Secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, brinca com um balão durante a abertura do ano parlamentar no Congresso Nacional. “Globito” – “balãozinho” em castelhano - na gíria portenha equivale a preservativo.
O erotismo argentino não escapou às barreiras protecionistas do governo da presidente Cristina Kirchner. Tal como outros setores, entre os quais as autopeças, alimentos, têxteis, calçados e brinquedos, agora é vez dos preservativos e vibradores, além da lingerie erótica estrangeiros. Estes produtos tornaram-se o mais recente alvo da cruzada anti-importações implementada pelo secretário de Comércio, Guillermo Moreno, homem de confiança da presidente Cristina.
A miríade de barreiras argentinas abarcam valores-critério, licenças não-automáticas, acordos voluntários de autorrestrição de venda para o mercado argentino, entre outros. Além disso, desde o dia 1 de fevereiro incluem uma autorização especial da receita federal como passo prévio para iniciar um trâmite de importação. A “blindagem” da Argentina contra a entrada de produtos provenientes do exterior é coordenada por Moreno.
Durante uma reunião com a empresa Kopelco, que fabrica a marca “Tulipán”, e Buhl, que produz a marca “Prime”, Moreno pediu aos executivos que produzam 3 milhões a 3,5 milhões de unidades mensais a mais em cada empresa. A política do governo é que os preservativos nativos fiquem com o mercado das compras públicas realizadas pela administração Kirchner para o setor de saúde.
Por qual motivo caras como este acima não contam com estátuas? Além de Pinkus, um dos criadores da pílula anticoncepcional, outra figura relativamente esquecida é Gabriele Falloppio, um dos mais importantes anatomistas do século XVI. Ele descreveu as trompas que levam os óvulos do ovário para o útero e que ostentam seu sobrenome. Mas o que o signore Falloppio tem a ver com o assunto desta postagem? Ele foi o criador do primeiro preservativo masculino devidamente documentado, no ano da graça de 1564. O médico defendia o uso desta proteção como forma de combater o flagelo daqueles tempos, a sífilis. E deu certo, segundo ele próprio escreveu: “convenci 1.100 homens a usar (o preservativo). E convoco Deus imortal para testemunhar que nenhum deles foi infectado”. O versátil Fallopio também cunhou a mundialmente famosa palavra “vagina” (e também criou o termo ‘placenta’). Falloppio nasceu em 1523. Deixou de existir 39 anos depois.
Atualmente, o governo precisa recorrer a fornecedores asiáticos. Mas, caso o mercado local fique nas mãos dos fabricantes argentinos, Moreno evitaria a saída de dólares, política que tornou-se uma das principais metas da Casa Rosada.
Os executivos da Kopelco e a Buhl, que respectivamente possuem 52% e 35% do mercado local, prometeram a Moreno que aumentarão a produção para evitar a falta do produto no mercado, já que a escassez – devido ao impedimento para as marcas estrangeiras – começa a ser notada nas farmácias e supermercados.
Os empresários explicaram ao secretário que o consumo de preservativos oscila entre 150 milhões e 180 milhões unidades por ano. Quando foi informado sobre o número – segundo indicou o ”Política Online” - Moreno arregalou os olhos. Na sequência, fez observações sobre o que ele definiu – com palavras de baixo calão – como “uma intensa atividade sexual” de seus compatriotas.
Sexo paleolítico: Uma representação de uma deusa estilizada. É a “Vênus de Dolní Věstonice” (em tcheco, Věstonická Venuše). Esta pequena estátua de terracota, que data do 25 mil a.C, teria sido usada como um primitivo, embora eficaz, consolador. Uma alternativa a ser avaliada pelos consumidores, em caso de escassez dos importados. De quebra, este modelo não requer transferência de tecnologia.
VIBRADORES - Na reunião com os empresários Moreno indicou que havia assinado o bloqueio total para a entrada de vibradores importados (todo o consumo nacional é abastecido pelo exterior). O secretário também brincou sobre as tentativas frustradas dos importadores desse assessório sexual para driblar as barreiras: “nas declarações alfandegárias os caras colocavam ‘artigos para o prazer feminino’. Mas eu percebi logo do que se tratava!”.
Outros “brinquedos eróticos” também estão sofrendo com as barreiras, já que está escasseando no país matéria-prima importada (principalmente o silicone médico), crucial para a elaboração dos produtos. Representantes do setor também ressaltam que a a produção local de lingerie erótica está entrando em colapso, já que grande parte dos tecidos especiais provêm do exterior.
EL BUEN SALVAJE & ALARDE SOBRE GENITÁLIA - Os amigos de Guillermo Moreno o chamam “Napia”, gíria para nariz, devido a seu aquilino perfil. O ex-presidente Néstor Kirchner o chamava de “Lassie”, em irônica alusão à simpática e doce cadela collie imortalizada no cinema junto com Elizabeth Taylor. Ele também é chamado de “Highlander”, em alusão à sequência de filmes dos anos 80 cujo protagonista era um homem imortal – Connor Mc Leod – capaz de sobreviver a todas as circunstâncias (Moreno passou incólume por todas as reformas ministeriais que Cristina e seu marido fizeram, apesar dos pedidos dos empresários, sindicatos, partidos da oposição e intelectuais que pediram – e continuam pedindo – sua cabeça)
Os Kirchners sempre resistiram à ideia de removê-lo, já que Moreno é o homem que faz o “trabalho sujo”. Ele é o responsável pela manipulação de índices da inflação, pobreza, desemprego e o PIB. Estas estatísticas são elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob férrea intervenção do governo há seis anos.
