Antero Greco - Estadao.com.br
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10.maio.2013 20:00:34

Arapuca são-paulina*

O São Paulo está sem rumo dentro de campo e com autocrítica destrambelhada nos bastidores. Jogadores e comissão técnica não dão conta do recado nas competições de que participam, como mostram as duas eliminações em quatro dias e o futebol oscilante da equipe. A cartolagem reforça a sensação de destempero com atitudes impregnadas de soberba e doses de galhofa fora de hora. Em resumo, está uma esculhambação.

A coisa não vai bem desde cima. Na tarde do segundo jogo com o Atlético, o presidente Juvenal Juvêncio deu longa entrevista ao repórter André Philal. No estilo pirotécnico e na linguagem rococó que o distinguem, destilou ironia pra todo lado. O objetivo, claro, era o de mostrar que o clube que comanda não compactua com acertos antidesportivos, é pautado por lisura e fair-play, e que paga preço salgado por essa postura. Enfim, pintou retrato de uma agremiação composta por cavalheiros. Aquela negócio do difereeeen-txe! de que se gaba. Pode ser, não discuto o caráter de ninguém.

Mas, de tanto deixar o falatório escoar pelo ladrão, o dirigente caiu em armadilha. Pra cutucar os colegas mineiros, referiu-se ao estádio Independência como uma arapuca, por ser acanhado e supostamente intimidar os adversários. Ficou no ar que a artimanha de não jogar no Mineirão seria forma de pensar pequeno. Pois se esqueceu de emendar, mais tarde, que a ratoeira foi tão bem montada que o time dele não viu a cor da bola, levou de 4 a 1, fora o baile, e saiu da Libertadores murchinho, calado e com o lombo dolorido. O Atlético-MG passeou diante de oponente tão estrelado na competição.

Em vez de vislumbrar inveja e supostas armações, o longevo dirigente poderia voltar-se para si próprio e para o tipo de administração que vinga atualmente no Morumbi. A começar por mudanças de estatuto que lhe permitiram estender o tempo de permanência no poder e sufocam a oposição. Antes, o rodízio frequente na presidência tinha o verniz de processo democrático e de renovação constante no clube.

Agora, não. Fica a impressão de que, assim como outras associações, o São Paulo também é uma espécie de capitania hereditária na qual a sucessão ocorre por direito divino ou régio. Erro que levou pesos pesados (Vasco e Palmeiras, por exemplo) a regredirem e perder espaço. Ambos não conseguem se recuperar de anos de absolutismo de personagens de triste memória. O tricolor armou arapuca semelhante e caiu nela.

As consequências se estendem para o gramado – e atingem o torcedor. O sujeito que está nas arquibancadas ou não liga para a política interna ou, o que é mais comum, não tem acesso às disputas de grupos e facções. (Falo dos fãs comuns, não daqueles que têm interesses.) Pois esse cara que veste a camisa, que se esgoela e se escabela, quer ver bons resultados, concentra a atenção na turma que faz a bola correr. E nisso tem acumulado decepções.

O São Paulo gastou uma dinheirama e não montou elenco competitivo e homogêneo. Escrevi algumas vezes que não o considerava frágil – mas, depois de seguidos sustos e fiascos, tendo a rever minha opinião. Difícil encontrar justificativa para seis derrotas, três vitórias e um empate na Libertadores (com os jogos da fase preliminar). Mal se formou, já terá de passar por reforma.

Para não ficar em análise imediatista, com base em episódios recentes e ainda quentes, um recuo na folhinha amplia a crise de identidade tricolor. Depois dos títulos nacionais de 2006/07/08, minguaram as conquistas. A única foi a Sul-Americana de 2012, com a final inacabada com o Tigre. Se quiser aliviar, se pode alegar que ciclos de glórias e apertos fazem parte da história dos grandes times. Meia-verdade.

O São Paulo ficou duas décadas (1989/2008)em evidência e se tornou dos mais premiados clubes brasileiros. Cultivou a imagem de eficiência e vanguarda. Mas estagnou e precisa de mudanças – do topo à base, se pretende de novo ser diferente, de fato e não só no papo.

*(Minha crônica no Estado de hoje,  sexta-feira, dia 10/5/2013.)

