A sociedade argentina é plena de antagonismos. Um dos poucos consensos existentes é o alfajor, quitute de origem árabe (o “al-hasú”) com um touch espanhol que transformou-se no principal doce de consumo dos argentinos.
Segundo pesquisas, quase todos os argentinos apreciam este doce de linhas simples. Do total, um quarto da população inexoravelmente come alfajores todos os dias. A cada jornada, 9 milhões de alfajores são devorados pelos argentinos.

Unanimidade acaba cuando surgem as sub-espécies. Neste caso, o alfajor de maizena
A unanimidade, no entanto, somente predomina sobre seu conceito geral. Na hora de discutir as nuances, os argentinos voltam ao antagonismos. Motivos para o debate culinário existem de sobra, pois existe uma miríade de sub-espécies de alfajores, que vão desde a cobertura de chocolate negro, passando pelo branco, açúcar de confeiteiro e o alfajor de maizena.
Existem marcas produzidas por grandes indústrias, pequenas e médias, além de alfajores artesanais, que em vez do recheio de doce de leite optam por doces de frutas da Patagônia e de outras regiões do país.

Quitute que evoca conquista espacial em packaging retro é bastião da ortodoxia alfajorística argentina (Foto de Ariel Palacios)
ORTODOXO E RETRO - Mas, esta ampla variedade dos tipos de alfajores – e até o surgimento de alguns alfajores quadrados (para horror dos conservadores) – foi derrotada pela ortodoxia hiper-fundamentalista do “Capitán del Espacio”, vencedor no ano passado do Campeonato Mundial dos Alfajores, organizado por um bloggers argentinos.
O “Capitán del Espacio” – com apenas dois sabores – derrotou os populares alfajores “Jorgito” e os refinados “Havanna” (estes últimos, segundo o quituteirólogo inglês Neville Reid, ‘se algum dia você for para o céu, com certeza haverá alfajores Havanna ali’). Os “Havanna” agora contam com um rival, o também requintado “El Cachafaz”.

Segundo especialista britânico, Céu que não tem alfajor Havanna, não é Céu
Low profile, o “Capitán del Espacio” transformou-se em “cult” nos últimos anos.
Ele é produzido no município de Quilmes, na zona sul Grande Buenos Aires (município que é famoso há mais de um século pela cerveja Quilmes, que desde a virada do século é propriedade da AmBev).
No entanto, apesar do sucesso do produto, a empresa não possui interesse em vender o “Capitán del Espacio” na cidade de Buenos Aires, o maior mercado consumidor do país.

Alfajores como o “Fantoche” apostam nos gulosos adeptos da versão tríplice
BASTIÃO DO ANTI-MARKETING - Os donos da empresa atendem – com sua máxima capacidade – a demanda da área Quilmes e estão satisfeitos com isso, descartando qualquer espécie de ampliação de suas instalações para atender os insistentes pedidos provenientes da capital argentina.
Quiosques em Buenos Aires precisam colocar cartazes com os dizeres “Não insistam! Não temos Capitán del Espacio!” para evitar a perda de tempo de explicar aos clientes a ausência inexplicável desse procurado alfajor.
“Capitán del Espacio” não trocou seu packaging desde que foi lançado no mercado há mais de 40 anos.
O marketing é um conceito praticamente desconhecido pela empresa.
Além disso, ela contraria a lei da procura e da oferta, que indica que um produto, se muito requerido, aumenta seu preço. Na contra-mão dessa lei econômica, “Capitán del Espacio” tem preços que costumam ser 60% mais baratos que a média dos outros alfajores.
A empresa não conta com publicitários (não investe um centavo sequer em publicidade), não possui assessores de imprensa, e nem se interessa em atender os pedidos de entrevistas da mídia. Site de internet? Nem pensar.

Alfajorológos sustentam que o “Capitán…” manteve intacto o sabor de antanho
Os alfajorólogos afirmam que o sucesso deste anti-herói dos alfajores é que ao contrário de outras marcas que ao longo do tempo modificaram seus ingredientes por outros mais baratos, o “Capitán del Espacio” mantém o mesmo sabor nas últimas quatro décadas (aliás, os especialistas sustentam que este alfajor deve ser degustado frio, após, pelo menos, uma hora na geladeira).
Embora o “Capitán del Espacio” seja famoso na cidade de Buenos Aires, poucos portenhos o experimentaram.
