Neste sábado dia 9 completaram-se dois meses desde o desembarque do presidente Hugo Chávez em Havana, Cuba, para preparar-se para sua 4ª. cirurgia para extirpar o câncer que o assolava. Nesta segunda-feira dia 11 completam-se dois meses de sua operação. De lá para cá nunca mais os venezuelanos e o resto do planeta puderam ver uma imagem nova de Chávez, sequer ouvir sua voz em um áudio recente. Neste período, o vice-presidente Nicolás Maduro somente mostrou documentos que estavam, segundo sustentou, assinados por seu chefe.
Na semana passada, para demonstrar que o documento havia sido realmente assinado por Chávez, mostrou a pasta de cartolina onde estava o papel, com o escudo presidencial. “Vejam só, é a pasta presidencial”, ilustrou Maduro, indicando que exibia uma prova irrefutável da permanência de Chávez com vida. “E tem o escudo presidencial”, ressaltou.
O cenário dos últimos dois meses foi radicalmente diferente do panorama anterior, já que durante os anteriores 13 anos a presença midiática de Chávez foi praticamente onipresente na Venezuela.
“Mejor que decir es hacer” (Melhor do que dizer é fazer). A frase é um dos top ten dos epigramas do general e presidente argentino Juan Domingo Perón. No entanto, o laconismo que Perón pregava não foi seguido por seus admiradores (se bem que o próprio fundador do peronismo tampouco seguia o que dizia). Um deles, declarado peronista em versão caribenha é o presidente venezuelano Hugo Chávez, fez da atividade midiática permanente sua marca de governo.
A verborragia do líder bolivariano foi pesquisada detalhadamente por seu compatriota, o sociólogo Andrés Cañizales. No livro “A presidência midiática” o acadêmico cita como exemplo o discurso de 10 horas que Chávez fez no dia 13 de janeiro de 2012 perante o Parlamento venezuelano. Nesse monólogo – o mais longo de um presidente na História desse país perante os deputados – Chávez pronunciou a palavra “eu” um total de 586 vezes.
Do total de vezes em que Chávez fez referências sobre políticas pública, falou sobre si próprio em terceira pessoa 75% das vezes
Chávez fala sobre si próprio, mas em 3a pessoa, na maior parte de seus discursos em rede nacional de TV
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) fez uma medição dos discursos que Chávez proferiu nos primeiros dez anos de seu governo, entre 1999 e 2009. Ao longo dessa década os canais de TV e estações de rádio venezuelanos transmitiram 1.992 redes nacionais de TV e rádio protagonizadas por Chávez.
O total equivale a 1.252 horas e 41 minutos.
Se por acaso Chávez pudesse ter concentrado todos seus discursos em rede nacional, para falar de forma corrida, essas horas equivaleriam a 52 dias seguidos. Isto é: seria como ter alguém em casa sem parar de falar durante quase dois meses de forma ininterrrupta.
Os líderes da oposição venezuelana não poupavam críticas sobre a presença ostensiva de Chávez e acusavam o presidente de tentar uma virtual onipresença midiática. Enquanto Chávez estava presente dicursando de forma constante não faltaram irônicas alusões ao “Grande Irmão”, o personagem do livro “1984”, do britânico George Orwell, que estava de forma quase permanente nas telas dos habitantes de Oceania, um país ditatorial.
Segundo Cañizales, Chávez aplicou durante seu governo (e possivelmente continuaria aplicando, em um virtual e hipotético retorno) o “decisionismo midiático”, já que muitas decisões governamentais – estatizações, acordos internacionais, entre outros – eram tomadas na hora, ao vivo para toda a nação, para surpresa dos próprios ministros, ocasionalmente.
O planeta Marte - com teorias sobre o fim de sua suposta vida - também entrou nos discursos presidenciais venezuelanos em tom de “blame it on Adam Smith”.
POEMAS & HIGIENE. E MARTE - O presidente Chávez dissertava sobre os mais variados assuntos em seus speeches.
O líder bolivariano dedicava tempo para intercalar piadas durante sua fala e conversa com o público (quase um monólogo, pois dificilmente dá para ouvir as breves respostas das pessoas na audiência).
Chávez também cantava e declamava poesias durante suas falas em rede nacional de TV. Além disso, dava ordens sobre o modus operandi no qual seus compatriotas devem proceder com a higiene em 2009 quando a Venezuela estava em crise energética: “há pessoas que cantam no banheiro meia hora. Ora, mas que comunismo é esse? Eu contei o tempo: três minutos é mais do que suficiente, não fiquei fedendo. Um minuto para se molhar, outro para ensaboar. E um terceuro para enxaguar. O resto do tempo é um desperdício”.
Polifacético, o tenente-coronel das brigadas para-quedistas que chegou à presidência venezuelana, também fazia peculiares alusões político-astronômicas, tal como na ocasião em que avaliou que existiu vida no planeta Marte, mas que esta teria acabado pela ação do capitalismo marciano.
Mas apesar da verborragia, existem assuntos que Chávez esquiva. No discurso em janeiro do ano passado no Parlamento – que conteve 60 mil palavras – ele citou a expressão “falta de segurança” somente duas vezes, enquanto que “desemprego” foi dita apenas uma vez.
A ausência dos discursos de Chávez nos últimos dois meses está sendo parcialmente coberta pela presença constante do vice-presidente Nicolas Maduro na mídia, bem como o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, além do genro de Chávez, o ministro do Poder Popular para a Ciência, Jorge Arreaza, e o ministro do Poder Popular da Informação, Ernesto Villegas.
Nenhum deles conta com o carisma e a verbe de Chávez, embora Maduro, nos últimos discursos, tenha se esforçado em copiar seu líder convalecente, emitindo frases com tom exaltado e declarações nacionalistas.
O mise-em-scène não eximiu o vice de recorrer a alguns momentos de efeito, como o de, no 10 de janeiro, dia da virtual posse de Chávez sem Chávez, após anunciar a permanência das medidas revolucionárias, Maduro recorreu a outras medidas, impactantes, de 90-63-90 centímetros de busto, cintura e quadril da curvilínea miss Mundo de 2011, a venezuelana Ivian Lunasol Sarcos, estudante de Relações Internacionais e ativa militante chavista, que subiu no palanque para declarar seu respaldo ao governo em meio a aplausos e “fiu-fius”.
