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Antonio Prata

11.janeiro.2010 03:30:58

Os outros

Você não acha estranho que existam os outros? Eu também não achava, até anteontem, quando tive o que, por falta de nome melhor, chamei de SCA – Súbita Consciência da Alteridade.

Estava no carro, esperando o farol abrir e comecei a observar um pedestre, vindo pela calçada. Foi então que, do nada, senti o espasmo filosófico, a fisgada ontológica. Simplesmente entendi, naquele instante, que o pedestre era um outro: via o mundo por seus próprios olhos, sentia um gosto em sua boca, um peso sobre seus ombros, tinha antepassados, medo da morte e achava que as unhas dos pés dele eram absolutamente normais – estranhas eram as minhas e as suas, caro leitor, pois somos os outros da vida dele.

O farol abriu, o pedestre ficou para trás, mas eu não conseguia parar de pensar que ele agora estava no quarteirão de cima, aprisionado em seus pensamentos, embalado por sua pele, tão centro do Cosmos e da Criação quanto eu, você e sua tia avó.

Sei que o que estou dizendo é de uma obviedade tacanha, mas não são essas verdades as mais difíceis de enxergar? A morte, por exemplo. Você sabe, racionalmente, que um dia vai morrer. Mas, cá entre nós: você acredita mesmo que isso seja possível? Claro que não! Afinal, você é você! Se você acabar, acaba tudo e, convenhamos, isso não faz o menor sentido.

As formigas não são assim. Elas não sabem que existem. E, se alguma consciência elas têm, é de que não são o centro nem do próprio formigueiro. Vi um documentário, ontem de noite. Diante de um riacho, as saúvas africanas se metiam na água e formavam uma ponte, com seus próprios corpos, para que as outras passassem. Morriam afogadas, para que o formigueiro sobrevivesse.

Não, nenhuma compaixão cristã brotou em mim naquele momento, nenhuma solidariedade pela formiga desconhecida. (Deus me livre, ser saúva africana!). O que senti foi uma imensa curiosidade de saber o que o pedestre estaria fazendo, naquele momento. Estaria vendo o mesmo documentário? Dormindo? Desejando a mulher do próximo? Afinal, ele estava existindo, e continua existindo agora, assim como eu, você, o Bill Clinton, o Moraes Moreira.

São sete bilhões de narradores em primeira pessoa, soltos por aí, crentes que, se Deus existe, é conosco que virá puxar papo, qualquer dia desses. Sete bilhões de mundinhos. Sete bilhões de chulés. Sete bilhões de irritações, sistemas digestivos, músicas chicletentas que não desgrudam da cabeça e a esperança quase tangível de que, mês que vem, ga-nharemos na loteria. Até a rainha da Inglaterra, agorinha mesmo, tá lá, minhocando as coisas dela, em inglês, por debaixo da coroa. Não é estranhíssimo?

comentários (63) | comente

63 Comentários Comente também
  • 11/01/2010 - 04:09
    Enviado por: deysiavila

    Eu sempre penso nos outros, mas no hora de dormir é que a indagação fica mais pertubante…o que fazem os outros antes de dormir?

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  • 11/01/2010 - 04:37
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    Não seria o contrario? O outro é conhecido. Nós somos desconhecidos. Exemplo: o outro vai morrer. Nós não.

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  • 11/01/2010 - 09:39
    Enviado por: Elisa Grinspum

    Antonio,
    Ainda bem que dentre esses 7 bilhões, existem algumas centenas, quiçá milhares de cabeças iluminadas, que tornam o rame-rame do dia-dia menos besta. Você realmente é um deles, delicioso de ler…
    Outro dia, estava eu no metrô e vi aquela horda de pessoas subindo as escadas. Pensei que cada uma daquelas pessoas tem uma casa, tem um emprego, produz lixo, quer ser feliz. Mas claro, que na minha conversa comigo mesma, com deus, com os astros, com a escada rolante, achei-me diferente de todos eles. Você explicou o porquê. É que eu, sou eu. E, se eu morrer, tudo acaba, pelo menos para mim…
    Ainda bem que existem pessoas como você que fazem da obviedade tacanha, obra de arte.
    beijo
    Elisa

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  • 11/01/2010 - 10:17
    Enviado por: Lili

    Sim, é estranhíssimo. Eu tive isso há uns dois anos atrás, quando eu racionalizei e percebi que o Jude Law faz cocô. Foi muito estranho. Ele faz cocô e tem remela. A Angelina não fica o tempo todo pensando como ela é rica, bonita e tem o Brad Pitt, ela pensa em vômito de neném, o que comer na janta e unha encravada. O cabelo dela talvez até tenha pontas duplas e ela sabe.

