O Flamengo dispensou Vanderlei Luxemburgo, pouco tempo atrás, por considerar que o ciclo dele estava encerrado e que eventual permanência prejudicaria projeto mais ambicioso, o de conquistar a Taça Libertadores. Livrou-se de um funcionário indesejado e se voltou para a solução mais à mão, que era Joel Santana. O ‘papai’ chegou com o costumeiro discurso descontraído, mexeu pouco na estrutura da equipe, os resultados não apareceram e agora se vê a um passo da eliminação do torneio continental.
O mais novo golpe veio na noite desta quarta-feira, na derrota para o Emelec, fora de casa, 3 a 2, com virada quase em cima da hora. Com o resultado, o Fla segura a lanterna no Grupo 2, com 5 pontos, e depende de milagre para seguir adiante. O Emelec está com 6, o Olimpia acumula 7 e o Lanús lidera com 10. Na próxima rodada, dia 12, o Flamengo recebe o Lanús e o Olimpia joga em casa com o Emelec. O Fla tem de ganhar e torce por empate no Paraguai, única combinação que lhe serve. Difícil, bem difícil…
Ficou complicado por causa do futebol instável, pouco consistente e por vezes dispersivo que o Flamengo tem mostrado, e não foi apenas nesta quarta-feira. Já havia ocorrido o mesmo contra o Olimpia, no Engenhão, quando o Rubro-negro abriu vantagem de 3 a 0 e permitiu o empate. Depois, veio o sufoco em Assunção e a derrota por 3 a 2. Para completar a sequência ruim, novo tropeço.
No jogo com o Emelec, os erros do Fla superaram, ainda uma vez, os acertos. Leo Moura fez 1 a 0, mas o time não conseguiu sustentar a vantagem e cedeu empate aos 33, com Figueroa. Antes do intervalo, ficou na frente outra vez, com Deivid aos 42. No segundo tempo, Joel fez mudanças, tentou reforçar o setor defensivo e o resultado foi… a virada dos equatorianos, com Figueroa aos 37 e Gaybor, de pênalti, aos 45.
E o sonho da Libertadores está a ponto de se desfazer… O mal do Fla, pelo visto, não era Luxa.
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Quem disse que não há novidade nos Estaduais? No Rio Grande do Sul, tem. Internacional e Grêmio, dois gigantes históricos, ficaram fora da decisão do primeiro turno do Gauchão. A Taça Piratini será decidida entre Caxias e Novo Hamburgo. Uma decepção para as maiores torcidas do Sul, mas que não deixa de ser interessante por quebrar a rotina e por servir de alerta para os dois bichos-papões. Na melhor das hipóteses, um deles disputará o título.
O Inter saiu da briga no meio da semana, ao perder para o Grêmio, que teve Vanderlei Luxemburgo a observar das arquibancadas. O profexô estreou neste domingo e saiu de campo decepcionado, já que seu time cedeu empate ao Caxias aos 40 do segundo tempo (Marcos Paulo) e quase tomou a virada aos 43. Kleber havia feito o gol do tricolor. Nos pênaltis, a derrota por 5 a 4, já que Marco Antonio errou a cobrança dele.
Dizer que o Grêmio caiu por culpa de Luxemburgo é injusto. Tão injusto quanto aplaudir o técnico, caso a equipe tivesse passado adiante. Com três treinamentos apenas, não se pode dizer que mudou a cara do time que esteve até dias atrás sob comando de Caio Júnior. Assim como não o estragou. Fica a advertência para Luxa: treinar time com forte apelo popular como o Grêmio exige eficiência. A sorte dele é que o Inter ficou fora. Mas tem o segundo turno…
O Novo Hamburgo também se garantiu com vitória, mas no tempo normal e por 3 a 2 diante do Juventude. Uma final diferente, que terá os favoritos de sempre apenas como torcedores e a imaginar o que fazer para garantir uma boquinha na segunda metade da competição. Estaduais são vistos de esguelha por muita gente, mas ainda mexem com emoção e o humor de torcedores. A turma do Sul que o diga.
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Não acredito nos treinadores como senhores todo-poderosos. Nem os considero peças descartáveis nos times, que se jogam fora como copinhos d’água. São profissionais importantes na estrutura do futebol – e como tais merecem respeito e têm obrigações. Portanto, nem deuses nem prestidigitadores (enganadores, na linguagem popular).