A partir do minuto 1:00, até 1:42, a estonteante miss saúda e dá uma voltinha:
E para embalar este fim de semana, um pouco de off-Momo com Scheherazade (a esperta moça que todas as noites enrolava o rei com um novo conto…e assim passaram 1001 noites) de Никола́й Андре́евич Ри́мский-Ко́рсаков (Nikolái Andréyevich Rimski-Kórsakov). Na batuta o genial Valeri Gergiev.
E embaixo, o caríssimo Rimski-Kórsakov. O quadro é de Valentin Serow, de 1898.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
Mães, pais, irmãos, irmãs, filhos, sobrinhos, tios, primos, amigos das 194 pessoas mortas da tragédia da Discoteca República Cromañón em silenciosa manifestação. Cada vela representa uma pessoa morta na maior tragédia não-natural da História argentina ocorrida em um lugar fechado. Foto da Wikipedia.
Na noite do 30 de dezembro de 2004, a discoteca República Cromañón – em uma área informalmente chamada de “Once” do bairro de Balvanera – foi o cenário da maior tragédia não-natural da História da Argentina. Na ocasião, um incêndio com características similares à tragédia de Santa Maria (RS) – provocado por um sinalizador disparado dentro do salão principal da casa de shows – provocou a morte 194 pessoas, a maior parte das quais asfixiadas. Outras 1.432 pessoas ficaram feridas no incêndio.
A tragédia teve forte impacto político e cultural na capital argentina. O prefeito de Buenos Aires na época do incêndio, Aníbal Ibarra, foi alvo de um processo de impeachment e destituído dois anos depois. Ele foi acusado de não ter feito a fiscalização necessária no setor de casas noturnas. A carreira política de Ibarra, que despontava como uma forte liderança do setor progressista, implodiu com esta tragédia. O então prefeito, que era figura cotada para uma eventual sucessão presidencial é atualmente deputado estadual pelo distrito federal.
Na calçada onde estava a discoteca os parentes das vítimas montaram um santuário para homenagear os mortos. Os parentes, durante meia década, realizaram frequentes marchas para exigir justiça pelos jovens que morreram na discoteca.
Na época, o então presidente Néstor Kirchner foi intensamente criticado por ter estado em silêncio público sobre o assunto durante cinco dias, sem sequer dar os pêsames às famílias das vítimas do incêndio.
Uma multidão indignada de amigos e parentes dos mortos foi à frente da Casa Rosada protestar. Ali gritaram que Kirchner “mais do que um pingüim (em alusão ao apelido do presidente, “El Pingüino) é um avestruz”.
Cinco dias após a tragédia, Kirchner voltou de seu descanso de Reveillon na Patagônia para reunir-se com um grupo de pais dos mortos. O presidente expressou suas condolências e prometeu que a justiça seria aplicada.
Na ocasião Kirchner disse que não havia comunicado os pêsames nos dias anteriores para “evitar gestos de exibicionismo”.
O nome da discoteca fazia alusão ao homem de Cro-magnon, nosso antepassado pré-histórico. O quadro acima, de 1883, que mostra homens e mulheres cro-magnon, é o “Idade da Pedra: A festa”, de Viktor Vasnetsov (1848-1926).
SINALIZADOR - O incêndio da Cromañón iniciou quando um dos fãs do grupo de rock “Callejeros” disparou um sinalizador dentro da discoteca, atingindo o forro do salão, que era inflamável.
O “Callejeros” costumava incentivar o uso de pirotecnia nos shows que realizava em estádios e parques. Ao iniciar a apresentação daquela noite, os integrantes do grupo pediram – embora sem insistir – que os espectadores não disparassem os costumeiros fogos nesse lugar, já que era um recinto fechado. No entanto, uma das pessoas na platéia disparou um sinalizador, iniciando o incêndio.
A vida noturna portenha sofreu uma drástica guinada, já que várias discotecas foram fechadas pela fiscalização municipal nos meses seguintes à tragédia de Cromañón. Diversas pesquisas na época indicaram que os portenhos estavam com medo de entrar em lugares de divertimento fechados e optaram por mais shows em parques e outros lugares ao ar livre.
O setor cultural underground foi o mais atingido, já que suas pequenas e improvisadas casas de show não tinham dinheiro para instalar as medidas de segurança previstas pela legislação local. Nos anos seguintes as grandes discotecas fizeram modificações para evitar incêndios. No entanto, os especialistas afirmam que estas mudanças foram mais de “maquiagem” do que reais.
Chabán, durante seu julgamento em Buenos Aires.
EMPRESÁRIO - Na noite da tragédia, o dono do estabelecimento, o empresário Omar Chabán, um personagem histórico da noite portenha, havia autorizado a venda de entradas em um número três vezes superior à capacidade da Cromañón. Além disso, Chabán e seus sócios costumavam deixar as portas de emergência fechadas, para evitar – segundo argumentaram posteriormente – que entrassem “penetras” durante o show. Desta forma, quando o fogo começou a se espalhar, as pessoas acotoveladas dentro da discoteca tentaram sair e depararam-se com as portas de emergência trancadas com cadeados. Diversos cadáveres foram encontrados amontoados nas portas, nas horas seguintes à tragédia.
Muitas jovens, fãs dos “Callejeros” eram mães adolescentes haviam levado seus bebês à discoteca, onde montaram uma creche improvisada. Vários bebês morreram asfixiados ali.
Chabán foi uma das primeiras pessoas a sair do lugar quando o incêndio começou. Ficou olhando, desde a calçada da frente durante minutos, até que foi reconhecido por uma garota, que lhe deu um tapa na cara. O empresário saiu correndo e permaneceu vários dias escondido na casa de amigos.
Chabán foi transferido diversas vezes de prisão e até permaneceu um período em detenção domiciliária. O julgamento oral e público começou em 2008. Um ano depois foi condenado a 20 anos de prisão. No entanto, o empresário apelou à Justiça, que revisou a pena dada anteriormente. O novo tribunal emitiu uma nova pena, desta vez de dez anos e nove meses de prisão.
ADVOGADO - Famoso por ser prepotente, Chabán – um empresário excêntrico que andava de triciclo pela cidade acompanhado de seu animal de estimação, um sapo – sequer contava na época em que foi detido com a simpatia de seu próprio advogado, Pedro D’Attoli. Na época, o profissional admitiu que seu cliente tinha motivos “para estar preso”.
