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Ariel Palacios

  

Rudolf Kametovich Nureyev (Рудо́льф Хаме́тович Нуре́ев) dá uma cabriola durante um balé em Londres. Paulo Bernardo, ministro, protagonizou uma cabriola no corredor da chancelaria uruguaia em Montevidéu.

A visita da presidente Dilma Rousseff a Montevidéu, para cinco horas de reunião com o presidente José “Pepe” Mujica, teve alguns pontos pitorescos nesta segunda-feira. Aqui segue uma coletânea dos highlights (para mais notícias sobre a visita, ver a edição do jornal ou aqui e aqui também).

AMOR E ALMOÇO – No final da declaração de imprensa, pouco antes das 15:00 horas, Mujica, famoso por seu estilo simples e espontâneo, apoiou as mãos na mesa da sala de conferências e, preparando-se para ficar em pé, exclamou com cara de fome: “en este momento del día lo que más importa es el almuerzo (neste momento do dia o que mais importa é o almoço).

No entanto, a seu lado, Dilma entendeu que “en este momento del día lo que más importa es el amor” (o que mais importa é o amor), já que depois do comentário do esfaimado presidente uruguaio – que costuma almoçar cedo – a presidente brasileira acrescentou com um sorriso: “o amor é lindo!”

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PATRIOTA, VERSÃO CERVANTES – O chanceler Antonio Patriota, perguntado pela imprensa brasileira sobre o estado das relações Brasil-Argentina no atual contexto de guerra comercial entre os dois países suscitada pela aplicação de barreiras protecionistas em ambos lados da fronteira, optou por responder em espanhol: “muy buena, muy buena” (muito boa, muito boa).

Mas, na sequência, quando foi questionado sobre a visita que a ministra da Indústria da Argentina, Debora Giorgi fará a Brasília para discutir as divergências bilaterais nesta quinta-feira, olhou fixo para os jornalistas, arregalou os olhos, virou de  costas e resguardou-se rapidamente em um providencial elevador que o afastou do assédio da mídia.

Mikhail Baryshnikov dá uma cabriola fenomenal

A CABRIOLA NUREYÉVNICA DE BERNARDO - O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, foi o único que deteve-se no caminho rumo ao almoço para conversar com a imprensa. Ele defendeu o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, argumentando que o caso protagonizado pelo colega de gabinete “é muita fumaça e pouca fagulha”.

Cardozo, questionado se considerava que a crise que envolve Palocci estava ficando diluída, respondeu: “eu nunca achei que ela (crise) ficou complexa”.

O ministro garantiu que “da parte do governo não existe nenhuma investigação” sobre este caso.

Apesar da consideração, Eduardo Cardozo disse que as informações solicitadas pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal (MPF-DF) ao ministro serão prestadas. “O MP pediu informações do ponto de vista cível e elas serão prestadas”, reiterou.

O MPF-DF abriu um procedimento de investigação cível contra Palocci para apuração do imbróglio. A ação, assinada pelo procurador Paulo José Rocha Junior, solicita que sejam apresentados comprovantes e justificativas para os elevados valores recebidos pelo ministro-chefe da Casa Civil.

Mas, ao contrário de Cardoso, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo optou por driblar comentários sobre seu colega Palocci.

Bernardo, ao ouvir que os jornalistas que se aproximavam perguntavam-lhe sobre os escândalos do chefe da casa civil – e não sobre os memorandos e convênios assinados na área de cooperação tecnológica com o Uruguai – respondeu apressadamente à certeira pergunta de Tatiana Farah, enviada especial de O Globo: “se a agenda de vocês é o Palocci, eu não tenho nada a comentar. Estou com fome e vou almoçar”.

Na sequência, atravessou céleremente o cerco jornalístico e dirigiu-se por um corredor rumo ao salão do almoço. No entanto, ao escapar rapidamente da imprensa, protagonizou um monumental tropeção em um emaranhado de cabos que estavam no chão.

Mas, exibindo agilidade, deu uma complexa cabriola no ar – ao melhor estilo de Rudolf Nureyev (ou de Mikhail Baryshnikov) – e caiu em pé. Sem titubear, continuou caminhando velozmente para o salão.

Segundo a enciclopédia online Wikipedia, a cabriola “é um passo de dança clássica que o bailarino executa apoiado numa perna ao mesmo tempo que a outra se estende para o lado, para trás e para a frente. A posição das pernas cai alternando”.

E, aproveitando que estamos falando sobre ballet, um link para ver o dançarino argentino Julio Bocca, um dos melhores da América Latina nos anos 90. Neste vídeo, uma variação do Basílio do ballet Quixote. A qualidade de som está “ni fu ni fa”. Mas vale para ver a técnica de Bocca. Aqui.

E aqui, mais Bocca, no Pas de Deux do Quixote, supimpa, durante um show na avenida 9 de Julio. Ela é Tâmara Rojo, brilhante. A qualidade deste e dos outros vídeos é boa. Aqui.

E neste, Bocca no Pas de Deux do Lago dos Cisnes, de nosso querido russo  Pyotr Ilyich Tchaikovsky. Aqui.

E falando no Pas de Deux, dupliquemos: o emblemático Pas de Quatre do Lago dos Cisnes. Aqui.

Embaixo, o grande Tchaikovsky.

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas, xenófobos ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados. Tampouco serão publicados ataques pessoais aos envolvidos na preparação do blog (sequer ataques entre os leitores) nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes. Propaganda eleitoral (ou político-partidária) e publicidade religiosa também serão eliminadas dos comentários. Os comentários que não tiverem qualquer relação com o conteúdo da postagem serão eliminados. Além disso, não publicaremos palavras chulas ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico).

Comentários (17)| Comente!

Faço uma breve interrupção em minhas férias para colocar esta postagem, já que este assunto era assaz tentador. E, embora não tenha a ver diretamente com “Os Hermanos”, até acabei encontrando um vínculo entre os assuntos. Por isso, só por hoje, fazemos uma ponte entre Os Hermanos e Os Brimos…

Às vezes reclamo que esquecem de colocar a letra “s” no final do Palacios. Ou reclamo que colocam o acento agudo no sobrenome (“Palácios” estaria incorreto, pois este sobrenome é de origem espanhol, e portanto, sem acento na segunda letra ‘a’, ao contrário da versão em português). Mas, esta breve dupla de confusões não se compara ao padecimento sofrido pelo coronel/presidente da Lìbia, Kadafi, cujo sobrenome (e também seu prenome, Muamar), é alvo das mais variadas formas de soletrar.

Como explica estupendamente o colega Luiz Raatz – sempre supimpa – na edição de hoje do “Radar Global” (para ver o texto, clique aqui), nós, no Estadão, optamos pela versão “Kadafi”, enquanto que a concorrência prefere “Gaddafi”, entre outras.

