o verbo “morfiailler” em suas obras.
MORFÓN: glutão.
ZAPÁN: “Pança”, mas ao contrário. É um exemplo do “vesre”, a forma do lunfardo de falar ao contrário. Os parisienses possuem uma forma equivalente, o “verlan” (o contrário fonético de ‘l’envers’, ‘o contrário’ em francês)

O escritor francês François Rabelais (1494-1553), autor de Pantagruel e de Gargântua, personagens que se tivessem nascido em Buenos Aires teriam sido chamados de “Los Morfones”.

Gargântua, pai de Pantagruel, ‘morfando como siempre’, em ilustração de Gustave Doré, 1873
CHUPAR: Beber abundantemente. Álcool, evidentemente (acho que em lugar algum no mundo há gírias para referir-se ao ato de beber água mineral com gás). Entornar. Quem “chupa” muito fica “mamado” (bêbado) ou “curda” (bêbado). O mesmo verbo no espanhol da Argentina – tal como no idioma de Eça de Queirós e Sidney Magal – também pode ser usado para a prática do fellatio.

Isidoro Cañones, personagem do desenhista Dante Quinterno (1909-2003). Isidoro, protótipo do playboy portenho, entorna uma taça – literalmente – carregada de destilado escocês.
ESCABIO: Bebida alcoólica. Vem de uma antiga palavra italiana, ‘scabi’, usada para referir-se ao vinho.
ESCABIAR: Ingerir generosas quantias de destilados e fermentados.
MORFI Y CHUPI: Forma ligeiramente abreviada para referir-se ao conjunto de “comida” e “bebida”. Exemplo: “Vamos a la fiesta de Cacho! Hay morfi y chupi!” (Vamos na festa do Cacho! Há comes e bebes)
ÑOQUIS: Do italiano gnocchi, nhoques. Os argentinos comem – como quase todo o amplo leque de pastas – os nhoques ao longo de todo o ano. Mas, existe um dia especial para comer os nhoques: o dia 29 de cada mês. Deve-se à superstição que indica que comer essa pasta nesse dia traz sorte. Mas, para ter sorte, além de comer os nhoques, deve-se colocar uma nota embaixo do prato. E, como toda superstição tem seus detalhes, esta não podia deixar de ter os seus: a nota deve estar dobrada. Mas, além do prato típico da culinária italiana, no lunfardo a palavra é usada para referir-se ao “marajá”, isto é, o funcionário público que não trabalha, e que só aparece na repartição para receber seu salário uma vez por mês. Neste caso, a expressão ficou comum a partir dos anos 80 para designar o funcionário “fantasma”, “marajá”, que só aparece no fim do mês. Ou seja, tal como os nhoques…

Este é o ‘ñoqui’ alimentício, ao qual aplica-se o brilhante conselho italiano ‘mangia che te fa bene’.
O outro ‘ñoqui’ equivale a nosso “marajá”
E aqui embaixo, um marajá-marajá, um marajá de verdade, seja dita ‘la verdad de la milanesa’: Jagatjit Singh Bahadur (1872 – 1949), Marajá de Kapurthala

(1) Também existe um “lunfardo” de Montevidéu, similar ao portenho.
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Cristina governa, Néstor tem o poder (foto da presidência da República Argentina, no dia da posse de Cristina. El Pingüino não larga o bastão presidencial, que deveria passar à esposa)
O ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) pode considerar-se um “primeiro-cavalheiro” afortunado. Casado com sua sucessora, a presidente Cristina Kirchner, “El Pingüino” (O Pinguim), como é chamado popularmente – embora não possua cargo algum no governo da esposa – utiliza constantemente a estrutura da presidência da República para fazer sua própria campanha eleitoral.
Kirchner encabeçará a lista de candidatos a deputados da Frente pela Vitória, uma sublegenda do governista Partido Peronista (Justicialista).
O advogado Ricardo Monner Sans – famoso por ter alertado para diversos casos de corrupção de presidentes (desde Carlos Menem até Fernando De la Rúa), denunciou o ex-presidente Kirchner na Justiça por “uso indevido de bens públicos”.
“Notícias”, a principal revista de informação semana do país, denunciou que o esposo da presidente já gastou US$ 12,7 milhões em sua campanha (que ainda não começou oficialmente).
O tradicional jornal “La Nación” também alertou sobre o uso indevido dos fundos do Estado por parte do ex-presidente.
A “Notícias” estampou uma foto de Kirchner descendo do helicóptero presidencial, acompanhado pelo Ministro do Interior, Florencio Randazzo. A foto, que foi removida há dias do próprio site da presidência da República, indica que o ex-presidente faz uso não só dos meios de transporte do governo, como também utiliza os ministros da própria esposa para ajudá-lo na campanha.
Segundo a revista, Kirchner utiliza atualmente 30 funcionários de sua esposa para organizar seus comícios.

