Antero Greco - Estadao.com.br
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O Santos pode agradecer ao céu, aos protetores e a todas as mamães. O sonho do tetra paulista esteve perto do fim, na tarde deste domingo, e ainda no primeiro tempo do duelo com o Corinthians. Neymar e companheiros não viram a cor da bola, flertaram com uma surra memorável e no final das contas devem se dar por satisfeitos com a derrota por apenas 2 a 1. Com isso, têm esperanças para o próximo domingo.

A primeira parte das quatro que compõem a decisão do estadual foi um passeio corintiano. Sem inventar, e com alguns deslocamentos de função, Tite conseguiu devolver ao time a consistência e a regularidade dos melhores momentos do ano passado. Ralf e Paulinho estiveram impecáveis na marcação, enquanto Romarinho, Danilo e Emerson fechavam espaços, ao mesmo em que encostavam em Guerrero.

O Santos ficou acuado e se ressentiu de desempenho apagado de Marcos Assunção e Miralles. Ambos pareciam nem ter entrado em campo. Como consequência, Neymar ficava isolado, escanteado na frente. Para sorte do Corinthians, que pressionou, teve muitos escanteios a favor, até chegar à vantagem, com Paulinho. Diferença que só não ficou maior antes do intervalo, porque Paulinho mandou uma bola no travessão.

A goleada se desenhou no primeiro tempo e fugiu no segundo. Muricy acordou, ao tirar os pesos mortos Assunção e Miralles, para colocar Felipe Anderson e André. A dupla tornou o time mais leve, o Santos reequilibrou o jogo e também deu trabalho para Cássio. Havia, enfim, uma partida e não só uma exibição unilateral.

O Corinthians ainda ampliou a vantagem, com Paulo André, se bem que tomava mais cuidado com a defesa. O Santos não perdeu o pé, diminuiu com Durval e recuperou a esperança de definir em casa. Mesmo com um Corinthians mais estável no momento, não se pode cravar que o troféu vá para o Parque São Jorge.

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Quem teve coragem de ver do começo ao fim, sem cochilar, acompanhou na tarde deste domingo um São Paulo x Corinthians que poderia ser definido como Falta de apetite x Vontade de não comer. Os dois rivais, que costumam fazer clássicos interessantes, desta vez foram protagonistas de um dos jogos mais chatos do ano. O 0 a 0 foi placar e nota.

Esperava mais de duas equipes que entraram em campo com a necessidade de mostrar reação. No meio da semana, ambas caíram nos jogos de ida da Libertadores e deveriam usar o Estadual como laboratório (ou etapa) para reerguer-se. Como estavam com força máxima, a tendência era a de presentear o público com emoção, tensão, gols.

Ilusão. Com muito boa vontade, o que houve foi adrenalina a mais em algumas divididas ríspidas e um pouco de catimba. Jogadas bem elaboradas, chances de gol, tabelas, dribles e demais pormenores andaram distante do estádio. Nem São Paulo nem Corinthians se deram o trabalho de arrancar aplausos, suspiros das torcidas. Nem vaias.

O São Paulo, para mostrar que a fase está complicada, ainda perdeu Osvaldo, que ultimamente tem sido um dos melhores do elenco. Com menos de dez minutos, saiu de campo por contusão e preocupa já para o tira-teima com o Atlético-MG em BH. Quando a maré está contra, fica difícil mesmo remar.

Se no primeiro tempo ainda houve algumas tentativas agudas, no segundo elas praticamente desapareceram. E, a partir dos 20 e poucos minutos, os dois times preferiram não arriscar um milímetro, e empurraram tudo para os pênaltis.

Daí, deu Corinthians. E nem cabe a reclamação tricolor de que o juiz foi rigoroso ao mandar volta o pênalti cobrado por Pato (o último da série) e que Rogério Ceni defendeu. Sou a favor do goleiro nos pênaltis, e não me incomodo nada com um pouco de catimba e um passo à frente. Mas Rogério se adiantou muuiiito. Não dava para passar batido. Na repetição, Pato marcou e colocou o Corinthians na final.

A turma de Tite continua sua incrível trajetória de finais e busca de títulos: Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores, Mundial. O São Paulo concentra-se agora na Libertadores, em que tem tarefa complicadíssima, a de sair da desvantagem por 2 a 1.

