
Na época da Guerra das Malvinas era conveniente deixar de lado nomes ingleses para evitar ataques de multidões enfurecidas. No entanto, o futebol salvou-se dos “rebatizados” bélicos. Apesar do frenesi anglófobo (posteriormente desaparecido), os times mantiveram seus very british names: River Plate, Racing Club, Boca Juniors… (acima, na foto, a Torre dos Ingleses, atacada por manifestantes e rebatizada como ‘Torre Monumental’)
Nesta segunda-feira, dia 14 de junho, completaram-se 28 anos do final da Guerra das Malvinas. Nesse dia, em Port Stanley (para os ingleses) ou Puerto Argentino (uma das várias denominações que os argentinos aplicaram a esse vilarejo) o comandante argentino, o general Mario Benjamín Menéndez, assinou a rendição de suas tropas (a Junta Militar, em Buenos Aires, tentou camuflar a catástrofe bélica alegando que havia sido apenas um “cessar fogo”).
As ações bélicas argentinas haviam iniciado dois meses e meio antes, na noite do 1 de abril de 1982 (mas que os militares argentinos – e os governos civis posteriores também – preferiram situar horas depois, já na madrugada do dia 2 de abril, para ser alvo de menos ironias), quando o então ditador do país, o general Leopoldo Fortunato Galtieri – famoso por seu intenso approach ao scotch e demais destilados – invadiu as ilhas, que haviam sido argentinas durante 13 anos (de 1820 a 1833) e que na ocasião estavam em mãos britânicas há 149 anos.
Na manhã do dia 2, quando tornou-se pública a notícia da reconquista das ilhas, dezenas de milhares de pessoas foram à Praça de Mayo dar hurras a Galtieri.
Nos dias seguintes, surgiu um intenso clima antibritânico em Buenos Aires. Esse ambiente de agressividade no país contra tudo o que fosse proveniente das terras de Shakespeare, Churchill e a cachorrinha Lassie consolidou-se com a decisão da primeira-ministra Margareth Thatcher de tentar retomar o arquipélago e enviar a Royal Navy.
A Argentina, até esse momento, havia sido talvez o ponto da América do Sul que havia exibido maior influência da cultura inglesa. Não era à toa que o ditado popular definia o cidadão argentino como “um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês”.
Com a guerra, o governo militar argentino, que abominava o rock britânico – por considerá-lo ‘degenerado’ – encontrou uma desculpa para proibir toda transmissão de músicas em inglês de autores ou intérpretes que fossem súditos de sua Majestade. Mas, como não podia deixar os jovens sem esse ritmo, autorizou que em seu lugar as rádios na Argentina transmitissem até então pouco divulgado rock nacional. Os roqueiros argentinos, graças à guerra das Malvinas, encontraram uma oportunidade para serem conhecidos pelo grande público. Por estas ironias do destino, roqueiros como Charly García, Fito Páez e León Gieco tiveram seu boom a partir dessa virada que a guerra provocou na cultura argentina.
Enquanto isso, multidões enfurecidas começaram a apedrejar escolas de inglês e empresas que ostentavam nomes britânicos.

Ditador L.F.Galtieri em seu ponto culminante de poder, após anunciar a reconquista argentina das Malvinas, desata onda anti-inglesa (menos para os times de futebol)
DE DUAS PARA APENAS UMA NACIONALIDADE - A farmácia “La Franco-Inglesa”, para evitar problemas com multidões fanatizadas, optou por cortar uma de suas ‘nacionalidades’, e assim, amputou de seu cartaz a palavra “Inglesa”.
Desta forma, esta farmácia, fundada em 1892, situada na tradicional ‘calle’ Florida, número 301, transformou-se na farmácia “La Franco”.
Na mesma ‘calle’ Florida estava o café “Florida Garden”, ponto de encontro de espiões durante a guerra. O estabelecimento foi rebatizado com o nome mais espanhol de “Jardín Florida” para evitar problemas com eventuais anglófobos.
BAR SEM UMA SÍLABA - Outra vítima do patrulhamento de nomenclaturas desatado pela guerra foi o “Bar Británico”, localizado na esquina das ruas Brasil e Defensa, no bairro de San Telmo, na frente do Parque Lezama.
O bar – cujos donos eram imigrantes espanhóis da região da Galícia – havia recebido esse nome nos anos 40 por causa dos veteranos britânicos da Primeira Guerra Mundial que frequentavam o lugar. O bar também foi frequentado pelo escritor Ernesto Sábato, que nele inspirou-se para seu livro “Sobre heróis e tumbas”.
Na primeira semana da guerra das Malvinas seus vidros destroçados com pedradas. Assustados, os donos – pacíficos galegos que jamais haviam imaginado que seriam encarados como propagandistas da rainha Elisabeth II – decidiram mudar o nome do bar.
Mas, com pressa – e com medo de um novo ataque – os donos consideraram que a solução mais eficaz e rápida seria a de remover a primeira sílaba do emblemático estabelecimento.
Assim, o Bar Británico transformou-se em “Bar Tánico”. Anos depois, um turista grego avisou que ‘tánico’ era uma referência a “tánatos”, isto é, “morte”. Os donos do bar, levando em conta que a guerra havia passado e os ânimos violentos estavam adormecidos, rebatizaram o estabelecimento como “Bar Británico”.

Plácido bar atendido por septuagenários garçons foi atacado em 1982 por ter nome alusivo à Grã-Bretanha. Bar Británico, às pressas, mudou seu nome para ‘Bar Tánico’. Posteriormente readquiriu a sílaba perdida na guerra.
COMO NA IDADE MÉDIA - Na primeira semana da guerra a Torre dos Ingleses foi atacada por centenas de pessoas enfurecidas que – tal como na Idade Média – derrubaram os portões de bronze da base com um poste transformado em aríete. Integrantes da multidão subiram até o topo da torre onde destruíram o imenso relógio ali instalado, além dos vidros.
A torre – que havia sido construída com doações de anglo-argentinos para homenagear o centenário da Revolução de Maio de 1810, início do processo de independência da Argentina – era um marco da arquitetura portenha (há poucos anos foi restaurada).
Para impedir o ataque da multidão, de nada valeu a frase gravada sobre a porta de entrada, entre os escudos da Argentina e da Grã-Bretanha: “salve o grande povo argentino, da parte dos residentes britânicos, 25 de maio 1810-1910”.
Dias após o ataque, a torre foi rebatizada de “Torre Monumental” (apesar da troca de denominação, ela continua sendo popularmente chamada de ‘Torre dos Ingleses’).
A ex-torre dos ingleses está em uma praça na frente da estação de trens de Retiro (estação que dá nome ao bairro). Antes da guerra denominava-se Praça Britannia. Mas, após a invasão de Galtieri às Malvinas, essa área foi rebatizada de “Praça Força Aérea Argentina”.
ESTÁTUA NO FUNDO DO RIO - Nessa praça existia uma estátua do primeiro-ministro britânico George Canning, ali instalada em 1937. Ela foi pichada durante a guerra das Malvinas. No entanto, não sobreviveu ao segundo aniversário da invasão de Galtieri: em 1984 um grupo de militantes peronistas marchou até a estátua.