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Escrevi em minha coluna no Estadão de quarta-feira que a cobra iria fumar no Independência. Bastava saber de qual lado. A resposta veio clara, sonora, inquestionável, nos 4 a 1 do Atlético sobre o São Paulo. “Fora o baile”, como se dizia no meu querido Bom Retiro, bairro paulistano onde nasci e me criei.

Ronaldinho Gaúcho e sua turma desmontaram um adversário que já havia sido chacoalhado com os 2 a 1 de virada na semana passada no Morumbi. Um São Paulo torto, remendado, a partir da escalação, na qual apareceu Douglas com função de meia, de volante, de atacante. Enfim, não se sabe direito com qual função.

O time de Cuca não deu em momento algum espaço para o São Paulo pensar, criar, ousar, muito menos sonhar com a reação. Se, em nome da tradição tricolor, se esperava pelo menos atrevimento, na prática não houve sequer cócegas no Galo. O que se viu, do começo ao fim, foi um passeio de uma equipe superior, autoconfiante e equilibrada.

O Atlético criou chances, ainda no primeiro tempo, de ter placar folgado. Mandou bola na trave, com Ronaldinho Gaúcho, e assustou com Bernard e Diego Tardelli. Ficou na vantagem do 1 a 0, gol de Jô – e praticamente liquidou a tarefa antes do intervalo. O São Paulo foi batido para os vestiários. Era visível a cara de desânimo dos jogadores.

Desânimo que virou pesadelo na etapa final, quando vieram mais dois gols de Jô (ou Jôvandowski, como falaram alguns torcedores gozadores) e outro de Tardelli. O São Paulo descontou com Luis Fabiano, só pra não ficar no zero.

O Atlético segue como um dos fortes candidatos ao título desta temporada – conquista inédita, esperada. O São Paulo precisa ser remontado para o Brasileiro. Mas, acima de tudo, é preciso que dirigentes saiam do pedestal. O presidente Juvenal Juvencio afirmou, antes do jogo, que o Independência era uma arapuca. Era, sim. Tão bem feita que o time dele não viu a cor da bola.

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08.maio.2013 12:34:07

A cobra vai fumar. Qual*

Há expressões populares de ironia simples e definidora. Essa do título da crônica de hoje vem de longe, salvo engano da época do embarque da Força Expedicionária Brasileira para a Itália, quando se dizia que era mais fácil uma cobra fumar do que o país entrar na guerra. Dali em diante, passou a significar que o clima sempre esquenta quando dois adversários se topam. Ou seja, o bicho vai pegar…

E está com jeito de jogo bom e animado este Atlético-MG x São Paulo, programado para o Independência. Ambos se enfrentaram três vezes na edição atual da Libertadores, com vantagem para os mineiros: 2 a 1 na ida, na fase de grupos, e 2 a 1 de virada na semana passada, no Morumbi. O São Paulo fez 2 a 0 na última rodada da etapa anterior do torneio.

Monotonia não houve nos clássicos prévios – por isso, é justo imaginar-se no mínimo a repetição de duelo com ritmo forte para a noite. Nem há como ser diferente, pelas características das equipes e pelas circunstâncias da partida. O Atlético joga solto, é atrevido e criativo. Não foi por acaso o melhor participante da primeira parte da competição, e conta com jogadores com poder de definição. O São Paulo, mesmo com baixas significativas, volta e meia se arrisca a ir pra cima e pressionar, embora nem sempre consiga sustentar a cadência por muito tempo.

Sobretudo, é decisão em Belo Horizonte. Não há meio-termo, um dos dois cairá fora do caminho do título; portanto, nem tem como levar em banho-maria. A bola está com o Atlético, que anda em paz consigo e com a torcida. Fato. O conjunto montado por Cuca repete a harmonia do Corinthians de 2012, com o requinte de contar com Ronaldinho. Mas não só o gaúcho: também desequilibram Diego Tardelli, Jô e Bernard, ainda um tanto retraído por contusão no ombro, mas que joga muito. Defesa e restante do meio de campo são seguros e experientes. Dá gosto de acompanhar o Galo.

