Uma das notícias mais importantes desta quarta-feira foi o anúncio de nova cirurgia de Ganso para corrigir problema no joelho direito. O procedimento está marcado para sexta-feira e o prazo de recuperação gira em torno de duas a três semanas. A previsão é de que esteja pronto para atuar pelo menos na segunda partida da semifinal da Libertadores, caso o time passe pelo desafio do Velez, amanhã à noite, na Vila Belmiro.
O prejuízo imediato não será para o Santos, já que seu camisa 10 está escalado para pegar os argentinos nesta quinta-feira. O reflexo ocorrerá na seleção, pois ele saltará os quatro amistosos previstos para o final deste mês e primeiros dias de junho. Jogos importantes para Mano Menezes definir o grupo que levará para o torneio de futebol na Olimpíada.
A questão não é discutir se o Santos poderia adiar a nova intervenção. Mas ficou claro que o clube olhou para seu organograma, analisou o calendário e preferiu abrir mão do atleta neste momento, já que haverá uma pausa no torneio continental. Não levou em conta a seleção.
E, se querem saber minha opinião, digo que agiu bem. O Santos, assim como qualquer outra agremiação, precisa antes de mais nada saber onde aperta o seu calo, quais as dificuldades e prioridades que tem em sua rotina. Se a baixa de um talento como Ganso poderá refletir-se na seleção, por exemplo, paciência. Lamenta-se, mas não é problema dele.
Que me desculpem os nacionalistas, mas para mim os clubes são mais importantes do que seleções. Eles são a sustentação, a essência do futebol.
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Difícil fugir da tentação de fazer comparações. Pegue nas artes, por exemplo. Toda hora vemos que tal ator é melhor do que aquele do passado, que não existe escritor como o monstro sagrado de séculos atrás, que esta banda enfim vai superar uma antiga como a maior de todos os tempos. É a necessidade de cotejar, de reavaliar conceitos e, de preferência, de encontrar novos ícones.
No esporte acontece o mesmo. Só de sucessores de Pelé já surgiram uns 120 desde a década de 1960. Da maioria a gente hoje em dia nem lembra mais o nome. Por quê? Porque em geral esses paralelismos não levam a nada – e não raro prejudicam carreiras promissoras.
A mais recente, por aqui, é a de elevar o Santos tricampeão paulista destes anos 2000 ao mesmo patamar do esquadrão que foi tri duas vezes na época de ouro da Vila Belmiro. O PVC abordou o assunto, na coluna dele de segunda-feira, e por isso não vou me estender em repeteco. Vale o que foi escrito.
Mas, se não der mesmo para fugir do ato de comparar, adianto que a formação de 60, 61, 62 – que vi em ação – é superior, e muito, mas muito mesmo, à atual. A começar pelo número 1, Gilmar, sinônimo de goleiro para diversas gerações, não só de santistas, mas de quem curte futebol. Elegante, seguro, tinha pinta, postura, temperamento e uniforme de goleiro! Camisa, calção acolchoado nos lados e meião preto. Que estampa! E quanto de liderança! O jovem Rafael que me desculpe, mas não o vejo como sucessor. Tem talento, precisa aprender e a segurar muita bola ainda.
Aliás, pra que compará-lo com Gilmar? Viu só como isso é injusto? Não faz sentido, porque só servirá para juízos de valor que tendem a pesar sobre o moço atualmente responsável por segurar a onda sob as traves santistas. Quando a gente se mete a confrontar, em vez de exaltá-lo o colocamos pra baixo. Daí para impaciência, perseguição e malhação é um passo, ou alguns frangos. Penosas que Gilmar também engoliu, mas sem embaçar-lhe a carreira porque não era comparado com nenhum antecessor.