Kirchner, que não possui cargo algum no governo, desce do helicóptero da Presidência da República, acompanhado por Florencio Randazzo, Ministro da Justiça de sua esposa Cristina. Randazzo faz horas extras como assessor do ‘primeiro-cavalheiro’
Os comícios do ex-presidente são filmados pela produtora costumeiramente utilizada pela presidente Cristina, que tem o sugestivo nome de “La Corte” (A Corte). Os comícios de Kirchner são transmitidos pelo canal 7, a emissora estatal. Segundo o Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Equidade e Crescimento (Cippec), este uso da televisão é “injustificável”.
Além do helicóptero da esposa-presidente, Kirchner já usou o helicóptero da Gendarmería (corpo especial das forças de segurança) destinado para o transporte de pessoas doentes.
Recentemente realizou comícios na província de Jujuy, para onde viajou em um Lear Jet da presidência. Ocasionalmente também usa o helicóptero do governo da província de Buenos Aires (o governador bonaerense é seu ex-vice-presidente, Daniel Scioli).
Além disso, Kirchner aproveita os analistas de opinião pública pagos pelo governo para fazer suas próprias pesquisas sobre sua popularidade.
Até os taquígrafos da presidência não escapam dos pedidos de Kirchner para anotar seus discursos, posteriormente reenviados à mídia e políticos aliados por intermédio de mails da Casa Rosada, o palácio presidencial.
Kirchner apresentaria sua candidatura de forma oficial nesta semana, dia 14, no Teatro Argentino, na cidade de La Plata, capital da província de Buenos Aires.
Em 2007 a então primeira-dama e senadora Cristina Kirchner também usou intensamente a máquina do Estado argentino (quando o atual ‘primeiro-cavalheiro’ era presidente) para fazer sua campanha presidencial.
Nos anos 90, o então presidente Carlos Menem (1989-99) usava a estrutura do Estado para festas e viagens de amigos.
Em 1997, sua filha, Zulemita Menem, utilizou o avião presidencial, o Tango 01, para transportar o bolo de aniversário do pai.
Nos 1.153 quilômetros que separam Buenos Aires de La Rioja, província natal de Menem, os únicos passageiros foram Zulemita e o bolo.

Durante os dez anos e meio em que esteve no poder, o entourage de Menem – com bastante frequência – destinava a estrutura do Estado para usos pouco ortodoxos. Em 1995, um dos mais fiéis menemistas, o presidente da Casa da Moeda, Armando Gostanián, ordenou a impressão de milhares de notas – com papel moeda original e linha d’água – com a efígie de seu chefe, seguindo os padrões das cédulas reais de pesos.
As notas – impressas “de brincadeira” na Casa da Moeda por Gostanián, para agradar seu chefe – foram denominadas de “Menem-truchos” (a expressão ‘trucho’ é usada para designar algo ‘falso’)
Os menem-truchos ostentavam a legenda “Um valor que estabilizou o país”. Atualmente, essas notas podem ser encontradas em casas numismáticas no centro portenho.
LEITURA ADICIONAL
Para aqueles que quiserem ler mais sobre as eleições parlamentares argentinas de junho, podem ver a matéria que publiquei neste domingo no jornal. O link:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/…
Nesta segunda-feira saiu outra matéria no jornal sobre as eleições. Esta trata sobre como a crise econômica pode provocar uma perda de eleitorado para o casal Kirchner. O link:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/…
Outra opção é ler no La Nación este artigo (publicado neste domingo), que explica como está a situação política na província de Buenos Aires (que concentra 38% do eleitorado de todo o país). O link: http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota…
E este outro link do jornal “Crítica”, também sobre as eleições:
http://www.criticadigital.com/index.php?…
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Se Eva Duarte de Perón estivesse viva, sopraria 90 velinhas nesta quinta-feira, dia 7 de maio. Mas, sua curta vida foi interrompida em 1952 por um devastador câncer. A figura de Evita ainda gera polêmica entre os argentinos, embora cada vez menos. Seu túmulo no cemitério da Recoleta é visitado majoritariamente por turistas estrangeiros.

