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Estava dando uma sapeada por sites espanhóis e me deparei com entrevista do Cristiano Ronaldo publicada nos principais jornais esportivos daquelas bandas. O português prepara-se para a disputa da Eurocopa, mas falou menos de sua seleção e mais do Real Madrid, de seu desempenho pessoal na temporada, de Barcelona, de Messi. Só não lhe pediram sugestões para acabar com o desemprego na Espanha e uma fórmula para pagar a dívida grega…

O CR7, em sua escancarada imodéstia, se concedeu nota 10 no plano individual e 9 no coletivo. O pontinho que se subtraiu foi porque faltou ao Real (e a ele, claro) o título da Copa dos Campeões. E ainda considerou bem possível enfim desbancar Messi na escolha de melhor do mundo, troféu que o argentino levou para casa nas últimas três temporadas. “Mas, como não sou o júri, não tenho certeza disso.”

Cristiano Ronaldo, em sua elevadíssima autoestima, fala o que lhe vem na telha. Por isso, provoca polêmicas e divide opiniões. Há quem o idolatre, assim como existem muitos que o rejeitam. Não me situo em nenhum dos grupos; só sei que se trata de um tremendo jogador. É dos melhores, senão o mais vibrante, boleiro português que vi em ação. (Desconto, aqui, a lenda Eusébio, considerado português, por causa da época colonialista, mas nascido em Moçambique.)

Exageros à parte, o moço não está errado no resumo e na projeção que fez. Jogou muito, na temporada recém-encerrada, em que sua equipe levou a taça de campeã. Até o último momento disputou com o Messi a liderança da artilharia. O argentino garantiu o troféu “Pichichi”, com 50 gols, quatro a mais do que Cristiano. Ambos estiveram muito acima da média dos demais.

A pretensão de ser o melhor do mundo também faz sentido e ganha força com a ausência do Barcelona na final da Copa dos Campeões. A derrapada diante do Chelsea provavelmente contará. Mas o Real Madrid também pisou na bola, diante do Bayern, com Cristiano Ronaldo e demais estrelas. Se o time tivesse chegado à decisão, o português daria alguns passos à frente do rival argentino. Ele ainda tem a seu favor a disputa da Euro-2012, que chama a atenção.

Falta mais de meio ano para a definição a respeito do destaque do futebol em 2012. Mas, salvo alguma surpresa, a briga outra vez ficará entre essas duas estrelas. Qualquer um dos dois jogaria no meu time. E no seu?

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Você vai acompanhar hoje a final da Copa dos Campeões da Europa? Se curte futebol, arrumará um espaço na agenda e reservará parte do sábado para ver o que aprontarão Bayern e Chelsea, em Munique. Vale a pena, a festa costuma ser boa e com doses de emoção. Pra mim não há favorito, mas os alemães têm a vantagem de jogarem em casa. Isso pode contar.

Seja qual for o campeão, será legítimo e merecido. Não houve polêmica a cercar a trajetória de nenhum dos dois pretendentes ao orelhudo troféu. Desta vez, não se pode dizer que este ou aquele foi protegido, que a arbitragem favoreceu e coisas do gênero. Ganharam o direito de ir ao capítulo decisivo por méritos dentro de campo.

Já se discutiu muito a respeito da semifinal. Dei minha opinião, aqui no blog, na coluna no Estadão e na ESPN. Não escondo que, para minhas convicções, preferia ver o Barcelona outra vez na reta de chegada. Pelo futebol tecnicamente (quase) impecável e pela beleza, o time catalão é o que mais me encantou nos últimos anos. Me fez viajar no tempo e recordar de época em que se via, por aqui, qualidade semelhante.

Mas esbarrou em ferrolho do Chelsea, perdeu uma e empatou outra. Enfim, faltou-lhe aquela centelha de fantasia e eficiência que cintilou em outros momentos. Uma pena para Messi e seus acólitos. Porém, em nenhum instante isso tirou o valor do Chelsea. Só o considero menos glamouroso do que o Barça – e aí não vai demérito para ninguém.

O Real também despontava como forte candidato, pelo que fez na temporada. José Mourinho montou uma equipe agressiva, goleadora. Que, no entanto, não superou o entusiasmo do Bayern, com quem fez dois jogos muito equilibrados. O time bávaro pode não ser também tão charmoso quanto o espanhol, mas tem técnica. Em minha opinião, até melhor que o Chelsea.

