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Ariel Palacios

 

Secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, brinca com um balão  durante a abertura do ano parlamentar no Congresso Nacional. “Globito”  – “balãozinho” em castelhano - na gíria portenha equivale a preservativo.

O erotismo argentino não escapou às barreiras protecionistas do governo da presidente Cristina Kirchner. Tal como outros setores, entre os quais as autopeças, alimentos, têxteis, calçados e brinquedos, agora é vez dos preservativos e vibradores, além da lingerie erótica estrangeiros. Estes produtos tornaram-se o mais recente alvo da cruzada anti-importações implementada pelo secretário de Comércio, Guillermo Moreno, homem de confiança da presidente Cristina. 

A miríade de barreiras argentinas abarcam valores-critério, licenças não-automáticas, acordos voluntários de autorrestrição de venda para o mercado argentino, entre outros. Além disso, desde o dia 1 de fevereiro incluem uma autorização especial da receita federal como passo prévio para iniciar um trâmite de importação. A “blindagem” da Argentina contra a entrada de produtos provenientes do exterior é coordenada por Moreno.

Durante uma reunião com a empresa Kopelco, que fabrica a marca “Tulipán”, e Buhl, que produz a marca “Prime”, Moreno pediu aos executivos que produzam 3 milhões a 3,5 milhões de unidades mensais a mais em cada empresa. A política do governo é que os preservativos nativos fiquem com o mercado das compras públicas realizadas pela administração Kirchner para o setor de saúde.

 

 Por qual motivo caras como este acima não contam com estátuas? Além de Pinkus, um dos criadores da pílula anticoncepcional, outra figura relativamente esquecida é Gabriele Falloppio, um dos mais importantes anatomistas do século XVI. Ele descreveu as trompas que levam os óvulos do ovário para o útero e que ostentam seu sobrenome. Mas o que o signore Falloppio tem a ver com o assunto desta postagem? Ele foi o criador do primeiro preservativo masculino devidamente documentado, no ano da graça de 1564. O médico defendia o uso desta proteção como forma de combater o flagelo daqueles tempos, a sífilis. E deu certo, segundo ele próprio escreveu: “convenci 1.100 homens a usar (o preservativo). E convoco Deus imortal para testemunhar que nenhum deles foi infectado”. O versátil Fallopio também cunhou a mundialmente famosa palavra “vagina” (e também criou o termo ‘placenta’). Falloppio nasceu em 1523. Deixou de existir 39 anos depois.

Atualmente, o governo precisa recorrer a fornecedores asiáticos. Mas, caso o mercado local fique nas mãos dos fabricantes argentinos, Moreno evitaria a saída de dólares, política que tornou-se uma das principais metas da Casa Rosada.

Os executivos da Kopelco e a Buhl, que respectivamente possuem 52% e 35% do mercado local, prometeram a Moreno que aumentarão a produção para evitar a falta do produto no mercado, já que a escassez – devido ao impedimento para as marcas estrangeiras – começa a ser notada nas farmácias e supermercados.

Os empresários explicaram ao secretário que o consumo de preservativos oscila entre 150 milhões e 180 milhões unidades por ano. Quando foi informado sobre o número – segundo indicou o ”Política Online” - Moreno arregalou os olhos. Na sequência, fez observações sobre o que ele definiu – com palavras de baixo calão – como “uma intensa atividade sexual” de seus compatriotas.

 

Sexo paleolítico: Uma representação de uma deusa estilizada. É a “Vênus de Dolní Věstonice” (em tcheco, Věstonická Venuše). Esta pequena estátua de terracota, que data do 25 mil a.C, teria sido usada como um primitivo, embora eficaz, consolador. Uma alternativa a ser avaliada pelos consumidores, em caso de escassez dos importados. De quebra, este modelo não requer transferência de tecnologia.

VIBRADORES - Na reunião com os empresários Moreno indicou que havia assinado o bloqueio total para a entrada de vibradores importados (todo o consumo nacional é abastecido pelo exterior). O secretário também brincou sobre as tentativas frustradas dos importadores desse assessório sexual para driblar as barreiras: “nas declarações alfandegárias os caras colocavam ‘artigos para o prazer feminino’. Mas eu percebi logo do que se tratava!”.

Outros “brinquedos eróticos” também estão sofrendo com as barreiras, já que está escasseando no país matéria-prima importada (principalmente o silicone médico), crucial para a elaboração dos produtos. Representantes do setor também ressaltam que a a produção local de lingerie erótica está entrando em colapso, já que grande parte dos tecidos especiais provêm do exterior.

EL BUEN SALVAJE & ALARDE SOBRE GENITÁLIA - Os amigos de Guillermo Moreno o chamam “Napia”, gíria para nariz, devido a seu aquilino perfil. O ex-presidente Néstor Kirchner o chamava de “Lassie”, em irônica alusão à simpática e doce cadela collie imortalizada no cinema junto com Elizabeth Taylor. Ele também é chamado de “Highlander”, em alusão à sequência de filmes dos anos 80 cujo protagonista era um homem imortal – Connor Mc Leod – capaz de sobreviver a todas as circunstâncias (Moreno passou incólume por todas as reformas ministeriais que Cristina e seu marido fizeram, apesar dos pedidos dos empresários, sindicatos, partidos da oposição e intelectuais que pediram – e continuam pedindo – sua cabeça)

Os Kirchners sempre resistiram à ideia de removê-lo, já que Moreno é o homem que faz o “trabalho sujo”. Ele é o responsável pela manipulação de índices da inflação, pobreza, desemprego e o PIB. Estas estatísticas são elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob férrea intervenção do governo há seis anos.

Moreno (segundo relatos de empresários e sua biografia não-autorizada “El buen salvaje”) eventualmente iniciava encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa. Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – nos fins de semana, inclusive – para exigir, em frases entremeadas de sonoros palavrões, que congelem seus preços. Este comportamento iniciou na época que era secretário de Comunicações.

Dono de um frondoso bigode com as pontas curvas para baixo que fariam inveja ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata, o controvertido secretário também inicia as reuniões com executivos com afirmações sobre sua genitália, a qual, indica, é de dimensões superiores às dos presentes. O analista político Jorge Lanata, que nos anos 80 fundou o jornal Página 12, o batizou ironicamente de “El Poronga” (ver significado abaixo no glossário).

Óinc, teria dito o Marquês de Rabicó: a carne suína, considerada ‘afrodisíaca’ pela presidente Cristina, também sofre restrições. Me absterei de fazer comentários sobre o casamento do nobre suíno taubatense e sua união – supostamente ‘branca’ com Emília no sítio do Pica-pau Amarelo. Acima, a vaca Mocha, Emília e o Sus scrofa domesticus marquês.

LEITÕES, SEXO E BARREIRAS - Há dois anos a presidente Cristina Kirchner pregou um maior consumo de carne suína por parte dos argentinos, alegando que era “altamente afrodisíaca”. Em um discurso na TV, transmitido desde o palácio presidencial, Cristina sustentou na época que “é muito mais gratificante comer um leitãozinho do que tomar viagra”. Na ocasião, relatou que havia podido comprovar os efeitos da carne suína no fim de semana que havia passado em El Calafate, na Patagônia, com seu marido, o ex-presidente Nestor Kirchner.

No entanto, o consumo de carne suína, que cresceu após a divulgação presidencial de suas supostas qualidades sexuais, está enfrentando uma queda do abastecimento, já que as barreiras alfandegárias do secretário Moreno complicam a entrada de carne suína brasileira (especialmente a polpa).

Do total consumido no país, 40% da carne suína provinha do Brasil até o final do ano passado. Por este motivo, o preço do produto está subindo, fato que está causando problemas para a continuidade do programa ‘Leitão para todos’, lançado em 2010 por Cristina para ‘democratizar’ o consumo do afrodisíaco leitão entre os argentinos.

GLOSSÁRIO SEXUAL

COGER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “coger el autobús (ônibus), para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual.

COGIDA: “Uma cogida”. O coito.

GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…

GARCHE: A cópula, expressada sem elegância

EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.

TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.

FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, produto utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.

VACUNAR: Vacinar. Refere-se ao ato de penetrar alguém.

ACABAR: Cuidado ao utilizar esseverbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.

TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.

VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.

VERSERO/A: O praticante do ‘verso’.

TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.

PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.

CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavraemBuenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.

PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.

CAFISHIO: O gigolô.

TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’. 

FORRO: Forma chula-light de referir-se ao preservativo.

        

E falando em coitos e leitãozinhos, aqui vai um vídeo de Miss Piggy, uma das estrelas dos Muppets, cantando o tema “Nunca aos domingos”, filme franco-grego cuja personagem principal é uma prostituta com intenso joie de vivre.

E, na seqüência, novamente Miss Piggy  cantando “Don’t go breaking my heart”, com Sir Elton John:

E aqui, deixando de lado miss Piggy, mas ainda na área sexual,o tango “El Choclo” (O sabugo de milho), de Angel Villoldo, de 1905. O título, indicam historiadores do tango, era no início uma maliciosa referência ao falo (e não a esse alimento emblemático da civilização asteca):

  

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Pinguins de Madagascar analisam verbetes do kirchnerês. Ao fundo, atrás da asa da caneca alemã de cerveja (que uso para água), imagem do Canal Nueve mostra imagem da nova composição do Parlamento. Esta imagem substitui a anterior, na qual os dois plumíferos estavam sendo observados por Asterix (estava muito fora de foco). Foto de Ariel Palacios.

Desde que Néstor e Cristina Kirchner chegaram ao poder em 2003 novos termos – e expressões idiomáticas – foram incorporados à política argentina.

Levando em conta que a presidente Cristina ficará outros quatro anos a mais em “el sillón de Rivadavia” (denominação da cadeira presidencial), aqui segue um imprescindível – embora breve – manual para entender o “kirchnerês”.  Não perca a parte 2 de “Parlez-vous kirchnerês?” no dia 10 de dezembro, data da posse presidencial, dia em que ampliaremos este glossário. 

KIRCHNERS E KIRCHNERISMO

El Pinguino (O Pingüim) – Apelido de Néstor Kirchner por suas origens patagônias e seu perfil nasal, similar ao da ave polar. Cristina Kirchner é chamada de “La Pingüina” (a Pinguim-fêmea).

La Pinguinera (A Pinguineira) – Refere-se aos mais de 2 mil funcionários de origem patagônia que Kirchner e seus ministros trouxeram à Buenos Aires. O termo também define o círculo íntimo presidencial.

Pinguinos puros (Pinguins “puros”) – Aqueles que estavam com o casal Kirchner desde que estes governavam a província de Santa Cruz nos anos 90. São as pessoas de maior confiança da presidente Cristina.

Kirchnerismo: Denominação da corrente política que, dentro do Peronismo, reuniu políticos de diversas tendências. O grupo apresenta-se como “progressista”, embora conte com vários caudilhos que estão no poder há décadas.

