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Antonio Prata

22.agosto.2010 23:48:10

Diga: trinta e três

Trinta e três. Quem diria. A adolescência foi na última quinta, ainda há resquícios dela na estante de CDs, no seu vocabulário, num canto do armário – uma camisa xadrez que não vê a luz do sol desde um show do Faith no More, em 1997 -, mas são resquícios. Vez ou outra você está no supermercado, comprando saco de lixo, queijo minas light e amaciante e vê uma turma de garotos e garotas carregando garrafas de Smirnoff Ice e sacolas de Doritos. Você olha para as franjas lambidas dos meninos, para os piercings das meninas e percebe, meio assustado, que aquele é um mundo distante. Sente alguma vergonha do seu carrinho.

Diga, trinta e três: trinta e três. Diga: o que você fez? A essa altura da estrada, uma parada é inevitável. Você desce do carro, contempla a vista do mirante. Não é um olhar para trás, como devem fazer os velhos, ao fim da vida – ou devem evitar fazê-lo, dependendo -, mas um olhar em volta: isso aqui sou eu. Daqui pra frente, não vai mudar muito, vai? Já deu tempo de descobrir que você não é um gênio da matemática, nem um fenômeno da ginástica olímpica.

Trinta e três anos. A idade de Cristo, alguém diz, e você logo pensa, repetindo um dos cacoetes de sua faixa etária: o que ele já tinha alcançado, com a minha idade? Bom, tinha transformado água em vinho, multiplicado peixes e pães, andado sobre as águas, levantado defuntos e conquistado uma multidão de fiéis em toda Judéia, Galiléia, Samaria, Efraim e arredores. E você, que não tem nem casa própria? Bom, também, naquele tempo era mais fácil – você tenta se consolar -, não tinha tanta concorrência e, oras, o cara era filho de Deus, o que não só abre portas, abre até o mar vermelho! Mas você se compara, mesmo assim: Jesus deve ter andado sobre as águas com o que? Dezessete? Orson Welles fez Cidadão Kane com vinte e cinco. Rimbaud escreveu toda a obra até os dezenove! E você tão feliz por ter conseguido mais quinze seguidores no Twitter.

(O lance do Mar Vermelho… Foi com Jesus ou com Moisés? Céus, trinta e três anos e você não sabe uma coisa dessas? Será que um dia vai saber? Quando tem treze, ou vinte e três, acha que uma hora vai aprender tudo o que não sabe, basta ficar parado que as coisas naturalmente virão e entrarão na sua cabeça. Agora você percebe que talvez passe a vida ignorando certos assuntos. Mar Vermelho. As regras do gamão. Francês.)

Pense: um homem. Pense: uma mulher. Adultos, no sentido mais abstrato, como um casal num livro de inglês ou num vídeo de normas de segurança do DETRAN. Espécimes maduros do homo sapiens sapiens: eles devem ter a sua idade. Talvez tenham filhos. Você tem filhos, ou ainda não? Repare no “ainda não”, pois de todas as coisas que você não conquistou até agora, há que saber discernir entre as que podem vir acompanhadas por um “ainda não” e aquelas das quais é melhor desistir. Andar sobre as águas, gênio da matemática, fenômeno da ginástica olímpica: não é pra todo mundo. E aos trinta e três anos, meu chapa, é a hora de admitir: você é todo mundo. Sei que é difícil. Viu filmes da Sessão da Tarde demais, propagandas da Nike demais, foi mimado demais para admitir que Deus não passou mais tempo moldando a sua fôrma do que a do vizinho do 71. É a não compreensão desse banal infortúnio que faz com que haja em tantos rostos de sua idade um brilho opaco, um fungo que brota onde o sol não bate forte o suficiente: o ressentimento.

Acredite em mim: aos trinta e três anos, de Jesus pra baixo, todo mundo é ressentido. Não é que as pessoas vivam vidas ruins, as aspirações é que são muito altas. A Sessão da Tarde, as propagandas da Nike… Seu emprego é bom, mas o salário é ruim. O salário é bom, mas o chefe é mala. O chefe é você, mas os prazos não te dão sossego. Sempre tem um cunhado que ganha mais, um vizinho cuja grama é mais verde, o próximo cuja mulher é mais fornida; Jesus, aos trinta e três, o Orson Welles, aos vinte e cinco – e o mau exemplo do Rimbaud eu nem comento.

Trinta e três anos. Você para. Desce do carro. Olha em volta. Você é o que queria ser quando crescesse? Não exatamente? Por que não? Será que dá pra mudar? Quanto dá pra mudar?

É preciso achar lugar no peito para as frustrações. É preciso lidar com o ressentimento e não deixar, em hipótese alguma, que ele se transforme em cinismo – se ressentimento é fungo, cinismo é ferrugem. Agora volte para o carro e siga em frente. Se tudo der certo, você não está nem na metade do caminho.

Diga, trinta e três: trinta e três. Quem diria.

comentários (87) | comente

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87 Comentários Comente também
  • 22/08/2010 - 23:58
    Enviado por: Rodrigo

    me lembrou uma crônica do Verissimo, quando ele completou setenta e poucos anos, refletindo sobre as possibilidades que ele teria na vida nessa idade: concluiu que poderia ainda ser Papa.

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    • 23/08/2010 - 15:58
      Enviado por: Antonio

      Essa crônica?