Não se comete exagero ao se detectar o melhor Atlético dos últimos anos. Time com cara de campeão – ou, no mínimo, com perfil de quem vai longe, sem tremer. Até agora não tem decepcionado, apesar de prognósticos reservados após a derrota para o São Paulo. Se supôs que entraria abalado para o novo tira-teima, diante do mesmo rival, nesta fase de eliminação direta. Ganhou e está com um pé nas quartas.

Também vale fazer justiça ao São Paulo: a turma de Ney Franco começou a toda, ficou logo em vantagem (com Jadson) e só Ademilson (que substituiu Aloísio) desperdiçou duas chances benditas. O espetáculo que poderia desembocar em goleada pro pessoal da casa deu uma guinada brusca com a expulsão sonsa de Lúcio, antes do intervalo. O zagueiro xerife lascou pernada pra desmembrar o Bernard – e espanou o Tricolor. Se o Atlético forçasse a barra, a desgraça seria maior.

Dano irreparável? Condenação irreversível? Não creio. Por respeito, constatação e sensatez, é leviano cravar que o São Paulo foi pro espaço. Ninguém perde de véspera – exceto se cair em alguma maracutaia de bastidor. Não é o caso dos dois.

O São Paulo precisa valer-se do repertório e da tarimba de Rogério Ceni – não só nas defesas (só não vale adiantar-se nos pênaltis), mas nas bolas paradas também. Além de Denilson, Jadson, Ganso e de Luis Fabiano, que retorna depois de suspensão. Os dois últimos ficaram em dívida, pelos erros nas penalidades no domingo. Fica a dúvida em torno de Osvaldo, ultimamente o mais eficiente, veloz e ousado da equipe.

Complicada a missão são-paulina, porque lhe pesam sobre os ombros a desconfiança da torcida, as oscilações, as baixas provocadas por contusões, a cobrança interna dos dirigentes. E, principalmente, porque terá diante de si um obstáculo de grosso calibre. Não pode entrar derrotado – na hipótese menos vibrante, tem de acreditar na devolução dos 2 a 1 e nos pênaltis (ai, ai!). Certo é que a cobra vai fumar a partir das 22h. Pra qual lado? Sei lá, ô meu! Trem doido demais, sô!

*(Minha crônica no Estado de hoje, quarta-feira, dia 8/5/2013.)

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Quem teve coragem de ver do começo ao fim, sem cochilar, acompanhou na tarde deste domingo um São Paulo x Corinthians que poderia ser definido como Falta de apetite x Vontade de não comer. Os dois rivais, que costumam fazer clássicos interessantes, desta vez foram protagonistas de um dos jogos mais chatos do ano. O 0 a 0 foi placar e nota.

Esperava mais de duas equipes que entraram em campo com a necessidade de mostrar reação. No meio da semana, ambas caíram nos jogos de ida da Libertadores e deveriam usar o Estadual como laboratório (ou etapa) para reerguer-se. Como estavam com força máxima, a tendência era a de presentear o público com emoção, tensão, gols.

Ilusão. Com muito boa vontade, o que houve foi adrenalina a mais em algumas divididas ríspidas e um pouco de catimba. Jogadas bem elaboradas, chances de gol, tabelas, dribles e demais pormenores andaram distante do estádio. Nem São Paulo nem Corinthians se deram o trabalho de arrancar aplausos, suspiros das torcidas. Nem vaias.

O São Paulo, para mostrar que a fase está complicada, ainda perdeu Osvaldo, que ultimamente tem sido um dos melhores do elenco. Com menos de dez minutos, saiu de campo por contusão e preocupa já para o tira-teima com o Atlético-MG em BH. Quando a maré está contra, fica difícil mesmo remar.

Se no primeiro tempo ainda houve algumas tentativas agudas, no segundo elas praticamente desapareceram. E, a partir dos 20 e poucos minutos, os dois times preferiram não arriscar um milímetro, e empurraram tudo para os pênaltis.

Daí, deu Corinthians. E nem cabe a reclamação tricolor de que o juiz foi rigoroso ao mandar volta o pênalti cobrado por Pato (o último da série) e que Rogério Ceni defendeu. Sou a favor do goleiro nos pênaltis, e não me incomodo nada com um pouco de catimba e um passo à frente. Mas Rogério se adiantou muuiiito. Não dava para passar batido. Na repetição, Pato marcou e colocou o Corinthians na final.

