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15.janeiro.2012 11:46:06

Artista itinerante*

A gente gosta de dar palpite na vida dos outros. Mesmo na base do “não tenho nada com isso”, nos flagramos a todo momento com alguma sugestão para fulano fazer isso ou aquilo, por considerarmos que assim será melhor. Quando se trata de personagem que mexe com nosso destino e exerce cargo público, temos mais é de ficar vigilantes – e cobrar. Mas, em assuntos pessoais, a intromissão é bem-vinda se for pedida. E olhe lá!

 Uma das decisões mais delicadas no esporte, atividade que há quase quatro décadas acompanho como profissional, se refere à hora de o atleta parar. Perdi a conta dos depoimentos que vi a respeito disso. A constatação óbvia beira à unanimidade: é difícil, doloroso até.

Se o sujeito não tiver sólida estrutura emocional – e financeira – se esborracha em um instante. Teve camarada com fama e fortuna que ficou sem rumo, depois de sair da mídia e perder popularidade. É duro para um astro aposentado, antes habituado a portas escancaradas e cenas explícitas de bajulação, acostumar-se por exemplo com a ideia de chegar em um restaurante e ser tratado como os outros clientes. Arranha o ego.

Por isso, muitos empurram o máximo que puderem encarar o momento de deixar a cena. Isso é comum no boxe e no futebol. Na nobre arte, o homem para ao perceber o déficit crescente entre as pancadas que dá e as que recebe. Apanha mais, e os punhos dos adversários parece que se tornaram pesados como chumbo. E como ardem os murros!

No esporte bretão (essa eu sempre quis usar e não sabia como!), o indivíduo constata que precisa pendurar as chuteiras ao botar a língua de fora dois piques e dez minutos após entrar em campo. Ou quando larga cinco metros na frente do rival e chega na bola dois metros depois. Juntas que doem e barriga que cresce são outros indícios mais devastadores do que travas de zagueiros botinudos.

Mesmo assim, não são raros os que insistem em continuar na ativa já com poucos cabelos, diversas marcas do tempo e varizes acentuadas. Muitas vezes por necessidade – falta aquela grana que nos verdes anos veio farta e se perdeu em carrões, farras e investimentos furados. E, em tantas outras, por costume, por temor do que lhes reserva a vida depois do futebol. Em ambos os casos, o homem maduro se torna menos seletivo com os convites e vai para onde o chamarem. Segue destino mambembe, como o de veteranos artistas que se apresentam no palco que os acolher.

O Rivaldo me levou a estas reflexões de ano novo. Na sexta-feira, se confirmou transferência para Angola. O endinheirado dono de um time africano resolveu gastar uma quantia qualquer (não interessa quanto) pelo prazer de ver um campeão do mundo com a camisa do clube dele. Rivaldo, 40 anos logo mais, estava sem vínculo desde dezembro, ao sair do São Paulo, e topou a parada, como havia feito anteriormente nas incursões pela Grécia e pelo Usbequistão.

A aventura não vai acrescentar nada à bela e comovente carreira de Rivaldo – para mim o melhor do Brasil nos Mundiais de 1998 e 2002. Deve render-lhe mais uns cobres – sempre prazerosos, e a família agradece. Acima de tudo lhe faz bem a rotina de treinos, viagens, concentrações, jogos, aplausos do público. Estende um pouco mais a juventude, um bem enorme que todos tememos perder. E ainda vai abrir uma igreja, veja só.

Então, irei criticá-lo? Vai, Rivaldo, bater sua bolinha em paz e divirta-se. Mesmo porque, pra mim, o Rivaldo que lembro é o das Copas, do Barcelona e do último Palmeiras glorioso.

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 15/1/12.)