Escrevo isto por causa dos rumores de que Caio Júnior seria a bola da vez, no Grêmio, onde haveria diretores ansiosos por detoná-lo. E, em seu lugar, chamar quem, sabe quem? Não, não é Raimundo Nonato, para imitar bordão da antiga “Escolinha do Professor Raimundo”. Mas o pofexô Luxemburgo, disponível no mercado.
Tem alguma coisa errada, quando isso acontece. Caio Júnior desembarcouem Porto Alegreno outro dia. Foi contratado como aposta em treinador jovem, embora já rodado. Indicou jogadores, recebeu gente nova (uso a palavra “reforço” apenas em situações muito especiais), remontou o time para a temporada de 2012. Como manda o figurino.
Os resultados por enquanto são modestos – o Grêmio tem 7 pontos e está em quinto lugar em sua chave no Gaúchão. No domingo, empatou por2 a2 com mistão do Internacional. Muita gente torceu o nariz e insinua que está na hora de mudança. Que seja agora, antes de o time aventurar-se em outras competições. E Luxa fica na manga, como o Messias que virá para colocar a equipe no rumo certo.
O Grêmio é um dos clubes que se gabam de ter estrutura e administrar o futebol com profissionalismo. Será? Não é a primeira vez, em sua história recente, que alardeia vanguarda ao jogar fichas num treinador que não seja medalhão para roer a cordaem seguida. Foiassim como Vagner Mancini e com Silas. Cadê a modernidade?
Resumo: está em andamento a fritura de Caio Júnior. Dia mais, dia menos, deve seguir a rotina de demissão tão comum à sua função. Depois, quando um treinador recebe convite e larga um trabalho no meio do caminho, nós o chamamos de ingrato e mercenário. São tênues e hipócritas os laços que unem um técnico a um clube. Qualquer técnico, qualquer clube.
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Um aspecto me chamou a atenção, nessa agonia do Vanderlei Luxemburgo no Flamengo. Foi a demora do clube de admitir que iria dispensá-lo. O desgaste do treinador era evidente desde o final do Brasileiro de 2011, e os indícios de demissão correram soltos nas férias e já no início das atividades para esta temporada. Todo mundo sabia, na Gávea, mas ninguém reconhecia.
A enrolação não foi por cautela, por temor de que o time pudesse se complicar na disputa de vaga para a fase principal da Libertadores. A ruptura, evidente nos bastidores, só demorou a ocorrer na prática por causa de dinheiro. Como a multa era salgada – R$ 4 milhões –, a estratégia da cartolagem rubro-negra foi a de cozinhar o técnico em banho-maria. Queriam que ele jogasse a toalha; assim, ficaria o clube desobrigado de arcar com o pagamento.
Atitude equivocada, porque o ambiente só se deteriorou nesse período. Luxemburgo chutou o balde com os jogadores, mas não largou a rapadura – no que estava certo. Eu, você, se tivéssemos uma cláusula dessas em nossos contratos deixaríamos o carvão de bandeja? Não. Mas houve o risco de sobrar para o time. E se o Fla ficasse fora da competição? O prejuízo não seria muito maior do que esse – e que já não é pouco?
Esse tipo de comportamento revela como há amadorismo ultrapassado em agremiações importantes. O Flamengo não poderia ter proposto (ou ter aceitado a imposição) uma multa pesada, na hora em que fechou o contrato. É mais do que sabido que relação clube-treinador se desgasta num piscar de olhos. O professor que hoje chega como salvador da pátria, ganhando os tubos, amanhã vira vilão e é escorraçado.
É justo que ambas as partes se protejam, mas não se pode brincar com patrimônio de clubes dessa maneira. Ainda mais no caso do Flamengo, que tem tido dificuldade para bancar despesas com os jogadores. Agora, terá mais essa dor de cabeça e de bolso.
Outra coisa: está na hora de Luxemburgo se reciclar. Lembro que escrevi, quando saiu do Atlético-MG, em 2010, que seria bom para a imagem dele se tirasse um período sabático. Se saísse um pouco de circulação, se fosse dar uma voltinha pela Europa e espiar o que fazem seus colegas. Fazer-se, enfim, desejado por aqui. Na época, topou logo pegar o Fla e tocou o barco. Por que não pensa em um descanso agora? Poderá fazer-lhe bem e não desperdiçar o currículo respeitável que acumulou em duas décadas de carreira.
