ir para o conteúdo
 • 

Ariel Palacios

08.agosto.2009 19:20:17

Dois deuses do Olimpo dos cartuns argentinos

Em 1996 estive atrás do cartunista Quino para tentar uma entrevista. Quino passava na época metade do ano na Europa, onde morava, e a outra metade na Argentina (entre Buenos Aires e Mendoza, visitando os parentes e amigos). Comecei a ligar para Quino no primeiro mês em que estava aqui. Quino, polido, mas tímido, sempre me indicava que não tinha tempo por um motivo ou outro. Depois de cinco meses tentando, deixei de telefonar. Nesse intervalo, também havia pedido uma entrevista com o cartunista Roberto Fontanarrosa, muito popular na Argentina, embora pouco conhecido no Brasil.
Fontanarrosa, que morava em Rosario, teria que viajar para Córdoba. Mas, por incrível que pareça, a segunda e a terceira maior cidade do país não estavam conectadas por um voo direto, fato que o levaria a passar pelo aeroporto metropolitano de Buenos Aires, o Aeroparque Jorge Newbery. Algo como ir de Belo Horizonte à Brasília, fazendo escala em São Paulo.
Fontanarrosa me disse que poderia me conceder a entrevista durante a brevíssima escala que faria no Aeroparque.
Fui ao Aeroparque…e ali encontrei Quino!

q22
Joaquín Lavado, desenhado por Quino

f2d
E este é Fontanarrosa, de barba, no meio, acompanhado de seus personagens. Inodoro Pereyra, el gaucho, à esquerda, e Boogie, o detetive sem sutilezas, à direita. Retratado pelo próprio Fontanarrosa

Há dias eu queria postar no blog esta entrevista, já que no dia 19 de julho completaram-se dois anos do falecimento de Fontanarrosa.
Esta foi a entrevista, publicada em 1996.

23d “Quino é Deus, Mafalda é sua profeta”, poderiam dizer os fãs dos cartuns argentinos. Depois de semanas assediando Deus por telefone, o Estado o encontrou por acaso no aeroporto de Buenos Aires. Deus, aliás, Joaquin Lavado, aliás Quino, folheava sem pressa uma revista numa banca do hall. O enviado do Estado pensou que o arredio Quino recusaria uma entrevista improvisada e somente perguntou se havia visto Roberto Fontanarrosa, com quem havia marcado uma entrevista no aeroporto, enquanto esperava uma conexão aérea.
Fontanarrosa, é outro deus do Olimpo argentino dos Cartunistas, mas cujo profeta, pouco conhecido no Brasil, chama-se Inodoro Pereyra. O pai de Mafalda disse com um amplo e generoso sorriso: “Viajo junto com ele. Você queria me entrevistar há tempo, não? Então vamos fazer a entrevista todos juntos, que acha?”. Não se discute a voz de Deus.
Fontanarrosa viajava junto com su esposa Liliana e Quino para um encontro de cartunistas em Córdoba. Autor de ‘Inodoro Pereyra’, um “gaucho” que explica suas malandragens com inesperados jogos de palavras, Fontanarrosa é também o desenhista de ‘Boogie’, um cínico detetive ao melhor estilo de Humphrey Bogart. Em 45 minutos, os dois papas do cartum argentino explicaram ao Estado o que pensam sobre o humor, suas criações e algo fundamental: os tamanhos dos balões das tirinhas.

Estado – O sr. está desenhando de forma mais sintética. Isso é intencional?

Quino - Sim. Sempre quis desenhar de forma mais simples. Quando desenho começo a fazer o cadarço dos sapatos, as unhazinhas…E quando percebo, é um desenho complicadíssimo. Por isso tento simplificar ao máximo, mas nem sempre consigo. A complicação é uma tendência natural que tenho. Talvez porque seja filho de andaluzes, que por sua vez têm influência árabe: os arabescos, o Alhambra e tudo o mais. Deve ser genético (faz cara de espanto)…

Estado – Falando em gens e clones…Como foi encontrar-se com um robô com seu rosto na Expo de Sevilha, em 1992?

