
Sinal de pacificação nacional? Nada disso. Cor da Casa Rosada foi puro apreço pela cor da moda
Os guias turísticos costumam contar o mito de que a cor da Casa Rosada é a união do vermelho e branco, cores respectivamente dos federalistas e dos unitários, dois grupos que protagonizaram as violentas guerras civis argentinas do século XIX. O cor de rosa, segundo esse mito, seria a união de ambas cores, de forma a mostrar a “conciliação nacional”. Mas, a realidade é muito mais prosaica do que o mito.
O lugar passou por várias transformações. Ali, em 1594 foi construída a fortaleza da cidade. Foi denominada de “Fortaleza de San Juan Baltazar de Austria” ou “Castelo de San Miguel”.
Depois, transformou-se na sede administrativa do Vice-reinado do Rio do Prata (e fortaleza, simultaneamente).

Ao redor de 1855, quando a fortaleza começou a ser demolida
Em 1820, quatro anos após a independência, o presidente Bernardino Rivadavia ordenou a remoção da ponte levadiça e sua substituição por um pórtico neoclássico.
Na segunda metade do século XIX, sobre os restos da fortaleza foram construídas a Casa Rosada (em sua versão original) e o palácio dos Correios. Edifícios quase gêmeos.
Já consolidada como palácio presidencial, a parte inicial da Casa Rosada uniu-se ao prédio dos Correios para formar o conjunto da Casa Rosada (o arco que serve de portão ao palácio foi construído para unir ambos prédios).
O formato definitivo não foi esse, já que uma ala foi derrubada no início do século XX para que a rua Hipólito Yrigoyen chegasse até o Paseo Colón, a avenida que passa por trás da Casa Rosada. Portanto, o palácio presidencial, na parte da frente, é assimétrico.

Antigo Correio, à esquerda. Casa Rosada original, à direita. Ambos prédios foram construídos sobre os restos da fortaleza
Com os dois lados já unidos, a foto mostra Casa Rosada em 1920. Ali ainda aparece a ala que seria derrubada (coloquei um ‘X’ vermelho para indicá-la) em 1930 para continuar a rua que mais tarde seria batizada de Hipólito Yrigoyen
ROSA, PINK…E ATÉ VERDE
O edifício debutou o cor de rosa sob o governo do presidente Domingo Faustino Sarmiento (1868-74).
A pintura foi realizada com cal e gordura, junto com sangue de boi, quadrúpede que abundava (e continua abundando) nos Pampas argentinos.
A explicação mais rigorosa – embora menos mítica – é que o motivo principal para essa tonalidade cromática, sem vínculos com questões políticas, era a de que o cor de rosa era o tom da moda na época na arquitetura italiana, muito apreciada por Sarmiento.
Depois de Sarmiento – durante duas décadas e meia – o palácio presidencial (que ainda estava com seu formato definitivo) passou por várias cores, inclusive – durante um brevíssimo período – o verde escuro, segundo indicou um estudo realizado em 1999 por arquitetos que preparavam o palácio para uma nova reforma. Na primeira década do século XX o edifício já havia consolidado sua cor rosada.
ESTILO
O estilo arquitetônico da Casa Rosada é definido de forma genérica como um “neoclássico eclético italiano”. Não possui um estilo definido, rigoroso, já que foi construída de forma gradual.
SUPERSTIÇÃO
Em 1999, o então presidente Carlos Menem ordenou que a Casa Rosada – que estava desbotada, parecendo um salmão anêmico – fosse pintada.
A cor, comme il faut ao gosto menemista, era rosa pink. Ou rosa chiclete. Mas, Menem só pintou a parede da frente da Casa Rosada, a que dá para o lado da Praça de Mayo. O resto da fachada permaneceu desbotada, isto é, os três lados restantes.
Existem duas teorias sobre esse desleixo cromático-presidencial:
1 – A verba para a pintura total da Casa Rosada desapareceu misteriosamente nos últimos meses do governo Menem.
2 – Em 1990, Menem – que havia tomado posse em julho de 1989 – ordenou que o palácio fosse pintado. Dias depois, com poucas paredes de pátios internos pintados de cor de rosa, suspendeu abruptamente a obra. A explicação oficial: “a cor não era exatamente rosa, e por isso está sendo estudada um tom adequado”.
No entanto, assessores presidenciais sustentam que a paralisação se deveu a que Menem – famoso por ser muito supersticioso – soube de uma velha lenda do palácio que indicava que – coincidência ou não – todos os presidentes que mandaram pintar a totalidade da sede do governo argentino, não concluíram seu governo, fosse por golpes de estado, renúncia ou morte.
Menem só permitiu que a obra continuasse, quase dez anos depois, já diante da inevitabilidade de deixar o cargo. Mas, novamente, por via das dúvidas, pintou só 25% da fachada.

Alfonsín, que pintou o prédio inteiro, passa a presidência a Menem, que só pintou a parede da frente, por via das dúvidas
A Casa Rosada foi novamente repintada no final do governo de Néstor Kirchner. As obras terminaram no governo de sua esposa, Cristina Kirchner, que completará seu mandato em dezembro de 2011. Todos os lados do palácio presidencial foram pintados desta vez.
FUNDOS
O lado mais imponente da Casa Rosada está nos fundos do edifício. A fachada da frente é menos elaborada que a de trás, além de não ser harmônica. Na parte de trás, pouco vista pelos turistas, há um conjunto escultórico: “As artes e o trabalho coroando a República”.

Presença brasileira no principal ponto das manifestações populares argentinas
FRENTE
Voltando à frente da Casa Rosada, na histórica Praça de Mayo, ponto sine qua non das principais manifestações da cidade, existem oito palmeiras Phoenix Canariensis, provenientes do Rio de Janeiro. Estas altas (cada uma tem 20 metros de comprimento) e sileciosas presenças brasileiras estão no principal cenário da política argentina desde 1888.

ALGUMAS NOTÍCIAS
Links de jornais argentinos para algumas notícias interessantes.
Esta, no “Crítica”, sobre denúncias de enriquecimento ilícito de Néstor Kirchner:
http://www.criticadigital.com/index.php?…
E estas duas, que lhe servem de background:
http://www.criticadigital.com/index.php?…
http://www.criticadigital.com/index.php?…
E, mudando de assunto, esta matéria do “El País” de Montevidéu, sobre a morte de Washigton ‘Canario’ Luna, um dos músicos mais emblemáticos do carnaval uruguaio.
http://www.elpais.com.uy/090731/ultmo-43…
Outra, sobre ele, do portenho “La Nación”:
http://www.lanacion.com.ar/nota.asp?nota…
E, neste sábado, celebra-se no norte da Argentina o dia da “Pachamama”, a deusa da terra. O link:
http://www.criticadigital.com/index.php?…
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Ciudad Evita, culto à personalidade levado ao cartográfico extremo
Neste domingo completaram-se 57 anos da morte de Eva Maria Duarte de Perón, mais conhecida como “Evita” (também chamada como a “Mãe dos Pobres”, segundo os pobres; denominada de “Mãe Espiritual da Pátria” pelo governo peronista e referida como “aquella mujer” – aquela mulher – pelos setores da sociedade que não a apreciavam).
Evita, que morreu aos 33 anos com um câncer de útero após longa agonia, foi a segunda esposa de Juan Domingo Perón, três vezes presidente da Argentina (1946-52, 1952-55, 1973-74). Evita foi crucial no primeiro governo do marido, já que tornou-se uma super-garota propaganda da administração peronista, além de essencial mobilizadora das massas populares.
Nas últimas semanas de vida de Evita, a província de La Pampa – seguindo o culto à personalidade (uma das marcas do governo de Perón) – decidiu homenageá-la com a modificação do nome para “província Eva Perón”.

Escudo da breve “Província Eva Perón”. Atrás das tocha, o perfil de Evita
Um ano antes a província do Chaco, no norte do país já havia mudado seu nome para “presidente Juan Domingo Perón”.
Evita também transformou-se em nome de cidade. A capital da província de Buenos Aires, La Plata, transformou-se em “Eva Perón” após sua morte. Após a queda de Perón, em 1955, derrubado por um golpe militar, voltou a ser La Plata.
Mas, antes de La Plata, já existia outra homenagem urbana à Mãe dos Pobres: Ciudad Evita.
Foi fundada em 1947, como um distrito dentro do município de La Matanza, na Grande Buenos Aires.
Mas, neste caso, o culto à personalidade foi mais além do nome, já que aplicou-se ao próprio traçado urbano. Isto é, Ciudad Evita, vista de cima, é uma reprodução do perfil de Eva Perón, incluindo seu tradicional coque).
Um exemplo de ego-cartografia. Talvez o único na América do Sul. Pelo menos, por enquanto.

