Duhalde, Eduardo, e o Duhalde virtual do telão. Discurso do ex-presidente em dezembro, no dia do lançamento de sua pré-candidatura. O ex-presidente é grande amigo do ex-presidente Lula.
“Tachuela” (Tachinha) é o apelido que os amigos e parentes usam para chamá-lo por causa de sua baixa estatura e ampla cabeça. Mas fora desse círculo, a denominação mais freqüente e carregada de menos sutilezas é “El Cabezón” (O Cabeção), característica que é a delícia dos chargistas argentinos. A presidente Cristina Kirchner costuma chamá-lo de “El Padrino” (O Padrinho), em alusão ao filme “The Godfather” (no Brasil, traduzido como ‘O poderoso chefão’) por suas suposta conexões com máfias. O alvo destas ironias é Eduardo Duhalde, caudilho peronista que foi prefeito de Lomas de Zamora, vice-presidente, governador da província de Buenos Aires, presidente provisório, padrinho político de Néstor Kirchner e posteriormente inimigo de seu ex-delfim e sua esposa e sucessora, a presidente Cristina.
Sua vida política – toda realizada dentro do partido Justicialista (Peronista) – começou como vereador em sua cidade natal, Lomas de Zamora. Em 1983 tornou-se prefeito desta cidade, uma das maiores da Grande Buenos Aires. Em 1988, o exótico governador da província de La Rioja, Carlos Menem, almejava a presidência do país, mas para isso precisava de um homem forte na Grande Buenos Aires que fosse seu vice. O homem escolhido foi Duhalde, e juntos, chegaram ao poder em 1989.
GOVERNADOR - Duhalde ocupou a vice-presidência até 1991, quando deu outro grande passo, o de tornar-se governador da província de Buenos Aires. Controlar essa província implica em influir intensamente nos destinos da Argentina, já que ali habita um terço da população do país. A província de Buenos Aires produz 36% do PIB argentino e conta com quase 40% do eleitorado nacional.
Entre 1994 e 1996 surgiram denúncias sobre supostas conexões de Duhalde com redes mafiosas. O assunto foi o centro de um livro, “El Otro” (O Outro), que foi best-seller no ano que foi lançado, 1996. O autor, Hernán López Echagüe, foi categórico sobre “El Cabezón”: “ele é uma má pessoa”.
Na ocasião Duhalde foi entrevistado sobre as denúncias no programa de auditório da apresentadora Susana Giménez. Sua resposta foi chorar ao vivo para milhões de telespectadores.
CANDIDATO PRESIDENCIAL – O surgimento das denúncias não reduziu em Duhalde a comichão de aspirar à presidência do país que quase todos os governadores bonaerenses sentem. Com esta comichão, em 1994 Duhalde preparava-se para ser candidato a presidente nas eleições de 1995.
No entanto, em 1994, Menem conseguiu a modificação da Constituição Nacional, o que permitiu sua reeleição. “El Turco”, como é chamado Menem, tentou acalmar a irritação de Duhalde, afirmando em 1999, “desta vez, sim”, o apoiaria para ocupar a Casa Rosada.
Mas no início de 1999, Menem começou a mobilizar-se para alterar a Constituição mais uma vez, com a intenção de ser reeleito pela segunda vez, esquecendo das promessas a Duhalde. Menem não conseguiu modificar a Carta Magna, mas sua aliança estratégica com seu antigo vice estava liquidada. Duhalde começou sua campanha eleitoral, sem apoio de Menem, que o sabotou constantemente.
Sua relação com “El Turco” sempre foi uma relação de amor e ódio. Segundo disse ao Estado biógrafa não-autorizada de Menem, Olga Wornat, Duhalde admirava Menem e se sentia inferior a ele.
“Gostaria de ser assim, como ele, extrovertido. Eu sou assim, sem carisma”, confessou na época Duhalde a Wornat.