Moreno (segundo relatos de empresários e sua biografia não-autorizada “El buen salvaje”) eventualmente iniciava encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa. Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – nos fins de semana, inclusive – para exigir, em frases entremeadas de sonoros palavrões, que congelem seus preços. Este comportamento iniciou na época que era secretário de Comunicações.
Dono de um frondoso bigode com as pontas curvas para baixo que fariam inveja ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata, o controvertido secretário também inicia as reuniões com executivos com afirmações sobre sua genitália, a qual, indica, é de dimensões superiores às dos presentes. O analista político Jorge Lanata, que nos anos 80 fundou o jornal Página 12, o batizou ironicamente de “El Poronga” (ver significado abaixo no glossário).
Óinc, teria dito o Marquês de Rabicó: a carne suína, considerada ‘afrodisíaca’ pela presidente Cristina, também sofre restrições. Me absterei de fazer comentários sobre o casamento do nobre suíno taubatense e sua união – supostamente ‘branca’ com Emília no sítio do Pica-pau Amarelo. Acima, a vaca Mocha, Emília e o Sus scrofa domesticus marquês.
LEITÕES, SEXO E BARREIRAS - Há dois anos a presidente Cristina Kirchner pregou um maior consumo de carne suína por parte dos argentinos, alegando que era “altamente afrodisíaca”. Em um discurso na TV, transmitido desde o palácio presidencial, Cristina sustentou na época que “é muito mais gratificante comer um leitãozinho do que tomar viagra”. Na ocasião, relatou que havia podido comprovar os efeitos da carne suína no fim de semana que havia passado em El Calafate, na Patagônia, com seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner.
No entanto, o consumo de carne suína, que cresceu após a divulgação presidencial de suas supostas qualidades sexuais, está enfrentando uma queda do abastecimento, já que as barreiras alfandegárias do secretário Moreno complicam a entrada de carne suína brasileira (especialmente a polpa).
Do total consumido no país, 40% da carne suína provinha do Brasil até o final do ano passado. Por este motivo, o preço do produto está subindo, fato que está causando problemas para a continuidade do programa ‘Leitão para todos’, lançado em 2010 por Cristina para ‘democratizar’ o consumo do afrodisíaco leitão entre os argentinos.
GLOSSÁRIO SEXUAL
COGER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “coger el autobús (ônibus)”, para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual.
COGIDA: “Uma cogida”. O coito.
GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…
GARCHE: A cópula, expressada sem elegância
EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.
TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.
FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, produto utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.
VACUNAR: Vacinar. Refere-se ao ato de penetrar alguém.
ACABAR: Cuidado ao utilizar esseverbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.
TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.
VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.
VERSERO/A: O praticante do ‘verso’.
TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.
PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.
CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavraemBuenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.
PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.
CAFISHIO: O gigolô.
TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’.
FORRO: Forma chula-light de referir-se ao preservativo.
E falando em coitos e leitãozinhos, aqui vai um vídeo de Miss Piggy, uma das estrelas dos Muppets, cantando o tema “Nunca aos domingos”, filme franco-grego cuja personagem principal é uma prostituta com intenso joie de vivre.
E, na seqüência, novamente Miss Piggy cantando “Don’t go breaking my heart”, com Sir Elton John:
E aqui, deixando de lado miss Piggy, mas ainda na área sexual,o tango “El Choclo” (O sabugo de milho), de Angel Villoldo, de 1905. O título, indicam historiadores do tango, era no início uma maliciosa referência ao falo (e não a esse alimento emblemático da civilização asteca):
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
Pinguim e namorada. Não é “El Pingüino”, isto é, o ex-presidente em questão e a ex-secretária, suposta amante. Neste caso, a ilustração acima mostra o pinguim Skipper, do filme (e série) “Madagascar”, que é o líder de um grupo de adoráveis pinguins mafiosos. Suas frases preferidas são “você não viu nada ainda!” e “manobras evasivas, rapazes!”.
“A outra viúva de Kirchner” é a denominação que está sendo aplicada a Miriam Quiroga, secretária durante 11 anos do ex-governador de Santa Cruz, ex-presidente da República e ex-presidente do partido peronista, Néstor Kirchner. “Era vox populi que eu era amante de Néstor”, disse Miriam à “Notícias”, a revista de informação semanal de maior circulação na Argentina. “Tive uma união muito forte com ele. Deixei tudo para vir com ele desde o sul. Deixei minha família”, declarou Miriam, que autodefine o trabalho que realizou com Kirchner como o de uma “secretária pau para toda obra”.
Miriam – de 50 anos, simples na forma de vestir, embora com mais curvas do que a magra presidente – afirmou que no início de janeiro o secretário-geral da presidência, Oscar Parrilli, lhe comunicou que estava despedida, já que Cristina Kirchner desejava colocar outra pessoa no posto que ocupava formalmente, o de diretora do Centro de Documentação Presidencial. Na reportagem de seis páginas à “Notícias” Miriam afirma tentou falar com a presidente. No entanto, não teve sucesso e teve que partir do governo.
A Secretaria-geral da presidência não respondeu as perguntas da imprensa sobre os motivos da demissão de Miriam.