Nac y Pop (Nac e Pop) – Nacional e Popular. Definição abreviada que os kirchneristas dão para contextualizar seu movimento político

Estilo K – Estilo de falar sem papas na língua, que também implica em bater primeiro para depois negociar.

Economia K – Termo que define medidas que misturam pragmatismo econômico a curto prazo com tons keynesianos, embalados por políticas neoliberais camufladas. Segundo uns, é “flexibilidade” ideológica. Segundo outros, “oportunismo”. O termo “empresariado K” define os industriais que respaldam sua política econômica, entre os quais empresários nativos e diversas multinacionais estrangeiras.

“Él” (“Ele”) - Forma como a presidente Cristina começou a referir-se sobre seu marido Nestor Kirchner após sua morte há um ano.

Os Cristinos/ Os Cristinistas – Dentro do kirchnerismo, eles são os seguidores da presidente Cristina. São basicamente jovens ministros, secretários e diretores cujo poder cresceu desde a posse de Cristina. Exemplos: o ministro da Economia, Amado Boudou (vice-presidente eleito) e o secretário de Meios de Comunicação, Juan Abal Medina.

Transversalidade – Sistema supra-partidário que Kirchner tentou criar para independizar-se do Partido Justiacialista (Peronista). No entanto, as tentativas de captar setores socialistas e de esquerda fracassaram. Nos últimos anos a presidente Cristina deixou a transveralidade de lado e optou por fortalecer-se dentro do peronismo, atraindo, inclusive, velhos inimigos peronistas dissidentes como o ex-presidente Carlos Menem (1989-99).

OS INIMIGOS

El Monopólio (O Monopólio) – “Monopólio” provém do grego “monos” (um) e “polein” (vender) e indica uma situação de privilégio na qual uma empresa ou o Estado possui o controle total do mercado. A condição necessária é que não existam produtos substitutos e que o único disponível é aquele produzido pelo monopólio. No entanto, o termo é aplicado pelo governo para referir-se ao Grupo Clarín, considerado “inimigo mortal” pela presidente Cristina, embora não tenha o monopólio dos meios na Argentina. A oposição afirma que, enquanto os Kirchners referem-se ao “monopólio”, o governo desfruta dos favores do “amigopólio”, formado pela própria agência estatal de notícias Télam (a maior do país), a estatal Rádio Nacional, e os meios de comunicação privados Página 12, Tiempo Argentino, El Argentino, Sur, a revista Veintitrés, a revista Debates, El Guardián, e os canais de TV C5N, CN23, Crônica, Nueve e Telefé, entre muitos outros.

La puta oligarquia (A puta oligarquia) – Expressão popularizada pelo líder piqueteiro kirchnerista Luis D’Elía, admirador da revolução iraniana: “odeio os brancos e a puta oligarquia”. Segundo o próprio, o alvo de seu ódio são “todos aqueles que moram ao norte da avenida Santa Fe”. Ali concentra-se grande parte das fortunas do país, misturados também com integrantes da classe média. Paradoxalmente, parte do gabinete Kirchner também reside nessa elitista área da cidade.

Garcas - O termo é velho, mas foi ressuscitado durante o kirchnerismo. É a abreviação de “oligarcas”. E até virou verbo o “garcar”.

Gorilas – Denominação antigamente aplicada somente aos ferrenhos anti-peronistas. Nos últimos anos passou a ser aplicada a qualquer um que critica o governo Kirchner.

A PRESIDENTE CRISTINA

Reina Cristina (Rainha Cristina) – Cristina Kirchner, por sua pose de diva, é chamada “A rainha Cristina”, em alusão ao filme homônimo protagonizado por Greta Garbo nos anos 30, no qual interpretava a absolutista e vaidosa rainha Cristina da Suécia, da dinastia Vasa. Biógrafos não-autorizados de Cristina Kirchner afirmam que ela adora ser chamada de “rainha”.

PresidentA: “Presidenta! Presidentaaa! Que fique bem claro para vocês. É ‘presidenta’”. Desta forma, com dedo em riste e marcando a letra “a” da palavra “presidenta”, a então primeira-dama repreendeu a plateia que participava do comício de lançamento presidencial em julho de 2007 (o público havia gritado em coro “Cristina presidente!”). Só nos primeiros 45 dias de governo, por ordens diretas suas, a Casa Rosada rejeitou mais de 300 documentos em cujo cabeçalho e texto aparecia a palavra neutra “presidente” (com “e” final). Atualmente, todos os documentos ostentam a versão com “a” exigida por Cristina.

Es too much (É too much) – “É demasiado”. Expressão que mistura espanhol com inglês usada por Cristina para reclamar de algo. Pronúncia da presidente: “tchúmách”.

Louis Vuitton – Versace foi a marca no período menemista, já que o então presidente Carlos Menem apreciava as sedas multicoloridas do estilista italiano. Mas, durante o período kirchnerista, a marca – especificamente, com Cristina Kirchner (não Néstor) – passou a ser a francesa Louis Vuitton.

 

 hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

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As delícias de ser avó. Neste quadro – o “Bolo de aniversário da vovó” - de Fritz Sonderland (1836-96), aparecem diversas criancinhas que visitam a casa da avó para celebrar com a doce senhora. A obra está na Galeria Josef Mensing, Hamm Rhynern, na Renânia-Westfália do Norte, Alemanha.

Cristina Kirchner tornou-se aprimeira presidente na América do Sul a twittar o anúncio do surgimento de um herdeiro familiar. Nesta quarta-feira ela interrompeu os comentários políticos que costuma fazer na rede de microbloggings para informar que seu filho mais velho, Máximo, de 34 anos, será pai. “Terei um neto! CFK avó!”, twittou, citando as siglas de seu nome e sobrenome.

Depois, em referência à morte de seu marido, o ex-presidente NestorKirchner, em outubro passado, afirmou no twitter: “Deus tira de você…e Deus te dá” (o link para a twittada presidencial, aqui).

Máximo, o filhomais velho do casal Kirchner,transformou-se nos últimos dois anos no líder de “La Cámpora” – grupo que reúne a juventude kirchnerista – cujos integrantes começaram a ocupar diversos postos-chave do governo nos últimos tempos.

Na sequência, pelo twitter, Cristina definiu Kirchner como um “gladiador” e atribuiu sua morte, por um fulminante ataque cardíaco, ao fato de que “seu corpo ficou gasto de tantas lutas”.

Kirchner havia sido operado duas vezes em menos de um ano por obstruções na carótida. Mas, contrariando as recomendações médicas, Kirchner – considerado o verdadeiro poder no governode Cristina – continuou mantendo uma intensa atividade administrativa. 

A nora, o filho, a própria presidente. Da esquerda para a direita, Máximo Kirchner – o primogênito do casal Kirchner – e a presidente Cristina E.F. de Kirchner. Esta, será avó oficialmente pela primeira vez. Máximo passa a maior parte do tempo na província de Santa Cruz, feudo político dos Kirchners. Ali conheceu María Rocío García, filha de um ex-governador interino. A irmã de Rocío foi designada candidata para o Senado nas eleições de outubro.

BUSCADOR – Militantes kirchneristas lançaram o buscador de internet “busKador” (www.buskador.com.ar), no qual o internauta poderá encontrar notícias, pensamentos, blogs e os mais diversos sites que respaldam (ou que possuam vínculos) com o projeto “Nac e Pop” (Nacional e Popular, expressão usada pelo kircherismo para sintetizar seu pensamento político).

Ficaram excluídos do “busKador” os sites diretos de meios de comunicação críticos do governo Kirchner, como o “Clarín”, “La Nación” e “Perfil” e os partidos de oposição como o “Proposta Republicana” e a “União Cívica Radical”, entre outros. Estes jornais ou partidos só aparecem quando são citados em algum blog ou site alinhado com o kirchnerismo.

 

Do lado esquerdo, o Eternauta verdadeiro, o personagem de Juan Salvo, imortalizado pelo roteiro de Héctor Oesterheld e o traço de Solano López (descendente, este, do homônimo presidente do Paraguai em meados do século XIX). Do lado direito, Kirchner vestido como o Eternauta.

O site BusKador ostenta uma única ilustração, a do ex-presidente Kirchner caracterizadocomo o “Eternauta”, herói de uma tirinha de ficção científica argentina na qual o protagonista luta com sucesso contra invasores de outro planeta que querem escravizar a Humanidade. 

LES FRÈRES - E falando na transformação de Cristina Kirchner em avó, cá temos o escritor Victor Hugo com seus dois netos. O francês autor de “Os miseráveis” e “Os trabalhadores do mar” também escreveu o livro “ L’Art d’être Grand-Père” (A arte de ser avô, de 1877), uma pequena obra-prima sobre as delícias e obrigações de cuidar dos netos.

O francês Victor Hugo e seus netos foram o gancho para recordar que hoje é o 14 juillet, o 14 de julho, a data emblemática francesa, o dia da queda da Bastilha, o pontapé inicial da França moderna e dos ideais de Liberté, Egalité e Fraternité.  

E, como este é um blog francófilo, faremos uma ponte entre a França e a Argentina – e entre Paris e Buenos Aires (denominada na primeira metade do século XX de “A Paris da América do Sul”) brevemente transformaremos “Os Hermanos” em “Les Frères”

A “Tomada da Bastilha”, de Jean-Pierre Louis Laurent Houël.  No centro se vê a prisão de Jourdan de René de Bernard, marquês de Launay (1740-1789).

A melodia comme il faut desta jornada é La Marseillaise, o Hino Nacional francês. Neste link do Youtube,  esse vraiment supimpa hino cantado por Plácido Domingo. Ici même….Aqui mesmo. 

 E, para fazer um link novamente com a Argentina, Carlos Gardel, cantando Anclao en Paris, aqui.

E Gardel cantando “Francesita”, Aqui.

Neste, cantando “Silencio”, um tango que relata a história de uma mãe cujos filhos estão lutando nas trincheiras na França na Primeira Guerra Mundial. Aqui.

 E outro tango com referências à França, “El Marne”, de Eduardo “El Tigre” Arolas, em uma versão de Astor Piazzolla. Aqui.

E as primeiras cenas do filme “Tangos, o exílio de Gardel”, rodado em Paris. O trecho deste filme de Fernando Solanas,aqui.

Claude Monet, Rue Montorgueil, Paris, Festival de 30 de junho, 1878. Pintado em 1878. Musée d’Orsay, Paris.

Buenos Aires foi chamada de “A Paris da América do Sul” no início do século XX… e não era à toa: a aristocracia portenha fazia com grande frequência viagens à capital francesa para ali passar vários meses. A própria Buenos Aires inspirava-se na arquitetura francesa. E de quebra, importavam esculturas da França para decorar os parques e praças portenhas.

Neste post de tempos atrás, a presença de Auguste Rodin em Buenos Aires…quase um portenho honorário! Aqui.