Sem apoio do próprio chefe do peronismo na época, “El Cabezón” perdeu para Fernando De la Rúa. A derrota foi a pior infligida em uma eleição presidencial ao peronismo em toda sua História. Assessorado por uma enorme equipe comandada pelo marqueteiro brasileiro Duda Mendonça, Duhalde somente obteve 38% dos votos, enquanto que De la Rúa o esmagou com 48%. “Sabia que perderia desde o momento em que comecei a campanha”, disse Duhalde dias depois.
APOSENTADORIA - Alvo da chacota descarada de Menem, e arrasado pela derrota, Duhalde declarou na época: “voltarei à docência e reabrirei o escritório de advocacia”. No peronismo, ninguém aceita perdedores, e tudo indicava que Duhalde descansaria da vida política em sua chácara, onde teria vida de aposentado. Na época, o think tank Oscar Raúl Cardoso disse ao Estado: “duvido que ele se resignará a ficar em sua chácara”.
No ano seguinte Duhalde somente aparecia para realizar declarações ácidas sobre sua classe: “nós, políticos, somos todos uma m…”. Simultaneamente, nunca deixou de lado a vendetta pessoal com Menem, e comemorou a prisão de “El Turco” em junho de 2001, por suspeitas de ter chefiado uma organização mafiosa que teria realizado o contrabando de armas para o Equador e a Croácia entre 1991 e 1995. Duhalde destituiu Menem do comando do peronismo, e criou uma diretoria nova para o partido.
Depois disto, diante da decadência acelerada do governo De la Rúa, Duhalde entusiasmou-se, e candidatou-se ao senado. Em outubro de 2001, obteve uma vitória esmagadora sobre a União Cívica Radical (UCR), e elegeu-se senador.
Seu caminho ao “sillón de Rivadavia”, como é conhecida a cadeira presidencial, que havia sido longo e cheio de obstáculos, encurtou-se rapidamente.
Dois meses depois, quando o país estava mergulhado na maior crise financeira e social de sua História, foi chamado pelo Parlamento para transformar-se em presidente provisório.
PRESIDENTE, EMBORA PROVISÓRIO - Duhalde pilotou a Argentina no turbulento ano e meio que se seguiu, quando, após o “corralito” do governo do ex-presidente Fernando De la Rúa o país estava mergulhado no caos social (com 57% da população abaixo da linha da pobreza e 25% de desemprego). Analistas indicam que Duhalde foi um “bom piloto” na tempestade, e que outro presidente – com menos jogo de cintura – poderia ter colocado à pique o navio da Argentina, que já estava assaz inundado.
Originalmente, o plano da classe política na época era que Duhalde deveria concluir o mandato inacabado de De la Rúa. Mas, em meados de 2002, um protesto de piqueteiros na ponte Avellaneda – e o assassinato de dois militantes de esquerda, Maximiliano Kosteki e Darío Santillán, por parte da Polícia Federal – causou uma grave crise política e levou Duhalde a antecipar o fim de seu mandato em sete meses.
Desta forma, começou a procurar um sucessor presidencial. Tentou com o governador de Córdoba, José Manuel de la Sota, que não decolava nas pesquisas. Tentou com o governador de Santa Fe, Carlos Reutemann, que desistiu semanas depois de ser apresentado como candidato. Na procura desesperada, optou pelo desconhecido governador de Santa Cruz, Néstor Kirchner.
Em 2003 Duhalde colocou toda a máquina do Estado a favor de Kirchner para derrotar o rival Menem nas urnas. Duhalde, que havia iniciado uma sólida amizade com o presidente Lula, pediu a este que recebesse Kirchner em Brasília. No meio da campanha, para fortalecer o candidato do amigo, o presidente brasileiro (que possui boa imagem na Argentina) recebeu “El Pingüino” no Planalto.
Em maio daquele ano Kirchner tomou posse. Mas o novo presidente rapidamente se desfez de seu padrinho político. Nos primeiros dois anos, Kirchner atarefou-se em reduzir o poder de Duhalde, especialmente em Buenos Aires, cooptando seus antigos aliados.