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Rivaldo foi um dos maiores jogadores que vi em ação. E, como não sou nenhum jovenzinho, posso dizer que foram muitos os craques que tive a honra de acompanhar ao vivo.  Portanto, o parâmetro que tenho é vasto ­– começou com Pelé, Coutinho, Pagão, Ademir, Rivellino e outros prodígios da bola que esta terra produziu. (Caramba, daqui a pouco serei um ancião…)

Rivaldo jogou demais no Mogi, no Palmeiras, no La Coruña, no Barcelona, na seleção brasileira. Discreto no Corinthians e no Milan; foi ganhar mais uns trocos na Grécia e no Usbequistão. Nesse meio tempo, se tornou um dos pilares da campanha do vice-mundial em 1998 e extraordinário na trajetória do penta em 2002. Nas duas ocasiões, votei nele como o melhor da Copa. Não levou o prêmio.

Agora, Rivaldo se despede do São Paulo. De maneira um tanto melancólica. Chegou no começo do ano com a esperança de brilhar, de ser ponto de referência no elenco. Logo de cara fez um golaço, deu passes precisos, encantou com sua técnica fora do comum. Um fenômeno, sobretudo se se levassem em conta os 39 anos (completados em abril) nas costas.

O peso da idade, porém, prevaleceu. Rivaldo não teve fôlego e perdeu sequência, sob o comando de Paulo César Carpegiani. Chiou tanto que provocou uma ligeira crise, na eliminação na Copa do Brasil. Reanimou-se com Adilson Batista e voltou a ficar em seu canto com a chegada de Emerson Leão. Não passou, enfim, de opção para determinados momentos.

Em resumo, Rivaldo não foi no São Paulo o astro de outras ocasiões. Nem poderia ser diferente. Mesmo para gênios, o tempo chega e é mais duro do que qualquer zagueiro botinudo. Hora de limpar o armário no Morumbi e tocar a vida. Ele diz que pretende jogar pelo menos até o final de 2012, quando estiver perto dos 41 anos.

Quem sou eu para dizer quando um jogador tem de parar? É decisão íntima, pessoal – e depende também do mercado. Só digo uma coisa, sempre: um craque não tem o direito de tornar-se sombra de si mesmo. Precisa ter a grandeza de parar por cima, como lhe é de direito.

Tomara seja assim com Rivaldo, um gigante.

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O São Paulo joga com o Libertad nesta quarta-feira pela Sul-Americana ainda atordoado pela derrota de domingo para o Atlético-GO e pela demissão de Adilson Batista. Mas um jogador irá ao Morumbi encafifado com seu futuro. Rivaldo não sabe se sua aventura tricolor continuará em2012. Atendência é de que saia, mas o ponto de interrogação deve persistir até o final da temporada.

A dúvida foi lançada por Juvenal Juvêncio. O presidente do São Paulo constatou, em entrevista ao Estadão, que o astro já não é mais aquele de outros tempos. E deu a entender que sua presença constante, no breve período de comando de Adilson, teria contribuído para perda de prestígio do treinador recém-defenestrado.

O recado é claro: a partir de agora Rivaldo deve ser usado de forma espaçada, econômica, digamos assim. Porque já não tem o fôlego de outros tempos. E o interino Milton Cruz vai mostrar logo de cara se captou o que pretende o “amado mestre”, como diria Rolando Lero para o professor Raimundo na “Escolinha”.

Mas será que o dirigente são-paulino não sabia que Rivaldo estava na fase final de brilhante carreira? O talento contina indiscutível, trata-se de um dos grandes do futebol. Só que mesmo os craques sentem o peso da idade – e o camisa 10 completou 39 anosem abril. Nãoé o jovem que encantou nos tempos de Palmeiras e Barcelona. Nem aquele fundamental no vice do Brasil em 1998 e no penta em 2002.

Rivaldo se sente disposto, mas os reflexos não são os mesmos. Ainda assim, foi e pode ser útil ao São Paulo para encerrar o ano de forma digna. E qual seria essa maneira com algo de gratificante? O título da Sul-Americana, uma vez que o do Brasileiro ficou mais difícil. Não é delírio, basta colocar cabeça e pernas no lugar.

E Rivaldo estaria pavimentando uma saída honrosa do São Paulo. Para, quem sabe?, curtir o seu Mogi Mirim antes de pendurar as chuteiras de vez. Independentemente do caminho que o tricolor seguir daqui em diante, Rivaldo merece respeito e carinho, porque tem biografia de se tirar o chapéu.

