Antero Greco - Estadao.com.br
ir para o conteúdo
 • 

Patrocinado por

Só se fala do frango do Bruno, no primeiro gol que o Palmeiras sofreu no jogo com o Tijuana. Aquele lance constrangedor teria decretado a derrota por 2 a 1 e consequentemente a eliminação na Libertadores. Meia verdade.

A falha do goleiro surpreendeu os 30 e tantos mil palmeirenses que estiveram no Pacaembu, na noite desta terça-feira, além dos milhões que acompanharam o jogo pela televisão. Mas não foi ali que o Palestra deu adeus ao sonho de seguir adiante na competição continental.

O Palmeiras caiu fora por suas limitações, conhecidas do torcedor e mascaradas, em apresentações recentes, pelo empenho fervoroso dos jogadores. Marcou sobretudo a garra na vitória contra o Libertad, na fase anterior, e que garantiu sobrevida à equipe.

No todo, porém, o grupo que Gilson Kleina tem nas mãos é fraco. Há quem diga que é o possível, para o momento, e que o objetivo é reestruturar-se durante a Série B nacional, subir e retomar a reação no ano que vem, por coincidência o do centenário de fundação.
Outra meia-verdade.

O Palmeiras, mesmo rebaixado em 2012, teve no mínimo seis meses para planejar a participação na Libertadores. Perdeu tempo, emperrou na inatividade da diretoria anterior e empacou no discurso da atual, que alega dificuldades financeiras. Jogou no lixo o presente que veio na metade do ano passado com a conquista da Copa do Brasil.

Se ficou no lucro, ao superar a etapa de grupos, poderia obter ganho maior nas oitavas de final. Fale-se o que quiser, mas o Tijuana é desses cometinhas que de vez em quando aparecem no futebol. Fazem um certo barulho, têm um brilhareco e desaparecem.

O time mexicano não é nenhuma maravilha, como ficou comprovado no 0 a 0 no México e na derrota que havia sofrido para o Corinthians por aqui meses atrás. O Palmeiras poderia seguir adiante, se tivesse estofo para tanto, se tivesse equilíbrio, se tivesse qualidade nos jogadores. Não digo caráter, porque os atletas foram dignos. Falo em habilidade, poder de decisão, autocontrole e coisas do gênero.

O peruzaço de Bruno seria compensado, se o time fosse bom, se confiasse no próprio taco. Se tivesse ataque, se não precisasse recorrer a um zagueiro (Henrique) para tentar desequilibrar na frente. Se tivesse um homem de referência para fazer gols.

Mas o Palmeiras revelou, no aperto, como neste momento lhe falta alma vencedora. Já foi eliminado do Paulista, deu adeus à Libertadores e aguarda a Série B. Fortes emoções virão até dezembro.

Tags: , , , , ,

Comentários (31) | comente

10.maio.2013 20:00:34

Arapuca são-paulina*

O São Paulo está sem rumo dentro de campo e com autocrítica destrambelhada nos bastidores. Jogadores e comissão técnica não dão conta do recado nas competições de que participam, como mostram as duas eliminações em quatro dias e o futebol oscilante da equipe. A cartolagem reforça a sensação de destempero com atitudes impregnadas de soberba e doses de galhofa fora de hora. Em resumo, está uma esculhambação.

A coisa não vai bem desde cima. Na tarde do segundo jogo com o Atlético, o presidente Juvenal Juvêncio deu longa entrevista ao repórter André Philal. No estilo pirotécnico e na linguagem rococó que o distinguem, destilou ironia pra todo lado. O objetivo, claro, era o de mostrar que o clube que comanda não compactua com acertos antidesportivos, é pautado por lisura e fair-play, e que paga preço salgado por essa postura. Enfim, pintou retrato de uma agremiação composta por cavalheiros. Aquela negócio do difereeeen-txe! de que se gaba. Pode ser, não discuto o caráter de ninguém.

Mas, de tanto deixar o falatório escoar pelo ladrão, o dirigente caiu em armadilha. Pra cutucar os colegas mineiros, referiu-se ao estádio Independência como uma arapuca, por ser acanhado e supostamente intimidar os adversários. Ficou no ar que a artimanha de não jogar no Mineirão seria forma de pensar pequeno. Pois se esqueceu de emendar, mais tarde, que a ratoeira foi tão bem montada que o time dele não viu a cor da bola, levou de 4 a 1, fora o baile, e saiu da Libertadores murchinho, calado e com o lombo dolorido. O Atlético-MG passeou diante de oponente tão estrelado na competição.