Duhalde passa a Kirchner o bastão presidencial em 2003. Na época a classe política acreditava que Kirchner seria um “títere” de Duhalde. As coisas não foram tal como pareciam.
ENCURRALADO - Em 2005, a esposa de Duhalde, Hilda ‘Chiche’ de Duhalde, foi derrotada por Cristina Kirchner na disputa pelas vagas ao Senado. Duhalde, na época, era o presidente da Comissão de Representantes Permanentes do Mercosul, cargo onde cultivou uma relação de amizade com o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Tudo indicava que o poder de Duhalde – encurralado por Kirchner – estava finalmente arrasado e que não tinha outra alternativa a não ser a de presidir o Mercosul, dar conferência e tomar conta dos netos.
“Ele está esperando dar o bote… ele não tem pressa. É um jogador de xadrez. Ele sabe esperar”. Essa foi a frase que disse ao Estado um colaborador de Duhalde em 2006 para indicar que o ex-presidente não estava “aposentado” e que pretendia recuperar seu poder.
O RETORNO - Em 2008, com a crise da presidente Cristina Kirchner com o setor agrícola, Duhalde percebeu que sua chance de retornar à arena política estava voltando. Em 2009 organizou as fileiras dissidentes do peronismo. Em meados desse ano um de seus aliados, o empresário Francisco De Narváez, derrotou o próprio Kirchner nas eleições parlamentares na província de Buenos Aires.
Em dezembro de 2010 Duhalde anunciou sua pré-candidatura à presidência da República pelo peronismo dissidente. O modelo de país a copiar, segundo disse, “é o Brasil de Lula”. No mesmo mês uma série de protestos sociais abalaram o cenário político argentino. A presidente Cristina afirmou que “El Padrino” estava por trás dos incidentes. Duhalde, calejado, respondeu: “o atual governo me culpa de todos seus problemas”.
Os analistas indicam que Duhalde dificilmente poderia vencer uma eleição presidencial. Eles ressaltam que boa parte da população considera que ele foi o presidente adequado para o período da tempestade econômica de 2001-2002. Mas, apesar desse reconhecimento, não votariam nele para presidente em circunstâncias econômicas normais.
BRASIL – Em declarações ao jornal portenho “Perfil”, há poucas semanas, Duhalde elogiou o Brasil e criticou seus próprios compatriotas: “o Brasil possui uma visão estratégica. Há anos que estou dizendo ‘olhemos o Brasil’, desde antes que Lula chegasse ao poder. Vamos copiá-los. Eles não são ‘pelotudos’ (sinônimo de ‘boludo’, equivalente a “imbecil”)…Nós sim somos ‘pelotudos’ ”.
Duhalde está tentando convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a viajar para o balneário argentino de Mar del Plata em meados de janeiro para prestigiar o lançamento de seu livro “De Thomas Moore à fome zero”, sobre políticas públicas. O livro de Duhalde conta com um prólogo de Lula.
MAIÔ FLORIDO - Descendente de bascos franceses, Duhalde nasceu em 1941 na cidade de Lomas de Zamora, na Grande Buenos Aires. Sua mãe, uma simpatizante da UCR, nunca votou nos peronistas.
De família modesta, na juventude trabalhava como salva-vidas em um clube para poder pagar seus estudos. Na piscina, conheceu a miúda e pertinaz Hilde “Chiche” Duhalde, sua futura esposa. O encontro foi peculiar. Ostentando um maiô florido, para atrair sua atenção, “Chiche” fingiu que se afogava. Ela nega essa versão, mas Duhalde a confirma com um sorriso matreiro.
Homem caseiro, torcedor do pouco expressivo “Banfield”, Duhalde e Chiche conseguiram formar a imagem de uma católica família pacata de cinco filhos. No entanto, a imagem bucólica do casal Duhalde foi perturbada com freqüência por denúncias de corrupção e de tráfico de drogas em seu entourage.
