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Ariel Palacios

30.novembro.2009 08:30:07

Leitões já assobiam no Uruguai

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maoooa “Presidente? Hehehehe…! Tão difícil como um leitão assobiando!“. Desta forma, com uma piada típica do interior do Uruguai, o senador José ‘Pepe’ Mujica respondia quando um simpatizante ou um jornalista lhe perguntava, há poucos anos, se um dia disputaria as eleições presidenciais. Há apenas meia década parecia impossível que este ex-guerrilheiro tupamaro, que em 1969 havia protagonizado a ocupação armada da cidade de Pando, uma das principais do país, poderia aspirar à presidência.

Mas, Mujica conseguiu ser eleito presidente graças à uma combinação de carisma pessoal, moderação ostensiva de suas posturas políticas, um vice com grande trânsito pelos mercados (Danilo Astori, ex-ministro da Economia) e cinco anos de prosperidade econômica durante o governo do socialista ‘diet’ e atual presidente Tabaré Vázquez, seu colega na centro-esquerdista coalizão Frente Ampla.
Evidentemente, tudo condimentado com muito pragmatismo e aquilo que o próprio Mujica denomina de “paciência oriental”.

Números preliminares indicavam que Mujica recebeu neste domingo 53% dos votos, meta que ele considerava tão impossível quanto a de ver primos do Marquês de Rabicó entoando melodias assobiadas.

Seu rival, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, candidato do Partido Nacional (Blanco), de centro-direita, obteve 42,9% dos votos.

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MESMO CACHORRO, MESMA CORREIA
Mujica, um ex-guerrilheiro tupamaro que há exatamente 40 anos defendia a luta armada para a conquista do poder e a implantação de um regime marxista, transformou-se nos últimos anos naquilo que ele próprio costuma definir de “vegetariano” ideológico, isto é, um pragmático que – embora mantendo certo verniz de utopia socialista – afirma que pretende atrair os capitais estrangeiros, manter o sigilo bancário, fazer acordos comerciais com os Estados Unidos e a China.

Mas, acima de tudo, Mujica sustenta que manterá a política econômica do presidente Vázquez.

De quebra, na reta final de campanha – além de ressaltar o respeito à propriedade privada e o equilíbrio fiscal – emitiu vários sinais de distância ideológica e de estilos com o presidentes Hugo Chávez da Venezuela e o boliviano Evo Morales e indicou similitudes com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

MARKET FRIENDLY
maoooa Para mostrar que será “market friendly” (amigável com os mercados), Mujica recorre aos ditados populares uruguaios e afirma que seu futuro governo manterá o mesmo clima aberto aos investidores e a previsibilidade na política econômica que a administração Vázquez: “será o mesmo cachorro com a mesma coleira”.

O provérbio será levado à sério, afirma Mujica, que também ressalta que seu vice, o economista Danilo Astori, será a pessoa que se ocupará das questões econômicas. Astori, em quatro dos cinco anos de governo Vázquez, foi o ministro da Economia.

Além disso, Astori definiu a nova equipe econômica, que, em sua grande maioria está composta por moderados economistas de sua extrema confiança.

Nesta equipe, o ex-diretor de macro-economia de Astori, o economista Fernando Lorenzo, é apontado como o virtual novo ministro da Economia.

Em entrevista ao Estado poucas horas antes da eleição, Lorenzo – embora não confirme o novo posto – sustentou: “continuaremos com a previsibilidade das políticas econômicas, que foram parte muito importante do sucesso que teve o governo de Vázquez”.

Segudo Lorenzo, o desenvolvimento que Mujica projeta para o Uruguai “é a somatória da prosperidade e da equidade social”.

O economista Marcelo Sibille, da consultoria KPMG afirmou ao Estado que Mujica “mostrou sinais de continuidade” da política de Vázquez “que foram compreendidos pelos mercados”.

Segundo ele, o melhor termômetro para mensurar temores, o mercado cambial, manteve-se plácido nas últimas semanas, ao longo das quais as pesquisas apontavam uma vitória assegurada de Mujica.