De Samuel Barber, seu “Adagio para cordas”:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
William Rufus Devane King: sua posse extraterritorial foi usada como justificativa por uma suprema corte de maioria chavista
A presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, Luisa Estela Morales, justificou nesta quarta-feira a sui generis situação do presidente Hugo R. Chávez, ausente de Caracas nesta quinta-feira dia 10 de janeiro para a posse de seu quarto mandato presidencial. Uma das justificativas é que Chávez foi “reeleito” e não “eleito”, e portanto, há uma continuidade do poder. E desta forma, não precisa estar presente agora ou nos próximos dias. Segundo ela, a posse poderá ser no futuro, quando Chávez possa.
A outra justificativa implicou em arquivar temporariamente as posições anti-americanas (pelo menos, na área discursiva) do chavismo para recorrer a um exemplo yankee para defender um eventual juramento do presidente Chávez no futuro fora da Venezuela (neste caso, perante os juízes do Supremo). Coincidentemente, neste caso, na ilha de Cuba.
“Nos Estados Unidos, por exemplo, poderíamos citar que há muito tempo um governante americano tomou posse fora de seu país, William King, o décimo-terceiro presidente americano William King”, disse a juíza.
No entanto, King não era presidente. Era o vice-presidente. O presidente era Franklin Pierce, que tomou posse normalmente em Washington.
Segundo a juíza, “sequer existe ausência temporária” de Chávez, que desde o dia 11 de dezembro está internado em um hospital em Havana.
WILLIAM KING - Em 1852 o Partido Democrata escolheu William Rufus King para ser o vice na chapa de Frankilin Pierce. A dupla venceu as eleições presidenciais de novembro daquele ano. Mas, os problemas pulmonares de King – que na campanha havia ficado evidentes – agravaram-se. Em dezembro foi descrito por amigos seus como um “esqueleto”. No fim do mês decidiu passar o inverno no clima tropical de Cuba para ver se podia recuperar sua abalada saúde.
Em fevereiro, já em Cuba, King percebeu que não conseguiria enfrentar a viagem até Washington para a posse do dia 4 de março.
O Congresso, informado do agravamento da saúde do vice eleito, tomou uma medida inédita – e jamais repetida – de aprovar uma lei especial, de exceção, que permitiria que King tomasse posse em solo estrangeiro, alegando que o veterano político havia prestado “importantes serviços à pátria”.
A decisão também tinha um quê de compaixão, afirmam historiadores, já que os integrantes do Congresso sabiam que King estava em estado terminal e nunca seria o vice.
Desta forma, King tornou-se a figura de maior hierarquia institucional na História dos EUA a prestar juramento em solo estrangeiro. Mais especificamente, foi em uma fazenda perto de Matanzas, nas proximidade de Havana. O vice não conseguia nem ficar em pé para o juramento.
King continuou piorando e partiu de Cuba rumo aos EUA, mais especificamente, Alabama. Desembarcou em Mobile e chegou a ao vilarejo de Selma no dia 17 de abril de 1853. King morreu um dia depois, aos 67 anos, em sua fazenda.
El Cid, morto, embora cavalgando o fiel Babieca, sai da fortaleza cercada para dar sopapos nos inimigos. Ou, pelo menos fazer de conta que está no comando do ataque ibérico. Neste caso, o que importa é o que parece ser.
MANOBRA EL CID – Segundo a teoria do Supremo venezuelano, sempre que a Assembléia Nacional renove a licença de saúde a Chávez, poderia teoricamente existir um cenário no qual ele poderia permanecer em licença ao longo dos próximos seis anos (isto é, permanecendo na UTI em Havana), disputar a eleição de 2019, e, no caso de ser reeleito, prescindir novamente da – digamos assim – “formalidade” da posse.
Essa eventual manobra, somada aos rumores de que o presidente Chávez poderia estar morto ou em coma (Ariel Sharon, em Israel, esteve em coma grande parte do tempo desde 2006, embora agora esteja em estado semi-vegetal) gera um clima de grande desconfiança, já que não aparece uma imagem pública do líder bolivariano desde o dia 11 de dezembro. De quebra, o governo não fornece detalhes sobre a doença. Os integrantes do gabinete nunca explicaram qual é tipo de câncer e onde está o tumor (ou tumores).
Desta forma, na internet e nas conversas entre os venezuelanos abundam alusões – de forma positiva ou de forma negativa – comparando Chávez a “El Cid”, o medieval super-guerreiro espanhol que morreu em Valência em 1099.
Uma lenda (tardia, surgida bem depois de sua morte) indica que seus aliados preferiram ocultar durante um tempo que El Cid havia partido para o além e colocaram seu cadáver sentado em cima de seu cavalo. Na sequência, o soltaram para colocar em pânico seus inimigos mouros. E, assim morto, ganhou sua última batalha.
Esta versão ficou definitivamente imortalizada no celulóide em “El Cid”, protagonizada por Charlton Heston e Sofia Loren (a atriz italiana está um pitéu neste clássico da Sétima Arte…bom, quando não esteve esplêndida?)
Aqui, a cena na qual El Cid é vestido com a armadura e colocado com barras de ferro firme em sua sela. E, finalmente Babieca – seu cavalo – sai cavalgando para fora dos muros da cidade, levando El Cid na frente de suas tropas, como se estivesse vivo.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
O rei Pedro II Karageorgevich (ou Petar II Karađorđević ou ainda Пеtар II Карађорђевић) da Iugoslávia (1923-1970)
O presidente da Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, Diosdado Cabello, afirma que o presidente Hugo Chávez não necessariamente tem que tomar posse em Caracas, capital do país, no dia 10 de janeiro. Segundo ele, a ausência de posse nesse dia não determina a ausência absoluta.
Cabello diz que a constituição deixa claro que, se o presidente não pode comparecer à Assembleia no dia da posse, ele pode prestar juramento no Tribunal Supremo de Justiça.
Essa tese também foi defendida pelo vice-presidente Nicolas Maduro, ex-líder sindical do metrô de Caracas, que em dezembro, antes da partida do líder bolivariano para sua 4ª operação em Cuba, foi designado por Chávez seu virtual delfim político.
Segundo Cabello e Maduro, as normas não especificam nem quando nem onde deveria ser essa posse perante os integrantes do Supremo.
Isto é, ambos deixaram o caminho aberto para os rumores que indicam que Chávez, se estivesse relativamente bem para sair do hospital, poderia ir até a embaixada da Venezuela em Havana e juramento na representação diplomática, já que trata-se de solo venezuelano encravado em território cubano.
Mas, digamos que Chávez não possa prestar juramento na embaixada, porque poderia ser difícil para que o convalescente líder bolivariano saia do hospital. Nesta hipótese, uma alternativa seria usar a UTI do Centro de Investigaciones Médico Quirúrgicas (CIMEQ), o hospital em Havana.