Isso elevou o “Capitán del Espacio” à categoria de “lenda urbana”, pois muitas pessoas em Buenos Aires acreditam que tal alfajor – alvo de inúmeras enfáticas apologias – simplesmente não existe.
Diversos blogs na internet dedicam a este mítico alfajor as mais exaltadas apologias.
SERVIÇO - O turista brasileiro que quiser experimentar o quitute terá que dedicar-se com insistência na procura do “Capitán del Espacio” nos quiosques, além de necessitar de grande sorte, pois sua escassa distribuição em Buenos Aires é errática. Eu costumo comprá-los em um “Kiosco” da avenida Callao, entre a calle Marcelo T. de Alvear a a Avenida Santa Fe. É um quiosque grande, do lado esquerdo da avenida.
No caso de extrema curiosidade e gula, a pessoa pode ir até Quilmes, no sul da Grande Buenos Aires e comprar diretamente na fábrica, na rua Gran Canaria, número 350. Telefone: 4253 5224.

Tudo é possível no amplo mundo dos alfajores(Foto de Ariel Palacios)
Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
Tampouco serão publicados ataques pessoais entre leitores nem ocuparemos espaço com observações ortográficas relativas aos comentários dos participantes.
Além disso, não publicaremos palavras ou expressões de baixo calão.
E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.
Ariel, se você me permite eu gostaria de recomendar os alfajores caseiros de maizena das minhas tias lá de Pilar de Córdoba. Pena que esses não estão à venda mesmo… Já os alfajores do Kirchner me lembraram os nhóquis da primeira campanha presidencial do Menem…
Que pena que é só vendido em Buenos Aires e Quilmes… Já ia procurar se tem em Puerto Iguazu, onde costumo comprar Havannas de vez em quando.
Caro Luiz, adoraria experimentar os alfajores cordobeses. Se um dia passar por lá, te peço antes o telefone delas. E prometo que em troca levo para tuas tias uma caixa de pé-de-moleque (aliás, com a nova ortografia, esses hifens caíram ou ainda estão vigentes?).
Caro Nilton, os alfajores Capitán del Espacio são vendidos em Quilmes e e municípios vizinhos. Mas, em Buenos Aires, há pouquíssimos lugares para comprar…
Em Puerto Iguazú, acho muito difícil. Mas, não custa perguntar. Por incrível que pareça, esta seria a maneira mais fácil de saber: tente descobrir se há algum quilmenho que more ali. Ele, com certeza saberá se há algum lugar que vende esses míticos quitutes na área da fronteira.
Abraços,
Ariel
Pronto, agora terei de ir à Argentina.
Ariel, você me deixou com água na boca…
Ariel
Para os que estamos aqui, e há tempos não vamos à Argentina: Há algum alfajor produzido e/ou distribuído no Brasil, que você recomende por ser (ainda que palidamente) parecido com a iguaria argentina? Qual seria a marca ou um local em que o pudéssemos comprar?
Dizem que argentinos e uruguaios sabem fazer melhor doce de leite que os brasileiros.
Sobre os alfajores argentinos, já tive oportunidade de experimentar o “Havanna” que a minha irmã trouxe uma caixa ao ir lua-de-mel na cidade portenha. E posso dizer que foi muito bom experimentar esses deliciosos alfajores.
Agora em São Paulo, tem algumas quiosques de “Havanna” vendendo alfajores nos shoppings que agora não me lembro qual, pois resido no litoral e subo a serra de vez em quando.
É muito bom esse blog. Que continue postando coisas interessante!
Abraços.
Ariel, parabéns pelo sucesso do Blog….
Além das interessantíssimas matérias que desnudam o cotidiano de los hermanos, me intrigam principalmente a qualidade das suas fotos.
Maravilhosas, pfraticamente falam por si
Abraços
Sou uruguaia, e morro de saudades dos alfajores, eu levava para a escola todos os dias.
E os que minha avó faz… são perfeitos.
Aqui em São Paulo, eu achei alguns, quase sempre importados do Uruguai: Punta Ballena, Turma da Mônica, como eles são feitos para exportação o sabor não é o mesmo, mas quebra o galho.
Adorei a matéria.
Cara Yoko, é verdade, ler sobre esses alfajores dá água na boca…e escrever sobre eles também! Vou tentar achar hoje um “Capitán del Espacio”. Receita pessoal: cortar o alfajor em pedacinhos e misturar com mousse de chocolate, bem frio…O segundo alfajor, claro! O primeiro, comer, comme il faut, puro!