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  • 11/01/2010 - 10:41
    Enviado por: mila

    É muito estranho. Sempre penso nisso, mas nunca seria capaz de expor esses pensamentos com tamanha precisão.

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  • 11/01/2010 - 12:09
    Enviado por: Glúon

    ________________

    Papo de leitores
    ________________

    - Por que será que o Prata foi minhocar um post deste?
    - Porque ele enxerga a vida de uma forma excêntrica e surreal…
    - Mas às 03:30:58 da madrugada?
    - Vai ver que deu formiga na cama, né?

    _______________________________________________________

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  • 11/01/2010 - 12:28
    Enviado por: Suzana

    Nossa Antônio, você descreveu exatamente o que eu pensava quando eu era criança, acho que foi meu primeiro pensamento filosófico. Lá pelos meus 4 ou 5 anos eu achava que o mundo foi criado para mim, e as pessoas também, para serem minha familia, meus amigos, etc. Só que eu via a minha irmã e achava que ela devia pensar a mesma coisa, que o mundo foi criado pra ela, e não pra mim, pois eu fui criada pra ser irmã dela! E dai eu não entendia mais nada, não sabia o que era certo ou errado. Até hoje eu não sei muito bem, apesar de saber pelos meus estudos que cada pessoa é diferente e necessária para o universo. Em todo o mundo e em toda a existência do ser humano não existiu, não existe nem vai existir um igual ao outro. Por isso na verdade não há o outro, somos todos o um, e cada um deve descobrir sua missão na vida. Mas desde os meus 5 anos até hoje isso ainda é muito profundo pra minha cabeça. Abraços!

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  • 11/01/2010 - 12:58
    Enviado por: Aline Nogueira

    Para variar…

    FANTÁSTICO!!!

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  • 11/01/2010 - 13:59
    Enviado por: Gabriela Lhama

    Pratinha !

    Diantes de todas suas crônicas que já li , tenho um ranking pessoal e essa certamente estará na 3º posição .
    1º : O Salto
    2º : Bar ruim , é lindo bicho !
    3º : Os Outros.

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  • 11/01/2010 - 13:59
    Enviado por: Camila Tardin

    Maravilhoso Antonio!
    Sempre penso a respeito disso, mas escrever sobre uma “obviedade tacanha” é difícil… Definitivamente não é para qualquer um. Adorei! Parabéns.
    Att

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  • 11/01/2010 - 14:07
    Enviado por: letícia n.

    Colocou em palavras uma das minhas reflexões.
    Quantos outros será que não pensaram sobre isso ou estão pensando agora?

    Adoro suas crônicas!
    (:

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  • 11/01/2010 - 17:25
    Enviado por: valdemir de Castro

    Antonio,
    Como é gostoso ler suas crônicas. Você fala de coisas que eu penso mas não consigo explicar com tamanha maestria.

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  • 11/01/2010 - 17:33
    Enviado por: Nina Vieira

    SOBRE OS OUTROS:

    Sabe Antonio, eu me denomino uma “cronista amadora e egoísta” pelo simples fato de que não consigo enxergar tão bem o mundo ao meu redor, com exceção do espaço ao redor do meu umbigo, embora muitos afirmem que sou observadora (mas o que é uma cronista, além de uma observadora do tempo?). Gosto de olhar para as pessoas, é verdade. Faço delas personagens mentais, mas que não vão para o papel. Preguiça pura. Já tive essas viagens filosóficas tão naturais do nosso cotidiano. Eu, uma outra para você, você, um importante e significativo escritor para mim. Entenda: Nem todo Outro é qualquer um.