Raciocínio semelhante vale para Neymar. O moço é bom de bola, daqueles talentos que não surgem a todo momento. Tem técnica, carisma, amadurece a cada desafio e esteve no centro deste tri doméstico. A perspectiva de crescimento se mostra extraordinária. Vai longe, apesar dos narizes torcidos dos que duvidam de sua capacidade, ou por serem do contra ou por dor de cotovelo. Você sabe, uma das atitudes tortas da vida é a de falar mal de quem faz sucesso.
Pois bem, Neymar joga muito e vai desfilar alegria pelos gramados por bastante tempo. Mas, não foram poucas as oportunidades em que já vi, na mídia, números que o comparam a Pelé – às vezes, com indisfarçável euforia em seu favor, se em algum quesito é superior ao Rei. Pra quê? Pelo prazer de ver um novo mito, como se o de ontem já não tivesse mais valor? Só pra mostrar que vivemos época de superação? Só por graça ou pirraça?
Daí Neymar não vai bem numa partida, como aconteceu no meio da semana diante do Velez Sarsfield, para parte do mundo desabar sobre a cabeça dele. Pululam, então, as críticas exageradas: farsante, pipoqueiro, fanfarrão, perna de pau e por aí vai. Tremenda injustiça, mas provocada pelo exagero também na exaltação.
Rafael precisa ser conhecido como um grande… Rafael. Neymar deve ganhar fama enorme como… Neymar. E o Santos de hoje, tomara, conquiste o mundo, como… o Santos de hoje. Sem comparações. Se possível…
*(Esta crônica foi publicada apenas na primeira edição do Estado de hoje, 20/5/2012. Depois, foi substituída por outra, sobre o Chelsea.)
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O estádio de Munique amanhã será centro de atenção internacional, ao hospedar o duelo entre Bayern e Chelsea, na final da Copa dos Campeões da Uefa, o mais badalado torneio de futebol que existe por aí, fora o próprio Mundial. Não há a menor dúvida de que será espetáculo bonito, bem organizado. Um programão, que vou ver pela tevê e aplaudir.
Mas reservarei adrenalina e emoção em porções generosas para a largada do Campeonato Brasileiro, hoje com o pontapé inicial na tensa Série B e neste sábado com três jogos da Série A. Essas partidas fazem minha cabeça, mexem comigo. E assim se repetirá até dezembro, como ocorre pontualmente desde que fui fisgado por esporte tão fascinante em algum momento perdido no tempo.
Como é que é?! Acha que estou maluco por admitir que a bolinha daqui desperta paixão maior do que a bolona dos gringos? Pois digo que é isso mesmo. Pelo menos pra mim. Admiro a estrutura dos europeus, reconheço que têm clubes poderosos e que se valem inteligentemente da qualidade de artistas importados da América Latina. Já nos últimos suspiros dos anos 1970, defendia aqui no Estado a necessidade de a seção de Esportes (então, ainda não tínhamos um caderno) dar espaço maior para o futebol internacional. Sobretudo da Itália, que na época era a meca dos boleiros em busca de fama e grana. Portanto, não sou xenófobo nem tenho nada contra a globalização do joguinho de bola.
Mas meu coração continua fiel às equipes de cá. Nem ligo se alguém considerar nacionalista esta postura – acharia mais simpático classificá-la de bairrista. Tenho a respaldá-la um gênio que sabia das coisas. Leon Tolstoi era russo, viveu em grande parte do século 19, tinha ligação profunda com o país dele e se tornou um dos maiores nomes da literatura ao abordar temas domésticos. O autor do monumental Guerra e Paz legou frases de primeira – uma que corre mundo até hoje dizia: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia.”
Com interpretação livre do que afirmou o pai de Anna Karenina, a gente tende a crescer o olho para o que tem no vizinho e esquece de belezas que estão ao nosso alcance. Assim é no futebol. Consideramos os campeonatos estrangeiros, quaisquer sejam eles, a oitava maravilha da natureza. São sempre melhores, mesmo que não sejam… Já me conformei com a existência por estas bandas de brazucas a torcer por Milan, Manchester, Real, Barcelona. São multinacionais. Mas, se bobear, temos fãs-clubes dos Fulham, Lecce, Sochaux, Villarreal, Shakhtar da vida. Dose pra mamute.
