O Neymar já entrou para a categoria das celebridades que sempre dão o que falar, a favor ou contra. Não passa semana em que não chame a atenção, por uma declaração mais atrevida, por um gol, por uma jogada bonita, pelo novo corte de cabelo. A polêmica do momento surgiu na sombra de dribles e dancinhas que aplicou pra cima de Nunes, um de seus marcadores no jogo em que o Santos bateu o Botafogo pelo Estadual.
Os pés do diligente atleta do tricolor fizeram alguns testes na resistência dos músculos de Neymar – como, de resto, tem sido ritual de quem tenta freá-lo. O rapaz então resolveu apelar para o recurso de que dispõe: habilidade. Daí usou e abusou do repertório de gingas e jogadas de efeito. Deu chapéu, tentou carretilha e até ficou parado, mãos à cintura, na lateral do campo, como a convidar o oponente para bailar, na base do “vem aqui tentar me acertar, vem”.
O Nunes só ali, a observar a molecagem, com cara de quem estava com vontade dar umas bolachas no santista, conforme se via pela televisão e como ele confessou depois. Mas, também como admitiu, se segurou, com medo de complicações. No que fez muito bem – para si próprio, para o jogo e para o Neymar.
Os lances não passaram batidos, mereceram destaque até no Marca, jornal espanhol sempre de olho nos craques daqui que possam ser pescados por Real ou Barcelona. Os gringos se encantaram com as travessuras de Neymar, assim como muitos torcedores patrícios. Outros viram humilhação, esnobismo, covardia. Os mais suscetíveis detectaram mau-caratismo e safadeza. Vixe! O técnico Muricy Ramalho deu um puxão de orelhas no moço – ligeiro, é verdade.
Alinho-me com o primeiro grupo. Com entusiasmo. A essência do futebol é a diversão, o jogo, a criancice. Essas facetas comportam malícia, picardia, imaginação, uma pitada de provocação. Enfim, doses do que hoje se convencionou reunir, de maneira ampla e genérica, sob o rótulo de politicamente incorreto.
A história está repleta de astros que entortaram adversários, que fizeram os zagueiros sentarem ou comer grama, que arrancaram aplausos do público e levaram os rivais a espumarem de raiva. O drible sempre será um acinte para a mesmice, ofende a mediocridade. O que muitas vezes se define como “humilhação” no futebol deveria ser interpretado como “que inveja tenho desse sujeito e como eu gostaria de ser como ele.”
O futebol é o esporte mais admirado no mundo, dentre outros detalhes, porque tem muitos firuleiros, os “fantasistas”, como dizem os italianos. Ainda bem. Garrincha foi um dos que mais recorreram a esse expediente desmoralizante. Nem por isso jamais foi acusado de menosprezo aos colegas.
Os tempos são outros, podem alegar os pragmáticos. Agora, se exige objetividade aguda, e o ritmo das partidas não permite leviandades do calibre daquelas do Mané, resquícios de futebol sossegado e descompromissado. Hoje, tem muita grana na parada. E seriedade demais… Portanto, aceita-se o drible, mas não a firula, ressalvam os amantes do óbvio. Por que Neymar faz gracinhas contra bagrinhos e não diante de tubarões?, emendam os justiceiros, ávidos por aplaudir a garra do botinudo e botar o dedo na cara do petulante que tenha mais arte. E como esse espécie prolifera!
O futebol é feito de pernas de pau, cartola mutreteiro, treinador falastrão, juiz ladrão e outros estereótipos. Ok. Mas se sustenta sobretudo pelo talento e pela ousadia do craque. E pela firula. A vida sem firula é um tédio tremendo; no futebol, é muito mais.
*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 27/1/2013.)
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Estas maquininhas modernas são bisbilhoteiras, enxeridas e curiosas. Tenho laptop com programa que me permite passear pelas seções do jornal, onde quer que eu esteja. E, o mais bacana, na hora em que é produzido. Sou, portanto, privilegiado, pois leio o Estado na véspera, com as notícias ferventes. Tenho o hábito saudável, nas quintas à tarde, de visitar a coluna de Eduardo Maluf, o boleiro das sextas-feiras. Bom saber de primeira mão o que pensa gente inteligente.