A turma de Tite continua sua incrível trajetória de finais e busca de títulos: Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Libertadores, Mundial. O São Paulo concentra-se agora na Libertadores, em que tem tarefa complicadíssima, a de sair da desvantagem por 2 a 1.

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Os clássicos entre Corinthians e São Paulo têm sido dos mais atraentes dos últimos anos. Independentemente da competição, na maior parte das vezes em que se encontram acontece algo extraordinário, para fugir da rotina. Ou uma surra daquelas para um dos lados, ou gol histórico de goleiro, ou polêmica apimentada. Tira-teimas que dão o que falar.

Para não fugir à regra, o domingo reserva mais uma etapa de rivalidade salutar – só perde a graça na cabeça dos desmiolados que veem futebol como guerra e não como divertimento. O programa de hoje vale vaga para a final do Paulista. Mesmo que fosse só para cumprir tabela, salvo engano, seria divertimento garantido.

Além de definir quem permanece na luta por título estadual – o São Paulo não festeja desde 2005, o Corinthians, desde 2009 -, o jogo serve como parâmetro para medir a capacidade de reação, num momento delicado. Ambos perderam no meio de semana, na abertura das oitavas de final da Taça Libertadores, e por isso entram em campo pressionados a dar sinal de vida.

Por mais que se diga que um torneio não tem nada a ver com o outro, impossível dissociar o caminho regional daquele continental. Estão ligados, e é normal que assim seja. Embora, em muitas ocasiões, equipes pareçam ter duas personalidades, uma reencarnação esportiva de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, os personagens de O Médico e o Monstro. Doideira mas acontece, assim como tem jogador que arrebenta nos clubes e some na seleção. Ou vice-versa.

E, por esse aspecto, o fardo do São Paulo parece mais pesado. A relação com os fãs tem oscilado: num momento, transmite confiança incondicional, como na vitória sobre o Atlético na última rodada da fase de classificação ou como nos primeiros 30 minutos da partida de quinta-feira. Em seguida, há episódios angustiantes, como no 1 a 0 apertado, suado (e com gol contra) diante do Penapolense, há uma semana, nas quartas de final paroquial, ou como nos dois terços restantes da refrega com o Galo na Libertadores.

Nunca se sabe ao certo qual São Paulo subirá para o campo. Daí a apreensão do torcedor, que fica na dúvida a respeito do que o espera. Entra em cena também a escassez de conquistas de vulto nas temporadas recentes (a Sul-Americana de 2012 e só), um incômodo para quem ficou muito bem acostumado com troféus a rodo no último quarto de século. E, para complicar, a situação na Libertadores é complicada com os 2 a 1 levados em casa.

Ney Franco tem consciência da sinuca em que se meteu com os jogadores e, na bucha, avisou que não é hora de poupar ninguém. Vai à luta com o que tem de melhor, incluído Luis Fabiano. Mas terá de administrar um caso delicado: como se comportará a torcida com Lúcio? O pessoal saiu bravo com o zagueiro pela expulsão estulta. Sensato, agora, seria abaixar a poeira.

Com o que escrevi, significa que o Corinthians está com o burro na sombra? Não. A cobrança é débil, pois a Fiel ainda curte o a felicidade provocada por Libertadores e Mundial do ano passado. As façanhas extraordinárias levam o público ao êxtase, como se nada houvesse a reparar.

Bacana – quem não quer levitar com proezas do time? Só que mesmo os mais apaixonados uma hora despertam dos devaneios, se perceberem que o encanto pode romper-se. Em princípio, cair fora da briga pelo cetro paulista não tumultuará o ambiente. Com certo desdém, se pode dizer; “Ah, temos um monte.”

E, se for despachado pelo Boca, dentro de dez dias? Não haverá quebra-quebra, mas retornarão incertezas. Diante disso, o melhor então é correr e muito. Serve para os dois.

Que prestígio! A segunda parte de São Paulo x Atlético na Libertadores, agora em BH, terá de novo árbitros de fora. No Morumbi, foram paraguaios; no Independência, uruguaios. O pedido de apitadores gringos foi mineiro, corroborado pela CBF. Belo sinal de confiança na capacidade dos juízes do país da Copa.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 5/5/2013.)