Além disso, sobraram críticas para Chiche, que durante o governo de seu marido na província de Buenos Aires, criou uma imensa estrutura de assistencialismo social, que controlava com mão de ferro.
Emulando Evita Perón, Chiche controlou durante quase uma década verbas anuais de US$ 250 milhões e uma rede de 25 mil colaboradoras, as “manzaneras”, que distribuíam comida nas áreas mais pobres da Grande Buenos Aires.
Na década seguinte o governo Kirchner – por intermédio da irmã de Néstor Kirchner, a ministra Alicia Kirchner – montaria outra estrutura assistencialista com os mesmos objetivos políticos nessa conturbada área do país.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Ariel, acho que o Eduardo Duhalde vai quebrar a cara novamente. Pois embora tenho uma base política muito forte, as suas ligações verdadeiras ou nâo o condenam e os outros candidatos vão usar e abusar, e a Argentina é o país do faz de conta que é o honesto.
Não que o Brasil seja diferente….. temos os nossos mafiosos-corruptos- egoístas porém Duhalde é carta marcada. Mas pelo jeito ele vai investir pesado para chegar.
[...] This post was mentioned on Twitter by elcriticojd, Ariel Palacios. Ariel Palacios said: Ano eleitoral:Perfis ds presidenciáveis argentinos,parte 3.Hoje,o ex-presidente Duhalde,q espera a volta ao poder http://migre.me/3s6dj [...]
Caro Ariel Palácios, eu li por indicação de um amigo um artigo de Mary Anastasia O’Grady, no Wall Street Journal do dia 3 de janeiro de 2011, na qual trata do Centro de Estudos fundado por Victória Villarruel para preservação da memória sobre vítimas de grupos de esquerda nas décadas de 60 e 70. Eu gostaria que você nos contasse mais sobre isso, por exemplo, é verdade que existe esse centro? Se sim, como os políticos de esquerda no controle do poder permitem? Os argentinos sabem da existência desse centro? Enfim, há candidatura de “direita” nestas eleições?
Ariel,
1- (desculpando antecipadamente pela ignorancia) quando haverá as eleições argentinas? aí tem 2º turno?
2- já houve alguma pesquisa crível? se positivo, dê nos a parcial
obrigado
Caro Ariel,
Interessante saber que é um descendente de origem francesa! Por onde sei, não tem muitos a descendência francesa aqui na América do Sul.
Bom, ao menos ele já conseguiu chegar ao tão sonhado “sillón de Rivadavia” mesmo que tenha durado em tão curto tempo em um momento tão oportuno durante a crise naquela epóca e soube conduzir muito bem em contornar dessa situação.
Talvez ele nunca tenha se imaginado que ao apadrinhar os Kirchner, seria traído tão rapidamente como o Menem também traiu ao não cumprir o “combinado” que a próxima sucessão seria ele.
Nem sabia que ele admira muito ao Lula! Talvez admire mais que a Kirchner. Talvez copiar um pouco o que o Brasil seja o caminho para crescer economicamente mas isso já é outra história…
Abraços.
Ariel:
Você acabou com as minhas ilusões sobre a gordinha Carrió, e confirmou minhas suspeitas sobre o baixinho Duhalde. Espero que o próximo presidenciavel a aparecer no blog seja um pouquinho mais digno do Sillón de Rivadavia. Se todos os candidatos forem como os dois primeiros, a Argentina terá um futuro assaz interessante, no sentido que os chineses dão ao termo.
PS: Para não ser xingado de preconceituoso, informo que sou baixinho e gordinho.
ARIEL: Duhalde e seu curriculum é um qualificado candidato à sucessão de C.Kirchner, tendo a vantagem de ser peronista. Em minha estada na Argentina, na década de 90, conheci pessoalmente Duhalde, o qual acompanhou Menem na inauguração de uma fábrica na qual trabalhei. Naquele evento, ambos desdobraram-se em elogios ao Brasil, pedindo aos empresários presentes que focassem o Brasil
como fonte de parcerias sólidas. Ambos, Menem e Duhalde, além de aliados, brilhavam devido ao famoso plano Cavallo de convertibilidade(1 peso= l dólar).
