ir para o conteúdo
 • 

Antonio Prata

30.novembro.2010 17:33:25

Pensamento chicletoso

Na maior parte das vezes é um trecho de música, mas pode ser também fala de filme, verso de poesia ou uma frase solta, sem qualquer sentido aparente – é o que, na falta de nome melhor, chamo de pensamento chicletoso. Ele chega sorrateiro, você nem percebe: quando se dá conta, já está lá, instalado no trapézio da consciência como um cunhado na poltrona da sua casa, numa tarde de domingo, grudado aos seus neurônios como chiclete na sola do sapato.

Anteontem, por exemplo, acordei de ressaca, entrei numa ducha fria e, assim que a água bateu na testa, revolvendo ideias há muito adormecidas nas catacumbas da memória, vi-me repetindo, inteirinha, a fala do vilão de um dos piores desenhos animados que já existiram, Thundercats: “Antigos espíritos do mal, transformem essa forma decadente em Mumm-Ra! [Pausa] O de vida eternaaaaa!”. Faz quase quarenta e oito horas que, a cada vinte minutos, mais ou menos, minha vida é interrompida pela evocação maligna de “Mumm-Ra [pausa] o de vida eternaaaa!”. É como um vício: cigarro mental ao qual volto inúmeras vezes, do momento em que abro os olhos até a hora de fechá-los novamente.

Há pensamentos chicletosos que somem depois de um tempo, mas outros ficam para sempre, agarrados aos rabinhos dos neurônios como os sacis à crina dos cavalos. É o caso, por exemplo, de um trecho da trilha sonora de Pulp Fiction, que contraí ao assistir o filme, numa remota noite do século passado e, desde então, vai e volta das trevas para a consciência, da consciência para as trevas, ao seu bel prazer: “Get Down, get down! Jungle booggie. Tananananã!”. (O tananananã é a parte instrumental). Faz mais de dez anos. Estou cansado. No meio de uma reunião de trabalho: “Get Down, get down!”; enquanto espero o troco no posto: “Jungle Booggie!”; com a cabeça no travesseiro: “tananananã”.

De todos os exus mnemônicos com quem convivo, contudo, os piores são as músicas infantis. Minha mulher não sabe, mas no almoço de ontem, enquanto discutíamos uns pormenores sobre o vazamento no box do chuveiro, meu ar de cansaço nada tinha a ver com a preguiça de resolver os perrengues domésticos: era o resultado de uma manhã inteira ouvindo, ininterruptamente, “serra, serra, serrador, serra o papo do vovô”, no maldito rádio instalado dentro do meu cérebro. “Atirei o pau no gato” eu canto tanto, mas tanto, que já não me basta o português. “Atiré el palo en el gato…” ou “I threw the stick on the cat” são a música de fundo de boa parte dos momentos que passo sobre a Terra.

Outro dia, tive a mórbida alegria de descobrir que meu ídolo, Julio Cortázar, também sofria de acessos semelhantes. Numa crônica do livro Um tal Lucas, o escritor argentino conta que, no meio de um banho, pegou-se dizendo, com “visível prazer vingativo: Now shut up your distasteful Adberkunkus!” (Agora cale-se, seu intragável Adberkunkus). Só no fim da chuveirada, depois de repetir a admoestação várias vezes, foi se perguntar quem, ou o que, seria um Adberkunkus, por que o estava mandando calar-se e, mais ainda, qual a razão de fazê-lo em inglês? Questões essas que o deixaram acordado a noite toda e permaneceram sem solução, enquanto, de tempos em tempos, continuava demandando ao Adberkunkus que calasse a boca – ou o bico, a tromba: vai saber por onde sai o som de tal ser.

A alegria por saber que minha loucura era compartilhada pelo ilustre escritor, contudo, durou pouco: mal fechei o livro e abri a geladeira para pegar uma coca, me vi gritando, mentalmente: “Agora cale-se, seu intragável Adberkunkus!” – em português, inglês e espanhol.