Em vez de vislumbrar inveja e supostas armações, o longevo dirigente poderia voltar-se para si próprio e para o tipo de administração que vinga atualmente no Morumbi. A começar por mudanças de estatuto que lhe permitiram estender o tempo de permanência no poder e sufocam a oposição. Antes, o rodízio frequente na presidência tinha o verniz de processo democrático e de renovação constante no clube.

Agora, não. Fica a impressão de que, assim como outras associações, o São Paulo também é uma espécie de capitania hereditária na qual a sucessão ocorre por direito divino ou régio. Erro que levou pesos pesados (Vasco e Palmeiras, por exemplo) a regredirem e perder espaço. Ambos não conseguem se recuperar de anos de absolutismo de personagens de triste memória. O tricolor armou arapuca semelhante e caiu nela.

As consequências se estendem para o gramado – e atingem o torcedor. O sujeito que está nas arquibancadas ou não liga para a política interna ou, o que é mais comum, não tem acesso às disputas de grupos e facções. (Falo dos fãs comuns, não daqueles que têm interesses.) Pois esse cara que veste a camisa, que se esgoela e se escabela, quer ver bons resultados, concentra a atenção na turma que faz a bola correr. E nisso tem acumulado decepções.

O São Paulo gastou uma dinheirama e não montou elenco competitivo e homogêneo. Escrevi algumas vezes que não o considerava frágil – mas, depois de seguidos sustos e fiascos, tendo a rever minha opinião. Difícil encontrar justificativa para seis derrotas, três vitórias e um empate na Libertadores (com os jogos da fase preliminar). Mal se formou, já terá de passar por reforma.

Para não ficar em análise imediatista, com base em episódios recentes e ainda quentes, um recuo na folhinha amplia a crise de identidade tricolor. Depois dos títulos nacionais de 2006/07/08, minguaram as conquistas. A única foi a Sul-Americana de 2012, com a final inacabada com o Tigre. Se quiser aliviar, se pode alegar que ciclos de glórias e apertos fazem parte da história dos grandes times. Meia-verdade.

O São Paulo ficou duas décadas (1989/2008)em evidência e se tornou dos mais premiados clubes brasileiros. Cultivou a imagem de eficiência e vanguarda. Mas estagnou e precisa de mudanças – do topo à base, se pretende de novo ser diferente, de fato e não só no papo.

*(Minha crônica no Estado de hoje,  sexta-feira, dia 10/5/2013.)

Tags: , , , ,

Comentários (9) | comente

Escrevi em minha coluna no Estadão de quarta-feira que a cobra iria fumar no Independência. Bastava saber de qual lado. A resposta veio clara, sonora, inquestionável, nos 4 a 1 do Atlético sobre o São Paulo. “Fora o baile”, como se dizia no meu querido Bom Retiro, bairro paulistano onde nasci e me criei.

Ronaldinho Gaúcho e sua turma desmontaram um adversário que já havia sido chacoalhado com os 2 a 1 de virada na semana passada no Morumbi. Um São Paulo torto, remendado, a partir da escalação, na qual apareceu Douglas com função de meia, de volante, de atacante. Enfim, não se sabe direito com qual função.

O time de Cuca não deu em momento algum espaço para o São Paulo pensar, criar, ousar, muito menos sonhar com a reação. Se, em nome da tradição tricolor, se esperava pelo menos atrevimento, na prática não houve sequer cócegas no Galo. O que se viu, do começo ao fim, foi um passeio de uma equipe superior, autoconfiante e equilibrada.

O Atlético criou chances, ainda no primeiro tempo, de ter placar folgado. Mandou bola na trave, com Ronaldinho Gaúcho, e assustou com Bernard e Diego Tardelli. Ficou na vantagem do 1 a 0, gol de Jô – e praticamente liquidou a tarefa antes do intervalo. O São Paulo foi batido para os vestiários. Era visível a cara de desânimo dos jogadores.

Desânimo que virou pesadelo na etapa final, quando vieram mais dois gols de Jô (ou Jôvandowski, como falaram alguns torcedores gozadores) e outro de Tardelli. O São Paulo descontou com Luis Fabiano, só pra não ficar no zero.