Quino - Fizeram uma mostra enorme da Mafalda. Havia um robô com minha imagem sentado em uma mesa de desenho. Ele falava e dizia: “Oi, sou Quino, tudo bem?”. Era impressionante, estar diante de um robô com minha cara. Ainda mais quando lembro que ele continua na Espanha, em uma caixa! Penso às vezes que ele sairá do ataúde e estrangulará alguém (ri).

Estado – A fama o angustia?

Quino - Não, pois não tenho uma cara conhecida. Posso caminhar pela rua incógnito. A não ser como agora, que junto com o Fontanarrosa vou para um evento de caricaturistas, onde as pessoas pedem que lhe dedique um desenhinho, perguntam porquê parei de fazer a Mafalda…

Estado – Essa seria minha próxima pergunta…

Quino - Comecei Mafalda em 1963 e terminei em 1973. Estava muito cansado. Repetia-me muito. Achei mais honesto parar. Não repetir-me era um esforço tão grande que não valia a pena. Para mim era uma historinha que entregava e publicavam. Nunca achei que 23 anos depois viraria o que virou, com sucessivas reedições e que as crianças gostariam. Não havia pensado nelas quando desenhava Mafalda. Com a expansão da TV elas tem a mesma informação que os adultos. Mas quando as novas gerações vejam que na Mafalda não há computadores, começarão a abandoná-la.

Estado – Identifica-se com algum personagem?

Quino - É inevitável, ao desenhar, reproduzir os movimentos que sente em seu corpo. Sou mais parecido ao Felipe e Miguelito. Bem, eles saíram de mim…

Estado – Por quê não há avós na Mafalda?

Quino - Sabe que nunca pensei nisso?…Aí estão eles! (chega o casal Fontanarrosa e todos sentam-se no bar do aeroporto)

Estado – Por quem foi influenciado?

Quino - Quando era criança, por Lino Palacios e Di Vito. Aos 18 anos, caiu em minhas mãos um “Paris Match” e aí fui influenciado por Bosch e Chaval. Acho que eles tiveram muita influência no Brasil também, pois nota-se isso em Borjalo. Ziraldo, todos nós, começamos juntos. Eu o conheci quando fui de ônibus ao Rio de Janeiro em 1960, de lua-de-mel com minha esposa. Desde então nos encontramos quase todos os anos.

Fontanarrosa - Conheço pouco do humor brasileiro. Faz tempo que não se vê material do Brasil por aqui.

Quino - Tem razão. Nem eu.

Fontanarrosa - Citaria Jaguar, Henfil, Emílio Fernandes, Edgar Vasques…

Quino - Posso ir a pé daqui ao outro lado do mundo e no meio do caminho sempre encontro o Ziraldo…

Estado – É muito diferente o humor brasileiro do argentino?

Quino - Lembra quando caiu o avião do time do Uruguai nos Andes nos anos 70s? O Pasquim fez um suplemento especial com piadas de um humor tão negro…nenhum de nós teria tido coragem para fazer algo assim (ri).

Estado – O humor argentino é muito psicanalítico?

Quino – Talvez o “Matias” de Sendra…

Fontanarrosa - É difícil englobar tudo. Como tema, talvez. Mas não ideologicamente psicanalítico…

inodoro1
O gaucho Inodoro Pereyra e seu cão Mendieta

Estado – O humor argentino seria mais literário que o europeu?

Quino - Humm…deixe pedir uma cerveja primeiro (Fontanarrosa e a esposa pedem chá)

Fontanarrosa - O cartunista espanhol Peridis diz que nós trabalhamos muito o desenho. Eles fazem um desenho rápido…Mas é arriscado rotular o humor argentino assim.

Quino - Como também o europeu. O humor espanhol é muito diferente do italiano. O espanhol é muito direto. O outro é mais sinuoso. Por exemplo, um desenho que vi em Milão, há pouco: um velhinho todo estropiado que diz “eu bebo porque meu filho se droga” (ri). Ou uma velhinha que olha o netinho da outra e pergunta “Que bonitinho. Já mente?” (riem todos).

Estado – Há quanto tempo mora em Milão?