Um dos homens do grupo laçou a cabeça de Canning e amarrou a corda em uma camionete, que acelerou até derrubar o monumento. Canning – enquanto o grupo de militantes gritava cânticos tradicionais de estádios de futebol – foi arrastrado até a beira do rio da Prata e jogado em suas águas.
O próprio Canning também aparecia na cartografia portenha com uma avenida, que vai desde Palermo até Villa Crespo. Neste caso, o nome dessa via já havia sido trocada em 1974, durante o último governo do general Juan Domingo Perón, que pretendia homenagear um pensador argentino, Raúl Scalabrini Ortiz.
Em 1976, com o golpe militar, a avenida voltou a ser Canning. Mas, com a guerra, o nome foi novamente trocado. Embora seja de novo “Scalabrini Ortiz”, os moradores da região (especialmente aqueles com mais de 50 anos de idade) costumam chamar a avenida de Canning, tal como ela foi durante quase todo o século XX.

River Plate confronta-se contra o Independiente. Foto de 1939
APESAR DA GUERRA, NOMENCLATURA FUTEBOLÍSTICA INCÓLUME – No entanto, apesar da obsessão anti-inglesa que tomou conta de vários setores da sociedade argentina no meio do frenesi da Guerra das Malvinas, nem a ditadura militar e sequer os mais acirrados manifestantes propuseram atacar os times de futebol, que ostentavam (e ainda ostentam) sonoros nomes ingleses.
Enquanto a Torre dos Ingleses era alvo de incêndios; escolas de inglês eram atacadas com coquetéis molotov, bares e cafés com nomes alusivos à Grã-Bretanha eram apedrejados – e ruas com nomes ingleses eram rebatizadas – os estádios dos times ficaram incólumes, longe de qualquer anglofobia.
Os torcedores não perceberam a sonoridade britânica dos nomes do “River Plate” (Rio da Prata em inglês) e Boca ‘Juniors’? Ou, se perceberam, talvez consideraram que seria demasiada heresia alterar os nomes dos clubes que idolatravam. Estariam os clubes acima da anglofobia que imperava no país? Esse é um assunto para psicanalistas esportivos analisarem.
Além dos óbvios River Plate e Boca Juniors, na lista dos times que ostentam nomes ingleses na Argentina estão…
- Racing Club
- Newell’s Old Boys
- All Boys
- Banfield
- Chaco For Ever
- Temperley
…entre outros.
No entanto, após a derrota na Guerra das Malvinas, a sociedade argentina encontrou no futebol uma forma de vendetta contra a Inglaterra.
O futebol já havia tornado-se um campo de batalha entre a Argentina e a Inglaterra em 1966, quando ambas seleções confrontaram-se em Londres. Na ocasião, a Argentina perdeu de 1 a 0, fato que causou profunda irritação em Buenos Aires, onde a imprensa atacou o árbitro, acusado de parcialidade.
Na ocasião, os cartolas da Associação de Futebol da Argentina (AFA) também irritaram-se e criticaram o desenlace do jogo em Londres com alusões à conquista das Malvinas por parte da Grã-Bretanha em 1833: “os ingleses não se conformam em nos roubar as Malvinas e agora também nos roubam jogos de futebol!!”.
Para complicar, o capitão argentino, Antonio Rattin, foi expulso após cometer duas faltas. Cansado, sentou-se sem querer no tapete vermelho da rainha Elisabeth II (que não estava presente na ocasião, pois somente havia participado da abertura da Copa).
Os torcedores britânicos, irritados, começaram a jogar objetos sobre o jogador argentino, que, zangado levantou-se e saiu do campo. Mas, no meio do caminho pegou uma bandeirola inglesa à beira do gramado e a amarrotou levemente. A torcida inglesa gritava “animals, animals!” desde as arquibancadas. O gesto tornou Rattin no jogador mais comentado dessa Copa (a ‘amarrotada’ de Rattin, aqui ).

Gol do Uruguai contra a Argentina na final de 1930, em Montevidéu. O Uruguai seria o rival comme il faut da Argentina na maior parte do século XX. Depois, foi o Brasil. Mas, desde 1982, por questões geopolíticas, Inglaterra ocupa esse posto.
INGLATERRA, MAIS DO QUE O BRASIL - Uma década e meia depois, a guerra das Malvinas potenciou a rivalidade argentino-britânica.
Neste ponto, é preciso fazer um resumo célere das rivalidades argentinas no futebol.
Podemos dizer que desde o início do século XX o rival futebolístico comme il faut da Argentina foi o Uruguai, país com o qual os argentinos possuíam vários pontos culturais, políticos, históricos e gastronômicos em comum. A Argentina perdeu a Copa do Mundo para a seleção uruguaia em 1930. A derrota ocorreu em Montevidéu, a curta distância de Buenos Aires.
Os times uruguaios e argentinos, até pela proximidade geográfica, confrontavam-se com mais frequência entre si do que com times de outros países, entre eles, o Brasil.
Até o início dos anos 60 o Uruguai foi o rival principal dos argentinos, pelo menos, no imaginário coletivo. Nessa mesma década, o Brasil começou a ocupar esse lugar.
O posto de rival principal foi consolidado nos anos 80 pelo Brasil.
Mas, em 1982, a guerra das Malvinas deslocou o Brasil do imaginário coletivo argentino como o principal rival a derrotar nos estádios. Não por questões esportivas, mas por questões geopolíticas.
Desta forma, enquanto que – supostamente – para os brasileiros poderia não existir sabor mais supremo do que infligir uma derrota à seleção argentina, para os argentinos não haveria maior delícia do que derrotar a Inglaterra.
Pesquisas publicadas na imprensa portenha nas copas de 2002 e 2006 indicaram que em caso do Brasil confrontar-se com a Inglaterra, mais da metade dos argentinos torceriam a favor do Brasil.
O cientista político Vicente Palermo, especialista em Malvinas, além de ser um profundo estudioso do Brasil, afirma que “a rivalidade argentino-brasileira no futebol é intensa. Mas é essencialmente presente. Cada jogo renova o conflito esportivo, que não somente carece de conotações extra-esportivas, mas também de qualquer raiva por ambas partes, inteiramente desprovisto de contas a saldar”. No entanto, segundo Palermo, “a oposição futebolística argentino-inglesa é completamente diferente”. O politólogo considera que contra a Inglaterra “não se trata somente da profusão de conotações extra-futebolísticas, mas sim, principalmente, de que é um vínculo estabelecido no passado: revive e se restabelece no passado em cada ocasião”. O especialista sustenta que neste caso, para os torcedores argentinos, “cada jogo está carregado de passado e é a ocasião para a vingança”.
Um dos sinais mais evidentes da preferência argentina em derrotar a Inglaterra (trauma para muitos no Brasil, por questões de algo que poderíamos pitorescamente chamar de “ódios não correspondidos”) é que os dois gols mais recordados pelos argentinos são duas marcas realizadas contra a Inglaterra (e não são gols feitos contra o Brasil).
Os dois gols em questão foram realizados na Copa do Mundo de 1986, no México.
O autor de ambos gols foi o então jogador número 10 da seleção argentina, Diego Armando Maradona, atual técnico da seleção de seu país.
Um dos gols de Maradona foi aquele marcado com a denominada “Mano de Dios” (Mão de Deus), isto é, a própria mão de Maradona, que passou desapercebida para o árbitro, que validou o gol.
