A América do Sul quando era teenager: Mapa de 1596 de Jan Huygen van Linschoten.
Os países da América do Sul tiveram doze interrupções de mandatos presidenciais desde 1989, segundo um levantamento feito pelo Centro de Estudos Nueva Mayoría. Desta forma, em pouco menos de um quarto de século ocorreu na região uma interrupção a cada dois anos. Dos doze países da área, somente três – o Uruguai, o Chile e a Colômbia – não tiveram esse tipo de turbulência política. A Argentina, Bolívia e Equador ocupam o topo do ranking de interrupções presidenciais.
O Paraguai, que teve a abrupta queda do presidente Raúl Cubas Grau em 1999, acumula com a remoção de Fernando Lugo duas interrupções de mandatos desde a volta da democracia no país em 1989.
O diretor do Nueva Mayoría, o analista político Rosendo Fraga, disse ao Estado que “nos últimos anos os presidentes sul-americanos haviam deixado de cair, já que a América do Sul teve nesta década o maior crescimento econômico de sua História”. No entanto, ressaltou que “este crescimento está sendo brecado, em grande parte pela crise global. E por isso, a instabilidade institucional volta a alguns países da região”.
Segundo Fraga, “nas últimas eleições presidenciais, antes da crise econômica, os governos de plantão na América do Sul venceram nas urnas. Mas, como diria o ex-presidente americano Bill Clinton, ‘é a economia, estúpido’. Fernando Lugo caiu exatamente em um ano que a economia do Paraguai tem o menor crescimento de sua presidência”.
Fraga sustenta que a freqüência das interrupções dos mandatos presidenciais constitui um “sinal de alarme” sobre o desempenho institucional da América do Sul.
“Paraguay”, ocupando boa parte do Cone Sul, em mapa de Jacques Nicolas Bellin, de 1760
DA VENEZUELA, PASSANDO PELA ARGENTINA, ATÉ O PARAGUAI - A lista de interrupções começa com o argentino Raúl Alfonsín (1983-89), que renunciou seis meses antes do fim de seu mandato, no meio do caos da hiperinflação, greves gerais e ameaças de levantes militares.
Em 1992 foi a vez do presidente brasileiro Fernando Collor de Mello, que renunciou poucas horas antes antes de ser condenado pelo Senado por acusações de corrupção. Oito meses depois, na Venezuela, o presidente Carlos Andrés Pérez, politicamente isolado e abandonado por seu partido, foi acusado de corrupção e destituído após um período turbulento de revoltas sociais – denominadas de “El Caracazo” – e dois levantes militares (uma dessas tentativas de golpe foi protagonizado pelo então golpista tenente-coronel Hugo Rafael Chávez Frias).
Em 1997, o presidente do Equador, Abdalá Bucaram, apelidade de “El Loco” (O Louco) protagonizou uma série de escândalos de corrupção que provocam uma greve geral. No meio da turbulência política, o Congresso declarou Bucaram mentalmente incapaz e designou o presidente do Parlamento como chefe interino do Poder Executivo. Durante cinco dias Bucaram não aceitou a destituição, até que pediu asilo no Panamá.
Em 1999, oito meses depois de sua eleição, Raúl Cubas Grau fugiu do Paraguai. O país estava imerso em um grave conflito interno do Partido Colorado, que havia governado o país por mais de meio século. O assassinato do vice-presidente Luis María Argaña foi o estopim de uma revolta social que provocou a queda de Cubas Grau.
No mesmo ano caiu o presidente peruano Alberto Fujimori após iniciar seu terceiro mandato. No meio de um escândalo de corrupção envolvendo seu principal assessor, Vladimiro Montesinos, Fujimori fugiu para Tóquio, onde renunciou.
No ano 2000, o Equador voltou a ser o cenário de turbulências sociais. Após o caos causado pela desvalorização da moeda, o presidente Jamil Mahuad é forçado à renúncia por setores militares, sindicais e indígenas. Seu vice, Gustavo Noboa, completa o mandato. No entanto, o seguinte presidente, Lucio Gutiérrez, mergulhou o país em mais uma crise. Ele não consegue completar seu período de governo e renunciou em abril de 2005.
Em 2001 foi a vez do argentino Fernando De la Rúa, que renunciou após uma onda de saques na Grande Buenos Aires e protestos na frente do próprio palácio presidencial que causaram a morte de 32 pessoas.
Em 2003 a Bolívia é assolada por uma grave crise social e política. Gonzalo Sánchez de Losada renuncia depois de estar catorze meses no poder. Nos oito meses prévios à queda de Sánchez de Losada as violentas manifestações sociais exibem um saldo de 130 mortos. Seu vice, Carlos Mesa, assume a presidência do país. Mas, em junho de 2005, depois de fortes convulsões sociais, também renunciou.
Na semana passada, Lugo tornou-se o décimo-segundo presidente sul-americano a sofrer a interrupção de seu mandato.
AS INTERRUPÇÕES PRESIDENCIAIS
1989 Argentina Raúl Alfonsín 66 meses no poder
1992. Brasil Fernando Collor 31 meses
1993 Venezuela Carlos A. Pérez 50 meses
1997 Ecuador Abdalá Bucarám 8 meses
1999 Paraguai Raúl Cubas 8 meses
2000 Equador Yamid Mahuad 18 meses
2000 Perú Alberto Fujimori 4 meses
2001 Argentina De la Rúa 24 meses
2003 Bolivia Gonzalo Sánchez 14 meses
2005 Equador Lucio Gutiérrez 27 meses
2005 Bolívia Carlos Mesa 20 meses
2012 Paraguai Fernando Lugo 46 meses
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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O autor do best-seller “O Príncipe”, retratado pelo pintor Santi di Tito em 1500. Segundo analistas, no Paraguai, o astuto florentino não teria passado de um aprendiz.
Caras e caros, já que o Paraguai novamente está nas manchetes internacionais, aqui segue um breve vocabulário político paraguaio. Os termos estão em guarani, idioma no qual os paraguaios preferem expressar as complexidades da intrincada política local.
O guarani é uma das duas línguas oficiais desse fascinante – e geralmente turbulento – país (que em guarani seria “Tetã Paraguai”).
Os analistas afirmam que se o florentino Niccolò Machiavelli – o Maquiavel (1469-1527) – tivesse conhecido o Paraguai, sentir-se-ia um aprendiz.
ATENÇÃO: O vocabulário paraguaio bem serviria para aplicação em outros países da região…
Pokaré – Ipsis literis, significa “mão retorcida”. Mas, segundo o falecido sociólogo paraguaio Helio Vera, o termo é utilizado para indicar um comportamento de lideranças políticas que consiste na mistura de astúcia, descaro, cinismo e traição.Vera explicava que o ‘pokaré’ é a valorização da esperteza (em vez da coragem).“Sobrevivente por instinto, o paraguaio preferirá sempre os sigilos da raposa do que os ferozes rugidos do tigre”, dizia Vera.
Exemplo dessa esperteza maquiavélica: Nicanor Duarte Frutos, quando era presidente – segundo dizia a oposição na época da reta final de seu mandato – teria realizado um brilhante exercício de ‘pokaré’ ao colocar um inimigo seu, o general Lino Oviedo, fora da prisão (onde cumpria pena por tentar um golpe de Estado) só para tentar roubar parte do eleitorado do então ex-bispo Fernando Lugo (que finalmente foi eleito presidente).