Já desisti de me curar. Encaro como uma doença crônica, que vem e vai. Podia ser asma, sinusite, malária, é o pensamento chicletoso: de tempos em tempos ele vem, me aporrinha, depois some, fazer o que? O negócio e tocar pra frente – “get down, get down!” -, aproveitar bem os intervalos – “serra o papo do vovô” – e tentar ser feliz assim mesmo – “jungle boogie”–, sabendo que certas coisas não se calam, por mais intragáveis que sejam, e por mais que imploremos em todas as línguas, conhecidas ou inventadas – “tananananã.”

comentários (42) | comente

42 Comentários Comente também
  • 30/11/2010 - 17:41
    Enviado por: Thais Navarro

    eu sofro do pensamento chicletoso, muito bom saber que não sou única nessa “doença”. :)

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 17:48
    Enviado por: André Freitas

    “Spartans! Ready your breakfast and eat hearty, for tonight we dine in Hell!”

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 17:49
    Enviado por: Mateus Barbosa

    também sofro deste mal. talvez até de forma mais intensa, crônica. Acho que estou em estágio terminal.

    “Wait for my sinal, wait for me”, grita até hoje morgan freeman, na minha cabeça, para o esquadrão anti-bombas, ao ver uma van se aproximar com um presente sinistro para o policial interpretado por brad pitt, em seven.

    Sempre que alguém aguarda algo de mim, ou espera por mim, é assim que respondo/

    “Já vi que estou só com os meus princípios”. Encerro assim, com a fala do amigo de Ferris Bueler ao rejeitar pegar a ferrari do pai escondido, em Curtindo a Vida Adoidado, qualquer discussão de mesa de bar.

    Acordo de mal humor, e repito o vincentão, de Ariano Suassuna, para o primeiro que aparece na minha frente. Encaro e grito, imitando a voz matuta e tudo: “Hoje eu acordei doidinho pra matar um”.

    Acho que estou doente. Mas pelo menos não estou só.

    “Não sei, só sei que foi assim”.

    (bela crônica, parabéns)

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 17:55
    Enviado por: Luís

    Comigo, acontece um troço bizarro: frequentemente me vem a voz de um narrador de futebol (indefinido; pelo menos não é nenhum que eu reconheça) dizendo: “bateeeeu pro gol… na traveeee!”. A coisa é tão séria que, quando é possível (entenda-se por isso quando estou em casa, e sozinho), não apenas escuto, mas interpreto a ação – um chute, a expectativa com a viagem da bola e a frustração pelo choque com a trave.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 17:56
    Enviado por: Jefferson Sato

    G-E-N-I-A-L!!!
    Eu também sofro com essa maldição, como muitos outros leitores, sem dúvida.
    Lendo o texto, notei um certo padrão. Você passou por isso no banho, Julio Cortázar passou por isso no banho. Eu costumo ter isso durante um banho também.

    Aliás, grande parte das minhas idéias (todas completamente aleatórias, vale notar) acontecem durante um banho. Será possível que banhos provocam caos mentais nas pessoas? Talvez devêssemos prestar mais atenção nisso. Pode ser uma descoberta revolucionária.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 18:05
    Enviado por: Ricardo

    Em alemão existe uma palavra para isso: “ohrwurm”, que é “verme do ouvido”.

    responder este comentário denunciar abuso

    • 01/12/2010 - 02:40
      Enviado por: flora

      em alemão existe uma palavra pra tudo. “Bin gar keine Russin, stamm’ aus Litauen, echt deutsch” é um dos meus ohrwurm.

      responder este comentário denunciar abuso
  • 30/11/2010 - 18:16
    Enviado por: marina

    curioso. sabe que com bastante freqüência eu me faço uma mesma pergunta, q não faz o menor sentido. essa mesma pergunta, ela nao é plagiada da tv, do cinema, ou de música. é só uma pergunta. tem algumas variações.ontem mesmo tava pensando como eu odeio isso enquanto abria a geladeira.

    somos todos loucos?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 18:30
    Enviado por: Tweets that mention Pensamento chicletoso « Antonio Prata -- Topsy.com

    [...] This post was mentioned on Twitter by Luana Gomes, André Freitas. André Freitas said: "Spartans! Ready your breakfast and eat hearty, for tonight we dine in Hell!" http://bit.ly/gx9WW1 [...]