Capa da revista “Notícias” com a suposta amante de Kirchner, Miriam Quiroga, ex-secretária do ex-presidente, atual defunto. Quiroga está sendo chamada de “a outra viúva”.
Em meio a um delicado ano de eleições presidenciais a notícia poderia abalar a própria imagem da a viúva oficial, a presidente Cristina, já que evidenciaria que ela hipoteticamente sabia e resignava-se sobre a existência da relação de Miriam com seu marido. No entanto, a partir do momento da morte de Kirchner, vítima de um ataque cardíaco fulminante em outubro, Cristina não teria tido mais obstáculos para a demissão sumária da secretária.
Analistas comentaram ao Estado que o sucesso da “sociedade” política de Néstor e Cristina (funcionaram como dupla política com uma interação não vista desde Perón e Evita) e financeira (possuíam vários empreendimentos imobiliários e de hotelaria a nome dos dois) teria impedido a separação formal do casal.
“Temos que pegar essa informação com pinças”, explicou em off ao Estado uma famosa “kirchneróloga”. “Não sei se ela foi amante de Kirchner durante uma década. Talvez tenha sido uma amante ocasional. Minhas pistas apontavam para outra mulher, que era empresária na província de Santa Cruz, não esta aqui”.
Enquanto isso, Miriam aproveita a polêmica suscitada e nega que sua filha de 11 anos seja fruto da suposta relação amorosa entre ambos. Segundo ela afirma, o pai foi um “namorado fugaz”.
REVISTA - A “Notícias”, cuja editora no Brasil edita a “Caras”, foi famosa nas últimas duas décadas por revelar a existência – posteriormente comprovada na Justiça – de filhos extramatrimoniais de políticos importantes (entre eles, do ex-presidente Carlos Menem), além de amantes de ministros, deputados e senadores.
Um baita e anabolizada cobra, com physique du rôle de sucuri ou anaconda. Gravura do século XII.
AMANTES E UMA ANACONDA DE RESULTADO – Ao longo da História argentina a existência de amantes presidenciais foi farta e variada. Carlos Menem (1989-99) era famoso por seus affaires quando ainda era governador de La Rioja. Na presidência intensificou seus contatos extra-matrimoniais, fato que causou a ira de sua mulher, Zulema Yoma, que em vingança entrincheirou-se na residência oficial de Olivos e confiscou a faixa e o bastão presidencial. O casal – que também tinha abundantes diferenças políticas – separou-se oficialmente na sequência.
Menem já havia tido aventuras extramatrimoniais com descendência incluída em 1981, época em que Menem (que havia exercido entre 1973 e 1976 seu primeiro mandato como governador), por ordem do regime militar, que o havia detido, passou meses em prisão aberta no vilarejo de Las Lomitas, Formosa.
Ali, conheceu a jovem Marta Meza – filha de um caudilho local – que ficaria grávida. Menem, na época, estava casado. Mas, prometeu a Marta que reconheceria o menino.
Os anos passaram e a promessa não se cumpria. Em 1989 Menem foi eleito. Nesta ocasião, prometeu que reconheceria seu filho quando deixasse o poder. Essa promessa tampouco foi cumprida. Nesse intervalo a mãe de Carlos Nair foi eleita deputada federal.
No ano 2003, Marta Meza suicidou-se em circunstâncias misteriosas (bebendo herbicidas). Carlos Nair foi vítima de atentados e de ameaças que lhe indicavam que deixasse de insistir com seu pedido de reconhecimento.
Em 1996 a revista “Notícias” publicou as fotos de Menem com seu filho ilegítimo na residência presidencial de Olivos. Após o escândalo, Menem evitou o garoto durante anos. Carlos Nair, após a maioridade, começou a exigir que seu pai o reconhecesse. Menem continuava recusando-se. Mas, em 2005, o juiz Francisco Orella determinou que o jovem era filho extra-matrimonial do ex-presidente. A determinação baseou-se nas fotografias que provam o vínculo e a negativa de Menem em submeter-se ao exame de DNA.
Em meados de 2008, sua fama de latin-lover septuagenário (agora ele é octogenário) foi abalada pelas aventuras amorosas da chilena Cecilia Bolocco, com a qual havia se casado em 2001 (que tinha metade de sua idade).
Cecilia, uma ex-miss Universo, cansada da intensa dedicação de Menem aos jogos de golfe na Argentina (enquanto ela residia com o filho de ambos em Santiago do Chile), começou a ter um tórrido affaire com um playboy italiano em Miami. O resultado foi o divórcio para o casal e fama de “homem traído” para Menem.
O ex-presidente só conseguiu um pouco mais de protagonismo quando, semanas depois do escândalo de Bolocco, seu filho ilegítimo, Carlos Nair, apareceu em “Gran Hermano”, a versão argentina do Big Brother.
O jovem tornou-se celebridade nacional quando, no meio do programa, os integrantes descobriram que o filho do ex-presidente possuía um aparelho reprodutor de consideráveis dimensões. As participantes femininas proferiram frases apologéticas sobre o diâmetro e comprimento do supracitado. Os participantes masculinos que também ali estavam exclamaram expressões de inveja.
Desta forma, Carlos Nair tornou-se famoso em toda a Argentina com o apelido de “La Anaconda”, em alusão à gigantesca cobra que habita a Amazônia.