Os dois finalistas sofreram baixas, o que nivela ainda mais o tira-teima deste sábado. Não se deve desprezar o currículo do Bayern, em sua nona final – ganhou quatro e perdeu outras tantas. O Chelsea, que tenta se estabelecer entre os grandes do continente, vai à segunda decisão (caiu em 2008 diante do Manchester United).

Jogo pra ver – e depois de olho no Brasileirão.

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A torcida e os jogadores do Barcelona prometiam homenagem daquelas para Pep Guardiola, na despedida do treinador no Camp Nou. O encarregado do presente foi Lionel Messi. E o argentino exagerou: fez os gols na vitória por 4 a 0 sobre o Espanyol, no clássico catalão, neste sábado. Uma farra para ninguém botar defeito e uma saideira marcante.

Messi esteve mais endiabrado do que de costume. Abriu a sessão nostalgia com gol de falta, no primeiro tempo. Os outros vieram na etapa final, com dois de pênalti e um com seu carimbo especial de destruir defesa adversária. Chegou a 50 no Campeonato Espanhol, a 72 na temporada e já fez 252 com a camisa gloriosa do Barça.

O astro também continua à frente na disputa particular com Cristiano Ronaldo  pela artilharia do Campeonato Espanhol. O português fez um nos 2 a 1 do campeão Real Madrid sobre o Granada e foi a 45. São números expressivos de dois dos melhores jogadores do mundo na atualidade.  Uma ‘briga’ saudável, que só faz os dois crescerem.

A exibição de Messi lava a alma dos catalães, cuja magia foi colocada em dúvida por causa dos tropeços na Copa dos Campeões e na liga doméstica. Como se “A Pulga” e seus companheiros, assim como Pep Guardiola, precisassem provar algo. Trata-se de um grupo extraordinário, que vai sempre arrancar aplausos de quem gosta de futebol.

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Decisão de título sempre é o máximo – e, por definição, será bacana a disputa que Bayern e Chelsea farão, no dia 19 de maio, em Munique. Mas, na edição deste ano da Copa dos Campeões, deveria ter também a disputa pelo terceiro lugar. Provavelmente, o público veria um duelo de altíssimo nível, pois reuniria Barcelona e Real Madrid, as duas melhores equipes da competição. As duas melhores, mas que falharam nas semifinais.

Os espanhóis levaram uma bordoada daquelas na autoestima. Pelos elencos, pelo retrospecto no torneio, pelo fato de os jogos de volta serem em casa, ninguém de bom senso deixaria de cravar Real e Barça com encontro marcado para a Alianz Arena. Só faltou combinar com os adversários, sem contar que futebol é esporte em que o bom senso mais tira cochilos. A desclassificação, porém, não tira méritos dessas duas grandes equipes do futebol mundial. Mas não há medalha de bronze na Uefa Champions League…

O Barça emperrou diante de um rival que não se envergonhou, seja em Londres, seja no Camp Nou, de assumir inferioridade e ficar fechadinho, para sair em contragolpes, se desse. Deu certo nas duas ocasiões e a armada do bilionário russo mais uma vez tenta entrar na galeria dos campeões europeus. O Real perdeu para um oponente que o encarou de igual para igual nos dois confrontos, que criou as mesmas chances, que pressionou e foi sufocado. Espanhóis e alemães fizeram duas exibições muito bonitas, à altura de sua tradição no torneio.

A desta quarta-feira mais emocionante até do que a de Munique, pela intensidade do começo ao fim, pela prorrogação, pelos pênaltis. O Real largou como se esperava – ofensivo, abusado, sufocante. Tanto que abriu vantagem de 2 a 0, gols de Cristiano Ronaldo. O Bayern ficou com medo? De jeito nenhum. Logo depois do 1 a 0, teve duas oportunidades para empatar. Foi premiado com o gol de Robben, em cobrança de pênalti, ainda na etapa inicial. E seguiu cutucando Casillas & Cia.

O ritmo no segundo tempo foi um pouco menor, é verdade. E a prorrogação teve raros momentos de gol, com os times esgotados e, por extensão, mais cautelosos e à espera dos pênaltis. No gran finale, falharam alguns astros, como Cristiano Ronaldo e Kaká. Em compensação, brilharam os goleiros Casillas e Neuer, com duas defesas para cada lado. Sérgio Ramos isolou a cobrança dele, o Bayern venceu por 3 a 1 nesse quesito.