Pois a minha aldeia é formada pelo São Paulo e sua obsessão de chegar ao hepta, pelo Corinthians e o desejo de igualar os seis títulos tricolores, pelo Santos e sua moçada de ouro, pelo Palmeiras e o sonho de retornar aos dias de glória, pelo Bahia e sua torcida eternamente otimista, pelo Internacional e o tetra que persegue desde a campanha invicta de 1979. Estou ansioso para ver o que Lusa, Ponte Preta, Atlético-GO, Sport, Figueirense, Coritiba poderão aprontar, ou como alguns tentarão salvar-se. O Flu é forte e o Fla, imprevisível, assim como o Botafogo. E assim por diante.
Não espero o maior espetáculo da Terra, nem sou tonto de achar que nosso futebol retomou patamar técnico de décadas atrás. Mas há mudanças em curso, dinheiro tem entrado (no caso da tevê de forma perigosamente desproporcional) e clubes ousados retêm as estrelas. Mesmo que houvesse pindaíba total, nada se iguala ao prazer de ver meu time em campo. É time brasileiro. E o seu?
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, 18/5/2012.)
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Espero que os desdobramentos não sejam terríveis, mas Santos e Fluminense cometeram erro grave, nesta quinta-feira, nos duelos contra argentinos. Ambos perderam por 1 a 0 – para Velez Sarsfield e Boca, respectivamente – no primeiro duelo das quartas de final e fazem em casa o jogo de volta. Mas pressionados, porque jamais se pode vacilar contra os hermanos.
E tanto um quanto outro escorregaram. O Fluminense jogou mais cedo e, pelos 20 minutos iniciais, deu a impressão de que não se abalaria com o sufoco em La Bombonera. A moçada de Abel Braga foi pra cima, encarou o temível Boca de igual para igual, incomodou o goleiro Orion e teve até chance muito boa com Jean. Parecia que os demolidores de brasileiros seriam enquadrados sem muita cerimônia, como ocorreu na fase de grupos.
Sensação falsa. Com o tempo, o Boca baixou o entusiasmo tricolor, colocou a bola no chão, aproximou-se da área e deu trabalho para Diego Cavalieri. O goleiro foi um dos melhores em campo. Bem diferente de Carlinhos, que cometeu duas bobagens seguidas, mereceu o vermelho e deixou o time com um a menos aos 33 minutos do primeiro tempo.
Jogar com 11 contra o Boca já é complicado; com 10, a tarefa redobra. Os argentinos mandaram na etapa final, criaram oportunidades, cansaram Diego e chegaram ao gol da vitória com Mouche, aos 6 minutos. O Flu sentiu, também, a ausência dos contundidos Deco e Fred, numa noite em que Rafael Sóbis e Rafael Moura negaram fogo. Brasileiros reclamaram da arbitragem, mas devem tratar de jogar mais bola na volta para superar a desvantagem.
Bola também o Santos ficou a dever no duelo com o Velez Sarsfield, para fechar a noite e a primeira perna desta fase da Libertadores. Houve equilíbrio no primeiro tempo, mesmo com Neymar e Ganso bem marcados, e apesar do gol, marcado por Obolo, em descuido geral, da zaga e de Rafael, que ficou em dúvida se saía ou não para tentar a defesa pelo alto.
Os argentinos foram mais eficientes na etapa final – e o Santos tem de agradecer aos céus por não ter tomado outros gols. E também a Rafael, que fez defesas difíceis. Embora com força máxima, o tricampeão paulista percebeu o quanto depende de suas duas estrelas principais. Quando a dupla Neymar/Ganso está apagada ou bem vigiada, a criatividade cai a níveis baixíssimos.