      Luis Fernando Verissimo

      Eu sabia que esse negócio de fazer aniversário todos os anos não ia dar certo. A gente acaba envelhecendo. Às vezes, me pego pensando no que vou ser quando crescer e me dou conta de como minhas opções diminuíram. Não tenho mais idade para ser nada. Só me animo quando vejo uma lista de prováveis candidatos a sucessor do papa. A idade média deles é 70. Ser papa é uma das poucas coisas a que eu ainda posso, realisticamente, aspirar. Mas minha única credencial para o cargo é a idade. Não sou cardeal, não sou nem praticante. Devo ter deixado minha fé no bolso da fatiota azul, de calças curtas, com que fiz minha primeira comunhão. E a única coisa de que me lembro do evento, além da fatiota (e da gravata prateada!), não é a emoção de receber a hóstia e o rito eucarístico, são os doces que tinha em casa, depois. Acho que foi ali que fiz a minha opção preferencial pela perdição. Invejo quem tem fé, mas não posso deixar de pensar que a minha religião particular, uma espécie de panteísmo urbano (devoção por pastéis de carne e boas livrarias e a crença de que há um deus, sim: o deus do oboé, que além de ser um instrumento divino é o que afina todos os outros), é a única sensata, em meio ao que não deixa de ser – se bem examinada – uma crise mundial do monoteísmo.

      Bons tempos em que, em vez de não ter mais idade, nós ainda não tínhamos idade. E sonhávamos com tudo o que viria, quando tivéssemos. Entrar em filme proibido até 14 anos. Beber e fumar. (O importante não era a bebida e o cigarro, era a pose que se fazia bebendo e fumando. Ficar adulto era adquirir a pose.) Beijar como beijavam nos filmes – principalmente os proibidos até 14, já que nos proibidos até 18 ninguém sabia o que acontecia. Ficar acordado até mais tarde. Ganhar a chave da casa. Dirigir carro. Usar bigode. Ainda não ter idade era ficar pinoteando no partidor, indócil, como um cavalo esperando a largada. Não ter mais idade é ficar com esta impressão de que até um ato de revolta por tudo o que não fizemos quando tínhamos idade e agora não dá mais, não seria apropriado para a nossa idade.

      Chama-se vida essa lenta transformação da frase, de ainda não ter idade para não ter mais idade. Ou de poder ser, teoricamente, tudo o que se sonhasse, a poder ser, teoricamente, só papa. E por pouco tempo.

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  • 23/08/2010 - 00:04
    Enviado por: Becka Cupaiolo

    Ah, Antonio, vou dizer o que?

    Que se eu for metade da escritora que você é hoje com quase 33 eu já serei muito feliz e grande parte daquilo que eu queria ser quando crescesse? Isso tudo porque você é o motivo pelo qual eu comecei a escrever 8 anos atrás. E pensando nesses 8 anos e como eles parecem, na verdade, muito mais eu vejo que o tempo realmente passa rápido e quando nos damos conta temos 20 anos… 33 anos.

    Ainda assim, eu sinto uma leve coragem de descer do carro e olhar a minha volta. Quem sabe isso ajude a definir o que me falta construir, pelos outros, por mim, por quem eu quero ser quando chegar nos 33.

    E você? Parabéns por ter chego nos seus :*

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  • 23/08/2010 - 00:05
    Enviado por: Daniela Carette

    Feliz Aniversario Antonio e nao se desespere… os 33 sao apenas o começo.
    Grande beijo

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  • 23/08/2010 - 00:21
    Enviado por: Mariana

    Quem diria!

    Você, com 33 anos, pode dizer que tem muita gente que te admira sem nem ao menos te conhecer… pessoalmente. Porque que a gente se sente um pouquinho mais próximo lendo suas crônicas por tantos anos, ah, sente.

    Espero também ser assim no auge dos meus trinta e três.

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  • 23/08/2010 - 00:29
    Enviado por: ceci

    curti.

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  • 23/08/2010 - 00:39
    Enviado por: NL

    Nem tão perto – nem tão longe – dos meus trinta e três, já sinto que isso faz sentido.
    Nem é crise e nem nada, apenas reflexão da idade. Do completar mais um ano. Que nem precisa ser exatamente ‘trinta e três’ pra que exista.
    Belíssimo texto, como sempre. Cada vez gosto mais. Parabéns!

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  • 23/08/2010 - 04:06
    Enviado por: Raquel

    Achei ótimo. Você captou o espírito dos que tem 33, como eu.
    Quis compartilhar isso no Facebook mas não funciona. Ainda.

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  • 23/08/2010 - 06:57
    Enviado por: Glúon

    .
    _____________
    .
    Linha do Tempo
    .
    _____________
    .
    Período__________Início
    .
    Triássico______251 milhões anos
    Jurássico______199 milhões anos
    Cretáceo______145 milhões anos
    Paleogeno______65 milhões anos
    Neogeno_______23 milhões anos
    Prata_________1977
    .
    _________________
    .

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  • 23/08/2010 - 08:14
    Enviado por: marcia

    Muito bom!

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  • 23/08/2010 - 08:48
    Enviado por: Luciana C.

    Será que dá pra mudar? Quanto dá pra mudar?
    Precisa ser muito bom pra conseguir colocar uma reflexão dessas, tão comum aos “novos adultos”, sem que fique clichê ou com cara de crise dos X anos. Parabéns! Com seus 33 anos vc já fez e conquistou muito mais que muita gente por aí.

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  • 23/08/2010 - 09:49
    Enviado por: Júlia Schwarcz

    e quando o pessoal da franja te chama de tio, hein? diga: por diós!
    mesmo com uma filha pendurada em cada perna, às vezes teimo em não sentir esse peso da idade — ai, ai.
    muito bom, antonio!
    beijos.

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  • 23/08/2010 - 11:15
    Enviado por: Carol

    “Ainda não” cheguei aos 33. Quase. Mas já é tudo tão familiar… Deve ser o meu lado precoce. Então, quer dizer que eu não sou a única que acha estranho as pessoas adultas serem encaixadas no meu grupo..
    “Ainda sim”, parabéns pelos 33, há muito o que comemorar, com certeza.