Como ocorreu ontem com Messi, já despontaram hoje dúvidas em torno da capacidade de Cristiano Ronaldo. O português esteve aquém do esperado, a partir da segunda etapa, e falhou no pênalti. Mas continua a ser um jogador extraordinário e é injusto diminuir a importância dele. Kaká enfim teve sua chance. Correu, batalhou, mas errou muitos passes e perdeu a maioria das divididas. Chegou o momento de encarar o rumo a tomar na carreira.

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Sabe o que achei mais interessante nas duas derrotas seguidas e em poucos dias que o Barcelona sofreu? Elas revelaram uma equipe formada por seres humanos, como eu e você; portanto, normais e sujeitos a altos e baixos, a falhas, a insegurança. Não são semideuses – e isso não se mostra consolador? O supertime não é composto por um bando de robôs.

O clássico deste sábado não entra na antologia dos confrontos entre Barça e Real, mas foi bacana, teve tensão, emoção, estratégia e catimba. A moçada de José Mourinho pegou carona no que aprontou o Chelsea, na quarta-feira, em Londres, repetiu a dose e não é que deu certo? O treinador português bloqueou o meio-campo, botou um monte de gente em cima do trio Xavi, Iniesta e Messi, deixou os contra-ataques por conta de Cristiano Ronaldo e Benzema.

O Real se inspirou nos ingleses, mas jogou muito mais. Tanto que começou a desmontar o Barcelona com o gol de Khedira aos 18 minutos do primeiro tempo. A vantagem pressionou os catalães, que voltaram a se enroscar e a dar sinais de nervosismo, igualzinho ao que ocorrera no campo do Chelsea. Consequência disso? Travou, os passes saíam, mas não resultavam em nada. Pior, foram poucos os chutes a gol.

Um Barcelona irreconhecível, mais parecido com a maioria dos adversários com os quais topa. Faltaram criatividade, mobilidade, ousadia. A marcação em cima de Messi passou por revezamento, mas sobretudo Pepe se saiu bem na missão ingrata. Desta vez, sem apelar para a truculência, foi um dos melhores em campo. E o argentino percebeu que a vida não será fácil daqui para a frente, já que o título espanhol foi pro espaço e o europeu está por um fio.

O Barça até esboçou reação, quando Pep Guardiola mandou Xavi para o banco e colocou Alexis Sanchez, mais um atacante. O chileno fez o gol de empate, aos 25 do segundo tempo, mas Cristiano Ronaldo fez a torcida baixar a crista ao fazer, logo em seguida, o gol da vitória. O português endiabrado tem 42 gols. É um fenômeno!

Os sete pontos de vantagem (88 a 81), e com poucos jogos pela frente, são abismo insuperável entre os dois inimigos. Real pode preparar logo a festa de campeão. Resta saber, agora, se vai trombar com o Barcelona na final da Copa dos Campeões. Ambos precisam reagir. O Real sinalizou neste sábado que tem força. E o Barça? Como diz um amigo meu, perder não tem problema, chato é se começar a acostumar. Aí danou tudo.

 

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Daqui a uma semana, Real Madrid e Bayern voltam a encontrar-se na semifinal da Copa dos Campeões. Como vale vaga para a decisão, por definição se espera um jogo quente. Mas o duelo marcado para o Santiago Bernabeu tem tudo para ser tenso, mais pegado até do que o que ambos disputaram nesta terça-feira em Munique. Os 2 a 1 do time alemão colocam uma ‘pilha’ e tanto nos espanhóis, que correm o risco de ver naufragar temporada muito boa.

O Real é mais espetaculoso do que o Bayern. Não foi por acaso que superou os 100 gols na liga nacional e passou folgado nas etapas anteriores do torneio continental. O português José Mourinho tem à disposição elenco com qualidade maior do que a do alemão Jupp Heynckes. Embora não seja nada estratosférica a diferença. Ainda asism não se deve tirar ligeiro favoritismo do maior vencedor da competição europeia para ir a outra final. Isso na teoria.

