Antero Greco – estadão.com.br - Estadao.com.br
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Só se fala do frango do Bruno, no primeiro gol que o Palmeiras sofreu no jogo com o Tijuana. Aquele lance constrangedor teria decretado a derrota por 2 a 1 e consequentemente a eliminação na Libertadores. Meia verdade.

A falha do goleiro surpreendeu os 30 e tantos mil palmeirenses que estiveram no Pacaembu, na noite desta terça-feira, além dos milhões que acompanharam o jogo pela televisão. Mas não foi ali que o Palestra deu adeus ao sonho de seguir adiante na competição continental.

O Palmeiras caiu fora por suas limitações, conhecidas do torcedor e mascaradas, em apresentações recentes, pelo empenho fervoroso dos jogadores. Marcou sobretudo a garra na vitória contra o Libertad, na fase anterior, e que garantiu sobrevida à equipe.

No todo, porém, o grupo que Gilson Kleina tem nas mãos é fraco. Há quem diga que é o possível, para o momento, e que o objetivo é reestruturar-se durante a Série B nacional, subir e retomar a reação no ano que vem, por coincidência o do centenário de fundação.
Outra meia-verdade.

O Palmeiras, mesmo rebaixado em 2012, teve no mínimo seis meses para planejar a participação na Libertadores. Perdeu tempo, emperrou na inatividade da diretoria anterior e empacou no discurso da atual, que alega dificuldades financeiras. Jogou no lixo o presente que veio na metade do ano passado com a conquista da Copa do Brasil.

Se ficou no lucro, ao superar a etapa de grupos, poderia obter ganho maior nas oitavas de final. Fale-se o que quiser, mas o Tijuana é desses cometinhas que de vez em quando aparecem no futebol. Fazem um certo barulho, têm um brilhareco e desaparecem.

O time mexicano não é nenhuma maravilha, como ficou comprovado no 0 a 0 no México e na derrota que havia sofrido para o Corinthians por aqui meses atrás. O Palmeiras poderia seguir adiante, se tivesse estofo para tanto, se tivesse equilíbrio, se tivesse qualidade nos jogadores. Não digo caráter, porque os atletas foram dignos. Falo em habilidade, poder de decisão, autocontrole e coisas do gênero.

O peruzaço de Bruno seria compensado, se o time fosse bom, se confiasse no próprio taco. Se tivesse ataque, se não precisasse recorrer a um zagueiro (Henrique) para tentar desequilibrar na frente. Se tivesse um homem de referência para fazer gols.

Mas o Palmeiras revelou, no aperto, como neste momento lhe falta alma vencedora. Já foi eliminado do Paulista, deu adeus à Libertadores e aguarda a Série B. Fortes emoções virão até dezembro.

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Nada como um dia depois do outro, já diziam as comadres lá nos meus tempos de Bom Retiro. E o lugar-comum se aplica ao Bruno. O rapaz andou em baixa no Palmeiras, ainda mais por ter integrado o time que caiu no Brasileiro do ano passado, e ficou escanteado com a contratação de Fernando Prass.

Daí, o novo titular se machuca, o Bruno é chamado, falha nos gols na derrota para o Ituano, na última rodada do Paulistão, e aguenta bronca. Num instante, voltaram as críticas. Até que vem a reviravolta: no sábado, fechou o gol e garantiu o empate por 1 a 1 com o Santos, no tempo normal. Os colegas não tiveram competência nos pênaltis.

Mas nesta terça-feira voltou a ser destaque da equipe. E que destaque! Bruno pegou tudo e mais um pouco no jogo com o Tijuana, no México, fez a parte dele no 0 a 0 e deixou a equipe em condições de classificar-se para as quartas de final. Basta que vença no Pacaembu, dentro de duas semanas, e consolida o fenômeno verde na Libertadores. Bruno teve sua noite de “são Marcos”.

Sim senhor, porque até agora se trata de algo impensável para o torcedor palestrino. A presença na competição já era vista como lucro, depois da caída para a Série B nacional. Em seguida, se falava que o time não passaria da fase de grupos. Passou. Agora, a pedreira era o Tijuana, que ganhou todas em casa. Empatou…

Empatou, mas pelo menos em parte do primeiro tempo teve comportamento acima da média. Gilson Kleina não colocou equipe tão retrancada como se esperava, apostou em Tiago Real, o Palmeiras foi veloz, criou chances e teve ignorado pênalti sobre Wesley.

