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Antonio Prata

22.fevereiro.2010 00:01:03

Déficit público

“Imagine que você tem uma conta corrente no coração de cada pessoa com quem se relaciona. Cada vez que você faz uma coisa boa para ela, ganha crédito. Cada vez que ela faz algo para você, realiza um débito. Como está seu saldo nessas contas?”. Assim falava o homem da TV, uma espécie de palestrante motivacional. Ou desmotivacional, pois mal comecei a vislumbrar meus extratos nos corações alheios, percebi que estava próximo à bancarrota.

Houve um tempo em que eu tinha tempo de sobra, e gastava-o ao meu bel prazer. Uma noite, saía com os amigos. Na outra, encontrava a namorada. Um conhecido lançava um livro? Lá ia eu, se estivesse afim. Era feliz e não sabia: vivia no azul nos peitos de todo mundo e, acredito, tinha até pequenos créditos por aí.

Acho que foi lá por 2004, quando comecei a trabalhar muito, que os negócios desandaram. Sem tempo para nada, passei a gastar meu saldo: “Pedrão, valeu pelo convite, mas tenho que terminar a crônica!”; “Nina, adoraria ir, mas é a última semana aqui do roteiro”; “Mãe, não consigo almoçar esse domingo, tenho que agilizar o romance”. Hoje, para onde quer que eu olhe, estou no cheque especial.
Sábado passado, dois amigos me chamaram para tomar um chope. Antigamente, escolheria. Hoje, calculo: qual deles, caso eu não encontre, mandará nossa amizade para o SERASA? O Pedro foi pai já faz seis meses e eu ainda não conheço a filha, mas o Felipe deu uma festa de trinta anos em outubro e eu não fui. E aí?

Caro leitor, não quero passar a ideia, muitíssimo equivocada, de que sou uma pessoa blasé e reclusa, que prefere a companhia dos livros a das pessoas. Gosto dos outros. Sartre que me desculpe, mas o inferno sou eu mesmo que, com a minha inépcia no equilíbrio entre trabalho, amor e amizades, acabo me endividando todo. E o problema das grandes dívidas é que, a partir de uma certa quantia, você já não consegue amortizá-las. O que faz, então? Aumenta os juros, em forma de promessas. Foi o que eu fiz com o Pedro, quando decidi ir tomar chope com o Felipe: “Queridão, vamos fazer melhor: esquece o chope, vem almoçar em casa, domingo. Vou assar um leitão para você, sua mulher e a filhota!”.

O almoço foi ótimo. Tá pago, então? Com Pedro, tá. O problema é que, para gastar o domingo com ele, eu me afundei mais ainda no vermelho com minha mãe, que havia me chamado para almoçar, com a minha mulher, com quem tinha combinado de ir ao teatro e com a Vivi, editora do Metrópole, a quem deveria entregar essa coluna segunda, mas só a receberá na terça. Tudo bem, Vivi? Não fica brava. Prometo que, na outra semana, te entrego sexta de manhã! (Se bem que combinei de jantar com o Rodrigo, na quinta. Será que eu cancelo? De novo?! E agora?!).

comentários (36) | comente

36 Comentários Comente também
  • 22/02/2010 - 13:27
    Enviado por: Aline Nogueira

    Nossa, eu devo estar em todos os orgãos de defesa de crédito. Na rotina trabalgo/faculdade/trabalhos da faculdade e namoro ocupam todos os meus horários. Quando será que posso começar a pagar isso?!?!?!

    Beijos Prata

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  • 22/02/2010 - 14:14
    Enviado por: Laura

    Verdade, às vezes nos deixamos levar pelo ‘empurrar com a barriga’ e não percebemos o quão importante somos para os ‘empurrados’. Mas sempre há tempo de ir ao banco, conversar com o gerente e negociar as dívidas.
    Belo texto, Antonio. Na mesma linha de O Piano, caiu sobre mim como uma luva.

    Abraços e parabéns, Laura

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  • 22/02/2010 - 14:16
    Enviado por: Fabiana

    Gostei da abordagem. Eu decidi que por um bom tempo não me preocuparei com isso, nem enxergarei esta minha ausência como dívida. Pretendo que seja apenas uma fase – e esse é o desafio, fazê-la não permanente.
    Creio que que as pessoas leais – as que realmente valem a pena – permanecem em nossas vidas, mesmo quando estamos por demais ausentes. Já o que deixamos de viver, sorrir, amar e descobrir por estamos ocupados, tem como recuperar? Tem como saldar essa dívida?
    Bom, acho que isso já é um outro assunto.