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Os clássicos entre Corinthians e São Paulo têm sido dos mais atraentes dos últimos anos. Independentemente da competição, na maior parte das vezes em que se encontram acontece algo extraordinário, para fugir da rotina. Ou uma surra daquelas para um dos lados, ou gol histórico de goleiro, ou polêmica apimentada. Tira-teimas que dão o que falar.

Para não fugir à regra, o domingo reserva mais uma etapa de rivalidade salutar – só perde a graça na cabeça dos desmiolados que veem futebol como guerra e não como divertimento. O programa de hoje vale vaga para a final do Paulista. Mesmo que fosse só para cumprir tabela, salvo engano, seria divertimento garantido.

Além de definir quem permanece na luta por título estadual – o São Paulo não festeja desde 2005, o Corinthians, desde 2009 -, o jogo serve como parâmetro para medir a capacidade de reação, num momento delicado. Ambos perderam no meio de semana, na abertura das oitavas de final da Taça Libertadores, e por isso entram em campo pressionados a dar sinal de vida.

Por mais que se diga que um torneio não tem nada a ver com o outro, impossível dissociar o caminho regional daquele continental. Estão ligados, e é normal que assim seja. Embora, em muitas ocasiões, equipes pareçam ter duas personalidades, uma reencarnação esportiva de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, os personagens de O Médico e o Monstro. Doideira mas acontece, assim como tem jogador que arrebenta nos clubes e some na seleção. Ou vice-versa.

E, por esse aspecto, o fardo do São Paulo parece mais pesado. A relação com os fãs tem oscilado: num momento, transmite confiança incondicional, como na vitória sobre o Atlético na última rodada da fase de classificação ou como nos primeiros 30 minutos da partida de quinta-feira. Em seguida, há episódios angustiantes, como no 1 a 0 apertado, suado (e com gol contra) diante do Penapolense, há uma semana, nas quartas de final paroquial, ou como nos dois terços restantes da refrega com o Galo na Libertadores.

Nunca se sabe ao certo qual São Paulo subirá para o campo. Daí a apreensão do torcedor, que fica na dúvida a respeito do que o espera. Entra em cena também a escassez de conquistas de vulto nas temporadas recentes (a Sul-Americana de 2012 e só), um incômodo para quem ficou muito bem acostumado com troféus a rodo no último quarto de século. E, para complicar, a situação na Libertadores é complicada com os 2 a 1 levados em casa.

Ney Franco tem consciência da sinuca em que se meteu com os jogadores e, na bucha, avisou que não é hora de poupar ninguém. Vai à luta com o que tem de melhor, incluído Luis Fabiano. Mas terá de administrar um caso delicado: como se comportará a torcida com Lúcio? O pessoal saiu bravo com o zagueiro pela expulsão estulta. Sensato, agora, seria abaixar a poeira.

Com o que escrevi, significa que o Corinthians está com o burro na sombra? Não. A cobrança é débil, pois a Fiel ainda curte o a felicidade provocada por Libertadores e Mundial do ano passado. As façanhas extraordinárias levam o público ao êxtase, como se nada houvesse a reparar.

Bacana – quem não quer levitar com proezas do time? Só que mesmo os mais apaixonados uma hora despertam dos devaneios, se perceberem que o encanto pode romper-se. Em princípio, cair fora da briga pelo cetro paulista não tumultuará o ambiente. Com certo desdém, se pode dizer; “Ah, temos um monte.”

E, se for despachado pelo Boca, dentro de dez dias? Não haverá quebra-quebra, mas retornarão incertezas. Diante disso, o melhor então é correr e muito. Serve para os dois.

Que prestígio! A segunda parte de São Paulo x Atlético na Libertadores, agora em BH, terá de novo árbitros de fora. No Morumbi, foram paraguaios; no Independência, uruguaios. O pedido de apitadores gringos foi mineiro, corroborado pela CBF. Belo sinal de confiança na capacidade dos juízes do país da Copa.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 5/5/2013.)

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O Corinthians não inventou moda, em Buenos Aires, mas também não foi atrevido. Ao contrário, teve comportamento dispersivo, quase presunçoso. Consequência disso? Perdeu para o Boca Juniors por 1 a 0, na ida das oitavas de final. Não é resultado desastroso e pode ser anulado na volta, dentro de duas semanas. Mas, para tanto, terá de jogar futebol, o que não se viu em La Bombonera.

O Boca tecnicamente hoje é mais limitado do que o atual campeão da América e do mundo. A equipe, de novo sob a guarda de Carlos Bianchi, passa por transformação, a ponto de patinar no Campeonato Argentino e de não ser vista como favorita nesses duelos pelo torneio continental. Enfim, não é o bicho-papão de 12, 13 anos atrás.