    SOBRE PELO TELEFONE:

    Esqueci de comentar essa crônica sua, da qual gostei bastante. Gosto muito da imaginação fértil do Mário (que você certamente herdou, sendo um pouco mais sério, o que é até melhor), ele que tão bem escreve e que tem viagens filosóficas muito mais intensas, creio. Houve uma crônica dele, até falando sobre ti, da qual gostei muito, cheguei até a publicar em meu blog – “Separei e Mudei”. Lembrei-me de uma ótima crônica sua – “O Salto”. A família prata tem muita sensibilidade.

    Abraços.

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  • 11/01/2010 - 18:32
    Enviado por: Rita Gomes

    Suzana: pensamentos muito similares ao seu eu tinha quando era criança, achei que era soh eu.

    Gabriela: o salto e bar ruim tambem sao os meus preferidos.

    Antonio: casa comigo?? :D

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  • 11/01/2010 - 19:19
    Enviado por: cris

    Você é um gênio!:) Tenho 18 anos e leio suas crônicas fielmente.Quero ser igual a você quando eu crescer!

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  • 11/01/2010 - 23:03
    Enviado por: Thais

    Putz, quando eu era criança tb descobri os outros. A minha descoberta foi assim: eu estava pela casa brincando e pensando, pensando e brincando até que eureka! A ficha caiu e cheguei a conclusão que todos os outros tb pensavam! e se todos os outros ao meu redor pensavam a quantidade de coisas que eu pensava então mundo estava lotado de pensamentos! Era muuita coisa, num devia ter nenhum espacinho mais pra nada…
    bjs

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  • 12/01/2010 - 14:40
    Enviado por: Gustavo Loss

    Antônio, eu geralmente gosto muito das suas crônicas, mas esta eu achei bem fora de propósito, nada a ver mesmo … porém ao ler os comentários de outros leitores me dei conta de algumas coisas interessantes sobre a arte/desafio de escrever (1) você tem que ter coragem de escrever o que der na telha mesmo, sem grandes preocupação com a crítica e (2) existe neste mundo uma diversidade tão grande (e maravilhosa) de opiniões, sentimentos, momentos pessoais, etc que uma mensagem bem escrita e sincera vai acabar tocando positivamente um bom número de pessoas.

    Parabéns por escrever sobre o que tem vontade, mesmo eu que não gostei do texto pude extrair algumas reflexões interessantes. Abs.

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  • 12/01/2010 - 15:06
    Enviado por: Guilherme

    Pensar no outro, para mim, é muito parecido com a maneira que você descreve. Entretanto, a hora que isso mais acontece comigo é ao me deparar com um mendigo, um pedinte, alguém realmente pobre. Aquela pessoa é uma pessoa como eu! Que frio ela sente? Que fome ela tem? Como será dormir neste lugar? O que ela pensa quando me vê do lado de lá? Pior, o que ela pensa quando dá de cara com um vidro de um carro e um outro como ela a ignora como se fosse a pior merda do mundo? Por isso, tento ser muito agradável com essas pessoas. Elas já passam por tanto, por que eu vou ser mal-educado, desagradável? Quem sou eu para isso?

    Será que é nesta epifania que pára o ego e aparece a compaixão?

    Parabéns pelas crônicas!

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  • 12/01/2010 - 17:25
    Enviado por: Roberto

    Prata: só pra complicar mais.

    Quando vc veste sua camisa de seda, já pensou o que aconteceu com ela antes chegar em suas mãos?

    O bicho que produziu o fio, as senhoras chinesas que tearam o fio, as costureiras, as passadeiras, os empacotadores, a viagem de avião ou navio, os atacadistas, os vendedores…efim…toda cadeia produtiva?

    Dá pra perceber que numa simples camisa, quantas pessoas contribuiram para que vc a vestisse?

    Viajante não é?

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  • 12/01/2010 - 18:15
    Enviado por: Alemos

    O Jude Law faz cocô mas usa Dior Homme Sport.