“Não temos temores”, afirma Javier Carrau, vice-presidente da Câmara de Indústrias. Na mesma linha, Alfonso Varela, presidente da Câmara de Comércio e Serviços, indica: “estamos tranquilos”.

Nas ultimas semanas Mujica também indicou que “a política econômica não estará aferrada a nenhum dogma definitivo”.

O ex-guerrilheiro sustentou, com ironia, que “não será Mandrake ou Papai Noel que chega ao governo. A vontade de repartir possui os limites impostos pela realidade de uma sociedade de mercado”. Segundo ele, a política de distribuição da riqueza “não poderá afetar o andamento da economia”.

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Mujica, em sua chácara no bairro Rincón del Cerro, na periferia de Montevidéu (foto de Ariel Palacios)

maoooa Nascido em 1935 no seio de uma família de classe média austera, Mujica aderiu na juventude ao conservador Partido Nacional. Mas, nos anos 60 passaria para a esquerda e fundaria, junto com outros colegas de origens comunistas e anarquistas, o Movimento de Liberação Nacional-Tupamaros. Ali conheceu Lucia Topolanski, uma bela militante que transformou-se em senadora e sua esposa.

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Mujica, nos tempos que participou da criação do movimento tupamaro, antes da Ditadura

Em 1972 foi detido no meio de um confronto com as forças de segurança. Foi ferido com seis balas, várias das quais ainda estão dentro de seu corpo. Sua prisão foi prolongada. Um total de 14 anos, ao longo dos quais foi torturado físicamente com intensidade pelos militares no final do governo civil e ao longo da Ditadura (1973-85).

Sua psique também foi alvo de terrorismo. Mujica, nos dias de bom humor dos guardas, só podia ir ao banheiro uma vez a cada 24 horas. Mas, com um capuz na cabeça que o impedia ver e com as mãos algemadas.

Nos dias de má vontade de seus carcereiros, Mujica não podia ir no banheiro. Sem alternativa, suas fezes e urina escorriam pelas pernas.

Seu colega de guerrilha, Eleuterio Fernández Huidobro, recentemente, em um comício, indicou que Mujica, em diversas ocasiões, quando os guardas passavam dias sem lhe dar água, precisou recorrer ao próprios fluídos corporais. “Talvez tenhamos pela primeira vez um presidente que teve que beber sua urina”, ilustrou.

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Mujica é o primeiro ex-guerrilheiro a chegar à presidência de um país na América do Sul. Foto de Mujica quando estava preso

Em 1985, com a volta da democracia, Mujica recuperou a liberdade. Adaptado aos novos tempos, deixou de pregar a luta armada e transformou o grupo de ex-guerrilheiros em um coeso partido político que integra a coalizão Frente Ampla.

Eleito senador, posteriormente, no governo do socialista Tabaré Vázquez, foi designado ministro da Agricultura.

Ali, começou a planejar sua conquista da presidência. Para não assustar a classe média e alta, indicou – com uma metáfora bovina – que não pretendia mais combater a burguesia: “não quero mais esmagá-la. Não. Eu quero é ordenhar a burguesia!”.

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‘NÃO PODEMOS TER DOGMAS’
Mujica diz que será o ‘Néstor’ da ‘Ilíada do Mercosul’

Cansado de longos e intensos meses de campanha, o septuagenário senador e floricultor José ‘Pepe’ Mujica decidiu driblar sua própria equipe de assessores no fim da noite da quinta-feira, quando desapareceu dos principais eventos eleitorais da última jornada política antes da votação deste domingo. A ponto de transformar-se no primeiro ex-guerrilheiro que chega à presidência de uma república sul-americana, Mujica optou pela calma de um show de tango no tradicional Teatro Solís, em pleno centro de Montevidéu.