O Atlético segue como um dos fortes candidatos ao título desta temporada – conquista inédita, esperada. O São Paulo precisa ser remontado para o Brasileiro. Mas, acima de tudo, é preciso que dirigentes saiam do pedestal. O presidente Juvenal Juvencio afirmou, antes do jogo, que o Independência era uma arapuca. Era, sim. Tão bem feita que o time dele não viu a cor da bola.

Tags: , , , , , , , ,

Comentários (12) | comente

08.maio.2013 12:34:07

A cobra vai fumar. Qual*

Há expressões populares de ironia simples e definidora. Essa do título da crônica de hoje vem de longe, salvo engano da época do embarque da Força Expedicionária Brasileira para a Itália, quando se dizia que era mais fácil uma cobra fumar do que o país entrar na guerra. Dali em diante, passou a significar que o clima sempre esquenta quando dois adversários se topam. Ou seja, o bicho vai pegar…

E está com jeito de jogo bom e animado este Atlético-MG x São Paulo, programado para o Independência. Ambos se enfrentaram três vezes na edição atual da Libertadores, com vantagem para os mineiros: 2 a 1 na ida, na fase de grupos, e 2 a 1 de virada na semana passada, no Morumbi. O São Paulo fez 2 a 0 na última rodada da etapa anterior do torneio.

Monotonia não houve nos clássicos prévios – por isso, é justo imaginar-se no mínimo a repetição de duelo com ritmo forte para a noite. Nem há como ser diferente, pelas características das equipes e pelas circunstâncias da partida. O Atlético joga solto, é atrevido e criativo. Não foi por acaso o melhor participante da primeira parte da competição, e conta com jogadores com poder de definição. O São Paulo, mesmo com baixas significativas, volta e meia se arrisca a ir pra cima e pressionar, embora nem sempre consiga sustentar a cadência por muito tempo.

Sobretudo, é decisão em Belo Horizonte. Não há meio-termo, um dos dois cairá fora do caminho do título; portanto, nem tem como levar em banho-maria. A bola está com o Atlético, que anda em paz consigo e com a torcida. Fato. O conjunto montado por Cuca repete a harmonia do Corinthians de 2012, com o requinte de contar com Ronaldinho. Mas não só o gaúcho: também desequilibram Diego Tardelli, Jô e Bernard, ainda um tanto retraído por contusão no ombro, mas que joga muito. Defesa e restante do meio de campo são seguros e experientes. Dá gosto de acompanhar o Galo.

Não se comete exagero ao se detectar o melhor Atlético dos últimos anos. Time com cara de campeão – ou, no mínimo, com perfil de quem vai longe, sem tremer. Até agora não tem decepcionado, apesar de prognósticos reservados após a derrota para o São Paulo. Se supôs que entraria abalado para o novo tira-teima, diante do mesmo rival, nesta fase de eliminação direta. Ganhou e está com um pé nas quartas.

Também vale fazer justiça ao São Paulo: a turma de Ney Franco começou a toda, ficou logo em vantagem (com Jadson) e só Ademilson (que substituiu Aloísio) desperdiçou duas chances benditas. O espetáculo que poderia desembocar em goleada pro pessoal da casa deu uma guinada brusca com a expulsão sonsa de Lúcio, antes do intervalo. O zagueiro xerife lascou pernada pra desmembrar o Bernard – e espanou o Tricolor. Se o Atlético forçasse a barra, a desgraça seria maior.

Dano irreparável? Condenação irreversível? Não creio. Por respeito, constatação e sensatez, é leviano cravar que o São Paulo foi pro espaço. Ninguém perde de véspera – exceto se cair em alguma maracutaia de bastidor. Não é o caso dos dois.

O São Paulo precisa valer-se do repertório e da tarimba de Rogério Ceni – não só nas defesas (só não vale adiantar-se nos pênaltis), mas nas bolas paradas também. Além de Denilson, Jadson, Ganso e de Luis Fabiano, que retorna depois de suspensão. Os dois últimos ficaram em dívida, pelos erros nas penalidades no domingo. Fica a dúvida em torno de Osvaldo, ultimamente o mais eficiente, veloz e ousado da equipe.