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  • 12/01/2010 - 18:46
    Enviado por: I. Go

    Pratinha; quando eu morrer deixarei de ser “o outro” para todos, mas todos continuarão existindo!; entretanto todos deixarão de ser “o outro” para mim, pelo simples fato de que “mim” deixará de existir!
    A existência é um conjunto de crenças na vida; o homem é mortal, mas a humanidade é eterna!
    Mas, felizmente, nada disso se prova, daí a existência continuar a existir por força da crença!

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  • 12/01/2010 - 21:38
    Enviado por: Ricardo Chapola (CHAPS)

    Prata,

    estonteia-me notar o brilhantismo que emana de seu texto. Por mais ocas que as palavras possam ser em alguns contextos (sobretudo neste de “Os outros”), você, meu caro, consegue enchê-las de significado com um simples retoque bem à sua moda.

    Sua visão de mundo, até mesmo de coisas demasiadamente frívolas como pensar em obviedades tacanhas, adquirem a impressão cabal de que tudo aquilo foi o acontecimento mais memorável e extraordinário.

    Você tem muitos fãs, eu sei. Assim mesmo, ser-me-ia uma honra dizer-lhe que você pode contar com toda a minha admiração e honrarias.

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  • 12/01/2010 - 21:54
    Enviado por: Riccardo (California,USA)

    Hungaras. Boas pessoas que nunca vi e nunca mais vou ver na vida.Pra mim olho para “os outros” com grande fascinio quando estou em alguma viagem principalmente em lugar distante da minha vidinha boa.

    Acabei de passar o ano novo em Amsterdam. Do Schipol airport rumo a Amsterdam num trem lotado de pessoas a maioria obviamente indo ao trabalho falando uma lingua impossivel de entender(holandes).E depois num barzinho batendo uns papinhos gostosos (em ingles) com tres fulanos do Yemen uma Polonesinha e duas

    Pra mim OS OUTROS e que fazem a vida fascinante.

    abs

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  • 13/01/2010 - 07:55
    Enviado por: juliana vaz

    quando compreenderemos que nós também SOMOS os outros?
    abraco
    :)

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  • 13/01/2010 - 11:53
    Enviado por: Srta. Rosa

    Ahhhh, que texto ótimo! É tão óbvia a realidade que a gente esquece né? Muito bom lembrar com um texto deste calibre.
    Agora me diga uma coisa: sou só eu que sempre confundo o Moraes Moreira com o Alceu Valença?
    Mas se a gente se confunde, que dirá dos outros, né mesmo?

    Bjs,

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  • 13/01/2010 - 19:26
    Enviado por: Rone

    Demais, genial ;D

    Sempre penso que eu sou o centro do universo, e todas pessoas também devem pensar assim.
    Incrível…

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  • 13/01/2010 - 19:39
    Enviado por: Mima

    Sabe que desde pequenininha eu nao paro de pensar que existam os outros? Acho informacao demais para o disco rigido universal ter um mundo todo próprio dentro da cabeca e dos olhos de cada individuo. Como é possível processar isso?! Nessas horas, acho que realmente tem que haver um Deus. Alguem deve se entreter com tantos pontos de vista entrelacados!

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  • 14/01/2010 - 11:39
    Enviado por: Natal Marchi

    As crônicas me fascinam. Parece pessoas conversando ao vivo. E em cores. Quando bem alinhavadas, quanto as suas, tornam-se mais criativas ainda. Parabéns!

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  • 14/01/2010 - 15:07
    Enviado por: Mariana

    Oi!

    Olha, sobre a crônica, preferi a anterior (ja tinha dito:)) mas na verdade estou aqui pra te perguntar se você conhece algum boca no trombone onde se possa publicar o texto abaixo (site, lousa de por quilo, qualquer canto). A autora sou eu mesma

    beijinho

    Mariana

    Em São Paulo, crianças não têm direito de nadar

    Há oito anos nasceu minha afilhada, uma menina linda, e muito desejada pelos pais. Calhou que justamente nesse ano eu parti pra trabalhar na França e acabei passando oito anos fora do Brasil. Fui logo depois do batisado, eu e a mãe dela mantinhamos contato pela internet. De quando em quando eu mandava presentinhos pelo correio, ou levava, nas poucas vezes em que pude vir visita-la.

