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Breve Guia Cortazariano de Buenos Aires

Ariel Palacios

25 agosto 2014 | 12:17

Breve guia portenho-cortazariano para visitar os lugares da vida e obra do autor de “O jogo da amarelinha”. Cortázar nasceu há 100 anos, no dia 26 de agosto de 2014 .

ou um portenho perfeito!”, costumava dizer Julio Cortázar, nascido em Bruxelas – onde seu pais argentinos trabalhavam na embaixada de seu país – exatamente uma semana depois da invasão alemã à Bélgica na Primeira Guerra Mundial. Cortázar, após passar por sua família por Zurique e Barcelona, chegou a Buenos Aires quando tinha quatro anos. Do total de vida ele viveu 24% do tempo na capital argentina.

Cortázar cresceu na cidade de Banfield, na Grande Buenos Aires, onde morou na rua Rodríguez Peña, 585. O quintal dessa casa, posteriormente demolida, inspiraria anos depois seus contos “Os venenos” e “Fora de hora”. Ali ele morou até o fim da adolescência. Na sequência ele, sua mãe Hermínia Descotte e sua irmã Memé mudaram-se para a capital, instalando-se no terceiro andar de um pequeno prédio na rua Artigas 3246, no bairro Rawson, na cidade de Buenos Aires.

Perto dali está a Escola Normal Superior de Professores Mariano Acosta, na rua General Urquiza 277, onde ele formou-se como professor, além de mergulhar na literatura clássica.

Ele residiu nesse bairro entre 1934 e 1951 com sua família, embora nesse período também tenha morado por curtos períodos de tempos em outras cidades trabalhando como professor.

No bairro de Palermo uma pequena praça homenageia o escritor com seu sobrenome. No entanto, a “Praça Cortázar”, que está no meio da rua Jorge Luis Borges, não possui vínculos com a vida do autor de “O jogo da amarelinha”, ao contrário do autor de “O Aleph”, que morou nessa área quando era criança. A única conexão com Cortázar é a presença dessa área do bairro no conto “Simulacros”.

No centro da cidade Cortázar frequentava a Confeitaria London City, na esquina da avenida de Mayo e a rua Peru. Esse café histórico, que havia sido fechado mas foi reaberto na semana passada, aparece em seu livro “Os Prêmios”.

A Praça de Mayo, ponto das manifestações políticas portenhas, na frente da Casa Rosada, aparece em “O Exame”, novela que escreveu em 1950 (e que seria publicada de forma póstuma em 1986). No conto, o histórico monumento à Revolução de Maio de 1810, no meio da praça, é o suporte de uma barraca que serve de santuário para a adoração de um pequeno osso, uma ironia ao culto ao líder Juan Domingo Perón.

Durante seu exílio em Paris Cortázar fez uma enumeração de alguns pontos portenhos dos quais tinha saudade, entre eles a Praça Itália em dias de sol (bairro de Palermo), a “penumbra alucinatória da Galeria Guemes” (na rua Florida 165), o cheiro dos jardins e das praças do bairro Villa del Parque e o estádio coberto Luna Park (avenida Madero 420), onde assistia as lutas de boxe, seu esporte preferido. Os amantes do futebol, coloquem as barbas de molho: Cortázar não tem times favoritos, já que considerava esse esporte “altamente entediante”.

Julio Cortázar explica nesta entrevista de 1977 à Televisão Espanhola, a TVE, como surgiram os Cronópios e Famas:

hirschfeldfarrago3PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.

Em 2009 “Os Hermanos recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra). Em 2013 publicou “Os Argentinos”, pela Editora Contexto, uma espécie de “manual” sobre a Argentina. Em 2014, em parceria com Guga Chacra, escreveu “Os Hermanos e Nós”, livro sobre o futebol argentino e os mitos da “rivalidade” Brasil-Argentina.

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