Umas das imagens preferidas de Evita pela esquerda peronista
Desde os anos 60 ela é símbolo de “rebeldia” para a esquerda peronista. Sua efígie está presente nas passeatas desses setores em faixas e cartazes. No entanto, nessas ocasiões aparece na versão mais “simples”, sem os vestidos de luxo e sem as jóias que costumava ostentar.

Um casal de arromba: Evita, com Perón, em retrato oficial
Mas, enquanto esteve viva foi identificada com o Fascismo. Ela apoiou enfáticamente o regime de extrema direita do ditador espanhol Francisco Franco, entre outras ditaduras totalitárias.
Além disso, colaborou com seu marido, o presidente Juan Domingo Perón, a receber criminosos de guerra nazistas, nos anos seguintes ao fim da Segunda Guerra Mundial.

Evita respaldou o regime de extrema direita de Franco
De quebra, Evita ajudou Perón na desarticulação dos sindicatos socialistas. Ela tornou-se na “protetora” do sindicalismo peronista, que costuma – ainda hoje – apresentar-se como uma “terceira via” entre o “capitalismo yankee” e o “marxismo ateu”.
Evita criou uma fundação, a Fundação Eva Perón, com a qual ajudou centenas de milhares de pessoas com problemas financeiros, de moradia e de saúde.
Seus críticos indicam que ela aplicou políticas assistencialistas, mas nada fez para mudar as estruturas. Seus defensores afirmam que ela, pelo menos, ao contrário de muitos políticos, forneceu ajuda aos setores pobres da população.
Seus críticos retrucam e sustentam que as ajudas dadas aos pobres eram com produtos confiscados de empresas privadas. Seus defensores dão a tréplica e afirmam que os confiscos eram justificáveis, já que as empresas lucravam graças aos baixos salários de seus empregados.
Peronistas de todo tipo tentaram usar a imagem de Evita. O neo-liberal ex-presidente Carlos Menem citava Evita como exemplo a seguir. A presidente Cristina Kirchner cita Evita como exemplo a seguir.

Cristina Kirchner tenta emular gestos de Evita

A colombiana Ingrid Betancourt, que nunca pretendeu ser Evita; Cristina Kirchner, que cita Evita constantemente, e Madonna, que lucrou muito graças a Evita
Não somente políticos usaram Evita. Ela também transformou-se em produto comercial. Nas últimas três décadas a temperamental e passional esposa de Perón virou musical, filme (baseado no musical), camiseta, caneca, pôster e até chaveiro. Por enquanto, não se transformou em sabão em pó. Mas, nunca é tarde demais.