Bom, neste globalizado blog não poderíamos deixar de citar a Itália…que entra aqui pela figura de Yves Montand, italiano de nascimento e posteriormente cidadão francês. Originalmente foi Ivo Livi, nascido em 1921em Monsummano Alto, Toscana.

Neste link, canta “Paris canaille”. Aqui.

Neste outro, entoa o “Canto dos partisanos”, o hino da resistência francesa. Aqui.

E para encerrar, escolhemos um clássico, “Casablanca”. A arrepiante cena na qual Lazlo, em pleno bar do Rick, desafia os representantes do Terceiro Reich e canta “A Marselhesa”. Aqui.

Meu “Vive la France!” aos franceses, franco-argentinos e franco-brasileiros.

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Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Suculentas uvas da variedade Malbec

No dia 17 de abril a Wines of Argentina, entidade privada que reúne as adegas argentinas, celebrará pela primeira vez o “Dia Mundial do Malbec” em trinta países com a realização de eventos de degustação, promoções em restaurantes e até brindes – nas alturas – em balões aerostáticos. O objetivo das adegas é o de consolidar a Argentina como o “país do Malbec”, já que esta variedade de uva, que foi parcialmente devastada por geadas há seis décadas na França – sua pátria-mãe – sobreviveu e espalhou-se na Argentina, transformando-se, praticamente, no “vinho nacional” deste país.

Atualmente, adegas francesas – inclusive as de Cahors, região original desta uva na França – importam esse vinho da Argentina, considerado pelos enólogos como o melhor Malbec do mundo.

Segundo dados da Caucasia Wine Thinking, desde 2002 as exportações argentinas de Malbec passaram de 850 mil caixas de 9 litros para 8,6 milhões de caixas em 2010, volume que implica em um aumento de 916%. No mesmo período, o volume de dólares FOB passou de US$ 23,1 milhões para US$ 306 milhões, equivalente a um aumento de 1.220%.

Atualmente, do total de vinho exportado pela Argentina, 47% correspondem às vendas de Malbec para o exterior.

Com o Malbec World Day as adegas argentinas pretendem que o país seja automaticamente identificado com esta variedade. Em Nova York, a Biblioteca Pública Nacional será iluminada com a cor do Malbec, enquanto o edifício alberga uma série de atividades, que irão de palestras às degustações.

A Wines of Argentina organizará em Londres e Toronto sessões especiais nas quais os convidados poderão pisar as uvas nos tonéis.

Os eventos internacionais serão acompanhados por substanciais churrascos com carne argentina, shows de tango e reuniões empresariais.

As principais celebrações ocorrerão em Mendoza, no oeste da Argentina, onde estão as adegas mais importantes do país. Ali, 200 convidados VIP brindarão em balões, a 30 metros de altura sobre os vinhedos.

O Brasil, um dos grandes mercados do vinho argentino, terá uma data diferenciada, já que será no dia 18, segunda-feira, na cidade de São Paulo.

A indústria vinícola argentina vive um boom sem precedentes em toda sua História. O setor exportou US$ 741,4 milhões em 2010, equivalente a 16,44% a mais do que em 2009.

 TÉDIO – No entanto, nem todos consideram que o boom do Malbec chegou para ficar. Segundo Gerard Basset, melhor sommelier do mundo em 2010, durante a recente cerimônia do Argentina Wine Awards, causou polêmica ao afirmar que “o Malbec vai passar de moda”. Segundo ele, o público consumidor “vai entediar-se”, já que “sempre procura coisas novas”.

Basset alertou para uma eventual “malbec-dependência” e sustentou que as adegas argentinas “deveriam experimentar coisas novas, não somente o Malbec”.

O especialista também sustentou que ainda não existem vinhos que sejam “embaixadores” da Argentina no exterior: “há marcas respeitadas.. mas não verdadeiros ícones”.

Alberto Arizu, presidente da Wines of Argentina, considera que o “furor” pelo Malbec continuará “por muitos anos”. No entanto, destacou que “a Argentina não é somente este varietal. Temos muito potencial com o Cabernet Sauvignon, Bonarda, Syrah e Torrontés”.

“Uva emblema pode ser uma casta de dois gumes”, texto do Luiz Horta sobre os vinhos portugueses, com breve referência sobre o Malbec, aqui.

 

E FALANDO EM VINHO… EXPRESSÕES PORTENHAS RELATIVAS A BEBER E COMER

CHUPAR: Beber abundantemente. Álcool, evidentemente (acho que em lugar algum no mundo há gírias para referir-se ao ato de beber água mineral com gás). Entornar. Quem “chupa” muito fica “mamado” (bêbado) ou “curda” (bêbado). O mesmo verbo no espanhol da Argentina – tal como no idioma de Eça de Queirós e Sidney Magal – também pode ser usado para a prática do fellatio.

ESCABIO: Bebida alcoólica. Vem de uma antiga palavra italiana, ‘scabi’, usada para referir-se ao vinho.

ESCABIAR: Ingerir generosas quantias de destilados e fermentados.

BORRACHO: Palavra em espanhol para bêbado. Não é à toa que os hispano-falantes riem quando leem nas estradas brasileiras a placa “borracharia”.

A borracharia, isto é, o lugar ad hoc para pneus e serviços relativos, denomina-se “gomería” nos países do Cone Sul.

BEODO: Gíria (fina) para bêbado. Não confundir com “Boedo”, o bairro vizinho a Almagro.

CURDA: Gíria para bebedeira substancial.

Anibal Troilo, intérprete de tangos que discorriam sobre bebedeiras

“La última curda” (A última bebedeira), tango de Aníbal Troilo, letra de Cátulo Castillo. O cantor, nesta ocasião, é Roberto Goyeneche. Aqui.

Outra versão de “La última curda”, com o roqueiro Fito Páez, aqui.

MORFI Y CHUPI: Forma ligeiramente abreviada para referir-se ao conjunto de “comida” e “bebida”. Exemplo: “Vamos al cóctel que el diputado Troesma Piola de Prepo ofrece a la artista plástica Amnésia de Souza-Naves! Hay morfi y chupi!” (Vamos no coquetel que o deputado Troesma Piola de Prepo oferece à artista plástica Amnésia de Souza-Naves! Há comes e bebes) 

MORFAR: Comer. Comer para valer, com voracidade pantagruélica. Exemplo: “me morfé tres platos de ñoquis!” (comi – para valer – tres pratos de nhoques). A palavra origina-se do termo “morfellier” que no ‘argot’ (a gíria francesa) do final do século XIX e começo do XX significava “comer”. Séculos antes disso, François Rabelais, o autor de “Pantagruel”, o anti-anoréxico personagem, usava o verbo “morfiailler” em suas obras.

MORFÓN: glutão.

ZAPÁN: “Pança”, mas ao contrário. É um exemplo do “vesre”, a forma do lunfardo de falar ao contrário. Os parisienses possuem uma forma equivalente, o “verlan” (o contrário fonético de ‘l’envers’, ‘o contrário’ em francês).

 E de novo Aníbal Troilo, com um emblemático tango, o “Quejas de bandoneón” Aqui.

…E um epílogo musical com a “Valse Triste”, do finlandês Jean Sibelius, com a batuta do batuta Herbert Von Karajan. Aqui.

Na foto acima, Sibelius em 1913

     

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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De Gardel a Camões, uma Pulex irritans incomoda muita gente. Muitas Pulex irritans incomodam muito mais.  Ilustração de uma pulga no livro “Micrographia”, do físico, biólogo, geólogo e arquiteto inglês Robert Hooke (1635-1703).

Caras e caros, aqui está nossa periódica coluna sobre as expressões idiomáticas usadas na Argentina (e de aplicação em outros países hispano-falantes).

Andá cantarle a Gardel (Vá cantar ao Gardel): A frase literalmente indica que o interlocutor vá até o cantor de tangos Carlos Gardel e cante para ele. No entanto, é uma ironia, já que a verdadeira mensagem – ao enviar a pessoa ao Gardel, morto desde 1935 (além do paradoxo de cantar para o emblemático cantor do tango) – é “vá reclamar a outra pessoa”, também podendo equivaler a “vá ver se estou na esquina”.

A frase é muito usada no contexto de incredulidade da pessoa “A”, que considera inverossímil (ou insuportável) algum comentário da pessoa “B”. Por isso, “A!” diz a ”B” que vá cantar para o famoso intérprete de “Anclao en Paris” e “Mi Buenos Aires querido” (além do divertido fox trot “Rubias de New York”).

Gardel, Carlos. O emblemático cantor de tangos. Ele morreu em 1935. Mas, seus admiradores afirmam que “Gardel cada día canta mejor” (Gardel cada dia canta melhor).

 O “andá a cantarle a Gardel” também seria equivalente à expressão usada em Lisboa “vá chatear o Camões”, em alusão ao poeta zarolho lusitano Luís Vaz de Camões. Evidentemente, o chatear em questão equivale a “encher” e nada tem a ver com manter um chat com o autor do verso “as armas e os barões assinalados que, da ocidental praia lusitana, por mares nunca de antes navegados passaram ainda além da Trapobana”.

Falando em Trapobana, o “andá a cantarle a Gardel…” equivaleria (se alguém dissesse algo assim) a “vá para a Taprobana cantar um fado à Amália Rodrigues e aproveite e cate coquinho na ladeira do Chiado quando desce para o Rossio”, ou ainda o “vá para a Bessarábia” (anos 50 e 60, usado no Brasil). Ou o clássico dos clássicos, “vá para a Cochinchina”, isto é, quando se expressa o desejo de que o interlocutor visite as terras outrora colonizadas pela França e que agora ocupam as áreas meridionais do Vietnã e do Cambodja.

Dentro do círculo vermelho a tão famosa Cochinchina, para onde foram enviadas tantas pessoas ao longo de décadas!

 O “Andá cantarle a Gardel”, no entanto, não possui grau de agressividade elevado, já que contém alta ironia.

Outras expressões que expressam que o interlocutor rume para algum lugar específico possuem cargas agressivas mais elevadas.

É o caso do insulto de convite imperativo “Andá a la puta que te parió!” (equivalente em 100% ao “Vai para a puta que te pariu” aplicado cotidianamente no Brasil e outras terras luso-falantes). Este carece da ironia utilizada no “Andá a cantarle a Gardel”.

O “Andá a la puta que te parió” pode ser tonificado com um reforço não obrigatório. Desta forma, transforma-se na expressão ampliada “andá a la puta que te parió, boludo (para mais explicações sobre o ‘boludo’, ver aqui).