No entanto, nem a UTI nem o resto do Cimeq são território venezuelano.
Neste caso, poderia ser usado um precedente peculiar para isto, a “Manobra Karageorgevich”, com a qual poderiam transformar a sala do hospital temporariamente em território venezuelano em Cuba.
O rei Pedro e sua mulher, a rainha Alexandra, com bebê/príncipe herdeiro Alexandre, nascido no menor encrave que a Iugoslávia já teve…na Inglaterra.
O MENOR E MAIS EFÊMERO ENCRAVE DO MUNDO: Em 1945 o rei Pedro II Karageorgevich da Iugoslávia, que estava exilado em Londres desde 1940 por causa da invasão nazista a seu país, estava em um dilema. Sua mulher, a rainha Alexandra, com a qual havia casado em 1944, estava a ponto de dar a luz.
Mas, segundo a lei dinástica de seu reino, se o príncipe herdeiro não nascesse em território nacional iugoslavo, perderia o direito à coroa.
O rei Pedro não podia voltar a seu país. Ele estava em uma sinuca e tentava encontrar uma solução na suíte 212 do Hotel Claridge, em Londres, onde residia no exílio.
A Grã-Bretanha, aliada do Reino da Iugoslávia, decidiu não deixar o rei Pedro na mão.
O rei Jorge VI, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o rei Pedro assinaram um acordo pelo qual a soberania da suíte 212 do Hotel Claridge seria cedida por 24 horas à Iugoslávia, para logo em seguida voltar à Grã-Bretanha. Ali seria o parto real.
A lenda diz que os empregados do hotel espalharam terra especialmente levada da Iugoslávia para que o herdeiro nascesse – literalmente – sobre solo iugoslavo, e não somente sobre os macios tapetes transitoriamente “iugoslavizados”.
Desta forma, a suíte 212 do Claridge foi o menor encrave territorial de toda a História mundial, além de ser o mais efêmero de todos. Uma espécie de Bálcãs em pleno coração de Londres.
No entanto, o príncipe Alexandre, ali nascido, nunca conseguiu ser rei. Mas, por outro motivo: a Iugoslávia foi governada a partir do fim da guerra pelo líder comunista Josep Brioz Tito, que aboliu a monarquia. E, nos anos 90, a Iugoslávia deixou de existir, dividindo-se entre vários países independentes.
Baseado neste precedente, uma alternativa é que o presidente de Cuba, Raúl Castro, ceda à Venezuela o território da UTI durante 24 horas, transformando-o em um minúsculo encrave venezuelano na ilha de José Martí, Bola de Nieve e Ernesto Lecuona. Assim, Chávez poderia prestar juramento em território venezuelano.
O elegante hotel Claridge, em Londres. Sua suíte 212 foi uma mini-Iugoslávia por 24 horas.
E falando em Cuba, um pouco de Ernesto Lecuona, “Vals de los mares”:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
Celebração de arromba nesta noite do 31 de dezembro no quartel-general do blog Os Hermanos, na espera da chegada do ano 2013. A noitada está sendo embalada pelos nosso grupos (amadores, obviamente) de gaita de foles “Los troesmas de Villa Crespo” e seu eterno rival “Los avivados de Balvanera”, que durante o ano teve uma cisão. Por isso, também está presente o dissidente grupo klezmer-techno “Patrício Koenig y Los Vareniquecitos de Ricota”, do bairro do Once, que entoou “Tangelle que me hiciste mal y sin embargo te quiero” com um touch de chacarera.
No entanto, os dois grupos principais interpretaram o clássico destas noitadas, “I lef my heart in Chascomús”, além de “Adiós Quixeramobim mia”. E, como não podia faltar, “Anclao em Tacuarembó”
O deputado Mutatis de Oliveira e o senador Mutandis de Oliveira fizeram, como de costume, longos discursos com um balanço sobre 2009 (Mutandis, que estava demasiado bêbado e errou o ano) e perspectivas para 2012 (Mutatis, que estava sóbrio…ou quase isso).
O senador Byron Bezzerra, proveniente da S.Luis brasileira (e não do território dos Rodríguez Saá) fez a clássica récita de um poema épico, embalado pelo moscato “El Vasquito”, néctar inexorável de nossas noitadas.
Ele veio acompanhado pelo deputado Vladivostock Menezes Sobrinho, que tomou a palavra para pedir “alka seltzer para todos”. “Não pouparemos esforços nesse sentido”, prometeu o bravo parlamentar (pelo segundo ano consecutivo…e , como de costume, sem avanços).
Menu da noite, pizza e fainá “revisitadas”. Sobremesa: flan com dose dupla de dulce de leche, colocada pelo próprio senador Mutandis, “porque se me canta poner doble”, após fazer alusões sobre um duplo income proveniente de alguma votação no plenário, mas sobre o qual posteriormente disse nada lembrar.
Vladivostock também arrematou com um discurso apelando aos “triscadecáfobos”, isto é, uma pessoa que sofre de “triscaidecafobia” - pessoas que tem medo do número 13 – que não temam por 2013, já que serão apenas 365 dias. “Relaxem”, exclamou, enquanto erguia a taça do brinde e fazia os passos de um xaxado.
E, de presente aos amigos, um clássico espanhol – com mais de um século de existência - sobre as “Etapas da bebedeira”, cuja autoria é desconhecida, embora em algumas ocasiões foi atribuído ao escritor Benito Pérez Galdós. A seqüência é útil para esta noite:
1 – Bebida leve em copo pequeno
2- Bebida em copo grande
3 – Exaltação da amizade
4 – Cantos alegóricos e danças regionais (que atualmente pode ser substituída por hinos dos times de futebol ou os hits do momento)
5 – Momentos de declarar “verdades” e empatias pessoais
6 – Aumento da temperatura e assédio sexual (que inclui a auto-apresentação a desconhecidos)
7 – Revelação da verdadeira personalidade
8 – Degradação do idioma
9 – Insultos contra o clero, o Estado (e outros poderes)
10 – Declarações de auto-suficiência moral e econômica
11 – Deslocamento ou transmissão da culpabilidade
12 – Repentina perda do equilíbrio
13 – Destruição do imóvel
14 – Resistência à saída do imóvel onde transcorre a bebedeira
15 –Taquicardia e delírio de perseguição
16 – Amnésia, crua realidade e juramentos posteriores
17 – Contabilidade dos prejuízos
18 – Declarações enfáticas sobre a determinação a não voltar a beber
E para inicar o novo ano, deixo aqui esta balada de Judy Collins, de 1966, “In my life”:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
TV Pro Nobis: Amplos privilégios para a Igreja Católica no novo mapa da mídia. Evangélicos reclamam disso. O Estado argentino é laico…pero no mucho. O quadro acima, de Francisco de Zurbarán (1598-1664), mostra o bispo Aurelius Ambrosius (mais conhecido como Santo Ambrósio), um dos principais doutores da Igreja Católica. Foi pintado entre 1626 e 1627. Está no Museu Provincial de Belas Artes em Sevilha, Andaluzia.