    Durante esse tempo todo tentei manter o contato, e ela nunca me pediu nada. Nunca vi criança assim, eu perguntava do que ela gostava e ela me respondia “gatinhos”. Resultado: adesivos, gatinhos de pelúcia, desenhos, cartões postais, onde eu via um gatinho, eu mandava pra Victoria.

    Vamos combianr que, por mais fofos que fossem os gatinhos, é um pouco limitado como atuaçao pra uma madrinha né? Fiquei muito frustrada de nao poder conhecer mais a “gatinha”, quais eram suas preferências (além dos gatinhos), o que ela não gostava, enfim, o tempo passou, eu voltei esse natal, e essa semana a reencontrei. Depois de tanto tempo, ela passa uma semana de férias comigo.

    Ontem eu sai com ela no shopping, ela queria ir ao cinema mas desistiu quando viu o tamanho da fila (essa criança é um anjo). Nós tiramos fotos, tomamos água de coco, ela comeu DEZ pães de queijo (!!), tomamos sorvete e ela me disse que queria aprender a boiar porque os pais dela (de Curitiba) não têm tempo de levar ela à piscina. Ela podia ter me pedido o céu e as estrelas que eu daria, mas ela só me pediu um dia numa piscina, pra eu ensiná-la a boiar. Achei justo.

    Além de afilhada ela é minha prima, eu sou sócia do SESC e ja tinha me preparado pra fazer a inscriçao no Pacaembu, achei que seria mole, talvez saísse meio caro fazer exame médico, mas não estava lá muito preocupada… Ledo engano. Acabei de voltar de uma peregrinaçao na qual eu descobri que, nao sendo mãe ou avó de uma criança, nao tenho o direito de leva-la à piscina e ponto final.

    Fica a dica: em alguns países mais justos, entra-se numa piscina como se entra num cinema: pagando um ingresso. Concordo e aprecio o fato de se pedir um exame dermatológico, sem mais, mas impedir uma criança de entrar numa piscina, com o calor que está fazendo? Por que?

    Resultado, Victoria tem oito anos, nao sabe boiar e, a nao ser que eu me inicie na arte de falsificação de documentos, nao vai aprender tao cedo…

    Mariana Crepaldi de Paula

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  • 14/01/2010 - 15:56
    Enviado por: Graça

    Eu já tive SCA! É uma coisa muito louca mesmo, a gente começa a pensar e tentar adivinhar o que se passa nas mentes alheias, coisa e tal. ‘Maior’ viagem ficar imaginando essas coisas.

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  • 14/01/2010 - 16:25
    Enviado por: Priscilla Rios

    Prata, não é a toa que você tem tantos comentários, seus textos são o máximo. E indo mais além nessa tietagem, ouso dizer no que se refere a ídolos, mártires ou pessoas simplesmente dignas de admiração, que a ideia do OUTRO parece estar ainda mais distante da SUA realidade. Parece que o OUTRO, vem de OUTRO PLANETA. Que tomar coragem e ir até lá se apresentar para ele não vai bastar para conhecer as minhocas que vivem na cabeça dele. E do lado desses célebres, que a gente quer ser quando crescer, a gente se sente formiga (quando estou num arranha-céus também me sinto assim) e por mais que diga que se joga da ponte ou faz ponte e se afoga pra ele passar, no pega pra capar, você acaba sendo mais você e apenas torce para que os outros também saibam nadar.

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  • 14/01/2010 - 17:28
    Enviado por: regiane

    Adorei! É exatamente o que eu penso: como pode outras pessoas que se acham tão únicas e têm uma vida própria tão única quanto a minha?

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  • 14/01/2010 - 20:06
    Enviado por: Mariana

    Complemento

    As maravilhosas atendentes do SESC Pompéia (pra onde liguei inconformada agora ha pouco), me deram a informação crucial do dia: Nas unidaes Itaquera e Interlagos, existe o tal sistema “paga ingresso e use a piscina” Show, se nao chover, Victoria aprende a boiar esse findi.