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Há no ar certa resistência ao futebol do Santos em 2013. O tricampeão paulista, de fato, não mostra o estilo leve, atrevido e criativo de outras temporadas. Já não se vê o brilho intenso de 2010, quando surgiu a Geração 3 dos Meninos da Vila. É uma equipe mais pesada, menos ágil e que às vezes demora para engrenar.

A turma de Muricy Ramalho pareceu travada na noite deste sábado. Poucos jogadores tiveram destaque e vários decepcionaram. Felipe Anderson, André, Montillo (que se machucou), Arouca, Cícero estiveram abaixo do esperado. Sobrou, novamente, para Neymar. O rapaz, mesmo sem dar espetáculo e um tanto abatido, fez a diferença. Apesar de tudo, dos pés dele é que saíram os toques e jogadas melhores.

Apesar do desempenho sem tempero, a eficiência santista sobressai, pelo menos no torneio doméstico. A vitória sobre o Mogi nos pênaltis (5 a 4), depois do empate por 1 a 1 no tempo normal, manteve a regularidade alvinegra. Pela quinta vez seguida chega à decisão – proeza a ser ressaltada, independentemente da qualidade da competição.

A gente alega que o Paulista decaiu, seguindo tendência dos demais estaduais. Fato. Mas não é fácil ter essa constância, sobretudo por aqui. Então, há méritos na campanha santista, que está a dois passos de alcançar inédito tetracampeonato desde que começou o profissionalismo. Para quem pensa apenas em Brasileiro, Libertadores e Mundial, isso pode parecer pouco – mas não é. Se a marca for alcançada, merece muita festa.

Mas foi duro para o Santos seguir na trilha do sucesso. A partida em Mogi Mirim se arrastou, teve poucos momentos emocionantes, ficou aquém do que se previa, para ambas as partes. Daniel e Rafael foram mais empenhados nos pênaltis do que nos 90 e tantos minutos. Os gols de Roni, no final do primeiro tempo, e Edu Dracena aos 31 minutos do segundo, quebraram o que tendia a ser uma semifinal monótona.

O Santos pode valer-se do desgaste do rival na final – seja São Paulo ou Corinthians. Porque os dois estão empenhados na Libertadores. O Tricolor define futuro no meio da semana, contra o Atlético-MG. Os campeões do mundo jogam só no dia 15 diante do Boca. Seja quem for, a decisão tende a ser equilibrada, sem favorito.

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A noite de quinta-feira estava com pinta de tornar-se memorável para o São Paulo, no primeiro duelo com o Atlético-MG pelas oitavas de final da Taça Libertadores. Talvez se torne mesmo inesquecível, mas com tristeza. Depois de início avassalador e o gol de vantagem, o time paulista cedeu espaço, teve Lúcio expulso, viu o rival mineiro crescer, empatar, virar e ficar em excelente situação para o duelo de volta, na semana que vem.

O clássico brasileiro desta fase do torneio continental teve momentos muito distintos. O começo foi exuberante para o São Paulo. Com velocidade, trocas de passes rápidas, deslocamentos e forte marcação, o time de Ney Franco sufocou o Atlético. Em 20 minutos, criou três excelentes oportunidades – aproveitou só uma, com Jadson. Perdeu outras duas com Ademilson, na cara do gol.

Ganso e Jadson ditaram o ritmo da partida, comandaram o São Paulo e, com os demais, deu a impressão de que tudo estaria liquidado ainda no primeiro tempo. Ilusão de outono, passageira. O Atlético custou, mas se assentou em campo, segurou o ânimo tricolor, também tocou a bola e aos poucos avançou.

Quando caminhava para o equilíbrio, o Galo ainda foi beneficiado por uma atitude impensada de Lúcio. O zagueiro deu uma entrada doida em Bernard, levou o segundo amarelo (o primeiro foi por reclamação) e, por extensão, o vermelho. O São Paulo sentiu o golpe, tanto que levou o empate pouco depois, com Ronaldinho Gaúcho.