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  • 23/08/2010 - 11:17
    Enviado por: Paula

    O máximo!
    Adorei.
    A melhor parte pra mim foi “É a não compreensão desse banal infortúnio que faz com que haja em tantos rostos de sua idade um brilho opaco, um fungo que brota onde o sol não bate forte o suficiente: o ressentimento.”

    Genio! As usual….

    bjos e saudades

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  • 23/08/2010 - 11:20
    Enviado por: Eva

    Rimbaud só escreveu aquilo tudo aos 19 justamente porque tinha 19 anos. Se demorasse mais um pouco só ia escrever listas de mercado e imposto de renda.

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  • 23/08/2010 - 11:48
    Enviado por: Iury

    Prata,

    quando eu crescer, eu quero escrever que nem você. Só que antes do trinta e três.

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  • 23/08/2010 - 11:49
    Enviado por: Julia

    Muito, muito bom!
    Pra variar, você tratando de assuntos que acho super interessantes, de uma forma mais interessante ainda…
    Parabéns, pelo aniversário (adiantado) e pela crônica!

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  • 23/08/2010 - 12:24
    Enviado por: renata

    é, antigamente era mais fácil ter casa própria. e antigamente era mais difícil chegar aos 33. antigamente 33 era meia-idade.. “adultos” com filhos e emprego estável. hoje, 33 é ser jovem.
    “diga 33″? acho que manoel bandeira nem chegou a essa idade. será? todo escritor morria de tuberculose aos 20 e poucos…

    aproveite a juventude!

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    • 25/08/2010 - 13:13
      Enviado por: chico

      Manoel Bandeira passou dessa idade.Mas viveu atormentado com a morte, que poderia vir a qqer momento, causada pela tuberculose, que não tinha tratamento na época.

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  • 23/08/2010 - 13:13
    Enviado por: Livia Cielu

    Prata
    concordo com o que disseram ai em cima, quando tiver 33 quero escrever que nem você. e por consequencia ter tantos fãs que fogem ao nosso conhecimento.
    Não é facil né? mas o fato de que ainda tenho no minimo mais umas algumas dezenas (senão centenas) de textos inspiradores seus para ler antes de eu chegar lá, me dá esperanças.
    Parabéns pelo texto e pelo aniversário!

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  • 23/08/2010 - 13:53
    Enviado por: Alex Martini

    “Se tudo der certo, você não está nem na metade do caminho.”

    E, se tudo der errado, podemos já estar no fim.

    Não importa. Eu precisei chegar aos quarenta para aprender a equilibrar os “comerciais da Nike” à minha vida real. Aprender que não dava mais pra esperar isso e aquilo pra ser feliz. Que precisava baixar a bola, jogar meu jogo tranqüilo, com o que era, com tudo que não tinha conseguido ser, com tudo que jamais conseguiria ser nem ter. Descobri, então, que a vida era muito mais do que os “comerciais da Nike”. Ninguém quis que eu soubesse antes. Pois, então, talvez andasse descalço, e nunca mais visse, os “comerciais da Nike”.

    Descobri, na porrada, que a felicidade, esse estado perene, não podia mais esperar. Estava explodindo à minha porta, como um cavalo selado, era pegar e montar, seguir. Ou ficar me lamentando.

    Seria muito arriscado esperar o fim. Que poderia já estar ali na próxima esquina…

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  • 23/08/2010 - 14:01
    Enviado por: CONVERSAS AO PÉ DO MUNDO

    [...] em 23/08/2010 por Alex Martini Breve reflexão decorrente da leitura da crônica do Antonio Prata, de 2 de [...]

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  • 23/08/2010 - 14:59
    Enviado por: Gustavo Chacra

    Antonio, como sempre, ótima crônica e desculpe a invasão do blog de Beirute/NY no blog de Perdizes. Mas, apenas para lembrar, nunca teve um presidente no Brasil ou nos EUA mais novo do que vc. Tampouco alguém recebeu o Nobel na sua idade. O de literatura, que vc ainda tem chance, fica para depois dos 50. E aguardamos para breve a crônica da gravidez da Julia, que tb ainda tem chance de ser presidente

    Resposta do Antonio: valeu, Guga! É sempre bem vindo! Só escrevo aqui pra evitar qualquer mal entendido: a Julia não está grávida! (Pelo menos, não que eu saiba). É sempre bom ser bem claro nesses assuntos, senão a gente mata do coração meus pais e o da Julia…

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  • 23/08/2010 - 15:21
    Enviado por: Marina Zyrianoff

    Ah, parabéns Prata!
    E não fica frustrado não, trinta e três é só o começo. (Segundo minha mãe) Você vai ver, quando chegar nos quarenta, aí sim a frustração começará! Haha!

    Felicidades, velhinho! :P

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  • 23/08/2010 - 17:08
    Enviado por: Giovana

    Prata, você é brilhante. Eu sou daquelas que cresceu lendo o que você escrevia, desde os tempos da Capricho. Cresci vendo você amadurecer como escritor.
    E aqui estou eu, com um trabalho chatíssimo de Jornalismo Básico I por fazer, com o prazo estourando. Não adianta, pela crônica nova, Jo Básico pode esperar.

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  • 23/08/2010 - 17:11
    Enviado por: Alê Petillo

    Sou teu fã. Vc é mestre.
    Esse texto é um daqueles clássicos, tenha certeza. Tipo a crônica do bar…
    E fiz 33 semana passada… E não tenho casa própria e poucas esperanças de jogar a próxima Copa no Brasil…
    Parabéns!
    abs

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  • 23/08/2010 - 17:42
    Enviado por: FFF

    Como diria Ian Anderson, do Jethro Tull, “Now he’s too old to Rock’n'Roll but he’s too young to die”!