 

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Rivaldo é daqueles jogadores extraordinários, boleiro à moda antiga, dos que demoram a pendurar as chuteiras e encantam mais à medida que se aproxima a aposentadoria. A maestria do pentacampeão do mundo, um fenômeno da bola, foi decisiva para fazer com que o São Paulo roubasse dois pontos do Botafogo, na tarde deste domingo, no Engenhão, e voltasse para casa com 2 a 2. Ele fez o gol do empate e quase marca o da virada.

Mas não foi apenas isso. Rivaldo foi aposta de Adilson Batista na volta do intervalo, depois de ver seu time levar um vareio do Botafogo na primeira fase e perder por 2 a 0. O veterano meia, 39 anos, entrou no lugar de Juan e ajeitou o meio-campo paulista. De seus pés saíram muitos dos melhores lances do time, na etapa final, e seus deslocamentos deixaram atônitos os marcadores do Botafogo. Rivaldo também se apresentou para cobrar faltas, escanteios, para fazer passes e apareceu na área, aos 46 minutos, para desviar de cabeça falta cobrada por Rogério Ceni. Dois minutos depois, encobriu o goleiro Renan e a bola quase entra.

O astro fez a balança pender para o lado de sua equipe e salvou o fim de semana tricolor. Fosse apenas pela primeira parte do clássico, o São Paulo mereceria perder diante de um adversário direto na briga pelo título. O Botafogo foi muito superior, dominou, ganhou o meio-campo e ainda contou com arrancadas espetaculares de Elkeson e Maicosuel que desmontaram o rival. Não foi por acaso que abriu 2 a 0, gols de Loco Abreu (o segundo, de pênalti.)

O uruguaio ainda teve chance de decidir o jogo, em lance incrível que desperdiçou no segundo tempo, e o Botafogo perdeu fôlego. O São Paulo, ao contrário, melhorou com Rivaldo – e depois com a entrada de Henrique no lugar de Marlos. Na segunda participação, o jovem campeão mundial Sub-20 diminuiu, ao aproveitar rebote do goleiro Renan. O gol, aos 21 minutos, animou o tricolor a partir para a reação, que se consolidou no fim com Rivaldo.

O Botafogo oscilou, durante o jogo, entre o primeiro e o quarto lugares, que é a posição em que ficou ao término da rodada. Com os 2 a 0 (e com empates de Corinthians e Vasco) assumia a ponta, com 47 pontos. Depois, como os outros concorrentes venceram e o São Paulo empatou, a equipe de Caio Júnior desceu para quarto, com 45 pontos. Mas com um jogo ainda por realizar (contra o Santos). Está na briga pelo título.

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Vasco e São Paulo vão dormir nas primeiras colocações do Brasileiro. Ambos fizeram sua parte, no início da noite deste sábado, golearam com autoridade e com a vontade de quem está mais do que nunca na briga pelo título. O Vasco fez 4 a 0 no Grêmio, em São Januário, foi para 45 pontos e assumiu a liderança. O Tricolor lascou 4 a 0 no Ceará, no Morumbi, e assumiu o segundo lugar, com 44. Com isso, jogam pressão sobre Corinthians, agora terceiro com 44, e Botafogo, o quarto, com 40.

As duas vitórias foram irretocáveis e servem para reafirmar o bom momento dos dois ponteiros. O Vasco ignorou a necessidade de reação do Grêmio e deu as cartas logo com 4 minutos, no gol de Elton. Essa vantagem atiçou a equipe de Celso Roth, que pressionou, deu calor, mas baqueou com o gol de Diego Souza aos 33.

Na etapa final, o Grêmio voltou a insistir, mas levou aquela ducha fria, com o gol de Eder Luiz aos 6 minutos. Com 3 a 0, não teve alternativa, senão a de fechar-se, na tentativa de evitar vexame maior. Não deu, pois ainda tomou o quarto, com Fagner aos 16 minutos. Daí em diante, também o Vasco tirou o pé e deixou o tempo correr.