A Lei de Midia, aprovada em 2009 pelo Parlamento argentino – e que entrará em plena vigência a partir da meia-noite desta sexta-feira – está gerando grande irritação entre os evangélicos deste país, além de outros grupos religiosos da sociedade argentina. O pivô dessa irritação é que a lei – a menina dos olhos da presidente Cristina Kirchner – determina em seu artigo número 37 que a Igreja Católica será a única entidade religiosa que terá direito a canais de TV e e estações de rádio sem necessidade de autorizações prévias ou licitações.
Gastón Bruno, vice-presidente de relações externas da Aliança Cristã de Igrejas Evangélicas da Argentina (ACIERA), afirmou que a entidade defende “a igualdade religiosa” na Argentina. “Não estamos contra credo algum. Simplesmente queremos tratamento igualitário”, afirma Bruno, lamentando a exclusão das igrejas evangélicas da lei de mídia. “Nós representamos 5 milhões de pessoas”, afirma.
“Para o Estado argentino as igrejas evangélicas são entidades civis e não uma fé. E isto ocorre 200 anos depois da independência do país, momento no qual se produz a igualdade de vários direitos de vários setores. Mas nós, embora sejamos uma minoria crescente e dinâmica, não somos tratados de forma igualitária”, explica.
O Conselho Nacional Cristão Evangélico (CNCE) da Argentina sustenta que lei de mídia gera “uma dolorosa e inexplicável discriminação religiosa”.
As outras entidades religiosas, entre elas, as vinculadas comunidade judaica (a maior da América Latina) e a muçulmana, também ficam de fora desses privilégios que a presidente Cristina Kirchner – que cita Deus e o marido morto em seus discursos – concedeu à Igreja Católica. Oficialmente, a Argentina possui um Estado laico.
A decisão do governo de privilegiar a Igreja Católica constrange os militantes kirchneristas. O próprio Martín Sabbatella, diretor da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação (Afsca), além de deputados, evitam falar sobre o assunto. No máximo alegam que a Igreja Católica possui um status legal especial, já que é uma entidade pré-existente ao próprio Estado argentino. Isto é: existia Igreja Católica antes da Argentina ser independente. “Se for por isso, as igrejas protestantes também existiam aqui antes da independência”, afirma Bruno. “Inclusive, vários evangélicos lutaram nas guerras da independência”.
Coincidentemente, a alta hierarquia do clero em Buenos Aires – que havia desferido duras críticas contra os Kirchners durante vários anos – desde a aprovação da lei de mídia, embora pronuncie alguma eventual crítica, manteve um perfil mais baixo e evitou participar das controvérsias sobre a norma que limitará a atuação das empresas privadas na área de jornalismo.
EM TEMPO: O Estado argentino, por uma lei da ditadura (a de número 21.950), paga os salários dos bispos e dos padres da Igreja Católica. Também subsidia seminaristas. O governo Kirchner nunca disse nada sobre este assunto. Quem quiser ver uma lista de algumas leis que beneficiam com exclusividade o setor citado, aqui há um link oficial, do Ministério das Relações Exteriores e Culto (assuntos burocráticos relativos à religião são tratados pela chancelaria): http://www.culto.gov.ar/dircatolico_normativa.php
Cristina Kirchner, em reunião com altos representantes da Igreja Católica na Casa Rosada. Presidente argentina tem relação de tensões e tréguas com o Vaticano. Mas, durante polêmicas da Lei de Mídia a Igreja ficou em silêncio (e, em alguns casos, a elogiou). Na foto acima, o bispo José María Arancedo, líder da Igreja Católica na Argentina, que no final do ano passado substituiu o cardeal Jorge Bergoglio. Na reunião Cristina reforçou sua posição contra o aborto (na contra-mão de diversos setores de seu partido e de grupos da oposição que pedem sua descriminalização).
MAIORIA ATEIA - Segundo uma pesquisa realizada em 2009 pelo governo, 76% dos argentinos foram originalmente batizados católicos. Mas, apenas 6% são praticantes.
A totalidade das igrejas evangélicas na Argentina não reúne mais de 10% da população. Mas, ao contrário dos católicos, o grupo evangélico é totalmente praticante. Os evangélicos argentinos não possuem uma bancada que os represente no Parlamento, e tampouco contam com redes de televisão.
Os ateus, no entanto, segundo a pesquisa, ultrapassam católicos e evangélicos praticantes, representando 11,3% da população.
O país conta com a maior comunidade judaica da América Latina – calculada entre 300 mil e 500 mil pessoas – além de uma presença muçulmana (estimada em 500 mil pessoas) nas províncias do norte e noroeste.
Até a reforma constitucional de 1994 a Carta Magna determinava que somente poderia ser presidente um católico apostólico romano. A reforma excluiu essa restrição.
Trecho do filme “Habemus Papa”, do diretor italiano Nanni Moretti, no qual os cardeais clausurados para um conclave ouvem repentinamente o “Todo cambia” da argentina Mercedes Sosa. Uma saborosa cena, digna de antologia:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
Bandeiras dos EUA e da Espanha superpostas. Empresas americanas possuem vantagens jurídicas na Argentina. Empresas espanholas idem, por outras vias. Lei de Mídia impede que empresas estrangeiras sejam donos de canais na Argentina. Mas, se os canais são friendly, tornam-se mais argentinos que o alfajor de chocolate.
“Nac e Pop” (ou Nac y Pop, em espanhol, a forma abreviada de “Nacional e Popular”) é a forma como a presidente Cristina Kirchner define sua política. Segundo ela, a Lei de Mídia – além de reduzir o poder dos atuais grupos de comunicação – tem o objetivo de valorizar os conteúdos de programação, além de privilegiar os capitais argentinos na área de mídia. No entanto, apesar do discurso nacionalista, a presidente Cristina está fazendo vista grossa para a ostensiva presença estrangeira em dois canais com alta audiência: a Telefé, pertencente à empresa Telefônica da Espanha e o canal Nueve, de propriedade de um empresário mexicano que no Hemisfério Norte é apelidado de “El Fantasma” (O Fantasma), por suas atividades supostamente obscuras.