Quino - Há 20 anos. Mas nos últimos 17 anos passo 4 meses lá e 8 aqui.

Estado – Seu humor mudou nesse período milanês?

Quino - Eu mesmo não percebo. Tento fazer com elementos que não sejam muito locais da Argentina. Na Itália há muita sátira política. O mesmo que é feito na Argentina pela revista “Humor”. São caricaturas de personagens conhecidos. Eu nunca gostei…porque não sei fazer caricaturas (ri). Gosto de fazer um humor que perdure no tempo.

picassoquini
Charge de Quino, no livro “Ni arte ni parte”

Estado – Inodoro Pereyra seria muito regional?

Fontanarrosa - Regional, sim, mas não por ser um gaucho, mas pela linguagem, que está muito deformada, e onde aparecem os regionalismos. Com exceção do Uruguai, não é publicado em fora da Argentina. É intraduzível.

Estado – Mas “Boogie, el aceitoso” (que seria algo como “Boogie, o escorregadio”), sim…

Fontanarrosa - Porque é um castelhano neutro, como se fosse a tradução de uma tirinha dos EUA.

Quino - É como “O menino maluquinho” virar “El niño piola”. Não dá para traduzir!

Fontanarrosa - Esse aspecto das traduções é muito complexo. O mesmo personagem tem uma recepção diferente na Europa do que na América Latina. A leitura é diferente.

boogie
Boogie, o detetive criado por Fontanarrosa, capaz de matar uma mosca com uma bazuca

Estado – Os chineses estão fazendo CDs piratas há anos. Agora estão pirateando Mafalda. O sr. já é parte indissociável da aldeia global…

Quino – (ri) Não sei como interpretar. Vi algumas traduções em francês e alemão…mas em chinês!

Estado – O sr. pensou em dedicar-se à literatura, como Fontanarrosa?

Quino - (Fontanarrosa ri e sussurra “está fazendo uma biografia”, enquanto Quino fala) Não, não. Tenho problemas de redação, com os acentos…

Estado – Como foi quando em uma conferência de Jorge Luis Borges, o sr. levantou-se e perguntou se o verbo “aguaitar” tinha …

Quino - …Se não tinha a ver com “To wait”, e me disse que não (ri). E evidentemente sim, tinha! Comprei um dicionário etimológico e vi que existe “aguate”, no italiano, e em catalão há um similar. Na minha província, Mendoza, existe o verbo “aguaitar”, no sentido de espiar. Não exatamente no sentido de “esperar”.

Estado – Sua incursão na literatura começou antes dos cartuns?

Fontanarrosa - Foi um pouco simultâneo. O gosto pela literatura começa com os quadrinhos, depois passa aos livros. O que sempre tentei de escrever são as coisas que gostaria ler. Escrevia coisas pequenas. Imaginava que meu gosto por escrever estava saciado com os diálogos das tirinhas. Depois vi que não era assim, e que não havia um limite no conto, ao contrário do cartum, limitado pelo tempo, espaço…O texto deve ser reduzido ao mínimo. Sempre tenho problemas para reduzir o texto de Inodoro Pereyra. Rezo para que o leitor faça um esforço e comece. Eu sou muito preguiçoso para ler. Há uns balões imensos em minhas tirinhas. Se fosse ler algo meu, nem começava. As pessoas leem as piadas nos jornais porque são curtinhas.

Quino - Eu até me assusto com Asterix…

Estado – Para vocês, a inspiração é um parto?

Fontanarrosa - (ri) Há coisas que aparecem mais facilmente do que outras. Mas deve-se a agentes externos. Agora começaram a aparecer casos de descobertas de fósseis de dinossauros na Patagônia. Talvez tome esse tema.

Quino - O problema não é pegar um tema…é solucioná-lo!

Estado – Mas o sr. não tem personagens definidos, e Fontanarrosa, sim. Isso não dá mais liberdade a um e complica mais a resolução de outro?

Fontanarrosa - Podem aparecer personagens subalternos, mas o difícil mesmo é resolver situações complicadas.