É preciso destacar que o uso do “boludo” aqui aplicado não é uma obrigação (cara/caro leitora/leitor não sinta-se induzido ou forçado a ampliar a expressão original, pois já dizia o brilhante arquiteto Mies van der Rohe “less is more”) nem é o único insulto que pode ser colocado após a vírgula. Existe uma miríade de possibilidades no universo dos epítetos. Outra alternativa é o “andá a la puta que te parió, zopenco” (zopenco equivale a “tonto” e é pouco usado atualmente… mas é sempre uma ocasião de recuperar este insulto, que pode ser encarado como ‘vintage’, não é?). Uma alternativa mais atual (no entanto com menos glamour) é o “andá a la puta que te parió, repelotudo“. Sobre esta palavra, recorra à postagem de meses atrás sobre o “Boludo”. Ali encontrará mais referências sobre o pelotudo e o repelotudo (a segunda palavra é na verdade, uma versão anabolizada da primeira palavra).

Enquanto que em Buenos Aires o insulto de convite imperativo é “vá cantar ao Gardel”, em Lisboa é “vá chatear o Camões”. Acima, o autor dos “Lusíadas”.

 A expressão “andá a la puta que te parió, boludotambém pode ser novamente tonificada da seguinte maneira: “andá a la puta que te parió, pedazo de boludo.

Neste caso a pessoa “A”, que dirige a palavra ao interlocutor, isto é, a pessoa “B”, reforça seu desejo com a palavra “pedazo” (pedaço), que especifica mais ainda o “boludo” em questão.

Paradoxalmente, a frase fica mais sonora e enfática, embora o “pedazo de boludo” indique que não se trata de um boludo 100%, mas sim, um boludo parcial.

Isto é, segundo algumas teorias, poderia significar uma ironia, já que algumas correntes filosóficas indicam que um boludo não pode ser parcialmente boludo. Ou é boludo ou não é boludo. Eu, pessoalmente, discordo de tais posições ortodoxas e considero que podem existir boludos ma non troppo.

De quebra, o “andá…” pode ser também aplicado com uma versão inquisitiva, o “porque no te vas a la puta que te parió?”. Neste caso, a pessoa “A”, em vez de mandar – com o verbo no imperativo (tal como nos anteriores exemplos) – a pessoa “B” para o lugar determinado, ela opta por perguntar se por acaso não iria a esse lugar.

A pergunta é meramente retórica, já que a pessoa “A” não tem curiosidade sobre a eventual ida de “B” à “puta que te parió”. É uma ironia, no fundo.

Ludwig Mies van der Rohe (1886 – 1969) tinha a teoria de “less is more” (menos é mais). No entanto, a arte dos epítetos (especialmente a dos convites imperativos) vai na contra-mão do autor de obras como a “poltrona Barcelona” e a “Farnsworth House” e prefere um modo mais rococó para os insultos.

Ser de pocas pulgas (Ser de poucas pulgas): Pessoa que não suporta que coisa alguma a incomode. A expressão refere-se a alguém que não suporta qualquer incômodo, neste caso as pulgas, mesmo que sejam poucas Pulex irritans, estas irritantes representantes da ordem das Siphonaptera.

Sacar los trapitos al sol (Colocar os trapinhos no sol): Esta é a expressão equivalente na Argentina e outroas países hispano-falantes a “lavar a roupa suja fora de casa”. Utilizada principalmente para aqueles casais ou parentes que discutem em voz alta, divulgando em público características ou fatos comprometedores dos protagonistas. Curiosamente, a frase em português parece referir-se ao ato da lavanderia, enquanto que no caso em espanhol trata-se da colocação da roupa (trapitos, em tom despectivo) no varal para secar.

   E já que falamos em cantar ao Gardel, nada melhor que o Gardel cante para a gente.

“Chorra” (Ladra), um irônico relato sobre uma picareta (que por seu lado era filha de pai e mãe picareta!), aqui.

E o pouco conhecido “Micifuz”, aqui.

E deixando Gardel de lado, passamos para Osvaldo Pugliese. Com sua orquestra, “Derecho Viejo”. Genial Pugliese, cuja foto é levada por milhares de portenhos como “amuleto”. Aqui.

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O escritor espanhol Manuel Mayol, quando residia na Argentina nas primeiras décadas do século XX, saía com frequência para noitadas embaladas pelo tango. Para o caso de ser encontrado inconsciente devido à ingestão de significativo volume de etílicos, pedia a quem o visse nesse estado que amarrasse na lapela de seu paletó o cartão acima, que tinha a legenda: “ESTOU DE FARRA – Suplico à pessoa que me encontre ‘en pedo’ (bêbado), amarrar esta etiqueta na casa do botão de meu paletó. ENVIE-ME PARA CASA. Nome: Mayol, Manuel. Endereço: Av. de Mayo 1334 – 3-10. Por favor, não bata na porta, mas sim, toque a campainha e espere que me recebam”. Mayol era o editor da principal revista argentina da época, a “Caras y Caretas”.

blog1dedo2b“Sacar viruta al piso” (tirar lascas do chão) – uma das mais típicas expressões do tango para indicar o frenesi pela dança – marca o espírito que promete tomar conta de Buenos Aires nas próximas duas semanas, já que nesta sexta-feira iniciou o “Tango Buenos Aires, Festival e Campeonato mundial”.

Esta oitava edição do evento contará com shows de dança, apresentações musicais, além de conferencistas que dissertarão sobre as origens, presente e futuro deste ritmo musical que o escritor argentino Jorge Luis Borges costumava definir como “uma forma de caminhar pela vida”.

Mais de 430 casais da Argentina, outros países da América do Sul, Europa e Ásia demonstrarão seus talentos tangueiros neste festival, que concentrará a nata dos dançarinos do tango mundial até o 31 de agosto, dia do encerramento.

As apresentações de dança estarão divididas entre o “tango cenário” (estilo de tango com coreografia elaborada para shows) e o “tango salão” (o tango tradicional, dançado nos salões das tanguerías ou milongas).

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Foto do festival do ano passado. Público ’saca viruta del piso’ durante festival de tango (Crédito: prefeitura da cidade de Buenos Aires)

O Buenos Aires tango contará com 150 shows e atividades gratuitas, entre concertos de tango, shows de dança, conferências, aulas de tango (uma das professoras será uma das estrelas atuais, a dançarina Mora Goodoy) e ciclo de cinema sobre esse ritmo do rio da Prata. Os organizadores afirmam que a ambição é superar a faixa de 300 mil participantes do ano passado.

As finais do campeonato de tango salão e tango cenário serão realizadas nos dias 30 e 31 de agosto no Luna Park, em pleno centro portenho.

O link oficial do Festival de Tango, aqui.

TANGO, DAS ORIGENS AFRICANAS AO TECHNO

Tango platino: O ritmo surgiu às margens do rio da Prata nos bairros dos ex-escravos africanos em Buenos Aires e Montevidéu ao redor de 1850. Na três décadas seguintes foi absorvido pelos argentinos não-africanos, que incorporaram o violão ao ritmo. No final do século dezenove estava totalmente transformado com as influências dos imigrantes italianos, que incluíram o piano, a flauta e o violino. Na mesma época, graças aos imigrantes alemães, entrou em cena o bandoneón. A partir do século vinte tornou-se a música-símbolo da Argentina e do Uruguai. É também um ritmo popular na distante Finlândia, onde o tango chegou com força na década de 20 e desenvolveu-se de forma independente. Para mais detalhes sobre a origem do tango, veja esta postagem, aqui. 

E outra postagem, sobre como continuou o caminho do tango, aqui.

Carlos Gardel: Os argentinos e os franceses afirmam que nasceu em Toulose, França, e migrou com sua mãe para a Argentina aos três anos de idade. Os uruguaios afirmam que Gardel nasceu no interior do Uruguai, na cidade de Tacuarembó. Em seu documento de identidade Gardel se apresenta como nascido no Uruguai. Mas, o próprio Gardel, em seu testamento, afirma que é francês de nascimento. No meio deste imbroglio de informações, a única certeza sobre sua vida pessoal (no que concerne à nacionalidade e preocupações afins sobre passaportes) é que ele passou sua infância, adolescência e parte da vida adulta em Buenos Aires, portanto, “portenho” de criação. E além disso, que morreu em 1935 em um acidente de avião na Colômbia. Seu corpo está enterrado no cemitério portenho de La Chacarita. Para mais detalhes sobre Gardel, esta postagem do ano passado, aqui.

Le Pera, o ítalo-brasileiro-argentino: As letras de maior sucesso de Gardel foram compostas por seu parceiro Alfredo Le Pera, nascido no Brasil, filho de imigrantes italianos (mas, criado desde os três meses de idade na Argentina).

Astor Piazzolla: Este bandoneonista, nascido na cidade de Mar del Plata, que morou parte da infância em Nova York (onde conheceu Carlos Gardel), renovou o tango a partir dos anos 50 (mas com mais ênfase a partir dos 60). Foi a principal corrente de renovação do tango até o surgimento do tango techno. Para mais detalhes de uma das mais famosas melodias de Piazzolla, o “Balada para um loco”, aqui.

Tango techno: Ritmo que renovou o tango. O gênero cresceu em meio à crise social e econômica de 2001-2002. Um dos principais expoentes é o grupo “Bajofondo” e o “Gotán Project”.

Milongas: “Milonga” é um ritmo de tango acelerado, com raízes africanas mais evidentes. No entanto, como estabelecimento, “milonga” significa lugar onde se dança o tango. Exemplo: “ontem à noite fui dançar em uma milonga no centro”.

Consumo: Autoridades portenhas e especialistas afirmam que apesar do tango ser um dos principais símbolos da Argentina no imaginário dos visitantes estrangeiros, ele é consumido por uma faixa que oscila dos 25% aos 30% de habitantes do país. 

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Jorge Luis Borges. Segundo ele, o tango “é uma forma de caminhar pela vida”.

LETRAS DE TANGOS, OS ASSUNTOS TOP FOUR (breve guia):

La Pebeta: La pebeta, a garota. A mulher amada. Ou aquela pela qual estamos inexoravelmente atraídos. Sempre está na nas letras. E em boa parte das canções, ela deixa os protagonistas. O tango “Percanta”, em uma versão techno, aqui.

La vieja, viejita: A velha, a velhinha. Ora, a mãe. Mãe é sempre sagrada. Mas no tango, mais ainda. Sempre trabalha para dar tudo aos filhos. E os filhos, nem sempre percebem isso. Ou percebem quando já são marmanjos. O famoso tango “Silêncio”, aqui.

La barra, los muchachos: A turma, os rapazes. Os amigos de toda a vida. Em “Cafetín de Buenos Aires” os amigos estão muito presentes. Um link do Youtube sobre este tango, aqui.

El barrio: O bairro. O lugar onde os protagonistas nasceram e passaram boa parte de suas vidas. É quase um ‘feudo’ no qual transcorrem as letras. Ou, em vários casos, os tangos transcorrem em outra parte do planeta…mas, sempre chora-se a saudade do bairro. Sobre o amor por um bairro, “Barrio de Tango”, aqui.

Buenos Aires: Buenos Aires é assunto de muitos tangos. É a cidade comme il faut desse ritmo musical. Não é à toa que “Mi Buenos Aires querido” é um dos tangos mais famosos. Mas, o meu preferido, neste caso, é “Anclao en Paris”, no qual o intérprete fala sobre B.Aires, desde a capital francesa. Um link do Youtube com este tango, aqui.