Acompanhado de sua esposa e um único guarda-costas, Mujica, ao sair do espetáculo, no hall do teatro, concedeu uma breve entrevista ao Estado – na qual misturou gírias com alusões à odas gregas – enquanto adolescentes aglomeravam-se ao redor para fazer uma foto com o informal líder esquerdista que pretende – por sua idade – ser uma espécie de ‘Néstor’ (o sábio guerreiro ancião da Ilíada de Homero) entre os jovens presidentes da região.

Estado – Recentemente o senhor disse, em relação à integração internacional de um país pequeno como o Uruguai, que “leitão magro sonha com milharal gordo”…

Mujica – Temos que nos localizar no mundo no qual vivemos. O mundo está ficando cada vez menorzinho e estão sendo formadas grandes unidades. Nós, uruguaios, nos perguntamos o que faremos. O mundo caminha – aos tropeções – para a abertura econômica. Não podemos de jeito nehum ter dogmas. O mundo está em momento de inflexão. É provável que daqui a um certo tempo teremos que fazer algumas mudanças para nos reposicionar. Essa matéria do ‘mundo’ vai ficar um pouco mais complicada do que hoje em dia, né? As fronteiras ficam ‘porosas’ com o desenvolvimento tecnológico. O caso do Brasil é que é um pais continental. Mas, o Brasil precisa também do resto do mundo. Agora, é evidente que o Brasil possui a responsabilidade natural (de liderança no Mercosul), derivado de suas dimensões e recursos…

Estado – O senhor costuma elogiar o governo Lula e até indica admiração pela forma como lida com a oposição…

Mujica- Lula é um velho amigo. Há pouco lá em Brasília deu para a gente um grande conselho, o de transformar grandes tensões em negociações, e não em confrontos. Ora, Lula comanda um país enorme, tem minoria no Parlamento e por isso dá mais espaço à política do que ao confronto. E nós, aqui, vamos dar sustentabilidade para que os conflitos se transformem em saídas.

Estado – O senhor sempre foi favorável à integração do Mercosul. Mas este cresceu da forma esperada? No Uruguai existe certo ‘merco-ceticismo’…

Mujica – O Mercosul começou muito ‘fenício’ (em alusão ao mercantilismo), essa coisa de ‘quanto você vende para mim e quanto eu te vendo’. Alguém pode acreditar que agricultura argentina ou brasileira será comida neste continente? Por muitos anos teremos que vender alimentos ao mundo. Por isso digo que precisamos integrar a energia, portos, estradas, e a inteligência!

Estado – O senhor tem 74 anos, tomará posse quase aos 75 e concluirá o mandato a menos de dois meses do octogésimo aniversário…

Mujica – Uma das coisas vantajosas da velhice é que a gente pode dizer o que pensa. Mas isso geralmente provoca um ‘rebu’, pucha!(‘putz’)!!! (Ri e faz uma loga pausa como se fosse encerrar a entrevista, mas inesperadamente retoma)…Me disseram o outro dia que serei o presidente mais velho da América Latina. Os presidentes da região terão que lembrar o discurso de Néstor, na Ilíada de Homero…

Estado – Néstor, embora sendo um ancião, não ficaria nas naves, já que participaria da conquista de Tróia dando ponderados conselhos aos jovens…

Mujica – Pois é, é algo antropológico, os gregos escutavam os mais velhos! Eram velhos e muito ouvidos também (Winston) Churchill e aquele general russo que fez que Napoleão se retirasse da Rússia (o caolho Mikhail Kutusov). Ora, eles (os presidentes mais jovens) vão ter que me respeitar…(ri)

BAIRRO
Mujica disse que ainda não sabe quando voltará ao Brasil, onde esteve recentemente. Mas, declarou que, com certeza, sua primeira visita oficial será “no bairro”, maneira como – informalmente – designa a região.

maoooa Candidatos presidenciais uruguaios, tão velhos como a população, segundo “El Observador”:
 http://www.observa.com.uy/actualidad/not…

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Comentários (22)| Comente!