O Tijuana depois equilibrou e até superou o Palmeiras. Foi melhor e criou chances para marcar. A maioria parou nas mãos de Bruno. O ritmo do jogo foi bom na segunda etapa, mas a qualidade técnica, não. As duas equipes mostraram deficiências.

O importante é que, para o torcedor palmeirense, a esperança continua. O problema é que empate pelo mesmo placar leva para os pênaltis. Com gols, é do Tijuana. O negócio, então, é ganhar. E assim, piano piano, o Palmeiras va lontano. Será? Pode ser.

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O Palmeiras abre a semana dos brasileiros na segunda fase da Taça Libertadores. Agora começa o período em que acertos e vacilos determinam o futuro dos times. E o desafio alviverde é na grama sintética, no duelo com o Tijuana, no México, às 22h30 daqui.

O piso tem sido mais ressaltado do que a qualidade do adversário, de nível razoável e mais entrosado até do que o Palmeiras. Mas faz sentido a preocupação. A forma de jogar difere daquela dos gramados tradicionais. Isso é fácil de constatar: quem brinca nos campos de society que temos por aqui sabe das peculiaridades.

O Corinthians foi um dos que sofreram com isso. Na fase de classificação, topou com o Tijuana e perdeu or 1 a 0 na terceira rodada. Em seguida, fez 3 a 0 no Pacaembu, sem maiores dificuldades. O mesmo pode ocorrer com o Palmeiras? Quem sabe?

A postura palmeirense pode ser decisiva. Gilson Kleina mais uma vez armou a equipe com meio-campo com muitos marcadores e teoricamente sem ninguém para armar. Novamente, jogam Márcio Araújo, Charles, Wesley e agora também Souza. Os dois últimos muitas vezes encostam nos atacantes – no caso, Kleber e Vinicius, pois Leandro não pode ser inscrito –, mas estão longe de ser criativos.

A impressão que passa é a mesma do clássico com o Santos, nas quartas de final do Paulista, ou seja, a de que Kleina fecha o time para jogar em contraataque. No duelo doméstico, quase deu certo, com empate no tempo normal e derrota nos pênaltis. Vai repetir-se contra o Tijuana? Arriscado prever.

O que pode ajudar o Palmeiras, sempre em termos hipotéticos, é segurar empate, de preferência com gols, ou perder por pouco e também fazendo gols (por exemplo, 2 a 1 ou 3 a 2). Daí a tarefa pode ser mais exequível na volta, em São Paulo.

O Palmeiras, é bom que se reconheça, continua como franco-atirador na Libertadores. Uma constatação e um fator que pode ajudá-lo, como na etapa anterior do torneio.

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A classificação do Santos para as semifinais do Campeonato Paulista foi lógica e sem discussão, mesmo ao vir nos pênaltis (4 a 2), já que o tempo normal terminou com empate de 1 a 1 com o Palmeiras. Com isso, a equipe continua no caminho do inédito tetra estadual. Mas Neymar e companheiros divertem menos do que um tempo atrás.

Acho que me acostumei mal com o Santos do início da Geração 3 dos Meninos da Vila. E não faz tanto assim que isso ocorreu ¬– começou em 2010 e prosseguiu em 2011. No ano passado, embora tenha chegado o tri, o time não empolgou. E era o Centenário.

Continua assim. O Santos joga certo, no limite, na “conta do chá” como se dizia na época da vovó. O futebol que não empolga e não decepciona prevaleceu no clássico deste sábado. O Palmeiras largou bem, teve chance com Leandro e numa defesa de Felipe. Parou ali e deu espaço para a turma de Muricy Ramalho reequilibrar.

O Santos teve mais troca de passes (e não posse de bola) no primeiro tempo, ficou em vantagem com o gol de Cícero, ao desviar para dentro chute de Neymar, e ainda obrigou Bruno a fazer duas defesas complicadas. O Palmeiras emperrou com o bando de volantes (Márcio Araújo, Léo Gago, Wesley, Charles) e sem ninguém para criar.

Gilson Kleina teve uma leve inspiração, no intervalo, e voltou com Kleber no lugar de Léo Gago. Foi o centroavante quem fez o gol de empate ¬– único e melhor momento alviverde na etapa final. O Santos, sem sair muito do ritmo, criou mais duas chances (que morreram nas defesas de Bruno) e não criou muito além disso.

Nos pênaltis, prevaleceram qualidade, tranquilidade e pontaria dos santistas. Além dos reflexos de Rafael, com duas defesas decisivas. O Santos segue, o Palmeiras cai.