Tem a volta, na Vila ou no Pacaembu, e tomara que represente o retorno do futebol envolvente de quem ainda se mantém como candidato ao quarto título continental. Mas o torcedor santista pode preparar doses adicionais de calmante, pois esse time argentino é chato. Escrevi isso dias atrás e teve quem duvidou…
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Você gosta de futebol? Muito bem. Então, é obrigatório assistir, sempre que possível, a jogos do Santos. Valem pelo time, que tem qualidade acima da média. Valem, sobretudo, por Neymar e Ganso. Os dois moços compensam o sacrifício de ir ao estádio ou de pagar para ver. Já escrevi a respeito disso, mas também vale a repetição.
Neymar outra vez roubou a cena, nos 4 a 2 sobre o Guarani, no capítulo de encerramento do Campeonato Paulista. Não foi a atuação mais exuberante dele. Mas, ainda assim, mostrou que está em nível superior aos demais. Deslocou-se, driblou, assustou os rivais, marcou dois gols – o segundo e o terceiro – e teve participação nos principais lances. Alan Kardec completou com o primeiro e o quarto.
A partida tinha tudo para ser mera formalidade, cumprimento de tabela, já que o caminho para o tri estava escancarado desde a semana passada, com os 3 a 0. Engano. O Santos fez 1 a 0 com Alan Kardec com 1 minuto e levou o troco aos 4 com Fabinho. Aos 8, Paulo César de Oliveira viu pênalti em bola que bateu no braço de Bruno Paes e Neymar cobrou com uma bomba no ângulo esquerdo do gol.
Pensa que acabou? Que nada. O Guarani foi à frente e empatou aos 16 com Bruno Mendes. Um corre-corre de tirar o fôlego. Os campineiros não tinham nada a perder e fizeram o certo, ou seja, pressionaram, se lançaram ao ataque e apostaram em erros santistas. Também se expuseram aos contragolpes.
O Santos foi mais cauteloso na etapa final, mostrou-se mais atento e controlou o jogo, com trocas de passe eficientes. E deixou para o talento de Neymar e Ganso resolver a parada. Deu a lógica: Neymar fez o terceiro aos 25, em linda jogada, e Ganso participou do lance do gol de Alan Kardec, para fechar a conta aos 46.
Título mais do que merecido. Agora, força total na busca pela quarta estrela na Libertadores. Dá para o santista ter essa pretensão.
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Lista de seleção brasileira que se preze tem de dar pano pra manga e provocar discussões. Aí, sim, são das boas, como manda a tradição. Desta vez, mais do que contestar nomes, a relação dos 23 convocados por Mano Menezes, no final da manhã, nos leva a uma constatação óbvia: o tal “projeto olímpico” é cascata, papo furado, nunca existiu. O que não é novidade, pois ocorreu o mesmo em gestões anteriores.
O treinador pescou aqui e ali jovens espalhados pelo mundo, com idade protocolar para participar dos Jogos – abaixo de 23 anos. A eles acrescentou seis acima dessa faixa etária (Daniel Alves, David Luiz, Jefferson, Thiago Silva, Marcelo e Hulk), dos quais três irão para Londres. Um grupo que jamais treinou junto fará quatro amistosos entre o final do mês e início de junho, se dissolve, se reúne mais adiante e…. seja o que Deus quiser!
O Brasil jamais prepara como deve um time de futebol para brigar pelo ouro olímpico. A preocupação se restringe à equipe principal – e assim mesmo com dificuldades e erros frequentes. O time olímpico fica relegado a segundo plano. Houve ocasiões em que se optou por escolher um clube como base (caso do Inter de Porto Alegre, em 1984) e mandá-lo, com alguns enxertos, como representante nacional. Ou mais comumente se escolhiam rapazes, promessas, candidatos a astros, sem maiores cobranças e iam ganhar experiência.