O The New York Post diz Khadafy; o britânico Guardian usa Gaddafi; o Boston Globe oscila entre Khadafy e Gadhafi. O Departamento de Estado dos EUA usam “Mu’ammar Al-Qadhafi”. Enquanto que a NBC opta pelo Khaddafy, a Fox News prefere o Qaddafi. A CNN decidiu pelo Gadhafi, que parecia um ponto médio no meio de tanta versão. E não é coisa só de ocidental, pois a agência chinesa estatal Xinhua, em seus textos em inglês usa “Muammar Khaddafi”.

 O problema atinge o próprio Kadafi, que não sabe bem como transcrever seu sobrenome. Em 1986 ele respondeu uma carta de uma escola do estado americano de Minnesotta com o seguinte formato: “Moammar El-Gadhafi”.

Mas, o site oficial do líder líbio recebia o internauta até uns dias atrás (agora está desligado, talvez por causa de todo o rebu que tomou conta de seu país) com os dizeres “Welcome to the official site of Muammar Al Gathafi”.

Isto é, em vez do El-Gadhafi da carta que enviou à Minesotta, aparecia Al Gathafi no próprio site.

 O nome do coronel líbio, ao ser escrito no alfabeto latino passou pelas mais diversas variáveis, com toda profusão de uso de ‘D’s, ‘F’s e ‘H’s, além de “I” e “Y”, em todas as posições possíveis. Uma espécie de Kamasutra da arte de soletrar. E nem falemos sobre o prenome do presidente líbio, que vai de Moamar, Mu’ammar, Mummar e Muhammar.

Nestes dias cheios de notícias sobre o Kadafi lembrei das diversas formas como vi políticos, diplomatas e leitores escreviam o sobrenome Kirchner. Vi de tudo: de Kirschner, Kirshner, Kitchen e até Kitchener, como o lord inglês (!!!).

 

 Este não é Kirchner, Néstor, mas sim, Kitchener, ou melhor, Horatio Herbert Kitchener, Lord e barão de Karthoum (ou Jarthoum… ou Jartúm, Jartum ou Kartum, e por aí vai)

… E além da grafia, a pronúncia. Entre 1999 e 2001, quando era ministro da Economia José Luis Machinea, era comum que na época, talvez influenciadas pela telenovela “Terra Nostra” (que levou muitos tópicos da cultura italiana à população brasileira de forma talvez nunca antes vista, tão concentrada), que as pessoas no Brasil falassem “Maquinéia”.

Isto é, as pessoas viam um “ch” e logo achavam que devia ser proveniente da península. Ma che! Não era como “inchiostro” nem “Cherubini”! Neste caso, Machinea não era um nome italiano. Toda hora tinha que explicar que era um nome basco, que pronunciava-se simplesmente “Matchinéa”.

Uma telenovela brasileira de temática italiana e o ministro argentino de origem basca.

… E nem falemos sobre a cidade de Ushuaia, capital da província de Tierra del Fuego. A pronúncia do nome seria equivalente a “Ussuáia”. O “sh” do meio não é inglês, logo, não é necessário pronunciar Ushuaia como “Uxuáia”. A letra “h” neste caso é muda, mudíssima (a palavra provém do idioma indígena yagán, que é a mistura de ush, que significa “ao fundo” ou “crepúsculo” com waia, equivalente a ‘bahia’).

No entanto, no Brasil pronuncia-se de forma correta o sobrenome do ex-piloto de Fórmula 1, ex-governador de Santa Fe e atual senador Carlos Reutemann, ao dizer “Róitmann” (sem ‘parentescos’ com a Odete, hein!). Na Argentina, o próprio Reutemann vê como os compatriotas pronunciam mal este sobrenome germânico ao dizer simplesmente “Réuteman”.

Conversando ontem à noite por mail com o amigo e colega Gustavo Chacra, emblemático correspondente do Estadão em N.York (para ver seu blog, clique aqui ) ele recordou que “a Veja grafa como o Estadão, Kadafi. A Folha usa Ghadafi. Tanto faz. É uma transliteração do árabe para o alfabeto latino. Vale a sonoridade. E a primeira letra, gutural, não tem um correspondente fiel no nosso alfabeto. Alguns escutam com K, outros com G. Meu sobrenome, Chacra, pode ser grafado como Shaqra, Chakra, Shakra ou como quiser o freguês”.

O Gustavo também indicou uma curiosidade: “o caso do sobrenome Khoury. O Kh soa como “r”. Mas, na Argentina e no Brasil falam como se fosse o C. E Khoury quer dizer “padre” em árabe, dando origem ao termo “cúria católica”. Enfim, temos também a mesma questão no russo, no chinês com Beijing e Pequim e a dúvida segue pelo mundo afora”.

 

Quase um brotinho: o coronel Kadafi, em 1969, quando seu nome não era questão de debate. E quando ainda não haviam inventado o botox. Nesse ano chegou ao poder. E, até a publicação desta postagem, ainda permanecia aferrado ao governo.

Em 2009 a rede ABC News, dos EUA, que chama o líder líbio de Moammar Gaddafi, divulgou uma lista com 112 versões diferentes que havia registrado ao longo dos anos.

 