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 18:46
    Enviado por: Mariana Bonfim

    Como assim o Thundercats é um dos piores desenhos animados que já existiram!? Você não teve infância, por isso tem pensamentos chicleteiros recorrentes…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 20:03
    Enviado por: Sérgio

    “Sur le pendant de quelque agréable coline, j’aurais une petite maison rustique. Une maison blanche avec des contrevents vertes”.
    Isso é Rousseau, que li em 1958, na escola. Desde então, de vez em quando, inexplicavelmente, volta. Como agora.
    Por culpa sua, diga-se. Agora vou ficar com isso na cabeça por mais um tempo. Eu que não me lembrava disso há uns dois meses…
    Rarará…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/11/2010 - 21:37
    Enviado por: Nina Vieira

    “É uma verdade universal que, quando um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, vai ao campo, é porque deseja se casar.”
    Esta é mais ou menos a tradução de Lúcio Cardoso para o primeiro parágrafo da obra Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, que desde o início do meu colegial gruda na minha cabeça.

    Talvez por já não ser uma verdade tão universal assim.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 00:15
    Enviado por: Maria Carolina

    Estudo jornalismo e adoro o que você escreve e como direciona! Parabéns, quero um dia escrever coisas tão boas assim.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 00:55
    Enviado por: marcelo b.

    td semana, enchicleta algo, mas musica é o pior…fui no show dos smashing pumpinkis, e colou td na cabeça…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 01:27
    Enviado por: pedro borges

    “já chegou o disco voador” (de procedência bem conhecida), “sim, não dou” (pai judeu de um vizinho ao afirmar que sim, não lhe daria um bicicleta) a música da introdução do “pulp fiction” e a do solo de sax, “não me deixe, pica-pau!” (do mesmo lobo que diz: “três pra vc e um, doi, três, pra mim, aliás, outro pensamento chicletoso), “acabou, é tetra…acabou é penta!”( do gritalhão galvão bueno), “ôôôô… páginaaaa… (de um professor de ciências qeu tive no SENAI), “porrada/nos caras que não fazem nada!” (titãs)”orê gorê, gorê gorare (de um bêbado doidão que ronadava o aeroporto de congonhas, usando chapéu e sobretudo de piloto), são alguns dos pensamentos chicletosos que me seguem. não me atormentam, nos damos bem.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 07:49
    Enviado por: kukubahhhh

    Eu não sofro desse mal, tenho completo controle da minha mente!

    kukubahhhhhhhhh

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 10:44
    Enviado por: I. Go

    Meus pensamentos chicletosos (pensei que fosse só eu!):-
    1) tive uma professora de frânces que era japonesa (!), chamava-se Setsuko e vivia repetindo: “prestenção!” (ela queria dizer “presta atenção”); isso não sai da minha cabeça, passados mais de 40 anos! Aliás; um colega muito engraçado vivia repetindo o nome dela assim: “sete suko, oito suko, nove suko, etc”.
    2) um trecho da letra em alemão da música cantada pela escultural Marlein Dietrich no filme “Das Blau Engel” (O Anjo Azul): “Ich bin vom kopf biss fuss auf lieben eingestellt” (Sou feita/o de amor dos pés à cabeça).
    Pratinha; você sempre se supera!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 12:12
    Enviado por: Ana Maria dos Santos

    aaaaaaaaiooooo! Silver!
    Muito bom seu texto! Pelo jeito é uma epidemia.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 12:22
    Enviado por: Bruna

    Música péssima que invade a minha cabeça sempre que alguém começa uma frase com “qual é a diferença…”. Eu canto, confesso, em altíssimo volume: “Qual é a diferença entre o charme e o funk? Um anda bonito e o outro, elegante!!!”. Desculpem, é péssima, eu sei.
    Eu deveria me chicotear insistentemente…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 14:59
    Enviado por: Dedé

    Quando crianças, minha irmã e eu tínhamos o costume de nos ameaçar mutuamente com pensamentos chicletosos: quando eu não cedia aos comandos dela, a fofa imediatamente começava a cantar bem alto uma canção muito irritante que tínhamos aprendido na escola. E vice-versa. Era uma espécie de tortura.
    Depois que tive filhos, grande parte dos meus pensamentos chicletosos passaram a ser canções temáticas infantis: “como pode um peixe vivo viver fora da água fria – como poderei viver, como poderei viver, sem a sua, sem a sua…”

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 20:53
    Enviado por: Lombra

    Putz, e o hino da bandeira? “Salve lindo pendão da esperança, salve símbolo augusto da paz, tua nobre presença a lembrança…” – de lascar…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 21:25
    Enviado por: Henrique

    Prata,
    Tbm tenho esse negócio, os psiquiatras chamam de pensamentos intrusos! Meus pais tem um livro na sala, de casas na grécia, que o título, em grego, volta e meia invade a minha cabeça! BODENSEE-OBERSCHWABEN…. é grego ou alemão, depois que entra na cabeça, não há quem consiga tirar. Opa, acabei de colocar no google, trata-se de uma região da Alemanha…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 21:41
    Enviado por: marcia

    Glúon, cadê vc??