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  • 23/08/2010 - 18:01
    Enviado por: Marco Antônio Bogado

    diga vinte e oito umas três vezes e logo será trinta e três…

    Fantástico!

    Você não cruzou o Mar Vermelho mas escreveu esta crônica.

    E eu ainda não cheguei a tanto.

    Parabéns!

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  • 23/08/2010 - 19:21
    Enviado por: Carlos

    Com a franqueza de uma amizade, permita-me dizer: na medida em que o assina e o publica no Estado de São Paulo, seu texto é cínico. Você não é todo mundo. E isso não é um elogio.

    Parabéns.

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  • 23/08/2010 - 20:13
    Enviado por: carol

    Acho que você devia ler isso:

    “For what it’s worth it’s never too late or, in my case, too early. Be whoever you want to be. There’s no time limit, start whenever you want. You can change or stay the same, there are no rules to this thing. We can make the best or the worst of it. I hope you make the best of it. I hope you see things that startle you. I hope you feel things you never felt before. I hope you meet people who have a different point of view. I hope you live a life you’re proud of, and if you find that you’re not, I hope you have the strength to start all over again”

    Então é nisso que eu acredito. Que nunca é tarde pra mudar tudo.
    Se voce tiver 60 anos e ainda quiser aprender fotografia, cinema, desenho ou matemática, vá em frente e aprenda.
    Talvez seja tarde se você quiser ser o melhor no mundo em alguma coisa, mas de verdade, que diferença isso faz? Na realidade os melhores do mundo nem se quer podem ser chamados de melhores do mundo com toda a certeza. Eu sei que existem milhares de pessoas por ai fazendo coisas incríveis e sem nenhuma obrigação de provar isso ao resto do planeta. E talvez seja justamente isso que torne o trabalho delas melhor ainda.
    Então apenas faça o que você tem prazer em fazer. O resto é consequencia disso.
    É engraçado como hoje em dia aqueles que “desviaram dos trilhos” são os que abandonaram tudo pra ir atrás de algo que realmente gostam.
    Eu penso justamente o oposto. Desviados dos trilhos são aqueles que tomaram outro caminho porque não tiveram coragem para permanecer exatamente onde queriam estar.
    Por os pés no chão é muito fácil. Difícil é ter a coragem de mudar.
    E sinceramente, 33 anos? Você é incrivelmente novo para escrever uma cronica assim. Mesmo que seja uma ótima cronica, como é o caso.

    Beijos
    Carol

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  • 23/08/2010 - 22:13
    Enviado por: Giuliano Alalou Giusti

    Antonio, esse texto está muito, muito bom. Congrats ! Vc tem uma habilidade muito grande de colocar emoções na forma de texto. Abs, Giuliano

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  • 24/08/2010 - 02:26
    Enviado por: Mariana Paiva

    Que texto matador!
    Taí algo que, mesmo ainda não tendo 33 – e sim 26 -, me ocorre. Não dá mais pra ser genial em ginástica olímpica nem aprender delicadezas em balé. E Rimbaud, é aquilo lá mesmo, o máximo que dá pra fazer agora é publicar e ver o que acontece.
    Acordie cedo hoje e seu texto abriu muito bem minha manhã.
    Obrigada.

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  • 24/08/2010 - 10:56
    Enviado por: Jéssica Caroline

    Parabéns pelas lindas palavras e por ter chegado até aqui e parado para refletir. Se algumas pessoas fizessem isso algum momento da vida, o resto dessas vidas seria beem melhor. Tenho 19 anos, completei no último dia 18 e o texto coube direitinho na minha vida. Em plenos 19 anos estou frustrada, mas estou tentando plantar na minha mente que ainda “não cheguei nem na metade do caminho”. Ou pelo menos assim espero,

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  • 24/08/2010 - 11:51
    Enviado por: Rogério Faria

    Antonio,

    Muito bom. Ainda sou novo, sabe como é… Acabei de fazer 30. No fim do mês ainda tento multiplicar os peixes e transformar a água em vinho, como todo brasileiro. Segunda-feira, começo na academia, vai ver descubro uma queda para a ginástica olímpica… E já comecei a escrever a minha obra, no “Twitter”. Até os trinta e três, consigo meus quinze seguidores.

    Abraço.

    Rogério Faria

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  • 24/08/2010 - 13:44
    Enviado por: Dudu Elado

    .
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    Hoje fiz 31 e escrevi em meu blog, sobre esse assunto. Uma abordagem bem diferente e ainda com uma certa imaturidade na escrita, será que nos próximos dois anos escreverei bem assim.

    Ótimo texto.

    http://seraquesoeuvejo.blogspot.com/
    http://seraquesoeuvejo.blogspot.com/

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  • 24/08/2010 - 14:16
    Enviado por: Otávio Pacheco

    Feliz aniversário, meu caro!

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  • 24/08/2010 - 15:42
    Enviado por: Izabela

    Tenho mais ou menos a metade da sua idade, pais escritores e jornalistas, uma vida corrida e muita admiração por você. Parece que foi ontem que comecei a ler suas crônicas na Capricho, mas não foi. Faz tanto tempo que nem me lembro. Comprei seus livros. Te acompanhei quando você veio para o jornal.
    Você tem trinta e três anos, pai escritor, não é gênio da matemática, não é campeão olímpico, não cruzou o Mar Vermelho. Você é um artista das palavras e tem muitos que admiram seu trabalho, como eu.

    Do fundo do coração: Parabéns.

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  • 24/08/2010 - 16:21
    Enviado por: lucimara

    Eu me lembro, bem pequena, 6 ou 7 anos, do dia em que meu pai fez 33. Me levou pra passear, falou da idade de Cristo, fez comigo uns planos de viagem e me disse que eu deveria ser médica. Salvar vidas e tal. Olhando daqui, acho que ele andou, naquele dia, fazendo umas considerações como essas suas.
    Parabéns pelo aniversário!