Mogi. Empolgante, mesmo, foi o Mogi Mirim, que lascou 6 a 0 no Botafogo. Lembrou o Carrossel Caipira do começo dos anos 1990, que tinha Rivaldo como uma das referências. Vitória sem dar nenhum tipo de contestação para os rivais, que ainda tentaram provocar confusão após o apito final. O Mogi vai incomodar o Santos.

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Parem as máquinas! Preparem os calmantes! Façam estoques de refrigerantes e pipoca! Reserve uma grana extra para ir aos estádios! No próximo final de semana, começará o Campeonato Paulista. Já não era sem tempo. Epa, o calendário corre solto desde janeiro, houve uma infinidade de jogos e só agora vem essa novidade?! Sim, sim, sim.

Acabou a arrastada e quase inútil fase de classificação para apurar-se os quatro times que, junto com Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo, vão disputar o título pra valer. Ou você tinha alguma dúvida que o quarteto, com 19 oportunidades, iria jogar uma vaga no lixo? Só se algum deles fosse tomado por incontornável incompetência.

A nota destoante será o clássico que Santos e Palmeiras farão na Vila. Imaginava-se que não haveria choque de grandes nas quartas de final, disputada em confronto único. (Mais uma contradição do regulamento.) E, por isso, também haverá um duelo entre times do interior, em Mogi x Botafogo. Completam o quadro São Paulo x Penapolense e Ponte Preta x Corinthians.

Desse bloco, vejo o São Paulo como favorito diante do time de Penápolis. É só o que falta, neste momento, a turma de Ney Franco negar fogo diante de rival mais fraco. Jogo pra liquidar no tempo normal, sem risco de pênaltis. E esperar o vencedor de Ponte x Corinthians. Este deve ser mais equilibrado, pois a Ponte só perdeu uma vez (contra o Palmeiras) e mostrou muita regularidade. Como elenco, o Corinthians é melhor.

Santos x Palmeiras é casca de banana. O Santos não fez uma campanha extraordinária e depende muito da inspiração de Neymar. O Palestra não é grande coisa, mas mostrou que em certas ocasiões pode superar-se e surpreender. Não tenho favorito. Assim como é arriscado cravar o Mogi diante do Botafogo. São concorrentes que se equivalem.

Uma coisa é certa: o Paulistão precisa ser repensado. Caso contrário, continuará a minguar, em qualidade técnica e em público. Mas, para tanto, é preciso que a FPF faça sua parte. Fará?

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15.abril.2013 17:25:14

Questão de atitude*

Dois registros de final de semana. 1- Na tarde de ontem, a televisão mostrou Henrique a acompanhar a goleada de 4 a 1 do Palmeiras sobre o Guarani das arquibancadas do Pacaembu, junto com o filhinho. 2 – No início da noite de anteontem, Paulo Henrique Ganso postou no Tweeter o seguinte comentário: “Aproveitando o sábado em casa…”

O que zagueiro e meia tiveram em comum na penúltima rodada do Paulista? Não estavam escalados para os compromissos das respectivas equipes. E no que se distinguiram? Um foi ao campo, o outro ficou no aconchego do lar, distante dos companheiros que perderam para o XV de Piracicaba no Morumbi.

As atitudes dos atletas ajudam a entender por que Palmeiras e São Paulo vivem momentos distintos: um surpreendeu prognósticos pessimistas e se classificou por antecipação na Libertadores. O outro lidera o torneio local, mas tem a pesar-lhe a ameaça de ficar fora da competição continental, para frustração e cobrança da torcida. Alviverdes ressurgiram; tricolores se deparam com período de nuvens carregadas.

Tomo os gestos isolados de titulares de clubes importantes como referências simbólicas e não como explicação em si, para o bem ou para o mal dos times. Não significa que Henrique seja profissional exemplar, por aproveitar a tarde de outono com a ida ao campo, enquanto Ganso se revelou folgado por preferir o bem-bom doméstico. Seria simplório encará-los dessa maneira.

Mas não é incorreto interpretar o programa que cada um escolheu como dica do que ocorre nos bastidores. O limitado Palmeiras busca na união o ânimo para sair do buraco em que se meteu ao cair para Série B nacional e após a surra por 6 a 2 para o Mirassol dias atrás. Por isso, o capitão considerou necessário ver o jogo ao vivo. O talentoso São Paulo resvala para o isolamento individual numa fase delicada e decisiva. Não parece aglutinado em torno de ideal comum. Astral que desestimula o jogador a marcar presença a não ser por obrigação.