A Lei de Mídia impede que um empresário estrangeiro tenha mais de 30% de um meio de comunicação e que controle a empresa. Desta forma, ficariam proibidas as existências do canais Telefé e Nueve, que são respectivamente de uma empresa espanhola e de um mexicano. No entanto, ficaram de fora das críticas da presidente Cristina e seus ministros, já que possuem um discurso altamente elogioso com o governo Kirchner e omitem notícias inconvenientes para a Casa Rosada.
Ao longo das últimas duas semanas, com a proximidade do deadline oficial para a adequação total às normas da Lei de Mídia, surgiram críticas da oposição e de empresários argentinos sobre os favores feitos pelo governo Kichner aos estrangeiros. No entanto, Martín Sabbatella, presidente da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação (Afsca), a entidade encarregada da aplicação da lei de mídia, defendeu os empresários estrangeiros, alegando que são legalmente argentinos.
Sabbatella admitiu que existe uma exceção para a americana Directv, de televisão por satélite, já que tem existência prévia o acordo de investimentos recíprocos com os EUA.
No caso do canal “Telefé”, o de maior audiência do país (o segundo em audiência é o “Trece”, do Grupo Clarín), que pertence à Telefónica da Espanha, também existe uma condição de privilégio. “Está dentro da lei de bens culturais”, explicou Sabbatella sobre o canal, que entre seus colunistas semanais conta com um ex-ministro da presidente Cristina, o atual senador Aníbal Fernández. Mas, ele também alega que a Telefé e a Telefônica são duas empresas diferentes, embora o presidente da empresa de telefonia ibérica integra a diretoria do canal de TV.
Além disso, Sabbatella nada diz sobre o ponto da lei de mídia que impede que uma empresa estrangeira tenha incompatibilidade para agir na mídia por ser companhia de serviços público, como é o caso da Telefónica. A empresa, graças à presidente Cristina Kirchner, controla também a Telecom da Argentina, criando um cenário de oligopólio no qual a companhia ibérica domina 70% da telefonia argentina.
O outro caso é o do Canal Nueve, do empresário mexicano Ángel Remigio González-González, que conseguiu a licença da empresa por intermédio de uma companhia com base nos EUA. Seu canal transmite diversos programas cujos apresentadores disparam fortes acusações contra os partidos da oposição e a mídia crítica com os Kirchners.
Telefé ocupa o primeiro lugar de audiência, seguido de perto pelo Canal Trece, pertencente ao Grupo Clarín, crítico com o casal Kirchner. O Nueve disputa o terceiro posto de audiência com o América 2, canal argentino que também está alinhado com a presidente Cristina.
O Telefé e o Nueve foram favorecidos com a participação há mais de um ano no pacote de TV digital da presidente Cristina. O Grupo Clarín, de capital nacional, não conseguiu a concessão para as operações com o sinal digital.
E para encerrar esta madrugada, o segundo movimento de “Fiesta criolla” do americano Louis Moreau Gottschalk:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
A maior parte dos canais de TV do país pertecem a empresários alinhados com o atual governo. Na foto acima, a presidente C.E.F.deKirchner discursa na frente do quadro de JD Perón e Ma.Eva D.dePerón no Museu do Bicentenário.
“Do total de seis canais de TV de presença nacional destinados à transmissão de notícias por cabo, somente um não está sob o controle direto ou indireto do governo da presidente Cristina Kirchner”. A afirmação é do jornalista José Crettaz, catedrático de economia da mídia na Universidade Argentina da Empresa (Uade), e um dos principais especialistas do país sobre a Lei de Mídia. “Dos cinco canais de TV abertos da cidade de Buenos Aires, cujo conteúdo é distribuído para todo o país, apenas um permanece fora da órbita do kirchnerismo”, afirma Crettaz ao Estado.
Segundo ele, o controle direto ou indireto sobre a mídia por parte dos Kirchners começou nos primórdios da carreira política do casal, quando Nestor Kirchner foi prefeito de Rio Gallegos (1987-91) e governador da província de Santa Cruz (1991-2003), onde conseguiu um sistema de mídia local totalmente alinhado com sua administração.
“O AMIGOPÓLIO” - O governo Kirchner costumeiramente afirma que enfrenta um “monopólio midiático”, em alusão ao Grupo Clarín, dono de vários jornais, estações de rádio e canais de TV. Mas, a oposição retruca e sustenta que nos últimos anos o casal Kirchner armou seu próprio “monopólio” de meios de comunicação aliados. Os meios aliados receberam substanciais volumes de publicidade oficial, enquanto que os meios não alinhados recebem porções mínimas.
Além do Grupo Szpolski, os Kirchners contam com o respaldo midiático (em maior ou menor intensidade) do jornal “Página 12”, do canal “C5N”, do “Canal 9”, e do canal “Telefé” (o de maior audiência do país).
No caso da Telefé, pertencente à Telefônica da Espanha, conta como colunista com o senador Aníbal Fernández, braço-direito de Cristina na Câmara Alta.
Outro caso é o do canal Nueve, pertencente ao empresário mexicano Remígio González-González, que conta com vários programas de explícito respaldo à administração Kirchner.
Tanto o Telefé como o Nueve não poderia continuar existindo, já que seus donos são estrangeiros, algo que está proibida pela Lei de Mídia. No entanto, o governo Kirchner alega com malabarismos jurídicos que os dois canais são “argentinos”.
Além disso, o governo Kirchner possui uma grande rede estatal nacional de TV e rádio (a TV Pública e a Rádio Nacional, entre outras). A deputada Alicia Argumendo, do partido de esquerda Projeto Sul, de oposição, ironiza e chama os meios de comunicação alinhados com os Kirchners de “amigopólios”.
DEPENDÊNCIA - Diversas estimativas indicam que pelo menos 80% das estações de rádio e canais de TV dependem do governo. Estes canais foram cooptados das mais diversas formas, tanto pela compra dos canais realizados por empresários amigos, enormes quantidades de publicidade oficial, concessões regulatórias em troca de acompanhamento editorial, licenças provisórias de TV digital somente para os aliados incondicionais. Em vez de democratização dos meios de comunicação, o cenário tende para hegemonia.