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  • 24/08/2010 - 16:32
    Enviado por: Monica

    Hm! E aqui tendo uma crise existencial no auge dos meus 23 anos. Logo tenho 30 e mais um pouquinho 33. Já olho os adolescentes da Augusta e vejo que eles ficaram em um passado bem distante. E que daqui pra frente vou ficando cada vez mais velha. Já não sou mais eu mais com 10 anos sentada em alguma calçada da não tão velha Penapolis me imaginando aos 20. Sou eu com 23.

    E acabo de descobrir oq quero ser qdo. crescer….e justamente pra não chegar aos 33 e me comparar a Jesus, mudei de faculdade, amanhã tenho um entrevista para um novo emprego e estou comendo em um restaurante macrobiótico.

    Por isto, meu caro Antonio, meus 33 serão ótimos e o seus 43 podem ser melhores ainda!

    A Jesus era filho de Deus, mas dizem por ai que ele tbem nos fez a sua imagem e semelhança…entonces… potencial existe para vc descobrir aos 33 oq vc quer ser qdo. crescer.

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  • 24/08/2010 - 16:36
    Enviado por: Samanta

    Aaai, Antonio! Tenho só 19 e desde os 15 penso assim. Nao tive ansiedade de fazer 18, com 15 todo mundo entra na balada e pode beber. Entrei na faculdade com 16 e nao tive a ansiedade de chegar na idade de faculdade. Mas desde os 15 fico pensando. “com a minha idade, tem gente que fala quatro idiomas e eu, que nem inglês falo?”. E assim por diante. A frustração é grande, e eu imagino que com 33 não seja mais fácil. Mas aposto, que tem alguém por aí que vai falar: “Com vinte e poucos, o Antônio já era colunista da Capricho, e eu que nem sei no que sou bom?”. O que a gente se esquece, e que nós achamos nossos feitos insignificantes comparado a outros, mas muitos se espelham em nosso feitos também. Ninguém é igual a ninguém, nem segue o mesmo ritmo. Parabéns pelos 33 anos e por ter influenciado uma geração inteira de leitoras da Capricho que, como eu, aposto que se espelham em você. Responsabilidade, hein?

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  • 24/08/2010 - 17:24
    Enviado por: Maria Helena

    Toda semana eu me prometo escrever para você só para elogiar seu trabalho – e toda semana eu deixo prá lá. Desta vez foi mais forte que eu: parabéns, menino de 33!!!

    Obrigada por me fazer procurar sua crônica sempre com ansiedade.

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  • 24/08/2010 - 17:55
    Enviado por: Nadja G.

    Cheguei aqui pela indicação de um amigo. Amei o texto!
    Ainda não cheguei aos 33 – tenho quase 30. Mas tudo isso que você falou no texto já me afeta. Tanto que fiz um blog sobre isso. Mas achei que esses questionamentos só vinham nas idades “redondas”… será que aos 33 já não vou estar livre dessa crise?

    Olha, o que mais me tocou foi o final do texto: “se tudo der certo, você não está nem na metade do caminho”. Verdade, né?

    Parabéns pelo texto!

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  • 24/08/2010 - 18:04
    Enviado por: Joao

    Parqabéns!!! maravilhosa a crônica!!! coloquei numa muldura na minha sala!!! é exatamente isso!!! tenho 32 anos e me identifiquei com cada linha escrita!!! nunca nenhum analista conseguiu dissecar tão precisamente o que nós os trintões estamos passando e sentindo… um forte abraço

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  • 24/08/2010 - 18:49
    Enviado por: Carolina

    Antonio, como só descobri seu blog hoje? Tenho 2 livros seus q já li e reli várias vezes. É muito bom ver que o autor das crônicas da Capricho q eu lia quando era pré-adolescente continua escrevendo muito bem! Amei o texto. E parabéns pelos 33! Eu com 22 já me identifiquei com o texto.

    Grande abraço!

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  • 24/08/2010 - 19:53
    Enviado por: ursula

    aos 27 corri para o divã de um analista com pânico dos 30. nesta época fantasiava morrer com 27 mesmo, tipo jimi hendrix e jim morrison. acho que era uma tentativa de não encarar a crise dos trinta e poucos hoje com 35 anos e… viva, o que posso fazer além de encarar que o glamour não é para todos? posso me deliciar com esta crônica pra lá de agradável!

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  • 24/08/2010 - 20:58
    Enviado por: olavopcfilho

    SENSACIONAL!!! Essa está na altura de “Blowing in the wind” e de “Bar ruim é lindo, bicho”. Se parei para falar mal de “Spam” (talvez por burrice minha mesmo, por falta de alcance) devo ser justo agora e fazer os devidos elogios a vc Pratinha! Essa foi foda!! Tenho 29 anos e foi fantástico ler essa crônica… Muito boa mesmo!! Abs, Olavo.

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  • 24/08/2010 - 22:11
    Enviado por: Carlos

    Fantástico

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  • 25/08/2010 - 15:15
    Enviado por: Edson

    Legal o texto! Fiz 32 no começo do mês e, pouco antes, tinha começado a ter esse mesmo tipo de pensamento… Parabéns e Felicidades!

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  • 25/08/2010 - 16:38
    Enviado por: vic

    Feliz Aniversário!!