  • Qaddafi, Muammar
  • Al-Gathafi, Muammar
  • al-Qadhafi, Muammar
  • Al Qathafi, Mu’ammar
  • Al Qathafi, Muammar
  • El Gaddafi, Moamar
  • El Kadhafi, Moammar
  • El Kazzafi, Moamer
  • El Qathafi, Mu’Ammar
  • Gadafi, Muammar
  • Gaddafi, Moamar
  • Gadhafi, Mo’ammar
  • Gathafi, Muammar
  • Ghadafi, Muammar
  • Ghaddafi, Muammar
  • Ghaddafy, Muammar
  • Gheddafi, Muammar
  • Gheddafi, Muhammar
  • Kadaffi, Momar
  • Kad’afi, Mu`amar al
  • Kaddafi, Muamar
  • Kaddafi, Muammar
  • Kadhafi, Moammar
  • Kadhafi, Mouammar
  • Kazzafi, Moammar
  • Khadafy, Moammar
  • Khaddafi, Muammar
  • Moamar al-Gaddafi
  • Moamar el Gaddafi
  • Moamar El Kadhafi
  • Moamar Gaddafi
  • Moamer El Kazzafi
  • Mo’ammar el-Gadhafi
  • Moammar El Kadhafi
  • Mo’ammar Gadhafi
  • Moammar Kadhafi
  • Moammar Khadafy
  • Moammar Qudhafi
  • Mu`amar al-Kad’afi
  • Mu’amar al-Kadafi
  • Muamar Al-Kaddafi
  • Muamar Kaddafi
  • Muamer Gadafi
  • Muammar Al-Gathafi
  • Muammar al-Khaddafi
  • Mu’ammar al-Qadafi
  • Mu’ammar al-Qaddafi
  • Muammar al-Qadhafi
  • Mu’ammar al-Qadhdhafi
  • Mu`ammar al-Qadhdhāfī
  • Mu’ammar Al Qathafi
  • Muammar Al Qathafi
  • Muammar Gadafi
  • Muammar Gaddafi
  • Muammar Ghadafi
  • Muammar Ghaddafi
  • Muammar Ghaddafy
  • Muammar Gheddafi
  • Muammar Kaddafi
  • Muammar Khaddafi
  • Mu’ammar Qadafi
  • Muammar Qaddafi
  • Muammar Qadhafi
  • Mu’ammar Qadhdhafi
  • Muammar Quathafi
  • Mulazim Awwal Mu’ammar Muhammad Abu Minyar al-Qadhafi
  • Qadafi, Mu’ammar
  • Qadhafi, Muammar
  • Qadhdhāfī, Mu`ammar
  • Qathafi, Mu’Ammar el
  • Quathafi, Muammar
  • Qudhafi, Moammar
  • Moamar AI Kadafi
  • Maummar Gaddafi
  • Moamar Gadhafi
  • Moamer Gaddafi
  • Moamer Kadhafi
  • Moamma Gaddafi
  • Moammar Gaddafi
  • Moammar Gadhafi
  • Moammar Ghadafi
  • Moammar Khadaffy
  • Moammar Khaddafi
  • Moammar el Gadhafi
  • Moammer Gaddafi
  • Mouammer al Gaddafi
  • Muamar Gaddafi
  • Muammar Al Ghaddafi
  • Muammar Al Qaddafi
  • Muammar Al Qaddafi
  • Muammar El Qaddafi
  • Muammar Gadaffi
  • Muammar Gadafy
  • Muammar Gaddhafi
  • Muammar Gadhafi
  • Muammar Ghadaffi
  • Muammar Qadthafi
  • Muammar al Gaddafi
  • Muammar el Gaddafy
  • Muammar el Gaddafi
  • Muammar el Qaddafi
  • Muammer Gadaffi
  • Muammer Gaddafi
  • Mummar Gaddafi
  • Omar Al Qathafi
  • Omar Mouammer Al Gaddafi
  • Omar Muammar Al Ghaddafi
  • Omar Muammar Al Qaddafi
  • Omar Muammar Al Qathafi
  • Omar Muammar Gaddafi
  • Omar Muammar Ghaddafi
  • Omar al Ghaddafi (breve comentário: esta lista, lida de forma corrida, não rende um bom rap?)

Com certeza, nas redações dos meios de comunicação em todo o mundo a expectativa é que o futuro sucessor do turbulento coronel mediterrâneo tenha – além de vários predicados administrativos para governar o país que está em um momento complicado – um nome e sobrenome que gere uma transliteração menos complicada.
E acrescento uma explicação do Wikipedia, que indica que dentro da própria língua árabe existem algumas formas diferentes de como escrever o nome do citado presidente líbio:

“Because of the lack of standardization of transliterating written- and regionally-pronounced Arabic, Gaddafi’s name has been transliterated in many different ways into English and other Latin alphabet languages. Even though the Arabic spelling of a word does not change, the pronunciation may vary in different varieties of Arabic, which may cause a different romanization. In literary Arabic the name معمر القذافي can be pronounced /muˈʕamːaru lqaðˈðaːfiː/. [ʕ] represents a voiced pharyngeal fricative (ع). Geminated consonants can be simplified. In Libyan Arabic, /q/ (ق) may be replaced with [ɡ] or [k] (or even [χ]; and /ð/ (ذ) (as “th” in “this”) may be replaced with [d] or [t]. Vowel [u] often alternates with [o] in pronunciation. Thus, /muˈʕamːar alqaðˈðaːfiː/ is normally pronounced in Libyan Arabic [muˈʕæmːɑrˤ əlɡædˈdæːfi]. The definite article al- (ال) is often omitted”.

Mas como escrevo o nome? Denominação de Mao Tsé-Tung, líder chinês, também passou por uma miríade de transcrições. Mao, escrevendo em seu escritório de Pequim/Beijing/Peking, etc.

Kadafi não é o primeiro nem será o último chefe de Estado/governo que terá seu nome escrito de várias maneiras.

O defunto e embalsamado líder chinês Mao Tsé-Tung (quem for a Pequim/Beijing/Peking não pode deixar de visitar o mausoléu de Mao, pois é uma experiência imperdível) já foi chamado em diversas partes do mundo de Mao Zedong, com direito a versão com o circunflexo em Mao Tsê-tung. Os franceses, além de chamá-lo de Mao Zedong, também o escrevem como Mao Tsé-toung ou Mao Tsö-Tong. A versão Bao Zedong também pulula alhures. E com a versão adicional de Zhedong (com o ‘h’ no meio).

Bom, os próprios chineses podem escolher entre os caracteres tradicionais 毛澤東 … ou os caracteres simplificados 毛泽东. E em pinyin (a versão oficial chinesas de transcrição fonética do chinês mandarim para o ocidente) é Máo Zédōng.

O russo que criou a Perestróika e a Glasnost, nosso careca Mikhail Sergeievitch Gorbatchov, já apareceu pelo planeta como Mijaíl Sergéyevich Gorbachov Em russo, para os curiosos, é Михаил Сергеевич Горбачёв. Os jornais alemães costumam grafar o nome do último presidente soviético de Michail Sergejewitsch Gorbatschow. Já os bascos optam por escrever assim: Mikhail Gorbatxov. 

Os franceses preferem usar e abusar do trema (ah, o querido e assassinado trema pelo acordo luso-brasileiro!), assim: Mikhaïl Sergueïevitch Gorbatchev. De vez em quando o sobrenome aparece como Gorbatchov.

Os italianos costumam referir-se a ele como Mikhail Gorbaciov. Os húngaros, Mihail Szergejevics Gorbacsov. Os suecos, Michail Sergejevitj Gorbatjov. Em português também há versões diferentes, mas as principais costumam ser Mikhail Serguéievich Gorbachev ou Gorbatchev..

‘Gorbie’, para fazer as coisas mais simples, em um quadro de Andy Warhol… que nasceu como Andrew Warhola.

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Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Comentários (46)| Comente!

 

Vários exemplos da letra “A”, a letra da discórdia na Argentina. E agora também no Brasil desde que a presidentE/A eleita Dilma Rousseff indicou que era a primeira presidentA do país (tal como indicam os dicionários Aurélio e Houaiss).  A letra “A” foi objeto de discursos de Cristina Kirchner, que exige ser chamada presidentA. Os especialistas no idioma debatem sobre o uso da letra A no cargo presidencial, já que “presidente” é considerado substantivo de gênero comum (em espanhol).