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  • 22/02/2010 - 15:49
    Enviado por: Juliana

    A verdade é que os dias são demasiado curtos.
    Sou uma grande admiradora de suas crônicas, espero, um dia, ser tão boa nisso como você faz naturalmente.

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  • 22/02/2010 - 16:04
    Enviado por: Hugo Pacífico

    Genial!

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  • 22/02/2010 - 19:25
    Enviado por: I. Go

    Pratinha; fui à falência antes de você nascer! Meu caso, só trocando de nome, rg, cpf, etc …

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  • 22/02/2010 - 19:40
    Enviado por: Srta. Rosa

    Ah… e em relacionamentos então… não quero nem imaginar a conta.
    Certeiro, como sempre… rs.

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  • 22/02/2010 - 19:58
    Enviado por: heguiberto

    Humm será que um cursinho de time-management não ajudaria?
    Boa sorte rs

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  • 22/02/2010 - 22:16
    Enviado por: Patrícia Lerbarch

    Acho q tb ando em déficit por aí.. fazer o q.. coisas da vida.

    Muito bom, leve e divertido. Parabéns!

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  • 22/02/2010 - 22:21
    Enviado por: ursula

    nossa antônio, hoje mesmo respondi um email a uma amiga que estava a cobrar um dos meus débitos. tinha todas as desculpas do mundo para explicar o meu sumiço: muito trabalho, curso novo até aos sábados, são paulo com este verão de chuvas torrenciais em finais de tarde, blá, blá, blá… e foi exatamente assim que me senti no final, cheia de justificativas e totalmente vazia de razão. acho de fato que precisamos rever a atenção que creditamos nas contas das pessoas que nos são queridas, porque trabalho vem e vai, e o que importa mesmo é o carinho de quem nos ama. piegas? que seja. grande abraço e atenção aí com os seus, ursula

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  • 23/02/2010 - 13:37
    Enviado por: Marcella

    O ser humano é mesmo insatisfeito né? Você diz que era feliz numa época em que fazia o que bem entendia, saía com amigos e tinha tempo para tudo. Bom, eu tô nessa fase, faculdade, amigos e tempo livre, e tudo o que queria era estar sendo paga para trabalhar fazendo o que gosto, ao invés de perder todo esse tempo fazendo absolutamente nada de útil.

    Ót$imo texto, como sempre. Meus 19 anos não me impedem de ler as crônicas do Estive Pensando. Adoro aquele livro, me lembra a época que não tinha preocupações. Há, olha eu aqui insatisfeita de novo rsrs

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  • 23/02/2010 - 18:38
    Enviado por: Maira

    Excelente texto, como de costume. Isso só mostra que a falta de tempo para aqueles que amamos é crônica, que atinge todos os escalões sociais nestes anos 00.

    E digo isso porque me lembro bem quando google, celular e até computador eram prioridades que ficavam no finzinho da lista. É a tal pirâmide invertida, não? Inversão de tudo. De valores, de prioridades…até da gente mesmo.

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  • 23/02/2010 - 18:39
    Enviado por: Natália - Catanduva-SP

    Perfeito!
    “O inferno sou eu mesmo”.Deixou Sartre no chinelo.
    Parabéns, Adoro suas crônicas.
    Natália

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  • 23/02/2010 - 22:54
    Enviado por: Glúon

    _______________

    Papo de amigos
    _______________

    - Sabe que o Prata também me passou uma ideia equivocada?
    - Qual ideia?
    - De que é uma pessoa blasé e reclusa?
    - Como assim?
    - Que prefere a companhia dos livros a das pessoas?
    - Qual nada, eu até convidei-o para almoçar lá em casa no domingo.
    - E aí? O que ele disse?
    - “É leitão assado, né?”

    ___________________________________________________

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  • 24/02/2010 - 02:08
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    O autor quer dividir dividas! Fui punido – deixou de publicar nossa frase – também porque estava em débito. Assim eu interpreto. Quem puder, bate a cabeça na parede e até pregue com prego. Mas dessa água eu não bebo. Já sei de antemão que ninguém vai me dar arrego. Todos são negos. Na literatura do brinquedo. Nem procuro desassossego! Fico só comigo. A sociedade virou de cabeça pra baixo a lei da mais valia. Se tivermos dinheiro, é aquela correria. Se não, que fique na sua folia. Todos nós tínhamos um amigo um dia. No outro dia descobrimos que não passa de uma vadia. A companhia deveria chamar Custódio. É misto de custo e daquilo. Tudo é perda de tempo. Nem o celular atendo. Aprendi com os desatentos. Quando era criança se dizia que quem falava muito dava bom dia a cavalo. Hoje podemos falar muito, mas todos nos querem escovados. Amanhã nem seremos mais lembrados. Todos são malvados. Não perda tempo com essa gente não, Prata, prefira a sogra que é chata. Pelo menos ela é exata. Você já sabe que ela nunca sabe contar piada.