Na crônica que está na página ao lado, Maluf hoje levanta dúvidas em torno da qualidade do futebol que aqui se produz e baseia a tese no fiasco da seleção no Sul-Americano Sub-20 e o baixo nível técnico da Copinha. O vexame da moçada na competição continental espanta, porque fora do normal. Já o insucesso do torneio paulista se tornou pedra cantada desde que, dentre outras razões, inchou, ocupou o abecedário para nomear os grupos e virou vitrine de negócios.
Mas o que falta pra rapaziada é brincar de jogar bola, de preferência na rua. A biografia dos nossos ídolos comprova: o melhor campo, depois da várzea, é o asfalto, o paralelepípedo, o terrão (as periferias estão cheias de vias à espera de calçamento). Nessas arenas naturais, com área, laterais, meio-campo imaginários, o imprescindível estava em dar chutes sem compromisso, se ralar e sentir prazer no gol chorado, aquele feito pouco antes de ir pra casa, com a camisa empapada, o sapato sujo, a calça rasgada e a alma leve. E, claro, zoar os adversários. Com direito a eventuais quebra-paus.
A meninada de agora não consegue ocupar espaços urbanos e vai para as escolinhas. Com o respeito que merecem, são válvulas de escape, comem uma grana preta dos pais e, em alguns casos, funcionam como peneiras disfarçadas. Os baixinhos menos talentosos ficam à margem das melhores disputas, só cumprem o horário combinado e se frustram. Sim, há escolinhas que enfatizam o lúdico…
Moleque feliz precisa de liberdade para tentar, criar, errar e acertar, independentemente da natureza do material de que for feita a gorduchinha. (Salve, Osmar Santos!) Até tampinhas de garrafa pet servem para aprimorar o controle de bola… O candidato a astro deve ser incentivado a chutar de bico, quando necessário, e partir sem medo para o dibre. Com essa grafia mesmo. Drible é complicado para falar, para pensar e para executar; atrapalha o raciocínio dos artistas.
Táticas, esquemas, estratégias são coisas de gente grande – ou pelo menos eram, na época em que se levava a sério brincar de futebol. Para os guris, as regras das partidas eram bem simples: vira três, acaba seis, pênalti em gol é gol, gol de goleiro não vale (só se fosse goleiro-linha), prensada é da defesa, não tem impedimento, rebatida vale dois (no caso de pênaltis).
Mão na bola era falta; bola na mão não era. E, se estivesse perto da hora do jantar, então se apelava para o item supremo: quem fizesse o primeiro ganhava, não importava o placar do momento. Assim se moldavam craques, na rua ocorria a seleção natural.
Os tempos são outros? Bem-feito para novos tempos e para quem pensa que todo menino tem obrigação de transformar-se em Messi ou Neymar e que, para tanto, deve ter disciplina, físico atlético e um empresário tão logo tire as fraldas. Na fantasia, sim, todos somos Pelé, Maradona e outros gênios. Na realidade, a maioria ficará a ver navios. Por isso, mesmo dentre os que vingam, são cada vez mais raros os craques e bem comuns os burocratas, porque botam na cabeça da criançada que futebol é profissão antes de ser divertimento.
*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, dia 25/1/2013.)
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O Santos já mostrou, em duas rodadas, que não deverá sofrer para superar a longa fase de classificação no Campeonato Paulista. Sem sofrimento, bateu o São Bernardo por3 a1, no fim de semana, e lascou mais 3 a0 no Botafogo, agora há pouco, na Vila Belmiro. O caminho para o tetracampeonato regional parece ter poucos sobressaltos, pelo menos por enquanto.
A superioridade santista é tão acentuada – e a tendência vai manter-se diante dos pequenos –, que Muricy Ramalho pode aproveitar a longa sequência de apresentações até a etapa seguinte para aprimorar o condicionamento físico, o entrosamento, a estratégia de jogo. Para que os resultados surjam, com força, no Brasileiro e na Copa do Brasil.
Porque, na competição doméstica, a eficiência já deu as caras. O Botafogo não fez cócegas no Santos, se mostrou presa fácil e batida já no primeiro tempo, com os gols marcados por Cícero e Neymar. Como os santistas tiraram um pouco o pé, na etapa final, a diferença só veio a aumentar pouco antes do apito final, com o gol de Miralles.