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 21:45
    Enviado por: Glúon

    .
    ____________
    .
    Pratakunkus
    .
    ___________
    .
    Trecho de música
    Fala de filme
    Verso de poesia
    Frase solta
    Post “Pensamento chicletoso”
    .
    ______________________________
    .

    responder este comentário denunciar abuso

  • 01/12/2010 - 23:50
    Enviado por: Marcela Ortolan

    Você acertou em cheio, Antonio, parabéns! Deste lado da tela eu dei risadas gostosas de pura identificação. O que costuma pegar chicletamente por aqui são trechos de poesia. Agora, não existe pensamento mais chicletoso do que o pensamento apaixonado… A pessoa fica em looping eterno naquele cinema mental em que esqueceram o filme rodando na velha máquina de projeção. Um abraço

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/12/2010 - 08:22
    Enviado por: Elton

    Veio a calhar!

    Ontem eu reclamava que há dias cantava Papel Machê, do João Bosco. Eu e minha companheira, aliás. Eu estavamos ficando loucos com tanto ai ai ai ai ai le le le le le le lon lon lon lon lon. Foram mais de 100 horas, tudo graças a um barzinho na sexta a noite. Ontem, um amigo me prescreveu o remédio: você precisa ouvir música. Batata! Hoje, ao acordar, minhas primeiras palavras foram Meu vizinho jogou / Uma semente no meu quintal.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/12/2010 - 14:38
    Enviado por: Robert

    Rapaz, voce me poupou muitas horas de análise, posso ser louco mas agora sei que não estou sozinho! Eu tenho varios pensamentos chicletosos, totalmente nada a ver. Tem uma musiquinha de uma estrofe só que eu inventei uns 30 anos atras ( a melodia é plagio sei lá de que, a letra é non sense) e que cantarolo até hoje, em especial em frente ao espelho. Meu primeiro chefe, quando eu tinha 19, me falou uma coisa a toa, uma unica vez e eu repito até hoje. Mas tenho uma tese: um bom chicletoso desses funciona como valvula de escape, a gente bota as loucuras para fora e ela não toma conta da gente, no fundo é bom. Eu desconfio de quem não tem pensamentos chicletosos, são todos loucos varridos!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 02/12/2010 - 23:49
    Enviado por: Mariana Soares

    Acho que todo mundo já passou por isso. Eu,por exemplo, vivo com músicas e jingles na cabeça. Essa semana tem uma palavra que não me larga: arseniato de estricnina :s . Ótimas crônicas!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 03/12/2010 - 16:05
    Enviado por: Deborah Mendes

    Não sei o que é pior, música infantil ou música brega!

    “Você é a luz, é a estrela e luar…”

    ARGH!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 03/12/2010 - 16:06
    Enviado por: suen

    Credo! Eu também sofro desse mal. Adoro um monte de música super cool, mas vivo me pego cantarolando cada coisa horrível. Quero me curar. Vamos perguntar para o “Flávio” o que ele acha disso?

    responder este comentário denunciar abuso

  • 03/12/2010 - 20:22
    Enviado por: Fatima

    gostei muito dessa cronica, jamais imaginei ter essa coragem que voce teve, mas comigo aconteceu diversas vezes de vir também esse pensamento chicletoso, nos lugares que pode-se dizer proibidos as vezes estou na igreja e me vem eu e meu marido em momentos intimos, nossa que raiva, ai eu falo deus perdoe-me.e as musicas que insistem, em cantar no seu cerebro,também vem gafes que cometi a tempos atras e insistem em martelar minha mente. Enfim descobri que sou normal.
    gosto de tudo que escreve