O Atlético foi inteligente no segundo tempo. Voltou sem pressa nenhuma e, mais do que nunca, tocou a bola pra cá e pra lá, para testar os nervos do São Paulo. Com isso, deixou o anfitrião sem ação, acuado. O segundo gol, com Diego Tardelli, veio naturalmente. A diferença só não foi maior, porque o Atlético não forçou.

A melhor equipe da fase anterior da Libertadores tem tudo para avançar. Só uma reação estupenda do São Paulo para reverter um quadro favorável demais para os mineiros. E o ouvido de Lúcio deve estar ardendo até agora.

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O São Paulo gosta de proporcionar fortes emoções para a torcida. Não fugiu à regra, na noite deste domingo, com o 1 a 0 magrinho sobre o Penapolense nas quartas de final do Campeonato Paulista. O time todo de vermelho (um uniforme estranho) passou sufoco para despachar um rival limitado e empolgado. Agora pega o Corinthians.

A equipe de Ney Franco repetiu repertório comum nesta temporada. Dominou o rival, tocou a bola, mas pecou na hora de finalizar, de fazer a vantagem. Passou o primeiro sem importunar muito o goleiro Marcelo. Sem contar que não se aproveitou do medo do Penapolense, que ficou atrás, em busca desenfreada por uma chance de contraataque.

Só que a turma de Penápolis se animou, ao ver que o São Paulo não acertava o pé, e botou as mangas de fora no começo do segundo tempo. Em dez minutos, foram quatro chutes a gol e alguns sustos para Rogério Ceni. A maior parte dos 33 mil torcedores que estiveram no Morumbi ficou apreensiva. A zebra começava a dar as caras…

O São Paulo demorou um pouco a acordar. Quando o fez, viu Luis Fabiano mandar duas bolas na trave, foram alguns chutes que passram raspando. O alívio veio com jogada de Osvaldo (em fase excelente) pela esquerda, que Jailton tentou cortar e mandou pra o próprio gol. Depois disso, teve oportunidade de aumentar a vantagem.

Tudo tranquilo? Nada. Nos minutos finais, o Penapolense foi pra cima com tudo, no desespero e na vontade. Por pouco não empatou e leva para os pênaltis. Que pressão! Agora, a fase está superada e vai para o passado. Assim como esse uniforme esquisito, que mais parecia as tinturas que a gente fazia na roupa décadas atrás.

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Hoje é dia da primeira decisão para Corinthians e São Paulo no Paulista. O destino de ambos será decidido em jogo único, na base do vapt-vupt, depois de 19 arrastadas jornadas na fase de classificação. Um vacilo diante de Ponte Preta e Penapolense, respectivamente, e adeus sonho do título estadual. Uma das contradições do torneio administrado pela FPF.

Taça é taça, e cobrança sempre haverá para equipes acostumadas a conquistas. Mas fica no ar a ligeira impressão de que eventual eliminação não provocará, por ora, maiores sobressaltos no Parque São Jorge, nem no Morumbi. Porque, apesar dos desmentidos categóricos e de praxe, a prioridade está na Libertadores. Faturar a América se mostra mais fascinante do que recuperar a hegemonia regional. Uma pena que assim seja. As duas competições poderiam igualmente atrair atenção dos gigantes.

Não dá para criticar a preferência de corintianos e são-paulinos. O título continental virou obsessão por estas bandas, desde que os anos 1990 colocaram a carinha pra fora e assustaram os brasileiros, pois vieram à luz na época em que Fernando Collor e Zélia Cardoso confinaram a poupança da nação. Em duas décadas, dali em diante, as equipes de cá se fartaram de chegar à final e de atingir o cume. Tricolores experimentaram o gosto da vitória em três ocasiões, enquanto alvinegros ainda estão a saboreá-la como campeões.

Para manter-se ou na trilha do tetra ou do bi, a semana lhes reserva duas provas de fogo. O São Paulo topa novamente com o Atlético-MG, em casa, num dos duelos das oitavas de final. O Corinthians viaja para Buenos Aires, onde reencontra o Boca Juniors, rival na decisão de 2012. Mineiros (pelo excelente futebol do momento) e argentinos (pela tradição) preocupam – daí o dilema de Ney Franco e Tite para encontrar a fórmula exata e dosar as forças entre as duas frentes. Os treinadores vivem a situação clássica do ficar com um olho no gato (Campeonato Paulista), outro no peixe (Libertadores). Sem ter muito por onde fugir.