Algo semelhante ocorreu no Morumbi. O Ceará optou por postura defensiva e optou pelo contra-ataque, com o bom Osvaldo. Porém, segurou o São Paulo até os 42 minutos do primeiro tempo, quando Juan fez 1 a 0. Dois minutos depois, embalado pelo gol, o anfitrião aumentou, com o outro lateral, o paraguaio Piris. Foi o suficiente para desnortear o adversário.

O domínio foi mais acentado no segundo tempo e o placar foi liquidado com Casemiro aos 21 minutos e Rivaldo (que entrou no lugar de Henrique) aos 26. O veterano camisa 10 ainda fez uma jogada excepcional aos 42, ao dar passe de letra para Cícero, que mandou a bola para as arquibancadas.

Esses resultados tornam mais interesantes os clássicos estaduais deste domingo. O Corinthians se vê na obrigação de bater o Santos e o Botafogo entra pressionado pela necessidade de empurrar o Flamengo definitivamente para fora da briga pelo título. Independentemente do que ocorrer, Vasco e São Paulo assistem de camarote.

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O São Paulo foi a Florianópolis com um quilo e meio de desfalques, levou sufoco, mas volta para casa com 2 a 1 sobre o Figueirense. E, por enquanto, com lugar retomado entre os quatro melhores do Brasileiro. A expectativa era ver como se comportaria Henrique, destaque do Brasil na campanha do mundial no Sub-20 e aflito por uma oportunidade. Quem decidiu, porém, foi Rivaldo, o veterano campeão, que saiu do banco para fazer o belo gol da vitória, já no segundo tempo.

 Desta vez, Adilson Batista teve motivos para lamentar a falta de opções. Teve de abrir mão de 10 jogadores – dentre contundidos, suspensos e convocados para seleções. E, como não há elencos milionários no futebol destas bandas, as baixas pesaram. Pesaram tanto que foi o Figueirense a mandar no jogo em quase todo o primeiro tempo. Criou chances, apertou e até mandou bola na trave.

 Só que o filme mais velho do futebol passou outra vez, no Orlando Scarpelli, com o gol de Cícero que deixou o São Paulo em vantagem antes da pausa para intervalo. O Figueira não esmoreceu, seguiu em cima dos paulistas e empatou no começo da etapa final, com João Paulo. E dá-lhe a animar-se para chegar à virada.

 Brilhou, então, a estrela de Rivaldo. O craque pentacampeão mundial olhava o jogo lá do banco, quietinho, até ser chamado por Adilson para o lugar de Henrique, que não foi bem. Entrou e poucos minutos depois fez um lindo gol, ao receber a bola livre, na área, e tocar por cima do goleiro. Daí em diante, valeu o esforço são-paulino para segurar o resultado. Agora, resta-lhe torcer por tropeços, vários, dos demais concorrentes que estão na briga pelo título.

 

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Na minha crônica deste domingo, no Estadão, escrevi que, se fosse apostar seco na Loteca, cravaria empate para São Paulo e Palmeiras. Não deu outra: 1 a 1, resultado merecido para dois times sem muito apetite para o ataque e que preferiram se contentar com um pontinho na mão do que três voando. Uma pena, porque o tricolor não dá o bote para retomar a liderança e o alviverde fica fora do G-4 (ou G-5).

Adilson Batista optou por esquema com três zagueiros (Xandão, Rhodolfo e Luis Filipe) e dois marcadores (Wellington e Carlinhos Paraíba), como forma de segurar o rival. Um adversário que tem história, é verdade, mas que ultimamente é um Tio Patinhas em questão de gols. Luan, Kléber e, depois Maikon Leite, não são de incomodar muito.

Como não amolaram na tarde gelada no Morumbi. Luan talvez um pouco mais, porque no primeiro tempo largou dois chutes que obrigaram Rogério Ceni a boas defesas. Nada muito além disso. O goleiro são-paulino só foi atrapalhado, a rigor, no lance do gol de empate, com Henrique, já no segundo tempo. No mais, assistiu ao clássico.