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  • 24/02/2010 - 02:34
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    O escritor tem de abominar os convites. Os ouvintes. Se não fosse siso, seria desperdício. Deve ter sido punido por algum J. Cristo. Condenado ao ausente convívio. Só pode supor o que os outros ciscam. Também nunca foram bons de outros exercícios. Nunca um jogador de futebol. Um pescador. Um Senhor. Deve se afastar das massas, escrever para as traças, só de pirraça, pois essa é a sua graça. Se misturar com a outra raça, perde a lenha que assa. E está sujeito, quando morrer, retornar como catador de latas. Suas historias são que realçam. Rechaçam. O restante é fumaça.

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  • 24/02/2010 - 12:47
    Enviado por: Anna H.

    Antonio Prata, falando de crônicas nem sei quem é o melhor: você ou seu pai ?

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  • 24/02/2010 - 18:35
    Enviado por: Nina Vieira

    “não quero passar a ideia, muitíssimo equivocada, de que sou uma pessoa blasé e reclusa, que prefere a companhia dos livros a das pessoas.”

    Se eu fosse sua amiga, além de mera desconhecida, consumidora (e devoradora, no bom sentido) dos seus livros e visitante deste blog – certamente deveria muito a ti, porque prefiro a companhia dos livros, sou reclusa, fechada, tenho fobia e sou alérgica a gente. O inferno sou eu, os outros, aqueles, estes, você principalmente. Mas eu adoro um inferninho, se não, cá não estaria.
    Abraços.

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  • 25/02/2010 - 09:15
    Enviado por: Márcio Pontes de Albuquerque

    Muito bom o texto em questão.Devemos ficar atento, pois há ocasião em que somente uma oportunidade surge para saldar determinada dívida, e o mal que ela causa a nossa pessoa é muito maior, mesmo quando esta dívida prescreve.

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  • 25/02/2010 - 11:04
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    Será que é reg também (Anna):
    Poesia
    Quantas vezes?
    Quantas vezes dissemos mentiras,
    Quando éramos crianças?

    Quantas vezes traímos um amigo,
    Quando éramos criança,
    E tais fatos hoje são boas lembranças?

    Quantas vezes nossos pais,
    Com desesperança,
    Perdeu de nós a confiança,
    Se mulher, deu castigo de cortar as tranças,
    Se menino,
    Repreendeu-o com desatino,
    Fê-lo ver que na terra os homens não podem ser de rapina,
    Embustes com a Mulher não combina,
    Embora ela seja toda de rapina,
    Pinça os olhos,
    E os lábios de cor de latrina,
    Para recomeçar tudo de novo,
    E formar bons meninos e meninas?

    A sociedade tem seu castigo,
    Ao homem ocioso não dá abrigo,
    A caridade só socorre o mendigo,
    Tudo para mostrar que faltar com a verdade trás perigo,
    Mau destino,
    Pois a palavra constrói o destino,
    A palavra pode ser a língua,
    O capricho,
    Como o tino.

    Quantas vezes,. Já adultos, não cumprimos um compromisso?
    Quantas vezes não fomos castigados por isso?
    Principalmente se já não temos uma mãe para fazer todo aquele chouriço?

    Quantas vezes,
    Fomos rezes,
    Iludimos os fregueses,
    Negamos ao próximo a sua vez,
    Só por puro capricho,
    Interpretando mal a democracia,
    Pensando que ninguém nada tem com isso?

    É possível perseguir homem de enguiço,
    Privar os pobres de participar,
    A não ser na hora dos comícios,
    E deixar tudo por isso (mesmo).

    A felicidade não chegará nem cedo nem tarde,
    Se o coração de cada um não arde,
    Para construir uma cidade,
    Ou saciedade,
    Onde todos gozem dos bens e serviços com
    Respeito e seriedade,
    Isso não seria o ultimo estágio divino?
    A igualdade?