Situação de palestrinos e tricolores à parte, faz tempo me incomoda postura relaxada de boleiros da banda de cá. A maioria vê como lazer toda ocasião em que esteja fora de uma partida. Por contusão, suspensão ou simplesmente por opção tática ou de planejamento. Errado agir assim – diga-se, com a devida conivência de treinadores e dirigentes. Repouso para o grupo todo é no dia seguinte; na hora do jogo, o elenco precisa comparecer ao local do trabalho, ou seja, o estádio. Só não vai quem estiver impedido por problema físico grave.

Repare como os europeus, ou o pessoal da NBA, prestigiam em peso o desempenho das agremiações. Vão todos ao estádio ou ao ginásio, porque faz parte das tarefas. É fundamental seguir o desempenho dos colegas, analisar in loco as artimanhas dos rivais; enfim, atualizar-se. E ação de marketing com patrocinadores e especialmente com o público.

Por aqui o sujeito fica bravo, se lhe disserem que não é pra ficar no ócio. Tempos atrás, ouvi jogador conhecido (omito o nome por delicadeza) admitir, sem maldade e consciência, que faria um churrasquinho com a família no domingo, pois tinha recebido o terceiro amarelo. “Bom curtir uma folguinha”. Dá pra entender?

Questão de atitude 2. O Corinthians é seguro na Libertadores e candidato ao bi. Já no Estadual flerta com o tédio. Como na derrota para o Linense por 2 a 1. Vai que a sonolência em um campeonato contamine a caminhada no outro… Bom abrir o olho.

*(Minha crônica no Estado de hoje, segunda-feira, dia 15/4/2013.)

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14.abril.2013 11:33:39

Inspiração verde*

O futebol e a vida dão cada volta que vou te contar! Até outro dia o Palmeiras era motivo de esculhambação, pois parecia mais o exército de Brancaleone do que time profissional. Ainda mais depois da surra de 6 a 2 para o Mirassol. Agora, volta a ficar na boca do povo pela reação e pela vitória emocionante por 1 a 0 sobre o Libertad, resultado que o colocou nas oitavas da Libertadores com uma rodada de antecedência. Até rivais domésticos reconheceram os brios da rapaziada de Gilson Kleina.

A reviravolta do momento eleva o Palestra a exemplo de superação para Fluminense, Grêmio e São Paulo, os brasileiros que tentam garantir-se na segunda fase do torneio continental. Os dois primeiros dependem apenas de si. Já a turma tricolor (4 pontos) está numa sinuca de bico: precisa bater o Atlético-MG (15), por dois gols de diferença, e torcer para que o The Strongest (6) não ganhe do Arsenal (4). Ou que os argentinos não goleiem os bolivianos. Eita situação danada de complicada!

Como desgraças costumam vir em pencas, há baixas confirmadas. Luis Fabiano continua a amargar suspensão por ter falado palavras feias para o juiz depois de jogo com o Arsenal. Só volta nas quartas, se a equipe passar. Jadson cumpre gancho por acúmulo de cartões amarelos e Maicon está contundido. Fora surpresas de última hora. (Isola!)

Não está fácil para o são-paulino manter o otimismo. Mas é necessário que acredite e que crie uma corrente com os jogadores, à maneira do que aconteceu na quinta-feira à noite no Pacaembu. Não se pode jogar a toalha por antecipação. Fosse assim, nem entraria em campo, já deixava o lugar para os gringos e se recolhia ao Campeonato Paulista, onde vai muito bem, obrigado, e lidera.

O desafio tem o tamanho da América. O Atlético-MG mostrou estilo arrasador nas cinco rodadas iniciais, não deu bola para nenhum dos adversários, venceu todas com autoridade e com sobras. Já é o melhor da etapa de grupos. E, de quebra, se jogar a pá de cal sobre o São Paulo, livra-se de um concorrente de peso, com o qual pode cruzar já no início do mata-mata. Veja a ironia do destino.

As adversidades existem, porém a hora é de torná-las estimulantes em vez de encolher-se diante delas. O elenco de Ney Franco tem qualidade, apesar dos desfalques. As decepções se acumularam até aqui, tá certo, os 4 pontinhos miseráveis jogam isso na cara. Mas nem sempre o time jogou mal. A derrapada imperdoável, e que descompensou a balança, foi o empate com o Arsenal (1 a 1) no Morumbi. Aquele foi de arrepiar.