Estado – O sr. agora debuta no mundo do cinema, com a produtora brasileira Flávia Moraes…

Fontanarrosa - Houve adaptações de contos meus para o teatro. A Flávia achou que um conto meu serviria cinematograficamente, mas não são textos feitos com intenções de virar cinema. O filme da Flávia será como estes bons e velhos filmes italianos, onde são contadas quatro histórias diferentes.

Quino - Coisas minhas feitas com atores ficaram tão diferentes…eram adaptações de piadas sobre a morte. Sem ter visto a historinha antes, não se entendia…

quinoporco
Quino, do livro “A boa mesa”, onde ironiza a vida dos chefs e restaurantes

Estado – Gostou dos seus desenhos com a animação feita em Cuba?

Quino - Sim, mas havia desenhos que eu avisava, “isto ficará incompreensível”. E acontecia.

Estado – O sr. havia pensado vários finais para a Mafalda. Em um deles a matava (Quino esbugalha os olhos e ri)…é o que se fala por aí. É o normal com todo mito e sua morte: Gardel, o Che Guevara…

Quino - Disseram que eu tinha desenhado uma cena em que ela é atropelada por um caminhão da polícia…Mas eu mesmo desenhei uma em que ela tirava a roupa e via-se que ela era um menino. É só um esboço, que guardei para mim (ri)…

Fontanarrosa – Isso é uma crueldade…

Estado – Ressuscitaria Mafalda?

Quino - Não sei. Não sei…

Fontanarrosa – Nunca deve-se fechar a porta…Mas isso implica em um compromisso de continuidade.

lavado
Quino desenha em Paris. Para ver o artigo sobre o desenhista na Wikipedia, este é o link: http://es.wikipedia.org/wiki/Quino

Estado – O personagem de Inodoro Pereyra mudou muito?

Quino – (interrompendo Fontanarrosa) Nossa, como mudou. Na última página que fiz até o coloquei.

Fontanarrosa - Como é??

Quino – É um cartum onde há um filho de nazistas que não cresceu como os pais queriam. A mãe costura suásticas na roupa e no quarto do garoto há um pôster do Inodoro Pereyra (riem).

Fontanarrosa - Mudou muito porque era um gaucho de uma historinha avulsa. Quando pensei em continuá-lo, foi modificando-se. Mas isso acontece com todos e não é uma mudança que percebamos.

Quino – É como uma assinatura, muda com os anos.

Estado – A proporção dos desenhos de Quino parece que vai ficando menor…

Fontanarrosa - Inodoro também. Foi ficando mais cabeçudo. Os quadrinhos ficam menores. E o maior ponto de expressão é a cara. E se ela é muito pequena, é difícil enxergar. Mas essas mudanças nunca são abruptas.

font1
Roberto Fontanarrosa faleceu no dia 19 de julho de 2007

Estado – Hoje sentem-se influenciados por outros desenhistas, que provoquem mudanças ou ideias novas?

Fontanarrosa - Hoje é só olhar o trabalho dos outros. Às vezes acontece “algo” sem querer…temos vários desenhistas incorporados.

Quino - Não. Mas tenho colocado alguns personagens pequeninos que são decorrentes de uma exposição que vi de Chagall. Chamou-se a atenção de como esse sujeito fazia homens pequenininhos ao lado de homens grandes. Tinha vontade de fazer coisas assim. Outra coisa é que eu não sei usar o espaço em branco. Morro de inveja de quem sabe.

Fontanarrosa – Nós não somos grandes desenhistas. No máximo somos desenhistas “corretos”. Grande é Hermenegildo Sábat.

Estado – A sra. dá opiniões sobre os desenhos de seu marido?

Liliana - Nunca vejo o que ele faz (sorri). Só quando sai publicado.

Fontanarrosa - Preciso de um estúdio longe de casa.

Quino - Quando desenho e entra alguém no escritório, seja a minha esposa Alicia, ou não, imediatamente cubro o desenho com as mãos.

padere
Charge de Fontanarrosa, na qual um padre é entrevistado sobre a tensa relação Igreja-governo

Estado – O sr. era parecido à Mafalda, quando era pequeno, mentalmente falando?