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Tenho calafrios com conclusões categóricas tiradas de amistosos de início de ano. Portanto, não pense que vou cravar opinião definitiva a respeito de Corinthians e Flamengo com base nos2 a2 de Londrina. Seria tolo e precipitado, um exercício de adivinhação – ou chute, pra ficar em linguagem mais direta.
Mas a apresentação dos dois times neste domingo serviu para algo mais do que preencher grade de televisão em período de férias escolares. O amistoso no Paraná mostrou um Corinthians titular com bom astral – e não poderia ser diferente – e um grupo reserva do Flamengo com vontade de agradar Luxemburgo.
O jogo valeu, para os corintianos, pelo primeiro tempo. Com a formação que Tite (ficou em casa) mandou a campo, o time manteve a toada do Brasileiro de 2011. Certo que até em ritmo mais lento, natural para grupo que volta de um mês de inatividade. A opção, pelo menos na intenção inicial, é ter Liedson e Emerson no ataque, com Alex e Danilo a reforçar, quando houver espaço. Tanto que Alex deixou sua marca com o primeiro gol. Defesa e meio-campo, sem novidades, comportaram-se dentro das expectativas.
O grupo de reservas corintiano não foi tão bem. Fiquei mais de olho em Adriano, pois os demais vinham com aproveitamento regular em 2011. Pois o rapaz continua pesadão e vai dar trabalho para os preparadores físicos. Só com muita boa vontade, ou por extrema necessidade, vira alternativa em início de temporada. Tem de correr contra o tempo.
Para o Flamengo o que contou, em termos de resultado, foi a segunda parte, repeteco do que houve no amistoso de meio de semana. Os reservas anularam a vantagem corintiana de2 a0 e mostraram ao treinador que muita coisa vai mudar no “time de cima”. Luxemburgo tem de ser mais ágil nas mudanças, pois sua equipe disputará a fase preliminar da Taça Libertadores e não pode correr risco de vexame.
O time titular voltou a pecar na marcação, tanto no meio como na defesa, e por isso levou os gols e ainda passou por sustos. E, mais grave: nesta segunda deve abrir mão definitivamente de Thiago Neves e ainda tentar solução para o caso Ronaldinho Gaúcho. O astral deixou no ar, na entrevista de intervalo para a TV Globo, que pretende ter sua vida resolvida antes da viagem para a Bolívia. Interrogação no ar.
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Os ventos continuam a soprar a favor do Corinthians, nas rodadas que restam do Brasileiro. Especialmente na 35.ª, que começou na quarta-feira e fechou nesta quinta-feira. O líder fez a parte dele (bateu o Ceará em Fortaleza), o vice-líder Vasco empatou (agora está dois pontos atrás), Botafogo e São Paulo perderam (e deram adeus à briga pelo título), o Figueirense empatou (também está longe da taça). E o Atlético-MG venceu.
Mas o que tem a ver com o Corinthians os 2 a 1 do Atlético-MG diante do Coritiba? Aparentemente, nada. Mas na prática pode ser mais um fator a contribuir para Tite e sua turma chegarem ao pentacampeonato brasileiro. Com o resultado, o Galo mineiro foi a 42 pontos ganhos e viu diminuir muito o risco de rebaixamento. Jogou mais responsabilidade sobre o Cruzeiro, por exemplo, que tem 38, sobre Atlético-PR (37) e Ceará (35). América-MG e Avaí dificilmente se salvam.
Com a cabeça mais tranquila, o Atlético-MG também pode atuar mais relaxado diante do Corinthians, no duelo marcado para domingo. Eis o ponto. Ok, sei que se trata apenas de suposição, porque quando a bola começa a rolar tudo muda de figura. Mas, sempre na teoria, é melhor os corintianos enfrentarem um rival menos desesperado do que um que precisa fazer de tudo para evitar a degola. Como ocorreu dias atrás com o América (derrota por 2 a 1).
O Atlético engatou marcha acelerada, nas últimas semanas, e havia tido uma freada na rodada anterior, com derrota justamente para o Figueirense. Contra o Coritiba, o time de Cuca não vacilou, abriu 2 a 0, gols de Neto Berola no primeiro tempo e Leonardo Silva no segundo. Quase em cima da hora Bill descontou para os paranaenses.