Não foi muito diferente com Marcos. O palmeirense também fez um par de defesas mais complicadas e não viu o São Paulo chegar com frequência na sua área. O Palmeiras mantém a regularidade na defesa (a menos vazada, com 13) e dificulta, com o paredão que faz no meio, as ações dos adversários.

Ainda assim, chamou a atenção o golaço de Dagoberto, no fim do primeiro tempo. Obra-prima, daquelas que merecem destaque e entram em antologia dos gols mais bonitos do São Paulo. Participação decisiva, também, teve Rivaldo, com passe preciso. Mas o próprio Dagoberto sumiu na etapa final.

O resultado mostra que os dois times marcam passo: o São Paulo com três empates consecutivos, o Palmeiras com quatro empates e uma derrota nas últimas cinco rodadas. Para consolo, pelo menos de tricolores, o Corinthians perdeu, o Flamengo empatou. Só que o Vasco, a correr por fora, ameaça atropelar.

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Rivaldo defendeu nesta terça-feira a saída urgente de Neymar, Ganso e Lucas. Na avaliação do veterano craque, quanto mais cedo esses jovens deixaram o Brasil, mais rapidamente ganharão fama e respeito internacionais. Usa a si como exemplo – pois se projetou no Barcelona e, de quebra, ganhou o prêmio de melhor do mundo em 1999.

Não se devem desprezar  conselhos e observações de gente com a experiência de Rivaldo. Muito menos se pode desconfiar de suas intenções. Ele tem a visão do boleiro que saiu do país como ídolo – a torcida do Palmeiras jamais o esqueceu – e ganhou a vida lá fora. Não esperaria outra coisa de quem retornou para casa só no capítulo final da carreira.

Não me iludo com a estrutura dos times de cá, ainda falha e com aspectos de amadorismo ultrapassado. Mas alguma coisa mudou – e isso deve ser levado em conta. O exemplo maior vem do Santos. Até bem pouco tempo atrás, Neymar e Ganso teriam batido asas rapidinho, ao primeiro punhado de dólares ou de euros acenados para seus dirigentes.

Agora, os gringos estão a gastar saliva para convencer os rapazes e sobretudo a cartolagem santista a aceitarem sua proposta. Ah, claro, e também se veem obrigados a botar a mão no bolso para arrebatarem esses talentos em ascensão. O São Paulo também não parece aflito para  fazer caixa com Lucas. Os dois clubes brasileiros estão amparados em acordos mais sólidos com o trio. Quer dizer: pagam mais para seus jovens ídolos, mas certamente receberão valores compensadores quando chegar o momento de liberá-los.

A economia mundial tem mudado, o Brasil entrou na rota das potências econômicas, o real está valorizado, há mais gente interessada em investiro no futebol daqui. Não chegou ainda o dia de os times brasileiros virarem importadores de gênios da bola. Mas não está tão distante assim a era em que os brasucas poderão ficar mais tempo por aqui sem se sentirem lesados. E também não vale a pena ir para qualquer lugar, só por que “é no exterior”. Cansei de ver promessas se perderem em centros de menor expressão.

E, quem sabe, não demore para “velhos legionários” como Rivaldo aconselharem os garotos a ficarem.

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Na manhã deste sábado, fiz um comentário aqui no blog em que questionava se a escalação de Rivaldo seria boa para ele e para o São Paulo. E prometia voltar ao tema agora à noite. Pois bem, a presença do craque veterano desde o início e quase até o finzinho do clássico de início de noite no Morumbi foi excelente para ambos.

O meia quase acabou com o jogo, na vitória por 2 a 1 sobre o Cruzeiro, assim como mostrou que não estava acabado como sugeria a resistência de Paulo César Carpegiani para lancá-lo no time com regularidade. O astro de 39 anos atuou com a cautela que o tempo e a qualidade lhe ensinaram. Soube dosar forças, segurou o fôlego e a bola quando necessário e provou que pode ser útil. Mais do que imaginava o ex-treinador.