Alguns aspectos podem ser destacados. Neymar é o artilheiro da equipe, com três gols (nenhuma novidade), Miralles já fez dois (e pode desbancar André, que não largou bem), Cícero não tem dificuldade para encaixar-se (foi um dos melhores em campo, assim como Renê Júnior), Montillo carece de mais ritmo e fôlego.
A tarefa de Muricy é fazer com que os jogadores não baixem a guarda. O Santos mostra condições de sobressair no Paulistão – mesmo que, para alguns, isso não seja grande coisa. Mas para o tricampeão estadual esse é o desafio do momento, enquanto Corinthians, São Paulo e Palmeiras vão dar prioridade para a Libertadores.
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Teve gente que ficou com o pé atrás quando Felipão e Parreira foram reconduzidos ao comando da seleção. Imaginou-se retrocesso, volta ao passado e interrupção do trabalho de reformulação que Mano Menezes ensaiava. Sem contar o aspecto político que envolveu a decisão, com a consequente fritura de Andres Sanchez no cargo de diretor.
Pois a dupla de campeões do mundo deixou boa impressão na primeira convocação. A lista de 20 jogadores para o amistoso com a Inglaterra tem algumas surpresas, mas nenhuma aberração. Embora, claro, sempre exista espaço para discussões.
Interessante notar que não há brucutus no meio-campo, ao contrário do que se supunha. Arouca, Paulinho e Ramires são bons marcadores, mas sabem aparecer no ataque, concluem bem e com força. Se comportam como armadores, se for necessário.
A tendência de ter um time mais criativo se consolida com Oscar e Lucas, além de Ronaldinho. O gaúcho teve desempenho elogiável no Brasileiro e é a aposta de Felipão como o astro que pode orientar a rapaziada. Mas depende de como se comportar. Hernanes também é retorno bem-vindo. Kaká virou incógnita…
Fred e Luis Fabiano são a confirmação de que o treinador gosta de homens de área, embora apenas um dos dois deva jogar. Felipão deixou isso claro na entrevista. Um deles atuará ao lado de Neymar, titular incontestável da equipe.
Na defesa, também não houve grandes mexidas – a não ser a ausência de Thiago Silva, contundido. Dante tem jogado muito bem no Bayern, tem chamado a atenção de quem acompanha o campeonato da Alemanha.
O gol é que me deixa encafifado. Não que Julio Cesar seja perna de pau. Mas faz algum tempo que a carreira tem altos e baixos. No momento, defende o Queens Park Rangers, lanterna na Inglaterra. Não seria boa indicação, menos para Felipão. O treinador, pelo jeito, apostou no currículo de Julio Cesar. Ou, pior, constatou que não há goleiro totalmente confiável no momento.
Para não parecer o chato de plantão, prefiro olhar a turma com serenidade, sem preconceito. Esperar pelo menos até a Copa das Confederações.
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Não houve surpresa, e o Palmeiras se despediu da Série A de forma coerente com o que apresentou durante a competição: com futebol medíocre, de segunda classe, de uma pobreza franciscana. Os 3 a 1 que levou do Santos, na noite de sábado, na Vila Belmiro, foram até piedosos. Se Neymar e a turma dele forçassem um pouco mais, fechariam o ano com uma surra homérica sobre um rival abatido, constrangido e envergonhado. Foram comedidos.
Deu pena ver o Palmeiras em ação pela última vez em 2012. O time entrou já derrotado e, por ironia, com a horrenda camisa amarelo marca-texto. (Tiveram, talvez, o pudor de não pedir para os atletas usarem o verde históric.) O placar, na verdade, não faria diferença. Os jogadores escalados por Gilson Kleina cumpriram como penitência o compromisso derradeiro do calendário. A maioria, se pudesse, evitaria expor-se ao vexame final.
Sabe aquele respiro do moribundo antes de bater as botas? Pois é. Veio com o gol de Maikon Leite aos 4 minutos do primeiro tempo. Algum otimista poderia pensar que a saideira seria com cabeça erguida e três pontos. Miragem que desapareceu antes do intervalo, ao levar os três gols, um de Victor Andrade e dois de Neymar (um deles de pênalti que sofreu de Román, também expulso por causa do lance, um grotesco puxão no camisa 11 dentro da área).