Mas é o Boca, tem camisa, história, tradição, uma torcida barulhenta e um estádio que sufoca os adversários. E foi desses aspectos que se valeu para superar o Corinthians, na noite desta quarta-feira. Se não tem os astros de um tempo atrás (Riquelme, por exemplo, não pegou sequer banco), compensa com entrega incansável.

Foi o diferencial sobre um rival que também superou traumas, nos últimos dois anos, com receita idêntica. Só que esqueceu da fórmula desta vez. Os corintianos não foram medrosos, não mudaram na essência a forma de jogar. Tite não colocou todo mundo na defesa, à espera de um contragolpe decisivo. Não houve covardia.

Houve, sim, altivez desnecessária, um jeito blasè – ou um saltinho alto, pra ficar no popular. O Corinthians não apertou na marcação, não foi para as divididas como na decisão de 2012, não acelerou o passo, quando esteve no ataque. Criou, a rigor, duas chances – uma com Romarinho, que Orion mandou para escanteio, e outra com Guerrero, que bateu na trave. E basicamente ficou nisso.

Não que o Boca tenha sido muito superior, mas suou, pois sabia que empate já seria sentença de desclassificação. Tanto fez que conseguiu a vantagem com Blandi e, por pouco, não ampliou com Ledesma, que mandou para o gol, mas impedido. (Tomou amarelo na comemoração inútil e, em seguida, o vermelho, por falta.)

Danilo, sempre importante nessas ocasiões, sentiu contusão; preocupa. E Pato entrou apenas no segundo tempo – o que demonstra ainda temor em utilizá-lo sempre. Enfim, não há motivo para desespero. Basta o Corinthians ser o habitual para livrar-se dessa.

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O Boca x Corinthians desta noite em Buenos Aires está com cara de que vai ser um pega daqueles, bom demais pra esquentar a fase de eliminatórias na Libertadores. Os argentinos ficaram injuriados com o rival brasileiro, que teve a petulância, na final do ano passado, de empatar na Bombonera e passear no Pacaembu. Ora essa! E conquista que não deixou dúvidas pra ninguém sobre superioridade.

Pra ninguém mesmo?! Pra Riquelme, pelo menos, o título inédito não convenceu. O veterano meia ficou em semiaposentadoria, após atuar como figurante naquele tira-teima, flertou com alguns clubes, voltou à ativa no lugar de sempre e agora resolveu botar tempero na parrillada (a feijoada fica pra depois). Em entrevista na véspera do clássico, soltou o verbo.

Em primeiro lugar, falou que o Boca é favorito, porque joga em casa, com apoio enorme da torcida, e porque “foi seis vezes campeão da América, contra uma do Corinthians”. E não ficou só nisso: afirmou que, em 2012, o Boca se comportou melhor na decisão, tanto lá quanto cá, e merecia ter vencido.

À parte o direito sagrado que tem de externa a opinião, mesmo as mais estapafúrdias, Riquelme carregou nas tintas. O Boca tem história e camisa sempre a serem respeitadas. Não se lhe negam qualidades. Mas colocar o número de conquistas como fator favorável denota uma jactância desnecessária – ou “panca”, como se dizia no Bom Retiro. Está bem, uma tentativa de intimidar um adversário que encorpou.

O momento hoje é diverso. O Boca enfraqueceu, faz papel opaco no Campeonato Argentino e não conta com uma geração brilhante como aquela do início dos anos 2000. O Corinthians, ao contrário, cresceu, amadureceu, alcançou eficiência e autoestimas elogiáveis. Não é insanidade, nem puxar sardinha pro nosso lado, cravar que é o favorito, do ponto de vista lógico.

A trupe de Tite não se caracteriza por reunir artistas formidáveis, astros que encantam plateias. Não tem disso. Assim como não há pernas de pau nem iniciantes. O técnico soube moldar um conjunto coeso, com jogo fluente, sovina para dar espetáculos, mas generoso ao evitar frustrações para seus fãs. É consciente da força que possui, não se abala com pressão e recorre à paciência para obter resultados. Um porre para os que têm a missão de superá-lo.

Não há fórmula mágica para encarar um gigante como o Boca: basta o Corinthians não inventar, atuar como sabe, confiar no próprio talento. E deixar a definição para as quartas em casa.

*(Parte inicial de minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, 1/5/2013.)