O mapa mostra o nariz, queixo (mentón) e coque (rodete) da 2a esposa de Perón
Alguns habitantes dessa peculiar cidade – criada para ser um bairro operário modelo – costumam explicar assim em que parte moram, trabalham ou fazem as mais diversas atividades:
- Eu moro no coque.
- Ah, eu moro do outro lado, na ponta do nariz.
- Pois é, minha tia Zoila trabalha perto de você, no queixo.
- Bom, vou no mercado.
- Qual, aquele que está no pescoço?

Ciudad Evita, em close up
Ciudad Evita, que depois de fundada foi rebatizada sete vezes pelos diversos governos anti-peronistas e peronistas, voltou a ser definitivamente “Ciudad Evita” com a volta da democracia, em 1983.
A cidade que homenageia com nome e traçado urbano a falecida “Mãe dos Pobres” foi declarada Patrimônio Histórico Nacional em 1997. Seus pequenos chalés (com jardins sem muros ou cercas, ao estilo dos EUA), construídos para classe operária, serviram de inspiração para muitos bairros em todo o país. Mas, nas últimas décadas, perdeu muito de seu modesto encanto, pois tornou-se uma área que possui vários dos graves problemas sociais da Grande Buenos Aires.
Ciudad Evita possui 68.650 habitantes. Está entre o município de Ezeiza – onde localiza-se o aeroporto internacional – e a cidade de Buenos Aires. Para quem sai da capital e vai ao aeroporto, esse símbolo de ego-cartografia fica do lado direito (embora não encostado) da autoestrada Tenente General Pistarini.
Mais uma vista de Ciudad Evita, desta vez pelo Google Earth. Marquei em vermelho as ‘fronteiras’ da cabeça de Eva M.D. de Perón

Dois momentos diferentes de Evita.

Neste primeiro, em 1941, muito antes do culto à personalidade (e vários anos antes de conhecer JD Perón), posando como modelo para a revista “Cine Argentino”, com o uniforme do Boca Juniors, ao lado de Bernardo Gandula, jogador argentino que esteve no Vasco dois anos antes desta foto, em 1939.
Gandula, conhecido pelo fair play, costumava pegar a bola quando esta saia do campo para devolvê-la aos jogadores.
Não existiam gandulas naquela época..daí a especulação de que a palavra ‘gandula’ no Brasil provém do sobrenome desse cavalheiro jogador argentino.

Neste segundo, como a figura mítica do Peronismo, após sua morte.

Para começar bem o dia, o tango “Decarisimo”, de Astor Piazzolla. Uma homenagem a Julio De Caro, um dos grandes tangueiros do Rio da Prata, que abriu para o tango novos horizontes nos anos 20.
Tal como Carlos Gardel, De Caro nasceu em em um dia 11 de dezembro. E por isso, o dia do tango – na Argentina – é celebrado nessa data.
A primeira versão, com o próprio Piazzolla.
O link do Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=aQitw1eG0…
E esta segunda versão, com o dueto dissonAnce (Roberto Caberlotto and Gilberto Meneghin), durante uma apresentação em Perugia, Itália
O link:
…..E agora, que é de noite, esta versão de Chiqué, tango de Ricardo Luis Brignolo.
O link, com a orquestra Veritango, que reúne vários mestres de diversas gerações:
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Gesto para indicar que alguém é ‘Boludo’: mão entreaberta, emulando o formato de uma tulipa (dedos separados, pontas para cima). O gesto deve ser realizado com a mão na altura do peito. O movimento deve ser lento. No sentido vertical, começando de baixo para cima. Repetir movimento para baixo. Percurso médio de 5 a 10 centímetros. Caso queira indicar que o boludo em questão é um considerável boludo, o gesto deve implicar em um aumento da distância do percurso vertical da mão. Quanto maior o percurso, mais o gesto adquire intensificação semântica. No entanto, é preciso destacar que atualmente o gesto é escassamente utilizado (somente os preciosistas desse conceito o praticam). A expressão oral é a predominante. O gesto também aplica-se a um congênero do boludo, o ‘hincha-pelotas’, isto é, aquele que esgota a paciência de outrem
“Boludo” é o impropério argentino par excellence, que indica o ‘idiota’, ‘imbecil’, ‘tonto’, ‘panaca’. A expressão-insulto – a preferida neste país – designa aquele que possui “bolas” (testículos) grandes. No entanto, não se trata de uma explicação anatômica, mas sim, uma referência à substancial falta de inteligência da pessoa insultada. Em diversas culturas, expressões similares eram utilizadas para referir-se a algum panaca sideral. É o caso dos italianos, que utilizam há séculos a expressão ‘coglione’ (etimologia e uso desta expressão tão típica da península, neste artigo do wikipedia: http://it.wikipedia.org/wiki/Coglione ). Em ambos casos, os termos servem para indicar com ironia que alguém possui os testículos tão grandes que não pode mover-se de forma normal. Uma forma elíptica para explicar que alguém não pensa – ou age – de forma sensata.
Uma corrente, atualmente desprestigiada no mundo acadêmico, indicava décadas atrás que a etimologia de “boludo” provinha das ‘boleadoras’, a tradicional arma dos índios dos Pampas (e posteriormente dos gauchos), feita por uma corda em cujas pontas eram colocadas duas bolas (quando eram arremessadas, as boleadoras pegavam um animal pelas patas – ou o pescoço – derrubando-o).
Isto é, era ‘boludo’ quem era pego – ou ficava tonto – pela ação das boleadoras.

Boleadoras argentinas expostas no museu Lyndon Baines Johnson em Austin, Texas
De todas formas, ‘boludo’ sempre indicou o ‘imbecil’.
Por esse motivo, “Boludazo” não indica uma condição escrotal de dimensões superlativas, mas sim aquele que supera a condição standard de boludo. Um ‘boludão’, se pudéssemos ter essa liberdade poética.
A expressão “boludo” expandiu-se mais além das fronteiras da cidade de Buenos Aires e espalhou-se para o resto da Argentina, além de ter atravessado há décadas o rio da Prata, para instalar-se também no Uruguai. Boludo, por este motivo, é atualmente um insulto do Rio da Prata, que trascende fronteiras.
O uso do “boludo”, por parte de estrangeiros, no entanto, deve ser usado com parcimônia até que a pessoa consiga um completo domínio do termo, para poder utilizá-lo em sua plenitude, sem que pareça forçado ou artificial.
“Não existe ninguém mais boludo do que esses estrangeiros que, para imitar os argentinos, ficam dizendo ‘che’ e ‘boludo’” indica “Puto el que lee – Diccionario Argentino de insultos, injurias e impropérios”, pequena mas excelsa obra sobre os insultos aplicados costumeiramente no território argentino.
Pronúncia de Boludo, neste site:
http://www.forvo.com/word/boludo/
O “BOLUDO” COMO SAUDAÇÃO E ASPAS
“Boludo” é um insulto, se utilizado com o devido tom e intensidade vocal.
Mas, desde os anos 80 também pode ser usado como parte da saudação entre pessoas conhecidas.
Exemplo: “Que tal, boludo?” (e aí, boludo?). Ou ainda: “Boludo/a, onde é que a gente vai jantar hoje?”.
Transformou-se, para certos casos, em um equivalente ao “cara” no Brasil. “E aí, cara, gostou da lasanha?” (Y, boludo, te gustó la lasaña?)
O jornalista argentino Hernán Di Bello me disse que a palavra “boludo” tem amplas funções. “Ela é usada para abrir o fechar uma frase. Por exemplo: “boludo, no sabés el auto que me compré!” (boludo, você não tem ideia do carro que eu comprei!). Ou uma garota falando para outra: “el muchacho que atiende el kiosco de la esquina me encanta, boluda” (adoro o rapaz que trabalha no quiosque da esquina, boluda!).
E, em algumas ocasiões, tem quase a função de aspas, indo no início e no final da frase: “boluda, me compré un vestido negro fantástico, boluda!” (boluda, comprei um vestido preto fantástico, boluda!)
ABREVIAÇÃO
Nos últimos anos, a pressa e a velocidade da sociedade moderna abreviaram a palavra, que é pronunciada com bastante frequência em dois terços do original: “bolú”.
E com um acento adicional no final, para dar a necessária ênfase tônica que os insultos costumam requerer (em todo o planeta).
EXTINTO
Ficou totalmente fora de uso uma expressão que nos anos 70 tentou criar um mix de dois insultos – boludo e estúpido – o “bolúpido”.
O termo extinguiu-se, talvez devido à junção de dois conceitos em uma única palavra, característica pouco frequente no mundo dos epítetos.