Quino - Acho que não. Falava pouquíssimo.

Fontanarrosa - É um denominador comum dos desenhistas…

Estado – Dá para viver bem como cartunista?

Fontanarrosa – Considero que sim. E porque faço algo que gosto.

Estado – Quando terminam de desenhar dão um gargalhada do que fizeram?

Quino - Agora não. Antes sim. Sempre rio de um desenho dos anos 60s, onde há uma orquestra e um músico que corre desesperado atrás de seu imenso tambor que rola em direção à plateia.

Fontanarrosa – Eu sinto tranquilidade quando faço uma boa piada. No máximo uma risadinha. Em geral se faz o que é de rotina, dentro de determinado nível.

Quino – E outras coisas que a gente entrega com muita vergonha…

Fontanarrosa - Às vezes, procurando material em arquivo, digo, “esta é um boa piada”. Mas parece que fosse de outro. E lamento porque não faço piadas tão boas mais frequentemente…

Quino - Joan Manuel Serrat, o cantor catalão, diz: “aquelas canções que fazia no começo…porque diabos não me acontecem mais?” (riem todos)

quinocuinhetra
Quino

inod
E Fontanarrosa

vinheta2 Bom fim de semana a todos!

………………………………………………………….
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como back ground antropológico).
Todos os comentários devem ter relação com o tema da postagem.
E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.

Comentários (24)| Comente!

24 Comentários Comente também
  • 08/08/2009 - 23:01
    Enviado por: DrSallere

    Muito bom essa entrevista Ariel.

    Do Quino, eu já tinha ouvido falado! Do Fontanarrosa eu nunca ouvi falar….

    Pelo visto, os dois tem um bom senso de humor daquele que o papo fica gostoso e perde noção do tempo!

    Com certeza, você fez essa entrevista com muito prazer e ainda mais com dois grandes cartunistas argentinos e isso não é pra qualquer um consegue essa façanha!!!

    Parabéns.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 08/08/2009 - 23:42
    Enviado por: carlos 3m

    acho mafalda algo genial em retratar algumas das nuances da natureza humana atraves do comportamento de criancas, o que a torna atemporal. foi gerada no periodo de ouro dos anos 60. salvando as devidas distancias, seria como um seinfeld no papel.

    nao consigo explicar, mas nao tenho a mesma opiniao do inodoro e boogie.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 00:12
    Enviado por: Yoko

    Caramba, Ariel! É como entrevistar Henfil e Jaguar (ou Millôr ou Ziraldo) ao mesmo tempo!

    Li Bordalo e fiquei fazendo as contas. Reli e vi que era Borjalo, e daí entendi…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 03:40
    Enviado por: Adriana Moreira

    Que ótima ideia republicar essa genial entrevista, Ariel! Sou fã do Quino e vou procurar material do Fontanarrosa tbm. Parabéns pelo material (e pela sorte – sensacional ter encontrado Quino por acaso)

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 09:37
    Enviado por: Heraldo Botelho

    Parabéns e obrigado, Ariel!
    É uma entrevista para se guardar com carinho – para mim, os dois maiores cartunistas do mundo. Já gostava de Quino antes de haver morado na Argentina, e lá conhecí o Inodoro Pereyra, que me deu muitos momentos de alegria.
    Parabéns também pela maneira como os entrevistou – ao contrário de muitos, que procuram aparecer mais do que os entrevistados (está cheio de gente assim!), você foi alimentando a conversa com pequenos toques, e deixando que eles se apresentassem com naturalidade.
    É para guardar, dentro de um livro do Quino (porque são grandes)!
    Muito obrigado e bom fim de semana!
    Heraldo

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 10:02
    Enviado por: Luiz Bertotti

    Grande entrevista com dois gênios do traço.
    Conheci o Fontanarrosa durante um encontro de cartunistas brasileiros e argentinos no Memorial da América Latina, em 1991. Feras como ele, Caloi, Tabaré, Sábat, irmãos Caruso, Jaguar, Millor… Na capa do catálogo Maradona e Pelé disputavam uma dividida pelo alto. Meu exemplar tem autógrafo do Fontanarrosa e um desenho do cãozinho Mendieta. Coisa para se guardar pelo resto da vida.
    Já que o tema é humor, cadê aquela postagem sobre a cordobesa Hortensia? Foi na revista do Cognini que vi pela primeira vez Inodoro e Boogie. Do coração da Argentina, uma publicação de nível mundial!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 10:22
    Enviado por: arielpalacios