Yvytuísmo – ‘Yvytu’ significa “vento”. O termo ‘yvytuísmo’ indica “estar a favor do vento que sopra”. É aplicado sobre os políticos que mudam de posição de acordo com a conveniência, mesmo que isso implique em trair os colegas. Vira-casaca.
“Tudo é questão de aderir fervorosamente à corrente eólica predominante”, ironizava Vera.
Desta forma, um político que ontem à noite podia ser um frenético liberal, hoje de manhã poderia acordar e logo em seguida alardear ser o mais fervoroso colorado. Os analistas afirmam que “geralmente, no politico paraguaio é difícil definir uma posiçao ideológica. A mimetizaçao política é um esporte”.
Aájata aju - “Vou embora para vir”. A frase indica que o retorno de um político (a seu partido original, por exemplo) não fica comprometido.
Che ruvicha - “Meu chefe”. Expressão muito útil para demonstrar obediência.
O general Stroessner – que governou o país durante 25 anos – era o “ruvicha” que adorava muito “mongele’e”. Na foto acima, o presidente e general argentino Juan Domingo Perón abraça Stroessner efusivamente.
Mongele’e – A lisonja rasgada. O elogio exultante que os políticos de segundo escalão realizam aos donos do poder. “Aqueles elogios barrocos que Odorico Paraguassu fazia em ‘O Bem-Amado’ são amadores perto daqueles que fazem aqui”, me explicou um veterano diplomata paraguaio que conheceu bem o Brasil nos anos 80.
Ijapú - “Mentiroso”.
O Paraguai teve um genial compositor erudito, Agustín Pio Barrios, também conhecido como “Nitsuga Mangoré”. Ele nasceu em 1885 e faleceu em 1944.
Ele apresentou-se nos anos 20 e 30 na Europa e EUA. A imprensa o chamou de “o Paganini do violão das florestas paraguaias”.
Aqui, com o supimpa John Williams, de Agustín P.Barrios, “Maxixe”:
E “Sueño en la floresta”,
E aqui, “Villancico de Navidad”:
E aqui, a imagem do artista:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Uruguai, grande consumidor de erva-mate, permitirá consumo da outra erva, a cannabis sativa. Mas, de forma fiscalizada. Os fumantes da cannabis sativa terão teto para a compra de cigarros de maconha. Acima, cuia, bomba e erva-mate. Por enquanto, esta é a única erva legal. A outra terá que passar pelo crivo do Parlamento em Montevidéu.
O governo do presidente José ‘Pepe’ Mujica anunciou nesta quarta-feira um projeto de lei para legalizar e regular a venda da maconha no Uruguai. O objetivo é combater a pasta base – droga que o governo considera que está provocando um aumento da criminalidade – por intermédio de um deslocamento do consumo de drogas para a maconha, menos nociva. O governo Mujica pretende, desta forma, infligir um duro golpe ao crescente narcotráfico, já que o business da maconha ficaria nas mãos do Estado uruguaio, que plantaria a cannabis sativa em fazendas próprias. Além disso, aplicaria penas de quatro a quinze anos de prisão para os traficantes de pasta base.
O ministro da Defesa, Eleutério Fernández Huidobro, afirmou que o Estado uruguaio controlará a produção e comercialização da maconha.
O produto da colheita seria industrializado em formato de cigarros que seriam posteriormente vendidos por uma rede de quiosques estatais.
Os preços da maconha estatal uruguaia seriam regulados e teriam impostos específicos. No entanto, a venda não seria livre. Somente os maiores de 18 anos que se registrem em uma lista oficial de consumidores poderão adquirir os “porros” (gíria nos países hispanofalantes para os cigarros de maconha). A cota, por pessoa, seria de 40 cigarros por mês. As pessoas que ultrapassem esse número seriam obrigadas a realizar um tratamento contra a dependência de drogas.
Em caso de aprovação do projeto do presidente Mujica no Parlamento, os impostos arrecadados com a venda dos cigarros de maconha seriam destinados ao financiamento dos tratamentos para recuperação dos dependentes de drogas. Os representantes do governo indicaram que ainda não definiram uma data exata para o envio do projeto de lei ao Congresso Nacional.
Nas redes sociais o presidente Mujica foi caracterizado com os dreadlocks do apologista da maconha, o falecido cantor jamaicano Bob Marley.
A intenção não é transformar o Uruguai em uma versão sul-americana da Holanda, país onde a comercialização de determinadas drogas está liberada também para os turistas. No caso uruguaio a venda seria destinada exclusivamente aos cidadãos residentes.
Além de elogios e críticas, nas redes sociais o projeto do governo foi encarado com ironia, incluindo fotomontagens do presidente Mujica com os dreadlocks do cantor jamaicano Bob Marley, um apologista do uso da maconha.
O projeto do governo, além da maconha, prevê um amplo de combate à violência, que também incluirá uma proibição à transmissão de filmes ou notícias policiais violentas que possam estimular atos agressivos nos jovens. Isto é: o consumo da maconha será legalizado. Mas, quem queira assistir “Kill Bill” do Tarantino enquanto na TV fuma um “porro” terá que colocar as barbas de molho.
Os canais de TV que transmitam imagens violentas sofrerão punições monetárias.
Além disso, o plano de segurança prevê o aumento em um terço das penas de prisão para policiais que participem de casos de corrupção.
O projeto sobre a maconha é parte de um plano amplo de combate à violência, que também incluirá uma proibição à transmissão de filmes ou notícias policiais violentas que possam estimular atos agressivos nos jovens.
Violência não. Uruguaios poderão fumar um basê mas sem assistir Uma Thurman decapitando seus inimigos na telinha.
Mujica foi um dos principais líderes da guerrilha de esquerda “Tupamaros” nos anos 70. Ele esteve preso – e foi torturado – ao longo dos doze anos da ditadura militar (1973-85). Com a volta da democracia, retornou a sua atividade de floricultor e aderiu à vida partidária. Depois de ter sido deputado, senador e ministro da agricultura, tornou-se presidente em 2010 com um discurso “market-friendly”.
Carismático, o septuagenário presidente mora em uma espartana chácara na periferia de Montevidéu onde cultiva flores e hortaliças que vende aos mercados da capital uruguaia. Mujica – o presidente mais pobre de toda as Américas – desloca-se em um escangalhado Fusca modelo 1982.
Uruguai começou a ser país de vanguarda nos tempos do presidente José Batlle y Ordóñez, do Partido Colorado.
UM PEQUENO PAÍS DE VANGUARDA - Discretamente, sem estardalhaço, desde o início do século vinte o Uruguai caracterizou-se por ser um país de leis de vanguarda na América Latina. Em 1907 aprovou a lei de divórcio (sete décadas antes de todos seus vizinhos); em 1915 implementou a jornada de oito horas de trabalho; em 1932 tornou-se o segundo país das Américas a conceder o direito de voto às mulheres (o primeiro foi os EUA). Um século depois das primeiras leis o país continuou com sua tradição de vanguarda ao transformar-se em 2007 no primeiro Estado latino-americano a contar com uma lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo em todo seu território.