Caro Jakob, estou desatualizado sobre os alfajores feitos no Brasil. Quando vou à Curitiba (visitar meus pais), São Paulo (visitar o jornal) ou para o Rio (visitar a Globo News) ou Londrina (visitar os amigos), me entupo de:
a) brigadeiros
b) quindim
c) manjar branco
Então, fico sem experimentar os alfajores nacionais.
Mas, da próxima vez que for ao Brasil, possivelmente em setembro, farei uma análise empírica dos alfajores brasileiros.
Caro Dr. Sallere, obrigado pelo comentário!! Sua irmã gostou de B.Aires?
Querido Antonio, obrigado pelos elogios. Sempre gostei de fotografia. Tento fazer algumas das fotos que ilustram este blog de vez em quando. Mas o mérito não é do fotógrafo…é desta cidade, que possui muitas coisas interessantes (e peculiares) para retratar!
Querida Thais, os produtos Made in Uruguay são muito bons! Estive nas férias ali e vi que a Conaprole faz agora sorvetes! Excelentes!
E o Tannat, um de meus vinhos preferidos!
E, nem falemos daquele doce de leite com creme da Conaprole….ai, ai, que tentação! E os doces da Lapataya!
E a torta de ricota da confeitaria El Oro del Rhin, en Montevidéu…
Bom, já estou com fome!!!
Daqui a alguns dias teremos aqui uma postagem sobre o Chivito!
Abraços a todos, excelente fim de semana!
Ariel
Excelente matéria, que saudades dos alfajores!!!!
Faltó comentar dos alfajores santafecinos, feitos de massa folhada, ai meu Deus que fome…..!!!
Dulce y fatal,la nostalgia…
Otras iguarías,dignas de mencionar:
Merengues con dulce de leche o crema chantilly
Media lunas de manteca o de grasa
Biscochitos de grasa (para acompañar el mate)
Sandwiches de miga triples !!!.
Dulce de leche Chimbote o Salamandra.
Pizza de fugazeta rellena.
Fainá.
Bife de chorizo relleno (Restaurante La Farola)
Puchero a la española.
Tortilla de papa y cebolla.
Empanadas souflé.
Papas fritas souflé.
Locro.
No sigo,porque ya siento deseos de ir para Guarulhos!.
Anotem, garanto que vão me agradecer depois:
A argentina Laila Zogbi faz alfajores desde 1982, seguindo receita típica de sua terra natal. São dez versões, com açúcar na medida. Além do tradicional, há recheios pouco usuais, como goiaba, café, limão, nozes e caju. Experimente o de chocolate meio amargo.
Endereço Alameda Fernão Cardim , 56
Tel (11) 3287-2840
Horário 8h/17h (sáb. 8h30/13h; fecha dom.
Não me responsabilizo por eventuais ganhos de peso.
Caro Ariel,
São temas como este que ajudam a construir a ponte
da amizade entre os 2 paises. Vivi, bem vividos, 3 anos
na Argentina e posso dizer que não é nada daquilo que certos brasileiros comentam.: tem sim muita coisa boa em tudo,além dos ricos alfajores. A propósito,estando lá,além de ser um grande consumidor,me dei conta de que ele realmente faz parte da cultura gastronômica,pois via todas as crianças levando alfajores na lancheira escolar. Continue tratando de temas como este,os quais iao revelando cada vez mais o lado bom da Argentina.
Parabéns pelo excelente trabalho. Saludos! LAERTE
Sou de São Paulo e, com muito prazer, saboreei essa ‘lenda urbana’ sem nunca ter ido à Argentina. Tenho sorte de ter amigos que frequentam a região de Quilmes e me ‘iniciaram’ nessa guloseima através do “Capitán del Espacio!”
Parabéns pela matéria!
Parece que tem um alfajor da turma da monica (acho que é balduco) dando volta por algumas panificadoras do sul. Em Maringá, minha cidade, tem em todos os lados. É gostosinho, mas nada especial. Qualquer bombom de morango, brigadeiro ou quindim vale mais.
Aqui na argentina sou uma alfajorogoma…para comer na sala de aula eu prefiro o Jorgito trible con chocolate blanco, no inicio do mes como los havanos de nozes com chocolate branco (hummm…uma delicia) e agora, faz uma semana mais ou menos descobri um outro, com uma quantidade de doce de leite impressionante. Se chama la vauquita. divino!