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Rodolfo Mederos, um dos artistas do ano passado, que também estará presente no festival que começou sexta-feira.

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blogbacalhau1

‘Gadus morhua’, mais conhecido como ‘bacalhau’. A expressão “Cortar el bacalao”, na Argentina, longe da bacalhoada e dos bolinhos do supracitado indica quem manda no pedaço. O cacique, o big boss, o mandachuva.

blog1dedo2bAlgumas expressões e ditados costumeiramente usados na Argentina (alguns, cunhados no próprio país, outras, provenientes da ‘mãe-pátria’ Espanha). 

blog1vinheta55b Cortar el bacalao: Literalmente, “cortar o bacalhau”. Quem corta o bacalhau é quem manda em uma sociedade, em um grupo de pessoas, uma empresa ou uma instituição. Por exemplo: Cristina Kirchner es la presidente… pero quien corta el bacalao es Néstor Kirchner (Cristina Kirchner é a presidente… mas quem corta o bacalhau é Néstor Kirchner).

A origem da expressão: o bacalhau, especialmente entre os imigrantes da Galícia, era um alimento das famílias pobres. E, quem o cortava (isto é, quem dividia as porções exíguas) era o chefe ou chefa da família.

blog1vinheta55b Tener la sartén por el mango: Literalmente, “segurar a frigideira pelo cabo” (“sartén” é frigideira; e “mango”, o cabo. Outra expressão para indicar quem tem o controle de uma situação. A cantora Tita Merello, no tango “Los ejecutivos”, cita a expressão no verso siempre tienen razón / y además tienen la sartén / la sartén por el mango y el mango también”. A última referência a ‘mango’ neste caso, não é o ‘cabo’ da frigideira, mas sim, aos “mangos”, isto é, o dinheiro.

“Los ejecutivos” não está no Youtube. Mas, está “Donde hay un mango”, com Tita Merello. Orquestra de Francisco Canaro. O link, aqui. E o irônico e divertido “Niño bien”, também com Tita Merello. Aqui. 

blogsarten

A ‘sartén’ e o ‘mango’. E a mão de quem a segura.

blog1vinheta55b El mismo perro con distinto collar: Literalmente, ‘o mesmo cão com diferente coleira’. Indica que embora a aparência de algumas coisas mude, a essência delas permanece a mesma. Origem da expressão: o rei espanhol Fernando VII em 1820, rangendo os dentes, teve que jurar a Constituição. Em 1823, deu um autogolpe e reimplantou o absolutismo. Uma das primeiras medidas foi a de dissolver a milícia de Madri, composta por liberais, e criar outra em seu lugar, composta por voluntários realistas, isto é, de simpatizantes do regime absolutista. Mas, quando estava presidindo a parada com a nova milícia, os soldados realistas… eram os mesmos que haviam estado nas fileiras liberais pouco tempo antes. O rei virou-se ao oficial que estava a seu lado, e murmurou: Pues hombre! Esses aí são os mesmos cachorros, embora com diferentes colares!”.

blogsuperhijitusoakypichichus

Falando em “perros”, um dos cães mais famosos da Argentina: Pichichus (carregado por seu dono, Super-Hijitus, que também segura seu amigo Oaky). Os personagens foram criados pelo cartunista García Ferré.

De certa forma, a frase de Fernando VII (rei espanhol que governava nos tempos da independência da Argentina e de outros países sul-americanos) recorda o livro “Il Gattopardo”, do italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957), com a famosa frase “se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude” (“Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi!”).

Dessa expressão, a ciência política criou o termo “gatopardista” ou “lampedusiano” para referir-se ao político que reforma uma parte das estruturas sociais e de poder para manter o todo sem que nada mude realmente.

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No filme ‘Il Gattopardo’, Burt Lancaster e Claudia Cardinale dançando a valsa no filme homônimo de Luchino Visconti. A famosa frase do livro teve vários discípulos nos países da América do Sul.

blog1vinheta55b El diablo sabe por diablo, pero más sabe por viejo: Literalmente, “O diabo sabe porque é diabo, mas sabe mais porque é velho”. Serve para referir-se a alguém que pode ser esperto por sua atividade (ou profissão ou ainda, pelas características pessoais), mas mais ainda tem a esperteza pela experiência acumulada ao longo dos anos.

blog1vinheta55b El mundo es un pañuelo: Literalmente, “o mundo é um lenço”. Usada para indicar que o mundo é pequeno, especialmente quando duas pessoas conhecidas se encontram inesperadamente em um lugar. Mafalda, a menina-filósofa do cartunista Quino, em uma tirinha diz, em referência ao estado desse ‘lenço’: “se o mundo é um lenço…será necessário reclamar à lavanderia”.

 blogmafaldavoto

Mafalda, a menina-filósofa criada por Quino

blog1vinheta55b Costar un huevo: Literalmente, “custar um ovo”. Neste caso, é equivalente a “custa o olho da cara”. Mas, “huevo”, que em sua primeira acepção significa ovo (o da galinha), aqui refere-se a outro objeto ovalado, isto é, o testículo. Equivale a ‘excessivamente caro’.

blog1vinheta55b Costar chaucha y palitos: Literalmente, ‘Vagem e galhozinhos’. A expressão é usada para indicar que algo é muito barato. Barato mesmo. A vagem é um vegetal que o gaucho, o habitante dos Pampas (carnívoro, comme il faut) considerava como coisa de pouco valor. E o ‘palito’ refere-se àqueles galhozinhos misturados no meio da erva-mate (o chimarrão era a bebida preferida dos gauchos) que flutuam no meio da água de um chimarrão. Exemplo: “Essa blusa? Ah, custou ‘chaucha y palitos’!”

E mais Mafalda, para encerrar…

blogmafalda_manicomio-redondo

“E Deus terá patenteado a ideia deste manicômio redondo?”

blog1vinheta80b

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Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

blog1vinhetalendonewsstand3 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão 

Gustavo Chacra (Nova York): http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/ 
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/ 
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trevisan/ 
Adriana Carranca (Pelo Mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carranca/ 

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blogcolon1 

A sala principal do Teatro Colón está totalmente reformada, após anos de intensas obras (foto de divulgação da Secretaria de Cultura da cidade de B.Aires)

Resumo da opereta

blog1dedo3O Teatro Colón, a maior sala de ópera da América Latina (que segundo especialistas da lírica, conta com a melhor acústica para o gênero), será reinaugurado nesta segunda-feira à noite. Ainda não abriu suas portas e já é o foco de uma disputa digna de uma opereta de Franz Léhar ambientada em um inventado país dos Bálcãs.

Cristina Kirchner, irritada com o prefeito Maurício Macri, não irá à principal festividade das celebrações do dia 25 de maio, a data nacional, no Teatro Colón, símbolo da cultura argentina.

Por outro lado, a presidente não convidou ao banquete da terça-feira o vice-presidente Julio Cobos, com quem está brigada desde que ele, que também ocupa a presidência do Senado, votou contra o governo em 2008. O banquete será na Casa Rosada, o palácio presidencial.

De quebra, a presidente Cristina tampouco convidou os ex-presidentes argentinos ainda vivos desde a volta da democracia, em 1983. 

O país contará com celebrações paralelas para o Bicentenário: a presidente Cristina, com o banquete na Casa Rosada e um Te Deum em Luján, o prefeito Macri com sua gala no teatro Colón; o cardeal Bergoglio com um Te Deum na catedral portenha, e até o governador de San Luis, Alberto Rodríguez Saá, que construiu uma réplica do Cabildo de Buenos Aires (edifício que foi o foco da Revolução de Maio) para fazer seus próprios festejos.

O Bicentenário argentino, longe de mostrar  unidade política, exibe um país profundamente dividido, sem fatores externos que causem as divergências.

O colunista político Adrián Ventura, ironizou com amargura: “talvez no Tricentenário não estaremos pior do que agora…”

Personagens

- Cristina Kirchner, presidente, que chegou à Casa Rosada em 2007 como sucessora do próprio marido. Seus críticos afirmam que comporta-se como fosse uma diva de ópera.

- Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, opositor dos Kirchners, ex-presidente do Boca Juniors e filho do empresário Franco Macri (o pai de Macri, por seu lado, é enfático simpatizante dos Kirchners desde 2004). 

- Néstor Kirchner, ex-presidente (2003-2007), marido da presidente, secretário-geral da Unasul, presidente do partido Peronista e considerado o verdadeiro poder dentro do governo da esposa.

- Julio Cobos, vice-presidente que rachou com a presidente Cristina em julho de 2008. Considerado “mosquinha morta” quando foi escolhido para o posto de vice (Kirchner o escolheu para ser vice da esposa), agora é “presidenciável” da oposição. Macri não gosta dele, pois o prefeito portenho também ambiciona ser candidato da oposição nas eleições presidenciais de 2011.

Cenários: Teatro Colón, Casa Rosada, residência oficial de Olivos, prefeitura portenha.

Época: Os dias prévios ao 25 de maio de 2010. O 25 de maio é a data nacional, o dia da Revolução de Maio de 1810, quando iniciou o processo de rebeliões e guerras que levaria à independência do país em 1816. Na terça-feira que vem a Argentina celebrará o Bicentenário da Revolução de Maio. A data está gerando uma série de debates na sociedade sobre os acertos e os erros do país ao longo dos últimos 100 anos. O quiproquó político dos últimos dias deu um toque amargo às reflexões sobre o futuro da Argentina.

blog1vinheta51Libreto

Ato 1 – Macri fala demais

Mauricio Macri, na quinta-feira, a poucos dias da reinauguração do Teatro Colón, comenta com a imprensa como será quando a presidente Cristina for à sessão de gala na ópera na segunda-feira à noite: “se ela for com seu consorte (o ex-presidente Kirchner) terei que sentar ao lado dele. Mas isso não me deixa contente…”.

Macri, nos dias prévios, havia criticado o governo Kirchner pela investigação sobre o envolvimento do prefeito em uma serie de grampos telefônicos. Macri está sendo investigado pelo juiz Norberto Oyarbide, que nos últimos meses teria favorecido os Kirchners em diversos casos, segundo acusa a oposição.

Dentro da administração Macri alguns assessores admitem que o uso da palavra “consorte” não foi exatamente “conveniente”.

Ato 2 – Cristina perde a pose e se irrita

Cristina Kirchner coloca tom de drama na trama e afirma que não comparecerá ao Teatro Colón. Irritada – ou simulando estar irritada – a presidente envia uma carta ao prefeito Macri na qual indica que “a incrível catarata de ofensas que proferiu durante a última semana, chegando neste dia a manifestações públicas que desqualificam de forma pessoal, marcam um limite que não estou disposta a atravessar”.