O gato para o Corinthians, em teoria, é mais ardiloso do que aquele sob a vigilância do São Paulo. A Ponte fez campanha muito boa, sofreu só uma derrota (no jogo contra o Palmeiras) e fechou a etapa anterior com 38 pontos, três a mais do que o adversário deste domingo. Joga em Campinas e pode repetir a proeza de 2012, quando se livrou de Ralf, Paulinho & Cia. na mesma fase de agora.

O Penapolense agarrou a última vaga e entra na base do tudo o que vier é lucro, longe de aparecer como favorito. Se sair da luta, não haverá lamentações, pois cumpriu papel digno e honroso.

Ney resolveu a dúvida na base do vai ou racha. Em miúdos, significa que não dará folga pra ninguém, seja no Paulista, seja na Libertadores. Veem os jogos das arquibancadas os que não tiverem condições médicas ou legais para entrar em campo. No mais, manda carga máxima, com os riscos que isso comporta. Opção compreensível para quem passou apuros tempos atrás e por pouco não foi apeado do cargo.

Além disso, avalia Ney, melhor garantir-se no mínimo em um dos torneios, em vez de ficar sem nada prematuramente. Nessa linha de raciocínio, o Estadual desponta como objetivo mais palpável. De lambuja, sucesso hoje serve como vitamina para encarar Ronaldinho Gaúcho e discípulos no meio da semana.

Tite reza em cartilha semelhante à do colega. Mesmo com acúmulo de desafios, ponderou prós e contras para chegar à conclusão de que vale a pena flertar com o título regional que lhe falta. A equipe mantém a estrutura habitual, desta vez com Romarinho no meio, com Emerson e Guerrero à frente. Pato permanece como alternativa, para a eventualidade até de apelar para mais atacantes.

A escolha permite duas interpretações. A tática, ao sinalizar que não vai se expor diante de uma Ponte que sabe ser agressiva; portanto, reforça o meio. A física, ao preservar Pato, astro tratado com o cuidado que se tem com cristais finos e frágeis.

 

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Parem as máquinas! Preparem os calmantes! Façam estoques de refrigerantes e pipoca! Reserve uma grana extra para ir aos estádios! No próximo final de semana, começará o Campeonato Paulista. Já não era sem tempo. Epa, o calendário corre solto desde janeiro, houve uma infinidade de jogos e só agora vem essa novidade?! Sim, sim, sim.

Acabou a arrastada e quase inútil fase de classificação para apurar-se os quatro times que, junto com Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo, vão disputar o título pra valer. Ou você tinha alguma dúvida que o quarteto, com 19 oportunidades, iria jogar uma vaga no lixo? Só se algum deles fosse tomado por incontornável incompetência.

A nota destoante será o clássico que Santos e Palmeiras farão na Vila. Imaginava-se que não haveria choque de grandes nas quartas de final, disputada em confronto único. (Mais uma contradição do regulamento.) E, por isso, também haverá um duelo entre times do interior, em Mogi x Botafogo. Completam o quadro São Paulo x Penapolense e Ponte Preta x Corinthians.

Desse bloco, vejo o São Paulo como favorito diante do time de Penápolis. É só o que falta, neste momento, a turma de Ney Franco negar fogo diante de rival mais fraco. Jogo pra liquidar no tempo normal, sem risco de pênaltis. E esperar o vencedor de Ponte x Corinthians. Este deve ser mais equilibrado, pois a Ponte só perdeu uma vez (contra o Palmeiras) e mostrou muita regularidade. Como elenco, o Corinthians é melhor.

Santos x Palmeiras é casca de banana. O Santos não fez uma campanha extraordinária e depende muito da inspiração de Neymar. O Palestra não é grande coisa, mas mostrou que em certas ocasiões pode superar-se e surpreender. Não tenho favorito. Assim como é arriscado cravar o Mogi diante do Botafogo. São concorrentes que se equivalem.

Uma coisa é certa: o Paulistão precisa ser repensado. Caso contrário, continuará a minguar, em qualidade técnica e em público. Mas, para tanto, é preciso que a FPF faça sua parte. Fará?

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