Ariel, será que voce pode me ajudar? Em 92 minha mae foi a Rosario e trouxe um alfajor que era…hum…como explicar…impressionante. A massa era meio mil folhas e vinha enrolado num papel branco. Deve ser uma das marcas tops de santa fé, mas eu nunca vi por buenos aires. Voce conhece alguma marca famosa de alfajores (estilos santafesinos)?
abracos a todos
HEY!!!
Oque há de errado com alfajores de maizena!?
Eles, para mim, parecem deliciosos!!!
Ehehehe….
PS: Ariel , estou montando algumas perguntas que faço no Yahoo!Respostas com material do seu Blog e dando apenas os créditos. Não posso mais postar links por lá. Eles deletam. Con permiso?!
Abraços!
A última frase do MarioS é cruel demais…
Dr. Sallere, há quiosques do Havanna em diversos shoppings de São Paulo. No Shopping Paulista e no Bourbon Shopping há também o café.
Não lembro o endereço, mas há um café chamado Patagônia (acho) que serve empanadas, no bairro de Moema. Comprei lá uns alfajores em tamanho mini que eram muito bons.
http://www.blogdesaopaulo.com/cafe-patagonia/
Ariel, sinto que se o alfajor não tivesse a cobertura de chocolate, seria muito parecido com o nosso bem-casado. Será que tem a mesma origem?
Ariel,
Por favor, publique um post sobre o drink Sietimo Regimeinto. Por duas vezes experimentei-o em
Bs As e o resultado acho que voce conhece. Na minha opinião deveria ser proibido pela convenção de Genebra, ou por uma destas entidades de direitos humanos. Como pode existir ??? É mais letal do que a bomba atômica. Outra sugestão para tópico, esta mais “cultural”: LES LUTHIERS! São simplesmente brilhantes! Por coincidência eles tem um número chamado Sietimo Regimiento, que não tem nada a ver com a bebida é que é genial.
Querido Lito, acho que esqueceu da “soda”, que tem mais gás que a água mineral com gás.
Toda é lista é de dar água na boca.
E nem falemos do matambre, do queso sardo, do dulce de batata, dos sorrentinos, e das cremonas (com mate!) das padarias como La Perla de Almagro, do budín de pan de La Pastafrola!!!
Caro Antonio, é verdade, teria que ter comentado dos alfajores de Santa Fe. Mas aí também teria que ter falado nos alfajores de Córdoba…Como disse, o universo alfajorístico é amplo! E, em todas suas versões, uma delícia calórica.
Caro Laerte, a culinária sempre une povos, não é? Eu, particularmente, criei aqui um mix heterodoxo: adoro spaghetti..e sou louco pela morcilla..Então, porque não spaghetti com molho de morcilla? Isto é, a morcilla pisada em cima do spaghetti, com muito azeite em cima e queijo ralado (queijo sardo, hein!)? Os amigos que experimentaram gostaram. Não sei se porque gostaram de verdade ou disseram isso por compaixão…hehehe!
Cara Livia, La Vauquita em alfajor é um lançamento relativamente recente. Essa fábrica é histórica em caramelos. Ainda vou experimentar!
Caro Ed, há tempo não te via por aqui. Sim, pode colocar os dados lá, com o devido crédito. Obrigado! Se puder, quando tiver tempo, me envia alguns dos links dessas respostas.
Cara Cris, Uau!! Amigos quilmenhos que te levaram o Capitán! São grandes amigos, esses! Nunca perca essa amizade!!!
Yoko, acho que o bem-casado vem de Portugal…o alfajor é de origem árabe, reconfigurado na Andaluzia, e finalmente reconfigurado de novo na Argentina, Uruguai, Peru e Chile no século XIX. Há certo tempo, também está no Brasil e outros países da região.
Acho que o bem-casado tem o mesmo conceito do alfajor: isto é, unir duas ‘bolachas’ (para tentar definir de alguma forma as duas partes) deliciosas por meio de um elemento de contato também delicioso. Mas, acho que os produtos para elaborar as ‘bolachas’ do bem casado são diferentes daquelas usadas nos alfajores.
Caro Mario, boa idéia: mas antes dessa teremos outro sobre o cocktail que é considerado o “paid” dos cocktails da Argentina: o “Clarito”! Aliás, falaremos dos dois juntos. O que acha?