    responder este comentário denunciar abuso

  • 05/12/2010 - 09:53
    Enviado por: Juliana

    Fazia tempo que eu não lia uma crônica com a qual eu me indentificasse tanto! Parabéns! Vivo com frases do Faroeste Caboclo invadindo minha cabeça enquanto dirigo. Viro a esquina e “o tempo passa e um dia vem na porta um senhor de alta classe com dinheiro na mão…” E toda vez que alguém comenta sobre alguma música chata, essas duas palavras – “música chata” – fazem meu cérebro automaticamente reproduzir: “Ice, Ice, Baby – tã, tã-tã, tã-tãrãrãrã”. Meus filhos ficaram duas semanas ensaiando “Santa Claus is coming to town.” Acho que só me irritou nos dois primeiros dias, depois cantei junto. Agora toda hora parece que estou numa loja de departamento americana, com música de fundo num looping sem interrupção. Mas isso não me preocupa. As músicas do presente vão embora rapidinho. O problema são as do passado. Essas não vão embora nunca mais.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 07/12/2010 - 16:38
    Enviado por: Luís

    Um belo dia, recebi a visita da minha irmã, acompanhada de minha sobrinha de dois aninhos. Ela trouxe o DVD do tal “Galinha Pintadinha” – dizem que é sucesso entre as crianças. Aquilo é um verdadeiro reprodutor em larga escala de pensamentos chicletosos. Fiquem longe da faixa “Mariana conta um, Mariana conta um: é um, é um…” se quiserem continuar suas vidas de forma normal.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 08/12/2010 - 02:33
    Enviado por: Mariana

    C’est vrais! E também tem aqueles episódios chicletentos que aparecem com data marcada, como agora na época de Festas. Veja que mesmo não estando no Brasil há anos, continuo sendo visitada pela voz da Simone com o indefectível: ” Então é Natal, e Ano Novo também” … E , como não podia deixar de ser, ela também vem em Inglês na voz de Jhon Lennon ( Happy Christmas, The War is Over). Ah e têm as musicas das caixas de voz dos brinquedos… Como a do alce-noel que tivemos por anos na casa de meus pais, e que, por anos, cantava incessantemente a mesma chicleterrima sentenca: “You better watch out, you better watch out, Santa Claus is comming to town”. Mesmo sem o bendito alce nesse natal, foi eu montar minha arvore aqui que o bicho se materializou na minha memoria , chacoalhando e cantando, ” you better watch out, you better watch out, santa claus is comming to town”… Que venha entao, e leve o alce de dentro de mim, for God’s sake!!

    responder este comentário denunciar abuso

  • 08/12/2010 - 12:19
    Enviado por: Rafael Turella

    Magnífica crônica!

    O único problema é que hoje estava sendo um belo dia sem ser perseguido pelo serra serra, serrador! Mas já que você me lembrou, talvez ele fique mais alguns dias repetindo.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 08/12/2010 - 12:33
    Enviado por: Mariana Schwarz

    Antônio! AMEI essa crônica.
    Eu SEMPRE escuto Jungle Boogie. Aliás, hoje é dia de passar horas tocando no meu cérebro depois da sua crônica. Mumm-Ra também foi repetida hoje durante a batalha com o despertador. Dentre os meus chicletosos estão: “Say hello to my little friend”, aquela musiquinha “Good morning my dear teatcher, good morning how are you? (…)” que eu subo cantando mentalmente no elevador todas as quartas e sextas indo pro inglês.
    Parabéns mais uma vez!
    BTW seu livro vai presentear boa parte dos meus amigos e parentes esse Natal.
    Um abraço.

    responder este comentário denunciar abuso

  • 09/12/2010 - 14:02
    Enviado por: rafa

    nem me fala nessa neurasss… eu tenho a mania de ficar contando enquanto estou caminhando.. e isso é muito chatoo..

    responder este comentário denunciar abuso

  • 10/12/2010 - 00:01
    Enviado por: Thaís Amaral

    Já tive muito disso, mas meu ápice de irritação foi fazer a prova de matemática do vestibular com Pussycat Dolls na cabeça…

    responder este comentário denunciar abuso

  • 12/12/2010 - 18:14
    Enviado por: Dricolina

    Muito bom, ri demais aqui!
    Bem melhor que a imagem chicletosa do momento ( que ja me dura 2 meses, valha-me Deus!)

    responder este comentário denunciar abuso

  • 30/12/2010 - 01:20
    Enviado por: Letícia N

    Deus, eu ri muito!
    Meu pensamento chicletoso do dia é uma música dos Beatles “if i fell in love with you…”
    Obrigada por alegar meus dias, Antônio, você é um inspiração, mesmo.

    responder este comentário denunciar abuso

Deixe um comentário:

Arquivos

Blogs do Estadão