O debate também gerou discussões sobre medidas concretas para que as mulheres ocupem um espaço real dentro do governo. Dentro do gabinete de ministros de Cristina, as mulheres são minoria: quando tomou posse só existiam 3 mulheres ministras de um total de 12 ministros. Nos últimos três anos criou dois ministérios adicionais. Atualmente, de 14 ministros, as mulheres ocupam somente 3 pastas. Diversos setores que esperavam que sua chegada ao cargo implicasse na despenalização do aborto decepcionaram-se ao ver que Cristina posicionou-se explícitamente contra o assunto.

“Presidenta! Presidentaaa! ‘Presidente’ é ressabio do machismo. Que fique bem claro para vocês. É ‘presidenta’! Podem começar a se acostumar!”. Desta forma, com dedo em riste e marcando a letra “a” da palavra “presidenta, a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner, fez questão de começar a dar ordens à plateia que participava do comício de lançamento de sua chapa presidencial, em julho de 2007. O público, que gritava em coro “Cristina presidente!” na hora da reprimenda ficou estupefato – e em silêncio – com a bronca da primeira-dama. Na sequência, esticando a letra “a” para destacar a feminilidade da palavra, Cristina arrematou: “presidentaaa!”.

 

Os especialistas no idioma espanhol debatem sobre o uso da letra A no cargo presidencial, já que “presidentE” é considerado substantivo de gênero comum. Eles ressaltaram que, se fosse a situação, os presidentes homens teriam que ser chamados de presidentOs. Exemplo: o ex-presidentO Néstor Kirchner. Outros especialistas não negam isso, mas destacam que existe a opção alternativa, por questões de uso, de presidentA.

 A então candidata à presidência deixava claro que faria questão de ser chamada “presidenta”, no feminino, e não na forma tradicional, neutra – “presidente” (um substantivo de gênero em espanhol) – se vencesse as eleições presidenciais.

Cristina conseguiu 45,6% dos votos e tomou posse no dia 10 de dezembro daquele ano.

Na época, os argentinos/as consideraram que a insistência de Cristina não passava de uma brincadeira de campanha. No entanto, só nos primeiros 45 dias de governo, por ordens diretas suas, a Casa Rosada – o palácio presidencial – rejeitou mais de 300 documentos em cujo cabeçalho e texto aparecia a palavra neutra “presidente” (com “e” final), e não sua versão feminina. Atualmente, todos os documentos ostentam a versão “presidenta” exigida por Cristina.

De lá para cá a presidente – sem possibilitar o opcional – interrompeu políticos e políticas (do próprio governo) que haviam referido-se à ela como “presidente”. “PresidentA, já disse!”, exclamou. Jornalistas (jornalistAs-homens e jornalistAs-mulheres) também passaram por carraspanas sobre a letra final do cargo presidencial.

As reuniões de cúpula do Mercosul e outros convescotes presidenciais também sofreram alterações em seus nomes. Desta forma, a última cúpula do bloco do Cone Sul realizada na Argentina, em San Juan, teve o nome de “Trigésima-nona reunião de cúpula de Chefes e Chefas de Estado do Mercosul e Estados Associados”.

Nos últimos três anos o debate permaneceu. Mas, os juristas afirmam que a Constituição argentina determina que o Poder Executivo será exercido por uma pessoa que ostentará o título de “Presidente da Nação Argentina”.

 

Em meio às discussões sobre o assunto, especialistas no idioma e não-especialistas citaram o exemplo da palavra “estudiante” (estudante), aplicada sem preconceitos a ambos sexos. Vários jornalistas (periodistas, em espanhol) perguntaram nos primeiros meses de governo se teriam que passar a ser jornalistOs (periodistOs) e se os artistAs homens poderiam ser chamados de artistOs. Idem para os comunistas. Por exemplo, o ex-presidentO comunisto cubano Fidel Castro, que aplaudiu emocionado o concerto do violinistO David Oistrakh.

Aliás, falando em Oistrakh, o gênio do violino, uma genial interpretação de “Clair de lune”, de Debussy, aqui.

PERONISMO E MACHISMO - O Peronismo é conhecido por seu machismo. Conta com figuras femininas fortes, mas todas foram esposas de caudilhos. Um dos casos é o de Eva Duarte de Perón, mais conhecida como “Evita”, sobre a qual o marido e presidente – Juan Domingo Perón – dizia: “eu fiz Evita”. A própria Evita havia afirmado que era “uma serva fiel de Perón”.

Os socialistas (com os quais os peronistas não se davam bem e vice-versa) tentavam implementar o voto para as mulheres desde 1919, sem sucesso. Eles indicaram que Perón, ao assinar o decreto presidencial em 1947 para estabelecer o voto feminino, o havia feito por puro interesse eleitoral. Independentemente dos motivos, as mulheres votaram por primeira vez na Argentina em 1951 (em outro âmbito, a lei do divórcio foi aprovada no governo do presidente Raúl Alfonsín em 1987, apesar da férrea oposição da Igreja Católica e do partido Peronista).

Perón foi eleito para seu último governo em 1973. Na chapa presidencial colocou como vice-presidente sua terceira e última esposa, María Estela Martínez de Perón, mais conhecida como ‘Isabelita’ (sem experiência política ou partidária alguma, que o velho caudilho havia conhecido durante parte de seu exílio no Panamá). Isabelita tomou posse em 1974, quando seu marido faleceu. Durante os anos 80 e 90 diversos governadores peronistas colocaram suas esposas como sucessores a eles próprios, especialmente nas empobrecidas províncias do norte do país.

Cristina Kirchner foi designada candidata presidencial por seu marido, Néstor Kirchner, em julho de 2007, sem convenção partidária alguma. Ela venceu as eleições de outubro daquele ano. A segunda colocada nas urnas foi Elisa ‘Lilita’ Carrió, candidata da Coalizão Cívica, de oposição. Juntas, as duas mulheres receberam 68% dos votos válidos (respectivamente, 45,2% e 23%).

MARCAS – Isabelita Perón, embora como vice do marido defunto, foi a primeira mulher na História do mundo ao chegar ao cargo de presidente. Em 1979 a boliviana Lidia Gueiler de Tejada (curiosamente, tia da atriz americana Raquel Welch, cujo pai era um engenheiro aeronático boliviano) chegou ao cargo máximo de seu país ao ocupar, provisoriamente, a presidência da Bolívia (foi derrubada um ano depois por um golpe militar).

A primeira mulher no planeta a chegar à presidência de uma República foi a islandesa Vígdis Finnbogadóttir, em 1980, país vanguardista em leis sociais (bem como a maior parte dos países com os quais relaciona-se culturalmente como Suécia, Dinamarca e Noruega)

A primeira sul-americana a ser eleita nas urnas para a presidência da República foi Michelle Bachelet, no Chile, em 2006.

 Letra “A”, em hieróglifo egípcio.

Letra “A”, em proto-semítico.

h! E temos Mercedes Sosa cantando com o catalão Joan Manuel Serrat “Aquelas pequenas coisas”. Aqui.