Menem não perdeu tempo, e reconheceu oficialmente seu filho ilegítimo, algo que não havia feito em 27 anos. “Só podia ser filho meu”, afirmou Menem na época. No entanto, a vedette do teatro de revista Moria Casán – ex-amante de “El Turco” nos anos 80 – com ironia sugeriu que as proporções substanciais da genitália de Carlos Nair não necessariamente tinham correlação com seu genitor, o qual conhecia bem de antanho.
F.De la Rúa pega dentro de sua gaveta presidencial o vigorizante sexual presidencial. Minutos antes havia renunciado à presidência da República.
PICARESCOS ANÕEZINHOS – No dia 20 de dezembro de 2001, o então presidente Fernando De la Rúa (1999-2001), estava ponto de renunciar e escapar em um helicóptero do teto da Casa Rosada, a sede do governo. Nas horas anteriores, uma multidão enfurecida com a crise econômica – e especialmente o “corralito” (denominação do mega-confisco bancário) – manifestava-se na Praça de Mayo para exigir sua renúncia.
As forças de segurança reprimiriam a multidão e mataram cinco manifestantes a poucos metros das janelas presidenciais (no resto da cidade houve mais mortos).
Após renunciar, De La Rúa passou pela sala onde estava seu escritório para pegar os objetos pessoais.
A foto feita na ocasião pelo fotógrafo oficial da presidência, Victor Budge, mostra o pacato e sonolento ex-presidente abrindo uma gaveta. Era última foto na Casa Rosada de De la Rúa,
Um ano depois, em janeiro de 2003, a “Gente”, tradicional revista de fofocas, publicou a mesma foto, embora ampliada. O detalhe mostrava que De la Rúa retirava da gaveta da escrivaninha duas caixas – amostra grátis – de um vigorizante sexual de nome “Optimina Plus”, recomendado para casos de impotência.
A foto de De la Rúa recolhendo seus objetos havia sudo publicada várias vezes ao longo de 2002. No entanto, ninguém havia reparado no detalhe das caixinhas, até que um leitor de “Gente”, curioso em saber o que havia na gaveta presidencial, e munido de uma lupa de aumento, reconheceu o remédio.
As caixas de “Optimina Plus” ostentam na embalagem uma picaresca seqüência de gnomos cuja ponta dos gorros vai ficando ereta gradualmente, em uma analogia aos efeitos que o remédio causaria no órgão reprodutor masculino, neste caso, o órgão presidencial (que a partir desse momento era ex-presidencial).
A revelação de que De la Rúa consumia abundantes doses de “Optimina” foi na ocasião o principal tema de piadas em Buenos Aires.
De la Rúa, até a época, era visto como um homem asexuado, tímido, dominado pela ambiciosa então primeira dama, Inés Pertiné, com a qual padecia problemas conjugais.
No entanto, nos últimos anos haviam circulado rumores de que teria tido affaires com duas de suas assessoras na época, que nunca foram confirmados.
Sexo paleolítico: Uma representação de uma deusa estilizada. É a “Vênus de Dolní Věstonice” (em tcheco, Věstonická Venuše). Esta pequena estátua de terracota, que data do 25 mil a.C, teria sido usada como um primitivo, embora eficaz, consolador.
O GOVERNADOR E O VIBRADOR - “Caudilho com pedigree” é a irônica definição que fazem sobre Adolfo Rodríguez Saá seus críticos na província de San Luis, onde ele e sua família controlam a mídia, a burocracia provincial, além da Justiça. O “pedigree” refere-se à freqüência com a qual os Saá aparecem como governadores nos livros de História nessa província, no centro da Argentina, que durante tantas décadas foi tão pobre que comentava-se com humor que quando um urubu passava por ali, levava marmita para não passar fome.
Rodríguez Saá governou San Luis entre 1983 e 2001, tornando-se assim, o governador que mais permaneceu no cargo na segunda metade do século XX. Junto com seu irmão Alberto – definido pelos opositores como o verdadeiro “Maquiavel” por trás de Adolfo – são acusados de diversos casos de corrupção.
Seus críticos afirmam que é estranho que um homem como ele, que em 1983 tinha como bens somente uma casa, hipotecada, e dois carros usados. Duas décadas depois, só com o salário de governador havia tornado-se milionário.
Em outubro de 1993 Rodríguez Saá protagonizou um sui generis escândalo sexual. Subitamente, uma tarde, Rodríguez Saá apareceu nos aparelhos de TV dos argentinos para explicar que havia sido seqüestrado e colocado no motel de nome “E..no c” (jogo de palavras equivalente a ‘E…não sei’) junto com “La Turca”, nom de guerre de Esther Sesín, que havia sido sua amante.
O próprio Rodríguez Saá explicou que em meio ao sequestro havia sofrido um grave abuso sexual.
Segundo ele, um grupo de pessoas estava tentando extorqui-lo, pois haviam gravado cenas de conteúdo hardcore. Os sequestradores o deixaram em uma estrada de terra, espancado e com a ameaça de divulgar o vídeo caso ele não pagasse US$ 3 milhões. No entanto, a Polícia de San Luis imediatamente encontrou e deteve “La Turca” e seu namorado, Alejandro Salgado, mentor do sequestro.
Quem viu o vídeo, de circulação altamente estrita, afirma que no meio do suposto “abuso” o casal estava utilizando um avantajado vibrador. No entanto, não era “La Turca” – uma quarentona de curvas abundantes – que estava usufruindo do aparelho em questão.