No final, com ironia, disparou: “desfrute o senhor tranquilo e sem as presenças incômodas na noite do 24 de maio”.

Analistas políticos afirmam que, se bem a presidente Cristina costuma ter ataques de raiva pelos motivos da mais variada magnitude, neste caso a observação de Macri (sobre sentar ao lado de Kirchner) teria sido útil como argumento para não ir ao Colón.

Motivo: a festa do Colón é organizada por Macri, integrante da oposição. E, comparecer ao Teatro, onde Macri é o anfitrião, seria conceder-lhe alguns dividendos políticos que Cristina não pretendia dar.

Ato 3 – Imbroglio cresce e Cristina não atende o telefone

Macri tenta impedir a ausência da presidente do principal evento das celebrações do Bicentenário argentino para evitar um fiasco da imagem do país e afirma a Cristina Kirchner que lamenta sua decisão. Macri pede a Cristina Kirchner que “deixe de lado das diferenças e esteja à altura da História, que nos transcende”.

O chefe do gabinete de ministros da presidente Cristina, Aníbal Fernández, que nas últimas duas semanas manteve discussões ‘políticas’ em público com uma vedette do teatro de revista, uma modelo de passarelas – entre outras – afirma que a presidente não irá de forma alguma ao Colón. Nem ela nem outros integrantes do governo. Desta forma, ao redor de 200 entradas ficam sem dono para a noite de gala.

Na sequência, Macri telefonou à presidente Cristina na Casa Rosada. Mas, os assessores da presidente explicaram que não estava ai.

Depois, telefonou à residência oficial de Olivos. Mas, os assessores que ali estavam sustentaram que a presidente estava em uma “reunião”.

O chefe do gabinete do prefeito Macri, Horacio Rodríguez Larreta, fez um apelo na noite da sexta-feira à presidente: “por favor pense nisso..ainda existe tempo (para mudar de ideia)”. Depois, com ironia Larreta arrematou, afirmando que se Cristina for ao Colón, poderá passar “a imagem de unidade (nacional) pelo menos por um dia”.

blog1vinheta60 Intermezzo com mais imbroglios e peculiaridades blog1vinheta60

No meio deste imbróglio operístico, o vice-presidente da República, Julio Cobos, recorda que não foi convidado para o banquete de gala da terça-feira na Casa Rosada o palácio presidencial, onde a presidente Cristina receberá 200 convidados especiais, entres eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cobos, como vice-presidente, deveria ser convidado (independente do conflito entre ele e o casal Kirchner). Mas, os Kirchners não querem o detestado vice-presidente por perto.

Cobos irá ao Colón, onde não irá Cristina por vontade própria.

Macri disse que embora Cristina não compareça ao Colón, ele irá ao banquete da Casa Rosada apesar da indisposição da presidente de tê-lo por perto.

Mas, além de Cobos, a presidente Cristina Kirchner .- embora seja uma festa nacional que possui maior relevância pelos 200 anos celebrados – não convidou nenhum dos ex-presidentes civis argentinos ainda vivos (Carlos Menem, Fernando De la Rúa, Adolfo Rodríguez Saá, Eduardo Duhalde), com os quais não possui boas relações. A única exceção é o próprio marido, o ex-presidente Kirchner.

E, no meio de todo este quiproquó e comédia de enredos, o presidente do Uruguai, José Mujica, ex-guerrilheiro tupamaro, confirmou que estará presente na noite de gala do Colón, sem se importar com o conflito entre a presidente Cristina e o prefeito Macri.

Mujica, amante do teatro e da música clássica (além do tango), estará no Colón, e concidentemente, sentará ao lado do vice-presidente argentino, Julio Cobos.

No dia seguinte, no 25, Mujica sentará à mesa de Cristina Kirchner, na Casa Rosada, no banquete do bicentenário. 

Ato 4 – Deus seria peronista

Na sexta-feira à noite, a presidente Cristina foi à avenida 9 de Julio inaugurar a exposição sobre o bicentenário organizada pelo governo federal. Ali, sem vacilar, afirmou de forma mística: “Deus quis que eu fosse presidente neste bicentenário!”

Ato 5 – Grand Finale, Todos contra todos

Ainda está para acontecer. Na segunda-feira à noite o prefeito Macri receberá 2.400 convidados para a gala do Colón.

No dia seguinte, a presidente Cristina celebra o 25 de maio em si.

Ela irá a um Te Deum, na catedral de Luján, na província de Buenos Aires, onde o bispo local é um dos integrantes do clero com os quais ainda não brigou.

Cristina descartou a cerimônia religiosa na catedral de Buenos Aires (que albergou a maior parte dos Te Deums dos últimos dois séculos), pois mantém uma relação tensa com o cardeal e primaz da Argentina, Jorge Bergoglio. Este, por seu lado, irritado com o descaso da presidente Cristina Kirchner, fará seu próprio Te Deum. 

blog1vinheta50ANÁLISE DA OPERETA: Os analistas políticos criticam a decisão da presidente Cristina. E tampouco poupam Macri de críticas. A socióloga Beatriz Sarlo, no artigo “Brigas que carecem de grandeza” publicado neste sábado no jornal “La Nación”, indica que “não era previsível que ao chegar ao balanço do bicentenário estivéssemos ocupados com brigas cujos motivos carecem de qualquer exemplo”.

Segundo Sarlo, a frase de Macri sobre Kirchner (sobre sentar ao lado dele) é uma demonstração de que o prefeito portenho “acredita que pode comportar-se como se fosse o pai de uma namorada cujos sogros não lhe agradam”.

Sarlo sustenta que ele, falando como chefe de governo de Buenos Aires, não deve declarar que não está contente em receber o marido da presidente no dia 25 de maio no Colón. “Ninguém lhe pede que diga que sentar ao lado de Néstor Kirchner seja seu sonho. Ninguém lhe pede que exagere um tom amistoso que não sente..simplesmente, um político em funções de governo cala a boca”.

Sarlo também critica a presidente Cristina e diz que ela só não vai ao Te Deum na catedral para não encontrar o cardeal Bergoglio ali.

Segundo Sarlo, os motivos destas atitudes “que seriam caricaturescos se não afetassem a vida pública, tem a ver com o pior lado do estilo político nacional”.

blog1vinheta57 O link para a coluna de Beatriz Sarlo, aqui. 

blog1dedo2bLUNFARDO sobre os imbróglios

Ao longo do último século – entre o centenário e o bicentenário – o lunfardo (gíria) portenha acumulou uma longa lista de palavras para designar conflitos, abacaxis e imbroglios da vida cotidiana. Muitas destas palavras podem ser usadas para referir-se aos pepinos políticos que embalam as celebrações do bicentenário.

Aqui segue uma pequena lista usada intensamente pelos portenhos nos últimos dias: 

Balurdo: Problema, confusão. Balurdo é uma palavra antiga do lunfardo, que originalmente referia-se a um amontoado de trapos ou papéis. Seu sentido original era o de “mentira”, de alguém que tenta vender gato por lebre. A palavra, como muitas do lunfardo, origina-se do italiano ‘balordo’ (tonto), que com o touch genovês muito presente em Buenos Aires, transformou a letra ‘o’ em ‘u’.

Despelote: Confusão, bagunça. Para indicar um despelote de intensidade existe a expressão “flor de despelote”. Exemplo: “Cristina y Macri armaron flor de despelote”. 

Quilombo: Em seu uso no século XIX referia-se aos quilombos rebeldes surgidos no Brasil. Mas, com o passar do tempo o significado original foi perdido e transformou-se em sinônimo de ‘bordel’. Nos últimos 50 anos mutou novamente e passou a equivaler a ‘bagunça’ ou ‘imbróglio’ de considerável magnitude.

A palavra “bolonqui” é uma adaptação do lunfardo ‘quilombo’, já que a gíria local também coloca várias palavras “al revés” (ao contrário). No denominado ‘vesre’ (a palavra espanhola “revés” ao contrário), “bolonqui” é uma forma de dizer “quilombo”.

De cuarta, De quinta: Usado para referir-se que algo é “de quarta categoria” ou “de quinta categoria”. Exemplo: “La actitud de Cristina y Macri es de cuarta…”

A coisa está russa, dizem no Brasil para explicar que certa situação exibe certo grau de dificuldade para os protagonistas e pessoas envolvidas.

Essa expressão surgiu no Brasil nos anos 20 como uma referência à situação da Rússia na crise de 1917 e na guerra civil que ocorreu na sequência (e também refere-se à desastrosa campanha militar russa na Primeira Guerra Mundial, quando os generais russos cometeram uma infinidade de mancadas)

Em resumo, a coisa está russa na política argentina.

 blog1vinheta56RUSSO E RUSSA: E, já que falamos em russos, a palavra ‘russo’ foi (e ainda é) usada na Argentina para designar os integrantes da comunidade judaica, que no início do século XX, quando milhares de imigrantes judeus fugiam dos pogroms na Rússia.

Assim foi chamado na infância o pianista e maestro Daniel Baremboim, nascido em Buenos Aires em 1942, filho de uma família judaica de origem russo.

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Daniel Barenboim, que além da música erudita, divulgou também Piazzolla e Zequinha de Abreu na Europa. Um link do Youtube com este argentino regendo Tico-Tico no Fubá, de José ‘Zequinha’ Gomes de Abreu (1880-1935).  Aqui.

Quando tinha 10 anos, seus pais mudaram-se para Israel. Posteriormente estudou na Áustria e, com o passar das décadas, transformou-se em um dos principais maestros do mundo. Entre as orquestras que costuma dirigir está a Filarmônica de Berlim e a orquestra do Alla Scala de Milão.

Barenboim criou uma orquestra de judeus israelenses, palestinos e árabes. Em 2008 tornou-se a primeira pessoa no mundo a contar com a cidadania israelense e palestina (honorária) ao mesmo tempo.

Bom, Barenboim, que era chamado de “rusito” (russinho) quando era criança em Buenos Aires, lançou um CD supimpa com uma russa (russa de verdade, da Rússia, mais especificamente, de Krasnodar), a cantora lírica Anna Netrebko (Анна Юрьевна Нетребко). Netrebko está atraindo o público jovem para a ópera com seu carisma e espontaneidade.

O CD é “In the still of the night”, pela Deutsche Grammophon, onde ‘la’ Netrebko e Barenboim (aqui, como pianista), revelam a beleza e a melancolia das canções russas de Nicolai Rimsky-Korsakov e de Pyotr Ilyich Tchaikovsky, além de uma de Antonín Dvořák e de outra de Richard Strauss.

E, driblando a opereta da política argentina, voltamos ao Colón.

Nesse teatro, uma fantástica sala de ópera, Barenboim (mas sem Anna Netrebko, infelizmente) se apresentará no dia 25 de agosto com a orquestra do Divã Ocidental-Oriental (formada pelos jovens israelenses, palestinos e árabes). E, no dia 30 de agosto, com o coro e orquestra do Scala.