Outro resultado importante foi o empate do Figueirense com o Flamengo, por 0 a 0, no Engenhão. O time catarinense cedeu espaço na etapa inicial, foi melhor na segunda e poderia ter obtido a sétima vitória consecutiva, se Aloisio não tivesse desperdiçado pênalti. Com 57 pontos, o time de Jorginho ainda tem de enfrentar o Corinthians (em casa, na penúltima rodada) e luta por vaga na Libertadores. O Fla, com 56, também está na zona do torneio continental, mas saiu de campo vaiado. Luxemburgo, de novo, foi contestado pela torcida.
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Cada vez que vejo Neymar em ação, me convenço mais de que estamos diante de um craque. O rapaz joga muito e ultimamente se transformou na estrela solitária do Santos, já que Ganso e Elano têm frequentado mais a enfermaria e a sala de fisioterapia do que o gramado. Ok, justiça seja feita: Borges dá conta do recado na frente e faz muitos gols. Mas é diferente.
Com Neymar em ação, o Santos em geral se transforma em time de qualidade, ousado, criativo. E isso não ocorre por coincidência, pois são características do jovem que um tempo atrás alguém classificou como “monstro”, no mau sentido. Ele tem sido o ponto de referência, a válvula de escape, o regente do time. Carrega o piano no ataque. E como solista bagunça o coreto dos adversários.
No meio da semana, desmontou o Botafogo e por pouco não fez o mesmo na noite deste domingo com o Flamengo. Foi Neymar quem desestabilizou o time do pofexô Luxemburgo, com seus dribles, arrancadas, passes, chutes, faltas recebidas, pênalti cobrado e o gol. Faltou um tiquinho para não garantir outra vitória santista, que seria comemorada por corintianos e vascaínos. Tivesse alguém para tabelar, teria feito a festa no Engenhão.
Só não saiu como herói da noite porque Deivid, o enjeitado pela torcida do Fla, garantiu o empate. O ponto recuperado mantém a esperança rubro-negra de chegar a mais um título. Só que agora está mais complicado. De qualquer forma, ainda tem o confronto com o Vasco, na última rodada. Vai que seja o duelo decisivo? E nunca é demais lembrar que o Vasco, daqui a duas semanas, terá o Santos pela frente…
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A festa era para a volta de Luís Fabiano ao São Paulo. Mas o público que foi ao Morumbi viu o ressurgimento do Flamengo no Campeonato Brasileiro. O time de Vanderlei Luxemburgo ganhou por 2 a 1, encurtou a distância de novo no bloco principal e manda o recado de que vai embolar a corrida na reta final. O tricolor tem 46 pontos, dois a mais do que o rubro-negro.
Imaginava jogo bom – e felizmente foi além disso, apesar da chuva. As duas equipes tiveram oportunidades para fazer mais do que os 2 a 1 finais. O Fla foi melhor e só não encheu o balaio são-paulino de gols porque Rogério Ceni, do alto de sua veteranice de 38 anos e duas décadas de suor sob as traves, defendeu pelo menos três chutes venenosos. Como ironia, no gol decisivo de Renato Abreu ficou vendido, pois a bola desviou em Carlinhos Paraíba.
O mérito do Fla foi o de domar o entusiasmo do São Paulo. Luxemburgo armou bem o sistema defensivo da equipe e ainda contou com bom desempenho de Ronaldinho Gaúcho na armação de contra-ataques. Mesmo assim, houve equilíbrio no primeiro tempo. A história mudou com o gol de Thiago Neves aos 19, depois de o Fla esbarrar várias vezes nas mãos de Rogério Ceni.
O São Paulo já sofria com a expulsão de Lucas no início da etapa final. Ainda assim, reagiu com o golaço de Dagoberto aos 33, porém jogou a toalha com o segundo do Flamengo, aos 39. (O time carioca perdeu Willians expulso aos 25.) A torcida que proporcionou o maior público do ano (acima de 63 mil pagantes) pegou no pé de Adilson Batista, sobretudo após a saída de Luís Fabiano.
O reestreante da tarde saiu aos 14 do segundo tempo, para a entrada de Carlinhos Paraíba. No período de uma hora em que ficou em campo, Luís Fabiano procurou o jogo, se deslocou, arriscou dribles e pelo menos um chute a gol foi mais perigoso. Sem contar uma bola na trave, em lance em que estava impedido. Mas não aguentou o ritmo, como se previa, saiu e no final ainda aliviou para Adilson. “Estava combinado. Ele não errou ao me tirar.”