O Santos claramente tirou o pé na fase final. Provavelmente por solidariedade profissional. Seria desumano bater num adversário sem rumo e sem forças. O clássico que já teve Pelé e Ademir da Guia frente a frente virou um treino para os santistas, com toques pra cá e pra lá. Para os palmeirenses parecia jogo de gato e rato.
O Palmeiras vai de mala e cuia para a Segunda Divisão com 22 derrotas em 38 apresentações! Um retrospecto indefensável. Não há erros de arbitragem suficientes para amenizar um dos retrospectos mais pífios da história de um clube à beira de completar 100 anos. O time e principalmente os torcedores passaram humilhação inédita. A queda em 2002 tinha uma atenuante: foi um campeonato de um turno. Neste, prevaleceu incompetência das bravas.
Um gesto, único, de grandeza que a diretoria poderia ter era o de apresentar renúncia coletiva assim que terminou a partida. Uma forma de assumir responsabilidade e mostrar que o caminho estava livre para a reformulação. Mas, em vez disso, é bem capaz que algum cartola tenha ficado em Santos e seja visto, neste domingo, a tomar sol, “para desestressar”.
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Mas tem cada uma que acontece com o Neymar nesta temporada! Ele passou mais tempo com a seleção do que com o Santos, durante o Brasileiro, por causa de compromissos com a seleção. Daí participa de jogo sem importância nenhuma (o deste sábado com o Figueirense), toma amarelo bobo e desfalca a equipe no clássico com o Corinthians na próxima rodada.
Ok, o duelo regional também não vai alterar a vida nem de santistas nem de corintianos. Mas conta a rivalidade local. Além disso, com Neymar em campo o Santos fica muito mais forte e, de tabela, vira teste bom para o rival, na fase de preparação para o Mundial. E, sempre é bom lembrar, Neymar é atração adicional sempre que está em campo.
O lance que o tirou da penúltima apresentação alvinegra em 2012 veio aos 25 minutos do segundo tempo. Ele partia com a bola dominada, foi calçado, caiu, pediu pênalti e irritou Cláudio Francisco Lima e Silva. O árbitro não só ignorou a reclamação do astro como lhe mostrou cartão por simulação. E com isso o obrigou a descanso forçado.
O episódio foi das poucas coisas mais relevantes em um jogo para cumprir tabela. O Santos não sobe nem desce significativamente na classificação geral. A Libertadores, o objetivo que ainda lhe restava semanas atrás, virou fumaça. Para o Figueirense tratou-se de mais um capítulo na despedida da elite. Tanto que foram muitos os reservas escalados.
A vitória foi construída com facilidade, num jogo até arrastado na Vila Belmiro. Felipe Anderson fez a jogada do primeiro gol, que Pato Rodriguez concluiu, aos 43 minutos da etapa inicial. Depois, foi o próprio Felipe Anderson quem aumentou a diferença, aos 18 da fase final: 2 a 0. Os jogadores dos dois times já estão em fase pré-férias. Pior para os torcedores.
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A temperatura amena aqui em São Paulo, o trânsito leve, a cidade esvaziada, as horas a escoarem com lentidão suavizam o olhar, fazem baixar a guarda. Também realçam alguns personagens importantes, se não de nossa República, que ontem comemorou 123 anos, pelo menos do esporte. Pessoas que de alguma maneira chamaram a atenção e que compõem o painel de cores da vida, mesmo se algumas sejam melancólicas.
Você viu a obra-prima do quarto gol de Ibrahimovic, no amistoso de anteontem, em que a Suécia bateu a Inglaterra por 4 a 2? Se perdeu a chance de acompanhar na tevê, vá aos sites. Vale a pena. O atacante roubou a cena, ao completar a quadra, e fechou a atuação com lance antológico, ao acertar uma meia-bicicleta de fora da área, após saída em falso do goleiro. Um momento raro. Pena que a Fifa já tenha fechado a lista dos dez gols mais bonitos do ano. Exuberante.
Para tirar o chapéu a coragem e o talento de Falcão, o craque maior do futsal. O astro de 35 anos está com visão embaçada e com paralisia parcial no rosto, por causa de infecção, e ainda assim saiu do banco, entrou em quadra para ajudar o Brasil a descontar desvantagem de 2 a 0 para a Argentina, no Mundial da categoria: fez o gol de empate, no tempo normal, e o da vitória, na prorrogação, nas quartas de final. Isso é dedicação e curtir a profissão. Formidável.