Nos últmos Jogos, porém, nem isso foi possível. Os convocados, embora jovens, já ocupavam lugar de destaque em times estrangeiros e, em muitos casos, também serviam à seleção brasileira principal. Por isso, como tinham muitos compromissos ao longo da temporada, eram chamados em cima da hora e formavam uma espécie de catadão de luxo. Voltavam com uma ou outra medalha, de prata ou bronze.
Será assim mais uma vez. Mano levará para a Inglaterra um grupo de qualidade – ok, dá para rebater vários nomes – que tentará transformar em conjunto nos amistosos com Dinamarca, EUA, México e Argentina. Pouco tempo. Depois, rezará para que o entrosamento ocorra à medida que o torneio olímpico acontecer, já que na primeira fase pegará molezas como Egito, Bielo-rússia e Nova Zelândia.
Quer dizer, outra vez se aposta no talento, na sorte, no improviso. Pode até vir o ouro, não é perspectiva inimaginável. Se isso acontecer, não se diga que foi consequência de planejamento. Porque de planejamento estamos a zero. Muito menos se fale que foi reflexo da nova administração da CBF. Porque, tenho certeza, aparecerá puxa-saco para fazer tal afirmação.
PS1. O Santos que fique com as barbas de molho com o sonho do tetra na Libertadores, pois cederá Rafael, Ganso e Neymar numa fase de absoluta definição na competição continental. Fosse Luís Alvaro de Oliveira entraria em ação imediatamente.
PS2. Alexandre Pato?! O rapaz é bom, mas não joga! Só frequenta enfermarias. Mistérios…
PS3. Imaginar Ronaldinho Gaúcho nessa lista?! Nem com todo respeito que merece a história (antiga, não a recente) dele. Carta fora do baralho.
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A Libertadores virou obsessão dos times brasileiros, como se fosse o suprassumo do futebol. Tá certo. O torneio é bacana, tradicional e charmoso. Mas tem horas em que parece festival de várzea, porque conta com uns times ruins de lascar. Como o Bolívar, que levou de 8 a 0 do Santos, na noite desta quinta-feira, na Vila Belmiro.
O time boliviano não tem nível nem para participar do Desafio ao Galo. Aliás, nem seria convidado; caso contrário, iria deslustrar a história do futebol, digamos, informal. Só não apanhou de mais, porque o Santos tirou o pé, brincou e desperdiçou oportunidades como se fosse treino. Se Neymar, Ganso e sua turma levassem a brincadeira a sério até o final, o Bolívar demoraria uns três dias para subir o morro e voltar para casa.
O Santos precisava fazer 1 a 0, para seguir adiante e descontar a derrota por 2 a 1 sofrida na altitude de La Paz. (Por isso, não dá pra desprezar, quando jogadores se queixam por atuar nos 3 mil e tantos metros da cidade.) Esse objetivo foi alcançado com apenas 5 minutos, com o gol marcado por Elano, um chute de fora da área, com efeito e que enganou o goleiro Arguello.
O gol foi suficiente para assustar os bolivianos. Que ficaram mais preocupados aos 22, com o gol de Neymar em cobrança de pênalti. Ganso, que reinava no meio-campo, deixou a marca dele, com um gol de letra aos 27. Teve mais: Alan Kardec aos 30 e Neymar, com a colaboração de Valverde, aos 36 minutos.
Por pouco não foi como nos desafios de criança, na base do vira 5, acaba 10. O Santos esteve perto disso, com os gols de Elano aos 5, Ganso (cobrança de falta) aos 7 e Borges aos 15. Houve mais tentativas, Arguello, apesar de tudo, defendeu algumas bolas, e dali em diante ficou evidente a preocupação santista de poupar-se para o segundo jogo com o Guarani.
Bom, poupar-se para o que não sei, pois no Paulista a conversa também está liquidada. O negócio mesmo é ficar de olho nos duelos com o Velez, nas quartas de final. Esse, sim, será rival encardido, chato, daqueles que darão trabalho. Se passar, ninguém segura o Santos rumo ao tetra.