O outro gol foi conseguido após driblar seis jogadores ingleses (incluindo o próprio goleiro inglês).
Este segundo gol levou o prêmio de “Gol do Século” ou “O melhor gol da História da Copa Mundial de Futebol”, definido em uma pesquisa na internet feita pela FIFA em 2002. O próprio Maradona referiu-se a ambos gols como uma vingança contra a Inglaterra pela derrota argentina nas Malvinas.
E, para aumentar a rivalidade entre os dois países – fato que exclui totalmente o Brasil deste assunto – o denominado “segundo gol do século” (o que está em segundo posto nesse ranking) foi (ironias do destino futebolístico) um gol infligido pelos ingleses aos argentinos.
Esse outro gol foi de autoria de Michael Owen, que na Copa do Mundo da França de 1998 desferiu um gol contra a Argentina após significativa exibição de virtuosismo no gramado (como careço de background sobre coreografias e manobras para implementar gols, me abstenho de realizar considerações sobre os eventuais méritos estéticos deste ou de qualquer outro gol. Portanto, comento o ranking supracitado exclusivamente pelo fato de ter sido elaborado pelo organismo encarregado desse esporte, isto é, a FIFA).
A historiadora Emma Cibotti, em seu livro “Queridos inimigos” (sobre a rivalidade argentino-inglesa) da editora Aguilar, ressalta a existência da expressão popular “contra os ingleses é melhor”.
Cibotti também recorda a frase sempre cantada pela torcida argentina, quando pula nas arquibancadas ou nas praças para estimular a seleção: “quem não pula é um inglês”. Mesmo que o jogo não seja contra a Inglaterra…
Cibotti também afirma que desde que a guerra das Malvinas acabou, os ‘poréns’ contra a Inglaterra foram significativamente reduzidos: “desde essa época, a anglofobia passeia apertada em um punho… mas só dentro dos campos de futebol”.

O brasileiro Campos Salles e o argentino Roca, amantes do cavalheirismo nos campos de futebol
PS: RIVALIDADE COM O BRASIL E CAVALHEIRISIMO
Aqui segue o link para uma postagem de setembro passado, no qual comentamos os tempos em que o cavalheirismo predominava no futebol. E, neste caso, em um jogo da Argentina com o Brasil. Aqui.

EM CAFÉS, NA EMBAIXADA E NA CASA DE ARGENTINOS ‘BRASILÓFILOS’, COMUNIDADE BRASILEIRA ACOMPANHOU O JOGO DE ESTRÉIA
Na ausência de bairro equivalente a um “Little Brazil” que aglutine os escassos 7 mil brasileiros que residem na área da cidade de Buenos Aires e sua região metropolitana (em todo o país morariam 35 mil brasileiros, especialmente concentrados na área da fronteira), os torcedores do Brasil espalharam-se nesta terça-feira em cafés e restaurantes para assistir o jogo do Brasil contra a Coreia do Norte. Os brasileiros também optaram por acompanhar o embate transmitido pela TV em suas próprias residências ou na casa de amigos argentinos “brasilófilos”.
Tal como costuma fazer em todas as copas desde 1998, a sede administrativa da Embaixada do Brasil em Buenos Aires abriu seu auditório para que os torcedores pudessem assistir o jogo em dois telões. Diplomatas, executivos de empresas brasileiras instaladas na Argentina, além de turistas e residentes brasileiros em Buenos Aires acompanharam o primeiro tempo com angústia.
Entre os torcedores presentes estava a mineira Selma Pinheiro dos Santos, residente na Argentina há nove anos. “O time está esquentando ainda. Não está indo bem, mas no final vai dar certo e ganhará”, disse ao Estado no décimo-quinto minuto do jogo.
No intervalo, a dez quarteirões dali, na calçada do bar “Locos por el fútbol” no bairro da Recoleta, na esquina das ruas Azcuénaga e Vicente López, o paulista Rogério Barbosa – que está em Buenos Aires por trabalho durante esta semana – ostentava uma camiseta da seleção brasileira e analisava o primeiro tempo com seu colega Marcelo Zanolla.
“Acho que esta seleção não tem confiança”, ressaltou Barbosa ao Estado. “Temos jogadores talentosos. Mas falta que esses talentos joguem de forma conjugada”, completou Zanolla.
RESPIRANDO ALIVIADA - Com o segundo tempo iniciado, no bairro de Palermo, a gaúcha Elena Fernandes começava a respirar aliviada. “Agora, depois do gol do Maicon, estou mais tranquila…mas no primeiro tempo, foi impossível”, afirmou Elena por telefone ao Estado.
Elena, que reside em Buenos Aires há dois anos e meio, onde é subgerente de um hotel no bairro de Palermo, teve uma licença de seu trabalho para assistir o jogo na casa de uma amiga paraibana que mora na capital argentina. Elena vestiu uma camiseta com os dizeres “Ama com fé e orgulho a terra em que nasceste” para assistir o jogo. Segundo ela, “a maioria” de seus amigos argentinos “torce para o Brasil”.
UM BRASILEIRO E 30 ARGENTINOS – No centro da cidade, o mineiro Carlo Moiana Turtelli, que trabalha no setor de informática de uma empresa petrolífera em Buenos Aires há meia década, era ontem o único brasileiro no meio de trinta argentinos que assistiam o jogo.
“Não sou exatamente um fanático do futebol”, explicou Carlo ao Estado. Mas, apesar disso, fez uma sucinta avaliação do desempenho da seleção brasileira após o segundo gol: “como dizem aqui na Argentina, parece que os jogadores ‘se están poniendo las pilas’ (“estão colocando as pilhas”, expressão que indica que estão se esforçando)”.
‘AMO CAMBORIÚ’ - Mozart de Aquino, estudante brasileiro, relatou ao Estado que foi convidado por um grupo de amigos argentinos ‘brasilófilos’ para assistir o jogo contra a Coreia do Norte na casa de um deles no bairro de Boedo. O grupo de quatro amigos, auto-definidos como “fanáticos” pelo Brasil (música, praias, garotas, economia e política), vestiu camisetas da seleção brasileira. Um deles, no entanto, por carecer de tal vestimenta, homenageou o Brasil com uma camiseta com os dizeres “Eu amo Camboriú”.
“Levei uma garrafa de Velho Barreiro para celebrar”, explicou Mozart. “E eles ofereceram empanadas… foi uma boa mistura!”.
GOLS E CHURRASCO - Enquanto isso, a 40 quilômetros de Buenos Aires, em La Plata, capital da província de Buenos Aires, Lívia Stevaux, estudante brasileira de cinema, que ali reside há quatro anos, assistiu o jogo acompanhada de seis amigos brasileiros e dois argentinos. Todos usavam camisetas da seleção brasileira, inclusive os argentinos. “Um dos argentinos morou no Brasil vários anos, enquanto que o outro é casado com uma brasileira”, explicou ao Estado por telefone.
“O primeiro tempo foi triste. Mas, depois, no segundo tempo, ficamos contentes e começamos a gritar de alegria”, disse Lívia. No entanto, apesar da vitória, considerou que o desempenho do time “não poderia ser classificado de satisfatório. A Coreia do Norte era um time supostamente fraco. Não sei como será quando o Brasil tiver que enfrentar um time bom de verdade…”.