Na prática, porém, a primeira parte do confronto mostrou uma inversão de papéis. O Bayern comportou-se com mais técnica e o Real apelou para faltas (algumas bem feias) para frear o domínio rival. Tanto que seis de seus jogadores levaram cartão amarelo – sem contar que o juiz Howard Webb foi muito bonzinho com Marcelo, que merecia vermelho e boletim de ocorrência por entrada em Miller a um minuto do encerramento.

O Real sofreu a quinta derrota na temporada (três delas foram para o Barcelona e outra para o Levante) porque encontrou um adversário que soube marcar, teve competência para controlar o meio-campo e aproveitou chances de gol – que não foram tantas, é verdade, mas mais do que a turma de branco. Desta vez funcionou a movimentação de Ribery (autor do primeiro gol), a presença de área sempre eficiente de Mario Gomez (fez o gol da vitória) e a atenção de Lahm, Boateng, Luís Gustavo, Badstuber.

O Real esteve abaixo da média de suas apresentações no primeiro tempo, melhorou no segundo, sobretudo após o gol (Ozil, aos 8 minutos), mas voltou a ser domado numa terça em que Cristiano Ronaldo não brilhou, assim como Di Maria e Higuain. Faltou ao time espanhol a centelha da criatividade, a pitada de ousadia que o Barcelona, por exemplo, sempre tem de sobra.

O Real pode classificar-se, diante de seu público. Mas está com pinta de que será no sufoco.

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Que Real Madrid e Barcelona fazem uma disputa e os outros 18 concorrentes da Série A espanhola têm outra, todo mundo sabe. Não é de hoje que o torneio se limita à alternância dos dois gigantes no topo. O campeonato deste ano, porém, tem desafio ainda mais especial, na corrida pela artilharia entre Cristiano Ronaldo e Messi. Faltam cinco rodadas para o encerramento e ambos lideram, com 41 gols – marca pra lá de expressiva.

O português e o argentino se impulsionam mutuamente. A vontade de um superar o outro só tem feito bem para a dupla – e, claro, para os respectivos clubes. Cristiano faz um (como nos 3 a 1 deste sábado diante do Gijon) e passa à frente. Um pouco mais tarde, a resposta de Messi: dobradinha nos 2 a 1 de virada em cima do Levante e retoma a igualdade. Tem sido assim desde o início da temporada e nenhum deles dá sinal de diminuir o ritmo.

Os torcedores é que se divertem – os de Real, Barça e os demais. O português quase não folga; o argentino, idem. Cristiano raramente se machuca; Messi tampouco. O atacante do Real Madrid leva poucos cartões, toma cuidado para evitar suspensões; o genial camisa 10 do Barça não faz por menos. Por isso, os dois fominhas são presença constante. “Fominhas” em parte, pois se notabilizam também pelas assistências para os companheiros.

Cristiano Ronaldo e Messi correm velozmente para atingir o auge na carreira, com a vantagem de serem novos ainda. O português completou 27 anos em fevereiro e o argentino fará 25 em junho. Ou seja, têm ainda muito gramado para correr, muitas defesas para atormentar, muitos gols para comemorar, muitos troféus para conquistar. São fora de série; a desvantagem de Ronaldo é a de que Messi atua num time ainda mais extraordinário do que o Real.

A dupla mortífera tem encontro marcado para a noite do próximo sábado, no Camp Nou, para o clássico que pode definir a competição ou deixá-la aberta nas quatro rodadas que faltarão em seguida. O Real Madrid, 85 pontos (107 gols a favor 29 contra), visita o Barça, vice-líder com 81 (93 gols pró e 24 sofridos).

Vitória da turma de José Mourinho significa preparar o espumante para o título. Derrota para a moçada de Pep Guardiola, o que não é nada improvável, fará crescer ansiedade na arrancada. Campeonato bom esse, apesar de limitar-se a dois times. Os outros assistem de camarote e se limitam a aplaudir. Fazer o quê? É o que lhes resta.

 

 

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O Real Madrid pegou uma moleza e tanto nas quartas de final da Copa dos Campeões. O Apoel era o patinho feio no meio de oito times de peso e não deu pro gasto contra o poderio espanhol: perdeu a primeira em casa, por 3 a 0, e apanhou de 5 a 2 nesta quarta-feira, em Madri. Deu a lógica e vida que segue; ainda ficou feliz por marcar dois gols no campo rival.