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O Milan tropeçou na arrancada final do Campeonato Italiano – domingo perdeu para a Inter por 4 a 2 – e viu a Juventus beliscar o scudetto, o que não acontecia desde 2006. Uma paulada e tanto para o orgulho do time presidido por Silvio Berlusconi. O ex-primeiro-ministro disse que sua equipe “jogou o título ao vento”.
Por isso, ainda no calor da decepção, o que não faltam são especulações em torno do elenco dos milaneses para a próxima temporada. A perspectiva é de muita mudança, e uma delas tem a ver diretamente com o Santos: os italianos estariam dispostos a devolver Robinho para a Vila Belmiro. Em contrapartida, levariam Paulo Henrique Ganso. Assim, facilmente.
A projeção dessa troca ganha espaço na imprensa italiana. O raciocínio é simples: Robinho tem identificação com o Santos, que novamente o receberia de braços abertos, como ocorreu dois anos atrás, quando caiu em desgraça no Manchester City. O Milan não se oporia à saída. Para compensar, teria prioridade para ficar com Ganso. Provavelmente com uma grana a mais.
A lógica italiana é simplista, simplória e recheada de presunção. Como se acostumaram, nas últimas décadas, a estalar os dedos para ter os craques que desejavam, os poderosos do calcio não se deram conta de que alguma coisa mudou no cenário internacional. Ainda têm poder de sedução, história, estrutura e etc. Mas o dinheiro, apenas, já não atrai, pois no Brasil não anda em falta.
O Santos inúmeras vezes deu a entender que não pretende se desfazer de suas estrelas – pelo menos não agora. Mas, se negociar os astros, certamente mira lucro significativo. Uma troca Robinho x Ganso, hoje em dia, significaria prejuízo para os santistas. Será que cairiam nessa? Duvido.
Pensando bem: tomara que seja apenas especulação. Se o Milan de fato fizer esse tipo de proposta, mostrará que é muito folgado. Ou eles ainda pensam que aqui tem um bando de otários? É pra catar coquinho!
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Lupicínio Rodrigues cantava: “Você sabe o que é ter um amor, meu senhor. Ter loucura por uma mulher…” Música linda, a “Nervos de aço”, que teve em Paulinho da Viola um de seus maiores intérpretes. Vale a pena escutá-la sempre, é uma obra-prima.
Pois essa canção me veio à cabeça, enquanto via o Santos fazer3 a0 diante do Guarani e praticamente liquidar a final do Campeonato Paulista, na tarde deste domingo. Mas com ligeiras modificações: “Você sabe o que é ter Ganso e Neymar, meu senhor. Ter talento pra dar e vender…”
Sei que a adaptação não é nada poética, mas verdadeira. A dupla de astros santistas foi a responsável por deixar o time a um passo do terceiro tri doméstico de sua história, proeza jamais alcançadaem São Paulo.Osdois, mais uma vez, desequilibraram e apareceram nos momentos decisivos, importantes. Como se espera dos craques.
O Santos não teve um desempenho primoroso, não foi uma exibição de gala no Morumbi. Jogou para o gasto e teve um adversário valente, que em determinados momentos do primeiro tempo até se atreveu a ficar mais no ataque. A equipe de Muricy Ramalho não criou enxurrada de oportunidades, não sufocou. Foi até comedida.
O Guarani deve ter imaginado até que seria possível voltar para casa com empate, com uma derrota pequena, quem sabe até com uma vitória por diferença mínima. Mas esbarrou na arte desse dueto que pela terceira temporada consecutiva desequilibra para o Santos: Ganso abriu o marcador, quase no final da etapa inicial, e Neymar comlpletou o serviço com outros dois, quando o segundo tempo parecia arrastar-se.
A distância entre os finalistas era grande; agora, se tornou praticamente insuperável. Sei que milagres ainda existem, e jamais duvidarei da fé de quem quer que seja. Mas o Guarani tem de contar com forças sobrenaturais para sair dessa enrascada e conquistar o título. O problema é que Neymar e Ganso são também sobrenaturais. E então?