    Moral da historia: nunca se deixe desencorajar por secretárias negativas; outras unidades do SESC so faltaram me perguntar o que eu fazia com uma menina que nao era minha filha :)

    Isso dito é sempre bom guardar em mente que se trata apenas de um quebra galho, e que o serviço público deveria proporcionar opções nesse sentido (no Pacaembu faltou o cara me mandar pra Curitiba!!)

    Tô feliz :)

    Brigada por publicar o comentário nada a ver com teu blog :)

    Mariana

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  • 14/01/2010 - 20:42
    Enviado por: Katia

    Caramba… acho que não devo mais ler suas colunas ou acabo pirada rsss.

    Estava eu agora arrumando a bagunça de documentos que virou meu armário com todas aquelas pastas e documentos esquecidos pois me casarei em maio e o novo espaço será beeeem menor.

    Eis que me deparo com uma (entre dezenas) pasta onde guardei recortadas as colunas que você fazia para a revista Capricho em 2002 !!! imagine você que eu as guardei por 8 anos !!! reli algumas e resolvi procurar por você na internet ( sim eu deixei uma zona de papeis atras de mim e te joguei no google rss).

    Qual foi a primeira coluna sua que encontrei? aquela sobre “a gaveta” rsss.

    Quase cheguei à conclusão de era uma pessoa normal…. até que me deparei com esta coluna …

    é o fim rsss

    vou voltar à arrumação do guarda roupas antes que me hipnotise e comece a ler todo o seu arquivo de colunas disponível na internet !!!

    rsss.

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  • 15/01/2010 - 08:18
    Enviado por: I. Go

    Mariana (14-01/15:07): fiquei profundamente “tocado” pelas suas palavras; acho que o Brasil é um país que “pede” para ser enganado.
    Sugestão: fala com o Sarney; quem sabe ele consegue uma carteirinha do Sesc pra Victória; ele consegue tanta coisa!
    Um beijo de avô na Victória e muitos gatinhos para ela!

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  • 15/01/2010 - 09:03
    Enviado por: carlos

    na verdade seriam 14 milhoes de chules, supondo que nao existam vitimas de minas terrestres e diabetes.

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  • 15/01/2010 - 14:28
    Enviado por: Anna H.

    Prata, entendo perfeitamente sua preocupação. Nossa existência é de fato um mistério. Há quem diga (mistura de filósofo com cientista) que ela não passa de ilusão. Também já pensei: e se eu não tivesse nascido ? Aonde estaria agora,santo Deus…O mais perturbador,depois de saber que outros existem, é se perguntar porque eu sou eu e não outra pessoa. Já o poeta francês Rimbaud nos deu uma sugestão interessante : ‘Je est un autre’ (eu É um outro). De vez em quando é bom se colocar no lugar de alguém e sentir como ela/ele a vida. Adorei sua reflexão.

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  • 15/01/2010 - 14:57
    Enviado por: Giovanna

    Eu não vou morrer…óbvio que não…
    vc vai, o pedestre vai, eu não…rs

    Mas o legal é que cada um que por aqui passa deixa a sua marca, e nunca morre completamente…o Benjamin Abrahao por ex já morreu, mas deixou aquele croissant enorme de gigante de gostoso de herança para nós !

    Espero que vc já tenha saboreado os salgados da Benjamin…

    =)

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  • 17/01/2010 - 00:05
    Enviado por: carla

    Adorei esse texto… Volta e meia penso essas coisas… Certa vez fiquei observando uma pessoa na calçada, e quando ela se foi, fiquei (por dias) imaginando o que ela estaria fazendo e pensando naquele momento… “Eu morrer?” Ora, mas aí acaba tudo… hehe…

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  • 17/01/2010 - 12:36
    Enviado por: Léia Carvalho

    estranho é ser gente…
    estranho é ler isso…
    estranho é achar isso bom se nem entendo o que você diz

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  • 17/01/2010 - 16:26
    Enviado por: Gleici

    Adorei ler isso aqui. Pelo menos agora sei que não sou a única que pensa nessas coisas.

    Já ouviu a música “Palavras Repetidas” do Gabriel Pensador? Acho que esse trecho mostra bem a individualidade de cada um entre os “OUTROS”.

    “Sou um grão de areia no olho do furacão
    em meio a milhões de grãos
    cada um na sua busca, cada bússola num coração
    cada um lê de uma forma o mesmo ponto de interrogação.”