Na terça-feira da semana que vem, Lívia acompanhará o jogo da Argentina contra a Grécia em sua casa em La Plata, em companhia de seus amigos argentinos, onde saborearão um suculento churrasco enquanto assistem o embate pela TV.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão
……………………………………………………………………………………………………
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral ou partidária também será eliminada dos comentários.
Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).
………………………………………………………………………………………………..
[...] verdadeira rivalidade argentina junho 15, 2010 por claudioversiani Guerra, anglofobia, os privilegiados times de futebol e a verdadeira rivalidade argentina As ações bélicas argentinas haviam iniciado dois meses e meio antes, na noite do 1 de abril de [...]
Olha Ariel, diversos argentinos até hoje pensam que são os ingleses da América do
Sul. Esse grupo não se deu conta de que a coisa mudou lá na Argentina e mantém uma postura que poderia ser denominada de ‘arrogante’.
Quando se fala das Falklands Islands(Ilhas Malvinas) esse grupo de pessoas saem em
defesa da Argentina imediatamente. E a explicacao e de que foram traidos
pela Inglaterra? Ora, faça-me o favor!
Não gosto do sotaque do portenho. Considero que é perturbador.
Comentário totalmente fora de lugar. Se nao gosta de porteños nao leia o blog. Se não gosta do sotaque nao vá a bs.as.
responder este comentário denunciar abusoExcelente artigo Ariel !
Sempre me perguntei quem foi Canning, rua onde minha vó mora há anos. Note que houve ainda mais mudanças em nomes de ruas. Eu morava na época em Belgrano. Indo para Congreso lembro da tentativa de mudança de nome da Av. Monroe para Juan Manuel de Rosas. Não vingou, mas continua Monroe?
Un abrazo !
Santiago
Ariel você escreve tão bem que acabo lendo até sobre futebol…mas é que você é um grande pesquisador e sabe misturar informações de várias fontes e origens.Assim dá gosto ler!
[...] This post was mentioned on Twitter by Leonardo Aquino and Ariel Palacios, Goleador. Goleador said: Guerra, anglofobia, os privilegiados times de futebol e a …: Na época da Guerra das Malvinas era conveniente .. http://bit.ly/cmvZAu [...]
ARIEL: Para reforçar este espírito anti-britânico tão brilhantemente explicado por Você,gostaria de acrescentar que a nós,brasileiros,os guias turísticos fazem questão de mostrar o “Monumento a los caídos de Malvinas”,localizado aos pés
da Praça San Martin e…fazendo frente/afontando a Torre dos Ingleses. Me chamou
a atenção a relação dos 649 combatentes caídos na guerra de 1982, impressa em
mármore escuro. Parabéns e saludos! LAERTE
Oi Ariel
Caaara! Gosto dimais (assim mesmo, com “i”) do seu blog. É uma verdadeira aula de “Argentinologia” – rsrsrs.
Eu imaginava que existia uma certa rivalidade, mas não de tamanha grandeza entre os dois povos. Eu sempre vibrei mesmo com a rivalidade entre nós e eles.
Mas, saindo um pouco do foco, hoje considero a França como nosso principal rival em Copas do Mundo. Já fomos desclassificados pelos franceses umas 3 vezes, que eu me lembre: 1986 (época de Platini e Zico), a final de 1998 (dá-lhe Zidane) e 2006 (dá-lhe Henry). Que vc acha Ariel?
Abraço
E bom ler isto , vou mandar para meus muitos amigos brasileiros q nao acreditan q a maior rivalidade da gente e Inglaterra e nao Brasil , eu juro q cuando eu vim morar no Brasil fiquei impresionado com a rivalidade , nao sabia q era assim.
Mas tambem falo q nunca tive um problema aqui no Brasil por ser Argentino , ao contrario sempre fui muito mas muito bem tratado.
Outro comentario , eu vivia na epoca da guerra das Malvinas e nao todo mundo destruia coisas inglesas , quem fazia isso eran os mesmos cara q os militares estavan combatendo e com a “jogada” da guerra mudaram de bando e ficaron unidos ate a guerra acabar e viraram a casaca otra vez.
Abrazos
Caro Fabio, as coisas mudaram bastante na Argentina, especialmente desde a recessão de 1998, e mais ainda com a crise de 2001-2002. Os argentinos, de forma geral, possuem hoje uma visão tremendamente crítica do próprio país.
Sobre o sotaque, o acento portenho é considerado pelos próprios argentinos do interior um pouco “áspero” (enquanto que alguns sotaque do interior são considerados “suaves”… mas essas são coisas altamente subjetivas).
No entanto, o sotaque portenho é um sotaque muito similar ao de Montevidéu. Dentro da própria B.Aires existem várias modalidades do sotaque portenho. Está o sotaque da Recoleta ou de Belgrano, que – dizem os outros portenhos – dá a impressão de que estão falando com uma ‘batata na boca’.
Caro Santiago, pois é, aquela avenida chamava-se Canning desde 1893!
Falando em nomes, lembra qual era o nome da capital das ilhas Malvinas quando estav na escola? “Puerto Soledad”. Nome bem poético, aliás, adequado para aquela inóspita região do Atlântico Sul. O nome aparecia nos mapas argentinos, claro, já que nas ilhas a cidade chamava-se Port Stanley.
Mas, o Galteiri – unilateralmente – rebatizou o vilarejo como “Puerto Argentino” no terceiro dia da reconquista argentina.
E assim, verá que nos mapas argentinos de antes de 1982, a cidadezinha chamava-se Puerto Soledad. E nos mapas argentinos a partir de 1982, passa ser chamada de Puerto Argentino.
O caso é que, com a volta da democracia, os governos civis esqueceram de re-re-batizar o vilarejo, e ficou o nome que o ditador Galtieri colocou….
Monroe continua Monroe.
Mas, em San Justo, a Provincias Unidas virou Juan Manuel de Rozas (com z, que é uma das versões como se escreve o nome do controvertido governador de B.Aires).
Tua avó mora na ‘Canning’ há muitos anos?
Cara Sô, hehehehehehe.…já que não sou exatamente um ‘fanático’ desse esporte, misturar todas estas informações é uma forma de tornar o assunto um pouco ‘diferente’! Obrigado pelo elogio!
Caro Laerte, pois é, o monumento aos soldados mortos nas ilhas durante a guerra está na frente da ex-torre dos ingleses! Esse monumento é de bom gosto, e está sempre escoltado por soldados. Mas, o monumento sobre as Malvinas que está na frente do edificio Libertador, sede do Estado-Maior, a 12 quadras dali, parece (pelo menos, parece) que foi feito às pressas, e não é exatamente bonito. Mas o da praça San Martín, sim, possui uma “funérea elegância”.
Caro Joselito, obrigado pelo comentário!!! Pois é, interessante análise: talvez os torcedores brasileiros deveriam passar a considerar a França como principal rival. Pelo menos, as estatísticas que você nos forneceu indicam que a rivalidade deveria ser canalizada nessa direção. Poderia ser um interessante assunto para submeter à análise de nosso homem em Paris, Andrei Netto.