22 Comentários Comente também
  • 30/11/2009 - 09:48
    Enviado por: Tony Pirard

    Só de ver o Uruguai manter uma certa distancia de governos caudilhescos como Venezuela e Bolivia,já vejo uma luz no final do tunel.Enquanto aqui batemos palmas para dirigentes não muito aceitáveis em seus países.

    Engraçado,aqui estamos sempre na contra-mão de tudo e lá fora pensam que vivemos numa maravilha.Espero que o vél caia logo por aqui e mostre as insensatez(gastos fora de contrôle,desperdicío de dinheiro publico,corrupção,asilo para assassinos), que se cometem debaixo da linha do equador.

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  • 30/11/2009 - 12:36
    Enviado por: Glúon

    Entreouvindo em Brasília:

    - Viu só Dilma? O Mujica saiu vitorioso no Uruguai!
    - Pois é presidente Lula, o leitão está assobiando, hein?
    - Então, se um ex-guerrilheiro venceu lá, ganharemos aqui também?
    - Mas presidente? E o que faremos com o PMDB?
    - Vamos ficar de olho, Dilma!
    - Eu sei… eles só querem cozinhar o porco na própria banha, né?

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  • 30/11/2009 - 13:37
    Enviado por: Hagá

    Boa notícia: mais um presidente moderado de centro. Já estava cansado de tantos caudilhos, como Álvaro Uribe, Carlos Menem, Fernando Henrique Vaidoso, Alan García e Goriletti, dentre outros.

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  • 30/11/2009 - 14:55
    Enviado por: Tradutor

    Caro Ariel

    Não sei se suas palavras foram fruto da empolgação pelo presente político uruguaio, mas acho impossível tanto para Mujica quanto para qualquer governante do Mercosul estabelecer convênios bilaterais com os Estados Unidos ou a China sem quebrar o blocok. O novo vice-presidente Danilo Astori, na época ministro da Economia, sussurrou esta possibilidade e foi rapidamente corrigido pelas autoridades uruguaias. Aliás, Montevidéu é a sede formal do Mercosul.
    Pessalmente, torço para que o Mujica continue a política integracionista da Frente Ampla, que é boa para eles, e para todos nós…
    Ah, e parabéns ao povo uruguaio que teve sua festa da democracia.

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  • 30/11/2009 - 15:32
    Enviado por: Cláudia

    Muito bom. Agora só ficam faltando Colômbia e Peru.

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  • 30/11/2009 - 17:55
    Enviado por: Sygmund Tyfroid

    O uruguai deve ser o pais que mais pessoas gostam do Brasil. Fique surpreso com toda a receptividade do povo uruguaio e com o número de brasileiros que vivem lá.

    Talvez, o Brasil deva investir suas forças em uma maior coalização com o Uruguai, como um verdadeiro parceiro que eles são nossos.

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  • 30/11/2009 - 18:56
    Enviado por: SôRamires

    Sempre tive muita simpatia pelo Uruguai e achava que o país era mais fácil de administrar por ser tão pequeno. Evidentemente contrastes e oposições existem mas gostei da entrevista, do jeito bonachão e calmo do novo presidente.
    E gosto do povo uruguaio em geral, me sinto em casa em Montevidéu, eterna passageira do Buquebus.

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  • 30/11/2009 - 19:26
    Enviado por: carlos 3m

    haga,

    voce esqueceu chavez, kirchner, evo, correia, ortega, e porque nao, mencionar os sutis castro.

    eh o que poderia ser mencionado de lhsm (left handed selective memory).

    quanto ao mujica ser moderado de centro, onde voce descobriu tal qualidade?

    o palavreado do mujica dias antes da eleicao, nao condiz com sua afirmacao. mas como aprendimos com o lula, o discurso eh uma coisa e a pragmaticidade necessaria para ocupar o cargo eh outra. por sinal, eh ate mais dado que o lula a usar giria nos seus pronunciamentos, o que convenhamos nao eh pouco, e dai vem em grande medida a sua popularidade.

    pode ate haver surpresa, embora nao acredite, que ele vire moderado de centro em nenhum momento, ja que nunca foi nos seus mais de 70 anos de vida. so os fatos dirao.

    alias, o casal mujica relembra o casal kirchner. a unica diferenca eh que uruguai eh um pais mais serio. eh um consolo: pobre, mas mais serio.