“Che Boludo!”, um dicionário inglês-portenho pouco convencional. O autor é o jornalista americano James Bracken. Em sua obra explica aos estrangeiros que algumas expressões, como ‘Boludo’, podem ter diversos significados, tanto como insulto como termo afetivo. “De acordo com o tom e a frase, pode equivale a ‘estúpido’ ou um termo coloquial ou carinhoso”.
DENOMINAÇÕES JOCOSAS
Denominações jocosas que complementam a frase que inicia “Es un boludo….. (É um boludo…)”:
Es un….
- Boludo atómico: Um boludo de nuclear potência
- Boludo de campeonato: Um boludo digno de particiar de um campeonato de boludos
- Boludo a rayas: Um boludo listrado. Isso indica que boludos, há de todos os tipos e estampas.
- Boludo a quadros: Um boludo xadrez. Idêntica utilização ao boludo de rayas.
- Boludo alegre: O boludo que, com plena consciência de sua condição de boludo, vive feliz. Geralmente, este boludo ri de si próprio.
- Boludo al pedo: O boludo que vive à flatulência (al pedo indica, na gíria portenha, algo ou alguém que está à toa)
- Boludo al trote: Um boludo que caminha acelerado. No sentido de um significativo boludo.
MAIS APLICAÇÕES
- Boludez: ‘idiotice’. Mas também pode ser usada para referir-se pacificamente a uma coisa simples.
- Boludear: como verbo. Estuvo boludeando todo el día (esteve boludeando todo o dia), no sentido de não fazer coisa alguna, perdendo tempo.
- Hacerse el boludo: se fazer de boludo. Isto é, fazer-se de tonto.
- Me estás boludeando?: você me está boludeando? Neste sentido significa “está me tentando me sacanear?”
MONOPÓLIO
O “boludo” monopolizou as frases de insulto nas últimas duas décadas, provocando uma perda da riqueza de vocabulário existente no passado recente.
Desta forma, ficaram em relativo desuso expressões como:
- Ganso
- Salame
- Gil
- Papafrita
- Zanahoria
- Zapallo
- Otario
- Nabo
- Mamerto
- Opa (esta, usada com mais frequência no interior)
PELOTUDO, O PRIMO DO BOLUDO
O ‘boludo’ possui, como vemos, uma miríade de aplicações. Pode oscilar do insulto ao cumprimento amável. Já o epíteto “pelotudo”, sinônimo de ‘boludo’, possui implicâncias sempre negativas.
Nas últimas duas décadas, o uso cada vez mais amplo do ‘boludo’, e certa perda de potência de seu significado – por causa de sua resemantização – valorizou o ‘pelotudo’.
O “pelotudo” é um equivalente ao boludo, pois refere-se ao tonto e estúpido. Além disso, também origina-se nas referências aos testículos de grandes dimensões.
Embora não conte com acento algum, a palavra, para ter a devida sonoridade, deve ter um ênfase especial na terceira sílaba, o “tu” (tú). Isto é, pronunciar assim: pelo-TÚ-do.
USOS
Uso em espanhol portenho, como insulto afirmativo: “Sos un pelotudo” (Você é um pelotudo).
Mas também pode ser usado, com muita frequência, como interrogativo: “No ves que sos un pelotudo?” (Não vê que você é um pelotudo?).
Atenção: Não necessariamente espera-se uma resposta da pessoa inquirida.

“O pelotudo argentino: manual para identificação e uso”, obra de Mario Kostzer, com prólogo do historiador Felipe Pigna
Os portenhos tabém costumam usar o ‘pelotudo’ para dar ênfase à uma longa expressão. Exemplo: “Mirá, pelotudo, porque no llamás tu hermana para que me c…. la v….. y la ponga en la z…. de la r…. ?” (Olha, pelotudo, porque você não chama tua irmã e etc, etc, e etc?)
Pelotudez: Ato próprio de um pelotudo Assunto ou coisa que carece de importância. “No te preocupes. Es una pelotudez” (Não se preocupe. É uma pelotudice).

Maradona, ‘boludo’ segundo muitos maradonólogos e críticos seus, além de tecer teorias sobre o futebol, também fez ponderações sobre a expansão dos boludos em todo o planeta
Frase: “Los boludos son como las hormigas, están en todos los lados” (Os boludos são como as formigas, estão em todos os lados). Frase de Diego Armando Maradona, pronunciada nos anos 90.

O BOLUDO NA MÍDIA
A Cruz Vermelha Argentina também recorreu à emblemática palavra para fazer uma irônica campanha – ‘Ayudar es una boludez’ - com celebridades do cinema, teatro e jornalismo:
Ayudar es una boludez:
http://www.ayudaresunaboludez.org.ar/#/c…
A campanha até lançou a canção do boludo:
A campanha também mostrou as formas adequadas de pronunciar o epíteto-preferência-nacional:
E até a atriz China Zorrilla, a grande dama e estrela do teatro e cinema uruguaio-argentino participa:
DIA DO BOLUDO
Em junho um grupo de pessoas convocou, pela Internet, a celebrar o dia do boludo, A campanha indicava que os politicos, empresários e diversos setores da sociedade tratavam boa parte da população como otários, boludos. Portanto, decidiram criar um dia especial para celebrar os boludos.
Este é o link do Dia del Boludo:
http://www.diadelboludo.com/
APOLOGIA DAS ‘MALAS PALABRAS’
E, de brinde, o cartunista Roberto Fontanarrosa, criador do desenho Inodoro Pereyra e Boogie, el aceitoso. Fontanarrosa era um artesão das palavras. No Congresso da Língua realizada em Rosario, há poucos anos, ele faz uma defesa enfática do uso das ‘malas palabras’ (palavrões). A conferência dele é um dos grandes momentos:
Link para Fontanarrosa no Congresso da Língua:

O PELOTUDO E O HISTORIADOR
E aqui, o prólogo do historiador Felipe Pigna em “El Pelotudo Argentino”, livro de Mario Kostzer
Hay dos cosas infinitas: el universo y la estupidez humana”. Albert Einstein
“Existen dos maneras de ser feliz en esta vida; una es hacerse el idiota, y la otra, serlo.”
Prólogo pelotudo
Escribir un prólogo con el miedo latente de que será considerado una pelotudez es un poco condicionante. Pero asumamos el riesgo. Desde aquel maravilloso ‘Manual de Zonceras Argentinas’, del entrañable don Arturo Jauretche, nos pasaron muchas cosas, y aquellas zonceras, lejos de terminar, se fueron multiplicando, amplificando. Aparecieron nuevas. Algunas muy trágicas, como la que sostenía que “algo habrán hecho” o aquella de “por algo será”. De la mano de la globalización a la Argentina versión Menem-De la Rúa, la pelotudez se adueñó de nuestro país. Los pelotudos se multiplicaron, y se complejizó su clasificación.
La pelotudez general consistió en pensar que el peso argentino se cotizó durante más de diez años más que el dólar, que se puede vivir bien en medio de la destrucción del país, que los Bancos son confiables, que no importa que roben mientras hagan, que el resto del mundo se muere de envidia de nosotros.
Este libro de mario Kostzer lleva un espejo en la tapa, en el cual el primero en mirarse fue el autor de las páginas que siguen a este prólogo y esto le da a este libro seriedad, porque parte de la autocrítica y no de la soberbia. Todos fuimos pelotudos en algún momento de nuestra vida y cada tanto volvemos a sentirnos así, en la medida que estemos atentos a nuestras pelotudeces.
La galería de pelotudos que presenta este libro recorre rigurosamente la sociedad argentina de 2004. Aquí encontrará el lector a muchos de los personajes con los que convive sufridamente todos los días y, si le alcanza el sentido del humor, podrá reconocerse o reconocer actitudes propias en algunos de los especímenes analizados por Kostzer que justifican la genial idea del espejo de tapa.