O que me chamou a atenção nos duelos do Real com os cipriotas, sobretudo no de hoje, foi Kaká. O meia melhorou muito, mas muito mesmo, em relação a tempos atrás, está em condições físicas normais, pelo jeito espantou de vez os fantasmas das contusões. De reforço, tem sido participativo, arrisca-se a fazer jogadas individuais e ainda marcou um belo gol, deu passes e mandou uma bola na trave.

Tudo isso já foi corriqueiro para Kaká. Mas não era, nas últimas temporadas, em que ele foi ofuscado por continuados problemas físicos, a ponto de colocar em dúvida o prosseguimento de sua trajetória. Houve quem previsse aposentadoria precoce. Agora, parece ter dissipado interrogações, volta a arrancar exclamações, como os gestos de admiração do técnico José Mourinho ao vê-lo marcar o segundo gol, aos 36 minutos do primeiro tempo.

Mais do que isso, as atuações de Kaká são um recado para Mano Menezes. Com seu empenho e regularidade, o atleta maduro (já chegou aos 30) mostra ao treinador da seleção que está inteiro, pronto, com saúde e bola suficientes para ser visto como alternativa para futuras convocações.

E não é absurdo pensar em Kaká de volta num grupo que tem espaço aberto, por exemplo, para Ronaldinho Gaúcho, que não se machuca, é verdade, mas faz tempo que deixou de ser o destruidor de defesas do auge da carreira.

Em tempo: como joga Cristiano Ronaldo! O português está cada vez melhor, e será imprescindível nos duelos com o Bayern pelas semifinais. No horizonte, pinta um Real x Barcelona (jogará com o Chelsea) na decisão do título europeu desta temporada. Se isso acontecer, será um prêmio aos dois melhores times do continente – por extensão, do mundo – na atualidade.

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José Mourinho completará 49 anos na quinta-feira e vive um inferno astral daqueles. O treinador mais badalado e polêmico do futebol europeu nos últimos tempos passa por período de aperto no Real Madrid – nos bastidores e com o público. As derrotas constantes para o Barcelona, supostos desentendimentos com jogadores e declarações presunçosas devem desembocar, segundo a imprensa espanhola, em sua saída ao término da temporada de 2011-2012. Com ou sem conquistas, será carta fora do baralho.

Mourinho chegou ao Real em 2010 cheio de prosa, depois de ter brilhado no Porto, no Chelsea e na Inter de Milão. Mais posudo do que nunca, desembarcou em Madri disposto a acabar com a paparição do Barcelona. Como já havia superado os catalães em sua passagem pela Itália, a tarefa não o assustou nem parecia inglória. Sem contar que colocaram a sua disposição elenco de primeira, com estrelas como Cristiano Ronaldo, Kaká, Benzema e campeões do mundo do calibre de Casillas e Sérgio Ramos. Fora Ozil, Khedira, Ricardo Carvalho, Di Maria, que chegaram com ele.

Com essa tropa, além de sua postura que faz jorrar autossuficiência pelo ladrão, Mourinho conquistou uma Copa do Rei. E só. Em contrapartida, levou surras seguidas do Barça, uma delas os 5 a 0 de 2010, acrescidas de algumas em casa, em Campeonato Espanhol, Copa do Rei, Copa dos Campeões. Para a maior parte dos tropeços, teve desculpas pouco criativas, de preferência transferindo responsabilidades ou vendo conspirações em favor dos inimigos.

Agora, pelo jeito, a turma de Madri se encheu de Mourinho. Um dos sinais vem da imprensa. O jornal Marca, ligado ao Real, adotou postura crítica em relação ao português e no domingo publicou diálogo áspero com Sergio Ramos. O zagueiro/lateral teria dito que há coisas que o técnico não sabe porque nunca jogou bola. O argumento é tolo e fútil, porém revela impaciência de atletas com o treinador.

Mourinho também tomou vaias, na noite de domingo, depois da vitória de seu time por 4 a 1 sobre o Atlethic Bilbao. Em vez de ficar na dele, disse que não se incomodava com a manifestação, porque uma hora todo mundo é contestado. Até aí foi bem. Na saideira, destacou que não nasceu torcedor do Real e que era apenas um profissional a fazer seu trabalho.