Linda lição de superação continua a ser dada por Ricardo Gomes. Pouco mais de um ano atrás, deixou os fãs do futebol angustiados, ao sofrer AVC durante uma partida do Vasco. As cenas foram de dar nó na garganta: o então treinador desaba, na lateral do campo, e deixa o estádio em ambulância. O prognóstico inicial indicava estado clínico gravíssimo; temia-se o pior. Ricardo sobreviveu, se recuperou, mostra sequelas mínimas e não é que está de volta ao trabalho?! O próprio Vasco o reconvocou, agora para ocupar-se do planejamento para 2013. Será diretor técnico do clube e, em entrevista coletiva, mostrou coragem ao atrair para si a responsabilidade e as cobranças. Resistente.
Para o bem, para o mal, para cima e para baixo, olha o Neymar a concentrar holofotes, como sempre! O incansável craque do Santos atendeu ao enésimo compromisso da seleção na temporada e se tornou o nome do jogo com a Colômbia, disputado na noite de quarta-feira em Nova Jersey. O rapaz evitou a derrota no jogo que a CBF classifica como o milésimo da amarelinha (os historiadores discordam), ao anotar o gol de empate, numa bela jogada individual. Em contrapartida, chutou para as nuvens a oportunidade da vitória, com o pênalti mal cobrado. Deu um bico que levou a bola para as arquibancadas. Rotina de estrela. Oscilante.
O compadre de Neymar está pronto para a retomada da carreira. Ganso mandou as dores para escanteio, se diz forte, lépido e faceiro para defender o São Paulo a partir deste final de semana. Já é nome certo para compor o banco de reservas no duelo com o Náutico. A intenção de Ney Franco é a de colocá-lo no segundo tempo. A expectativa é a de ressurgir, em 2013, uma das grandes revelações do futebol nacional. Estimulante.
Alex Alves morreu, aos 37 anos, de câncer raro. Antes de lutar contra a doença, travara batalha com inimigo comum a boleiros: a decadência na carreira. A trajetória seguiu roteiro conhecido, de início promissor, fama, sucesso, títulos, dinheiro, perambulação por muitos times até o ocaso, o esquecimento. Mas, vá lá, viveu com intensidade, e deixa como legado imagens de gols e irreverência. Saudade.
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Era o jogo número 1000 da seleção brasileira, nas contas da CBF. Mas o time de Mano Menezes não esteve a mil, no empate por 1 a 1 com a Colômbia, na noite desta quarta-feira, em New Jersey. A apresentação nos Estados Unidos foi a penúltima do ano. Ainda falta um dos famigerados Superclássicos das Américas, contra a Argentina, na semana que vem.
Não foi um espetáculo o jogo com número tão especial. Mas também não foi um fiasco. Já vi partidas sonolentas e arrastadas da turma que veste a amarelinha. Até que desta vez não foi bem assim. O Brasil teve criou mais do que os colombianos, teve até bola na trave (Kaká, no primeiro tempo) e perdeu pênalti (Neymar mandou a bola pra fora do estádio). A vitória não teria sido resultado fora de propósito.
A iniciativa esteve, na maior parte das vezes, com a seleção. A Colômbia teve o mérito de segurar o ritmo, não se expôs em demasia, e ainda contou com algumas boas defesas de Ospina, em chutes de Kaká e Neymar. O astro santista fez o gol de empate, depois de Cuadrado ter deixado os colombianos na frente, e foi um dos destaques. Apesar de ter ficado aquém do que já mostrou sob o comando de Mano.
Não gostei de algumas escolhas do treinador. Castán improvisado na esquerda teve dificulades na marcação – e não alcançou Cuadrado no lance do gol. Thiago Neves, mais pelo lado esquerdo também, nem de longe foi o jogador dos melhores momentos do Flu. Talvez tenha sido o mais apagado em campo. Oscar também não foi exuberante.