    Cidade,
    Diga-me quem são os homens que seu povoado invade,
    Passa-me o nome de cada covarde,
    Pois sem piedade,
    Irei ensiná-los o caminho da igualdade,
    Da responsabilidade,
    De fugir de uma oportunidade fácil,
    Para levar vantagem.

    Cidade,
    De mim não precisa de ter piedade.
    Vim de fora,
    E tinha muito bondade.
    Mas presenciei crueldade,
    Que não consta na relação das maldades,
    Do diabo,
    E de sua irmandade.

    Cidade de mim não precisa de ter piedade.
    Sei muito bem onde o calo de vocês arde.
    Sou mais preparado do que vocês com toda sua crueldade,
    Sei fazer guerras,
    Cavar terras (sepulturas),
    Criar solturas (em cirurgia),
    E punir policiais que praticam a tortura,
    Que protege somente aqueles que adoram a gordura,
    Da usura,
    Do dinheiro ganho como faz a Mulher impura.
    Que seus cambalachos para baixo,
    Os sem pai empurram.

    SUERLY GONÇALVES VELOSO
    sugonl@uol.com.br
    (MNews – ED. 05/06/09 – 6a. feira – Coluna Social
    A felicidade não é uma estação na qual chegaremos, mas sim uma forma de viajar.”
    Margaret Lee Runbeck).

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  • 25/02/2010 - 11:12
    Enviado por: suerly gonçalves veloso

    TITULO: Homenagem ao Seccional

    Senhor Jornalista,
    Não é cobiça!
    Ora pareço com Larissa ora com a justiça!
    Sou também Tobias.
    Falo de coisas que os pés esfriam.
    Nada eu crio. Tudo me vem das Exéquias.

    Gosto de mulher frenética.
    Na infância amei Pedro Rebeca.
    Informo que fui criado no meio de seis irmãs,
    Mas que nunca brinquei de boneca.

    Para começo de conversa,
    Tenho a cabeça chata devido à queda duma travessa
    De macarronada
    Deixada para a criança sapeca.

    Mas fui esteta
    Com as coisas corretas.
    Mas de cobri com o tempo que tudo é conversa.

    E foi nessa reta,
    Sem travessas,
    Que descobri que não vivi em outras épocas.
    Que Pedro Rebeca e só ele me interpreta.
    Que meu coração criou o pendor de poeta,
    Também vendo a minha mãe tocar o bandolim como se estivesse na Meca.

    E acabei me tornando o autor de versos satânicos.
    E a terra fui enfrentando,
    Até que encontrei Aquele que lhe retira o pranto,
    Que é contra todo e qualquer encanto (puxa-saquismo),
    E que viu que adorar a Deus, como a qualquer tirano,
    Ser Humano,
    É prejuízo!

    E como advogado nunca me fiz de rogado para defender os afamados.
    Pois minha vocação foi e sempre será os humilhados, os desafortunados.
    Como passei a ser amigo do Homem,
    Já não precisei mais pedir a S. Jerônimo,
    Pois só assim aprendi que reverenciar deuses só traz incômodos,
    E que o homem sofre porque não derruba reinados e seus incômodos.

    Assim virei relâmpago.
    E você poderá me ver nos lugares de escombros.
    Ora sou menino,
    Ora assombro.

    Mas garanto que no assombro da reunião não tive participação.
    Os jornais, sem explicações talvez, deram três justificativas para o rápido encontro.
    No final fixaram o ponto: união das policias.
    Bastou o seu anúncio para que sobre nossas cabeças outra justiça caísse:
    Os desmanches enviaram seus meninos,
    E uns ficaram sem os carros,
    Enquanto os pais se encontravam sorrindo (dia dos pais).

    E decerto que as duas polícias não cabem no encontro,
    Como duas famílias não podem viver no mesmo cômodo.
    A não ser que estejamos na época de Hitler e do Comunismo que pregou tanto encanto,
    Onde as pessoas se amontoavam irracionalmente no mesmo plano.

    Mas garanto que como me ensinou meu velho pai,
    Basta o primeiro tombo, que todos os amigos somem saltitando,
    E assim prefiro ir andando,
    As minhas ações institucionais contra o secional enfileirando,
    Pois acredito que o Brasil não é mais 1º de abril,
    Quer gente séria e que responda de pronto aos coronéis Glicérios,
    Que saiba distinguir amizade sincera de proteção ao Clero.
    E abro parêntese para dizer que em matéria de Clero sempre erro.
    Talvez muito deles já foram ao meu enterro.
    E sonham com o meu desterro.