Em 2008 o Parlamento uruguaio aprovou uma lei que castiga os pais que inflijam punições físicas a seus filhos. Em 2009 o Parlamento abriu as portas para a adoção de crianças por parte de casais homossexuais. A comunidade gay uruguaia também foi beneficiada em 2010 com o fim das restrições à entrada de homossexuais nas Forças Armadas.
Em 2010 o Parlamento também aprovou a lei de despenalização do aborto. No entanto, a lei foi vetada pelo presidente Tabaré Vázquez, que alegou questões éticas médicas (ele foi o principal oncologista do país).
Além disso, o Uruguai e considerado o país mais laico das Américas. O juramento de posse do presidente exclui qualquer referência a Deus já que ele jura por sua honra pessoal e a Constituição. Não há crucifixos no Parlamento, sequer nas repartições ou hospitais públicos. Os católicos “formais” (a maioria não e praticante) restringem-se a 47,1% da população. Outros 40,4% não possuem religião alguma.
MACONHA E UÍSQUE ESTATAIS - O mais famoso presidente da História do Uruguai foi José Batlle y Ordóñez, figura reverenciada pela direita, a esquerda e o centro. Ele implementou uma série de reformas políticas e econômicas que transformariam o pequeno país em uma nação de medidas de vanguarda. Além do voto feminino e da lei do divórcio, Batlle tambem tinha um lado visionário na área econômica, pois foi pioneiro na ideia de que o álcool seria o combustível do futuro. Por tabela, Batlle seria o responsável pela criação do único uísque estatal do continente americano.
Tudo começou em 1912 com a criação do Instituto de Química Industrial, cerne da futura Agência Nacional de Combustíveis, Álcool e Portland (Ancap), fundada em 1932. A ideia era produzir combustível. Mas, perante o alto custo das investigações para o álcool carburante, o governo decidiu produzir bebidas alcólicas que pudessem financiar a pesquisa.
Desta forma surgiram a ‘grapa’ e o aguardante da Ancap nos anos 30. E 1946, a estatal produziu a primeira garrafa de uísque, batizado, como corresponde, com nome escocês: “Mac Pay”.
Único uísque estatal das américas, o Mac Pay nos anos 80 foi líder de mercado. Mas, a abertura comercial do Mercosul abriu as portas para marcas dos países-sócios e fizeram o scotch dos pampas perder terreno. No entanto, o Mac Pay resistiu e atualmente domina 13% do consumo (350 mil litros anuais), disputando com marcas internacionais de peso. Além disso, é exportado para o Chile e a Argentina.
O uísque é a terceira bebida alcólica mais consumida no Uruguai (3,3 milhões de litros), atrás do vinho (100 milhões de litros) e da cerveja (60 milhões). O volume de uísque per capita (um litro por habitante por ano), coloca o país na pole position do ranking de consumidores de scotch na América do Sul.
Caso seja aprovado o projeto de lei sobre a cannabis sativa, o Uruguai será o único país do mundo onde o Estado é, além de produtor de uísque, o distribuidor de maconha.
Batlle y Ordóñez vota em 1916.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Héctor Panizza, o compositor da ópera ”Aurora”. Uma ária desta peça transformou-se no Hino da Bandeira argentino. Nesta 4afeira, dia 20 de junho, dia da morte de Manuel Belgrano, criador da bandeira, a Argentina celebra o “dia da bandeira”. E tiramos o chapéu para Panizza, criador de uma bela ária.
A ópera “Aurora” foi encomendada pelo governo da Argentina para embalar a primeira temporada do Teatro Colón, inaugurado em 1908. Esta obra, do compositor argentino Héctor Pannizza (filho de imigrantes italianos), era cantada originalmente em italiano, com libreto do italiano Luigi Illica (que havia sido o supimpa autor dos libretos das óperas La Bohème e Madame Butterfly, de Giacomo Puccini).
O argentino Héctor Cipriano Quesada trabalhou com Illica para dar ao italiano o background histórico-social-cultural necessário para escrever o libreto que transcorria na Argentina dos tempos da Revolução de Mayo de 1810.
A ópera foi encomendada com o objetivo de ressaltar os ideais patrióticos para as celebrações do centenário da Revolução de Mayo, que seriam em 1910. A canção é um poema às cores da bandeira: azul-celeste, branco e azul-celeste. E o sol no meio.
TRAMA ÉPICA - O protagonista da trama da ópera é o patriota argentino Mariano. O jovem, que sonha com a independência do lugar onde nasceu, está apaixonado por Aurora, filha de Don Ignácio de la Puente, líder dos espanhóis que controlavam a cidade de Córdoba, antes da independência do país. “Em Buenos Aires está içado um estandarte rebelde e indigno”, vocifera De la Puente, que promete que afogará os rebeldes – tal como frangos ao molho pardo – “em seu próprio sangue”.
A trama transcorre em boa parte no mosteiro da Companhia de Jesus nessa cidade no centro da Argentina. Buenos Aires, na ópera, já está em plena revolução. Enquanto isso, os espanhóis ainda controlam Córdoba.
A ópera, em ritmo épico, é embalada por várias idas e vindas, incluindo as dúvidas de Mariano sobre apaixonar-se pela filha de um inimigo ou deixar o amor de lado e dedicar-se à revolução. Tudo isso, junto com a prisão do patriota supracitado, acusado de espionagem pelos ibéricos colonizadores. De la Puente não se sensibiliza pela paixão de sua filha por Mariano. “Antes de ser pai, sou soldado”, vocifera mais uma vez, deixando claro que sua filha jamais casará com Mariano, o qual pretende fuzilar no dia seguinte.
Mas, o casal consegue fugir. No entanto, aí vem o trágico desenlace: durante a fuga no meio da madrugada, ela é atingida por uma bala espanhola.
Aurora, deitada no chão, se esvai em sangue, enquanto vê a aurora do dia. Aí, diz: “olhai…é a aurora. Deus escreve no céu com o sol…e na terra, com o sangue”.
E – como era de se esperar – Aurora morre nos braços de Mariano. Logo no dia da vitória patriota.
É uma bela ópera. E dá para deixar de lado alguns erros crassos, como o fato de que os jesuítas – que na obra ajudam Mariano – haviam sido enxotados pela coroa espanhola no século anterior…e a bandeira argentina, que aparece como protagonista não-humana da ópera, só foi criada dois anos depois da Revolução de Mayo, em 1812. Mas, enfim, é a licença poética.
A ÁRIA QUE VIROU HINO - A estreia, com grande sucesso, ocorreu no dia 5 de setembro de 1908. Mas, a ópera Aurora só foi traduzida em 1943. Integrantes do governo gostaram da ária “Alta no céu” – também conhecida como “Canção da bandeira” – e decidiram – por decreto que seria o hino da bandeira.
A nova versão, espanholizada, debutou no dia 9 de julho de 1945. O presidente de plantão, o general Edelmiro Farrell, perdeu a pose de caserna e aplaudiu freneticamente.
O “Saludo a la bandera” (Saudação à bandeira) é cantado todas as manhãs pelas crianças nas escolas do primeiro grau.
TEXTO
O texto italiano original era este:
Alta pel cielo, un’aquila guerriera,
ardita s’erge in volo trionfale.
Ha un’ala azzurra, del color del mare,
ha un’ala azzurra, del color del cielo.