    Caro Dr. Sallere, obrigado pelo comentário!
    Foi mesmo uma delícia a conversa com os dois grandes desenhistas. E lembro que enquanto Quino tomava cerveja e os Fontanarrosa chá, algum dos dois comia um ‘sandwich de miga’!

    Caro Carlos, muito boa a comparação com Seinfeld!

    Cara Yoko, pois é, teria sido equivalente a ter na mesma mesa, conversando informalmente, tal como você diz, Henfil e Ziraldo!

    Cara Adriana, por incrível que pareça, a revista dominical do Clarín tem na capa hoje a notícia da produção de um filme no qual juntam o personagem Boogie, do Fontanarrosa, com o casal de atores Pablo Echarri e Nanci Dupláa. Não li a matéria ainda, mas, pelo visto, deve ser interessante.

    Caro Heraldo, muito obrigado pelo elogio. Fico lisonjeado!!!

    Caro Luiz, o desenho do Mendieta é para guardar a sete chaves!!!
    Devo a postagem sobre a Hortensia, não nego!
    Foi ali também que vi pela primeira vez o Inodoro Pereyra, quando ainda tinha os traços menos arredondados…e enfrentava o demônio!!!

    Bom domingo a todos!
    Vou descer e comprar umas ‘medialunas’ para um dominical café da manhã atrasado!
    Abraços,
    Ariel

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 11:00
    Enviado por: Jorge Trimboli

    Ariel, amei a reportagem. Acabo de lêr no café da manhã do domingo e enquanto assentado, viajei por Buenos Aires de 1970, onde cresci. Lembrei das bancas onde meu pai comprava Mafalda e outros gibis para mim. Rejuveneci lendo este post.
    Viva Inodoro! Viva Mafalda!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 12:05
    Enviado por: Marcelo Luis Ceva

    Hola. Sou Argentino e moro no Brasil. O reportagem me emociono ate as lagrimas. Tanta saudades da epoca de crianca…

    Lei Mafalda por lo menos 10 veces cada libro, sempre aprendia alguma coisa.

    A pesar do tempo e da distancia muitas historias de Maflada seguem sendo validas ainda hoje.

    Parece uma reportagem tipico de bar Argentino.

    Fontanarrosa sem duvida era mais nacional. Mas local, mais do “interior” Outro genio.

    Obrigado

    Marcelo

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 12:17
    Enviado por: Moacir Schmidt

    Adorei a reportagem. Sou fã da Mafalda há anos. Mas senti falta da pergunta óbvia: “Será que o momento atual da America Latina não merece uma volta da Mafalda?”

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 12:35
    Enviado por: Felipe

    Caro Ariel:

    fantástica a entrevista. Tão diferente quando o jornalista é preparado, conhece a vida dos entrevistados… Um prazer de ler.

    Abraços, F.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 21:47
    Enviado por: carlos 3m

    ariel, realmente sua entrevista parece um fato astrologico, se eu acreditasse nisso, tipo cruzamento nos ceus de dois objetos.

    voce foi muito feliz nessa entrevista, e confirma a regra que embora houve o imprevisto seu esforco ajudou a que a sorte o ajudasse a entrevistar em exclusiva estas duas grandes figuras do cartoon.

    como tudo indica que voce tem anos de “cancha” no jornalismo,quem sabe poderia nos contar confidencialmente, quais voce considera sua (s) melhor (es) entrevista (s) ? fica combinado que nos nao vamos contar a ninguem.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 22:50
    Enviado por: SôRamires