    Senhor jornalista,
    Não há outro sentido na vida senão não sair da pista.
    Ter a vida em risco e em rifa.
    Deixar um mundo melhor para quem ainda tem preguiça.
    Mas quero pedir ao jornalista que me inclua naquela lista,
    Dos que pedem justiça,
    E que quando notarem minha velhice,
    Tragam-me o livro de ausência,
    Para assiná-lo,
    E tomar outras providências,
    Talvez se arrepender dos meus pecados de adolescência,
    Lembrar de minhas incoerências,
    Para evitar que fique inventando crenças,
    Coisas que deveria ter feito quando tinha prudência,
    Força e experiência.

    Como súdito de sua Excelência,
    Não do Visconde de Cairu,
    Daquele que é contra as indolências,
    De quem aprendi muita experiência,
    Peço ao jornalista providencias,
    No sentido de me permitir sempre a insolência.

    SUERLY GONÇALVES VELOSO
    sugonl@uol.com.br

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    • 20/04/2010 - 18:37
      Enviado por: Debora Lobo

      CARO pRATA: tA DEMAIS ESE COMENTÁRIO, NO MAIS DE ONTEM PARA HOJE COMENTÁRIO TOLO NÃO HÁ MAIS…. EXCELENTE TRABALHO!!!!
      dÉBORA lOBO

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  • 25/02/2010 - 19:08
    Enviado por: Tassi

    ‘Tá bom, eu adorei esse teu texto.

    PAUSE…

    Eu estava procurando por ti no google e encontrei
    (óbvio).
    Enfim…Eu estava relendo minha agenda de uns 5 ou 6 anos atrás e deparei com vários textos teus na época em que escrevias para a Capricho (não sei se ainda escreves porque eu cresci o bastante para continuar a ler revistas destinadas aos adolescentes).
    Mas então…Só para dizer que eu começava a ler a revista de trás pra frente. E que eu aprendi a expressão ” não sei se caso ou compro uma bicicleta” contigo. ( uhauhauahau)

    an…Pra mim foi importante.

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  • 03/03/2010 - 12:12
    Enviado por: Camila Tardin

    Muito bom Antonio! Estou aqui com meus botões, matutando meus déficits públicos…

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  • 04/03/2010 - 14:26
    Enviado por: Lucila

    Adoro ler suas crônicas, sempre que leio me identifico tanto que da vontade de dar um abraço… por favor nunca para de escrever nem quando morrer…rsrs bjs

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  • 06/03/2010 - 06:31
    Enviado por: Essa confusão política me leva a ler...(crer) | ::Rodrigo Jorge::

    [...] loucura, e ainda, tentar entender o que está se tornando o cenário político atual. Sendo assim, Antonio Prata, colunista do Estadão, escreveu um artigo (crônica) muito interessante sobre os compromisos que [...]

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  • 06/03/2010 - 20:35
    Enviado por: Bruna Becker

    É assim que nos tocamos de como nos comprometemos com tanta coisa e que o dia é curto demais para cumprí-las. Ainda bem que não cheguei na fase do corre-corre. Seus textos são ótimos, espero um dia escrever tão bem assim (:

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  • 09/03/2010 - 14:07
    Enviado por: Katarini

    Incrível. Traduz como ninguém os embróglios do meu cotidiano. És minha inspiração…Falta twittar!!!

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  • 17/03/2010 - 14:43
    Enviado por: NL

    Como não admirar uma pessoa que faz do simples algo tão grande? Quando eu “crescer”, quero escrever assim!
    Parabéns Antonio Prata!

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  • 19/03/2010 - 15:48
    Enviado por: laura

    Pratinha, que virou Pratão (de lei),
    I was your teacher at Oswald the Andrade (remember?) and from some of the students´ work I´ve kept there´s one I like a lot, you said:
    “My palm is like the Palm Beach without the sand.”
    Can you still write so well?
    kisses and hugs from an old teacher

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  • 24/03/2010 - 19:01
    Enviado por: Déficit « Human Beans

    [...] link a seguir: Crônica do Antonio Prata 0.000000 [...]

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  • 20/04/2010 - 18:28
    Enviado por: Debora Lobo

    Querido!!!!! Vamos deixar essas atribulações de lado pelo menos por esse momento, não há importância no fato de vc …. me entende? Prata, somos um só pensamento, agora? Espero que no futuro muita coisa mude e sempre (garanto) para melhor, ou às xzs para pior, dependendo do momento. Prometo, vc sabe de mim, andei meio sumida, mas, já tamos aí. Bj
    Débora Lobo

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