Como sacolejar o esqueleto ao ritmo do musical Evita
“Voltarei e serei milhões”. A lenda diz que Evita pronunciou essa frase segundos antes de morrer. Os “milhões”, indicava o mito, eram os milhões de trabalhadores que viriam reclamar suas conquistas. Mas, na realidade, transformaram-se nos milhões de dólares gerados anualmente por este ícone pop.
MITOS E FATOS:
- Evita não era pobre, como diz a lenda. Sua mãe era a dona de uma pensão na cidade de Junín, na província de Buenos Aires. Viviam de forma austera, mas digna.
- O mito divulgado pelos opositores de Evita indica que ela prostituía-se nos primeiros anos em Buenos Aires. Mas, não existe prova alguma disso.
- Evita não liderou as massas para liberar seu namorado, o então coronel Juan Domingo Perón, detido em 1945 pelo governo militar que integrava (e que temia a crescente popularidade do então denominado “Coronel Kolynos”, por seu permanente sorriso). Após a prisão de Perón, ela refugiou-se na casa de sua mãe, em Junín.
- Evita nunca pronunciou a frase “volveré y seré millones” (voltarei e serei milhões). A frase é apócrifa. Mas, poderia encaixar-se bem na categoria de “se non è vero è ben trovato”, pois adapta-se bem à personalidade da “Mãe dos Pobres”.
- O mito diz que quando ela estava morrendo de câncer, apareceram pichações nos muros de Buenos Aires (e especialmente nos arredores da residência presidencial) com a frase “Viva el cáncer” (Viva o câncer). Não seria uma atitude estranha por parte dos opositores de Evita, que a detestavam. Mas, não há registros sobre a existência dessas pichações. As versões sobre esses grafitos surgiram anos após a morte de Evita.
- O mito, divulgado pelos opositores de Eva Perón, sustenta que ela tinha uma fortuna no exterior, mais especificamente, em bancos suíços. No entanto, apesar das investigações realizadas, nenhuma conta bancária foi encontrada em terras helvéticas.
- Evita, ao contrário do que mostra o musical e filme “Evita”, jamais conheceu o argentino Ernesto ‘Che’ Guevara, transformado em líder guerrilheiro em Cuba anos após a morte de Eva Perón. O Che, inclusive, considerava Evita e seu marido políticos de ‘direita’. E, até considerava que o casal era ‘proto-fascista’.

Guevara, que não gostava de Evita, teve o mesmo destino da compatriota argentina: transformou-se em todo tipo de produto comercial. Até virou restaurante, o Chef Guevara
- Durante anos, no exterior, existiu o mito de que em cada lar operário argentino havia um “altar” com a foto de Evita e velas acesas embaixo. Isso ocorreu em muitas casas de pessoas pobres após sua morte em 1952. Mas, esse ‘altar’ nunca foi prática generalizada. E deixou praticamente de ser visto a partir dos anos 90.