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Hoje é dia da primeira decisão para Corinthians e São Paulo no Paulista. O destino de ambos será decidido em jogo único, na base do vapt-vupt, depois de 19 arrastadas jornadas na fase de classificação. Um vacilo diante de Ponte Preta e Penapolense, respectivamente, e adeus sonho do título estadual. Uma das contradições do torneio administrado pela FPF.

Taça é taça, e cobrança sempre haverá para equipes acostumadas a conquistas. Mas fica no ar a ligeira impressão de que eventual eliminação não provocará, por ora, maiores sobressaltos no Parque São Jorge, nem no Morumbi. Porque, apesar dos desmentidos categóricos e de praxe, a prioridade está na Libertadores. Faturar a América se mostra mais fascinante do que recuperar a hegemonia regional. Uma pena que assim seja. As duas competições poderiam igualmente atrair atenção dos gigantes.

Não dá para criticar a preferência de corintianos e são-paulinos. O título continental virou obsessão por estas bandas, desde que os anos 1990 colocaram a carinha pra fora e assustaram os brasileiros, pois vieram à luz na época em que Fernando Collor e Zélia Cardoso confinaram a poupança da nação. Em duas décadas, dali em diante, as equipes de cá se fartaram de chegar à final e de atingir o cume. Tricolores experimentaram o gosto da vitória em três ocasiões, enquanto alvinegros ainda estão a saboreá-la como campeões.

Para manter-se ou na trilha do tetra ou do bi, a semana lhes reserva duas provas de fogo. O São Paulo topa novamente com o Atlético-MG, em casa, num dos duelos das oitavas de final. O Corinthians viaja para Buenos Aires, onde reencontra o Boca Juniors, rival na decisão de 2012. Mineiros (pelo excelente futebol do momento) e argentinos (pela tradição) preocupam – daí o dilema de Ney Franco e Tite para encontrar a fórmula exata e dosar as forças entre as duas frentes. Os treinadores vivem a situação clássica do ficar com um olho no gato (Campeonato Paulista), outro no peixe (Libertadores). Sem ter muito por onde fugir.

O gato para o Corinthians, em teoria, é mais ardiloso do que aquele sob a vigilância do São Paulo. A Ponte fez campanha muito boa, sofreu só uma derrota (no jogo contra o Palmeiras) e fechou a etapa anterior com 38 pontos, três a mais do que o adversário deste domingo. Joga em Campinas e pode repetir a proeza de 2012, quando se livrou de Ralf, Paulinho & Cia. na mesma fase de agora.

O Penapolense agarrou a última vaga e entra na base do tudo o que vier é lucro, longe de aparecer como favorito. Se sair da luta, não haverá lamentações, pois cumpriu papel digno e honroso.

Ney resolveu a dúvida na base do vai ou racha. Em miúdos, significa que não dará folga pra ninguém, seja no Paulista, seja na Libertadores. Veem os jogos das arquibancadas os que não tiverem condições médicas ou legais para entrar em campo. No mais, manda carga máxima, com os riscos que isso comporta. Opção compreensível para quem passou apuros tempos atrás e por pouco não foi apeado do cargo.

Além disso, avalia Ney, melhor garantir-se no mínimo em um dos torneios, em vez de ficar sem nada prematuramente. Nessa linha de raciocínio, o Estadual desponta como objetivo mais palpável. De lambuja, sucesso hoje serve como vitamina para encarar Ronaldinho Gaúcho e discípulos no meio da semana.

Tite reza em cartilha semelhante à do colega. Mesmo com acúmulo de desafios, ponderou prós e contras para chegar à conclusão de que vale a pena flertar com o título regional que lhe falta. A equipe mantém a estrutura habitual, desta vez com Romarinho no meio, com Emerson e Guerrero à frente. Pato permanece como alternativa, para a eventualidade até de apelar para mais atacantes.

A escolha permite duas interpretações. A tática, ao sinalizar que não vai se expor diante de uma Ponte que sabe ser agressiva; portanto, reforça o meio. A física, ao preservar Pato, astro tratado com o cuidado que se tem com cristais finos e frágeis.

 

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O Corinthians esbanja lucro com a torcida e com a crítica, pelos títulos da Libertadores e do Mundial. E continua firme no caminho do bi das Américas. Mas por aqui tem dado demonstrações de desconcentração e relaxamento. O mais recente veio na tarde deste domingo, com a derrota por 2 a 1, de virada, para o Linense, no Campeonato Paulista.