Dois boludos morrem pela glória de um terceiro, um pelotudo
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Na Argentina, quando alguém não tem os patinhos alinhados em fila, equivale à pessoa que pensa que berimbau é gaita. Os integrantes da família dos Anatidae na ilustração acima estão bem alinhados
Os portenhos usam as mais variadas expressões e palavras do lunfardo (gíria) para referir-se a alguém que possui um – ou vários – parafusos a menos. Aqui segue um pequeno manual sobre o assunto.
No tiene los patitos en fila: Não possui os patinhos em fileira. Usado com ironia para referir-se a alguém que está meio biruta.
No tiene todos los caramelos en el frasco: Não possui todos os caramelos no pote. Também usado para indicar que alguém está um tanto quanto lelé.
Le faltan un par de jugadores en la cancha: Faltam-lhe alguns jogadores no campo. Idem, idem sobre alguém biruta.
Le falta un tornillo: Falta-lhe um parafuso. Tal como no Brasil. E aqui, um link do Youtube com “Al mundo le falta un tornillo”, tango cantado por Julio Sosa. Letra de Enrique Cadícamo e música de José María Aguilar.
O link:

Em 1996, durante uma visita a crianças de uma escola pública na paupérrima província de Jujuy, o então presidente Carlos Menem disse que no ano 2000 poderiam viajar da cidade de Córdoba até Tóquio em duas horas. Segundo Menem, seria em um foguete, que iria pela estratosfera. Sobre essa promessa de Menem, muitos levantaram a sombrancelha e perguntaram na época: “le falta un tornillo?”. A linha Córdoba-Tóquio ainda não foi inaugurada
No le llega agua al tanque: A água não chega em seu tanque. Refere-se à pessoa suspeita de ter alguns parafusos a menos.
“De la gorra”: Literalmente, “Do boné”. Lelé. Exemplo, “estás de la gorra si te imaginás que podés hacer una apologia de la lechuga en este asado” (você está da gorra que acha que pode fazer uma apologia da alface neste churrasco)
“Del tomate”: Literalmente, “Do tomate”. Não bate bem da cabeça. Exemplo: “vos estás del tomate si crees que los hermanos diputados Mutatis y Mutandis de Anchorena van devolver el dinero que robaron” (você está do tomate se acha que os irmãos deputados Mutatis e Mutandis de Anchorena vão devolver o dinheiro que roubaram).
Chapita: Pinel. Doidinho. Lelé da cuca. Excêntrico. Usa-se com o verbo “estar”. Alguém “está chapita” Também usa-se o “re-chapita”. Doidinho da Silva.
Colifato: Louco de pedra. Também usa-se a versão abreviada, “colifa”.
Pirado: tal como em português.
Pirucho: variante de pirado.
Piantado: Louco. “Piantao” é uma forma de falar portenha a mesma gíria portenha de “piantado”. É a palavra usada em um dos mais famosos versos de “Balada para un loco”, música de Astor Piazzolla e letra de Horacio Ferrer (poeta uruguaio que reside há anos em Buenos Aires e é o presidente da Academia Nacional do Tango da Argentina).

Larguirucho, personagem do desenhista García Ferré, um piantado total encontra-se nesta historinha com Roberto Goyeneche, um dos intérpretes do tango supracitado de Piazzolla. E, ao lado Aníbal ‘Pichuco’ Troilo, tangueiro-mor, amigo de Piazzolla
Rayado: Literalmente, ‘riscado’, tal como um disco de vinil. Louco. “Están rayados???”
Limado: A palavra provém da prática no automobilismo, de limar a tampa dos cilindros, para propiciar mais potência aos motores. Isto é, o motor fica mais nervoso..mas também mais frágil. Um louco ‘acelerado’.
Paniquear – Verbo. Ter um panic attack. “Meu amigo paniqueó” (meu amigo ‘paniqueou’). Usa-se na Argentina e outros países da América Latina.

Sigismund Schlomo Freud, na Argentina, é corriqueiro como o ‘desayuno’ com café com leite e medialunas (croissants), o churrasco com os amigos e os raviolis dominicais com os avós.
APÊNDICE FREUDIANO-PORTENHO
Psicopatear: Psico-chutar. Fazer tortura psicológica, chantagem emocional. Abuso psicológico.
Conjuga-se: Yo psicopateo, tu psicopateas, el psicopatea, nosotros psicopatemos…
“Me siento psicopateado” (Me sinto psico-chutado).
“No me andés psicopateándome, andá a tu analista” (Não fica me psico-chutando, vai pro teu analista)
Psicobolche: Esquerdista com background psicanalítico. ‘Freudomarxista’.

Karl Heinrich Marx e amigos em festa de arromba
BÔNUS TRACK:
E, para encerrar, ‘Balada para un loco’, de Astor Piazzolla, denominado “un loco lindo” (um ‘louco lindo’, algo meio equivalente a um maluco beleza, mas sem conotação explícita sobre um jeito hippie ou de contra-cultura).
Neste, Roberto Goyeneche canta o emblemático tango
Nesta, a intérprete é Amelita Baltar, a mais famosa das cantoras dos tangos de Piazzolla (e sua ex-esposa)
Amelita Baltar, de novo

Ferrer, à esquerda, Piazzolla, à direita da foto. Os dois revolucionários do tango em seus jovens anos.
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E, acima de tudo, serão cortadas frases de comentaristas que façam apologia do delito.

Guillermo Moreno, Secretário de Comércio Interior, costuma fazer alarde de possuir genitália de colossais dimensões em reuniões com empresários.
Ilustração do cartunista argentino El Niño Rodríguez (seu site: www.elninorodriguez.com; site do jornal ‘Crítica’ no qual publica diariamente: www.criticadigital.com)
Os amigos de Guillermo Moreno o chamam “Napia”, gíria para nariz, devido a seu aquilino perfil. O ex-presidente Néstor Kirchner o chama de “Lassie”, em irônica alusão à simpática e doce cadela collie imortalizada no cinema junto com Elizabeth Taylor. Mas, nas últimas semanas passou a ser chamado de “Highlander”, em alusão à sequência de filmes dos anos 80 cujo protagonista era um homem imortal – Connor Mc Leod – capaz de sobreviver a todas as circunstâncias.
Moreno é o Secretário de Comércio Interior da Argentina. Ele é a mais polêmica das figuras do gabinete da presidente Cristina Kirchner. Autor da manipulação de índices de inflação, pobreza e desemprego, Moreno também impôs o congelamento de preços a alguns setores, além de criar barreiras que complicam a entrada de produtos Made in Brazil, entre outras medidas. Ele passou incólume por todas as reformas ministeriais que a presidente Cristina e seu marido, antecessor e ex-presidente Néstor Kirchner fizeram, apesar dos pedidos dos empresários, sindicatos, partidos da oposição e intelectuais que pediram – e continuam pedindo – sua cabeça.
Moreno sobreviveu a vários ministros da Economia que tentaram limitar a influência do poderoso secretário, supostamente seu subordinado hierárquico. Um dos ministros que foi deletado sem piedade era o jovem Martín Losteau, que protagonizou com “El Napia” uma discussão antológica na Praça de Mayo, enquanto a presidente Cristina discursava a poucos metros.
Estas são algumas das fotos que retrataram a discussão, na frente de todos. A foto final mostra Moreno fazendo um gesto com a mão, equivalente a “você está morto”, a clássica passada da mão rígida pelo pescoço, na altura da jugular.

Dois integrantes do gabinete de Cristina Kirchner protagonizam animado debate com generosa distribuição de impropérios e entusiasta gestualidade na frente de 18 milhões de espectadores, durante comício da presidente na histórica Praça de Mayo. Lousteau, à esquerda da foto, Moreno à direita
Link do Youtube para o gesto de Moreno, ano passado, na Praça de Mayo:
Na semana passada, quando a presidente Cristina trocou seu ministro da Economia e o chefe do gabinete de ministros, rumores indicavam que o secretário de Comércio também seria removido. No entanto, Moreno permaneceu.
A notícia desagradou os mercados, que a interpretaram como um sinal de que os Kirchners não pretendem alterar o rumo. Os títulos da dívida pública despencaram 11% quando foi confirmado que Moreno ficaria em seu posto.
Os Kirchners resistem à ideia de removê-lo, já que Moreno é o homem que faz o “trabalho sujo”. Ele é o responsável pela manipulação de índices da inflação, pobreza, desemprego e o PIB. Estas estatísticas são elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), organismo sob férrea intervenção do governo há dois anos e meio.
Além disso, o secretário não hesita em mobilizar um grupo de caratecas para dissolver manifestações dos trabalhadores do Indec que protestam contra a manipulação dos índices.
Moreno (segundo relatos em sua biografia não-autorizada “El buen salvaje” e outros depoimentos) inicia encontros com empresários colocando seu revólver em cima da mesa.
Ele também telefona aos executivos às 6:00 da manhã – nos fins de semana, inclusive – para exigir, em frases entremeadas de sonoros palavrões, que congelem seus preços. Este comportamento iniciou na época que era secretário de Comunicações. Na época, quando Moreno era quase um desconhecido, um executivo de uma empresa japonesa me comentou o que havia lhe ocorrido. Anos depois, essa atitude tornou-se costumeira.
Dono de um frondoso bigode com as pontas curvas para baixo que fariam inveja ao revolucionário mexicano Emiliano Zapata, o controvertido secretário também inicia as reuniões com executivos com afirmações sobre sua genitália, a qual, indica, é de dimensões superiores às dos presentes.
Alusões à genitália também são usadas por Moreno quando quer saber quem manda em determinada área: “quien es el poronga del sector, que necesito hablar con alguien que la tenga grande?”. Isto é, “quem é o poronga (leia o glossário no fim desta postagem) do setor, pois preciso falar com alguém que a tenha grande?”
Ele também sugere aos empresários que na próxima reunião levem suas esposas, já que está cansado de sodomizá-los. Tudo isso é explicado por Moreno aos empresários com um glossário bastante ilustrativo.