Livro disseca imagem de Evita
SEGUNDO SOCIÓLOGO, EVITA ERA ‘A MULHER DO CHICOTE’
Um dos principais sociólogos da Argentina, Juan José Sebreli, publicou recentemente “Cômicos e Mártires – Ensaio contra os mitos”, livro que desatou intensa polêmica, já que nele ousa intrometer-se com os maiores – e intocáveis – mitos da História argentina. O livro – que na Espanha recebeu o prêmio Casamérica – analisa o fenômeno dos mitos do ex-astro do futebol Diego Armando Maradona; o cantor de tangos Carlos Gardel;o líder guerrilheiro Ernesto ‘Che’ Guevara, e a “Mãe dos pobres”, Evita Perón.
“Evita exaltou, de forma significativa, a subordinação da mulher ao homem”, disparou Sebreli, enquanto bebia um ‘cortado’ no café ‘El Olmo’. Durante a entrevista que lhe fiz em fevereiro, ele torpedeou o mito de Evita como paladina do gênero feminino. “Além do voto para as mulheres, ela jamais pensou em reivindicações feministas essenciais, como, por exemplo, o divórcio e a despenalização do aborto”, disse.
Evita é sustentada como mito tanto pela direita como pela esquerda, explicou Sebreli, que indicou que “embora em seu discurso estivesse do lado dos operários, ela respaldou de forma enérgica a repressão às greves realizadas contra o governo de seu marido. Evita, longe de ter sido uma defensora dos operários, ajudou na domesticação do sindicalismo argentino. Ela era a perseguida e a perseguidora, a mulher do chicote”.
Sebreli afirma que, ao contrário da lenda, Evita nunca esteve na mobilização de trabalhadores que no dia 17 de outubro de 1945 foi às ruas pedir a liberação do então coronel Juan Domingo Perón, detido por seus colegas militares. “Evita era ninguém, só era a amante de Perón…Essa imagem dela liderando as massas naquele dia decisivo apareceu anos depois. É preciso desmascarar isso. Evita estava naquele dia na cidade de Junín, com seus parentes”.
“Perón não é mito. Ele é figura histórica. Ninguém se interessa profundamente em Perón hoje em dia, a não ser que seja um historiador. Mas, todos conhecem Evita. É seu jeito de ser, o look. E, de quebra, ainda está ali o musical e o filme sobre o musical. Perón foi um político, mas Evita foi o ornamento estético do fenômeno político do Peronismo. Veja bem: um ornamento estético muito importante”, explica.
Segundo o sociólogo, “Perón pode ser discutido hoje em dia. Mas, Evita é intocável.Quase o mesmo caso do Che e de Maradona. As pessoas fazem poucas piadas paródicas sobre eles. O dia em que começarem as piadas, será o fim de seus mitos”.
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Céticos como os russos, os argentinos sempre esperam a inundação depois da tempestade – Russos em momento de relax (quadro de Ilya Yefimovich Repin, 1893)
Os argentinos podem considerar-se PhDs em crises econômicas, superando amplamente os habitantes de qualquer outra economia na América Latina. Desde 1975, eles tiveram uma grave crise a exatamente a cada sete anos. Hiper inflação, calotes da dívida pública, recessões profundas, elevado desemprego, corridas bancárias, ondas de falências de bancos, moedas paralelas, saques a comércios, confiscos bancários, empobrecimento da classe média, greves gerais a granel, privatizações suspeitas e reestatizações controvertidas integraram um coquetel explosivo que foi condimentado com momentos de extrema euforia, baixo desemprego e deflação.
Em algumas épocas, as políticas econômicas implementadas pelos governos de plantão fizeram da Argentina a “garota mimada” dos mercados. Em outras ocasiões, o país tornou-se “pária” internacional.
Em quase todo o mundo ocidental é usado o provérbio “depois da tempestade vem a bonança”. Mas, na cética Rússia usa-se o “depois da tempestade…vem a inundação”. No meio do peculiar cenário econômico citado acima, os argentinos – tão céticos quanto os russos, ou até mais – praticam similar filosofia.
Nos últimos 34 anos, período coalhado por cinco grandes crises (iniciadas nos anos 1975, 1982, 1989, 1995, 2001), os argentinos recorreram ao dólar, refúgio preferido dos habitantes deste país para épocas de turbulências.

Efígie de George teve sempre efeito calmante em boa parte da população argentina, assolada por políticas econômicas erráticas dentro do país e crises externas
EM DÓLARES. E FORA DO PAÍS - Nesta nova crise, mais uma vez, a moeda americana é a preferida para escapar das turbulências. O costume é poupar em dólares. E, de preferência, guardar essas notas cinzento-esverdeadas nos seguintes lugares:
- Caixas de segurança nos bancos
- Debaixo do colchão, em potes de conservas (sem as conservas, obviamente), dentro de livros…nos mais variados esconderijos dentro das residências.
- Em bancos no Uruguai (neste caso, as cidades de Colonia, a uma hora em ferry boat de Buenos Aires, ou Montevidéu, a três horas de ferry ou 25 minutos em avião, são os costumeiros lugares procurados pelos argentinos que levam suas economias aos bancos uruguaios)
A preocupação permanente pelo surgimento “quase garantido” de que uma nova crise está sempre no horizonte transformou a Argentina no país que ocupa a pole position no ranking mundial – fora os Estados Unidos – de dólares nas mãos da população.
Os argentinos possuem em média US$ 1.300 per capita, volume muito superior aos US$ 550 em média que os russos possuem.
Grande parte dos argentinos considera que o dólar é o refúgio seguro. Mais seguro ainda se os dólares estiverem fora do país, indicam.
Uma alternativa é ter os dólares dentro do país, mas fora dos “traiçoeiros” bancos ou das “garras” do governo.
Entre abril de 2007 e março de 2009 “fugiram” US$ 37,644 bilhões, segundo os dados do Banco Central.
Entre abril e dezembro de 2007, saíram do país US$ 8,87 bilhões.
Ao longo de todo o ano 2008 o país sofreu uma fuga de divisas de US$ 23,09 bilhões, segundo dados do Banco Central (esta fuga superou em 23% a saída de dinheiro ocorrida na época do colapso financeiro de 2001-2002, quando partiram do país US$ 18,7 bilhões).
Durante o primeiro trimestre de 2009, saíram do país US$ 5,684 bilhões
A instabilidade política que assola o governo da presidente Cristina Kirchner desde o ano passado alimenta a fuga constante de divisas. A tendência, afirmam os analistas, é que o cenário ficará mais complicado, já que no dia 28 de junho o país terá decisivas eleições parlamentares.
Os analistas destacam que, se o governo vencer, a situação ficará complicada.
E, se a Oposição for vitoriosa, o cenário também será de complicações.
Por isso, será válido o provérbio russo supracitado.