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  • 25/08/2010 - 19:11
    Enviado por: Aline Guevara

    Antonio, parabéns! Pelos 33 anos e pelos seus textos maravilhosos. É difícil prever o que algumas palavras nossas vão gerar na vida das pessoas que as leem, mas saiba que seu texto me ajudou muito em algumas decisões que eu precisava tomar. Tenho 21, mas essa análise é válida para todas as idades. Definitivamente, você tem mais uma fã! : )

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  • 25/08/2010 - 23:33
    Enviado por: Thais Igarashi

    Muito boa sua cronica, realmente nos leva a pensar..
    e ironia do desino: trinta e tres é o que você fala quando velho, pra te examinarem os pulmões. Quando chegares a esses tempos, vai perceber que maior frustração é ter que repetir esse trinta e tres, trinta e tres… enão exatamente ter trinta e tres.
    mas Parabéns! bela cronica.

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  • 26/08/2010 - 09:46
    Enviado por: Lucinda

    Sabe, olha que coisa engraçada, eu comecei lendo teus textos aqui por itermédio de um amigo, e nem relacionei teu nome com nda simplesmente li. Acontece que como sempre acredito a vida nos prega muitas peças, explico, estava eu fazendo uma faxina pós mudança em minhas reliquias (revistas capricho) que guardei, não guardei todas, mas só algumas que achei algo interessante ou melhor pedaços delas, pois eu tinha o costume de recordar os melhores pedaços, ocorre que no meio desses recortes achei varios textos… SEUSSS, o mais icrível que nem fazem tantos anos assim e eu tinha resumos, textos relacionados, comparativos e textos opinativos pra lhe enviar sobre aqueles recortes…. como eu pude me esquecer… eu cresci lendo capricho e lendo sua coluna…. agora que sei não largo mais… bjinhoooo

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  • 26/08/2010 - 14:58
    Enviado por: Victor Furlan

    Prata, você tem só 33 anos e ja é um gênio da literatura!!
    sensacional o texto.. parabéns!

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  • 26/08/2010 - 17:05
    Enviado por: Luis Fernando

    Prata, Prata! Você não imagina o quanto me identifico com esse texto. E olha que agora que tenho 29, mesmo assim já passei por todas essas reflexões… também não tenho casa própria, meu salário é menor que o do meu amigo que divide o apartamento comigo e ainda não tenho twitter. Prata, Prata!

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  • 26/08/2010 - 21:35
    Enviado por: Patrícia

    Prata, muito bom seu texto. Um pouco deprimente, mas bastante relista.. afinal, que realidade não é? Sou muito fã dos livros do seu pai, e por indicação de uma amiga, acabei de te descobrir, adorei! Parabéns!

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  • 27/08/2010 - 17:31
    Enviado por: Milene

    Pratinha,

    O primeiro impulso é soltar um palavrão pra expressar o quanto esse texto ficou bom! Mas, como sou uma mulher educada (rs), prefiro dizer que esse vai para o lugar dos melhores, junto com o “Bar bom é bar ruim”.

    Fico feliz quando leio coisas assim, de pessoas assim!

    Muito obrigada por dividir conosco o seu talento!

    Bjos

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  • 27/08/2010 - 17:39
    Enviado por: Raquel

    Lindo esse texto! A verdade – se dita como vc fez – não dói, mas conforta.

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  • 27/08/2010 - 21:54
    Enviado por: Noubar Sarkissian Junior

    Outra ótima crônica!

    Confortou-me ler o trecho em que você coloca os 23 anos como uma idade em que ainda é possível mudar algo!

    Dois anos atrás (na época, com 21 anos) eu escrevi um texto com temática similar à que você escolheu. Chama-se “O enterro do prodígio”: eu ficaria bem contente se você arrumasse um tempinho pra ler.

    http://sarkissianjr.blogspot.com/2010/06/o-enterro-do-prodigio-republicado.html

    Um abraço

    Noubar

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  • 27/08/2010 - 23:49
    Enviado por: vic

    “…E aos 29 com o retorno de saturno, decidi começar a viver…”

    ;o)

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  • 28/08/2010 - 14:35
    Enviado por: Aldo

    Espetacular! Move on

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  • 28/08/2010 - 21:21
    Enviado por: Luana

    Vivo me perguntando se vai dar tempo de fazer tudo o que eu quero, no tempo certo. Mas qual é o tempo certo mesmo?
    Você conquistou mais admiradores do que imagina. Será suficiente? Admiração? Bom, seja como for, te admiro. Continue não sendo um fenômeno da ginástica olímpica, ok? Gênio das palavras cai perfeitamente em você.

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  • 29/08/2010 - 05:36
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    Para o filosofo o mundo sempre foi pequeno e a terra rendonda antes da descoberta de Galileu.
    “Conto o tempo por segundos. Num segundo consumo a esperança! Um minuto é tempo de sobra.”
    Existem tantos campos na trajetoria que os anos de rebeldia não pssam de intervaslos escolares explicativos. As descobertas dos pontos tem certa importancia. Chegar ao ponto não. Pois: Vida (quaisquer), você é partida. Você nunca será chegada!

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  • 29/08/2010 - 13:49
    Enviado por: Riane Angeli

    Parabéns, e obrigada por ser tão brilhante.

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  • 29/08/2010 - 15:03
    Enviado por: Carolina

    e eu que com 17 já me sinto assim?