O São Paulo não foi um desastre, mas deixou no ar dúvidas em torno de seu equilíbrio emocional e tático para a última parte do Campeonato. Nada muito desastroso, já que os que estão à frente ou imediatamente atrás têm oscilado muito.
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Não há bem que sempre dure nem há mal que nunca termine. Desta vez, a segunda parte do dito popular vingou para o Flamengo. Depois de dez rodadas sem vencer – cinco empates e cinco derrotas –, a equipe de Vanderlei Luxemburgo enfim ganhou, nos 2 a 1 de virada sobre o América-MG, na noite deste sábado, no Engenhão. No sufoco, na raça, com o coração na mão até o último instante. Mesmo assim, foi a 41 pontos e está no bloco principal.
O Flamengo entrou em campo pressionado, e sem Ronaldinho Gaúcho. Luxemburgo preferiu Jael no ataque e deixou David no banco. O rubro-negro teve dificuldade com a marcação do América, que aos poucos se soltou e deu trabalho para o goleiro Felipe. Como o Coelho atuava como franco-atirador, não teve medo de ir à frente à medida que o tempo passava. O prêmio veio com o pênalti que Kempes cobrou aos 29 minutos.
A desvantagem deixou o Fla descontrolado e a torcida passou a pressionar. Tanto que vaiou o time, na saída para o intervalo. Na volta, Luxemburgo havia feito três alterações: Diego Maurício no lugar de Maldonado, Thomas em substituição e Botinelli e David no posto de Jael. O time melhorou, acelerou o ritmo e o goleiro Neneca apareceu muito, com belas defesas.
O Fla também explorou descidas de Leo Moura pela direita. Numa das arrancadas, centrou a bola na medida para David empatar, aos 17 minutos. O Fla cresceu e, mais na base da raça do que na técnica, encurralou o América. Tanto fez que virou aos 44, com Diego Maurício iniciando jogada que Thiago Neves completou.
O Flamengo tirou, enfim, peso enorme, e pode preparar-se com calma para o clássico com o São Paulo, no próximo fim de semana. E, com o campeonato tão maluco, volta a ter chance de título. Desde que não fique mais dez rodadas sem vencer.
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Que o Flamengo em algum momento iria perder a invencibilidade, todo mundo sabia. Só não se imaginava que seria da maneira como ocorreu. A surra de 4 a 1 para o Atlético-GO, na noite desta quinta-feira, no Engenhão, foi daquelas de fazer o sujeito ir para casa quietinho, se enfiar debaixo das cobertas e tentar dormir para esquecer. Ao acordar no dia seguinte, ainda se belisca, para ver se era tudo verdade mesmo. Pior que era.
Os dois times tiveram papéis invertidos no Rio. O Atlético-GO, que luta para sair do sufoco na parte inferior da tabela, se comportou como time grande. O Flamengo, na briga ponto a ponto com o Corinthians pela liderança, agiu como a equipe sem rumo que vai a pique. Não podia dar senão em desastre para o rubro-negro carioca e noite memorável para o goiano.
O sinal de que a noite seria incomum veio logo aos 13 minutos, com o gol de Pituca, numa cobrança de escanteio. Ele contou com a valiosa colaboração de Felipe, que saiu mal, e também do estreante Alex Silva, que ameaçou subir e ficou no meio do caminho.
Aliás, goleiro e zagueiro não foram felizes – no segundo gol, aos 38, Alex ficou vendido e só viu o Julinho passar como um foguete para mandar a bola para as redes. No terceiro, logo no início do segundo tempo, Felipe bateu roupa no lance em que Anselmo desviou para o gol. Daí pra frente, foi só farra e o quarto gol aos 36 minutos veio numa troca de passes em ritmo de treino; Diogo Campos só completou. No minuto seguinte, Jael diminuiu.
Errou também Vanderlei Luxemburgo, que escalou o Fla com três zagueiros (Alex Silva, Ronaldo Angelin e Wellinton), apostou nos alas (só Leo Moura desceu um pouco), num meio-campo sem criatividade (fizeram falta demais Ronaldinho e Renato) e isolou Deivid na frente.
Um episódio para apagar. Só não dá para esquecer que o Fla tem 34 pontos, três a menos do que o Corinthians, e no final de semana o desafio é o Inter. Derrapada feia, mas tem muito jogo pela frente.
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