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  • 30/11/2009 - 20:06
    Enviado por: Luis

    Hola Ariel,

    Soy uruguayo, sigo a menudo los artículos que públicas en la pagina de Estadao principalmente los que se refieren al proceso electoral uruguayo.
    Para los brasileros que no conocen muy a fondo el sistema político uruguayo, es interesante aclarar que el peso que tienen los partidos políticos es mucho mayor que en otros sistemas latinoamericanos, donde los liderazgos personales tienen mayor trascendencia que los partidos. En uruguay es difícil observar que figuras políticas de primer nivel cambien continuamente de partidos, mas bien existen tres partidos bien definidos y dos bloques marcados (un bloque conservador con una misma matriz ideológica y un frente “progresista o de izquierda”)
    Cito esto solamente para explicar que por mas que Mujica represente formas ideológicas mas radicales con respecto al actual presidente Tabaré Vázquez, el peso que tiene el Frente Amplio en las decisiones de gobierno es elevado, y para que el Frnete tome decisiones debe haber un proceso de negociación complejo entre muchos sectores que componen está fuerza política (es decir grupos socialdemócratas y grupos de izquierda mas radical).

    Excelente artículo y cobertura

    Luis

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  • 30/11/2009 - 21:55
    Enviado por: Jorge Trimboli

    Ariel, a reportagem é altamente instrutiva.
    O novo presidente, além de ter a temperança própria da idade, mostra bom juízo.
    “Quem aos 20 não era socialista, não teve coração, e quem aos 40 segue socialista, não tem cabeça” diz o velho ditado Inglês.
    Imagine as toneladas de hamburguer que Mc Donalds vende no Brasil. A carne é das vaquitas uruguaias. Sabe aquela picanha da boutique da carne de São Paulo? A picanha vem da mesma rede que faz o hamburguer do Mc., das mesmas vaquinhas uruguaias.
    Quem arriscaria uma revolução marxista num país com os índices sociais de vento em popa? Quem em sã consciência deixaria de vender tanta carne e tantas otras cositas mais? Viva o novo presidênte!

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  • 30/11/2009 - 22:34
    Enviado por: Luiz Bertotti

    Tenho a impressão de que, quando o Mujica se referir ao Néstor da Ilíada em algum discurso do Mercosul, muitos presidentes vizinhos terão que consultar seus assessores para saber do que o velhinho está falando. Ainda bem que ele não pretende ser uma reprise do outro Néstor, o K.
    Mudando de assunto, você deveria ser editor de arte de alguma revista literária. Desde a primeira postagem seus textos trazem ilustrações muito loucas. Essas dos porquinhos são só um exemplo. Parabéns pela criatividade!

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  • 01/12/2009 - 11:30
    Enviado por: Jorge Trimboli

    Caro Luis Bertotti, depois que o capomafia Marcola esnobou ao secretario de segurança de São Paulo dizendo algo assim como “Eu li 2.000 livros, doutor, e você quantos leu?”…podemos esperar tudo menos “curtura geral” dos nossos governantes. Estamos na era política do “nois vai nois foi”…mas, quem sabe se após o populismo popularico na próxima vez votamos em gente qualificada que não venda nossos países somente porque falam Inglês…não será uma tarefa singela….Mas a cena que você imaginou é felliniana: “Que dijo este abuelito?” – pergunta CK e o cumpa LILdS responde: “Cara cumpa Cris, eu acho que está parabenizando zua cara mitade, eu acho…” – Hilário.

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  • 01/12/2009 - 16:06
    Enviado por: AMARAL

    Ia comentar o mesmo que o Sr. Luiz Bertotti, os comunistas estudavam com rigidez militar. hoje..