Così nell’alta aurora irradiale,
il rostro d’or punta di freccia appare,
porpora il teso collo e forma stelo,
l’ali son drappo e l’aquila è bandiera.
È la bandiera del Paese mio,
nata dal sole; e ce l’ha data Iddio!
E a versão em espanhol (com vários erros perdoados por licença poética):
Alta en el cielo un aguila guerrera,
audaz se eleva a vuelo triunfal;
azul un ala del color del cielo,
azul un ala del color del mar.
Así en la alta aurora irradial,
punta de flecha el áureo rostro imita,
y forma estela al purpurado cuello.
El ala es paño, el águila es bandera.
Es la bandera de la patria mía,
del sol nacida, que me ha dado Dios;
es la bandera de la patria mía,
del sol nacida, que me ha dado Dios;
es la bandera de la patria mía,
del sol nacida que me ha dado Dios.
E aqui, algumas interpretações da ária mais famosa de “Aurora”:
A versão original com o tenor que a estreou, Amadeo Bassi
Aqui, a versão com o tenor argentino Dario Volonté, no teatro Colón:
E esta, com o genial tenor argentino José Cura, em uma apresentação em Praga
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O secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, ilustrado como um lutador de telecatch, com relevante saco escrotal ad hoc. Ilustração do cartunista El Niño Rodríguez (site do desenhista: http://www.elninorodriguez.com/)
O secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, autoconcedeu-se o poder de fechar as associações de defesa dos consumidores. O governo fez o anúncio por intermédio de uma resolução publicada no Diário Oficial, na qual Moreno estipula que ele próprio terá a atribuição de “fechar as associações” que considere necessário clausurar. O secretário é o braço-direito da presidente Cristina Kirchner no combate à alta de preços, na política restrições às importações e na maquiagem dos índices oficiais.
Nos últimos anos as associações tornaram-se críticas do governo Kirchner, já que reclamam da manipulação do índice de inflação elaborado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O governo afirma que não existe uma escalada inflacionária e acusa de “golpistas” que pretendem “destituir” a presidente Cristina aqueles que afirmam que está ocorrendo uma alta de preços.
“Agora o secretário Moreno possui uma ferramenta legal para silenciar as associações de consumidores, que são as organizações que nos últimos anos denunciaram o aumento sistemático dos preços”, disparou a deputada Patrícia Bulrich, do partido União por Todos, de oposição.
Susana Andrada, presidente do Centro de Educação ao Consumidor (Cec) – uma das mais combativas associações de defesa dos consumidores – considera que o texto da resolução é ambíguo e possibilita ao governo o fechamento de uma associação que não esteja alinhada com o governo Kirchner. Héctor Polino, da associação Consumidores Livres, afirmou que a medida pretende “intimidar” as organizações de defesa dos consumidores.
INFLAÇÃO - Em maio, segundo o governo Kirchner, a inflação foi de 0,8%, enquanto que o índice acumulado nos cinco primeiros meses deste ano foi de 4,3. No entanto, o índice elaborado pelos partidos da oposição no Parlamento, indica que a inflação real de maio teria sido o dobro, de 1,7%. O índice paralelo também sustenta que a inflação acumulada desde janeiro é de 9,9%;
Este índice é preparado com a base dos cálculos das principais consultorias econômicas, que há dois anos estão proibidas de anunciar as estimativas que elaboram de forma paralela ao Indec. Desde 2010 o secretário Moreno aplica pesadas multas sobre as consultorias que anunciam índices que não são os oficiais. Por este motivo, os deputados, que contam com imunidade parlamentar, fazem o anúncio sobre o cálculo alternativo de inflação.
Desde dezembro passado existe o risco de que economistas e jornalistas que divulguem os índices paralelos possam ser enquadrados dentro da nova lei antiterrorista. A legislação, aprovada em dezembro, estipula que as pessoas que divulguem informações que podem provocar o pânico na população podem ser detidas sob a acusação de terrorismo.
Embora o governo insista em afirmar que não existe uma escalada inflacionária, dentro do próprio ministério da Economia os preços do bar e restaurante destinado aos funcionários públicos registraram uma alta substancial nesta semana. Os preços das refeições e refrigerantes tiveram aumentos de 15% até 38%.
Elizabeth Taylor e a doce – mas corajosa – Lassie no filme que catapultou ambas à fama mundial. O secretário Guillermo Moreno é apelidado “Lassie”, como ironia à sua forma de agir.
LASSIE E MAGNA GENITÁLIA - Os apelidos de Guillermo Moreno, secretário de Comércio Interior, são os mais variados e sugestivos. Ele era chamado de “Lassie” – tal como a simpática e doce cadela collie imortalizada no cinema – pelo ex-presidente Néstor Kirchner, em alusão irônica a seu comportamento agressivo. Ele também é o “Napia” (“Nariz”, em gíria portenha) para seus colegas de gabinete por seu perfil aquilino.
Moreno é a mais polêmica das figuras do gabinete da presidente Cristina Kirchner. Ele passou incólume a todas as reformas ministeriais que ela e Kirchner fizeram, apesar dos pedidos dos empresários, que pedem sua cabeça.
Segundo os analistas, é o homem que faz o “trabalho sujo” do governo Kirchner, já que ele é o responsável pela manipulação de índices da inflação, pobreza, desemprego e PIB realizada pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob férrea intervenção do governo há dois anos e meio.
O secretário não hesita em mobilizar um grupo de caratecas para dissolver manifestações dos trabalhadores do Indec que protestam contra a manipulação dos índices.
Moreno inicia encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa. Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – nos fins de semana – para exigir, em frases entremeadas de sonoros palavrões, que congelem seus preços ou deixem de importar produtos para não atrapalhar as contas fiscais do governo. Suas ordens, muitas das quais não-escritas, também provocam demoras para a liberação de produtos nas alfândegas.
Dono de um frondoso bigode com as pontas curvas para baixo que fariam inveja ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata, o controvertido secretário também inicia as reuniões com executivos com afirmações sobre sua genitália, a qual, indica, é de dimensões superiores às dos presentes.
No início de 2010 Moreno tornou-se o virtual comandante da área de comércio exterior, embora seu posto seja hierarquicamente inferior à da ministra da Indústria Débora Giorgi e o chanceler Héctor Timerman. Mas, o secretário assumiu maiores poderes em dezembro de 2011, quando a presidente Cristina iniciou seu segundo mandato.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Mapa das Malvinas feito por Phillipe Vandermaelen, publicado em Bruxelas em 1827, com a denominação ambígua de “Malouines ou Falklands”
presidente da Assembleia Legislativa das ilhas Malvinas, Gavin Short, anunciou nesta terça-feira que os kelpers – denominação dos ilhéus – irão às urnas no primeiro semestre de 2013 para votar em um referendo sobre o “status político” desse arquipélago no Atlântico Sul. Gavin sustentou que o objetivo do referendo é o de “enviar uma mensagem à Argentina” sobre a soberania do arquipélago “e sobre o fato de que os ilhéus querem continuar sendo britânicos”. As Malvinas (“Falklands” na denominação britânica) são reivindicadas pela Argentina desde a conquista britânica em 1833.
O líder dos kelpers indicou que o referendo será realizado para deixar claro ao mundo “para mostrar ao mundo que estamos muito seguros sobre o que somos e que futuro queremos”.