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  • 29/08/2010 - 19:32
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    Não adianta raiar com a criança. Alguém diz: haja esperança! Suposição sem herança! Não há uma tábua ainda que na infância. Todos sonham, mas poucos alcançam. Mas não há causa para o alvoroço. A terra é caroço. Do futuro só vemos o pescoço. Dos nomes citados, Cristo e outros, pareciam ter um encosto. Foram tenros, e os precoces fazem com a humanidade o gosto! Por que o mundo é novo no entreposto! Ainda não aplicamos aos alunos todo o esforço. Basta saber o numero de gênios dentre os seus membros para descobrir que há um caroço (na garganta) e a educação cria esgotos. Mas gênios ou normais não há motivos para desgostos. Todos fazem dos céus o gosto. Todos terão desgostos. Desconfiarão de agostos. O futuro estará sempre a sorrir, vai depender das ferramentas que se adquirir. Não há uma regra para se imprimir. Mas as somatórias de todas as ações mais as sociais vao o futuro das pessoas definir. Uns chegaram a terra e disseram por que não sorrir. Outras vieram como que para missão cumprir. Mas mesmos essas razões são razões de presumir. O importante é se tornar feliz, jamais achar que tenho de subir por subir. O homem tem de ter uma causa. O restante acontece de ao lado dele se reunir. A humanidade não consegue ainda construir um palácio senão passo a passo, salvo aquele de doze avos que reergueria o templo em três dias. Mas tudo dele era escracho. Chegou antes no mundo e foi ficando muito bravo. Ele falava dos céus. E o que são os céus senão a pintura por pincéis? Não existem céus fieis concretos, porque lá não há concreto. Existem os céus a céus abertos, a imaginação como de um inseto, o coice do burro rebelde e esperto, então os céus são céus proféticos (que cada vê). Vê quem tem olhos. Escuta quem tem ouvidos. Todo trabalho é uma tessitura. Todo gênio sofre fritura. Destaco e quem vem atrás me empurra. A humanidade é burra. Não é só a unanimidade. Ela é desconfiada. Não encontrou outra fada. Vê a fada e não acredita em fadas. O esforço e o gênio mostram na pintura, na escultura, e o escritor em seus textos caminha para alturas. Mas tudo isso é ventura. Bons ventos. Adolescência e turma. Os adolescentes estão à procura. Procuram as razões e enlouqueceriam se ouvissem adultos com suas loucuras. Todo ser tem água até a cintura. Ternura, compostura, foram apenas misturas, mas eles perseguem as noites escuras, e quando deixar a adolecescentia, lá pelos trinta e três vão dizer fui inteligente ou fui burra. Mas há também gênios ou sucessos, quando já se vai para a sepultura.” Fico” com uma adolescente de 19 anos. O seu grupo a empurra para a partitura. Tem um grupo de rock de ruptura. Conserto suas letras descendo das minhas alturas (ide). Em terra tudo ainda é conjetura. E nos céus então? Já escrevi sobre ela:
    “Uma adolescente tem o seu DIARIO.
    Larissa tem as suas dívidas (coração cheio de divisão) como qualquer outra mulher, na forma e no pão.

    É a procissão. Procissão de burburinho da razão.

    É a razão dizendo que sim e o coração dizendo que não.

    É importante ver sinais de vida nessas guarás.

    O Estado passa por longe nessas questões e as adolescentes vão se arranjando. Arujando. Outras vezes…

    Quando ela chega em casa percebo que ela se sente massa.

    Não toco em suas feridas e deixo que ela vá vivendo de sua vida de borracha. Ora de graça, pois a vida de uma adolescente é mesmo uma taça.

    E ela vai de uma lado a outro da casa, pesquisa algo curioso que acha, parece sentir-se tão bem que vive o dia inteiro como se tomasse cachaça, com liberdade numa praça, que nem graça em comida acha.

    Quando está no ponto, cria para si uma cortina de fumaça, e vai feito fumaça, para onde mora – que nunca me engraça.

    Você entendeu?

    Deixa-a ir no seu Romeu (e Julieta).
    Deixa-a ficar com seu plebeu.
    Deixa-a descobrir que o mundo nunca foi seu.
    Deixa-a ir andando, procurando, pois ela não é Deus nem um Proteu. ”

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  • 30/08/2010 - 22:59
    Enviado por: Rayanne

    Você com trinta e três já escreveu muito
    e me fez alguem que sempre abria a capricho na ultima pagina, lia tudooo morrendo de curiosidade sobre a sua coluna mas, sempre deixava o melhor para o final
    e sorria, pensava refletia no final de cada coluna
    Você com trits e três me fez gostar de ler, acompanhar seus blogs e quando você demorava ah atualizar lia as caprichos velhas, ou os arquivos antigos do blog
    Você nesse tempo todo me fez alguem melhor

    Obrigada

    =D

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  • 01/09/2010 - 13:38
    Enviado por: Oliveira

    Acho que essa crônica deveria ter sido escrita por mim. Senti o mesmo que Prata sentiu. Apenas um detalhe insignificante, tenho 60 anos, não 33….

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  • 01/09/2010 - 21:21
    Enviado por: Giovanna

    Na adolescência achava que iria mudar o mundo e se te visse agora com trinta e três iria dizer ‘Pô cara, você virou gay?’ Agora no meio do caminho se surpreende: ‘trinta e três, que diria?’ Com sessenta talvez vai olhar pra traz e dizer: ‘aos trinta e três ainda tinha muito o que aprender…’ e quem sabe ver que ainda não chegou ao fim.
    Só espero que até lá continue a escrever fabulosas crônicas como hoje e que nos conte como irá se sentir.

    Quando li pensei na sua crônica que eu tanto gosto: ‘Mins’.

    Sucesso e luz sempre!

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  • 05/09/2010 - 21:22
    Enviado por: Renata Santos

    A partir de 6/9, direi trinta e três, com muito orgulho de minhas conquistas e frustrações, pois são elas que me fazem sentir viva.

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  • 06/09/2010 - 18:50
    Enviado por: rosenes

    aos 43 piora um pouco…

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  • 07/09/2010 - 21:38
    Enviado por: Ana Laura Nahas

    Exatamente!