Agora, porém, Duhalde querer usar o Brasil como paradigma, me parece um pouco
temerário, pois os problemas estruturais da Argentina são muito diferentes dos nossos e requerem estratégias/planos específicos. Que ele tenha êxito na sua campanha, entretanto assim como Elisa Carrió, terá ele como vencer o rolo compressor da atual Presidenta?
Segundo um amigo argentino, o Duhalde é mesmo mafioso. Ele diz que o Duhalde é o grande distribuidor de droga do subúrbio bonairense. Caro Ariel, isto é verdade?
Abraço
Marisa
Caro Catarina, é bem provável que Duhalde quebre a cara se for candidato. Eu, pessoalmente, suspeito que ele não será candidato e que fará cena até pouco antes das eleições, momento no qual despontaria como “coordenador” da campanha de outro candidato. Ele é bom nessas coisas de “armar” acordos. Duhalde aprendeu muito das mancadas estratégicas do passado….
Caro Dinarzad, tudo bem? Pois é, eu vi o texto também. Fiquei surpreso, pois ela pegou um enfoque totalmente parcial, e a fonte de informaçao [e uma pessoa que não tem peso de verdade no país, como é o caso da Victoria Villarruel (que até pode ser boa pessoa…mas não possui prestígio algum).
Mas, como volta e meia ocorre com os especialistas americanos na região (com excelentes exceções, como Tony Faiola, correspondente aqui do Washington Post na virada do século), eles não possuem uma imagem completa dos assuntos. Lembra que o Larry Rother, do New York Times escreveu que existia um “movimento separacionista” na Patagônia? Um delírio total..
Não existe um “tabu” sobre o assunto do jeito que ela diz…é que o assunto não desperta interesse na população. Talvez porque a quantidade de mortos provocados pela guerrilha seja muito menor, ou talvez porque as torturas em grande escala ocorreram do lado militar… sabe-se lá!
E, além disso, os próprios parentes dos mortos da guerrilha (que não passam de 900, segundo o próprio exército disse em 1982… e alguns desses, suspeita-se, foram mortos pelos próprios militares em brigas internas e que depois colocaram a culpa na guerrilha) não entraram praticamente com processos na Justiça. Nem agora, nem nos anos 90 nem nos anos 80, época na qual as Forças Armadas possuiam grande peso ainda.
Existe apenas um punhado de casos de pessoas que entraram na Justiça para exigir punição dos terroristas. São processos que estão correndo.
Mas, acontece que colocar os ex-guerrilheiros no banco dos réus seria impossível, já que a imensa maioria dos responsáveis foi assassinada durante a ditadura.
No governo atual não existem pessoas que tenham feito parte da guerrilha. Existem pessoas que participaram de grupos civis da peculiar esquerda peronista…mas ninguém atualmente no gabinete ministerial (ou secretarias de peso) que tenha participado de ataques armados.
No governo Menem, por incrível que pareça, havia mais ex-integrantes da guerrilha montonera do que no atual!
E atualmente existe uma certa revisão da História daquela época… e nesse novo enfoque, tanto os militares como a guerrilha são criticados.
Outra coisa que a direita costuma fazer é exagerar o tamanho da guerrilha de esquerda (coisa que a esquerda também faz, para parecer, históricamente, mais importante…).
A direita costuma dizer que na época havia uma “guerra civil”. Mas, a realidade é que na prática a guerrilha não controlava nenhuma cidade.
A maior presença da guerrilha, que foi debelada majoritariamente antes do golpe, em 1975, foi em Tucumán. Os guerrilheiros ocupavam uma minúscula porção da província…uma província que só possui 1% do território argentino.
Logo, se ocupavam uma pequena porção de 1%, para mim não é guerra civil…É frescura ou histeria. Para mim, guerra civil é a do Líbano, a da Secessão, a espanhola, a da Nicarágua, etc.