Segundo Short, “sem dúvida alguma o povo das Malvinas quer que as ilhas permaneçam como um território de ultra-mar da Grã-Bretanha, com um auto-governo…não temos desejo de ser comandados pelo governo de Buenos Aires, algo que é imediatamente óbvio para qualquer pessoa que tenha visitado as ilhas ou ouvido nossos pontos de vista”.
Depois do anúncio do projeto de referendo por parte dos kelpers, o primeiro-ministro britânico David Cameron indicou ontem em Londres que a Grã-Bretanha “respeitará e defenderá” o resultado da votação. Cameron também pediu que a ONU respeite o resultado da consulta popular que será realizada no ano que vem nas ilhas.
Desde a volta da democracia, em 1983, os diversos governos argentinos reivindicaram constantemente a posse das ilhas. No entanto, desde 2010 o governo da presidente Cristina Kirchner intensificou as reclamações nos âmbitos diplomáticos internacionais, coincidindo com a descoberta de petróleo na plataforma marítima das Malvinas. A presidente aumentou os decibéis destas reivindicações durante as comemorações dos 30 anos da Guerra das Malvinas (1982).
Na quinta-feira, durante seu discurso no Comitê de Descolonização da ONU em Nova York, Cristina exigirá novamente que a Grã-Bretanha sente à mesa de discussões para conversar sobre a soberania das ilhas. O governo Cameron, nos últimos meses, deixou claro em diversas ocasiões que só conversará com a Argentina sobre as ilhas Malvinas se os kelpers concordarem com isso. No entanto, a administração Kirchner ignora os desejos dos ilhéus e afirma que a conversa somente ocorrerá entre Buenos Aires e Londres, sem passar pela capital das ilhas, Stanley (“Puerto Argentino” na nomenclatura toponímica argentina).
O discurso de Cristina coincidirá com o trigésimo aniversário da rendição argentina na Guerra das Malvinas.
Segundo o jornal “Penguin News”, de Stanley, um grupo de jovens kelpers pretendem viajar à Nova York para falar com a presidente Cristina e comunicar-lhe que querem continuar sendo britânicos e permanecer com sua atual forma de vida. A maioria dos integrantes deste grupo nasceu depois da guerra de 1982.
ILHAS DISPUTADAS - “Estas ilhas não produzem coisa alguma. Neve, granizo e gelo. O ar está sempre úmido. Os alimentos daqui restringem-se a peixe. É para mim este um país cruel. O reino deverá subsidiá-lo”. As ilhas improdutivas em questão eram as ilhas Malvinas. Estas palavras, do frei Felipe de Mena, foram pronunciadas em 1767, época que a coroa espanhola ocupava as ilhas. As ilhas Malvinas foram descobertas muito antes destes decepcionados espanhóis nascerem. Diversas especulações indicam que possivelmente Américo Vespúcio, no início do século XVI passou por elas. Além dele, navegantes holandeses a teriam avistado e pescado em suas redondezas, bem como os ingleses. Mas a primeira ocupação somente ocorreu quando o francês Louis Antoine de Bougainville ali desembarcou, em fevereiro de 1764. Seu navio – e a maior parte de seus tripulantes – era de Saint-Malo, e por isso chamou as ilhas de “Malouines”, que em espanhol transformou-se em “Malvinas”.
Enquanto que Bougainville ficava na ilha do lado leste, os ingleses desembarcaram em 1766 na ilha do lado oeste. No entanto, o governo espanhol, que nunca havia ocupado as ilhas, ao ser informado da presença francesa ali, reclamou o arquipélago. O rei Luis XV aceitou o pedido, e Bougainville teve que entregá-las à Espanha. Assim, em 1767, os espanhóis se instalaram ali. Os ingleses também partiram, em 1774, sem no entanto renunciar às ilhas.
Os espanhóis permaneceram até 1811, quando deixaram as ilhas. Durante os primeiros anos da independência argentina, o novo governo ignorou as Malvinas, e somente se ocupou delas em 1821.
O governo da província de Buenos Aires (naquela época a Argentina não estava constituída como tal, e a ocupação das Malvinas foi uma decisão da província) fundou Puerto Soledad (Porto Solidão). Na mesma época, as praias do arquipélago começaram a ser visitadas com frequência por caçadores de peles dos EUA e da Inglaterra, o que eventualmente causava conflitos com o governo local.
No dia 2 de janeiro de 1833 chegam os ingleses, de novo, mas desta vez para ficar. A fragata Clio ancorou diante de Puerto Soledad, e depois de apontar seus canhões, exigiu ao governador José Maria Vernet, que partisse dali, com a população, levando seus bens.
A Argentina só voltou a ocupar transitoriamente as ilhas em 1982 (durante 74 dias, do 2 de abril ao 14 de junho). Mas, as tropas enviadas pelo ditador Leopoldo Fortunato Galtieri foram derrotadas pela maior força-tarefa britânica vista desde a Segunda Guerra Mundial, enviadas pela primeira-ministra Margareth Thatcher.
De lá para cá, as ilhas continuam sob domínio britânico. Os “kelpers”, denominação dos ilhéus, afirmam que pretendem continuar como súditos da coroa. Outra hipótese, a de proclamar a independência. O governo argentino ignora os 3 mil kelpers que ali residem e afirma que negociará a soberania das Malvinas de forma direta com Londres. Na capital britânica as autoridades afirmam que não negociarão assunto algum sobre as Malvinas sem a concordância dos ilhéus.
ara embalar esta 4afeira, de Fats Waller, “Write myself a letter”:
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).
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A presidente C.E.F.deK. sofre uma queda de sua popularidade.
aprovação popular da presidente Cristina Kirchner despencou 25 pontos percentuais, segundo uma pesquisa elaborada pela consultoria de opinião pública Management & Fit. O relatório indica que seis meses após a posse de seu segundo mandato presidencial, a imagem positiva de Cristina caiu de 64,1% para 38,9%. Esta queda da imagem da presidente argentina estaria vinculada aos crescentes escândalos de corrupção que envolvem integrantes do gabinete presidencial, além da piora das perspectivas econômicas da Argentina.
Segundo a pesquisa, 45% dos entrevistados consideram que suas situações econômicas pessoais estarão “pior” nos próximos meses, enquanto que 39,7% afirmam que serão “iguais”. Apenas 13,5% dos pesquisados acreditam que o futuro será “melhor”.
As recentes medidas de restrição sobre o dólar também geraram irritação na população, acostumada a guardar suas economias na moeda americana há cinco décadas. Segundo a pesquisa, 59,8% dos argentinos discordam das medidas de controle do governo.
A pesquisa também indica que a movimentação dos setores ultra-kirchneristas para modificar a constituição nacional, de forma a permitir uma eventual segunda reeleição de Cristina em 2015, é rejeitada por 61% dos argentinos.
A crescente insatisfação, especialmente na classe média, ficou evidente com os panelaços que milhares de argentinos realizaram nas últimas duas semanas na cidade de Buenos Aires. Para esta quinta-feira espera-se um novo panelaço convocado pelas redes sociais. A irritação também cresce nas províncias do interior do país, onde os governadores, sem verbas federais, estão paralisando as obras públicas. Os governos provinciais também enfrentam crescentes problemas para pagar o funcionalismo público e seus fornecedores.