Sobre a letalidade do “Sétimo…”, poderia ser mais letal ainda se ingerido com um jantar com ‘cocido madrileño’. Aí, é como ter plutônio dentro do estômago. Melhor que Bush não saiba, pois senão enviará desde sua aposentadoria tropas para capturar essa “arma”…
E obrigado pela dica sobre a sra Zogbi, emérita quituteira! Sobre as calorias extras, estou indo agora mesmo na academia queimar os dois Capitán del Espacio que ingeri hoje (um, ainda por cima, coloquei mousse de chocolate por cima)!!!
Abraços,
Ariel
MarioS
Valeu! Farei contato com a pessoa indicada e experimentarei os alfajores. Depois deixarei um parecer “gastronômico” a respeito.
Abraço
Olá Ariel,
Não sabia que você tinha um log, pois o conhecia apenas do jornal e da televisão. Confesso que foi a primeira vez que li mais de uma postagem de um mesmo blog que não fosse de Formula-1. Parabéns mesmo, muito legal o seu log! Seguramente se tornará minha leitura obrigatória.
Alguns colegas argentinos na faixa dos 40 anos me disseram que era costume inverter as sílabas e assim, dar apelidos de forma jocosa ou carinhosa a certas coisas ou pessoas. Me lembro de um local na “Calle San Jose” ou “Barrio San Jose”, em Buenos AIres, onde se servia frios/fiambres de várias qualidades e locais do mundo. O proprietário, muito provavelmente descendente de índios, tinha os olhos levemente puxados como de um japonês. Ao invés de o chamarem de “Japón”, o chamavam de “Ponja”. Esse costume ainda permanece?
Em tempo: Tahis, como sou um assíduo leitor de embalagens, tenho certeza de ler a embalagem do alfajor da Turma da Monica logo do seu lançamento: era feito no Uruguai. Ainda vem de lá?
Abraços,
Marcelo Marques
Pessoal, nunca provei do ‘Capitan del Espacio’, mas o melhor alfajor que comi (na verdade, alfajores, porque comi todos os tipos que a tenda vendia
) é o feito pela La Quinta de Córdoba -> http://www.alfajoreslaquinta.com/
Quem estiver passando por lá, experimente.
Que saudades dos ALFAJORES !!!!!
Como bem foi lembrado nos comentários acima, eu era uma daqueles “chicos” de avental branco que tinham a lancheira apinhada por esta iguaria fantástica. Na época (anos 70/80) os Havanna eram vendidos somente em Mar del Plata e quem ia “veranear” por lá era obrigado a trazer para a familia toda. Em Buenos Aires nos contentávamos com os “Terrabusi”, que realmente quebravam o galho.
Tentei criar o hábito do alfajor na lancheira no meu irmão brasileiro, alguns anos mais novo.. mas, como bem sabe quem mora em SP, o Havanna é vendido a R$ 4.50 a unidade.. portanto quase proibitivo. Vale a pena de vez em quando, para matar saudades, comer um Havanna na lojinha da marca na Al. Tietê, depois de saborear uma boa pasta no Lellis da Bela Cintra….
Um abraço Ariel ! Parabéns pelo blog !
Santiago
“A última frase do MarioS é cruel demais…”
Apenas uma precaução de ordem juridica Yoko, nada mais
Fico no aguardo do tópico sobre os “tragos” Ariel.
Disponha Ibrahim.
Duas delicias ainda não citadas: jamon serrano e centollas
Caro Ibrahim, depois nos conte que tal são esses alfajores dali!
Caro Marcelo, obrigado pelos elogios! Sim, o costume de falar algumas palavras ao contrário permanece. Embora, de certa forma, esse costume está um pouco reduzido. Já foi mais usado no passado.
Por exemplo, o Maradona costumava referir-se à esposa de “Jermu”, o contrário de “Mujer”
Essa forma de falar ao contrário é o “vesre”, isto é, a palavra al ‘revés’ (ao contrário)…ao contrário!
Tomar un feca (beber um café)
Oir un gotán (um tango)
Voy al ñoba (baño, ir no banheiro)
E por aí vai…
Os franceses, ou melhor, o pessoal de Paris tem o mesmo costume.
Eles chamam de “verlan”, que é o contrário de ” l’anvers ” (o contrário, em francês).
Caro Leonardo, vou seguir teu conselho e experimentar esse alfajor que você recomenda!