O jogo foi divertido, movimentado, mais quente do que a gororoba do empate do Brasil com o Paraguai. O São Paulo precisava reagir, depois das três derrotas seguidas. O Cruzeiro vinha embalado com três vitórias consecutivas e estava de olho no bloco principal da classificação. Tecnicamente não foi excelente, mas teve ação. E era isso que o torcedor que enfrentou o gelo paulistano queria ver. E viu.

O São Paulo menos dizimado do que nas últimas apresentações sob comando de Carpegiani esteve mais confiante e objetivo. Sei lá se a temperatura baixa e a pressão alta influíram. Só sei que foi mais rápido e ligado do que nas derrotas recentes. Ficou em vantagem aos 20 minutos, com Dagoberto em jogada que teve participação de Rivaldo e Marlos e soube frear qualquer tentativa do Cruzeiro.

A vantagem logo no início da etapa final, com o gol de Marlos em passe de Rivaldo, deixou o São Paulo mais tranquilo. O Cruzeiro acelerou, forçou e esboçou reação quando Joel colocou Roger e Ortigoza nos lugares de Vitor e Thiago Ribeiro. O paraguaio Ortigoza no primeiro lance deixou Wallyson na cara do gol para diminuir.

O mérito do São Paulo foi o de não se abalar, ao contrário que vinha ocorrendo. Segurou a onda, mesmo com a insistência mineira, e alcançou a sexta vitória em nove rodadas. Com isso, recuperou o segundo lugar. Fica à espera de novo “chefe”.

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Algumas horas antes da final do Mundial de 2002, coloquei numa urna no Estádio de Yokohama meu voto para a escolha do melhor da competição. Não tive um segundo de dúvida para cravar o nome de Rivaldo. O meia arrasou na campanha do penta e, junto com Ronaldo, foi destaque do time de Felipão na Copa disputada na Ásia. (Ganhou o alemão Khan.) Quatro anos antes, na França, também tinha sido em minha opinião o mais eficiente com a “amarelinha”.  É, portanto, daqueles jogadores para os quais tiro o chapéu.

Fiquei feliz ao vê-lo de volta ao Brasil, no início do ano, para defender o São Paulo. E me encantei com o gol que fez na estreia. Escrevi, com muito orgulho, que “esse sim é um fenômeno”. Houve ronaldistas obcecados que viram uma afronta naquele elogio. Bobagem e pobreza de espíritos, que nem Freud explicaria. Era homenagem a um astro e em nada diminuía outro gigante da bola. Enfim…

Passados alguns meses, agora interrogações dançam na minha cabeça. Será que Rivaldo tem fôlego e ritmo suficientes para comandar reação do São Paulo, num momento em que o time se encontra em baixa? Será que o peso da idade pesa, já que o tempo é implacável com qualquer um, até com craques indiscutíveis como ele? Se não arrasar no clássico com o Cruzeiro, dará razão para Carpegiani, que o esnobou? Estaria entre os extremos: acaba ou se acaba?

Não tenho respostas, nem a pretensão de prever nada. Como amante do futebol, ficarei feliz se no início da noite Rivaldo sair de campo aplaudido de pé. Ele merece, pelo conjunto da obra – e tomara venha a ser merecedor por comandar o time na retomada da briga pelo título nacional. Sei que é uma responsabilidade que Milton Cruz lhe jogou nas costas.

Era mais lógico e simples se entrasse aos poucos ainda com o ex-treinador. Não foi assim, e lamento. Agora, ao iniciar como titular é uma maneira, também, de o interino acalmar a torcida, que pedia o ídolo em campo havia tempo. Opção tática e estratégica, pois Milton está na dele – logo mais chega novo chefe e volta a ser auxiliar. Pra que se queimar com o público, então?

A presença de Rivaldo desde o início é atração adicional para o jogo, que promete ser quente na gelada São Paulo deste inverno. O tricolor amarga três derrotas consecutivas, perde espaço na classificação. O Cruzeiro acumula três vitórias enfileiradas e cresce com Joel Santana. Palpite? Triplo, evidentemente. Se bem que um empate não é nada fora de propósito.

Voltamos a conversar no final da noite.

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