Caro Andrés, é impressionante mesmo o mito que existe no Brasil sobre a rivalidade argentina. As pessoas costumam não acreditar quando comento o assunto. Ou, mais ainda, quando brasileiros viajam à B.Aires e veem (durante boa parte do ano) argentinos que usam a camiseta da seleção brasileira, ouvem música brasileira e declaram que adorariam ter uma pousada ou bar em uma praia (qualquer praia) no Brasil….
Outro dado interessante: desde que começou o clima de Copa, não apareceu publicidade alguma na TV argentina com ironias contra brasileiros… isso é bastante ilustrativo, não é?
Bom, vou sair daqui a pouco para cobrir a forma como a comunidade brasileira em B.Aires verá o jogo da seleção do Brasil contra a Coreia do Norte.
Abraços a todos,
Ariel
Prezado Ariel, gosto muito de seu blog, ajuda matar as saudades ja que sou argentino morando desde 2008 em Sampa. Tambem fiquei supreso quando fiquei sabendo da suposta “rivalidade argentina-brasil” alimentada unilateralmente pelos brasileiros. Fiquei triste quando vi que nao era unicamente no futebol e que lamentablemente grande parte da populacao brasileira, leva a serio, mesmo que fale que nao.
Talvez seu blog seja uma boa ferramenta para acabar com esse odio que alguns mostram pela Argentina, e sem fundamentos.
Alias, publicidade argentina nao fez apelo la copa para o Brasil, infelizmente, os publicitarios brasileiros sim, optaram pelo jeito facil de zuar a Los Hermanos, mais uma vez.
.
__________________________
.
Pequeno dicionário Malvinense
.
__________________________
.
___Before_______________Después______
.
Port Stanley__________Puerto Argentino
La Franco-Inglesa______La Franco
Florida Garden________Jardín Florida
Bar Britânico__________Bar Tânico
Torre dos Ingleses______Torre Monumental
Galtieri_______________Exocet
.
_____________________________________
.
Ariel,
seus textos sao excelentes.
Leves, fluem com muita elegancia.
Voce e’ um excelente escritor e, espero que nao te caus eproblemas, um “gentleman”!
ARIEL: sem dúvida uma das maiores rivalidades futebolísticas Argentinas é o Uruguai. As duas seleções já se enfrentaram pelo menos 200 vezes: houve muitos
empates,mas a predominância da Argentina sempre foi maior. De qualquer maneira,ou rivalidades contra o Uruguai,ou contra o Brasil ou contra a Inglaterra,
o que importa é que nossos Hermanos,assim como nós Brasileiros,adoram futebol.
“Futbol,asado y vino son los gustos del pueblo Argentino”. Nada mal,hein”.Abrazos.
LAERTE
Excelente artigo que desvenda a verdadeira rivalidade dos hermanos.
Galvão (vai ao Twitter e grita CALA A BOCA GALVAO) deveria ler isto para saber que Brasil não é alvo de rancor, ainda que ele insista nisto.
Soma-se a esta rivalidade a mítica briga do peronismo aos frigoríficos Wilson, as 2 invasões (1805 e 1806), os modos arrogantes dos fazendeiros ingleses de tratar aos “cabecitas negras” (nativos argentinos). A velha alta burguesia portenha tentava imitar os hábitos ingleses.
Harrods só existe em Buenos Aires e Londres, e originalmente atendia à rica burguesia que desprezava
os argentinos de pele trigueira. A guerra cisplatina e a guerra do Paraguai foram instigadas pelos ingleses para perpetuar o status internacional dos rios de la Plata e Paraná e assim continuar suas atividade contrabandistas.
Morei em Canning 2821, estudei no Leach Institute, vestindo cardigam vermelho e blue cup.
Graças a Deus morando em USA perdi o sotaque british!
Eles estão por detrás de muita calamidade.
Eu atesto, assino e confirmo cada palavra do caro Ariel.
Ariel, mais um texto suave, agradável, enriquecedor. Adorei.
Ariel,
Ela mora na calle Canning (O Raul S Ortiz) há mais de 30 anos. Antes disso morava na Rua Bolivia em Flores.
Lembro de “Puerto Soledad”, assim como da “Gran Malvina” y “Soledad” nomes dados às ilhas na época.
Un abrazo !
Ariel,
Segue o link dos 2 maravilhosos gols do maradona: http://www.youtube.com/watch?v=KY40__rBvSk.
caro ariel,
como falei em outras oportunidades, teus textos sao artefatos de arte (sic) literarios. alem do mais, sao altamente informativos e educadores, e deixam ao leitor melhor apos a sua leitura do que antes do inicia-la.
como li uma vez, para ter sucesso no que cada um faz, precisa fazer bem feito, pois ha pouca concorrencia. acredito seja seu caso.
quanto ao quesito sotaque, me permito discordar quanto a semelhanca do sotaque portenho ao do de montevideo. o primeiro eh inconfundivel e contribui para tornar o portenho uma unanimidade no mundo (pelo menos o meu).
Caro Glúon, pelo Exocet me fez lembrar de Kátia Flávia, a Godiva do Irajá, do Fausto Fawcett… e por isso, me lembrei do Roberto de Carvalho, marido da Rita Lee…bom, o Carvalho era neto do general Zenóbio da Costa, que fez uma dupla genial com o Mascarenhas de Morais no teatro de guerra italiano na Segunda Guerra Mundial. Bom, e ali também estava na FEB o Antônio Matogrosso Pereira, pai do Ney Matogrosso. E ali também esteve a Clarice Lispector, que foi voluntária do corpo de enfermeiras. Por outro lado, e voltamos ao rock, o livro “A descoberta do mundo”, de Clarice, era um dos livros preferidos do Cazuza. E, dali bom, também lembrei da curvilínea Bruna Lombardi, cujo poema “Alta Tensão” é ocasionalmente atribuído à Clarice (um desses erros que florescem na internet).
E tudo isso pelo Exocet!
Caro Dr. Massaranduba, muito obrigado pelo elogio! Nunca me chamaram de “excelente escritor”! Bom, nunca me haviam chamado de “escritor”!!! Bondade sua!
Caro Laerte, excelente frase, hehehehehe!
E poderia acrescentar, no final: “y un matecito…”
Caro Jorge, concordo: as pessoas no Brasil ainda acreditam no velho mito da rivalidade bilateral… e para muitos pode ser traumático de que esta rivalidade não seja do jeito que imaginam!
Canning 2.800? Sabe que o setor de Villa Crespo próximo à fronteira de Palermo está sendo chamada de ‘Palermo Queens’, em sarcástica referência ao Queens novaiorquino?
Caro Backmann, muito obrigado!
Caro Santiago, e ela mora perto de qual esquina? Ela, imagino, ainda chama a Canning de Canning, não é?
Caro Schlanger, obrigado pela contribuição youtubística com a performance maradoniana!
Caro Carlos, obrigado pelo comentário!!! Sobre a comparação ao sotaque de Montevidéu, faço uma nuance: talvez não seja ‘igual’, mas sim, “o mais próximo”. Isto é, o sotaque de Montevidéu (não o do interior do Uruguai, mas sim, o de Montevidéu precisamente) é relativamente similar em vários pontos ao portenho, na forma de pronunciar o ‘y’ e o ‘ll’, além da cadência ‘canyengue’, isto é, esse touch genovês aplicado ao espanhol que só existe mesmo nas margens do rio da Prata.