Santiago, obrigado pelo comentário!
Caro Santiago, é verdade: achar um Havanna no final dos anos 70 em Buenos Aires era coisa difícil. A única opção, na época, era ir na calle Florida, que não estava decadente como hoje em dia, e lá, na loja da Havanna, comprar várias caixas e levar para o Brasil, quando ia de férias para B.Aires (depois, abriram lojas de Havanna por toda a cidade, já nos anos 90).
Ou, outra opção era esperar que meus avós fossem para Londrina (PR) e nos levassem algumas caixas.
Na época, minha irmã e eu “racionávamos” os alfajores que nos levavam, para que “durassem mais”.
Isto é: comíamos uma metade cada dia…
Mario, concordo, é bom estar respaldado juridicamente nos dias de hoje…
Ah, o jamón serrano!
E as centollas! Mas, estas mais comuns no sul do país e no Chile.
Pergunta: em quais cidades estão vocês?
Abraços,
Ariel
O Ariel inventou um prato que pode ser considerado a sintese culinária das influências italiana e espanhola na Argentina: o spaghetti com morcilla! Aqui em São Paulo não é todo supermercado que tem a morcilla (chamada no Brasil de morcela e de chouriço), mas quem quiser experimentar essa sanguinolenta delícia produzida à maneira espanhola vai encontrá-la nos Mercados Municipais do Centro (o Mercadão) e da Lapa. Como filho de espanhola e italiano, adoro os dois ingredientes principais e seus imprescindíveis complementos queijo e azeite. Deve ficar uma delícia.
Abre um restaurante, Ariel!
Ariel,
Respondendo à sua pergunta, moro em São Paulo.
Você morou em Londrina? Eu nasci em Umuarama, mas também morei em Campo Mourão e Maringá.
Obrigado pelos exemplos e também por nos fazer saber da inversão que ocorre também na França.
Abraços,
Marcelo
FELICITACIONES!!!!!!!!!!!!!!! Artículo excelente!!!
Lástima grande que después de leer… da ganas de comer uno y no tenerlo cerca…
Vamos a la campaña del e-commers para “capitán del espacio”!!!!!!!! así todos podremos comprar!!!!!!!!
saludos..
O problema do fornecimento de alfajores já está resolvido, pelo menos aqui em São Paulo. Mais dificil é a provisión dos “pellizcos” ou Havanetes (os da marca Havanna). São aqueles coninhos de doce de leite revestido com chocolate. Para São Paulo são trazidos apenas em inverno, já que as altas temperaturas conspiram contra sua consistencia. São muito gostosos. Tambem sento falta das famosas bolachas “Tita” e “Rodhesia”.
Em relação ao habito de falar ao contrario algumas palavras; este tem origem no “lunfardo” um linguagem ou giria dos suburbios portenhos
Palácios:
Los alfajores Capitan del Espacio yo los comía cuando iba a escuela en Berazategui!
Yo nací en San Telmo, y nos mudamos para Berazategui cuando yo tenía 11 años.
Hace unos meses, mi hermana que todavía vive en Beraza me trajo dos cajas, una de chocolate y otra de dulce de leche que tenían EXACTAMENTE EL MISMO SABOR, que hace treita y pico de años. Yo en Brasil nunca me imaginaria que volveria a comer los Capitán del Espacio, y mucho menos que iban ser famosos. Les regalé algunos alfajores a vários amigos brasilieiros, y se volvieron locos con los Capitanes.
Lo mas interesante es que realmente siempre fueron baratos en relación a los Havana por ejemplo, pero yo hace treinta años ya sabía que eran lo mejor del mundo.
Le voy a mandar un mail a mi hermana para que entre en tu blog y lea todo esto… no lo va a poder creer!
Chocolate “NEGRO” ??? Pode ser apenas implicância minha, mas nesses tempos de ditadura do politicamente correto bocó imaginei que a intenção pudesse ser evitar Chocolate Preto. Nesse caso sugiro que se use chocolate afrodecendente. Que mimo!