    –>Parabéns pelo blog.

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  • 17/01/2010 - 18:52
    Enviado por: victoria

    Prata,

    Está faltando uma coisa neste seu blog do estadão.

    Tem que ter um link pra gente enviar o texto para um amigo!

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  • 18/01/2010 - 01:26
    Enviado por: Eu

    Sem vergonha esses cronistas brasileiros ein.

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  • 18/01/2010 - 14:06
    Enviado por: Andrey Minorelli

    Esse papo de “os outros” tá parecendo LOST. E, se pensarmos bem, é quase isso. Com a diferença que não estamos aqui por interesse de outrem. Ou estamos?

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  • 18/01/2010 - 20:27
    Enviado por: Victor

    Hehe, ótimo texto!

    Esse tipo de pensamento eu sempre tenho, sempre nesses momentos sem noção. É realmente estranho pensar q nós somos só mais um passante na vida de muita gente, que o mundo não gira em torno de nós.

    Um abraço!

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  • 19/01/2010 - 12:36
    Enviado por: Flávia Oliveira

    Prata,
    deliciosa esta crônica, hummm, como uma bomba de chocolate, e não engorda! Adorei. Para além do meu paladar devo dizer também que sou professora de filosofia no ensino médio e vou pedir aos meus alunos que leiam Os outros – ‘acordar’ com prazer é sempre bom.
    Beijinhos.
    Flávia.

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  • 19/01/2010 - 13:55
    Enviado por: Amanda

    eu sempre entro em parafusos quando começo a pensar nesse assunto, por isso, na maior parte do tempo, acho que sou personagem principal de toda história. egocêntrico, mas muito menos enlouquecedor.

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  • 19/01/2010 - 14:57
    Enviado por: Tapioca

    Hahahahahah

    Excelente!

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  • 19/01/2010 - 23:22
    Enviado por: Érica

    “Cada uma dessas luzes marcava, no oceano da escuridão, o milagre de uma consciência. Sob aquele teto alguém lia, ou meditava, ou fazia confidências. Naquela outra casa alguém sondava o espaço ou se consumia em cálculos sobre a nebulosa de Andrômeda. Mais além seria, talvez, a hora do amor. De longe em longe brilhavam esses fogos no campo, como que pedindo sustento. Até os mais discretos: o do poeta, o do profesor, o do carpinteiro. Mas entre estrelas vivas, tantas janelas fechadas, tantas estrelas extintas, tantos homens adormecidos…”

    Saint-Exupéry, Terra dos Homens

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  • 20/01/2010 - 10:13
    Enviado por: Milene

    Antônio,
    Esses pensamentos sempre estão presentes na minha vida também. É bom ler e se identificar, não se sentir ET! Obrigada.

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  • 20/01/2010 - 12:38
    Enviado por: Natal Marchi

    Escrevo em vários Jornais, mas nunca em forma de crônicas. Ao ler atentamente as suas, percebi que posso ampliar meu raio de ação. Quanto aos “outros”, que poderiam ser chamados também de “semelhantes”, é importante que saibamos de sua existência. De outra forma, como poderíamos conviver com eles? Viemos ao mundo para viver em sociedade, não isoladamente. O que tem a dizer sobre meu comentário de hoje?

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  • 21/01/2010 - 18:15
    Enviado por: Margareth de Ataide Boccalini

    Caro Mario.

    Fiz uma prova para o Concurso da Prefeitura de Cabo Frio e a questão foi anulada, falava sobre um texto seu.” Moveis ao Mar”
    Por favor me ajude.
    Não só eu como muitos outros candidatos foram prejudicados
    Segue a questao
    Ao ler-se o texto pode-se dizer que o mesmo tem o objetivo de:
    a) conscientizar o leitor
    b) discordar de uma opinião.
    c) informar o leitor sobre a cidade do RJ.
    d) denunciar a falta de cuidado com os móveis.
    e) comentar a ocorrência de unm fato histórico

    Muita gente marcou a A e no primeiro gabarito estava correta a letra A.
    Agora com o novo gabarito a correta seria a letra e.
    Segundo você qual seria o objetivo desse texto?
    Voce poderia me ajudar pois perdi pontos nessa questão?
    Um abraço
    Margareth Boccalini

    Resposta do Antonio: Mario?