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  • 01/12/2009 - 21:24
    Enviado por: Cláudia

    Nossa, hilário mesmo. Só não esqueça, Jorge, que sempre haverá alguém que sabe mais do que você. Inclusive sobre a Ilíada.

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  • 02/12/2009 - 18:21
    Enviado por: arielpalacios

    Caro Tony, pelo visto, o presidente eleito, José Mujica, já deu sinais de que pretende certa distância com Chávez. Ou melhor, deu sinais de que pretende proximidade com o Brasil. Além disso, indicou que pretende estreitar relações com os EUA e a China…

    Caro Glúon, nunca se sabe…sempre é possível que alguém invente a ‘pururuca’ política, não é?

    Caro Hagá, os uruguaios na política costumam ser moderados, pacientes e sem frescuras. Um sistema político muito interessante no qual os debates entre setores antagônicos são muito civilizados.

    Caro Tradutor, as palavras foram o fruto das declarações do próprio Mujica, o Astori (o vice) e o Fernando Lorenzo (seu potencial ministro da Economia). Os uruguaios há tempos tentam convencer os países ‘grandes’ do Mercosul em permitir acordos bilaterais. Astori não sussurrou o plano de um acordo com os EUA…propôs isso diretamente, com respaldo do presidente Tabaré Vázquez. O próprio Mujica, no início, topou. Posteriormente, a ala mais à esquerda do sub-grupo do Mujica disse “não”. E finalmente o acordo de livre comércio com os EUA – somadas às intensas pressões da Argentina e Brasil – fizeram que o acordo não fosse assinado. Em seu lugar assinaram um acordo mais light, o TIFA.
    Nem todos os ‘integracionistas’ são iguais na região.
    Mujica, pelo que me disse, pretende continuar a política intregacionista com esta região. Mas, também indicou que o Uruguai quer ver resultados práticos: isto é, fim de barreiras protecionistas por parte do Brasil e da Argentina para produtos do Mercosul. Entre várias outras coisas.
    O pessoal da Frente Ampla também ficou furioso com o Brasil, que se absteve na briga que a Argentina criou com o Uruguai por causa da instalação de Botnia (instalação defendida por todo a Frente Ampla).

    Cara Cláudia, obrigado pelo comentário!

    Caro Sygmund, é impressionante a amabilidade uruguaia, não é?

    Cara Sô, cada vez que vou ao Uruguai volto mais impressionado com a civilidade ali. E, o comportamento dos políticos. E não é porque seja um país pequeno…há cada país pequeno por aí que deixa muito a desejar…

    Caro Carlos, o Mujica moderou drasticamente seu discurso nos últimos 24 anos. Uma segunda etapa de moderação a partir de 1994, e mais uma nova etapa a partir de 2004.

    Caro Luis,é verdade: o sistema de partidos no Uruguai é muito sério. Muito bem armado. Os partidos todos possuem convenções internas (no Brasil e na Argentina isso nem sempre acontece comme il faut), ninguém pula de um partido para outro, e ‘otras coistas más’. E concordo, você explicou muito bem: o sistema impede o surgimento de caudilhos ou chefões, já que há uma série de mecanismos que impedem que alguém seja o ‘big brother’.
    Nenhum partido uruguaio ficaria com sua existência comprometida na eventual morte ou ausência do líder de plantão.
    No Brasil e na Argentina, vários partidos possivelmente ficariam em desespero na hora da morte de um líder. Ou, no aperto, optariam por mudar a sigla ou nome…como um novo refrigerante a colocar no mercado.

    Caro Jorge, hehehehehe…é verdade. Aliás, um dos vizinhos de Mujica, um sr que tem uma modesta chácara e é militante de esquerda, produz alface…que vende para o Mc Donald’s do Uruguai. Ninguém corta os pulsos por isso. Nem o Mc Donald’s nem o militante de esquerda.

    Caro Luiz, obrigado pelo comentário!!! Às vezes penso em umas ilustrações mais malucas, mas acho que vão me internar se as colocasse…Hehehehe….