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Comentários (36)| Comente!

blogmotel1 

blog1hand-prawo2“Telo”, no “lunfardo” (gíria) portenho, significa “motel”.  É o “vesre” de “hotel” (“vesre”, no lunfardo, é a forma de inverter uma palavra, embora nem sempre invertida de forma rigorosa).

A forma oficial para referir-se aos motéis é a de “hoteles alojamiento” (hotéis alojamento, literalmente) ou “albergue transitorio” (pela transitoriedade da estadia no estabelecimento).

Em Buenos Aires os motéis costumam ser “urbanos”, isto é, estão mais concentrados no centro da cidade e nos bairros residenciais do que na periferia ou nas estradas que saem da cidade, como costuma ser primordialmente no Brasil. Por esse motivo, os motéis são geralmente “verticais”, isto é, prédios de vários andares.

Esses edifícios convivem com prédios vizinhos residenciais ou de escritórios.

Segundo a Câmara de Proprietários de Alojamentos (CAPRAL), entidade que reúne os motéis portenhos, existem 176 estabelecimentos do gênero só na capital argentina.

Ocasionalmente, os moradores desses prédios – dependendo da largura das paredes que separam as construções – podem perceber determinados gemidos, expressões de estímulo, entre outros sons, provenientes do estabelecimento destinado à atividade sexual.

O formato de motéis verticais nas transitadas ruas portenhas requereu uma forma pitoresca e naif de ocultar a entrada nesses estabelecimentos (grande parte da clientela dos motéis é pedestre, pois vastos setores da classe média portenha, ao contrário da brasileira, não possuem automóveis, seguindo o estilo de vida europeu).

No caso do Brasil, os clientes ingressam nos motéis dentro de seus carros. Somente a pessoa da recepção os vê.

No entanto, nos motéis portenhos, o casal vem caminhando pela rua e, para dissimular a entrada, repentinamente ingressa no estabelecimento.

Para ter uma entrada minimamente “discreta” e não tão acelerada, os motéis portenhos contam com providenciais arvorezinhas instaladas na frente das portas dos estabelecimentos (cobrindo, evidentemente, uns metros mais do que a largura da porta).

Os arbustos – parte indefectível do conjunto arquitetônico dos motéis portenhos – tentam ocultar da vista dos carros que passam pela rua (ou dos pedestres da calçada da frente) a entrada pretensamente sigilosa do casal.

No outono esta proteção – por causa do efeito climático desfolhante dessa estação do ano – fica parcialmente reduzida.

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Motel da rua J.María Gutiérrez com os arbustos densos que protegem a entrada dos clientes

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Motel da rua Azcuénaga e seu providencial arbusto, no bairro da Recoleta

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Vista de outro motel da rua Azcuénaga desde os fundos do cemitério da Recoleta. Neste caso, com arbusto já afetado pela intempérie do outono. Diversos motéis localizam-se na parte posterior do cemitério da Recoleta, na rua Azcuénaga. As janelas dos estabelecimentos tem vista para as imponentes cúpulas dos mausoléus dessa histórica “cidade dos mortos”.

 copia3 de mao4TERMOS AFINS A MOTÉIS

BULO: Equivalente a uma garçonnière. Apartamento de pessoa solteira (ou casada com tempo para aventuras extramatrimoniais) primordialmente destinado para a atividade sexual (mais do que para moradia). “Bulo” provém de uma palavra do lunfardo mais utilizada no passado (e nos tangos): “bulín”.

Bulín, por seu lado, provém do francês “boulin”, que designa o buraco ou marquise nas paredes onde as pombas fazem ninhos e o lugar onde também acasalam. A palavra é praticamente desconhecida da maioria dos franceses, a não ser os columbófilos.

AMUEBLADO: Literalmente, “mobiliado”. Palavra usada mais na primeira metade do século XX para referir-se a uma espécie prototípica de motéis. Isto é, eram apartamentos discretíssimamente alugados por hora para casais. Uma espécie de motéis em sua mínima expressão. Os amueblados também eram chamados de “muebles”

PISITO: Diminutivo de “piso” (andar). Usado como equivalente à garçonnière ou o apartamento de uma trabalhadora do sexo autônoma.

 

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Interlúdio renascentista: “Venus e Marte”. De Sandro Botticelli, para ilustrar o momento após o sexo das duas figuras olímpicas. Ao redor de 1483. Está na National Gallery, em Londres.

blog1anotacaostylus3GLOSSÁRIO SEXUAL

COGER: Verbo que indica o ato sexual completo. O verbo, na Espanha e outros países de idioma castelhano o verbo é primordialmente utilizado para “pegar” ou “colher” (como “colher algo do chão”). Isto é, uma pessoa poder referir-se a “coger el autobús (ônibus), para explicar que poder “pegar o ônibus”. Na Argentina, equivaleria a dizer que teria um coito com o veiculo de transporte coletivo (e não dentro de tal veículo). No entanto, não é uma forma polida de referir-se ao ato sexual. 

COGIDA: “Uma cogida”. O coito.

GARCHAR: Verbo que designa o ato de copular. No entanto, é uma forma chula. “Coger”, perto de “garchar”, acaba parecendo uma forma elegante…

GARCHE: A cópula, expressada sem elegância

EMPOMAR: Verbo que refere-se a “pomo”, isto é, o equivalente a “bisnaga” Ergo, indica o membro viril. Desta forma, “empomar” é o verbo utilizado para referir-se à penetração.

TRANSAR: O verbo foi recolhido pelos turistas argentinos que foram ao Brasil nos anos 80. Mas, em vez de referir-se ao coito em si, na Argentina, esta gíria utiliza-se de forma adulterada. Neste contexto de readaptação do verbo, transar aqui refere-se aos beijos e carícias. Preliminares sexuais com abundante produção hormonal mas sem a cópula em si.

FRANELEO: Uma versão local da “transa” (isto é, a “transa” em sua versão adaptada). “Franela” é “flanela”, pano utilizado para passar – e esfregar – sobre um automóvel ou um móvel. No contexto sexual, uma “franela” seria o ato intenso de fricção de epidermes de duas pessoas.

VACUNAR: Vacinar. Refere-se ao ato de penetrar alguém.

ACABAR: Cuidado ao utilizar esse verbo na Argentina, já que é um sinônimo frequente de “ejacular”. Ou, no caso das mulheres, de chegar ao orgasmo. Para indicar o “acabar” nosso é mais adequado a utilização de “terminar”. Ou “concluir”.

TUJE: Proveniente do antigo yiddish “tuches”, utilizado com frequência na Argentina para indicar os glúteos. Traseiro. Bumbum.

VERSO: Galanteio semi-picareta. Afirmação – ou conjunto de afirmações – geralmente sem base concreta (“se você quiser conhecer meu iate…”) destinados a conseguir a conquista-sedução de alguém.