Neste cenário de incertezas econômicas mundiais e de queda de popularidade acelerada, nos últimos dias especulações no âmbito político indicaram que o governo avalia antecipar as eleições parlamentares do ano que vem de outubro para março (em 2009, apertado pela crise internacional, o governo Kirchner havia antecipado as eleições parlamentares de outubro para junho).
RECESSÃO
A Universidade Di Tella anunciou que a economia argentina entrará em estado de recessão no segundo semestre deste ano. O Centro de Investigação de Finanças (CIF) dessa universidade, que elabora o “Índice Líder” (índice que tenta antecipar as mudanças do ciclo da economia) afirmou que “a probabilidade de entrar em recessão é de 98%, superando pela primeira vez o limite de 95% registrado em fevereiro de 2009”, época em que o país teve um período recessivo provocado pela crise mundial daquele ano. Na ocasião, o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), somente reconhecia um “estancamento” da economia mas não admitia a recessão calculada pelos economistas independentes, sindicatos e associações empresariais.
Segundo o diretor do CIF, Guido Sandleris, “historicamente, sempre que o limite de 95% de probabilidades foi superado, o país entrou em recessão dentro do período dos seguintes seis meses”.
Em boa parte, esta recessão – afirma a Universidade – seria causada pelas medidas de restrição do governo da presidente Cristina Kirchner na área do câmbio e nas barreiras contra as importações de insumos para a indústria nacional. “Estas medidas provocam uma queda no nível de atividade econômica”, sustentou. Além disso, afirmou que também possuem influência no surgimento de uma eventual recessão argentina a crise internacional.
Diversos setores da economia estão registrando um rápido esfriamento da atividade, entre os quais a construção civil.
No início do ano a consultoria Analytica calculava que a economia argentina cresceria 4% neste ano. Mas, atualmente calcula que crescerá 3,4%. O ex-secretário de programação econômica, Miguel Bein, calculava um crescimento de 3,5% do PIB. Mas, as estimativas atuais estão no patamar de 3%. Outras consultorias afirmam que o crescimento será de 2%. O governo Kirchner, no Orçamento Nacional, havia previsto um aumento de 5% em 2012.
Para complicar as contas do governo, a arrecadação tributária em maio pela primeira vez cresceu menos que a inflação. Enquanto a arrecadação subiu 20,4%, a inflação (segundo os cálculos extra-oficiais de economistas independentes e sindicatos), aumentou 24%.
Vários goverrnos provinciais, para tentar fechar suas contas, aprovaram aumentos tributários. No caso da província de Buenos Aires, a aplicação de um “impostaço” agrário, desatou um locaute dos ruralistas. Na segunda-feira as associações de agricultores decidiram ampliar para todo o país o protesto originalmente restrito ao território bonaerense.
As incertezas sobre a economia argentina fizeram a taxa de risco do país disparar nas últimas duas semanas, passando de 1.225 pontos básicos para 1.525.
AUTOMÓVEIS
A Renault, instalada na cidade de Santa Isabel, na província de Córdoba, suspendeu durante dois dias 2 mil operários na semana passada. O motivo da suspensão foi a queda das vendas de automóveis para o Brasil, cujo mercado, desde o início do ano, importou 30,6% a menos veículos Made in Argentina. A empresa, que acumulou um estoque de veículos por causa da queda, não descarta que ocorra um panorama similar nos próximos meses. Desta forma, as suspensões poderiam ser repetidas em julho e agosto.
A empresa paralisará sua fábrica, mas pagará 75% dos salários de seus operários suspensos, segundo comunicou o sindicato do setor em Córdoba.
Segundo a Associação de Fabricantes de Automóveis da Argentina (Adefa), a produção automotiva argentina despencou 24,4% em maio em comparação com o mesmo mês de 2011. As vendas para o mercado interno caíram 15%, enquanto que as exportações automotivas argentinas para todo o mundo desabaram em 45%.
Do total produzido em maio – 60.206 unidades – foram exportados 28.650 veículos.
O setor calcula que será impossível alcançar a meta de produção de 900 mil unidades em 2012.
Máximo Kirchner, o filho da presidente Cristina Kirchner.
FILHO INTERNADO – Máximo Kirchner, primogênito da presidente Cristina Kirchner, foi levado às pressas no avião presidencial Tango 01 na segunda-feira de madrugada desde Rio Gallegos, no extremo sul da Patagônia, à Buenos Aires, onde foi internado no Hospital Austral, da Opus Dei. Nesse mesmo estabelecimento a presidente Cristina esteve internada em janeiro por seu “não-câncer”.
Máximo, que formalmente é o líder de “La Cámpora” – denominação da juventude kirchnerista – foi internado por uma “atrite séptica do joelho”.
E, para embalar esta 3afeira de céu plúmbeo, um “poquitín” de Fats Waller, interpretando “You’re Not The Only Oyster In The Stew”
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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Para recordar o inefável Ray Bradbury, colocamos nesta postagem o prólogo que o escritor argentino Jorge Luis Borges escreveu em 1955 para a edição da Minotauro das “Crônicas Marcianas”.
Crónicas Marcianas
Prólogo de Jorge Luis Borges
En el segundo siglo de nuestra era, Luciano de Samosata compuso una Historia verídica, que encierra, entre otras maravillas, una descripción de los selenitas, que (según el verídico historiador) hilan y cardan los metales y el vidrio, se quitan y se ponen los Ojos, beben zumo de aire o aire exprimido; a principios del siglo XVI, Ludovico Ariosto imaginó que un paladín descubre en la Luna todo lo que se pierde en la Tierra, las lágrimas y suspiros de los amantes, el tiempo malgastado en el juego, los proyectos inútiles y los no saciados anhelos; en el siglo XVII, Kepler redactó un Somnium Astronomicum, que finge ser la transcripción de un libro leído en un sueño, cuyas páginas prolijamente revelan la conformación y los hábitos de las serpientes de la Luna, que durante los ardores del día se guarecen en profundas cavernas y salen al atardecer. Entre el primero y el segundo de estos viajes imaginarios hay mil trescientos años y entre el segundo, y el tercero, unos den; los dos primeros son, sin embargo, invenciones irresponsables y libres y el tercero está como entorpecido por un afán de verosimilitud. La razón es rara. Para Ludano y para Ariosto, un viaje a la Luna era símbolo o arquetipo de lo imposible, como los cisnes de plumaje negro para el latino; para Kepler, ya era una posibilidad, como para nosotros. ¿No publicó por aquellos años John Wilkins, inventor de una lengua universal, su Descubrimiento de un Mundo en la Luna, discurso tendiente a demostrar que puede haber otro Mundo habitable en aquel Planeta, con un apéndice titulado Discurso sobre la posibilidad de una travesía? En las Noches áticas de Aulo Gelio se lee que Arquitas el pitagórico fabricó una paloma de madera que andaba por el aire; Wilkins predice que un de mecanismo análogo o parecido nos llevará, algún día,a la Luna.
Por su carácter de anticipación de un porvenir posible o probable, el Somnium Astronomicum prefigura, si no me equivoco, el nuevo género narrativo que los americanos del Norte denominan science-fiction o scientifiction (1) y del que son admirable ejemplo estas Crónicas.