A História daria reviravoltas. No dia 23 de dezembro de 2001, em meio à grave crise política e econômica causada pelo corralito e a queda de De la Rúa, Rodríguez Saá foi designado presidente provisório da Argentina. Sua primeira medida foi declarar o calote da dívida externa com os credores privados. Uma semana depois, alvo de panelaços e sem apoio dos governadores, renunciou. Atualmente é senador.
PINGUINS, SEXO & LEITÕES - Em janeiro de 2009 a presidente Cristina Kirchner, que ainda não era viúva, fez referências sobre sua vida sexual (nunca antes, em 200 anos transcorridos desde a independência da Argentina um presidente da República havia feito alusões sobre sua vida sexual em público, e muito menos realizado referências sobre afrodisíacos químicos e naturais).
Na ocasião Cristina exaltou as propriedades afrodisíacas da carne de leitão. Além da carne suína, a presidente – famosa por preocupar-se com a “linha” – também exaltou as propriedades da carne de frango para emagrecer.
Tudo começou quando a presidente Cristina, ao vivo pela TV, durante uma cerimônia com produtores suínos, anunciou que havia sido informada dos poderes afrodisíacos do leitão. Segundo ela, valia mais a pena um “porquinho na grelha do que tomar viagra”.
Além disso, ressaltou que havia ingerido significativas porções de um saboroso suíno no fim de semana prévio, e que o sábado e domingo transcorrido na companhia de seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner haviam confirmado empíricamente os efeitos eréteis do leitão consumido.
Um dia depois, a presidente exaltou a qualidade da carne de frango como alimento “para fazer dieta”. A mídia deleitou-se com as frases da presidente, definindo Cristina Kirchner como “guru sexual e nutricionista”.
“Pirata”, no lunfardo (gíria) portenha é quem pratica a “trampa”, isto é – literalmente – “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.
Acima, a captura do pirate Barbanegra, em 1718. O quadro mostra como a pancadaria correu solta entre Barbanegra e o tenente Maynard em Ocracoke Bay. A obra é do americano Jean Leon Gerome Ferris (1863–1930)
Aproveitamos o post sobre sexo e política (e recordamos a frase de Henry Kissinger, “o poder é o maior afrodisíaco de todos”) para mostrar esta lista (citada em outro post antigo) de palavras alusivas ao coito e afins.
COJER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “cojer el autobús (ônibus)”, para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual.
COJIDA: “Uma cojida”. O coito.
GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…
GARCHE: A cópula, expressada sem elegância
EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.
TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.
FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, produto utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.
VACUNAR: Vacinar. Neste caso não se refere ao ato de inocular alguém com anti-corpos para provocar uma resposta de defesa perante microorganismos patógenos inventado por Edward Jenner em 1796, mas sim, refere-se ao ato de penetrar alguém.
Edward Jenner, criador da outra “vacuna” (vacina)
ACABAR: Cuidado ao utilizar esse verbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.
TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.
VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.
VERSERO/A: O praticante do ‘verso’.
TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.
PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.
CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavra em Buenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.
PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.
CAFISHIO: O gigolô.
TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’.
“Que panettone!”. Expressão apologética dos glúteos femeninos.
E, como não podia deixar de ser, tal como em diversas partes do planeta as referências aos alimentos – de preferência tubérculos, legumes e cereais falofórmicos – são amplamente usadas para designar o membro viril. Esta lista já foi apresentada em outro post ano passado. Mas, recuperamos o catálogo para que sirva de guia em caso de necessidade.
ENTERRAR LA BATATA: A ‘batata’ desta frase refere-se à ‘batata-doce’. A nossa batata em português é “la papa”. Mas, em ‘lunfardo’ a batata indica o membro viril. Logo, neste contexto, com alusões à atividade da lavoura, ‘enterrar la batata’ (enterrar a batata-doce) significa, em tradução figurativa, penetrar alguém. Não se usa “enterrar la papa” (isto é, nossa batata, em português). Talvez porque até poderia causar confusão com o termo ‘papa’, isto é, o Sumo Pontífice (e, já que estamos aqui, Pontífice vem do latim ‘Pontifex’, o “construtor de pontes”).
MOJAR LA CHAUCHA: Molhar a vagem. Similar para ‘enterrar la batata’.
MOJAR LA VAINILLA: Molhar a baunilha, isto é, o biscoito champagne. Na Argentina, um dos hits do lanche da tarde, décadas atrás, era o do café com leite (ou chá) com as ‘vainillas’ (biscoito-champange). No fim das contas, a expressão é similar a “enterrar la batata”.
ES UN BOMBÓN: É um bombom. Elogio que indica que alguém é bonito/a. Majoritariamente usado por mulheres (ou homens) para referir-se a homens.
ES UN CHURRO: É um churro. Igual ao bombón. Mas, a expressão é um pouco mais antiga.
QUE LOMO!: “Que lombo!”. Elogio carnívoro ao físico de alguém. Usado tanto por mulheres como por homens. Lomazo: Um corpaço. Usado para homens e mulheres.
QUE PAN DULCE: “Que panettone!”. Elogio aos glúteos femeninos.
“O poder é o maior afrodisíaco de todos!” afirmou no 27 de maio de 1976 o ex-secretário de Estado dos EUA, Heinz ‘Henry’ Alfred Kissinger.