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Anna Netrebko, parceira do último CD do argentino-israelense Daniel Barenboim. A bela russa em um trecho de Rusalka, de Dvorak, “A canção da lua”. Aqui.

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Sobre os próximos dias:

Domingo - Neste domingo, caso demore em responder os comentários, desculpem vosso blogueiro, mas é meu aniversário número 44 (falta muito para meu próprio centenário…) e estarei em celebração.

Segunda-feira: Nesta 2af teremos uma ampla postagem sobre o Bicentenário.

blog1vinheta55 E mais um bônus track: Daniel Barenboim, em B.Aires, rege “Libertango”, de Astor Piazzolla. Aqui!

Abraços a todos, bom fim de semana!

PS: Ok, não resisti. Vou colocar outro link do Barenboim, com a Filarmônica de Berlim tocando ”El Firulete”, de Mariano Mores. Supimpa, batuta, tri-legal.

Aqui.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

blog1vinhetalendonewsstand3 …E leia os supimpas blogs dos correspondentes internacionais do Estadão 

Gustavo Chacra (Nova York): http://blogs.estadao.com.br/gustavo-chacra/ 
Patricia Campos Mello (Washington) – http://blogs.estadao.com.br/patricia-campos-mello/ 
Claudia Trevisan (Pequim) – http://blogs.estadao.com.br/claudia-trevisan/ 
Adriana Carranca (Pelo Mundo) – http://blogs.estadao.com.br/adriana-carranca/ 

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Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico
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A fiaca é expansiva. Nesta ilustração de 1890, vemos um grupo de amigos contagiados pela fiaca

A fiaca é expansiva. Nesta ilustração de 1890, vemos um grupo de amigos contagiados pela fiaca

CONCEITO

No Lunfardo, denominação da gíria falada em ambas margens do Rio da Prata, a palavra “Fiaca” designa a “preguiça involuntária”. Isto é, a preguiça sem premeditação. Portanto, preguiça digna de todo respeito. Um termo que poderíamos usar a granel nestes dias de pós-Carnaval.

AFINS

Apolillar (ou Apoliyar): Verbo que origina-se no napolitano “appollaiare”, que refere-se ao “pollaio” (o galinheiro). Isto é, faz alusão às galinhas, que vão dormir cedo. Neste caso, ‘apolillar’ era usado como “descansar”. Mas, com o passar das décadas, começou a ser algo equivalente a “descansar mesmo!”.

Fiacún: O protagonista e praticante da fiaca.

Vago: Equivalente ao termo “vagal” usado no Brasil

Vagoneta: Uma derivação de vagal. Mesmo significado.

Squenum: palavra do lunfardo que provém do italiano “squena”. Mais especificamente, do dialeto lombardo, e significa “costas”. Usado em Buenos Aires no final do século XIX e primeira metade do XX. É a pessoa que não trabalha mas consegue passar desapercebido em sua preguiça pois sabe fingir muito bem que trabalha (enquanto não faz nada).

Dolce far niente: Expressão italiana perfeitamente compreendida na italianizada Argentina. Trata-se do “doce nada fazer”.

 FRASE TÍPICA, inquisitiva:

“Tenés fiaca?” (pode ser dita a alguém ao ver que boceja ou se espreguiça)

Mafalfa, a menina-filósofa de Quino, em um êxtase fiacún

Mafalfa, a menina-filósofa de Quino, em um êxtase fiacún

DEFESA DA FIACA

O escritor argentino Roberto Arlt (1900-1945), autor de “Os sete loucos”, “O brinquedo raivoso” e “Saverio o cruel” fez uma enfática defesa da “fiaca” em suas crônicas reunidas no livro “Aguafuertes porteñas”.

Segundo Arlt, “confundir a ‘fiaca’ com o ato de ‘tirarse a muerto’ (se fazer de morto) é a mesma coisa que confundir um asno com uma zebra ou um burro com um camelo. Exatamente a mesma coisa. ‘Tirarse a muerto’ supõe premeditação de não fazer algo, enquanto que a ‘fiaca’ exclui toda a premeditação, elemento constituinte de dolo, segundo os juristas. Isto é, o ‘fiacún’, ao negar-se a trabalhar não opera com premeditação, mas sim intuitivamente, fato que o torna digno de todo respeito!”.

 

Arlt, o teórico da fiaca

Arlt, o teórico da fiaca

Arlt afirma que “o ‘squenum’ (vagal) não trabalha. O homem que ‘se tira a muerto’ (se faz de morto) faz de conta que trabalha. O primeiro é um cínico da preguiça; o segundo, um hipócrita do ‘dolce far niente’. O primeiro não oculta sua tendência a ser vagal. Ao contrário. A estimula com longos banhos de sol. O segundo vai até o lugar de trabalho. Não trabalha mas faz de conta que trabalha quando vê que seu chefe está chegando perto. E logo ‘se tira a muerto’ deixando que seus companheiros se matem trabalhando”. 

Arl também sustenta que “fiaca” provém do genovês, cujo sentido original referia-se ao “esgotamento físico provocado pela falta de alimentação momentânea”. Languidez e sopor.

 FIACA, TEATRO E CINEMA

Filme retrata vida de aplicado trabalhador que um dia é tomado pela 'fiaca'

Filme retrata vida de aplicado trabalhador que um dia é tomado pela 'fiaca'

A presença da fiaca gerou uma das mais saborosas obras do teatro e do cinema argentino, “La Fiaca”.

A peça é da autoria de Ricardo Talesnik. O filme é de Fernando Ayala.

No caso do filme o ator protagonista é Norman Briski. A atriz principal é Norma Aleandro, conhecida no Brasil pelos filmes “A História Oficial” e “O filho da noiva”.

A obra trata da história de um homem – que costumava ser o protótipo do obediente trabalhador de um escritório – que um dia decide não ir ao trabalho porque tem fiaca. Sua família e colegas de trabalho tentam dissuadi-lo, sem sucesso.

Em 2005 a obra transformou-se em um musical. Mais detalhes neste artigo do jornal “La Nación”. Clique aqui:  

 PENSAMENTOS SOBRE A FIACA NA FILOSOFIA PORTENHA

- A fiaca não se cria nem se destrói, ela somente é transmitida

- A fiaca é inversamente proporcional ao trabalho e diretamente proporcional a todo o resto das coisas.

- A fiaca em um grupo de pessoas tende ao equilíbrio.

- A fiaca é uma energia que não se transforma em trabalho.

- A fiaca sempre é absoluta.

- A fiaca jamais é relativa.

- A fiaca não tem limite.

- A fiaca sempre incrementa.

- A fiaca se reproduz exponencialmente.

- A fiaca é eterna.

- A fiaca é parte da Criação. Foi criada no sétimo dia.

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O governo da presidente Cristina Kirchner está, por contra própria, no meio daquilo que os argentinos chamam de “flor de quilombo”. Isto é, traduzindo livremente, “um imbróglio federal” ou um “abacaxi atômico”.
A palavra “quilombo” é utilizada no lunfardo (gíria) portenho. Em seu uso no século XIX referia-se aos quilombos rebeldes surgidos no Brasil. Mas, com o passar do tempo o significado original foi perdido e transformou-se em sinônimo de bordel. Nos últimos 50 anos mutou novamente e passou a equivaler a bagunça ou imbróglio de considerável magnitude.
E a palavra “bolonqui” é mais uma adaptação do lunfardo, que também coloca várias palavras “al revés” (ao contrário). No denominado ‘vesre’ (a palavra espanhola “revés” ao contrário), “bolonqui” é uma forma de dizer “quilombo”.

A palavra ‘flor’, neste caso, é usada para ressaltar a magnitude do imbróglio.
Flor de Bolonqui poderia ser “Um colossal abacaxi”.

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RESUMO DA ÓPERA (de dimensões wagnerianas mas com um touch buffo de Gioacchino Rossini):

DRAMATIS PERSONAE –
Cristina Elisabet Kirchner, presidente da República que gosta do apelido de ‘Rainha Cristina’

Néstor Kirchner, ex-presidente da República, mas considerado o verdadeiro poder no governo de sua esposa, que coincidentemente, foi sua sucessora

Martín Redrado, presidente ou ex-presidente do Banco Central,neo-liberal colocado no cargo pelos Kirchners em 2004 e que durante seis anos concordou com a política econômica do casal presidencial

Miguel Ángel Pesce, presidente do BC ou quase presidente do BC, melhor, presidente paralelo do Banco Central, designado por Cristina Kirchner para ser presidente temporário da entidade

Mario Blejer, ex-presidente do BC argentino, ex-funcionário do FMI, ex-diretor do Banco da Inglaterra, convidado para ser novamente presidente do BC (mas ainda não aceitou… ou algo assim)

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Redrado, figura central deste imbroglio

mnaobaixco
LINHAS GERAIS DO LIBRETO
Quarta-feira, dia de Reis. Cristina E. Kirchner começa a manhã exigindo a renúncia do presidente do Banco Central, Martín Redrado, que até poucos dias, havia sido bastante obediente às ordens do governo.

Por trás da crise entre Redrado e a presidente Cristina está a decisão do governo de usar reservas do BC para o pagamento da dívida pública que vence em 2010.
Nos dias prévios Redrado havia dado sinais de que não concordava com o “Fundo Bicentenário”, um projeto do ministro da Economia, Amado Boudou, homem de confiança da presidente Cristina, que pretendia usar as reservas do BC para o cancelamento da dívida de US$ 6,5 bilhões relativos a parte dos títulos da dívida pública que vencem neste ano.

O uso das reservas provocaria uma redução das reservas do BC dos atuais 47,98 bilhões para US$ 41,48 bilhões.

Mas, a gota d’água havia ocorrido entre a terça-feira à noite e a quarta-feira de manhã, quando surgiu a notícia de que Redrado se reuniria com dois importantes líderes da oposição, o senador Gerardo Morales e o deputado Ernesto Sanz, da União Cívica Radical (UCR). Morales e Sanz pretendiam saber da própria boca de Redrado se ele era – ou não – a favor do uso das reservas do BC.

Cristina, sem esperar uma resposta de Redrado – e com a certeza que o jovem presidente da entidade não ousaria desafiar o poder dos temperamentais e vingativos Kirchners – até havia convidado o ex-presidente do BC, Mario Blejer, para assumir o posto vazio.
Mas, o posto não estava vazio…o presidente do BC (isto é, Redrado) deixou claro que não renunciaria.

Tensão crescente entre a Casa Rosada e o Banco Central ao longo do dia.
Entram em cena os partidos de oposição (do lado de Redrado) os sindicatos (do lado da presidente Cristina), banqueiros alinhados com os Kirchners. E de quebra, os partidos de esquerda tradicional (contra Redrado e contra Cristina Kirchner). E além deles, entram em cena os mercados assustados com todo o rebuliço.