Su tema es la conquista y colonización del planeta. Esta ardua empresa de los hombres futuros parece destinada a la época, pero Ray Bradbury ha preferido (sin proponérselo, tal vez, y por secreta inspiración de su genio) un tono elegíaco. Los marcianos, que al principio del libro son espantosos, merecen su piedad cuando la aniquilación los alcanza. Vencen los hombres y el autor no se alegra de su victoria. Anuncia con tristeza y con desengaño la futura expansión del linaje humano sobre el planeta rojo -que su profecía nos revela como un desierto de vaga arena azul, con ruinas de ciudades ajedrezadas y ocasos amarillos y antiguos barcos para andar por la arena-.
Otros autores estampan una fecha venidera y no les creemos, porque sabemos que se trata de una convención literaria; Bradbury escribe 2004 y sentimos la gravitación, la fatiga, la vasta y vaga acumulación del pasado -el dark backward and abysm of Time del verso de Shakespeare-. Ya el Renacimiento observó, por boca de Giordano Bruno y de Bacon, que los verdaderos antiguos somos nosotros y no los hombres del Génesis o de Homero.
¿Qué ha hecho este hombre de Illinois me pregunto, al cerrar las páginas de su libro, para que episodios de la conquista de otro planeta me pueblen de terror y de soledad?
¿Cómo pueden tocarme estas fantasías, y de una manera tan íntima? Toda literatura (me atrevo a contestar) es simbólica; hay unas pocas experiencias fundamentales y es indiferente que un escritor, para transmitirlas, recurra a lo “fantástico” o a lo “real”, a Macbeth o a Raskolnikov, a la invasión de Bélgica en agosto de 1914 o a una invasión de Marte. ¿Qué importa la novela, o novelería, de la science fiction? En este libro de apariencia fantasmagórica, Bradbury ha puesto sus largos domingos vacíos, su tedio americano, su soledad, como los puso Sinclair Lewis en Main Street.
Acaso La tercera expedición es la historia más alarmante de este volumen. Su horror (sospecho) es metafísico; la incertidumbre sobre la identidad de los huéspedes del capitán John Black insinúa incómodamente que tampoco sabemos quiénes somos ni cómo es, para Dios, nuestra cara. Quiero asimismo destacar el episodio titulado El marciano, que encierra una patética variación del mito de Proteo.
Hacia 1909 leí, con fascinada angustia, en el crepúsculo de una casa grande que ya no existe, Los primeros hombres en la Luna, de Wells. Por virtud de estas Crónicas de concepción y ejecución muy diversa, me ha sido dado revivir, en los últimos días del otoño de 1954, aquellos deleitables terrores.
1. Sciencefiction es un monstruo verbal en que se emalgaman el adjetivo scientific y el nombre sustantivo fiction. Jocosamente, el idioma español suele recurrir a formaciones análogas; Marcelo del Mazo habló de las orquestas de gríngaros (gringos + zíngaros) y Paul Groussac de las japonecedades que obstruían el museo de los Goncourt.
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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E, de bonus track, veja o Facebook da editoria de Internacional do Portal do Estadão, aqui. Espermatozóides aguardam na sala de espera, à espreita de entrar em ação na hora do orgasmo de seu dono. Cena do filme “Tudo o que você queria saber sobre sexo…” do cineasta Woddy Allen.
A vitalidade espermática do ex-monsenhor e presidente do Paraguai Fernando Armindo Lugo Méndez voltou a ocupar o espaço na mídia e nos comentários populares no Paraguai e nos países vizinhos.
Nesta terça-feira, o advogado do presidente, Marcos Fariña, anunciou que Lugo havia reconhecido que era o pai de um garoto de 10 anos de idade.
O menino foi o resultado de uma cópula há 11 anos com a enfermeira Narcisa de la Cruz Zárate, atualmente com 42 anos.
Segundo Fariña, o presidente – que era bispo católico na época do cruzamento de gametas com uma das integrantes de seu rebanho de fiéis – entrará em contato com Narcisa para que esta anule a paternidade concedida por seu esposo à criança.
Desta forma, Ángel (nome do garoto) deixará de usar o sobrenome Zárate, do pai que – embora não seja o biológico – o criou. Assim, passará a ostentar o sobrenome Lugo.
“Viu só, mamãe? Papai gosta de mim”, disse Ángel a Narcisa, depois de ser informado que seu pai finalmente o reconheceria legalmente.
Narcisa relatou que conheceu Lugo na cidade de San Pedro, onde era bispo. Ela aproximou-se do monsenhor para pedir conselhos, já que tinha problemas conjugais com seu marido. Lugo a aconselhou. Coincidentemente, também a engravidou.
Presidente Lugo segura firme seu bastão presidencial.
Este é o segundo filho que Lugo reconhece oficialmente. O primeiro foi Guillermo Armindo, reconhecido em 2009, depois de um escândalo suscitado por sua mãe, Viviana Carrillo, que apresentou na Justiça uma demanda por “paternidade irresponsável”. Na época, o menino tinha 3 anos de idade.
Outras duas mulheres entraram há anos com processos na Justiça, alegando que são mães de filhos de Lugo. Outras denúncias pairam sobre o presidente, embora sem processos nos tribunais.
A ministra da saúde, Esperanza Martínez, pré-candidata à presidência por um setor da esquerda, parebenizou Lugo por sua decisão (embora com 10 anos de demora) de reconhecer a criança. “Lamentavelmente neste país existem muitas crianças que não possuem reconhecimento paterno”, lamentou.
DEDUÇÕES E DÚVIDAS CARTESIANO-ESPERMÁTICAS:
1 - Lugo, bispo na época dos coitos, teria seguido as ordens do Vaticano, que indicavam que os católicos não deveriam usar métodos anticoncepcionais, entre eles, o condenado preservativo.
2 - Lugo teria usado preservativos, na contra-mão das ordens do Vaticano? Nesta hipótese, os preservativos teriam furado (nas duas ocasiões, com duas mulheres diferentes)?
3- Lugo seguiu as diretrizes do Vaticano de não abortar (nenhuma das mulheres envolvidas indicou que o então bispo sugeriu a interrupção da gravidez).
EVERY SPERM IS SACRED
Para continuar no embaldo espermático, recomendamos o ritmo divertido e ilustrativo deste sketch do filme “O sentido da vida”, do britânico grupo Monty Pyhton: Every sperm is sacred.
CAMISETAS
Na época do primeiro filho de Lugo floresceram as camisetas com dizeres irônicos sobre a paternidade do ex-bispo (quando ainda era bispo).
- “Papai Lugo, me reconheça”
- “Papai, don Fernando Lugo Méndez”
- “Filhos meus!”
Outra camiseta, também alusivas aos coitos desprotegidos do presidente paraguaio, ostentava os versos de uma canção do grupo paraguaio “Los Ángeles” que indicava que “Lugo tiene corazón pero no usa condón” (isto é, “Lugo tem coração” – em alusão a seu slogan de campanha – “pero no usa condón”, não usa preservativos). Outras t-shirts estavam destinadas ao nicho de mercado de pessoas que não consideram que o ex-monsenhor seja seu progenitor: “Não sou filho de Lugo”.
No Facebook também proliferaram grupos com alusões ao presidente do Paraguai
- “Sou filho de Lugo, e daí?”