Então, só os santistas sabem o que é ter Ganso e Neymar, meu senhor. E só os rivais sentem como é complicado enfrentar quem tem talento pra dar e vender… Nem nervos de aço resistem à dupla, quando está com a macaca (sem ironia).
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O Santos tem o estilo que mais aprecio, na história recente do futebol doméstico. Não há como não gostar de uma equipe que tem Neymar e Ganso a desfilar arte, atrevimento e graça com a centenária e célebre camisa branca (ou azul celeste, como inventaram agora). Quem curte o joguinho de bola, se curva ao talento desses rapazes – e de vários outros que completam o elenco.
Admitir, então, o Santos como favorito ao terceiro título paulista na sequência é ato de bom senso e embute baixíssimo risco de erro. Equivale ao sujeito que tem um dinheiro extra na conta e opta por guardá-lo na caderneta de poupança. Sabe que o rendimento será pequeno, conservador, porém seguro. Bom, talvez no momento o exemplo não seja o mais adequado, com essas mudanças na economia. Enfim, você é leitor inteligente e entendeu o que quis dizer. Time por time, o Santos é melhor do que o Guarani. Só com muito espírito de porco para afirmar o contrário.
Isso significa que o Guarani não possa faturar a taça? De jeito nenhum. Se fosse pensar assim, melhor nem entrar em campo e dar logo o troféu para o adversário poderoso. Economizaria tempo e desgaste, passava a régua e tocava a vida em frente. O verde campineiro pisa no gramado do Morumbi, hoje e no domingo que vem, como azarão, franco-atirador, zebra ou sei lá o que mais. E que não se considere diminuído com isso. A constatação deve funcionar como estímulo adicional nos jogos finais.
Não duvido da capacidade de Neymar e sua turma para desmontarem defesas. Isso é rotina para eles. Mas, por que não dar um crédito para as flechadas bugrinas? Há uma mescla interessante de experiência e juventude. Atletas em torno dos 30 ou pouco mais (como Emerson, Domingos, Bruno Recife) mostram sintonia com jovens como Bruno Mendes (adolescente de 17 anos) ou Medina, 21, e herói do dérbi com a Ponte Preta na semana passada.
Eles têm Osvaldo Alvarez a orientá-los. Se é garantia de título, os credencia a bom papel nos confrontos decisivos. Vadão é desses treinadores obstinados e subestimados como há tantos pela vida. A carreira foi marcada, de maneira positiva, com o Carrossel Caipira do Mogi Mirim dos primeiros anos 1990. Merecia mais – e talvez as oportunidades não tenham sido bem aproveitadas.
Surge a chance de conquista com o Guarani, num desafio e tanto. Espero que Vadão não abandone a ousadia, qualidade das mais apreciáveis dos times que comanda. Não é preciso temer excessivamente o Santos nem apelar para retranca. Uma dose justa de cautela e criatividade podem ser fundamentais no jogo de hoje. Com vibração complementar na semana que vem – e Campinas enfim terá o título paulista. Delírio? Não, uma possibilidade.
Mundo curioso. Leitores, ouvintes, telespectadores em geral especulam muito a respeito dos times para os quais pende o coração do cronista esportivo. Estou há tanto tempo na profissão que considero supérflua essa informação. O profissional de imprensa deve ser apreciado ou criticado pela qualidade da opinião, pelo conhecimento que demonstra a respeito dos assuntos que aborda, pelo rigor na apuração dos fatos. Sem contar isenção e honestidade, que não são qualidades, mas obrigação em qualquer atividade. A paixão clubística jamais deve escorrer pelo teclado ou pelo microfone. Em resumo: cronista é cronista, torcedor é torcedor. Quando um e outro se confundem, perdem o público e o jornalismo.
*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 6/5/2012.)
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