E deste grupo removo o portenho do eixo Recoleta-Belgrano, que possui um sotaque portenho anabolizado, com a tal batata na boca…
E, para dar um tom mais francófilo, para equilibrar, após várias referências à Inglaterra, lhes deixo um link do Edmundo Rivero cantando ‘Bonjour mamá’:
http://www.youtube.com/watch?v=Kp3cGq9w_z0
E, Gardel, em “Silencio”, no qual os rapazes protagonistas da letra estiveram em batalhas nos campos da França, deixando sua mãe, sozinha:
http://www.youtube.com/watch?v=Wzk4lBY1n8I&feature=related
Abraços a todos! Tenham bons sonhos!
Ariel
Ariel Palacios,
Gosto de ler seus artigos que trazem muita informação e cultura. Informações precisas e isentas de comentários desnecessários. Um exemplo a ser seguido.
Ariel.Gracias por recordarme esa vieja interpretación de Carlos Gardel ¨Silencio¨.
Existe una anécdota de que en un barco de esa época viajaban
el gran cantante italiano Beniamino Gigli y Carlos Gardel.
Al enterarse Gigli de la presencia de Gardel se presentó a él y le dijo que nunca había escuchado un barítono con una entonación tan perfecta que por mmás que se esforzara no podía encontrarle ninguna disonancia.
Otro cantante que tenía una entonación perfecta era Bing Crosbi.
Ariel,
Acho que ela nao sabe da mudnaça AINDA….! Mora entre Charcas y Güemes se nao me engano, altura do 2100.
Un abrazo !
Ariel,obrigado pela explicacao.
Veja por exemplo Maradona,como pode um ser humano deste
ser capitao ou tecnico de um time da Argentina? Como ele pode falar tanta bobagem e ainda falar mal de alguem como Pele? quem e ele? um ex cheirador?
um louco? isso tem carisma na Argentina? para mim ele denigre o nome da Argentina.Alguem que foi se juntar a Fidel e viver em Cuba so pode ser louco.
Messi para mim e o melhor jogador do Mundo hoje sem duvida.Mesmo assim penso
que a Argentina nao chega a semi final,minha opiniao.Mas ainda vamos ouvir muita
bobagem deste Dieguito,voce vai ver………
Viajar pelo interior da Argentina é deparar-se com um monte de cidades e fazendas ostentando nomes de origem inglesa ou galesa (alguma diferença, na prática?). Engenheiros de estradas de ferro, capitalistas, criadores de ovelha… Alguns cumpriram suas tarefas e foram embora; outros se “acriollaran” e seus descendentes devem adorar quando Martin Fierro chama a Inglaterra de “inca la perra”.
A Argentina deve muito de sua prosperidade até meados do século 20 à forte presença britânica em sua economia. A elite argentina matriculava seus filhos nas escolas britânicas de Buenos Aires, ou os mandava diretamente para a terra da rainha Isabel (é assim que eles chamam a Elizabeth). Fazer a guerra contra o próprio mentor cultural e econômico deve ter dado um nó na cabeça da muita gente, para Freud nenhum botar defeito: um complexo de Édipo nacional.
Olá Ariel. Tudo Bem?
Como sempre, um ótimo texto. O que não dá para entender é o porquê dos times argentinos ainda ostentarem nomes ingleses. Taí uma coisa de louco. Como você mesmo disse, é caso para os psicanalistas.
Abraços
Telmo
Caro Hurbini, muito obrigado! Seu elogio me alegrou a noite!
Caro Lito, além do Beniamino Gigli, o Enrico Caruso também elogiou o Gardel. Foi em 1915, em um navio que foi de B.Aires al Rio de Janeiro. Gardel viajava com seu parceiro da época, Razzano.
No navio também ia Caruso, que voltava de uma temporada em Montevidéu e Buenos Aures.
Razzano e Gardel foram apresentados a Caruso. O italiano pediu que o dueto interpretasse algo.
Gardel, que admirava Caruso, ficou tímido, mas cantou.
Caruso ficou impressionado com a voz de Gardel e disse: Guarde, caro la bella voce del morettino! Guarda il falsetto dal altro! Magnífico! E tutto senza scuola!”.
Gardel, mais descontraído depois do elogio, de brincadeira cantou umas árias de ópera.
Caruso, no dia seguinte, o convidou a ouvir seu ensaio em um salão do navio. Caruso cantou para Gardel trechos da ópera Os Huguenotes (aqui vai um link: http://www.youtube.com/watch?v=RvFPklcGDR8 )
Ah, e pulando para outra coisa, lembra que no tango “Garufa”, o personagem é capaz de até dançar a Marcha de Garibaldi? “Sos capaz de bailarte la Marsellesa, la marcha de Garibaldi o El Trovador”
Bom, aqui, o Caruso cantando essa marcha:
http://www.youtube.com/watch?v=i1En9tmgWZU&feature=related
E aqui, a mesma marcha, mas em uma gravação moderna sem o Caruso (mas com melhor qualidade de som): http://www.youtube.com/watch?v=0s8Bg5RZ9EQ&feature=related
Caro Sérgio, acho que o outro comentarista referia-se a um certo incômodo que alguma tonalidade dos portenhos lhe causa. Duvido que seja alguma espécie de indisposição de tom nacionalista causada pelo sotaque… Bom, pelo menos, imagino que não seja isso… se fosse, teríamos que criar o termo de ‘sotaquefobia’!
Caro Santiago, hehehehehe… muitas pessoas que eu conheço ainda chamam a avenida de Canning. Tua avó tem a companhia de vários que ainda aplicam o nome..
E, da mesma forma, muitos ainda dizem “Cangallo” em vez de ‘Perón’.
E vários ainda se referem a trecho cêntrico da Marcelo T. de Alvear como “Charcas” (e hoje, a denominação de Charcas começa no final da Recoleta, no início do Alto Palermo… o primeiro trecho é M.Tde Alvear). A la perinola, che! No es un queso esto de las calles? Me parece un plato!
Caro Fabio, o Maradona foi colocado no posto de técnico apesar da opinião pública estar em peso contra.
As pesquisas, em novembro de 2008, quando estava a ponto de ser designado para o cargo, indicavam que de 60% a 75% dos torcedores não queria Maradona de forma alguma nesse cargo.
Em dezembro de 2009 e em janeiro deste ano, apesar da classificação da seleção para a Copa, a proporção de torcedores que rejeitava Maradona era de 85% a 90%.
Mas, Maradona propicia bons divindendos à AFA, já que ele é notícia (por méritos dos anos 80 ou por defeitos dos anos 90 e início deste século). Isto é: a AFA consegue melhores contratos no exterior graças à presença de Maradona.
É como Baudelaire dizia ironicamente no século XIX: “Deus é um escândalo… um escândalo que dá vendas”.
Bom, com Maradona – “Dios” para aqueles que eram seus fãs como jogador (como ‘jogador’, veja bem, não como técnico nem como pessoa) – é um escândalo que rende muito para muitos…
Sobre como um ex-cocainômano chega a tal posto de influência? Bom, o mundo está cheio de caras assim. O ex-presidente George W. Bush, por exemplo, um confesso ex-alcoólatra!
Que Maradona não está bem da cabeça, isso concordo: respaldou Menem por um lado, respaldou Fidel Castro por outro… foi inimigo mortal do líder da AFA, Julio Grondona, e agora trabalha com ele..