O setor mais instável é a defesa. Ney testou diversas formações, que se mostram eficientes por um tempo, para depois desandar. Uma alternativa é usar três zagueiros para parar a blitz ofensiva que Ronaldinho Gaúcho parece divertir-se a comandar. O meio-campo perde em criatividade com a ausência de Jadson. No entanto, eis a oportunidade para Ganso tomar a batuta e se mostrar maestro da orquestra. Talento ele tem. Aloísio e Osvaldo vão ter de botar a língua para fora lá na frente.

Caminho espinhento pra chuchu. Ney Franco fará bem se, nos treinos e preleções, lembrar aos moços que há três títulos da Libertadores e três Mundiais no currículo do São Paulo contra nenhum dos mineiros. A camisa, portanto, pesa e a tradição conta. A história pode entrar em campo, na forma de encorajamento. E, acima de tudo, é necessário encarar cada dividida, cada jogada, como se fossem as últimas. Correr, suar. Às vezes, dá certo. Taí o Palmeiras para confirmar.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 14/4/2013.)

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Tem horas em que a gente fica com certo “bode” de futebol, por causa de tanta falcatrua e picaretagem. Ainda bem que restam jogos memoráveis pra dar um bico no baixo-astral. Como aconteceu no começo da noite desta quinta-feira, com o espetáculo que torcida e time do Palmeiras proporcionaram no Pacaembu. De arrepiar, pelo resultado (vitória por 1 a 0 e classificação) e mais pela sintonia e emoção das duas partes.

O Palmeiras não ganhou do Libertad na técnica e na criatividade. Ao contrário, teve muitos chutões, encontrões, divididas, bolas espirradas. E, por incrível que pareça, o mérito da turma de Gilson Kleina residiu justamente nesse comportamento. Que não foi sinal de covardia, de antijogo, mas de dedicação e reconhecimento dos próprios limites.

Mas essa postura não signficou também retranca. O Palmeiras foi à frente, como pôde, como conseguia, na base do entusiasmo, da correria, da busca por resgatar a autoestima. Esse grupo tem deficiências, não se pode negar – e sou dos mais críticos a apontá-las. Só que nessa partida as falhas são relevadas, por respeito à seriedade do grupo.

Não dá pra destacar quem foi o melhor – a entrega foi generalizada. O esforço de Marcelo Oliveira contagiou Maurício Ramos, que animou Henrique, que encorajou Juninho, que se estendeu para Charles (o autor do gol decisivo), que tranquilizou Fernando Prass (uma defesa extraordinária com os pés). Todo mundo correu. Até a expulsão correta de Wesley contribuiu para aumentar a dramaticidade do resultado.

O Palmeiras é o azarão dos brasileiros na Libertadores. E continua a sê-lo. Mas o entusiasmo dele bem podem servir de exemplo para Fluminense e Grêmio, que decidem vaga na última rodada. E principalmente o São Paulo, que tem desafio gigantesco contra o Atlético-MG. O Palmeiras mostrou que é possível.

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08.abril.2013 12:21:22

Libertem a alegria!*

Leandro, do Palmeiras, e Luan, do Atlético-MG, têm algumas particularidades em comum. Ambos são jovens promessas do futebol brasileiro, marcaram gols importantes pelas respectivas equipes no domingo, festejaram o momento de alegria intensa e… levaram cartões amarelos. Em ambos os casos, por “conduta antidesportiva”, seja lá o que isso for.

Essa atitude vaga, de larga interpretação e contornos pouco precisos, permite às Suas Senhorias dos gramados advertir os atletas, se considerarem que exageraram na euforia. E, claro, com devido respaldo de seus superiores e da casta especial de analistas de arbitragem, composta de ex-colegas que em geral comungam dos mesmos critérios.

As faltas dos moços? Leandro, 19 anos, fez o gol da vitória palestrina por 2 a 1 sobre a Ponte, resultado que derrubou longa invencibilidade da brava adversária, até então insuperável no Campeonato Paulista. Assim que mandou a bola para as redes, colocou a mão no ouvido direito, como se dissesse para o público: “E agora, ninguém vai dizer nada?” Gesto quase tão antigo quanto o esporte, repetido por tantas gerações de boleiros.

Céus! Isso configura afronta e pode incitar à violência, na avaliação de quem faz as regras do jogo. O profissional não tem direito de comportar-se de maneira tão indigna! Então, os zelosos juízes não vacilam em mostrar-lhe, por meio daquele cartãozinho, o quanto desaprovam a indelicadeza. Foi o que fez Luís Vanderlei Martinucho, todo garboso. É para os saidinhos aprenderem que não se brinca com coisa séria como o futebol. Ora!