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  • 21/01/2010 - 23:25
    Enviado por: Marcele

    Será que realmente lê todos esses comentários? Cara, alguém aí disse tudo o que eu penso: QUERO SER IGUAL A VOCÊ QUANDO EU CRESCER! Hahaha

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  • 22/01/2010 - 14:32
    Enviado por: Guilherme Benassi

    Quem são os outros, quem serão os leitores desse blog, o que eles fazem, o que estão pensando na hora de colocar um comentario.
    Quem é a Milene, o Natal, a Erica, o Tapioca, .., o que eles comem, o que eles fazem nos feriado.
    Quem sou eu, alem de mim mesmo.

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  • 24/01/2010 - 01:57
    Enviado por: Thaís

    Adorei a crônica. Essa questa sempre me passa pela cabeça ( atormenta seria a pelavra correta) várias e várias vezes. Acho que só depois de filosofar sobre ela é possível “se colocar no lugar dos outros”. Também acredito que tal observação dos outros e curiosidade sobre o que habita suas mentes nos fazem ansiar mais ainda pelo conhecimento. A propósito, gostaria de agradecer, pois sua crônica “móveis ao mar” salvou meu trabalho de geografia sobre a organização e dinâmica do urbano : )
    Thaís

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  • 24/01/2010 - 16:25
    Enviado por: Luis

    Será que eu sou mesmo eu? Já dizia Macabeia 30 anos atrás.

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  • 24/01/2010 - 22:04
    Enviado por: Raisa Araújo

    Amei sua crônica.

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  • 26/01/2010 - 19:06
    Enviado por: Jonis

    Rapaz, muito já divaguei sobre essas e outras questões metafísicas da existência coletiva. Sem chegar a lugar algum, óbvio.

    Algumas tentei expressar, com algum otimismo, apertando alguns botões em sequência.

    Estão lá no muitohorrorshow.com.br

    Se tiver de bobeira, numa entresafra de epifanias, vê lá.

    Ou, se quem estiver lendo for o tal transeunte, ve lá também.

    Em tempo: ótimo texto.

    Abs.

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  • 01/02/2010 - 03:51
    Enviado por: renata

    Simplesmente adorei!

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  • 17/04/2010 - 17:05
    Enviado por: Isabella Cabral

    Oi, Antônio!
    Me chamo Isabella (como vc pode ver aí) sou de Recife e sou uma antiga leitora sua, quer dizer nem tão antiga assim pq tenho 22 anos.
    Mas falo antiga pq lia vc na Capricho rs,nem sei se vc ainda tem aquela coluna lá…
    Eu tava na net sem ter o que fazer (pra variar) e me deu vontade de ler algo engraçado, pensei em vc, quer dizer, pra ser sincera me veio primeiramente o nome do seu pai pra pôr no google, sempre confudia seu nome com o de seu pai (novidade…)
    Mas tenho lembranças muito boas de suas colunas, me lembro que tinha crise de risos, mas tem uma em especial, peraê eu vou lembrar qual era…Ah, lembrei!
    Era uma que era uma análise criteriosa da letra do “Atirei o pau no gato” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Bem, risos à parte, mas adorei esse seu post (nem sei se chama assim) às vezes eu achava que era a única pessoa que tinha essas ideias viajadas, achei muito legal vc escrever sobre uma coisa tão simples, um pensamento simples…

    bj

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  • 05/06/2010 - 20:19
    Enviado por: Carolina

    Muito estranho mesmo.

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  • 20/06/2010 - 11:57
    Enviado por: Ana Cris Gontijo

    Moço Prata,
    Há alguns dias postei um comentário no seu blog, sobre um texto que escrevi como tentativa de dialogar com esta crônica aqui.
    Adoraria ao menos saber se você leu. :o )
    http://notasdeaprendiz.blogspot.com/2010/06/eu-mim-e-mim-mesma.html
    Outro abraço de fã,

    AnaCris

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