Aqui no Rio já encontrei alfajores razoáveis no Galeão, nas cafeterias Palheta. Contudo, nada que se compare ao Havanna ou aos alfajores que se vendiam em La Plata (La Plata mesmo, não Mar del Plata) nos anos 80. Havia uma marca local que era um negócio… Meu grande problema com Buenos Aires – e com a Argentina em geral – sempre foi a balança: não houve uma vez em que não voltasse com pelo menos menos um quilo a mais. Outros quitutes imperdíveis: as pizzas “a la piedra” cordobesas e aqueles diabólicos pasteizinhos de Salta e Jujuy, cheios de milho, pimenta e sabe-se lá o que mais. Outro sabor inesquecível é do suco de pomelo (e também o da gaseosa de pomelo – aquela com um touro no rótulo). Só de lembrar dá vontade de largar tudo e pegar o primeiro voo…
Só vou comentar uma coisa: TENHO UM ALFAJOR CAPITAN DEL ESPACIO ENCIMA DA GELADEIRA!
Morram de inveja!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Já tinha escutado sobre o ‘Capitán del Espacio’, mas nunca provei (e não cheguei a procurar no tempo que morei em Buenos Aires)…
É impressionante como na Argentina cada um tem sua marca favorita de alfajor.. Eu adorava o Pepitos triple.. Tinha uma amiga que não trocava o Cadbury por nada.. E outro amigo fanático do Terrabusi que tinha sempre um estoque de pacotes na sua casa..
Mas falando de comida em geral, eu adorava o chocolatinho da Cabsha, as bolachas integrais da Frutigran, as facturas com doce de leite e membrillo, o suco de pomelo da Citric, o Doritos picante, o cheese cream de quatro queijos da Tholem, o queijinho francês Mini Baby Bel por 8 pesos… Pena que no Brasil só acho esses dois últimos que citei.. E caríssimos! Que nostalgia …
Caro Marcelo, me criei em Londrina! Mas ia muito à Maringá, onde tinha amigos, e fui muito à Umuarama!
Cara Mary..o que esse alfajor ainda faz em cima da geladeira??
Caro André, é verdade, os alfajores despertam paixões dignas de paixões partidárias ou futebolísticas!
Caro Joaquim, anotada sua observação sobre a necessidade de que o mundo alfajorístico conte com a adequada denominação políticamente correta…hehehehe…
Caro Fernando, o ‘pomelo’ com o touro no rótulo, seria por acaso a água tônica ‘Paso de los toros’? É um clássico das mesas familiares nos domingos argentinos…
Caro Degrelle, que bom que a postagem lhe trouxe excelentes lembranças da infância! Fico feliz!
Abraços a todos,
Ariel
Yo soy la hermana de Degrelle, soy maestra en un Jardín de infantes de pocos recursos en Berazategui. Quería hacer especial mención de que la fábrica “Capitán del Espacio” siempre colabora con total desinteres enviando donaciones de este famoso alfajor, para las fiestas pátrias y nuestros alumnos agradecen el gesto con deliciosas sonrisas de felicidad al degustarlos.
Nos emocionó leer este blog y la mención a nuestros entrañables recuerdos de niñez. Cariños Nanda
Cara Nanda,
Muito obrigado pelo comentário!
Já havia ouvido comentários muito elogiosos sobre a família que comanda a fábrica de “Capitán del Espacio”.
Agora, com teu relato, confirmo aquilo que havia ouvido.
Obrigado,
Abraços,
Ariel
Gostei muio do seu blogue. A sua voz é incrível!
Estive recentemente em BA e encontrei por acaso o Capitán del Espácio em um kiosoko-parlatório no quarteirão 1500, lado ímpar, da Corrientes.
Realmente é deliicioso: muito melhor que o Havanna.
Caro Ed Morte, muito obrigado pelo comentário!! E obrigado pelo adjetivo de “incrível” para a voz! Hehehehehe!
Caro Rodolfo, o Capitán del Espacio resgata o sabor dos alfajores de 40 anos atrás, quando tinham menos elementos químicos, corantes, etc…
Obrigado pelo comentário.
Abraços,
Ariel
Ariel,
Pasrabéns pelo artigo! Para mim, que sou filha de argentina, comi muito alfajores, mas o havana já foi melhor. Um dia experimentarei “el capitán del espacio”. Mas em sampa, o alfajor da dona Laila é imbatível, e a receita é dela! O alfajor de café e o de limão, hummm… não da pra esquecer!
Ariel
Só por causa deste post sai em busca do capitan del espacio. E nao é que achei? Para espanto dos meus amigos bonairenses eu nao só sabia do que se tratava como fui capaz de encontrar. E é praticamente uma lenda! Obrigada pela dica. Volto c alfajoes e historias p contar. Abs
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