Jorge Liotti, professor de relações internacionais da Universidade Católica Argentina (UCA) e especialista em meios de comunicação, afirmou ao Estado que “a falta de proporção no destino de verbas da publicidade oficial para os jornais é uma constante na política do governo Kirchner. Desde a volta da democracia, em 1983, nunca houve nada assim. É a primeira vez que um governo aplica sanções pela modalidade da distribuição da publicidade oficial. E isso é feito de forma explícita. Não há respeito pelas proporções das quantidades de leitores e vendas. É um critério totalmente arbitrário”.
E para embalar este crepúsculo de 5afeira, o “L’après-midi d’un faune”,de nosso querido gaulês Claude Debussy. Na batuta o batutésimo Georges Prêtre com a Orchestre National de France. O genial Philippe Pierlot sapeca na flauta:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
Entre o final dos anos 40 e início dos 50 o então presidente Juan Domingo Perón tinha o controle da maior parte da mídia argentina. Poucos persistiam em criticar suas políticas. Um deles, o “La Prensa”, foi alvo de uma intensa guerra desatada pelo governo, que tentou asfixiar o jornal por intermédio de ações do fisco, denúncias sanitárias, boicote ao periódico, redução na venda de papel de jornal, entre outras medidas. Acima, o casal Juan Domingo Perón e Eva Duarte de Perón em pose de gala. O quadro está atualmente no Museu do Bicentenário, atrás da Casa Rosada. Detalhe interessante: por causa do amplo sorriso do carismático Perón, o militar que tornou-se presidente quando era coronel, era chamado de “Coronel Kolynos”.
“
Fui derrubado do governo quando tinha todos os meios de comunicação a favor…e ganhei as eleições quanto tinha todos os meios contra mim!”. A frase foi pronunciada pelo presidente Juan Domingo Perón em 1974, pouco antes de morrer. O septuagenário caudilho, que fazia um balanço sobre sua relação com a mídia, referia-se à sua queda em 1955 – quando ostentava um controle sem precedentes da maioria dos meios de comunicação – e de sua vitoriosa eleição, em 1973 – que bateu recordes de votação – quando a mídia era majoritariamente contrária ao fundador do peronismo.
Perón foi intensamente recordado nos últimos três anos, desde a aprovação da Lei de Mídia, já que – segundo os analistas políticos – a presidente Cristina Kirchner, em vez de ter a atitude de tolerância dos derradeiros anos de Perón, reprisa a ambição de ter o controle total da mídia que havia caracterizado o fundador do peronismo no início da carreira, nos anos 40 e 50.
Da mesma forma que Cristina tenta atualmente destruir o poder do Grupo Clarín, a principal holding multimídia argentino, Perón colocou uma bateria de restrições à mídia privada e armou uma superestrutura de meios de comunicação estatais, além de redes privadas de empresários “amigáveis”.
Perón, em seus primeiros dois governos (1946-55), contava com uma ampla rede de comunicação que divulgava as notícias favoráveis à sua administração e omitia os assuntos inconvenientes. Ele contava com o Alea S.A., um monopólio estatal criado em 1951 que tinha o respaldo de três grupos que eram nominalmente privados mas que estavam diretamente comandados pelo governo: a editora Heynes, a Associação Promotores de Teleradiodifusão e a editora La Razón (que publicava um dos principais jornais do país, o “La Razón”).
Segundo o historiador Eduardo Lazzari, a primeira estratégia de Perón em relação aos meios de comunicação foi a de defender-se das críticas. No entanto, pouco tempo depois de chegar ao poder o fundador do peronismo concluiu que a defesa não era suficiente. Desta forma, começou a pressionar os donos de meios de comunicação a vender seus jornais, revistas e estações de rádio.
No início dos anos 50 Perón abraça efusivamente o ditador do Paraguai, Alfredo Stroessner. Quando foi derrubado, em 1955, Perón buscou refúgio em Assunção, capital do país do amigo presidente paraguaio. E embaixo, em 1974, cumprimenta o recém-empossado ditador/general chileno Augusto R. Pinochet. O “R” é de “Ramón”.
Boa parte das pressões eram realizadas pela Comissão Bicameral Investigadora de Atividades Anti-argentinas. comandada pelo ultra-peronista deputado Emilio Visca, que vasculhava os livros de contabilidade dos jornais não alinhados com Perón para ter argumentos para seu fechamento, confisco ou intervenção.
Tal como o governo da presidente Cristina Kirchner fez com o jornal “Clarín” ao realizar uma blitz de insólitas proporções da Afip (a receita federal argentina) – as companhias jornalísticas que resistiam ao assédio de Perón eram pressionadas com o Fisco. Algumas eram alvo da vigilância sanitária: se os vasos sanitários dos banheiros dos funcionários apresentassem alguma irregularidade ou sujeira maior à costumeira, podiam ser fechados.
Em alguns casos, se os empresários mostrassem obediência, podiam ser designados como diretores de suas ex-empresas, agora estatizadas, de forma a camuflar a compra compulsória realizada pelo governo. O modus operandi era o de destinar os fundos necessários para essas compras eram provenientes do Instituto Argentina para o Estímulo ao Intercâmbio (Iapi), comandado por Miguel Miranda, um gênio da contabilidade criativa.
O antigo edifício do La Prensa, na avenida de Mayo. Atualmente é a Secretaria de Cultura da capital argentina
LA PRENSA – A “mãe de todas as batalhas” de Perón na mídia foi o combate contra o “La Prensa”, jornal da aristocrática família Paz, definido pela revista americana “Time” como um dos mais respeitados periódicos do mundo na época. O “La Prensa”, cuja tiragem era de 480 mil exemplares, tornou-se alvo de uma campanha do governo a partir de 1947.
O “La Prensa” foi atacado pelas rádios aliadas do governo e enfrentou uma campanha oficial que promovia o boicote da compra de seus exemplares. Os anunciantes eram pressionados para não colocar publicidade nas páginas do “La Prensa”. O racionamento de papel encolheu o jornal das 40 páginas costumeiras a apenas 12. Mas, o jornal, apesar das pressões, continuava saindo às ruas.
Tal como o “Clarín” atualmente, o “La Prensa” era alvo de blitze sem justificativas do fisco argentino.
Em 1950, o governo confiscou as novas rotativas importadas e as destinou para o “Democracia”, jornal editado pelo próprio Estado argentino. Em 1951 o sindicato dos jornaleiros ameaçou não distribuir mais o periódico. O “La Prensa” sobreviveu vendendo os exemplares em sua sede aos leitores que iam até o centro portenho comprar o jornal.