ÉRIAS: Estarei a ritmo lento na próximas semanas, já que hoje começo minhas férias. No entanto, deixarei a sra. Ágata Salgado-Simpson, honorável septuagenária secretária e ornitóloga a cargo de checar e autorizar a cada 4 ou 5 dias os comentários dos comentaristas.
Inté!
uma melodia, um clássico ibérico, para entrar no ritmo das férias, hip-hip-hurrraaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!
“El Relicario”, de J.Padilla, aqui.
Dona Ágata, entre uma bebericada de chá e outra, tomando nota de minhas indicações.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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…E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão:
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Mujica, o espartano presidente do Uruguai em seu veículo pessoal (e único patrimônio). No Uruguai, bem como em vários outros países de língua espanhola (não em todos), o fusca é chamado de ‘escarabajo’ (escaravelho). Nos países anglo-saxões, de ‘beetle’ (escaravelho). O termo ‘fusca’ é uma corruptela de ‘Volks’ (por Volkswagen).
Um escangalhado fusca modelo 1987 com valor estimado em US$ 1.900 é o único patrimônio do presidente do Uruguai, José ‘Pepe’ Mujica, segundo indica sua declaração oficial de bens apresentada à Junta de Transparência e Ética Pública. O espartano ex-guerrilheiro tupamaro, ex-senador, ex-ministro e floricultor comprou o fusca em 2004. Até esse ano – durante duas décadas – ele utilizou uma lambreta para deslocar-se em Montevidéu.
O uso desse pequeno veículo causou surpresa em 1994, quando foi eleito deputado federal. Na ocasião, um guarda do estacionamento do Senado viu que um senhor de aspecto desalinhado, com capacete, que descia da lambreta e aproximou-se dele e disse: “aqui não pode estacionar, não. ..por acaso o sr. pretende ficar aí muito tempo?”. Mujica (que havia estado 13 anos preso e torturado durante a ditadura militar), removeu o capacete (só então foi reconhecido pelo guarda) e disse em tom brincalhão: “bom, se os milicos não me tiram daqui, penso ficar pelo menos cinco anos…”.
A chácara onde Mujica mora, em Rincón del Cerro, no lado oeste de Montevidéu, está no nome de sua esposa, a senadora Lucia Topolansky.
A senadora, também uma ex-guerrilheira, ressaltou que nem ela nem seu esposo possuem cartões de crédito nem contas bancárias: “somos antiquados”.
O salário que Mujica – um socialista de 75 anos definido de “amigável” com os mercados – recebe como presidente, de US$ 11.545, por decisão pessoal é destinada em sua maior parte a obras sociais. Essa é uma política em prática desde os anos 90 por parte dos parlamentares e ministros que integram a coalizão de governo Frente Ampla, de centro-esquerda.
Neste caso, Mujica doa 70% de seu salário de presidente para o Plano de Moradias Populares.
Mujica, nas horas livres, sobe no trator e prepara a terra da chácara, onde planta flores e hortaliças, a principal fonte de rende
Mais sobre Mujica (mais especificamente sobre seu sucesso com o empresariado) aqui. E, sobre sua vitória eleitoral no ano passado, aqui.
Mujica e Lucia Topolansky, nos anos 90, na intrépida vespa
SEXO ANAL: EM CASO DE VITÓRIA DA SELEÇÃO DE MARADONA

Promessa de manager da seleção acrescenta-se à de Maradona, que jura que correrá nu ao redor do Obelisco. Na ilustração, a famosa Taça Warren, uma peça romana de prata do primeiro século desta era, que ilustra a cópula anal. A peça foi encontrada pelos arquélogos perto de Bittir, Israel. Está no museu britânico.
Do outro lado do rio da Prata, enquanto isso, o assunto não são as declarações de bens presidenciais, mas sim as declarações de Carlos Salvador Bilardo, manager da seleção argentina, que prometeu publicamente que, em caso de vitória de seu país na Copa do Mundo na África do Sul, está disposto a ter sexo anal.
Bilardo, o segundo homem na hierarquia da seleção argentina depois do técnico Diego Armando Maradona, indicou que aceitará que o jogador protagonista do gol da hipotética vitória argentina seja o encarregado de praticar-lhe sexo anal. As declarações de Bilardo foram realizadas no canal de TV “Telefé” ao apresentador Matías Martín, no programa “Vértigo” (Vertigem).
“Se a Argentina for campeão, não me importa”, explicou Bilardo, para ressaltar que considera mais importante a obtenção da Copa do que a oferta de seu esfíncter anal.
Perante o olhar estupefato de Martín, que o entrevistava, Bilardo – médico de profissão e ex-técnico da seleção argentina de 1986 e 1990 – aprofundou sua explicação indicando que estava consciente que o sexo anal poderia implicar em dor. “Mas como o senhor sabe disso?”, inquiriu Martín. “Sei porque fazíamos retoscopias…e não sabe como os jogadores gritavam!”, ilustrou Bilardo, impassível.
POSIÇÕES APTAS PARA A COPA - Bilardo também recomendou aos jogadores argentinos que, na hora de manter relações sexuais, optem na posição de baixo. “Que eles deixem que as moças fiquem em cima. Elas são jovens, e portanto, que elas façam o trabalho”, ressaltou, para justificar a coreografia sexual que considera mais adequada para os tempos de Copa do Mundo.