Reação semelhante teve Wanderson Alves de Souza, responsável pelo bom andamento dos trabalhos entre Atlético-MG e Boa, pelo Campeonato Mineiro. Luan, 22 anos, anotou golaço, o terceiro dos 4 a 0 finais e o segundo dele na partida, e ficou rodando, rodando, a imitar aviãozinho. Lembrou o técnico Zagallo lá por 1990 e tantos. Na interpretação do senhor do espetáculo, demorou muito para voltar ao meio do campo. Por isso, lascou-lhe a admoestação.

O curioso é que Luan levou algumas pancadas na partida e os agressores passaram incólumes. E ele mesmo, depois, também deu uma sapatada num marcador e o árbitro fechou os olhos. Se aplicasse outro amarelo, viria o vermelho de brinde. Como fica a critério do apitador definir o que vale ou não, vida que segue. Bater é do jogo; quebrar canelas, risco normal. Mas exaltar-se na hora do gol fere a moral e os bons costumes.

Coitado do César Maluco, que se pendurava nos alambrados nos anos 1970. Hoje, seria um pária. Coitado do Serginho Chulapa, do Romário, do Edmundo. Acho que até o Pelé iria se estrepar, porque socar o ar, após os gols, poderia soar ofensivo, agressivo…

Jogadores e formadores de opinião, quem tenha mínima influência, deveriam unir-se e fazer campanha para o basta à hipocrisia, à caretice e à cara de pau disseminadas no futebol. Punição para os brucutus, para técnicos que mandam bater, para dirigentes pilantras, para juízes desonestos, para arruaceiros de arquibancadas. E liberdade para a vibração intensa, exagerada na razão de existir o futebol: o gol. Gol sempre é farra, adrenalina, risos e lágrimas de alegria!

Verde renasce. Por falar em entusiasmo, o Palmeiras supera limitações com suor e raça. A moçada de Gilson Kleina não prima pela técnica, mas tem corrido mais do que equipes estreladas e encrencadas. Os 2 a 1 sobre a Ponte dão esperança de que pode avançar na Libertadores. Nesta semana, a decisão é com o Libertad.

*(Minha crônica no Estado de hoje, segunda-feira, dia 8/4/2013.)

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Já faz algum tempo que não ligo importância para os Estaduais. E afirmo isso com tristeza, porque sou da geração que se apegou ao futebol com os duelos regionais. Relevo, portanto, muito de bom e de ruim que ocorre nestas competições moribundas.

Ressalvas à parte, gostei do comportamento do Palmeiras no jogo com a Ponte Preta, neste domingo,em Campinas. Arapaziada do Gilson Kleina é limitada. Em situação normal, ou em tempos mais gloriosos, muitos desses boleiros não estariam no elenco. Mas não se pode negar que os moços têm mostrado dedicação.

Você vai dizer que seriedade no trabalho é obrigação de qualquer um. Concordo. Mas o futebol, que tem muito de arte, também carrega características próprias. Vale, portanto, o elogio para um grupo que se mostra empenhado em participar do processo de reação do clube. Tem meu respeito quem não cai fora de um barco aparentemente à deriva.

Kleina continua com parcas alternativas para montar na equipe – quanto mais para modificá-la durante os jogos. Vai de feijão com arroz mesmo e a falta de tempero eu credito sempre para os dirigentes. Eles é que têm a chave do cofre, não o treinador. Se as finanças vão mal, também cabe cobrar deles. Sei, sei, a cúpula de agora é nova, é preciso dar um tempo, o rombo é enorme, etc e tal.

O jogo com a Ponte foi equilibrado, acelerado no primeiro tempo e mais morno no segundo. O Palmeiras ganhou fôlego com o gol de Tiago Real aos 3 minutos e deu uma esfriada com o empate (Ramirez aos 42). O nó foi desfeito com Leandro, aos 27 da etapa final. O rapaz deu prova de seriedade ao entrar em campo 24 horas depois de ter defendido a seleção,em Santa Cruzdela Sierra(e fez um gol por lá também).

O Palmeiras derrubou o último invicto do Paulistão e ganha fôlego para o duelo decisivo com o Libertad, no meio da semana, pela Libertadores. Sem se deixar levar pela euforia, o torcedor palestrino pode pelo menos ter esperança. E vai demonstrá-la indo em peso ao Pacaembu. Vai que o time despacha os paraguaios?…

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