O “La Prensa” estava disposto a resistir, apesar da guerra desatada por Perón. Sem conseguir colocar o jornal de joelhos, Perón, com a aprovação do Parlamento – no qual o peronismo era maioria – ordenou o confisco do “La Prensa”, que foi entregue à Confederação Geral do Trabalho (CGT), a única central sindical autorizada por Perón. O líder do bloco peronista na Câmara, John William Cooke, afirmou que o governo estava contra “La Prensa” porque, segundo ele, o jornal “estava contra os operários e contra os peronistas”.
O historiador Luis Alberto Romero afirmou ao Estado que a liberdade de expressão nos tempos de Perón sofria um amplo leque de problemas, indo desde o “fechamento de jornais, passando pelo confisco e estatização dos meios de comunicação, até a auto-censura”. Romero relata que seu pai, o historiador José Luis Romero, que era colaborador do jornal “La Nación”, às vezes dizia ao filho que o estilo jornalístico desse periódico estava “muito imbricado”.
“Mas essa era única forma de conseguir dizer certas coisas, por intermédio de elipses, evitando ser explícito, para driblar problemas com o governo de Perón, que já havia demonstrado sua determinação em anular meios críticos fechando o ‘La Prensa’”.
Perón e Evita assistem uma parada militar na frente do Congresso Nacional
Jornais como “La Nación” – que já enfrentava o racionamento de papel de jornal, controlado pelo governo – tiveram que moderar suas críticas ao presidente Perón, para evitar correr destino similar ao “La Prensa”.
Com a queda de Perón em 1955, o “La Prensa” voltou às mãos de seus donos originais. No entanto, o jornal nunca mais foi o mesmo, já que durante a intervenção iniciou uma fase de decadência que foi aproveitada por um periódico que começava seus primeiros passos, o “Clarín”, que teve apoio de Perón e que é o leitmotiv da política da presidente Cristina Kirchner.
E, para encerrar esta noite, a “Lacrimosa”, do Réquiem de Wolfgang Amadeus Mozart. Rege Hebert von Karajan:






PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
A frigideira-power foi usada contra Allende, contra Pinochet, contra Menem, contra De la Rúa, contra Cristina Kirchner…Nesta noite de quinta-feira os panelaços direcionam-se novamente contra ”La Pinguina”.
“El Cacerolazo” (O Panelaço): Denominação da barulhenta modalidade de protesto que consiste em bater de forma rítmica utensílios metálicos de cozinha, principalmente as “cacerolas” (panelas).
A História dos panelaços mostra que os utensílios de cozinha não possuem ideologia política, já que os primeiros panelaços surgiram no Chile para protestar contra o presidente socialista Salvador Allende em 1973. No entanto, em 1986 e 1989 os panelaços chilenos foram direcionados contra o ditador de extrema direita, o general Augusto Pinochet.
Em 1996 foi a vez da Argentina tornar-se o cenário de panelaços acompanhados por apagões para protestar contra a política do presidente Carlos Menem. Em 2001 e 2002 essa modalidade de protesto teve seu apogeu de forma quase diária contra os presidentes Fernando De La Rua, Adolfo Rodríguez Sáa e Eduardo Duhalde. Na época os panelaços argentinos obtiveram fama mundial.
A retomada do crescimento econômico, em 2003, com o presidente Nestor Kirchner fez os panelaços desaparecerem. Mas este modus operandi de protestar contra o governo de plantão voltou quando a presidente Cristina Kirchner teve o conflito com o setor ruralista em 2008.
Os panelaços retornaram mais uma vez neste com o crescimento dos problemas econômicos, especialmente a disparada da inflação, além dos escândalos de corrupção. De quebra, segundo afirmou ao Estado a analista de opinião pública Mariel Fornoni, o tom agressivo dos últimos discursos da presidente Cristina irritou diversos setores da população, servindo de combustível para os panelaços, especialmente o último, no dia 13 de setembro.
Para um “instant cacerolazo”, ver este site chileno, aqui. ![]()

UTENSÍLIOS DE COZINHA E IRRITAÇÃO POPULAR - Um panelaço é uma modalidade de protesto que consiste em bater utensílios de cozinha metálicos para gerar um barulho que pretende ser interpretado como o som da “irritação popular”.
Na crise de 2001-2002, um empresário portenho percebeu a existência de um nicho de mercado e criou um panelaço semi-automático, já que consistia em uma panela com uma manivela que mexia a tampa desse utensílio.
Nos últimos panelaços portenhos foi utilizada de forma intensa a garrafa de plástico, que produz um som seco também adequado para expressar irritação. A vantagem das garrafas é que não estraga as panelas de casa, além de ser mais leve.
MÁQUINA E JOGO - No início de 2002 um inventor portenho criou a “máquina de panelaço”, que consistia em uma panela com uma manivela que na ponta tinha a tampa do utensílio doméstico. Ao girar a manivela, a tampa batia na panela ritmicamente, propiciando um menor esforço por parte do “cacerolero” (“panelaceiro”?). Na ocasião, vendeu várias centenas de unidades. Mas, a recuperação econômica de meados de 2002 acabou com seu incipiente business.
Na mesma época, embora com um sucesso um pouco mais prolongado, o empresário Gustavo Federico Gómez lançou no mercado o jogo “Cacerolazo” (Panelaço), que consistia em conseguir as melhores condiçõesde vida para a população de uma província. No meio do tabuleiro do estilo do “banco imobiliário” existiam obstáculos como os sindicatos, empresas, o governo federal, partidos políticos, o FMI, bancos, a polícia, o jornalismo, a igreja. Se uma das cartas indicava tempos ruins pela frente, o jogador podia revidar acudindo a um panelaço de protesto.
Pensando em panela lembrei deste jazz do genial Fats Waller, “All that meat and no potatoes” (Toda essa carne e sem batatas):






PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
Acompanhe-nos no Twitter, aqui.
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
2013
2012
2011
2010
2009
Para continuar lendo o Estadão, faça já o seu cadastro. É rápido e fácil.
Seus dados serão guardados de forma segura e não serão compartilhados.
Quero me cadastrar Sou assinante Já sou cadastradoEm instantes, você receberá uma mensagem no e-mail .
Clique no link fornecido e crie sua senha.
Importante!
Caso você não receba o e-mail, verifique se o filtro anti-spam do seu e-mail está ativado.