VERSERO/A: O/A praticante do ‘verso’.

TRAMPA: Literalmente, “trapaça”. Quando uma pessoa está “de trampa” é que está casada mas está tendo (ou tentando) ter um encontro sexual com outra pessoa que não é a cônjuge.

PIRATA: Aquele que pratica a ‘trampa’.

CABARULO: Refere-se aos cabarés, palavra em Buenos Aires aplicado para casas de strip-tease e também, ocasionalmente, para bordéis.

PRIVADO: Prostíbulo instalado em um apartamento.

CAFISHIO: O gigolô.

TRAVIESSA: Literalmente, “travessa”. Mas refere-se ao ‘travesti’.

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Ipomoea batatas. A batata doce original. Na Argentina, alusões a este tubérculo podem referir-se ao ato de penetrar

blogvinhetalendo-job-vernet2GLOSSÁRIO DE SEXO E ALIMENTOS

Tal como em diversas partes do planeta as referências aos alimentos – de preferência tubérculos, legumes e cereais falofórmicos – são amplamente usadas para designar o membro viril. 

ENTERRAR LA BATATA: A ‘batata’ desta frase refere-se à ‘batata-doce’. A nossa batata em português é “la papa” em espanhol. Mas, em ‘lunfardo’ a batata indica o membro viril. Logo, neste contexto, com alusões à atividade da lavoura, ‘enterrar la batata’ (enterrar a batata-doce) significa, em tradução figurativa, penetrar alguém. Não se usa “enterrar la papa” (isto é, nossa batata, em português). Talvez porque até poderia causar confusão com o termo ‘papa’, isto é, o Sumo Pontífice (e, já que estamos aqui, Pontífice vem do latim ‘Pontifex’, o “construtor de pontes”).

MOJAR LA CHAUCHA: Molhar a vagem. Similar para ‘enterrar la batata’.

MOJAR LA VAINILLA: Molhar a baunilha, isto é, o biscoito champagne. Na Argentina, um dos hits do lanche da tarde, décadas atrás, era o do café com leite (ou chá) com as ‘vainillas’ (biscoito-champange). No fim das contas, a expressão é similar a “enterrar la batata”.

ES UN BOMBÓN: É um bombom. Elogio que indica que alguém é bonito/a. Majoritariamente usado por mulheres (ou homens) para referir-se a homens. 

ES UN CHURRO: É um churro. Igual ao bombón. Mas, a expressão é um pouco mais antiga.

QUE LOMO!: “Que lombo!”. Elogio carnívoro ao físico de alguém. Usado tanto por mulheres como por homens.

QUE PAN DULCE: “Que panettone!”. Elogio aos glúteos femininos.

 

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão (a não ser por questões etimológicas, como background antropológico
).

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M. de Cervantes S. e L.V. de Camões: seus idiomas atualmente fundem-se das mais variadas e pitorescas formas

“..Eu vou falar no idioma do Mercosul, que é o portunhol!”.
A mais do que batida frase continua sendo um surrado hit parade na boca de políticos brasileiros e argentinos quando estão perante um auditório composto por uma maioria de pessoas da outra nacionalidade. Os anos passam e a velha frase sempre volta à baila. É indefectível. Inevitável como o ex-presidente Carlos Menem com gravatas versacianas amarelas-cheguei.
Os colegas correspondentes estamos preparados quando um ministro, governador ou deputado aparece, posiciona-se na frente de um microfone, faz a pausa dramática e solta a frase.
- Bom, eu vou falare hoje en éul…
E nós completamos mentalmente: “.. idioma déul Mercosul, qui és o portunhol!”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocasionalmente recorre ao portunhol (de forma bastante moderada). Mas, em Assunção, Paraguai, há três anos, soltou espontaneamente uma frase antológica. Ele estava entrando para o jantar de presidentes do Mercosul quando percebeu que uma matilha de jornalistas estava esperando que ele fizesse alguma declaração.
- Presideeeente! Presidente!!! Pre-si-deeeeenteeee!!!

O presidente Lula acenou, sem parar de caminhar, e disse:

- Amanhãna eu hablo. Si queden tranquilis!

A frase é uma pérola portunholesca.
O “mañana” juntou-se ao “amanhã” e virou o híbrido “amanhãna” (com o terceiro ‘a’ anasalado, com til mesmo).
O ‘eu’, tudo bem, em português puro.
O ‘hablo’ em espanhol, o equivalente a nosso ‘falo’ (o verbo, hein! Não pensem besteira)
E o “si queden”, uma inversão fonética do espanhol ‘quédense’, isto é, ‘fiquem’.
Mas, o “tranquilis” (para indicar ‘tranquilos’) foi, como dizem os argentinos, la frutilla del postre (o morango da sobremesa), pois era um exemplo da influência de Antônio Carlos Bernardes Gomes, o defunto Mussum (1941-1994), o cômico que integrava ‘Os Trapalhões’, que finalizava boa parte das palavras que pronunciava com ‘is’. ‘Forevis’, ‘Cacildis’, ‘biritis’, p.exemplo.

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“Amanhãna eu hablo!”

Geralmente, em portunhol básico, a forma de transformar palavras do português para o espanhol, é a de colocar uma ‘ue’ onde existe a letra ‘o’ em português.
Outra forma muito usada é colocar uma ‘ón’ no final das palavras, como se tudo em espanhol fosse aumentativo.
Não se preocupem: muitos argentinos colocam ‘ão’ no final de palavras pretensamente em português.
Outra forma, ao passar do português para o espanhol, é a de colocar a letra ‘i’ ao lado da letra ‘e’ ou ‘o’. Uma espécie de ‘ditongomania’ desatada.

Esse foi o caso extremo de “El nuestro piensiamientio”. Esta eu ouvi há 14 anos, quando fui cobrir um evento no hotel Alvear. E ali estava um senhor, parente de presidente-intelectual, falando sobre sua especialidade.
A palavra ‘pensamento’ em português, que em espanhol é “pensamiento”, isto é, o acréscimo da letra ‘i’ na penúltima sílaba, foi crivada pelo visitante com várias ‘is’ para ficar mais ‘espanhola’. Logo, virou “pIensIamIentIo”.

hnd23sEntre os erros mais costumeiros dos argentinos, ao falar português ou improvisar com o portunhol, estão as seguintes palavras e expressões:

ESCOLA DO SAMBA: …Em vez de Escola de samba.

O MAIS GRANDE DO MUNDO: Na Argentina existe o mito de que os brasileiros referem-se ao próprio país, a cultura, o futebol e os produtos brasileiros como “o mais grande do mundo”. A frase é pronunciada costumeiramente em Buenos Aires como “O mais grandgi dú múndô”, com o erro gramatical incluído, em vez da correta “o maior do mundo”.
Em maio passado, ao assinar um acordo com a Embraer, a presidente Cristina Kirchner citou a frase, apesar de errada, e além disso, ingenuamente, enfatizou: “acho fantástico o orgulho dos brasileiros, que se referem assim, ‘o mais grande do mundo’! Isso mostra o orgulho que eles têm!”.