O resultado não é o fim da picada – no sábado mesmo o São Paulo perdeu para o XV de Piracicaba, no Morumbi, por 1 a 0, e a Lusa levou surra de 7 a 0 do Comercial na Série A-2. No entanto, por se tratar de equipe em alta, e que contou com força máxima, é bom que não baixe a guarda. Vai que ela contamine desempenho em outras frentes…

Os jogadores alvinegros reconheceram o fiasco, sobretudo pelo desempenho no segundo tempo. Sinal de que não deram um bico na autocrítica. Já serve como caminho para a retomada do empenho. São três meses de temporada e o time não mantém a regularidade de 2012, mesmo com classificação tranquila no torneio su-americano.

No jogo em Lins, o técnico Tite botou a turma toda pra correr e o Corinthians funcionou razoavelmente na primeira parte, com algumas jogadas interessantes e controle do jogo. Tanto que ficou em vantaem com 2 minutos, com o gol de Guerrero, e deu a impressão de que a goleada viria com naturalidade. E esse foi o erro, a avaliação que acomodou.

O Linense percebeu, com o tempo, que o rival estava distraído, com excesso de confiança, e pagou para ver o que iria acontecer. E ocorreu a reviravolta, com os gols de João Salles e Leandro Brasília na segunda etapa. O Linense ainda teve um expulso (Marcelo) e pode agradecer o juiz por não ter dado um pênalti sobre Pato.

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Já vi muitos São Paulo x Corinthians bem melhores do que o deste domingo de Páscoa. Mesmo com descontos aqui e ali, foi uma partida interessante, movimentada, com gols, virada e polêmica. Ingredientes nem sempre necessários, mas que agitam duelos entre grandes rivais. A vitória por 2 a 1 embala os alvinegros para o jogo na Colômbia, pela Libertadores, e serve para tricolores avaliarem suas chances contra o The Strongest.

Ok, no fim das contas o destaque ficou menos para as jogadas e a movimentação das equipes do que para o lance que definiu o placar. O que lamento, mas não fujo da conversa e digo o que já afirmei no tuíter: o árbitro Leandro Marinho não é nenhum primor, porém foi bem ao marcar pênalti de Rogério Ceni em dividida com Pato.

O centroavante foi mais rápido do que o goleiro, na bola mal atrasada por Rafael Tolói (a origem da lambança), ganhou a jogada e em seguida ocorreu o choque. Rogério não saiu com a intenção de dar uma sapatada no centroavante, mas perdeu o tempo da bola e atingiu a sola da chuteira. Pato também não foi com solada; levantou o pé o suficiente para deslocar o são-paulino de fazer a defesa. Basta rever a jogada. Fosse fora da área, o juiz marcaria falta de quem atingiu o outro.

Entendo a reação dos jogadores do São Paulo, do próprio Rogério. Faz parte. Como concordo com o amarelo para o goleiro, pois não saiu com a disposição de derrubar o rival. Da mesma forma, discordo do amarelo para Pato, só porque fez o gesto de “calados!” para os torcedores adversários. Até parece que isso é ofensa!! Coisas do gênero é que tornam o futebol chato. Não houve incitação à violência nem desrespeito.

Fora isso, jogo interessante, com o São Paulo melhor e com uma deficiência: demorou a concluir as jogadas. Criou bons momentos, teve situações legais de ataque e falhou na conclusão, no toque a mais, no chute fraco. Gosto de ver Jadson e Ganso em ação, porque dão mais qualidade ao meio-campo. A defesa continua a ser vulnerável.

O Corinthians vai na toada costumeira, aparentemente baixa a guarda e dá o bote na hora certa. Só acho que ainda não deslanchou. Pode – e deve – melhorar muito.

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31.março.2013 12:13:52

Entre a cruz e a espada*

O resultado do clássico que São Paulo e Corinthians fazem logo mais não vai alterar a vida de nenhum dos dois no Campeonato Paulista. A classificação para a fase seguinte é tão certa quanto afirmar que hoje se comemora a Páscoa. Interessa saber em qual posição cada um terminará após 19 rodadas. Não há o que temer, pelo menos no torneio paroquial.

Mas o duelo no Morumbi importa – e muito. Em primeiro lugar, porque se trata na atualidade da rivalidade mais acirrada por estas bandas. Os clubes cresceram demais, nas últimas décadas, e acumulam títulos, torcidas, provocações e gozações. Não faz bem, nem para um lado para outro, vacilar no Majestoso. Questão de princípios e autoestima.