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  • 09/09/2010 - 15:07
    Enviado por: Rafael

    - Voce só gosta de coisa velha?
    É. Acho que sim.
    Eu gosto de coisas antigas. Coisas de um tempo em que a relação entre os humanos e as coisas era diferente. Sou frequentemente acusado de saudosista embora saudosista não seja. Afinal, não tenho saudade de um tempo que não viví.
    Porém, outro dia, lendo o texto de uma amiga (Isabel) percebí que esse tempo em que vivemos também não deixará a mínima saudade.
    Não vejo a nossa geração repitindo aquelas frases que nos diziam nossos pais e avós:
    - No meu tempo é que eram elas . . .
    Se um dia eu disser será sem nenhuma nostalgia:
    - Sabe, eu ví a construção desse metrô.
    - A é? E ai? Como foi?
    - Uma merda.
    Ou ainda.
    - Não podia nem fumar debaixo do toldo do nosso buteco predileto ! ! !
    Me vejo um dia, velhinho, dizendo as futuras gerações:
    - No tempo do meus avós sim. Oh tempo bão ! ! !
    Enfim, escrevo tudo isso somente porque tenho medo de me tornar um velho resmungão.

    Em tempo: me vejo fora do carro olhando em torno. Obrigado Antonio. Bela crônica.

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  • 10/09/2010 - 14:36
    Enviado por: Duda

    Seus textos são realmente muito interessantes, vc tem o dom de escrever, parece que estou lendo sobre minha propria vida.
    Parabens.

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  • 11/09/2010 - 20:36
    Enviado por: Iamara

    Prata,parabéns mais uma vez!genial e emocionante!
    p.s. o lance do mar vermelho foi com Moisés(não sei se alguém já fez o favor de responder) eu tenho “só” 19 mas não se culpe por não saber!rsrs

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  • 13/09/2010 - 17:40
    Enviado por: Deborah Mendes

    Oi, é incrível como vc consegue escrever de coisas do dia a dia, que vivem passando pela nossa cabeça! Pelo menos pela minha passam (e pela sua tb, evidentemente). Adoro ler o seu blog! Vc vai publicar ou já publicou algum livro com essas crônicas?
    Beijo grande!
    Deborah.

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  • 24/09/2010 - 21:14
    Enviado por: Flávia

    O tempo passa mesmo…

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  • 24/09/2010 - 23:15
    Enviado por: Renata

    Muito bom.

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  • 27/09/2010 - 17:15
    Enviado por: Ana

    Prata, eu estava nesse show do Faith no More de 97. Até parece que foi ontem ;-) Mas a camisa xadrez eu doei já faz um tempo!

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  • 07/10/2010 - 18:24
    Enviado por: Aldo

    Já li essa umas 20 vezes e toda vez me emociono.Diga:trinta e três.Quem diria.

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  • 12/10/2010 - 22:34
    Enviado por: Ana Karolina Grimmes

    Antonio,
    como muitas pessoas postaram aí em cima, eu poderia dizer que até os 33 anos eu quero escrever como você escreve. Mas, todas as vezes que eu leio o que você escreve eu sinto vontade de nem querer escrever mais. Só sinto vontade de ler tudo o que você escreve!

    Sempre bom,
    parabéns!

    Karol.

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  • 28/10/2010 - 08:19
    Enviado por: Amanda

    Eu já me sinto assim aos 23…

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  • 06/11/2010 - 11:14
    Enviado por: O peso da idade

    [...] *Diga: trinta e três [...]

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  • 09/11/2010 - 05:50
    Enviado por: NENA SILVA

    Poxa !!!
    Quase te acuseí de plágio .
    Tô escrevendo sobre essa fase da minha vida, o auge dos meus 33 aninhos, o texto é praticamente igual, até a parte dos 33 o que vc fez ?? Nossa, é incrivel !!! Mas o nosso texto se torna quase o mesmo, porque vivênciamos a mesma fase, sentimos na pele o que é chegar aos 33 anos e lembrar que até pouco tempo atrás pensavamos o que queriamos ser quando crescesse, e de repente, percebemos que hoje é o nosso futuro do passado e que não chega nem perto do que esperavamos ……

    ADOREÍ SEU BLOG, VOU VOLTAR COM CERTEZA .. BJS, SORTE E MUITO SUCESSO SEMPRE !!!

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  • 10/11/2010 - 15:57
    Enviado por: aquela foto 3 x 4 que você encontra sem querer (ou o efeito madeleine) « Ababelado Mundo

    [...] ótimos frutos na conquista amorosa, em certos nichos, mas que soa grotesco quando você beira os trinta anos e cultiva uma barriguinha acintosa que o faz parecer uma caricatura precoce do Bukowski – num [...]

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  • 17/11/2010 - 16:06
    Enviado por: Ludmila

    Caro Antonio,

    Depois de tantos comentários que só vieram para acrescentar seu texto, eis que surge o meu..Devo dizer que aos 15,não sofria do mal que porventura tenha te aflingido,o tempo sempre foi aquele coleguinha brincando de “pique-esconde”, no final das contas, ele sempre acaba te encontrando…Por isso não tive pressa: de acabar o segundo grau, acabar a faculdade..Percebeu que o ser humano tem a estranha mania de só pensar no fim? Acabar isso, “quero terminar aquilo”…

    Acredito na ideia de não perseguir o tempo ou ainda aumentar sua velocidade, ele tem seu curso; é como dizia um ditado da época de meu avô: “Não apresse o rio, ele corre sozinho”..E assim é o tempo..Vou começar um caminho novo, à partir do ano que vem, com plena consciência de que agora sim,é o meu caminho; aquilo que se abre quando parece haver somente obstáculos…

    Forte abraço!!

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  • 27/11/2010 - 07:10
    Enviado por: ANTONIO AUGUSTO BERTRAMI

    porque voce atrzão o jornal enho mais o que fazer tenho dito

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