Segundo Kirchner, “Moreno é mais bonzinho que Lassie” (em declarações ao jornal ‘Clarín’ em 2006. Depois, até acrescentou: “até teria que morder um pouquinho mais”) . Fotograma de Lassie, filme de 1943. Ao lado da collie mais famosa do sistema solar, sua companheira humana Elizabeth ‘Liz’ Rosemond Taylor
A oposição o considera símbolo do lado mais corrupto e autoritário do kirchnerismo e também exige sua retirada. Após a derrota do governo nas recentes eleições parlamentares, os próprios aliados dos Kirchners pedem a saída de Moreno.
Na semana passada haviam ressurgido boatos de que os Kirchners poderiam remover o secretário em sinal de paz à oposição, ao establishment e aos próprios aliados peronistas. Segundo estes setores, é imprescindível que os Kirchners “desmorenizem” seu governo. Mas, no início da semana os ministros de Cristina confirmaram que Moreno permanece firme no posto.
O melhor sinal da ‘morenização’ persistente do governo foi o índice de inflação anunciado na terça-feira. O índice “oficial”, de 0,4%, anunciado pelo Indec, não foi levado a sério pelos economistas, empresários, associações de consumidores e sindicatos não alinhados com o governo. Os cálculos de todos estes outros setores oscilavam entre 0,6% e 1% de inflação “real”.
A inflação acumulada nos últimos dois anos e meio, segundo o Indec, é de 19,49%.
No entanto, economistas e associações de defesa dos consumidores indicam que essa proporção é “delirante”.
Segundo a consultoria BAC, que faz um cálculo “moderado” sobre o crescimento da inflação nos últimos dois anos e meio, o índice real seria de 64,35%. Um cálculo, como digo, moderado.
Diversos sindicatos afirmam que a manipulação do índice de inflação prejudica os trabalhadores, já que o empresariado não é obrigado a reajustar o salário de acordo com a inflação real. Só, eventualmente, com a inflação oficial dos Kirchners.

E falando em mentiras, o emblemático Pinocchio. Aqui, tal como o imaginava Enrico Mazzanti (1852-1910), o primeiro ilustrador de Le avventure di Pinocchio. Storia di un burattino
PEQUENÍSSIMO MORENO ILUSTRADO
NAPIA: Nariz grande, em lunfardo, a gíria do Rio da Prata. Vem de um regionalismo italiano ‘Nappia’, nariz grande. Um dos apelidos de Moreno.
PORONGA: Palavra da gíria argentina utilizada para referir-se ao membro viril. Forma pouco polida. Provém do araucano ‘purunko’. Esta palavra, por seu lado, origina-se no quechua ‘purunkko’. Originalmente refere-se à abóbora de formato oblongo. Moreno a usa com intensa frequência.
COGER: União carnal. Fornicar. Prática da cópula, na gíria argentina. Verbo utilizado com grande frequência pelo Secretário de Comércio Interior.
PIBE: Garoto, na gíria. Forma como Moreno se refere aos empresários com os quais se reúne. Frase de Moreno: “Che, pibe, vas a tener que bajar los precios” (Ei, garoto, você vai ter que reduzir os preços). A palavra deriva do genovês “pivetto” (menino), e este, da gíria italiana “pivello” . É usada na Argentina desde o final do século XIX.
Uma versão mais sintética desta matéria foi publicada na segunda-feira no jornal. Aqui vai o link:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/…
E, nada a ver, mas para relaxar, “Anclao en Paris”, na voz de Carlos Gardel. Um de meus tangos preferidos. O considero mais interessante que ‘Mi Buenos Aires querido’.
O link do Youtube:
E mais um: “Chorra” (tango que comentarei em breve)
Link:
E outra mais. Esta é Soledad Pastorutti, que transformou o folclore em um novo boom entre os jovens.
O link:
http://www.youtube.com/watch?v=xtQV-Uva0…

Moreno é chamado de ‘Highlander’, em alusão ao personagem Connor Mc Leod, o imortal do filme homônimo
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Comentários racistas, chauvinistas, sexistas ou que coloquem a sociedade de um país como superior a de outro país, não serão publicados.
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Evita sorri atrás de Moyano, o homem forte do sindicalismo argentino
O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, tornou-se um dos últimos aliados que a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner ainda possuem dentro do complexo cenário político argentino. Desde que foram derrotados nas eleições parlamentares do dia 28 de junho, os Kirchners sofrem uma persistente fuga de aliados que debilita cada vez mais seu poder.
A aliança com os denominados “barões bonaerenses” – os prefeitos dos municípios da Grande Buenos Aires – está dissolvida. Os industriais, outrora alinhados com o governo, estão em rota de colisão com os Kirchners desde que o amigo do casal, o presidente venezuelano Hugo Chávez, estatizou empresas argentinas em seu país. Neste contexto, a CGT é uma das últimas forças aliadas do governo.
Para reter o apoio de Moyano, que comanda a principal central do país – e dentro dela, o combativo sindicato dos caminheiros, uma espécie de “tropa de choque” da CGT – o casal concedeu mais espaço de poder ao sindicalista dentro do gabinete ministerial.
Na semana passada, a presidente Cristina designou Mariano Recalde novo diretor da Aerolíneas Argentinas, a maior companhia aérea do país, que está passando pelo processo de reestatização iniciado em 2008. Ele é filho de Héctor Recalde, um dos assessores de Moyano na CGT.
Moyano também arrancou da presidente um cargo crucial no ministério da Saúde, o da Administração de Programas Especiais (APE), organismo que distribui os fundos para os sistema de saúde dos sindicatos. O controle da APE é tentador, já que no ano passado arrecadou US$ 1 bilhão.
Desde a volta da democracia Néstor e Cristina Kirchner foram os únicos presidentes que nunca sofreram uma greve geral da CGT
Nos últimos anos, Moyano – protegido pelos Kirchners – aumentou seu poder, sem encontrar obstáculos. Ele obteve o controle da linha ferroviária Belgrano, responsável por 30% do transporte de cargas do país. Além disso, controla o movimento dos contêineres do porto de Buenos Aires. Desta forma, junto com a Aerolíneas Argentinas, o líder sindical possui influência sobre o transporte de cargas em todo o país.
Em troca dos favores recebidos, Moyano pode mobilizar seus 140 mil caminhoneiros para realizar piquetes nas estradas com seus veículos para pressionar inimigos políticos dos Kirchners ou empresas que não estão alinhadas com o governo.
No empresariado, Moyano tem fama de “truculento”. Em diversas ocasiões bloqueou as estradas de acesso às fábricas da Quilmes (adquirida em 2002 pela brasileira AmBev), boicotou a distribuição de jornais opositores aos Kirchners, além de fazer piquetes contra empresas que não aderiram ao congelamento de preços do governo.
Moyano colocou seus filhos Facundo e Pablo em postos cruciais dentro do sindicalismo argentino.
UM MINISTRO, PRIMEIRO. E DEPOIS, SER PRESIDENTE – Nos últimos seis anos Moyano respaldou ativamente a política econômica dos Kirchners. Mas, no mês anterior às eleições o líder sindical começou a pressionar o casal aliado, para obter mais vantagens.
O filho de Moyano, Pablo, que comanda o ativo Sindicato dos Caminhoneiros, declarou que “já é hora” que a CGT conte com pelo menos um ministério dentro do gabinete da presidente Cristina.
E poucos dias antes das eleições o próprio Hugo Moyano indicou que possui aspirações políticas mais elevadas e ressaltou que poderia ser candidato presidencial nas eleições de 2011.
Seus aliados afirmam que “se Lula, um sindicalista, conseguiu chegar à presidência do Brasil, Moyano também poderia ser presidente da Argentina”.
MOYANO TAMBÉM TEM PROBLEMAS - Além da peronista CGT, tradicional reduto dos grandes sindicatos, também existe a Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), com influências da esquerda, criada há 15 anos, concentrada na representação do funcionalismo público.
A terceira central, que surgiu em meados do ano passado, é uma dissidência da CGT, a CGT Azul e Branca. Ela é comandada por José Luis Barrionuevo, o polêmico líder do sindicato dos restaurantes e bares.
Barrionuevo é um problema para Moyano. Nos últimos dias Barrionuevo aproveitou a derrota dos Kirchners e começou a mobilizar os sindicatos da dissidência além de aliados de Moyano dentro da CGT (aliados ma non troppo) para derrubar seu rival e tomar o controle de toda a central sindical.
Mas, tanto como Moyano, Barrionuevo tampouco tem boa imagem entre a população. Ele ficou famoso nos anos 90 pelas seguintes frases:
- “Para que a Argentina progrida, a gente tem que deixar de roubar pelo menos durante dois anos”
- “Neste país ninguém faz dinheiro trabalhando”
SEM OS BARÕES - Os Kirchners já não podem mais contar como aliados com os prefeitos dos municípios da Grande Buenos Aires – outrora o principal reduto eleitoral do governo – já que nas recentes eleições parlamentares os líderes municipais conseguiram mais votos para seus candidatos a vereadores do que para a lista de deputados encabeçada por Néstor Kirchner.
De um total de 134 municípios na província de Buenos Aires, em 133 os candidatos a vereador do governista Partido Justicialista (Peronista) e sua sublegenda Frente pela Vitória tiveram maior votação do que o próprio Kirchner. Essa diferença foi encarada como uma “traição” pelos Kirchners, que consideram que os prefeitos fizeram mais campanha por si próprio do que pelo “Jefe”.
Com a dissolução da aliança com os denominados “barões bonaerenses”, os Kirchners contam com a CGT como uma das últimas forças aliadas.
SEM INDUSTRIAIS - Os Kirchners tampouco contam mais com o setor industrial argentino, que desde junho está em rota de colisão com o governo. Por trás dos atritos entre o governo e o empresariado local está a estatização de empresas argentinas na Venezuela feita pelo presidente Hugo Chávez. A total ausência de protestos dos Kirchners a Chávez por essas medidas irritaram o empresariado. Na semana passada, na posse do novo ministro da economia no palácio presidencial, nenhuma liderança empresarial esteve presente, em sinal de desagrado.
SEM ESQUERDA – Setores localizados mais à esquerda no Peronismo kirchnerista, como a deputada Victoria Donda (ela é uma das 500 crianças que foram sequestradas pelos militares durante a última Ditadura Militar) e o deputado Miguel Bonasso já deixaram o casal Kirchner.
Outros setores da esquerda peronista também estão abandonando os Kirchners há vários meses. Estes setores consideram que os Kirchners não representam a esquerda, e os acusam de aliar-se com os caudilhos conservadores do peronismo das províncias do interior do país.
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E, como hoje é 14 de julho, aniversário da queda da Bastilha, uma data para celebrar, coloco abaixo a representação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, cujo original está no museu Carnavalet, em Paris.