Caro Adalberto, as eleições presidenciais serão em meados de outubro. Mas, as eleições para prefeito portenho serão antes, talvez em junho ou julho. A data ainda não está marcada.
No entanto, existem várias províncias que poderiam fazer as eleições para governador antes…
Pesquisas sérias, de centros de opinião pública que costumam acertar nas previsões? Ultimamente, nenhuma. Uma pena.
Caro Dr Sallere, é um descendente de bascos franceses…mas há vários na Argentina.
Pois é. Acho que Duhalde não achou mesmo que Kirchner ia deixá-lo na mão tão rapidamente. Duhalde foi bastante ingênuo (acho que não é mais)… e Kirchner foi uma raposa. Kirchner não somente encolheu o poder de Duhalde como terminou de destruir o resto de poder do Menem (embora este agora seja aliado da presidente Cristina… coisas da política).
Caro Luiz, tá difícil ver um candidato do governo ou da oposição que seja sensato…é mais fácil ver um chester vivo, como diz um amigo meu do Estadão…
Caro Laerte, é difícil enfrentar o aparato que o casal Kirchner armou nos últimos anos. E, levando em conta a divisão da oposição, as chances para o governo melhoram….o cenário é de total incertezas! Por enquanto, pelo menos.
Cara Marisa, boa pergunta! Em meados dos anos 90 surgiram muitas denúncias sobre isso, tal como comentei na postagem. Mas, desde a virada do século não se falou muito mais no assunto. Inclusive, durante o governo Kirchner – inimigo de Duhalde – não houve movimento na Justiça sobre esses assuntos…
Abraços a todos,
Ariel
Olá Ariel. Tudo Bem?
Muito legal a série sobre os candidatos a presidente que são da oposição. Se eu fosse argentino, com certeza me absteria de votar. A Elisa Carrió é honesta e tem boas intenções, mas isso não é suficiente diante da podreira que é a politica da Argentina. O Duhalde, pelo visto, é um “duas caras” tipico da política argentina. A minha expectativa agora é ver o que você Ariel tem a dizer dos outros candidatos a presidente (é o caso, ao que me parece, do prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri).
Abraços
Telmo
Aiel , o cara perdeu bastante poder , mas cuidado q e um politico de raça e pode virar o jogo em qqer momento.
Obvio q não votaria nele , alias en ninguno dos q podem chegar a ser candidatos.
E agora temos outro q acho q nem vale a pena mencionar no seu blog q e Ernesto Sanz , e continuam dividindo ao inves de juntar forças.
Abrazo
Duhalde é um mafioso/corruputo/golpista. E o PJ é desprezível.
Caro Telmo, pois é, o menu de candidatos governistas e da oposição leva muitas pessoas à abstenção ou ao voto em branco. Nas eleições parlamentares de 2009, do total de 28,7 milhões de eleitores 17,6 milhões compareceram às urnas. Os restantes 10,2 milhões de eleitores abstiveram-se de votar ou optaram pelos votos brancos ou nulos.
Caro Andrés, sim, ele perdeu poder mas pode virar a mesa a qualquer momento. Mas, acho mesmo que ele poderia virar a mesa respaldando outra pessoa (e não apresentando-se como candidato). Neste domingo colocarei a postagem sobre o Cobos. Depois sobre o Alfonsín filho e o Sanz (que embora esteja começando a aparecer, é um nome a levar em conta… no fim das contas, Néstor Kirchner também era um joão-ninguém em janeiro de 2003! E Menem, em 1989, parecia uma coisa “pitoresca”…..Aqui, nunca se sabe!). E tem razão, a oposição, em vez de concentrar forças, parece que cada vez se divide mais!
Caro João, algumas denúncias reforçam sua avaliação.
Abraços a todos,
Ariel
[...] Duhalde, o 'padrinho' – amigo de Lula – que espera a volta ao … [...]
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