Um exemplo de ‘o mais grande’, no jornal ‘Olé’:
 http://www.ole.clarin.com/notas/2009/04/…

VERDE-AMARELHA: verde, ok. Amarela vira ‘amarelha’, por uma tendência a pensar que todo ‘l’ vai acompanhado de um ‘h’. Talvez porque em espanhol ‘amarelo’ é “amarillo”. E, como o ‘ll’ é equivalente ao ‘lh’… Vários jornais publicam a expressão dessa forma, com frequência.

FLORIANÁPOLIS: Esta, para mim, é incompreensível. Em vez de Florianópolis, fala-se FlorianÁpolis. E não é falta de turismo argentino para a capital catarinense.

CARIOCA: Usado como equivalente a “brasileiro”. Como se todo o Brasil fosse o Rio de Janeiro.

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E aqui, alguns dos diversos erros cometidos pelos brasileiros ao falar espanhol, ou improvisar com o portuñol.

LO HOMBRE, LO EDIFICIO, LO PRESIDENTE: Em vez de ‘el hombre’, el edificio, el presidente. Poderia ser pior, como ouvi semana passada, quando um casal de turistas brasileiros me viu passeando com uma de minhas cachorras, a Lucrécia (a Carlota estava com a Miriam). Um deles me perguntou, sem saber que eu era brasileiro: “qué bonito lo cachuerro! Que razia es?”. A mulher ‘corrigiu’ o marido: “Ô Lucas, não é ‘cachuerro’, é ‘pierro’!”. Eu optei por agradecer, em espanhol, os elogios à minha cachuerra. Ou pierra. Neste caso, uma pierrita, já que é uma Yorkshire.

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O ‘muuuy amigo’ de Gardelón não existe com esse sentido em espanhol

MUY AMIGO: No Brasil, essa expressão, dita em espanhol – e de preferência assim “muuuy amiigo! Muuuyyy amiigo!” (esticando a letra ‘u’ e fazendo uma voz meio rouca) – indica que alguém não é amigo coisa alguma, e sim, é um ‘amigo da onça’, ou alguém que vai nos trair ou sacanear. Mas, “Muy amigo”, em espanhol, é literalmente “muito amigo”, isto é, um bom amigo.
Volta e meia um brasileiro desembarca em Buenos Aires e – para referir-se a alguém que pretendia prejudicar outra pessoa – cita o clássico “muy amigo”, causando confusão.
A expressão é um dos bordões mais famosos cunhados por Jô Soares. O ‘muuuuy amiiigo!” era pronunciado por Gardelón, o personagem que era um argentino que morava no Brasil e que vestia-se como o clichê do cantor de tango (terno jaquetão risca de giz, lenço no bolso, bigode fininho e brilhantina no cabelo).
Gardelón era chamado por seus conhecidos brasileiros para fazer um serviço. Este serviço era apresentado inicialmente como algo fácil, em troca do qual receberia um bom pagamento. Mas, sempre tratava-se de uma tarefa na qual Gardelón corria risco de vida, de ser preso ou espancado. Em troca de uns 10 reais, por exemplo (o equivalente em cruzeiros na época). Gardelón, após ouvir as explicações, respondia, cético: “muuuuuuuuuy amigo, muuuuuy amigo!”.

Link do Youtube para Jô Soares como ‘Gardelón’:

MENDONÇA: A cidade ao sopé da cordilheira dos Andes é Mendoza. Mas, há uma tendência de muitos turistas brasileiros – inclusive aqueles que estão em Mendoza, debaixo de um imenso cartaz com as palavras ‘Bienvenido a Mendoza’ – de pronunciar ‘Mendonça’, tal como o sobrenome português.

PORTENHO / BONAERENSE: Se muitos argentinos usam ‘carioca’ para referir-se a ‘brasileiro’, muitos brasileiros abusam com frequência do ‘portenho’ (pessoa ou alguma coisa da cidade de Buenos Aires) como equivalente a ‘argentino’.
Eventualmente, o erro pode ocorrer com a palavra “bonaerense”, que refere-se à pessoa ou algo da província de Buenos Aires, já que a pessoa pode dizer, por engano, ‘buenairense’.

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Outras palavras ouvidas nos últimos anos:

RESPECHO: Portunhol do português para o espanhol para referir-se a “respeito”. Neste caso, a lógica indica que se “peito” é “pecho” em espanhol, logo, “respeito” deveria ser “respecho”, algo que se parece às mamas de uma rês. “Tengo mucho respecho por la cultura”.

BUELSA: Para referir-se a ‘bolsa’. Mas, acontece que ‘bolsa’ é simplesmente…’bolsa’!

SACUELA: Precisa uma sacuela? Esta ouvi ano passado no aerporto de Ezeiza. Portunhol do português para o espanhol.

PUELVO: “Hay mucho puelvo aqui”. Esta ouvi na boca de uma brasileira, que fez uma arrevesada ida e volta entre os idiomas. Ela queria referir-se a ‘polvo’ (espanhol), que é ‘pó’ (português). Mas, pegou a palavra em espanhol e imprimiu-lhe anabolizada hispânica ao acrescentar o clássico ‘ue’. E aí surgiu ‘puelvo’.
Não é privativo desta amiga minha. No site do brasileiro IBGE, de dezembro de 2005, pode ser vista a seguinte tradução de um relatório do português para o espanhol: “Pocos productos tuvieron influencia por la alza, destacándose el refresco (8,13%), leche en puelvo(12,39%), cerveza (4,32%), café molído (9,05%) y pan francés (4,43%)”.

ENCOSTA: Portunhol do espanhol para o português. Para referir-se a ‘pesquisa’, que em espanhol é ‘encuesta’, a pessoa, uma pesquisadora, disse ‘encosta’. Neste caso, a ideia é a contrária à existente no Brasil. Isto é, para falar ‘português’ é preciso eliminar os ‘ue’ das palavras em espanhol e substituí-las por ‘o’.

E esta última, ouvida em uma coletiva de imprensa, mês passado:
“El presidente Lula fue elecho”…A pessoa, na última palavra, na verdade, queria dizer “eleito”, que em espanhol é “elegido”. Mas, considerou que o som de ‘tch’ ficaria mais espanhol, e portanto, os argentinos presentes ouviram “el presidente Lula fue elecho”. Mas, ‘helecho’ (com ‘h’ na frente) significa ‘samambaia’. Logo, todos entenderam que Lula havia transformado-se nessa planta da divisão das Pteridophyta.

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Aqui, uma publicidade argentina na qual os próprios argentinos satirizam seus compatriotas que tentam falar ‘portchuguéis”.