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CRONOLOGIA DAS RECENTES MANCADAS GOVERNAMENTAIS
Sexta-feira dia 26 de junho: a ministra da Saúde Graciela Ocaña, afirma que foram registradas 26 mortes pela gripe suina. Segundo ela, o número de contágios é de 1.587 casos registrados. Diversas informações extraoficiais indicam que Ocaña renunciará após as eleições parlamentares do domingo. As informações indicam que a ministra há dias tentava convencer a presidente Cristina Kirchner a adiar as eleições, já que concentrar 28 milhões de pessoas em centros eleitorais, implicava em um cenário ideal para expandir a gripe. Mas, Cristina nega-se a adiar as eleições. A perspectiva, segundo os analistas, é que quanto mais tarde sejam as eleições, pior será o desempenho do governo nas urnas.
Domingo dia 28 de junho: o governo da presidente Cristina Kirchner sofre uma derrota histórica nas eleições parlamentares.
Segunda-feira dia 29 de junho: a ministra Ocaña renuncia.
Terça-feira dia 30 de junho: a cidade de Buenos Aires e a província de Buenos Aires declaram emergência sanitária. Mas, na prática, implica somente em ampliação das férias escolas de inverno e maior número de pessoas para atendimento médico nos hospitais (diversos municípios tomaram medidas por conta própria e ordenaram o fechamento temporário de cinemas, bingos, academias de ginástica, salões de baile, discotecas e centros culturais).
Quarta-feira dia 1 de julho: depois de quase três dias sem ministro de saúde no meio da maior crise sanitária em décadas, o governo empossa Juan Manzur, vice-ministro da província de Tucumán no posto. A cerimônia da posse é realizada no Salão Blanco da Casa Rosada, onde acotovelam-se quase 500 pessoas. O lugar ideal para o contágio: muitas pessoas e nada da ventilação.
Quinta-feira dia 2 de julho: o ministro dá com a língua nos dentes à noite e afirma que existem 320 mil pessoas com gripe (gripe de todos os tipos) em todo o país, das 100 mil pessoas contagiadas com a gripe suína.
Sexta-feira dia 3 de julho: de manhã, a presidente Cristina visita o hospital de referência Malvinas Argentinas. Sem máscara, cumprimenta as pessoas com um aperto de mãos. Com cara amarrada, ela espera uma correção do ministro. Este muda o discurso da véspera e afirma que existem 2.800 casos confirmados de gripe suína. Segundo ele, os 100 mil casos citados (por ele próprio) na véspera eram uma estimativa. A mídia pergunta-se se o ministro tem alguma ideia da realidade.
Diversos jornalistas em sua província, Tucumán, indicam que o ministro costumava reduzir os índices de mortalidade infantil recorrendo à contabilidade criativa.
Sob o olhar desconfiado dos argentinos, o ministro também afirma que o número de mortos é de 55. Isto é o número “oficial” de mortes duplicou em uma semana.
A mídia afirma que juntando dados esparsos de diversas províncias, o número de mortos pode ser umas duas dezenas superior. Isso, para fazer um cálculo conservador.
O ministro Manzur, negou que o governo esteja escondendo números sobre o crescimento dos falecimentos pela gripe ou a expansão do contágio.
Nesse mesmo dia, na cidade de Buenos Aires, o chefe do gabinete da secretaria de Saúde da capital, Néstor Pérez Baliño, existiriam 10 mil pessoas contagiadas. Isso equivale a 0,3% do total dos habitantes da cidade de Buenos Aires.
Também nesse dia, a diretora da Organização Panamericana da Saúde (OPS), Mirta Roses, criticou a decisão de não adiar as eleições parlamentares argentinas: “não é recomendável misturar pandemias com processos eleitorais”.
Domingo 5 de julho: na cidade de Córdoba morre mais uma pessoa de gripe suína, de manhã. No fim da noite, o ministro Manzur anunciou que o número de mortos chegava a 60. A quantidade de pessoas contagiadas era 2.485….
Epa, na sexta-feira não eram 2.800 pessoas contagiadas?
E na quinta-feira, não eram 100 mil?