    Hoje vi seu novo texto e ao perceber o assunto não quis ler imediatamente. Guardei para degustar calmamente como um chocolate.
    Sou apaixonada pelo Don Inodoro (só esse nome já é um tesouro), seu modo de falar, as besteiras que afirma com toda convicção e os comentários do Mendieta. Aliás no dia seguinte à morte do seu criador saiu uma charge com o Mendieta largando un tremendo lacrimón. Foi uma morte muito sentida por todos que o admiravam.
    E o Quino é outro amor da minha vida, desde as primeiras Mafalda que aqui chegavam com o português de Portugal, que gira!
    Mas você me ajudou a encontrar um desenho do Quino que eu tinha e perdi: o do Guernica arrumadinho pela empregada eficiente!
    Numa das útimas Feiras do Livro na Rural, no estande da editora do Quino, de la Flor, ninguém soube me dizer em que livro estava o desenho.
    E agora você resolveu o enigma, amanhã mesmo vou sair para procurar.
    Enquanto estou impedida de viajar a Baires por causa da gripe você me acompanha num cortado com bom papo, como corresponde a meu correspondente predileto.
    Seus leitores como sempre, agradecidos.
    E essa entrevista vai para meus arquivos implacáveis.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/08/2009 - 23:14
    Enviado por: Cláudia

    Relmente, os cartuns brasileiros são muito mais punk que os argentinos – pelo menos que esses que foram mostrados no post. E falando nessa diferença entre Brasil e Argentina, perceptível nos quadrinhos, lembrei de uma jornalista aí do Estadão que fez um trabalho sobre a Argentina a partir das tirinhas da Mafalda. Isso dá uma ideia de como os quadrinhos podem ser uma boa representação da cultura do país.
    E que filme é esse da Flávia Moraes?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 10/08/2009 - 10:57
    Enviado por: karina

    Ariel,
    Fantástico seu post.

    Na minha opinião, a vida é exacatamente assim como o fato que vc relatou de como encontro Quino… As vezes tentamos tentamos e tantamos um caminho e nada… nos permitimos mudar ou fazer um atalho.. e o acaso… o Deus, como prefirir, nos presenteia com aquilo que mais queremos no momento.

    Seus textos são, além de inteligentes, extremamente inspiradores.
    Um abraço,

    KArina

    responder este comentário denunciar abuso

  • 10/08/2009 - 13:22
    Enviado por: arielpalacios

    Caro Jorge, fico feliz de tê-lo transportado, por alguns instantes, aos tempos bons da infância!!!

    Caro Marcelo, muito obrigado pelo comentário! Fiquei emocionado. Quando era criança, também lia Mafalda…e ficava contando sempre as mesmas piadas para os amigos de meus pais, quando iam jantar em casa! Sabia todas de cor e salteado!!

    Caro Moacir, a pergunta faltou, é verdade…mas, essa entrevista, em 1996, foi feita com pouco tempo… No entanto, se tiver a sorte de entrevistas Quino novamente, farei – sem dúvida – a pergunta que você sugere!!

    Caro Felipe, muito obrigado pelo elogio!!! Tento me informar ao máximo sobre um entrevistado, cada vez que vou fazer uma entrevista. Nem sempre isso é possível da forma ideal. Mas, tentar eu tento.

    Caro Carlos…boa pergunta!!! Vou pensar sobre qual foi minha entrevista preferida…

    Cara Sô, obrigado pelo comentário! É a primeira vez que comparam uma entrevista que fiz com um chocolate! Hehehe…
    É verdade, as edições que chegavam no Brasil nos anos 70 eram da Editora dom Quixote, não é? Com expressões totalmente lusitanas!

    Cara Cláudia, concordo totalmente! As tirinhas dão muitas pistas sobre a cultura de um país. Ou de uma cidade. Sobre o filme da Flávia Moraes, boa pergunta…nunca soube se chegaram a fazer. Vou averiguar!

    Cara Karina, muito obrigado mesmo pelo comnetário!