Na quarta-feira, a inesperada decisão de Redrado – conhecido por evitar ao máximo os confrontos – de resistir à pressões é considerada mais um revés para a presidente Cristina e seu marido, ex-presidente e atual deputado Néstor Kirchner.

Os líderes dos partidos da oposição ficam enfaticamente do lado de Redrado e afirmam que sua eventual remoção deveria ficar a cargo do Senado (tal como a lei manda) onde o governo está em ajustada minoria.

Na quinta-feira Redrado acorda e vai para o prédio do BC. Na porta da casa, afirma que continuará no posto e não vai renunciar.

Mais de 300 funcionários do BC realizaram um “aplaudaço” de respaldo a Redrado na frente do edifício da entidade financeira.

Além deles, Redrado contar com a opinião pública, já que diversas pesquisas indicam que 85% dos internautas não concordam com a remoção do presidente do BC.

maostrasuss
Uf!
Bom, uma pausa, e música para acompanhar o ritmo desta crise: “Liebesbotschaft Galopp”, de Johann Straus.
O link:

maostrasuss A presidente Cristina Kirchner opta pelo denominado “estilo K” de aplicar ordem em seu governo, e sem delongas decide demitir Redrado do Banco Central, passando por cima da autonomia (frequentemente violada, por governos anteriores, inclusive) da entidade financeira.
Convoca todos os ministros para assinar um decreto que implicará na remoção de Redrado. Diversos ministros devem cancelar as férias na praia, interromper o bronzeado e os jogos de cartas com os amigos e voltar à abafada Buenos Aires para colocar a rubrica no documento de Cristina.
Fim da tarde, Redrado é removido do posto por decreto.

- A oposição afirma que Cristina Kirchner não pode interferir na autonomia do BC.
- O governo diz que sim, pode interferir à vontade.

Na sequência, rumores indicam que Redrado se entrincheirará no prédio do BC. Fontes do governo afirmam que vão enviar a polícia retirar o rebelde presidente do BC dali.

Quase à meia-noite da quinta-feira, Redrado, que ainda estava no prédio do BC, anunciou que “deixa o cargo mas não renuncia” e que recorrerá à Justiça

O país contava na sexta-feira ao meio-dia com dois…ou três presidentes do BC.
1 - Redrado que foi embora mas não renunciou.
2 - Pesce, que tomará posse provisoriamente
3 – Blejer que foi convidado pelo governo. E o governo já anunciou categoricamente que será o presidente definitivo do BC.

SEM BANDA LARGA
Detalhe da web: até as 15:30 (horário de Brasília), no site do Banco Central Argentino, Redrado ainda aparecia como virtual presidente da entidade.
M.A. Pesce ainda era registrado como o vice-presidente.

redradoblejer
Redrado, Blejer, presidentes e ex-presidentes do BC…e ainda, está o ‘interino’, M.A.Pesce

mnaobaixco
MAS…
No fim da tarde, tudo isso era parte do passado.
Os céleres e frenéticos acontecimentos exibiram uma nova virada no fim desta sexta quando a juíza federal María José Sarmiento ordenou a restituição no cargo de Martín Redrado.

Redrado, que ficou quase 24 horas fora de seu cargo, fez uma reentrada triunfal ontem no fim da tarde, aplaudido pelos funcionários da entidade

E de quebra, a juíza María José Sarmiento determinou a suspensão do decreto da presidente Cristina que implementava uso de reservas para o pagamento da dívida pública.

E o governo afirma que vai entrar com um recurso na Justiça para desfazer a medida da juíza Sarmiento que desfez a ordem da presidente Kirchner.

Setores da oposição afirmam que levarão a presidente Cristina a julgamento político no Parlamento.

O quilombo atinge níveis sem precedentes. Uma flor de bolonqui. Bolonqui wagneriano. Ou bolonqui-buffo.

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Crise desatada por Cristina teria rendido libreto para uma ópera buffa de G.Rossini (1792-1868).
Ou, talvez uma ópera trágica, com mega-produção, como as de Richard Wagner.
Embaixo, Johanna Gadki(1872-1932), soprano americana-alemã no wagneriano papel de Brünnhilde.

wagners

PARADOXOS do bolonqui
Os Kirchners dizem que são de esquerda mas querem pagar as dívidas com Wall Street, organismos financeiros internacionais e demais credores.

A direita, que costuma pedir o pagamento das dívidas, não quer que este pagamento específico seja realizado dessa forma, pois complicaria a situação das reservas do BC e alega que esse pagamento será feito de forma ilegítima.

A esquerda tradicional, que também critica os Kirchners, respalda por tabela o presidente neo-liberal do BC, Redrado, e afirma que a dívida não deve ser paga. Diferença com Redrado: “a dívida é ilegítima”.

A Confederação Geral do Trabalho (CGT) acusa Redrado de ser um representante do neo-liberalismo e dos capitais transnacionais, além de ser um homem das “direitas”.
Mas, a CGT aceita a decisão dos Kirchners de colocar Blejer no comando do Banco Central. Blejer, longe de ser um revolucionário de esquerdas, trabalhou 20 anos para o FMI (que os Kirchners e a CGT abominam), para o Banco da Inglaterra e já foi presidente do BC durante o governo de Eduardo Duhalde (que os Kirchners e a CGT abominam).

cristinaredrado
Relação entre Redrado e Cristina Kirchner foi boa na maior parte do tempo

PROBLEMAS deste bolonqui
Segundo o cientista social Sergio Berensztein, diretor da consultoria Poliarquia, as pressões do governo sobre Redrado “aprofundam a insegurança jurídica” e podem provocar “consequências institucionais muito negativas”.

O think tank Rosendo Fraga afirma que os Kirchners acostumaram-se a governar como “hiper-presidentes”. Mas, destaca que esse período no qual os Kirchners podiam fazer o que queriam, acabou.

Este é mais um abacaxi que Cristina Kirchner cria para si própria.
De quebra, nos últimos dias pipocaram por todos os lados candidaturas presidenciais da oposição.
Além disso, teve vários reveses na Justiça, que cancelou diversas medidas polêmicas de Kirchner, entre elas, vários artigos da Lei de Mídia.
Como se fosse pouco, nos últimos dois meses intensificaram-se os protestos de sindicatos independentes, aumentou a pobreza e o desemprego.

O ano do Tigre não começou bem para ‘Los Pingüinos’.

BOLONQUI PLUS – REVESES & REBELIÕES que aumentam o bolonqui generalizado
Desta forma, a presidente Cristina Kirchner sofre a segunda rebelião de peso em suas fileiras em dois anos de governo. A primeira, em julho de 2008, foi a do vice-presidente Julio Cobos, que recusou-se a votar a favor do “tarifaço agrário” do governo no Senado. Com seu voto de Minerva (o vice, na Argentina, é o presidente da Câmara Alta), derrubou o impopular projeto.

Aliados do governo exigiram a renúncia de Cobos. Este, no entanto, recusou-se a deixar o cargo. Cobos voltou à oposição e atualmente – ainda ocupando o cargo de vice-presidente – é o principal presidenciável para as eleições de 2011.

A segunda rebelião é a de Redrado, economista de confiança do casal Kirchner, que em diversas ocasiões o consideraram para a pasta da Economia.

Os dois golpes, provenientes de ex-aliados, acrescentam-se à perda de poder do governo, que desde a posse do novo Parlamento, em dezembro, constitui a primeira minoria na Câmara de Deputados e no Senado.

De quebra, o governo também sofreu recentes reveses em sua guerra contra o Grupo Clarín, o maior holding multimídia do país. Ao longo das últimas quatro semanas vários juízes anularam artigos da polêmica Lei de Mídia, com a qual o governo pretendia reduzir o poder de atuação das empresas de comunicação. Além disso, a Justiça também suspendeu a anulação realizada pelo governo da fusão das empresas Multicanal e Cablevisión, pertencentes ao Clarín.

Além disso, nas últimas duas semanas foram anunciados oficialmente o lançamento de diversas candidaturas presidenciais da oposição.

Lançaram suas candidaturas o ex-presidente Eduardo Duhalde o vice-presidente Cobos e o prefeito portenho Mauricio Macri.

Para complicar, as pesquisas indicam que a aprovação popular do casal Kirchner é baixa, enquanto que sobe diariamente a imagem positiva dos líderes da oposição.

flores
Cenário é de várias ‘flores’ de bolonqui

BOLONQUI TRADICIONAL: em 75 anos de existência, BC argentino teve um presidente a cada 16 meses

O Banco Central da Argentina conta com autonomia desde 1995. No entanto, nestes 15 anos autônomos, a liberdade do BC foi atacada várias vezes pelos governos de plantão. Nesse período, a entidade financeira teve sete presidentes, incluindo o atual (removido mas não renunciado), Martín Redrado (um presidente do BC a cada dois anos).

A primeira grande violação da autonomia do BC ocorreu em abril de 2001, quando o então presidente Fernando De la Rúa (1999-2001) decretou a remoção do presidente da entidade, Pedro Pou, considerado uma “herança” do governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99). No meio da crescente crise financeira, De la Rúa acusou Pou de “negligência” no cumprimento de suas funções no controle de lavagem de dinheiro e de “desconhecimento sobre o alcance de suas funções como policial do sistema financeiro”.

Seu sucessor, Roque Maccarone, foi pressionado em 2002 pelo então presidente provisório Eduardo Duhalde (2002-2003) para deixar o cargo por causa de divergências entre o governo e o BC sobre o “corralito” (o mega-confisco bancário que agravou a crise de 2001-2002).

O sucessor de Maccarone, Mario Blejer, que durante 20 anos havia trabalhado no FMI, durou somente cinco meses no cargo, o qual deixou por diferenças com o ministro da Economia, Roberto Lavagna. Blejer, ao ir embora, disse a Duhalde que a autonomia do BC estava sendo “debilitada”.

O sucessor de Blejer, o jovem Alfonso Prat-Gay, ficou quase dois anos no cargo. Prat-Gay completou o mandato inacabado de seus sucessores. Mas, embora respaldado pelo setor financeiro e o empresariado, optou por não aceitar a renovação do mandato por causa das profundas divergências que tinha com o presidente Néstor Kirchner sobre a independência do BC. Prat-Gay foi sucedido por Martín Redrado, cujo cargo, oficialmente, só conclui em setembro.

Desde sua criação, em 1935, o Banco Central teve um total de 54 presidentes. Isso indica que em 75 anos de existência, a entidade teve um presidente do BC a cada 16 meses.

FLORES, QUILOMBO E ÓPERAS
camren

E falando sobre a flor de quilombo, e crise com enredo operístico, este link do Youtube para Plácido Domingo interpretando em 1978 a ária “La fleur que tu m’avais jetée” (A flor que você me jogou), da ópera “Carmen”, de Georges Bizet. A orquestra é da Ópera de Viena. Regência de Carlos Kleiber. Direção de Franco Zeffireli.
O romance do militar José com a independente e passional Carmen acaba sendo uma flor de bolonqui…
O link:

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