Ministro Celestino Rodríguez, autor de “El Rodrigazo”, pacote econômico que em 1975 fez os argentinos começarem a pensar que depois da tempestade não vinha a bonança, mas sim, a inundação.

Não é a tal inundação russo-argentina, mas parece, não? Mas trata-se do poeta sãopetersburguense Aleksandr Pushkin(1799-1837), que olha para as turbulentas águas. O quadro é o Прощание Пушкина с морем. Ou, como costumamos traduzir lá em Londrina, “O adeus de Pushkin ao mar”.
É apenas uma desculpa para falar de um de meus pintores preferidos, o russo Ilya Yefimovich Repin, que fez esta obra em 1877.
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A sociedade argentina é plena de antagonismos. Um dos poucos consensos existentes é o alfajor, quitute de origem árabe (o “al-hasú”) com um touch espanhol que transformou-se no principal doce de consumo dos argentinos.
Segundo pesquisas, quase todos os argentinos apreciam este doce de linhas simples. Do total, um quarto da população inexoravelmente come alfajores todos os dias. A cada jornada, 9 milhões de alfajores são devorados pelos argentinos.

Unanimidade acaba cuando surgem as sub-espécies. Neste caso, o alfajor de maizena
A unanimidade, no entanto, somente predomina sobre seu conceito geral. Na hora de discutir as nuances, os argentinos voltam ao antagonismos. Motivos para o debate culinário existem de sobra, pois existe uma miríade de sub-espécies de alfajores, que vão desde a cobertura de chocolate negro, passando pelo branco, açúcar de confeiteiro e o alfajor de maizena.
Existem marcas produzidas por grandes indústrias, pequenas e médias, além de alfajores artesanais, que em vez do recheio de doce de leite optam por doces de frutas da Patagônia e de outras regiões do país.

Quitute que evoca conquista espacial em packaging retro é bastião da ortodoxia alfajorística argentina (Foto de Ariel Palacios)
ORTODOXO E RETRO - Mas, esta ampla variedade dos tipos de alfajores – e até o surgimento de alguns alfajores quadrados (para horror dos conservadores) – foi derrotada pela ortodoxia hiper-fundamentalista do “Capitán del Espacio”, vencedor no ano passado do Campeonato Mundial dos Alfajores, organizado por um bloggers argentinos.
O “Capitán del Espacio” – com apenas dois sabores – derrotou os populares alfajores “Jorgito” e os refinados “Havanna” (estes últimos, segundo o quituteirólogo inglês Neville Reid, ‘se algum dia você for para o céu, com certeza haverá alfajores Havanna ali’). Os “Havanna” agora contam com um rival, o também requintado “El Cachafaz”.

Segundo especialista britânico, Céu que não tem alfajor Havanna, não é Céu
Low profile, o “Capitán del Espacio” transformou-se em “cult” nos últimos anos.
Ele é produzido no município de Quilmes, na zona sul Grande Buenos Aires (município que é famoso há mais de um século pela cerveja Quilmes, que desde a virada do século é propriedade da AmBev).
No entanto, apesar do sucesso do produto, a empresa não possui interesse em vender o “Capitán del Espacio” na cidade de Buenos Aires, o maior mercado consumidor do país.