Há duas semanas o técnico da seleção, Diego Armando Maradona, prometeu que em caso de conquistar o troféu da FIFA retirará sua vestimenta e correrá “en bolas” (expressão da gíria hispano-americana para referir-se à nudez) ao redor do Obelisco, o monumento-símbolo da cidade de Buenos Aires.
A série de promessas também expandiu-se mais além dos envolvidos de forma direta com o futebol. Esse foi o caso de uma das principais sex symbols do país, a modelo e playmate Luciana Salazar, que comprometeu-se a posar totalmente nua na frente do Obelisco em caso de vitória da Argentina na África do Sul.

Bilardo (o do sexo anal), com D.A.Maradona (o do sexo oral), em 1986, durante a Copa do México
SEXO ORAL – Bilardo fez referências ao sexo anal nesta semana. Mas, no ano passado, foi a vez do técnico DA Maradona de gerar polêmica com sua proposta de sexo oral aos jornalistas que cobriam o decisivo jogo da seleção argentina contra o Uruguai.
“Podem me chupar…e continuar chupando”, disse Maradona em frase direcionada aos jornalistas argentinos, que nos últimos meses desferiram intensas críticas contra a forma como Maradona treinava os “muchachos” da seleção.
Depois, reiterou o convite: “que a mamem” (“mamar” é a expressão usada em alguns países hispano-falantes, entre eles a Argentina, para designar a prática do sexo oral).
Em menos de uma hora, Maradona repetiu três vezes sua proposta de fellatio com os jornalistas, aos quais também chamou de “filhos da p…”.
De quebra, ao ser consultado por um jornalista de Buenos Aires, Maradona, antes de responder a pergunta, observou com outra referência sexual: “você tem uma dentro”.
Representação de fellatio em vaso de cerâmica da cultura Moche (civilização do norte peruano que floresceu entre o ano 100 a.C e o ano 800 d.C). Peça arqueológica exibida no Museu Larco, em Lima. A obra é do ano 300 de nossa era.
Fellatio provém do latim fellātus, particípio passado do verbo ‘fellāre’, isto é, ’sugar’.
E embaixo, outra escultura moche, desta vez, representando o sexo anal

Para mais detalhes sobre Maradona e o fellatio, aqui.

CLARÍN COM LOOK RENOVADO – O jornal Clarín renovou na semana passada seu look no site na web. Com a reforma, o www.clarin.com coloca (ao contrário da versão anterior) as notícias em ordem de importância (antes, pesava mais a ordem cronológica, fato que fazia que os leitores não vissem logo de cara as notícias que importavam).
Os blogs também foram renovados, com um look mais organizado.
Entre os meus preferidos está o de Juan Pablo Meneses. É imperdível a série que fez no ano passado sobre as vacas (isso mesmo, o emblemático quadrúpede mamífero que tantas alegrias propicia para a economia e a gastronomia local). O link para seu blog, aqui.
Outro blog, de tons mais literários, é o do jornalista Miguel Wiñazki, aqui (e é o pai de Nicolás Wiñazki, um jovem jornalista da área política, dono de impecável texto, que por enquanto – infelizmente – não possui um blog no jornal):
Em matéria de sites, ainda prefiro o do “La Nación”, que considero melhor organizado ( www.lanacion.com.ar ).
E está o site do jornal “Infobae” (www.infobae.com ), que embora cultive um peculiar sensacionalismo (e tem um mix de tom de direita, ao mesmo tempo que respalda enfaticamente o governo da presidente Cristina Kirchner), possui o mérito de ser o mais veloz de todos para atualizar as notícias.
Outros sites recomendados sobre notícias da Argentina, Uruguai e Paraguai estão do lado direito deste blog, na lista de links.
E aqui, lhes deixo os links de uns geniais cartunistas argentinos:
Niño Rodríguez: http://www.elninorodriguez.com/
Lucas Varela: http://lucasvarela.blogspot.com/
Liniers: http://www.porliniers.com/
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral ou partidária também será eliminada dos comentários.
Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).
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“Telo”, no “lunfardo” (gíria) portenho, significa “motel”. É o “vesre” de “hotel” (“vesre”, no lunfardo, é a forma de inverter uma palavra, embora nem sempre invertida de forma rigorosa).
A forma oficial para referir-se aos motéis é a de “hoteles alojamiento” (hotéis alojamento, literalmente) ou “albergue transitorio” (pela transitoriedade da estadia no estabelecimento).
Em Buenos Aires os motéis costumam ser “urbanos”, isto é, estão mais concentrados no centro da cidade e nos bairros residenciais do que na periferia ou nas estradas que saem da cidade, como costuma ser primordialmente no Brasil. Por esse motivo, os motéis são geralmente “verticais”, isto é, prédios de vários andares.
Esses edifícios convivem com prédios vizinhos residenciais ou de escritórios.
Segundo a Câmara de Proprietários de Alojamentos (CAPRAL), entidade que reúne os motéis portenhos, existem 176 estabelecimentos do gênero só na capital argentina.
Ocasionalmente, os moradores desses prédios – dependendo da largura das paredes que separam as construções – podem perceber determinados gemidos, expressões de estímulo, entre outros sons, provenientes do estabelecimento destinado à atividade sexual.
O formato de motéis verticais nas transitadas ruas portenhas requereu uma forma pitoresca e naif de ocultar a entrada nesses estabelecimentos (grande parte da clientela dos motéis é pedestre, pois vastos setores da classe média portenha, ao contrário da brasileira, não possuem automóveis, seguindo o estilo de vida europeu).