E, digamos, certos esportes se caracterizam por contar com representantes que não costumam falar coisas muitos sérias por aí… Maradona é um bom exemplo desse tipo de pessoas. Não é a única. Mas, poderíamos dizer que é um caso emblemático de fanfarrão!
Caro Luiz, sem dúvida, o interior da Argentina está cheio de cidades com nomes originários das ilhas britânicas: desde Hurligham na Grande Buenos Aires, passando por Ingeniero MacKenna em San Luis ou Trelew em Chubut.
Um grupo grande de argentinos foi lutar do lado britânico na Primeira e Segunda Guerra Mundial. Idem do lado francês.
E, sim, com certeza, a guerra deve ter dado um nó em muitas pessoas. Mas, essa anglofobia praticamente desapareceu e só volta a surgir quando trata-se das Malvinas. Ou, vinculado a isso, quando trata-se do futebol.
Caro Telmo, pois é: esse foi um dos grandes mistérios com o qual me deparei, desde que cheguei aqui em 1995. A onda anti-inglesa na época atingiu diversos setores. Mas, não cutucou nem um pouquinho os nomes dos times de futebol. Sinal que o fanatismo pelo futebol em diversos setores deve superar qualquer fanatismo geopolítico…
Boa noite a todos!
Abraços,
Ariel
Ariel,creo que con el movimiento del barco me equivoqué de pasajeros.Efectivamente el que se entrevistó con Gardel en la referida nave fué Enrico Caruso.Lo que no recuerdo entonces es en que cirscuntancias Beniamino Gigli comentó de la perfección de Gardel como barítono.
Aprovecho para decirle al Sr.Fabio (que encuentra perurbador el sotaque porteño),además de otros comentarios sobre los argentinos,que lo encuentro a él bastante perturbado en cuanto su pensamiento sobre los argentinos (valga la redundancia).A veces es difícil diferenciar la xenofobia de la envidia.
Ariel,concordo.
Caro Ariel, também não sou muito chegado a futebol e mesmo o pouco interesse que tinha pelos jogos do Brasil em Copas do Mundo se foram na última edição do campeonato. De qualquer maneira, seu texto é muito interssante por conta das informações adicionais que traz.
Espero que o Brasil perca logo e saia da Copa para que a tristeza do povão não seja tão intensa. De resto, a última coisa que quero ver é o atual regime petista tirar qualquer proveito político de uma hipotética vitória brasileira. Os tempos atuais me fazem lembrar do regime militar, na virada dos anos 60 para 70. Havia um governo forte, que se impunha pela repressão, enquanto o país crescia a 10% ao ano, não se podia criticar o presidente-supremo, a campanha ufanista corria solta com músicas como “Eu te amo, meu Brasil” e slogans do tipo “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Tudo muito parecido com o que fazem as milícias petistas dos dias de hoje. Qualquer semelhança não é mera coincidência.
Em tempo: Estive em BsAs no mês passado e, exceto pela indisfarçável má vontade do concierge com os brasileiros no hotel, fomos muitíssimo bem tratados na cidade em toda parte.
Parabéns pelo excelente trabalho. Teu texto é tão fascinante quanto as histórias que contas! Deixei um link teu lá no meu blog!! Adoraria a tua visita por lá! Abraço, e obrigado por compartilhar com a gente tanta informação, história e cultura!!
Ariel,
voce e’ um cara legal e eu aprendo muito com voce.
Acredito nisso tudo ai.
Voce e um bom escritor e um dia gostaria de te conhecer pessoalmente ser seu amigo!
Mas nao vai da’…nao quero que a Argentina ganhe!
falando em preconceituosos como eu, achei interessante seu ” teríamos que criar o termo de ’sotaquefobia’”
me fez pensar e cheguei a conclusao que tenho mesmo sotaquefobia ao tom de alguns portenhos ufanistas, gauchos idem e cariocash nem se fala. Sao sotaques que nao suporto dejeitonenhum.
Ariel, River Plate não significa Rio da Prata em inglês.
Caro Lito, pois é: no fim das contas, o querido Gardel foi elogiado por dois grandes cantores líricos do início do século XX, tempos em que o bel canto imperava. E, como dizia o Caruso: “e tudo isso, sem escola” (em referência à ausência de estudos musicais do auto-didata Gardel)
Caro Fabio, obrigado pelo comentário.
Caro Nino, uma Copa do Mundo conquistada é sempre uma tentação para políticos populistas, seja de direita (tal como Menem aproveitava para posar ao lado de jogadores) ou de esquerda, ou de centro… Mas, desta vez, aqui, houve várias críticas sobre os perigos do uso político deste torneio planetário.
No que concerne ao quesito ‘serviços’, a hotelaria portenha deixa a desejar. No entanto, no interior do país a qualidade é mais elevada. E, especialmente no norte do país, em províncias como as de Salta, onde a qualidade da atenção aos hóspedes é muito boa.
Caro Marcos, acabei de ver tu blog, que é muito bom mesmo! E além disso, um excelente blogroll do lado, com links para sites muito legais.
Agradeço teu comentário em teu blog sobre meu blog! Fiquei lisonjeado!!!! Muito obrigado!
Caro Dr Massaranduba, hehehehe… em breve faremos uma reunião de comentaristas e leitores do blog em Buenos Aires. No ano passado fizemos uma reunião em São Paulo. Se estiver por aqui, será um prazer que participe do encontro. Caso a Argentina ganhe a Copa (não tenho a menor ideia se isso é possível, pois a área técnica do futebol não é minha praia, nem litoral, nem areia, nem sombrinha da praia, nem o caranguejo que passa pela praia…) não há problema algum que visite B.Aires! Ou senão, nos conheceremos na próxima reunião com os comentaristas em S.Paulo, possivelmente em setembro!
Caro Carlos, talvez o sotaque dependa do contexto…
Caro Alexandre, o rio da Prata é chamado de ‘River Plate’ em inglês. Não é “River Silver”. Sobre o motivos pelos quais o rio e o time não se chamam “River Silver”, mas sim River Plate, explico:
1) Acontece que o nome em espanhol é Rio de la Plata (prata)
2) E acontece que ‘plate’ foi sinônimo de ’silver’ (prata) e também de ouro, durante séculos. Foi o termo genérico usado especialmente pelos piratas para referir-se genericamente aos metais mais importantes na época das descobertas.
Especialmente nos séculos XVI, XVII, XVIII..o nome do rio foi traduzido dessa forma ao inglês possivelmente por sir Francis Drake. Ou, pelo menos, por alguém de seu entourage.
Nos mapas em inglês, o rio, se não aparecer no original em espanhol, vai aparecer como ‘River Plate’.
E ainda está e “Batalha do rio de Prata”, que para os historiadores britânicos é “Battle of the River Plate”, assunto que já foi tratado neste blog… aqui está o link, quando falamos do afundamento do Graf Spee no rio da Prata:
http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/orgulho-de-hitler-foi-a-pique-na-frente/
Caro Gonzalo, muito obrigado pelo comentário! Fico feliz que goste do blog. Pois é: essa rivalidade atualmente é mais alimentada do lado brasileiro da fronteira do que do lado argentino.
Um dos sinais disso é que nesta Copa não há publicidade alguma ironizando os brasileiros na Argentina, por exemplo.