Alfajores como o “Fantoche” apostam nos gulosos adeptos da versão tríplice
BASTIÃO DO ANTI-MARKETING - Os donos da empresa atendem – com sua máxima capacidade – a demanda da área Quilmes e estão satisfeitos com isso, descartando qualquer espécie de ampliação de suas instalações para atender os insistentes pedidos provenientes da capital argentina.
Quiosques em Buenos Aires precisam colocar cartazes com os dizeres “Não insistam! Não temos Capitán del Espacio!” para evitar a perda de tempo de explicar aos clientes a ausência inexplicável desse procurado alfajor.
“Capitán del Espacio” não trocou seu packaging desde que foi lançado no mercado há mais de 40 anos.
O marketing é um conceito praticamente desconhecido pela empresa.
Além disso, ela contraria a lei da procura e da oferta, que indica que um produto, se muito requerido, aumenta seu preço. Na contra-mão dessa lei econômica, “Capitán del Espacio” tem preços que costumam ser 60% mais baratos que a média dos outros alfajores.
A empresa não conta com publicitários (não investe um centavo sequer em publicidade), não possui assessores de imprensa, e nem se interessa em atender os pedidos de entrevistas da mídia. Site de internet? Nem pensar.

Alfajorológos sustentam que o “Capitán…” manteve intacto o sabor de antanho
Os alfajorólogos afirmam que o sucesso deste anti-herói dos alfajores é que ao contrário de outras marcas que ao longo do tempo modificaram seus ingredientes por outros mais baratos, o “Capitán del Espacio” mantém o mesmo sabor nas últimas quatro décadas (aliás, os especialistas sustentam que este alfajor deve ser degustado frio, após, pelo menos, uma hora na geladeira).
Embora o “Capitán del Espacio” seja famoso na cidade de Buenos Aires, poucos portenhos o experimentaram.
Isso elevou o “Capitán del Espacio” à categoria de “lenda urbana”, pois muitas pessoas em Buenos Aires acreditam que tal alfajor – alvo de inúmeras enfáticas apologias – simplesmente não existe.
Diversos blogs na internet dedicam a este mítico alfajor as mais exaltadas apologias.
SERVIÇO - O turista brasileiro que quiser experimentar o quitute terá que dedicar-se com insistência na procura do “Capitán del Espacio” nos quiosques, além de necessitar de grande sorte, pois sua escassa distribuição em Buenos Aires é errática. Eu costumo comprá-los em um “Kiosco” da avenida Callao, entre a calle Marcelo T. de Alvear a a Avenida Santa Fe. É um quiosque grande, do lado esquerdo da avenida.
No caso de extrema curiosidade e gula, a pessoa pode ir até Quilmes, no sul da Grande Buenos Aires e comprar diretamente na fábrica, na rua Gran Canaria, número 350. Telefone: 4253 5224.

Tudo é possível no amplo mundo dos alfajores(Foto de Ariel Palacios)
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
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Lugômetro do jornal Perfil: http://especiales.perfil.com/lugometro/
A vitalidade espermática do ex-monsenhor e presidente do Paraguai Fernando Armindo Lugo Méndez – notícia que em seu país está provocando uma grave crise política – suscitou em todo o Cone Sul uma onda de piadas.
O jornal portenho “Perfil” instalou em seu site o “Lugômetro”, que medirá o número de crianças reconhecidas pelo fértil ex-bipo, além das denúncias dos filhos que supostamente ele gerou.
A ironia portenha também produziu uma série de camisetas que – vendidas pela internet (e também nas ruas do centro) – ostentam os seguintes dizeres:
- “Papai Lugo, me reconheça”
- “Papai, don Fernando Lugo Méndez”
- “Filhos meus!”