Os espanhóis não vão perdoar essa. A resposta foi interpretada como desdém, algo do gênero “Estou pouco me lixando se gostam ou não de mim. Qualquer hora pego o boné e vou embora.” Pela maneira como caminham as coisas, o boné ele pegará mesmo, queira ou não. Mas acham que vai baixar a crista? Nem por sonho. Com o ego (e a capacidade) que tem… Não é à toa que se considera o Special One, como o chamavam na época do Chelsea. Só que o feiticeiro, que sempre gostou de motivar seus times dizendo que jogavam contra tudo e todos, agora prova de seu veneno, pois é sua turma e sua torcida que lhe voltam as costas.

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20.janeiro.2012 15:30:13

Abaixo o Barça!*

O Barcelona fez barulho, na semana, ao ganhar mais uma do Real (2 a 1, de virada, em Madri), o que lhe valeu nova lufada de elogios globais. Taí o perigo. Por causa de Messi, Xavi, Iniesta e outros metidos a dar show, virou moda torcedor de qualquer lugar achar que seu time deva copiar os catalães atrevidos. É um tal de falar em jogo bonito, toque de bola, drible, passes perfeitos, sintonia e atitudes tolas que pareciam sepultadas.

Invejam-se os gols do Barça, que proliferam mais que pirataria. Crescem olhos gordos sobre as vitórias da turma de Guardiola, que se acumulam mais que o dinheiro do Tio Patinhas. Sonham fãs com as conquistas que abarrotam a sala de troféus no Camp Nou. Em resumo, se volta a endeusar o tal do futebol-arte, até há pouco démodé e bolorento.

Onde vamos parar com isso? Qual a intenção da tropa azul-grená com provas de carinho pela bola e pela qualidade, sem abrir mão da eficiência? Como explicar para a garotada que não é preciso lascar pontapés nem armar times com cinco volantes, quatro zagueiros e um quase atacante para esmagar rivais? Que futuro espreita brucutus e botinudos?

Alguém pensa na angústia dos guardiães da filosofia do futebol pragmático? Aquela baseada no matar a jogada, no pega pega pega, o importante são os três pontos, a vitória por meio a zero com gol de mão impedido aos 47 do segundo tempo, quer espetáculo vai ao teatro, não adianta jogar bonito e não ganhar nada. Duvido. Gente desalmada.

Houve tanto esforço internacional – com seguidores ardorosos no Brasil – para provar que era irreal e obsceno idolatrar equipes como a Hungria de 54, a Holanda de 74, o Brasil de 82, que tinham vocação estéril de encantar público sem ser campeãs. Há tratados que provam por A + B que merecem internação com camisa de força treinadores que rezassem pela cartilha do futebol ofensivo.

A Terra parecia imune à influência insana de Rinus Mitchels, Telê e alguns tantos pregadores da alegria na bola. Só podia ser delírio… A mediocridade enfim tinha fincado raízes nos gramados e eis que aparece Pep Guardiola para derrubar convicções. Um novato que pendurou as chuteiras dia desses, nem barriga tem, reúne um bando de jovens habilidosos que se metem a surrar todos.

Guardiola é um terrorista, um infiltrado. Ele atenta contra a moral e os bons costumes do jogo feio mais do que edredons do BBB. Um bruxo que enfeitiçou os cartolas do Barça, a torcida catalã e agora estende suas ideias espúrias para o planeta. Um torturador, que não tem pena, por exemplo, de seu xará luso-brasileiro Pepe nem de José Mourinho, seu xará e colega luso-luso mesmo.

Os dois madridistas não suportam mais ouvir falar do Barça. Em seus pesadelos, o zagueiro tenta chutar pés e mãos de uma quadrilha de Messis… e não acerta. O treinador, esse nem dorme mais noites antes e outras depois do clássico. Deve fazer uns galos ao bater a cabeça na parede, quando chega em casa e despe a máscara da indiferença para a sequência de sovas que tem levado do carrasco.

Quer saber? Que se façam campanhas urgentes para acabar com esse ópio que representa o estratosférico Barcelona. Que tal salvar os brucutus antes que se extingam por falta de função? Por que não impedir o Barça de disputar campeonatos? Não seria interessante se entrasse já com uns 3 a 0 contra? Ou com só com sete jogadores? Cada uma de suas vitórias valeria apenas um ponto. E, pra provar que é o tal, venha jogar o Campeonato Brasileiro. Aí vai ver o que é bom pra tosse.

Tudo baboseira e dor de cotovelo. O Barcelona é uma bênção!

*(Este texto inicialmente sairia na minha coluna de domingo do Estadão.)

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