E neste link, o humorista Alfredo Casero canta uma bossa nova aportunholada…uma bossa nova na qual explica que seu gato não gosta de radiação:

marca111 PRONÚNCIA E ENTONAÇÃO:
Aos brasileiros que queiram falar espanhol-’argentino’:
Não se fala como se estivesse rouco ou fosse o Gardelón. Fala-se normalmente. As pessoas percebem quando alguém tenta ser ‘portenho profissional’. Ou mais portenho que os portenhos.

Aos argentinos que desejem falar português-’brasileiro’:
Os brasileiros não falam requebrando o quadril como se estivessem dançando samba todo o dia. Frequentemente ouço tal argumento (e que é dito do fundo da alma, com admiração pelo Brasil): “ah…brasileño! Que linda forma de hablar ustedes tienen…es tan musical!”.
Outro detalhe: nem todos os 185 milhões de brasileiros falam “carioquês”.
E um derradeiro: “Tudo bem!” pronuncia-se “tudo bem!”. E não “tchudo báim!”

JORNAIS, CANAIS DE TV
O “Clarín”, o jornal de maior tiragem da Argentina (e o de maior tiragem da América hispanofalante) é “Clarín”. E não como ocasionalmente aparece na forma de El Clarín”.

Na contra-mão, o jornal “O Globo” é frequentemente grafado na mídia argentina como “OGlobo”. Com apóstrofe, como se fosse ‘irlandês’. E a Rede Globo vira “Red OGlobo”.

listaaaaa E para encerrar, um poema – em portunhol – do emblemático gaúcho Mario Quintana.

Edificante Poema Escrito em Portuñol

Don Ramón se tomo um pifón:
bebia demasiado, don Ramón!

Y al volver cambaleante a su casa,
avistó em el camino:
um árbol
y um toro…

Pero como veia duplo, don Ramón
vio um árbol que era
y um árbol que no era,
um toro que era
y um toro que no era.
Y don Ramón se subió al árbol que no era:
Y lo atropelo el toro que era.
Triste fim de don Ramón!

lendo34a ENCONTRO COM COMENTARISTAS E LEITORES
Caros comentaristas e leitores, estarei em São Paulo no dia 30 de setembro, 4afeira desta semana.

Estamos organizando um encontro com os comentaristas e leitores deste blog em um lugar (bar-restaurante) nas redondezas da av. Paulista para conversar.
O encontro será a partir das 18:30.

Quem quiser participar, por favor deixe em um comentário o nome e o mail com o qual posso contatá-lo (comentário que não será publicado).

A contrassenha para o encontro, comme il faut em portunhol, é: “lo pierrito de ustede és molto bonito!”
Será um prazer conhecê-los pessoalmente!!!
Abraços,
Ariel

smowkey1
Smokey, uma ‘cachuerrita’ que participou da Segunda Guerra Mundial. O primeiro canino a receber uma medalha do Exército dos EUA.

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A seguir, um vocabulário ‘jovem’ da noite da capital argentina. Verbetes úteis para mulheres e homens que visitarem a cidade nos próximos feriadões brasileiros. Posologia: usar este palavreado somente em ambientes informais…

Fashion: Os portenhos pronunciam “fáxion” (com um ‘x’ como em ‘queixo’). Que está na moda, mas com categoria. Um lugar pode ser “fashion”. Uma pessoa, idem.

Re-out: O “re”, prefixo usado ad nauseam pelos portenhos, aplica-se para reforçar uma idéia. Re-out é algo muito “out”.

Histérico, histérica: Os argentinos usam esta palavra fora do contexto freudiano. Refere-se à pessoa que gosta de ser olhada, exibir-se, mas na hora “h” não quer nada. Pessoa que provoca por provocar, comportamento considerado (por turistas estrangeiros e também os nativos) como algo “freqüente” na noite portenha.

Mina: Garota

Chico: Garoto, rapaz

El flaco: Literalmente, é “o magro”. Mas, neste caso, usa-se como sinônimo de “rapaz” ou “cara”.

La flaca: O mesmo, usado no feminino.

Gato/gata: Jamais usar como elogio, tal como no Brasil, pois na Argentina refere-se a “uma garota de programa”.

Un táxi: Se for para o veículo com taxímetro, tudo bem. Mas, se alguém referir-se a um rapaz como ‘un táxi’, refere-se a um garoto de programa.

Fuerte: “Forte”, usado para indicar alguém que possui supimpas formas físicas. Ou, aquelas pessoas que no Brasil seriam classificadas como “gostoso” ou “gostosa”.

Re-fuerte: Prá lá de ‘fuerte’.

El celu: O celular. “Dame tu número de celu” significa “me dá teu número de celular”.

No existís: Você não existe. Se toca, meu.

Mirá vos… : Olha só, pois é. Frase usada quando a conversa está chata e tenta-se encerrar o assunto. Uma de minhas expressões preferidas! Usar como se depois viessem três pontinhos. Os “…” são imprescindíveis.

Tipo nada: Pronuncia-se “tipo náááá”. Frase estepe, equivalente a “bem, então….”.

Buenísimo: Pronuncia-se esticando o “i”, desta forma: “bueníííííísimo”. Para indicar que algo é muito legal.

Boludo, boluda: antigamente era – inexoravelmente – um palavrão. Hoje em dia é predominantemente sinônimo de “cara” (para homens e mulheres) se usado entre amigos ou conhecidos. Ou mesmo entre desconhecidos mas com tom amigável, especialmente se forem jovens. Entre adultos continua sendo palavrão. A versão abreviada para o ‘boludo’ com sentido de ‘cara’ é “bolú”. A mudana do uso dessa palavra seria equivalente ao ‘coitado’ em potuguês (que há mais de um século referia-se a quem leva o coito). Com o passar do tempo, perdeu seu impacto e sua conotação original).

Levante: “Ir de levante”. Sair para paquerar, com expectativas elevadas de conseguir algum resultado. “Lugar de levante” é o lugar de paquera.

De gira: quando você sai para “levantar”

Lomo: “Lombo”, ou corpo, no sentido de admiração. “Que lomo!”

Lomazo: Um corpaço. Usado para homens e mulheres.

Lolas: seios.

Gomas: seios.

Delantera: seios

El paquete: palavra genérica para referir-se ao volume do membro viril masculino sob a calça. As mulheres costumam usar uma palavra mais específica, “el bulto”, ou, dito da forma “vesre” (ao contrário), “el tobul”. Elas também aplicam o termo “el pedazo”. Os gays usam a palavra “el bollo”.

Una loca: Gay, mas tresloucado (no entanto, é uma palavra usada dentro da própria comunidade gay. Não é termo que um heterossexual costume utilizar para referir-se a uma pessoa gay).

Chongo: Homem de aparencia altamente masculina, geralmente de comportamento heterosexual, mas com eventual inclinação para relações homossexuais.

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