E também está à venda a camiseta estampada com os versos do grupo paraguaio “Los Ángeles” que imortalizou o desdém do então bispo pela invenção de um dos médicos (de nome verdadeiro desconhecido, embora lendariamente chamado de “O Conde de Condom”) da corte do rei Charles II da Inglaterra , que indica que “Lugo tiene corazón pero no usa condón” (isto é, “Lugo tem coração” – em alusão a seu slogan de campanha – “pero no usa condón”, não usa preservativos)
As camisetas com os dizeres relativos à inesperada prole e os coitos desprotegidos do presidente Lugo custam, cada uma, em média, US$ 13 em Buenos Aires.
E também há camisetas para o nicho de mercado de pessoas que não consideram que o ex-monsenhor seja seu progenitor
- “Não sou filho de Lugo”

No Facebook também proliferam grupos com alusões ao presidente do Paraguai
- “Sou filho de Lugo, e daí?”
- “Eu também tive um filho com Lugo”
- “Lugo, semental paraguaio”
Com menos tecnologia do que o Facebook, os paraguaios expressaram suas satíricas opiniões sobre seu próprio ex-celibatário líder com prosaicos – mas incisivos – grafitos de banheiro.
Os top five dos mictórios em Assunção eram:
- O semental do Paraguai (esta, reproduzida aos montes depois que a terceira mulher, Damiana Hortensia Morán, indicou que Lugo, como homem, era “um fenômeno”)
- Pai de todos os paraguaios
- Super-pai
- Também quero ser bispo. Onde é que eu me inscrevo?
- Tem certeza de que seus filhos…são seus filhos?

Charles II da Inglaterra (1630-1685), representante da dinastia Stuart, era enfático adepto do uso do preservativo, elemento contraceptivo desprezado pelo ex-bispo e atual presidente paraguaio Fernando Lugo (Charles II, retratado por Sir Peter Ley)
Alfredo Boccia Paz, um dos melhores analistas políticos de Assunção, escreveu a coluna “Quantos filhos suporta um governo” no jornal paraguaio “Última Hora”. Este é o link da coluna:
http://www.ultimahora.com/home/index.php…
Este outro link pode parecer piada, mas é a notícia das declarações de um ex-colega de profissão de Lugo, o bispo da Diocese de Caacupé, Claudio Giménez, que aconselhou que Lugo case com uma das três mulheres que asseguram que tiveram um filho com o atual presidente nos tempos em que supostamente era celibatário. “Assim ele vai se tranquilizar”, explicou o bispo.
Este é o link:
http://www.ultimahora.com/notas/216957-O…
COITOS DE IMPLICÂNCIAS PARLAMENTARES - A Oposição, enquanto isso, delicia-se com novos boatos sobre eventuais rebentos adicionais do ex-bispo.
Os líderes opositores calculam os votos necessários para um eventual impeachment de Lugo, que seria gerado pela falsidade ideológica (a negativa, durante a campanha, da existência de filhos).
A outra alternativa seria a de tentar remover o presidente pela acusação de estupro.
Esta hipótese estava sendo especulada intensamente há duas semanas, decorrente das afirmações da primeira denunciante, Viviana Carrillo Cañete (mãe da criança que Lugo reconheceu) que afirmava que havia tido relações com o então bispo quando ela tinha 16 anos (na lei paraguaia, é considerado estupro se um homem maior de idade tiver relações sexuais com uma mulher de 14 a 16 anos).
No entanto, nesta terça-feira, Viviana – em depoimento à Justiça – reconfigurou a idade do primeiro contato sexual com Lugo, e disse que ocorreu aos 23 anos (fato que desmonta a hipótese de estupro por uma questão de idade).
Além disso, Viviana disse que esperava ainda casar com o pai de seu filho, isto é, Lugo.
De todas formas, os analistas destacam que para iniciar um julgamento político de Lugo, a Oposição necessitaria metade dos votos do Partido Liberal Radical Auténtico (PLRA), o partido do vice-presidente de Lugo, Federico Franco. Este, por enquanto, continua aliado do presidente. Mas, avisou dias atrás: “Lugo, você já perdeu um amigo….não perca seu vice!”.
Em tempo: O falecido general e ditador Alfredo Stroessner era o suposto pai de 20 filhos extra-matrimoniais. Outro defunto presidente paraguaio, Bernardino Caballero, teria gerado 77 crianças, segundo historiadores.
Em tempo 2: O Paraguai não é o único país da região onde costumam acontecer estas coisas…
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