    Abraços a todos! Bom início de semana!
    Ariel

    responder este comentário denunciar abuso

  • 10/08/2009 - 15:21
    Enviado por: carlos 3m

    acho interessante a pergunta do moacir, mas ai volto a pensar no seinfeld, que exauriu as possiblidades sem ter que se reptir, e por isso parou, e entendo que foi o mesmo motivo o do quino. em ambos casos, dentro do escopo da sua proposta reviraram o fundo do poco e nao sobrou nada.

    no caso de quino, so faria sentido retornar a mafalda se a filosofia dela tivesse se ampliado, o que eh dificil de acontecer. agora viraria capitalista neoliberal ? ou taliban ? diretora de ong ecologica ? gerente de call-center na india ? ou simplesmente uma vovo cuidando dos netos ?you choose.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 13/08/2009 - 13:03
    Enviado por: carina

    Ariel, este texto é um presentão para nós, leitores. Ah, então foi nesse encontro que o Quino desenhou você!? Você deveria colocar-se aqui. Um grande abraço. Saudades!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 21/08/2009 - 17:39
    Enviado por: Alvaro

    Tenho um livro com coleção completa da Mafalda até hoje. Era como ler quadrinhos do Charlie Brown da Argentina (ou vice-versa). Aliás, parabéns pelo Blog! abs

    responder este comentário denunciar abuso

  • 29/08/2009 - 17:46
    Enviado por: Marcos Xavier Vicente

    Muito 10 a entrevista, Ariel. Sou muito fã de ambos. Aliás, conheci a obra de Fontanarrosa de uma forma trágica. Eu estava em Rosário quando ele morreu. Vi reportagens dele na televisão e resolvi comprar alguns livros. Li e gostei. E tambem por causa dele escolhi o Rosário Central como meu time na Argentina. Nosotros somos canallas!!!!

    Grande abraço de um grande fã de seu trabalho.
    Marcos

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/08/2009 - 16:34
    Enviado por: arielpalacios

    Carina, tudo bem?
    Foi nesse encontro que o Quino fez o desenho para mim!

    Caro Alvaro, desculpe a demora em responder, mas a semana passada foi complicada, com a cobertura intensa da cúpula da Unasul. Muito obrigado pelo elogio! Sabe que o criador do Charlie Brown era um grande admirador de Quino?

    Caro Marcos Xavier, obrigado pelo comentário! Estava passeando em Rosario nessa ocasião? Vi teu blog, na Gazeta, muito bom! Morei uns anos em Curitiba, depois que saí de Londrina. Meus pais moram ali, irmã idem. E muitos amigos.

    Abraços,
    Ariel

    responder este comentário denunciar abuso

  • 10/09/2009 - 13:18
    Enviado por: Gustavo L

    Mesmo sendo argentino vou escrever em português, já que é a lingua do blog.
    Muito legal e interessante ter podido encontrar dois grandes mestres não só dos desenhos (cartoons) senão também do humor. E juntos!!
    Tenho nos meus favoritos o teu blog e quando tenho tempo leio… e desfruto. Há 20 anos que moro em São Paulo e sempre tento ser uma ponte entre os 2 países que muitas vezes pouco se entendem (no bom sentido). Acho vc e seu blog um excelente vínculo cultural entre ambos países.
    Quando casei com uma brasileira soube que esse era o meu destino: tentar ajudar a se entenderem; mesmo com pouco sucesso continuo e cada dia aprendo alguma coisa a mais dos dois. Um abraço e continue assim. Vale a pena.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 17/10/2010 - 08:44
    Enviado por: Documentário

    O meu nome é Miguel e vou fazer um documentário na rádio zero sobre Quino com uma entrevista ao embaixador Argentino em Portugal.

    Gostei deste artigo.

    Obrigado.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 29/12/2010 - 00:06
    Enviado por: João Manuel da Cruz Tavares

    Gostei imenso deste artigo.

    Também escrevo porque desejo entrar em contacto com o próprio Quino, mas ao contactá-lo pelas vias oficiais não consigo encontrar resposta.

    Naturalmente que um pedido destes poderá ser estranhíssimo ou no mínimo curioso, mas se houver alguém desse lado que me possa dar alguma orientação sobre como chegar até ele, fico muito agradecido.

    Os melhores cumprimentos, João Tavares

    responder este comentário denunciar abuso

Arquivo

..Revistas satíricas da Argentina

Blogs do Estadão