    Caro Jorge, não me surpreenderia que CFK achasse que o Néstor em questão fosse seu Néstor…

    Caro Amaral, nem os comunistas nem os militares de alguns lugares estudam como antes…Mas, também é verdade que os comunistas – no sentido literal – quase não existem mais…e os próprios militares, em vários países, tampouco são como eram antes….

    Cara Cláudia, a Ilíada… pode terminar em uma Odisséia!

    Abraços a todos,
    Ariel

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  • 03/12/2009 - 16:56
    Enviado por: Hermano de Miami

    Bueno

    Solo espero que intente imitar Ortega transformando Uruguay en una filial de Venezuela.
    Chavez hace lo que hace porque tiene petroleo y Uruguay no puede salir del sistema que lo transformo en la Suisa de America Latina.
    Le deseo suerte a Mujica ,espero que cumpla lo que promete y que no implante atraves de la democracia ,lo que no consiguio por las armas.

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  • 04/12/2009 - 19:30
    Enviado por: Tatiana

    Pois é… Leitões assobiam e porcas torcem os rabos…

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  • 05/12/2009 - 22:32
    Enviado por: Marcelo Marques

    Olá Ariel, uma curiosidade a respeito do Uruguai. O nome oficial é “República Oriental do Uruguai”. O oriental, segundo busca na Internet, é porque o país está no lado oriental do Rio da Prata. Não entendo porque ter o oriental no nome … Você saber o porquê?

    Abraços,

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  • 05/06/2010 - 10:03
    Enviado por: Um fusca em Montevidéu, sexo anal (e oral), além do Clarín (com site remodelado) | Ariel Palacios

    [...] Mais sobre Mujica (mais especificamente sobre seu sucesso com o empresariado) aqui. E, sobre sua vitória eleitoral no ano passado, aqui. [...]

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  • 06/06/2010 - 10:42
    Enviado por: Rodrigo de Moraes

    Prezado Ariel:

    Li o recente comentário sobre o Mujica e, como sempre, admiro o seu domínio do português, que é de dar inveja a muito profissional brasileiro. Como veterano, na vida e no jornalismo, eu testemunhei, em viagem num fusca 1200 ao interior da Bahia na década de 60, que lá o veículo era apelidado de “besourinho”, justificando a inclusão na família dos coleópteros, que pode acrescentar à sua lista. Em outro blog, na observação de que o presidente uruguaio é o primeiro ex-guerrilheiro a ser eleito para o cargo, lembro que a Dilma pode vir ser a segunda do ramo, formando um “eixo do mal” Brasília-Montevideu”. Mas ela hoje se sofisticou, fez plástica e usa penteados artísticos, que talvez inspirem o seu colega tupamaro a caprichar no visual, pois até hoje ele está mais para chacareiro do que para chefe do executivo.
    Quanto às fotos da galeria dos bloguistas, você ou o Matias precisam barbear-se, pois parecem irmãos gêmeos.

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  • 06/06/2010 - 19:13
    Enviado por: Ariel Palacios

    Caro Rodrigo, obrigado pelo elogio sobre o português. Se alguém tem mérito, é minha professora da escola primária em São Paulo, o Externato Amazonas, a professora Vera Machado. E, depois, no colégio Anglo-Americano, de Londrina, a professora Beth. E, no colegial, no La Salle Canadá (também Londrina), a professora Estella. E na faculdade, na UEL, o professor Donato Parisotto. Eram sensacionais!
    Hahahha! Sobre a barba, acho difícil que eu a remova: fico mais feio sem ela. Portanto, menos pior com ela. O Matias é que vai ter que remover a dele

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    • 06/06/2010 - 23:06
      Enviado por: Rogerio Maciel Hurtado

      Ariel, você lembrando dessa época de Londrina, não poderia esquecer de um dos seus colegas, o Spoladore. A notícia dele não é muito boa, ele sofreu um AVC e se encontra na UTI do hospital Evangélico de Londrina. Achei que você é um cara de força positiva e daí pode torcer por ele.

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