- “Eu também tive um filho com Lugo”
- “Lugo, semental paraguaio”
Sem a high-tech do Facebook, muitos os paraguaios expressaram suas satíricas opiniões sobre seu próprio ex-celibatário líder com prosaicos – mas incisivos – grafitos de banheiro.
Os top five dos mictórios em Assunção na época do primeiro filho eram:
- O semental do Paraguai (esta, reproduzida aos montes depois que a terceira mulher, Damiana Hortensia Morán, indicou que Lugo, como homem, era “um fenômeno”)
- Pai de todos os paraguaios
- Super-pai
- Também quero ser bispo. Onde é que eu me inscrevo?
- Tem certeza de que seus filhos…são seus filhos?
Por qual motivo caras como este acima não contam com estátuas? Além de Gregory Pinkus, um dos criadores da pílula anticoncepcional, outra figura relativamente esquecida é Gabriele Falloppio, um dos mais importantes anatomistas do século XVI. Ele descreveu as trompas que levam os óvulos do ovário para o útero e que ostentam seu sobrenome. Mas o que o signore Falloppio tem a ver com o assunto desta postagem? Ele foi o criador do primeiro preservativo masculino devidamente documentado, no ano da graça de 1564. O médico defendia o uso desta proteção como forma de combater o flagelo daqueles tempos, a sífilis. E deu certo, segundo ele próprio escreveu: “convenci 1.100 homens a usar (o preservativo). E convoco Deus imortal para testemunhar que nenhum deles foi infectado”. O versátil Fallopio também cunhou a mundialmente famosa palavra “vagina” (e também criou o termo ‘placenta’). Falloppio nasceu em 1523. Deixou de existir 39 anos depois.
PÓS-COITO
Em tempo 1: O falecido general e ditador Alfredo Stroessner era o suposto pai de 20 filhos extra-matrimoniais. Outro defunto presidente paraguaio, Bernardino Caballero, teria gerado 77 crianças, segundo historiadores.
Em tempo 2: O Paraguai não é o único país da região onde costumam acontecer estas coisas.
Em tempo 3: Em entrevista que fiz com Lugo para o Estado em 2008, horas antes de sua eleição, o então candidato me disse que pretendia voltar à vida clerical assim que concluísse seu mandato presidencial. “Almejo uma vida monástica”, afirmou.
Charles II da Inglaterra (1630-1685), representante da dinastia Stuart, era enfático adepto do uso do preservativo, elemento contraceptivo desprezado pelo ex-bispo e atual presidente paraguaio Fernando Lugo (Charles II, retratado por Sir Peter Ley)
PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.
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E, de bonus track, veja o Facebook da editoria de Internacional do Portal do Estadão, aqui. Medidas protecionistas da presidente Cristina Kirchner provocaram queda nas vendas de produtos do Brasil (sócio da Argentina no Mercosul) no mercado argentino. Enquanto isso, governo Kirchner prepara um desenvolvimento sem precedentes na indústria nacional das bananas, atualmente inexpressiva. O objetivo: prescindir das bananas brasileiras, paraguaias e equatorianas.
A aplicação de uma série de medidas de restrição contra as importações protagonizada pelo governo da presidente Cristina Kirchner – violando o espírito de livre comércio do Mercosul – está provocando uma queda substancial da entrada de produtos Made in Brazil no mercado argentino. Segundo dados da consultoria econômica Abeceb, as compras argentinas de produtos brasileiros caiu 16% em maio em comparação com o mesmo mês de 2011. No total, em maio, a Argentina importou US$ 1,614 bilhão do Brasil.
A Argentina comprou do Brasil um volume menor de motores para veículos, auto-peças, pneus, minério de ferro, medicamentos, polímeros plásticos, entre outros. Alguns produtos, como a polpa suína brasileira, tiveram sua entrada praticamente bloqueada na Argentina.
Na contra-mão dos envios de mercadorias brasileiras para os consumidores argentinos, as vendas de produtos Made in Argentina para o mercado brasileiro registraram em maio um aumento de 6%. O mercado argentino destinou ao Brasil mercadorias com o valor de US$ 1,37 bilhões.
A balança comercial com a Argentina foi favorável ao Brasil em maio em US$ 242 milhões. No entanto, as barreiras do governo Kirchner fizeram este saldo despencar em 61% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Nos cinco primeiros meses de 2012 o superávit do Brasil com a Argentina foi de US$ 1,21 bilhão, volume 38% inferior ao registrado entre janeiro e maio de 2011.
Nos primeiros cinco meses deste ano as importações feitas pelo mercado argentino de produtos brasileiros caíram em 11%. No total, a Argentina importou US$ 7,5 bilhões de mercadorias Made in Brazil.
As barreiras argentinas contra o Brasil, que estavam em crescimento desde 2009, provocaram recentemente retaliações por parte do governo brasileiro. Um dos produtos Made in Argentina atingidos pelas barreiras são as azeitonas e o azeite de oliva. As licenças não-automáticas aplicadas pelo Brasil estão colocando em colapso a produção do setor na província de La Rioja, onde 600 operários foram demitidos nas últimas semanas.
Além disso, as adegas argentinas também deparam-se com problemas para colocar seus produtos do lado da fronteira brasileira. Segundo a associação Adegas da Argentina, desde março acumulam-se 90 mil caixas de vinho argentino na divisa com o Brasil. “Esse é o resultado das barreiras que a Argentina colocou contra os produtos brasileiros: eles vão fazer o mesmo que nós fizemos”, lamenta Juan José Canay, presidente da associação.
Aumentar a família Musaceae argentina: Governo Kirchner quer bananas nacionais para enfrentar as . No cartum acima do surrealista “Far Side”, do cartunista Gary Larson, pinguim escorrega em casca de banana no meio da imensidão antártica.
YES, NÓS TEMOS BANANAS – Enquanto barra produtos importados, o governo Kirchner intensifica sua política de respaldo à substituição de importações, incentivando a produção nacional. Esse é o caso da inexpressiva produção de bananas argentinas, a qual o ministério da Agricultura pretende turbinar.
O ministério quer evitar as importações de bananas brasileiras, equatorianas e paraguaias, que em 2011 atingiram a marca de 394 mil toneladas, com um valor de US$ 102 milhões. A banana é a fruta mais consumida na Argentina, com 12 quilos per capita anual.
O plano bananeiro argentino pretende aumentar em 40% a produção nacional, fato que implicaria na criação de 5 mil postos de trabalho. Atualmente, a Argentina produz 90 mil toneladas de bananas.
Segundo a secretária de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, Carla Bilbao, com o plano bananeiro o governo Kirchner tem o objetivo de “reduzir a pobreza rural no norte da Argentina por intermédio de um produto que tem demanda sustentável no país”.
E já que o assunto é esta fruta, “Yes, nós temos bananas”, na versão de Almirante do carnaval de 1938:
E “Chiquita Bacana”, a guria lá da Martinica que se vestia com uma casca de banana nanica. Interpreta Emilinha Borba:
E Cristina Kirchner como Carmen Miranda. Charge de El Niño Rodríguez. O site deste cartunista argentino supimpa: http://www.elninorodriguez.com/

E nada a ver com o assunto acima, o tango “Ninguna”, com a orquestra de Aníbal Troilo. Canta Roberto Rufino:
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