Aliás, como já comentei em outras ocasiões, é comum ver argentinos usando camisetas da seleção brasileira. E, nem falemos do consumo de música brasileira na Argentina. Um consumo elevado que nunca foi moda transitória. Ao contrário: é um consumo permanente, persistente…
As piadinhas, muitas vezes (Freud explica), escondem vários pensamentos por trás do ‘humor’. Eu, pessoalmente, considero ‘brega’ os chauvinismos.
De que cidade você é?
Abraços a todos,
Ariel
Prezado Ariel, sou San Miguel de Tucuman, morando em SP desde janeiro de 2008.
responder este comentário denunciar abusoOutra ducha de cultura, Ariel!
Que coisa, o bar Británico.. Nesse bar, há dois anos´, conheci uma das minhas melhores amigas brasileiras residentes aqui em Bs As, e nem sabíamos da história. Na próxima cerveja lá, certamente a informaçao que nos brindaste será citada.
Lembro que a primeira vez que vim a Bs As, em 1994, a coisa que mais me impressionou (eu tinha 13 anos e estudava inglês desde os 10) era a forma como os argentinos pronunciavam algumas palavras de origem inglesa com sotaque próprio, modificando completamente a forma como se diz e, desespero, como se entende, e a primeira palavra que escutei assim foi a marca Sanyo, que eles pronunciam como “Sansho”. Achei aquilo interessante, de uma rebeldia sem fim, e é claro que aos 13 anos eu nao fazia ideia do motivo de tal rebeldia.
To rindo até agora do “ódio nao correspondido”, rsrs.
Exocet, calcinha! hahahaha, o desenterro do Fausto Fawcett também me arrancou risadas.
Agora, falando da rivalidade Arg x Ing e Arg x Bra, no caso da Inglaterra, a origem é clara e unicamente política, mas no caso do Brasil, acho que é pura admiraçao: eles admiram e reconhecem o quao bem jogam os brasileiros, admiram a alegria brasileira (Charly García até cantou que “la alegría no es solo brasilera”, tal a fama que temos), admiram também, obviamente, as praias, as mulatas, a caipirinha e, ultimamente, a economia. Enfim, o que todo e qualquer turista admira no Brasil, com o “plus” de sermos vizinhos e seres extremamente apaixonados, assim como eles. A rivalidade Bra x Arg é mais amor do que ódio. No caso da Inglaterra o ódio é bem evidente, mesmo tendo se passado tantos anos da Guerra das Malvinas .(minha mae me contou que nessa guerra eu, com 3 anos de idade, dizia “Guerra das Vavinas”, só pra constar minha participaçao nesse momento histórico… rsrs)
Falei outro dia com um argentino e questionei “que onda” a rivalidade deles com a Inglaterra, se era realmente política e se tinha se acalmado um pouco, e ele me disse: “los odiamos porque son unos imperialistas de mierda”. Bem respondido, e eu bem tive que concordar, pois morei em Londres por dois anos e nao fiz nenhum amigo inglês, tal a era empáfia dos britânicos e esse ar de “dominei o mundo, azar do resto”. Da Inglaterra, bom mesmo, só o rock. E o futebol, para a desgraça dos hermanos.
Quando minha crônica ficar pronta, te aviso ![]()
Um abraço, Ariel!
Elena
caro ariel, voce tem razao. to com problema serio de contexto casualmente nos casos que citei. pera ai. sera que nao eh ao contrario? hehe
Cara Elena, genial tua lembrança do Charly García. É verdade. Os argentinos, inclusive, quando querem dizer que as coisas vão indo bem mesmo, dizem, em tom de brincadeira, imitando o sotaque brasileiro, a expressão “tudo bem!”.
E, sempre tem alguém que nos diz: “ah, vocês brasileiros, sempre tão felizes…!”
Estou à espera de tua crônica!
Caro Carlos, quando disse que às vezes depende do contexto é que às vezes depende mesmo do contexto.Imagine que aproxima-se uma atraente mulher, digamos, Heidi Klum (ou Charlotte Rampling, ou Sofia Loren, dependendo da geração) e com um sotaque que poderia subjetivamente ser definido de ‘abominável’…. Ora, o sotaque não importaria, não é? Nesse caso dá para subliminar qualquer sotaque!
Por isso, depende do contexto…
Abraços,
Ariel
ariel, como sempre voce tem razao. pera ai. eh isso mesmo que penso de mim.
conclusao: no contexto por voce citado sem margem de duvida concordamos e o paradoxo acima se resolve. ate porque o sotaque eh irrelevante nesse caso.
responder este comentário denunciar abusoCaro Carlos, exato! E, parafraseando o querido George Orwell, “todos os sotaques são iguais… mas alguns sotaques são mais iguais do que os outros”.
Boa noite!
Ariel
[...] dentre outras tantas coisas interessantes, sou fã mesmo, o blog todo merece ser desgustado: http://blogs.estadao.com.br/ariel-palacios/guerra-anglofobia-os-privilegiados-times-de-futebol-e-a-v... Respondo suas perguntas e arrisco que Dunga tem que tirar Kaká, como se eu lá entendesse [...]
Acerca de sotaques…cresci portenho com sotaque…soube mesmo que tinha sotaque forte quando fiz o serviço militar junto com pessoal de Córdoba…eles imitavam nosso sotaque e vi que era diferente. Os portenhos somos descendentes de Andaluzes e Calabreses, deles herdamos os modos e as gírias.
Considero Alberto Castillo, Edmundo Rivero e Julián Centella os sotaques típicos da velha Buenos Aires tangueira y mistonga. Aquela batata na boca dos “chetos” de Belgrano e Recoleta é comparada com os modos da moçada da Vila Madalena e Jardins, que fala muito diferente da moçada de Itaquera ou São Miguel. Chico Anysio soube identificar o sotaque dos brasileiros “refinados” fazendo Alberto Roberto…simpatia e humildade embelezam qualquer sotaque!
Ariel, parabéns, excelente texto, vc contou muito bem a história das rivalidades argentinas. Seus “posts” nos fazem estar em Buenos Aires. E, nos faz pensar em algumas coisas. A maioria aqui não sabe pq supostamente odeia a Argentina, prendem-se em chavões tão vagos que revelam profundo desconhecimento do outro, no caso os portenhos, acho , com um pouco de exagero, que o famigerado locutor Galvão Bueno insuflou além da conta essa rivalidade e muita gente sai por aí repetindo asneiras.
No mais, forte abraço!!
Mais um exemplo
http://www.lagaceta.com.ar/mundial2010/385298/Polemica_un_aviso_Brasil_insulta_argentinos.html
Caro Ariel, frequento a Scalabrini há uma década…que história interessante esta que vc conta sobre esta avenida ENOOOORMe. Quando fui fazer um curso de voseo na Argentina em 2005 fizemos um tour histórico pela cidade e fiquei impressionada com a influência britânica no país, tal qual como vc conta. Adorei a reportagem, sempre fiel á história ( que alguns poucos sabem) sobre o país. Muito bom que saibamos mais sobre nosso vizinhos. Acho que precisamos em Sao Paulo de um blog assim como seu, para revelar dados interessantes da grande influência de outras culturas na nossa história, como este de Bs. As. Um abraço e parabéns.
2012
2011
2010
2009