Melhor enfrentar a Colômbia, um teste mais difícil, do que a sequência de babas que cruzaram o caminho da seleção, recentemente, como Iraque, China, ou adversários de segunda linha, como África do Sul e Japão. Pena que a efeméride (sempre pelas contas pouco elucidativas da CBF) tenha sido celebrada longe de casa. Casa?! Faz tempo que o Brasil deixou de ser a casa da seleção, que foi morar fora e só vem aqui esporadicamente para matar saudades.
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Torcedor gosta de pegar no pé de craque do time adversário, pra ver se consegue irritá-lo e, assim, tirar a concentração dele. Às vezes, dá certo. Na maioria dos casos, porém, esse comportamento só atiça a fera e o resultado é devastador. O tiro sai pela culatra.
O Cruzeiro foi vítima desse estratagema na noite de sábado. Assim que Neymar botou os pés no gramado do Estádio Independência, ouviu assobios e coros pouco gentis. Mal tocava na bola, as vaias se repetiam. Ele era o alvo preferido do torcedor mineiro. Nem ligou.
Aliás, não só pouco se importou com as provocações como fez o que se espera de um jogador acima da média: jogou muito. Fez três gols e deu o passe para mais um, na goleada por 4 a 0. Sem contar que perdeu pelo menos mais duas chances e arrematou diversas vezes. Deixou Fábio sem saber o que fazer, assim como desmontou a defesa rival.
Ou seja, mais uma vez funcionou a tática predileta do Santos de Muricy Ramalho: aguentar a pressão, roubar a bola e mandá-la para Neymar, à espera de que ele resolva. E, como costuma acontecer, ele deu conta do recado e saiu de campo consagrado como o melhor da partida.
O mais bacana, porém, veio assim que soou o apito final: Neymar trocou a camisa, como de praxe, e ouviu aplausos vindos das arquibancadas. De alguns torcedores santistas, é verdade. Mas de muitos fãs do Cruzeiro. Que não são bobos nem nada e souberam reconhecer o trabalho do craque.
Isso é futebol, feito de provocação, mas feito essencialmente de reconhecimento a quem tem valor. E foi o que fez a torcida do Cruzeiro em relação a Neymar.
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O Campeonato Brasileiro chegou a um estágio em que há equipes sem muito o que fazer. Não almejam título nem vaga para a Libertadores. Ao mesmo tempo, são remotas as chances de rebaixamento. Por isso, ficam no lusco-fusco, no chove não molha, à espera do fim do ano. Em geral, é um tédio acompanhar os jogos de equipes nessa situação.
Casos de Santos e Cruzeiro. Ambos têm agora 43 pontos, depois de 33 jogos disputados, e não vai pra lugar nenhum. Parece que se arrastam e não veem a hora de sair de férias de fato. Porque, na prática, já botaram o pé no freio. Por isso, voltaram a decepcionar nesta quinta, em partidas antecipadas da rodada que prossegue no fim de semana e vai até a outra quarta.
O Cruzeiro perdeu para a Ponte Preta por 1 a 0, em Campinas, e aparentemente sequer se abalou. Passou a maior parte do jogo absorto, alheio ao que ocorria ao redor, como na derrota para o Palmeiras, dias atrás. Foi visitante cordial, bem comportado, não deu trabalho para o anfitrião. Tomou o gol (Roger) aos 34 minutos do primeiro tempo, assustou-se um pouco, mas bem pouco, esboçou reação, mas viu que estava difícil e ficou por isso mesmo. Melhor para a Ponte, que também foi a 43 pontos e está aliviada.
O Santos não foi muito diferente. Recebeu o Náutico, para público pequeno na Vila Belmiro, e só não foi o horror como no domingo, em derrota para a Ponte Preta. Mas ficou perto disso. No primeiro tempo, sobretudo, jogou uma bola bem murcha, e só não ficou em desvantagem porque Kieza perdeu pênalti, que resvalou na trave.
No segundo, melhorou um pouco e, em dois lances, esbarrou no goleiro Gideão. No mais, tocou pra cá e pra lá, correu, sem objetivo. Jogo truncado, feio, que interessou ao time pernambucano, que se contentava pelo menos com um ponto (foi a 42) e está perto também de ficar “a passeio”.
Neymar, que caiu muito e jogou isolado, saiu de campo bravo com os companheiros, ao reclamar que tem gente que não se mexe. Reclamou bem. O Santos caminha para terminar o ano do centenário apagadinho, apagadinho.
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