No caso do Brasil, os clientes ingressam nos motéis dentro de seus carros. Somente a pessoa da recepção os vê.
No entanto, nos motéis portenhos, o casal vem caminhando pela rua e, para dissimular a entrada, repentinamente ingressa no estabelecimento.
Para ter uma entrada minimamente “discreta” e não tão acelerada, os motéis portenhos contam com providenciais arvorezinhas instaladas na frente das portas dos estabelecimentos (cobrindo, evidentemente, uns metros mais do que a largura da porta).
Os arbustos – parte indefectível do conjunto arquitetônico dos motéis portenhos – tentam ocultar da vista dos carros que passam pela rua (ou dos pedestres da calçada da frente) a entrada pretensamente sigilosa do casal.
No outono esta proteção – por causa do efeito climático desfolhante dessa estação do ano – fica parcialmente reduzida.

Motel da rua J.María Gutiérrez com os arbustos densos que protegem a entrada dos clientes

Motel da rua Azcuénaga e seu providencial arbusto, no bairro da Recoleta

Vista de outro motel da rua Azcuénaga desde os fundos do cemitério da Recoleta. Neste caso, com arbusto já afetado pela intempérie do outono. Diversos motéis localizam-se na parte posterior do cemitério da Recoleta, na rua Azcuénaga. As janelas dos estabelecimentos tem vista para as imponentes cúpulas dos mausoléus dessa histórica “cidade dos mortos”.
TERMOS AFINS A MOTÉIS
BULO: Equivalente a uma garçonnière. Apartamento de pessoa solteira (ou casada com tempo para aventuras extramatrimoniais) primordialmente destinado para a atividade sexual (mais do que para moradia). “Bulo” provém de uma palavra do lunfardo mais utilizada no passado (e nos tangos): “bulín”.
Bulín, por seu lado, provém do francês “boulin”, que designa o buraco ou marquise nas paredes onde as pombas fazem ninhos e o lugar onde também acasalam. A palavra é praticamente desconhecida da maioria dos franceses, a não ser os columbófilos.
AMUEBLADO: Literalmente, “mobiliado”. Palavra usada mais na primeira metade do século XX para referir-se a uma espécie prototípica de motéis. Isto é, eram apartamentos discretíssimamente alugados por hora para casais. Uma espécie de motéis em sua mínima expressão. Os amueblados também eram chamados de “muebles”.
PISITO: Diminutivo de “piso” (andar). Usado como equivalente à garçonnière ou o apartamento de uma trabalhadora do sexo autônoma.

Interlúdio renascentista: “Venus e Marte”. De Sandro Botticelli, para ilustrar o momento após o sexo das duas figuras olímpicas. Ao redor de 1483. Está na National Gallery, em Londres.
GLOSSÁRIO SEXUAL
COGER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “coger el autobús (ônibus)”, para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual.
COGIDA: “Uma cogida”. O coito.
GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…
GARCHE: A cópula, expressada sem elegância
EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.
TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.
FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, pano utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.
VACUNAR: Vacinar. Refere-se ao ato de penetrar alguém.
ACABAR: Cuidado ao utilizar esse verbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.
TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.
VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.
VERSERO/A: O/A praticante do ‘verso’.
TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.
PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.
CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavra em Buenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.
PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.
CAFISHIO: O gigolô.
TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’.

Ipomoea batatas. A batata doce original. Na Argentina, alusões a este tubérculo podem referir-se ao ato de penetrar
GLOSSÁRIO DE SEXO E ALIMENTOS
Tal como em diversas partes do planeta as referências aos alimentos – de preferência tubérculos, legumes e cereais falofórmicos – são amplamente usadas para designar o membro viril.
ENTERRAR LA BATATA: A ‘batata’ desta frase refere-se à ‘batata-doce’. A nossa batata em português é “la papa” em espanhol. Mas, em ‘lunfardo’ a batata indica o membro viril. Logo, neste contexto, com alusões à atividade da lavoura, ‘enterrar la batata’ (enterrar a batata-doce) significa, em tradução figurativa, penetrar alguém. Não se usa “enterrar la papa” (isto é, nossa batata, em português). Talvez porque até poderia causar confusão com o termo ‘papa’, isto é, o Sumo Pontífice (e, já que estamos aqui, Pontífice vem do latim ‘Pontifex’, o “construtor de pontes”).
MOJAR LA CHAUCHA: Molhar a vagem. Similar para ‘enterrar la batata’.
MOJAR LA VAINILLA: Molhar a baunilha, isto é, o biscoito champagne. Na Argentina, um dos hits do lanche da tarde, décadas atrás, era o do café com leite (ou chá) com as ‘vainillas’ (biscoito-champange). No fim das contas, a expressão é similar a “enterrar la batata”.
ES UN BOMBÓN: É um bombom. Elogio que indica que alguém é bonito/a. Majoritariamente usado por mulheres (ou homens) para referir-se a homens.
ES UN CHURRO: É um churro. Igual ao bombón. Mas, a expressão é um pouco mais antiga.
QUE LOMO!: “Que lombo!”. Elogio carnívoro ao físico de alguém. Usado tanto por mulheres como por homens.
QUE PAN DULCE: “Que panettone!”. Elogio aos glúteos femininos.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
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