Por extensão, o desempenho neste domingo especial terá reflexos no ânimo de cada turma para desafios marcados no meio de semana pela Libertadores. E compromissos decisivos, sobretudo para o São Paulo. O time de Ney Franco está por um fio na competição, tem 4 pontos (contra 12 do classificado Atlético) e na quinta enfrenta em La Paz dois adversários: o The Strongest, não tão forte assim, e a altitude, essa sim danada para derrubar favoritos. Até empate pode arrasar com as chances de classificação, dependendo do que tiver ocorrido um dia antes no jogo que o Galo fará em Belo Horizonte com o Arsenal.

A pressão sobre o treinador tricolor diminuiu um tico, pois a vida no estadual segue mansa. O nó está no plano internacional. Pode contar muito pouco terminar em primeiro lugar por aqui e ver fugir o objetivo maior. Por isso, Ney enfrenta dilema para definir a escalação. Se optar por time reserva, pode levar uma coça e carregar a bronca dos fãs para a Bolívia. Se preferir força máxima, como é a tendência, há o risco de sofrer baixas – e dá-lhe dor de cabeça na viagem. A história da cruz e da caldeirinha, ou do se ficar o bicho pega, se correr o bicho come, entre céu e inferno e outras expressões populares. Escolha a que lhe agradar.

O panorama para o Corinthians é um tanto diferente, mas com aspectos em comum com o rival. Assim como o São Paulo, não se admite tropeço, ao mesmo tempo em que se teme acidente de percurso. O campeão da América e do mundo levou sustos, com contusões – casos mais significativos os de Cássio, Paulinho, Pato e Renato Augusto. Este último fica de molho por semanas, o centroavante está pronto, apesar do temor de que sinta falta de ritmo (será só isso mesmo?). O goleiro se recompôs, da mesma forma que o meio-campista.

O Corinthians tem a seu favor a bonança com as conquistas magníficas de 2012 e com a perspectiva de depender só de si para seguir no rumo do bi continental. O entrave é a visita ao Millonarios. As chances de classificação, porém, são muito generosas.

Esta conversa toda me leva a algumas suposições. Arriscado não poupar ninguém a esta altura. O ideal é apelar só para aqueles que estejam tinindo. Independentemente de escalações, não imagino espetáculo morno. Insossos não têm sido os enfrentamentos desses gigantes. Tomara a tendência se mantenha e não sejamos frustrados com outro 0 a 0.

Aleluia! A malhação do Judas por tradição ocorre por volta de meio-dia do sábado de Aleluia. A pequena torcida do Palmeiras que esteve no Pacaembu por pouco não estendeu o ritual para o início da noite e teria como alvo o time todo, além de Gilson Kleina. Para salvação geral, Marcelo Oliveira fez em cima da hora o gol da vitória sobre o Linense. Que sufoco! Tomara seja a ressurreição palestrina.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo de Páscoa, dia 31/3/2013.)

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Sempre fico encafifado quando vejo contusões seguidas numa equipe, ainda nos primeiros meses da temporada. Pode ser azar, por que não? Pode ser descuido de alguns jogadores. Pode ser planejamento equivocado. Pode ser desgaste provocado pela tabela.

Os fatores são vários e cabe aos clubes investigá-los a fundo. O Corinthians, no momento, é presa dessa praga. E várias são importantes. Há quase duas semanas, Alexandre Pato saiu de campo ainda no primeiro tempo do jogo com o Tijuana, segundos depois de ter feito um gol. Não voltou mais e está em tratamento.

Em seguida, foi Paulinho quem se machucou, a ponto de desfalcar a seleção brasileira nos amistosos com Itália e Rússia. Outra baixa de peso. Neste domingo, foi a vez de Cássio e Renato Augusto darem entrada na enfermaria. O goleiro, que demorou para estrear em 2013 por problemas físicos, se machucou em choque durante o jogo com o Guarani. O meia não teve nenhuma dividida, mas a avaliação é de longa ausência.

Tite e seus colaboradores devem passar um pente fino no elenco. Quem sabe reavaliar as condições atléticas de todo mundo. Se não pelo Paulista, cuja classificação é barbada, mas para a Libertadores, porque o objetivo é o bi. Mas, se continuar assim, logo vai faltar gente para compor o banco.

É bom ligar o sinal de alerta. E, quem sabe?, intensificar o rodízio no estadual. As cinco rodadas que faltam não servem para alterar quase nada na vida do Corinthians. Então…

 

 

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