Complicada a missão são-paulina, porque lhe pesam sobre os ombros a desconfiança da torcida, as oscilações, as baixas provocadas por contusões, a cobrança interna dos dirigentes. E, principalmente, porque terá diante de si um obstáculo de grosso calibre. Não pode entrar derrotado – na hipótese menos vibrante, tem de acreditar na devolução dos 2 a 1 e nos pênaltis (ai, ai!). Certo é que a cobra vai fumar a partir das 22h. Pra qual lado? Sei lá, ô meu! Trem doido demais, sô!

*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 8/5/2013.)

Tags: , , , , , ,

Comentários (5) | comente

Quem teve coragem de ver do começo ao fim, sem cochilar, acompanhou na tarde deste domingo um São Paulo x Corinthians que poderia ser definido como Falta de apetite x Vontade de não comer. Os dois rivais, que costumam fazer clássicos interessantes, desta vez foram protagonistas de um dos jogos mais chatos do ano. O 0 a 0 foi placar e nota.

Esperava mais de duas equipes que entraram em campo com a necessidade de mostrar reação. No meio da semana, ambas caíram nos jogos de ida da Libertadores e deveriam usar o Estadual como laboratório (ou etapa) para reerguer-se. Como estavam com força máxima, a tendência era a de presentear o público com emoção, tensão, gols.

Ilusão. Com muito boa vontade, o que houve foi adrenalina a mais em algumas divididas ríspidas e um pouco de catimba. Jogadas bem elaboradas, chances de gol, tabelas, dribles e demais pormenores andaram distante do estádio. Nem São Paulo nem Corinthians se deram o trabalho de arrancar aplausos, suspiros das torcidas. Nem vaias.

O São Paulo, para mostrar que a fase está complicada, ainda perdeu Osvaldo, que ultimamente tem sido um dos melhores do elenco. Com menos de dez minutos, saiu de campo por contusão e preocupa já para o tira-teima com o Atlético-MG em BH. Quando a maré está contra, fica difícil mesmo remar.

Se no primeiro tempo ainda houve algumas tentativas agudas, no segundo elas praticamente desapareceram. E, a partir dos 20 e poucos minutos, os dois times preferiram não arriscar um milímetro, e empurraram tudo para os pênaltis.

Daí, deu Corinthians. E nem cabe a reclamação tricolor de que o juiz foi rigoroso ao mandar volta o pênalti cobrado por Pato (o último da série) e que Rogério Ceni defendeu. Sou a favor do goleiro nos pênaltis, e não me incomodo nada com um pouco de catimba e um passo à frente. Mas Rogério se adiantou muuiiito. Não dava para passar batido. Na repetição, Pato marcou e colocou o Corinthians na final.

A turma de Tite continua sua incrível trajetória de finais e busca de títulos: Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores, Mundial. O São Paulo concentra-se agora na Libertadores, em que tem tarefa complicadíssima, a de sair da desvantagem por 2 a 1.

Tags: , , , , , ,

Comentários (14) | comente

Os clássicos entre Corinthians e São Paulo têm sido dos mais atraentes dos últimos anos. Independentemente da competição, na maior parte das vezes em que se encontram acontece algo extraordinário, para fugir da rotina. Ou uma surra daquelas para um dos lados, ou gol histórico de goleiro, ou polêmica apimentada. Tira-teimas que dão o que falar.

Para não fugir à regra, o domingo reserva mais uma etapa de rivalidade salutar – só perde a graça na cabeça dos desmiolados que veem futebol como guerra e não como divertimento. O programa de hoje vale vaga para a final do Paulista. Mesmo que fosse só para cumprir tabela, salvo engano, seria divertimento garantido.

Além de definir quem permanece na luta por título estadual – o São Paulo não festeja desde 2005, o Corinthians, desde 2009 -, o jogo serve como parâmetro para medir a capacidade de reação, num momento delicado. Ambos perderam no meio de semana, na abertura das oitavas de final da Taça Libertadores, e por isso entram em campo pressionados a dar sinal de vida.

Por mais que se diga que um torneio não tem nada a ver com o outro, impossível dissociar o caminho regional daquele continental. Estão ligados, e é normal que assim seja. Embora, em muitas ocasiões, equipes pareçam ter duas personalidades, uma reencarnação esportiva de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, os personagens de O Médico e o Monstro. Doideira mas acontece, assim como tem jogador que arrebenta nos clubes e some na seleção. Ou vice-versa.