MITOS SOBRE O CLIMA DE ‘PÂNICO’
Ao longo da última semana diversos amigos me ligaram do Brasil, preocupados, para saber se eu estava bem. Eles queriam saber como estava me virando com apocalíptico clima de toque de queda que eles supunham que estava ocorrendo em Buenos Aires por causa da gripe suína.
- Como? Não entendi… (respondia eu)
- O prefeito de Buenos Aires não ordenou que as pessoas não saiam nas ruas? (perguntavam eles)
- Não! O prefeito de Buenos Aires pediu – ou melhor, recomendou – aos pais e mães que levem as crianças, o mínimo possível, para fora de casa. Não ordenou coisa alguma…Foi um recomendação. Não levar as crianças a lugares públicos.
- Ah! (ouvia do outro lado do telefone, com certo tom de incredulidade)…eeeeh, mas as pessoas não estão correndo aos supermercados para comprar alimentos e ficar trancadas dentro de casa, esperando que a gripe suína passe?
- Não, nos supermercados, tudo normal. Sim, é verdade, esgotaram o estoque de
Álcool em gel. Mas não estão estocando alimentos como se o Apocalipse fosse ocorrer amanhã à tardinha…E verdade que aumentaram as compras por internet nos sites dos supermercados. Mas não estão cheios de pessoas em pânico…
- É que eu vi a TV que está todo mundo em pânico em Buenos Aires…e li em um site que as pessoas estão indo em massa aos supermercados…
- Não. Não existe pânico, não. Existe preocupação. Mas não “pânico”…
- E vi imagens na TV que mostram está todo mundo com máscaras cirúrgicas…
- Você viu imagens de centenas de pessoas usando máscaras ou uma imagem com a câmara fechada, enfocada em duas ou três? Eu estive caminhando na cidade todos estes dias e vi poucas pessoas com máscaras….peguei o metrô da linha D – que vai sempre lotado – e só vi uma senhora com máscara. Existem pessoas com máscaras, mas são uma minoria. Hoje (domingo), em sete quarteirões na avenida Santa Fe vi cinco pessoas com máscaras. Não é exatamente um número que indique pânico.
- E em Buenos Aires, não fecharam os cinemas e teatros?
- Não.Em algumas cidades da província de Buenos Aires, fecharam. Na capital do país, não fecharam. Por enquanto. Pode ser que fechem nos próximos dias. Mas, por enquanto, estão abertos. Alguns lugares, por decisão própria, decidiram fechar as portas por alguns dias como alguns teatros. Diversos cinemas só vendem metade das entradas, para que o público possa ter poltronas vazias entre as pessoas.
Estas foram alguns dos diálogos nos últimos dias com amigos que moram no Brasil e me ligaram preocupados pela gripe em Buenos Aires.
Em Buenos Aires existe preocupação com a gripe suína. Motivos existem de sobra, já que 60 pessoas morreram até este fim de semana. O país na pole position dos falecimentos por causa da gripe na América do Sul.
Mas não existe um pânico generalizado na população.
Alguns setores da sociedade, especialmente aqueles que tornaram-se ostensivos consumidores de tranquilizantes da moda nos últimos anos, morrem de medo de qualquer pessoa que espirre (mesmo que seja de alergia).
Um especialista outro dia indicava que o medo à gripe suína facilitou a vida de pessoas com fobias de viajar em avião e reuniões sociais. Agora, elas podem recorrer à gripe suína como desculpa adequada para cancelar viagens e eventos.
Mas, a maioria da população, embora preocupada, está – ainda – longe de estar em pânico. Não descarto que nas próximas semanas as pessoas fiquem em pânico, caso os casos de morte continue crescendo (o que é bem possível, já que estima-se que o pico da expansão da gripe ocorrerá daqui a duas semanas). Mas, no momento, isso ainda não ocorre.
Diversas festas de aniversário foram canceladas ou adiadas, por temor à concentração de pessoas. Viagens idem, especialmente para o sul da Argentina. A Patagônia é uma das regiões que mais temor inspiram, já que as baixas temperaturas ali criam condições para pegar qualquer tipo de gripe.
Os restaurantes estão bastante mais vazios do que no início do ano. Mas, esses estabelecimentos estavam começando a ficar vazios há dois meses por causa da recessão. Fica difícil saber se aquela cadeira vazia no café da esquina hoje está vazia pela crise econômica ou pelo medo à gripe suína.
Nas ruas poucas pessoas utilizam a máscara cirúrgica.
Mas, as pessoas compraram máscaras a granel nas últimas semanas, já que elas estão escasseando. Não usam as máscaras compradas, peculiar paradoxo.
Álcool em gel, sim. As pessoas em Buenos Aires estão usando muito para limpar as mãos após pegar um ônibus, um táxi ou ao chegar em casa.

Gripe não impediu realização de jogos de futebol. Comerciantes de Liniers, bairro do time Vélez Sarsfield, aproveitaram o mix “temor pela epidemia e fanatismo futebolístico” para vender máscaras com o logotipo do clube
GRIPE E FUTEBOL
Diversas federações esportivas argentinas decidiram, por prevenção, suspender as atividades durante as próximas semanas. Entre elas, a União Argentina de Rugby (UAR) que suspendeu as atividades até o dia 20 de julho.
Os principais clubes de hockey, golfe e remo também cancelaram suas atividades e competições.
O tradicional campeonato de carros de corrida TC 2000, que seria realizado no dia 26 deste mês em Santa Fe, foi adiado para outubro por causa do avanço do vírus H1N1 nessa província.
A maratona “Kleenex”, marcada para este domingo nos parques de Palermo, em Buenos Aires, também foi adiada.
Mas, apesar do avanço da gripe, que coloca a Argentina no primeiro lugar em mortes na América do Sul, o futebol não está sendo afetado. O forte lobby dos times da primeira divisão determinaram que continuarão realizando os jogos previstos.
A Associação de Futebol da Argentina (AFA) autorizou a realização do encerramento do Campeonato Clausura, realizado neste domingo no estádio José Almafitani, do clube Vélez Sarsfield, no bairro de Liniers, na área oeste da capital argentina.
Mais de 45 mil torcedores assistiram o embate entre os times Huracán e Vélez Sarsfield, que disputaram o troféu. Simultaneamente, outros 20 mil torcedores estiveram aglomerados no estádio de Huracán em Parque Patrícios, para ver o jogo em um imenso telão. Os especialistas sustentam que as duas concentrações, de tal magnitude de pessoas, foram uma “irresponsabilidade social”.
No entanto, no meio das críticas à realização do jogo, comerciantes do bairro de Liniers, sede do Vélez Sarsfield, não perderam a oportunidade e venderam máscaras cirúrgicas com o logotipo do time estampado.
SUÍNA E VACAS MAGRAS
Diversos governos provinciais anunciaram recesso do setor administrativo público ao longo de julho. A província de Misiones, onde registraram-se várias mortes, terá três semanas de recesso do funcionalismo. A província de Catamarca, paralisará as atividades da administração durante dez dias.
Em Buenos Aires, diversos serviços estão sentido os efeitos do temor da gripe suína, além da recessão. Esse é o caso dos teatros, os quais, segundo a Associação Argentina de Empresários Teatrais (Aadet), tiveram uma queda de 70% nas vendas de entradas. O cenário é sombrio, já que julho é tradicionalmente o mês de maior atividade teatral na capital do país.
A dupla recessão-gripe suína teria causado, segundo Associação de Hotéis, Restaurantes, Confeitarias e Cafés (Aahrcc), uma redução de 50% no movimento, em comparação com a mesma época do ano passado.
Diversos serviços online de compras a supermercados, como Coto Digital e Le Shop, registraram um aumento de 30% em suas vendas
As estimativas realizadas por consultorias econômicas em Buenos Aires indicam que as perdas geradas pela gripe suína complicariam a delicada situação da economia argentina, abalada pela recessão.
As estimativas oscilam entre perdas de US$ 1 bilhão a US$ 10 bilhões. O economista Dante Sica afirma que antes da gripe calculava que o PIB argentino teria uma queda de 2% neste ano. Mas, sustenta, “a gripe poderia ter um custo adicional”.
Outras estimativas, do setor de turismo, um dos mais atingidos a curto prazo pela gripe, indicam que o país (só no turismo) teria perdas de US$ 2,5 bilhões neste ano.
A cidade de Bariloche, um dos principais centros turísticos do país, será duramente afetada neste mês, já que a própria prefeitura decidiu suspender a viagens de formatura de alunos. Mais de 90 mil estudantes que estão concluindo o segundo grau terão que adiar as viagens à Bariloche para depois do dia 21 de julho.
O Cassino Central, um dos símbolos do balneário de Mar del Plata, que no inverno costuma concentra um grande volume de turistas da terceira idade, anunciou que suspenderá suas atividades por causa do elevado risco que implica a elevada concentração de pessoas em seus salões.
Segundo as estimativas, as ausências trabalhistas provocadas pelo vírus H1N1 poderiam provocar perdas salariais de 15% aos trabalhadores na Argentina. Além disso, a produtividade industrial poderia apresentar uma queda de 10%.