E, por esse aspecto, o fardo do São Paulo parece mais pesado. A relação com os fãs tem oscilado: num momento, transmite confiança incondicional, como na vitória sobre o Atlético na última rodada da fase de classificação ou como nos primeiros 30 minutos da partida de quinta-feira. Em seguida, há episódios angustiantes, como no 1 a 0 apertado, suado (e com gol contra) diante do Penapolense, há uma semana, nas quartas de final paroquial, ou como nos dois terços restantes da refrega com o Galo na Libertadores.

Nunca se sabe ao certo qual São Paulo subirá para o campo. Daí a apreensão do torcedor, que fica na dúvida a respeito do que o espera. Entra em cena também a escassez de conquistas de vulto nas temporadas recentes (a Sul-Americana de 2012 e só), um incômodo para quem ficou muito bem acostumado com troféus a rodo no último quarto de século. E, para complicar, a situação na Libertadores é complicada com os 2 a 1 levados em casa.

Ney Franco tem consciência da sinuca em que se meteu com os jogadores e, na bucha, avisou que não é hora de poupar ninguém. Vai à luta com o que tem de melhor, incluído Luis Fabiano. Mas terá de administrar um caso delicado: como se comportará a torcida com Lúcio? O pessoal saiu bravo com o zagueiro pela expulsão estulta. Sensato, agora, seria abaixar a poeira.

Com o que escrevi, significa que o Corinthians está com o burro na sombra? Não. A cobrança é débil, pois a Fiel ainda curte o a felicidade provocada por Libertadores e Mundial do ano passado. As façanhas extraordinárias levam o público ao êxtase, como se nada houvesse a reparar.

Bacana – quem não quer levitar com proezas do time? Só que mesmo os mais apaixonados uma hora despertam dos devaneios, se perceberem que o encanto pode romper-se. Em princípio, cair fora da briga pelo cetro paulista não tumultuará o ambiente. Com certo desdém, se pode dizer; “Ah, temos um monte.”

E, se for despachado pelo Boca, dentro de dez dias? Não haverá quebra-quebra, mas retornarão incertezas. Diante disso, o melhor então é correr e muito. Serve para os dois.

Que prestígio! A segunda parte de São Paulo x Atlético na Libertadores, agora em BH, terá de novo árbitros de fora. No Morumbi, foram paraguaios; no Independência, uruguaios. O pedido de apitadores gringos foi mineiro, corroborado pela CBF. Belo sinal de confiança na capacidade dos juízes do país da Copa.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 5/5/2013.)

Tags: , , , , , , ,

Comentários (3) | comente

Há no ar certa resistência ao futebol do Santos em 2013. O tricampeão paulista, de fato, não mostra o estilo leve, atrevido e criativo de outras temporadas. Já não se vê o brilho intenso de 2010, quando surgiu a Geração 3 dos Meninos da Vila. É uma equipe mais pesada, menos ágil e que às vezes demora para engrenar.

A turma de Muricy Ramalho pareceu travada na noite deste sábado. Poucos jogadores tiveram destaque e vários decepcionaram. Felipe Anderson, André, Montillo (que se machucou), Arouca, Cícero estiveram abaixo do esperado. Sobrou, novamente, para Neymar. O rapaz, mesmo sem dar espetáculo e um tanto abatido, fez a diferença. Apesar de tudo, dos pés dele é que saíram os toques e jogadas melhores.

Apesar do desempenho sem tempero, a eficiência santista sobressai, pelo menos no torneio doméstico. A vitória sobre o Mogi nos pênaltis (5 a 4), depois do empate por 1 a 1 no tempo normal, manteve a regularidade alvinegra. Pela quinta vez seguida chega à decisão – proeza a ser ressaltada, independentemente da qualidade da competição.

A gente alega que o Paulista decaiu, seguindo tendência dos demais estaduais. Fato. Mas não é fácil ter essa constância, sobretudo por aqui. Então, há méritos na campanha santista, que está a dois passos de alcançar inédito tetracampeonato desde que começou o profissionalismo. Para quem pensa apenas em Brasileiro, Libertadores e Mundial, isso pode parecer pouco – mas não é. Se a marca for alcançada, merece muita festa.

Mas foi duro para o Santos seguir na trilha do sucesso. A partida em Mogi Mirim se arrastou, teve poucos momentos emocionantes, ficou aquém do que se previa, para ambas as partes. Daniel e Rafael foram mais empenhados nos pênaltis do que nos 90 e tantos minutos. Os gols de Roni, no final do primeiro tempo, e Edu Dracena aos 31 minutos do segundo, quebraram o que tendia a ser uma semifinal monótona.