Suína tenderá a agravar tempos de vacas magras
PROVÍNCIAS E MUNICÍPIOS AGEM MAIS RÁPIDO
Diversas províncias, além de governos municipais, decidiram não ficar esperando medidas mais rigorosas por parte do governo de Cristina Kirchner e aplicaram, isoladamente, determinações para evitar grandes concentrações de pessoas.
Vários municípios da província de Buenos Aires estipularam a suspensão do funcionamento de bares, cafés, pizzarias, casas de show, cinemas, bingos e discotecas.
Na cidade de San Isidro, na zona norte da Grande Buenos Aires, a prefeitura proibiu que menores de 18 anos entrem em shopping centers até quinta-feira.
MISSAS, SEXO E A RECEITA FEDERAL
A acelerada expansão da gripe suína na Argentina também está alterando a vida religiosa dos argentinos. Em Santa Fe, para evitar contágios, os padres não darão as hóstias na boca dos fiéis nas missas. A comunhão será feita colocando a hóstia na mão da pessoa que comunga. Além disso, o clero recomendou que os fiéis mantenham uma distância “prudente” uns dos outros nos bancos das igrejas.
Em Quilmes, a Diocese recomenda que os fiéis, na hora de desejar a paz, evitem o aperto de mãos.
Na cidade de General Villegas, no interior da província, as missas foram suspensas nos templos de todo o município. As cerimônias religiosas foram transmitidas pelos canais de TV local e as estações de rádio.
Em Buenos Aires, fontes da Cúria indicaram que a suspensão da missas só seria adotada se (tal como ocorreu no México semanas atrás) caso o governo ordene a suspensão de todo tipo de encontros públicos.
Na capital do país, no entanto, as autoridades sanitárias não ordenaram o fechamento de estabelecimentos. Mas, o fluxo de clientes de cinemas e shoppings caiu drasticamente.
Além dos shoppings, discotecas e restaurantes, o temor à gripe suína também afetou a atividade das trabalhadoras do sexo.
Segundo porta-vozes da Associação de Mulheres Meretrizes da Argentina (Ammar), o volume de clientes despencou 50% por medo ao contágio do vírus H1N1.
Os motéis também estão registrando quedas que oscilaram ao redor de 20% neste fim de semana.
A Administração Federal de Receitas Públicas (Afip), a Receita Federal argentina, anunciou que fechará suas portas até o dia 17, como medida preventiva perante a expansão da gripe.

Marquês de Rabicó, nosso suíno-mor e sua ex-esposa Emília (lembram que casaram em ‘Reinações de Narizinho? E também divorciaram-se verbalmente no mesmo livro) e uma vaca anônima (bom, eu não lembro o nome de bovino algum na obra de Monteiro Lobato) vasculham o horizonte
BRASILEIROS EM BUENOS AIRES, quais hospitais públicos podem procurar na cidade:
Os assessores da Secretaria de Saúde do governo da cidade de Buenos Aires afirmaram que a rede pública atende não somente os cidadãos argentinos, mas qualquer estrangeiro.
“Sem dúvida, atenderemos os brasileiros que estejam de férias aqui na cidade”, me disseram na Secretaria de Saúde do governo da cidade de Buenos Aires.
Essa informação foi confirmada pelo Consulado do Brasil em Buenos Aires, que indicou que os brasileiros são atendidos sem problema algum nos hospitais públicos argentinos.
Aqui segue uma lista dos hospitais portenhos. Segundo a Secretaria de Saúde, no meio desta crise da gripe suína, todos os hospitais transformaram-se em hospitais de referência.
http://www.buenosaires.gov.ar/areas/salu…
Desta lista de hospitais públicos, o mais prestigiado na área da gripe suína é o Muñiz.
Outro hospital de destaque é o M.Ferrer, de doenças respiratórias.
E, para aqueles que ficarem na área da Retiro-Recoleta-Palermo, uma opção é o hospital Fernández.
Recomendo que imprimam a lista (na hora da correria não há tempo para entrar na internet…).
Cada hospital tem um link, com mais dados sobre cada instituição.
PEQUENO GLOSSÁRIO SOBRE A GRIPE E QUANDO ALGUÉM PASSA MAL:
Gripe suína: gripe porcina
Febre: fiebre
Tenho febre: tengo fiebre
Suor: sudor
Eu suei muito ontem à noite: sudé mucho ayer a la noche
Sinto calafrios: siento escalofrios
Não tenho fome: no tengo hambre
Tenho sede: tengo sed
Estou doente: estoy enfermo
Estou muito doente: estoy muy enfermo
Este é o telefone de minha família no Brasil, caso aconteça alguma coisa comigo: este es el teléfono de mi família en Brasil, si me pasa algo
Preciso ligar para o Brasil, por favor: necesito llamar a Brasil, por favor
Um médico por favor: un médico, por favor
Enfermeira: enfermera
Andar (de um hospital, por exemplo, “o quarto andar”): piso (por exemplo, traduzindo a frase anterior, “el piso quatro”)
Muito obrigado: muchas gracias
ATENÇÃO
TEATROS FECHADOS, por causa da gripe suína:
A Associação de Produtores Teatrais anunciou às 15:20 hs desta segunda-feira que não haverá obras teatrais na cidade de Buenos Aires e no resto do país durante 10 dias.
As autoridades portenhas não haviam proibido a realização de obras teatrais. Mas, por prevenção, a Associação dedidiu tomar essa medida.
Tal como havia dito acima, as medidas de prevenção podem tornar-se mais rigorosas ao longo da semana.
Elas podem vir em pacote ou de forma isolada. E podem ocorrer mais medidas amanhã como também podem passar dias para o anúncio de novas medidas.
Para aqueles que venham a passeio na cidade, recomendo que preparem um bom plano de caminhadas. Isto é, uma alternativa ao ar livre, para o caso de mais lugares fechados nos próximos dias.

Bom início de semana a todos!
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O astrólogo López Rega (do lado esquerdo da foto) foi a eminência parda do último governo de Perón. Mas, quando o velho presidente faleceu, transformou-se no verdadeiro poder atrás da viúva de Perón. Há 35 anos López Rega protagonizou uma das mais bizarras cenas da História argentina
Há exatamente 35 anos, às 10:00 da manhã do dia 1 de julho de 1974, Juan Domingo Perón, presidente da Argentina e o líder político mais polêmico e influente do século XX no país começou a perder o ar. Sentado em uma poltrona, com dificuldade para respirar, abria a boca, desesperado. Uma enfermeira o abanava com um leque. Perón teve uma série de rápidas convulsões, murmurou “estou indo, estou indo embora” e caiu no chão.
O velho general, de 78 anos, com o peso de várias revoluções, três presidências turbulentas, 18 anos de exílio, somado a seu polêmico retorno ao país e a tarefa de governar um país dividido, estava com o organismo alquebrado. Naquele dia, estava tendo um ataque cardíaco.
Os médicos irromperam no quarto da residência presidencial de Olivos apressadamente, acotovelando-se para tentar impedir sua morte.
No entanto, já era tarde. O monitor cardíaco indicava que a vida de Perón havia se transformado em uma linha reta.
No canto do quarto, observava em silêncio a vice de Perón, que também era sua esposa, a ex-dançarina de cabaré (no Panamá) Maria Estela Martínez de Perón, conhecida como “Isabelita”.
Nesse instante entrou no quarto o “El Brujo” (O Bruxo), como era chamado o esotérico José López Rega, ex-policial, ex-mordomo do casal Perón, astrólogo, ministro de Perón, líder da Triple A (organização para-militar que assassinou mais de quatro centenas de civis) e eminência parda do governo. “O general já morreu uma vez e eu o ressuscitei!”, gritou, empurrando os médicos.
Segurando o corpo o general pelas canelas, o esdrúxulo “El Brujo” fechou os olhos e começou a gritar “Meu faraó, não vá embora!”, enquanto sacudia o cadáver de Perón, diante dos olhares estupefatos das pessoas presentes. “Acorda, meu faraó!”, insistia.
Depois de vários minutos aos gritos, fazendo passes ‘mágicos’, tentando ressuscitar o homem mais poderoso da Argentina, López Rega desistiu. Perón não ressuscitou.
López Rega culpou os médicos que estavam na sala de terem complicado sua concentração.
Duas horas depois, “El Brujo” comunicava aos argentinos que o presidente havia falecido.
Nos três dias seguintes, ao longo dos quais milhões de argentinos ostentaram uma braçadeira negra, o país ficou virtualmente “isolado” do resto do mundo, já que foram proibidas todas as notícias na mídia que não fossem relativas ao defunto líder, seus funerais e repercussões.
A viúva de Perón assumia como presidente. ‘El Brujo’ transformava-se no verdadeiro poder. O país começava um dos períodos mais turbulentos e sombrios de sua História.

‘El Brujo’, atrás de Isabelita, já viúva, na sacada da Casa Rosada
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