O Santos pode valer-se do desgaste do rival na final – seja São Paulo ou Corinthians. Porque os dois estão empenhados na Libertadores. O Tricolor define futuro no meio da semana, contra o Atlético-MG. Os campeões do mundo jogam só no dia 15 diante do Boca. Seja quem for, a decisão tende a ser equilibrada, sem favorito.

Tags: , , , , , , , ,

Comentários (4) | comente

A noite de quinta-feira estava com pinta de tornar-se memorável para o São Paulo, no primeiro duelo com o Atlético-MG pelas oitavas de final da Taça Libertadores. Talvez se torne mesmo inesquecível, mas com tristeza. Depois de início avassalador e o gol de vantagem, o time paulista cedeu espaço, teve Lúcio expulso, viu o rival mineiro crescer, empatar, virar e ficar em excelente situação para o duelo de volta, na semana que vem.

O clássico brasileiro desta fase do torneio continental teve momentos muito distintos. O começo foi exuberante para o São Paulo. Com velocidade, trocas de passes rápidas, deslocamentos e forte marcação, o time de Ney Franco sufocou o Atlético. Em 20 minutos, criou três excelentes oportunidades – aproveitou só uma, com Jadson. Perdeu outras duas com Ademilson, na cara do gol.

Ganso e Jadson ditaram o ritmo da partida, comandaram o São Paulo e, com os demais, deu a impressão de que tudo estaria liquidado ainda no primeiro tempo. Ilusão de outono, passageira. O Atlético custou, mas se assentou em campo, segurou o ânimo tricolor, também tocou a bola e aos poucos avançou.

Quando caminhava para o equilíbrio, o Galo ainda foi beneficiado por uma atitude impensada de Lúcio. O zagueiro deu uma entrada doida em Bernard, levou o segundo amarelo (o primeiro foi por reclamação) e, por extensão, o vermelho. O São Paulo sentiu o golpe, tanto que levou o empate pouco depois, com Ronaldinho Gaúcho.

O Atlético foi inteligente no segundo tempo. Voltou sem pressa nenhuma e, mais do que nunca, tocou a bola pra cá e pra lá, para testar os nervos do São Paulo. Com isso, deixou o anfitrião sem ação, acuado. O segundo gol, com Diego Tardelli, veio naturalmente. A diferença só não foi maior, porque o Atlético não forçou.

A melhor equipe da fase anterior da Libertadores tem tudo para avançar. Só uma reação estupenda do São Paulo para reverter um quadro favorável demais para os mineiros. E o ouvido de Lúcio deve estar ardendo até agora.

Tags: , , , , , , , , ,

Comentários (9) | comente

O Corinthians não inventou moda, em Buenos Aires, mas também não foi atrevido. Ao contrário, teve comportamento dispersivo, quase presunçoso. Consequência disso? Perdeu para o Boca Juniors por 1 a 0, na ida das oitavas de final. Não é resultado desastroso e pode ser anulado na volta, dentro de duas semanas. Mas, para tanto, terá de jogar futebol, o que não se viu em La Bombonera.

O Boca tecnicamente hoje é mais limitado do que o atual campeão da América e do mundo. A equipe, de novo sob a guarda de Carlos Bianchi, passa por transformação, a ponto de patinar no Campeonato Argentino e de não ser vista como favorita nesses duelos pelo torneio continental. Enfim, não é o bicho-papão de 12, 13 anos atrás.

Mas é o Boca, tem camisa, história, tradição, uma torcida barulhenta e um estádio que sufoca os adversários. E foi desses aspectos que se valeu para superar o Corinthians, na noite desta quarta-feira. Se não tem os astros de um tempo atrás (Riquelme, por exemplo, não pegou sequer banco), compensa com entrega incansável.

Foi o diferencial sobre um rival que também superou traumas, nos últimos dois anos, com receita idêntica. Só que esqueceu da fórmula desta vez. Os corintianos não foram medrosos, não mudaram na essência a forma de jogar. Tite não colocou todo mundo na defesa, à espera de um contragolpe decisivo. Não houve covardia.

Houve, sim, altivez desnecessária, um jeito blasè – ou um saltinho alto, pra ficar no popular. O Corinthians não apertou na marcação, não foi para as divididas como na decisão de 2012, não acelerou o passo, quando esteve no ataque. Criou, a rigor, duas chances – uma com Romarinho, que Orion mandou para escanteio, e outra com Guerrero, que bateu na trave. E basicamente ficou nisso.

Não que o Boca tenha sido muito superior, mas suou, pois sabia que empate já seria sentença de desclassificação. Tanto fez que conseguiu a vantagem com Blandi e, por pouco, não ampliou com Ledesma, que mandou para o gol, mas impedido. (Tomou amarelo na comemoração inútil e, em seguida, o vermelho, por falta.)

Danilo, sempre importante nessas ocasiões, sentiu contusão; preocupa. E Pato entrou apenas no segundo tempo – o que demonstra ainda temor em utilizá-lo sempre. Enfim, não há motivo para desespero. Basta o Corinthians ser o habitual para livrar-se dessa.

Tags: , , , , , , ,

Comentários (18) | comente

O Boca x Corinthians desta noite em Buenos Aires está com cara de que vai ser um pega daqueles, bom demais pra esquentar a fase de eliminatórias na Libertadores. Os argentinos ficaram injuriados com o rival brasileiro, que teve a petulância, na final do ano passado, de empatar na Bombonera e passear no Pacaembu. Ora essa! E conquista que não deixou dúvidas pra ninguém sobre superioridade.

Pra ninguém mesmo?! Pra Riquelme, pelo menos, o título inédito não convenceu. O veterano meia ficou em semiaposentadoria, após atuar como figurante naquele tira-teima, flertou com alguns clubes, voltou à ativa no lugar de sempre e agora resolveu botar tempero na parrillada (a feijoada fica pra depois). Em entrevista na véspera do clássico, soltou o verbo.

Em primeiro lugar, falou que o Boca é favorito, porque joga em casa, com apoio enorme da torcida, e porque “foi seis vezes campeão da América, contra uma do Corinthians”. E não ficou só nisso: afirmou que, em 2012, o Boca se comportou melhor na decisão, tanto lá quanto cá, e merecia ter vencido.

À parte o direito sagrado que tem de externa a opinião, mesmo as mais estapafúrdias, Riquelme carregou nas tintas. O Boca tem história e camisa sempre a serem respeitadas. Não se lhe negam qualidades. Mas colocar o número de conquistas como fator favorável denota uma jactância desnecessária – ou “panca”, como se dizia no Bom Retiro. Está bem, uma tentativa de intimidar um adversário que encorpou.

O momento hoje é diverso. O Boca enfraqueceu, faz papel opaco no Campeonato Argentino e não conta com uma geração brilhante como aquela do início dos anos 2000. O Corinthians, ao contrário, cresceu, amadureceu, alcançou eficiência e autoestimas elogiáveis. Não é insanidade, nem puxar sardinha pro nosso lado, cravar que é o favorito, do ponto de vista lógico.

A trupe de Tite não se caracteriza por reunir artistas formidáveis, astros que encantam plateias. Não tem disso. Assim como não há pernas de pau nem iniciantes. O técnico soube moldar um conjunto coeso, com jogo fluente, sovina para dar espetáculos, mas generoso ao evitar frustrações para seus fãs. É consciente da força que possui, não se abala com pressão e recorre à paciência para obter resultados. Um porre para os que têm a missão de superá-lo.

Não há fórmula mágica para encarar um gigante como o Boca: basta o Corinthians não inventar, atuar como sabe, confiar no próprio talento. E deixar a definição para as quartas em casa.

*(Parte inicial de minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, 1/5/2013.)

Tags: , , , ,

Comentários (4) | comente

Comentários recentes

  • Antero Greco: Curioso, justo você escrever isso. Acompanha meu trabalho (o que me honra) e diz iss?!?! Ora…...
  • nimbus: Parece que vc ficou frustrado com a não conquista do Santos.
  • Ândi: Então é isso. A conquista do Paulista agora está resumida a uma nota de rodapé. Triste.. :( (Isso não é...
  • nimbus: Apesar de estar um pouco enfastiado de ver o Timão levantar taça, esse título foi especial. Eu não via o...
  • Daniel Parente Fernandes: É bem verdade tudo que você falou Anterão. O Santos não é mais o mesmo e Muricy não...

Arquivo

Seções

Blogs do Estadão