Antero Greco - Estadao.com.br
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Hoje foi um dia especial para quem curte futebol, mas futebol de verdade, bem jogado, com trocas de passes, dribles, gols. Magia e emoção juntas. E quem proporcionou momentos de prazer, mais uma vez, foi o Barcelona. A turma comandada por Xavi, Iniesta e Messi botou o Milan na roda, fez 4 a 0 e avança na Copa dos Campeões.

O resultado foi importante ¬– ganhar sempre é ótimo. Mas, mais do que isso, conta o que representou o placar final no Camp Nou. O luminoso mostrou que o encanto do Barça não morreu, como se chegou a prever, após tropeços recentes, na Copa do Rei, no Campeonato Espanhol e na Champions. Segue saudável. Ainda bem, porque seria uma tristeza vê-lo acabar, embora a hegemonia não seja duradoura.

O Barcelona entrou em campo com a pressão dos 2 a 0 no jogo de ida, com a cobrança da torcida, com a desconfiança de críticos. E esfarelou com tudo antes de ir para o intervalo, com os 2 a 0 que garantiam pelo menos a prorrogação. E gols de quem? Dele, sempre ele, Messi, o incansável, inabalável, o virtuose maior dessa trupe especial. O Milan teve uma chance, ainda no 1 a 0, mas Nyang mandou na trave. E mais não fez.

A superioridade continuou no segundo tempo e se ampliou com o gol de David Villa, em passe de Xavi. O Milan esboçou reagir, com a entrada de Robinho e Bojan, para chegar ao gol que poderia dar-lhe a classificação. Bobagem. Quanto mais tentava abrir espaços, mais se expunha e deixava o contragolpe para o Barça. E assim surgiu o quarto gol, já nos acréscismos: Messi roubou bola na intermediária italiana e ela terminou nos pés de Jordi Alba, para coroar uma noite de gala para o futebol.

O Barça fez o que quis com o Milan, como nos melhores momentos. A equipe italiana não é extraordinária, como também não é ruim. O Barcelona é que foi exageradamente melhor. Nós aqui sabemos bem o que isso significa…

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A situação de Kaká no Real está pra lá de delicada. Chega a ser constrangedora, sobretudo depois da reportagem publicada pelo El Pais, um dos principais jornais da Europa. O diário, que  tem sede central em Madri, contou no fim de semana que José Mourinho não quer saber do brasileiro. A ponto de ter sido grosseiro com ele e deixar-lhe como opção a porta de saída.

O treinador português foi forçado a voltar ao tema, em entrevista coletiva nesta terça-feira, e não escondeu desdém em relação a Kaká. Em primeiro lugar, não desmentiu o teor da matéria jornalística, o que já é indício de veracidade. Na sequência, alegou que o elenco será definido até sexta-feira, quando fecha o mercado, e falou que tratará Kaká como outro qualquer, se por acaso não aparecer nenhuma proposta tentadora para levá-lo embora.

Kaká representou investimento alto para o clube, que três anos atrás o tirou do Milan por 65 milhões de euros. E não rendeu o que se esperava. Teve problemas com contusões, operação e longo período de inatividade. Com a chegada de Mourinho, parecia ver aberto o caminho para a recuperação, mas tudo não passou de ilusão. O português logo se cansou dele.

Por temperamento cordial, e por estratégia profissional, Kaká evita o confronto. Não interessa para ele brigar com o chefe; ao contrário, o melhor é ter paciência e só ir embora se receber o que considera justo. Ou se vier uma proposta de trabalho tentadora. O Milan seria a alternativa natural, pois marcou época por lá. Mas os milaneses garantem ter desistido.

Por que não pensar, então, em retorno – e para o São Paulo? Senão agora, quando o mercado reabrir. O clube de origem é dos poucos que hoje têm cacife para bancar a contratação, a identificação com a torcida é grande e seria o meia que compensaria a tentativa (até agora frustrada) de contar com Ganso. Um indício de que o a volta para casa não está descartada é o fato de que parte da família de Kaká estaria a arrumar a mudança de Madri para São Paulo.

 

 

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Os espanhóis estão em pré-temporada, aquela fase de preparação e aquecimento em pleno verão no hemisfério Norte. Mas quem sente ares frios é Kaká. O astro brasileiro ficou fora de amistoso que o Real Madrid faz nesta terça-feira com o Oviedo e isso tornou mais fortes as especulações de que pode deixar o clube, depois de cinco temporadas.

Não é de agora que se fala a respeito da saída de Kaká. Embora tenha sido contratado a peso de ouro em 2009 (quase R$ 80 milhões), na prática não foi em Madri o jogador decisivo e carismático do período em que ficou em Milão. Problemas físicos, e uma operação, fizeram com que não ganhasse espaço no time. Não mudou nem com a chegada de José Mourinho.

Kaká disse em diversas ocasiões (inclusive em um “Bola da Vez”, na ESPN, do qual participei) que só sairia do Real como vencedor. Era um desafio vingar na Espanha. Questão pessoa e de caráter, e acho isso bacana. Sempre quis provar, para ele e para os espanhóis, que não foi dinheiro jogado fora o investimento feito para tirá-lo do Milan.

A maturidade chegou, Kaká está com 30 anos e tem inteligência suficiente para saber se vale a pena insistir. Às vezes, criamos expectativas a respeito de um trabalho e elas não se confirmam. Parece-me que é o que ocorre nessa relação entre Kaká e Real Madrid. Kaká virou um grande ponto de interrogação num elenco que tem estrelas demais…

Se sentir que não tem mais espaço, se avaliar que não o querem mais por lá, o melhor é sair. Não vale a pena insistir. É das piores sensações que existe ficar em um lugar em que não se é desejado. Grana e mercado não lhe faltam. O Paris Saint-Germain acenou diversas vezes interesse em levá-lo. Chegou a hora da decisão.

Madri é espetacular. Mas, não é por nada, não, Paris é fora de série.

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O Milan tropeçou na arrancada final do Campeonato Italiano – domingo perdeu para a Inter por 4 a 2 – e viu a Juventus beliscar o scudetto, o que não acontecia desde 2006. Uma paulada e tanto para o orgulho do time presidido por Silvio Berlusconi. O ex-primeiro-ministro disse que sua equipe “jogou o título ao vento”.

Por isso, ainda no calor da decepção, o que não faltam são especulações em torno do elenco dos milaneses para a próxima temporada. A perspectiva é de muita mudança, e uma delas tem a ver diretamente com o Santos: os italianos estariam dispostos a devolver Robinho para a Vila Belmiro. Em contrapartida, levariam Paulo Henrique Ganso. Assim, facilmente.

A projeção dessa troca ganha espaço na imprensa italiana. O raciocínio é simples: Robinho tem identificação com o Santos, que novamente o receberia de braços abertos, como ocorreu dois anos atrás, quando caiu em desgraça no Manchester City. O Milan não se oporia à saída. Para compensar, teria prioridade para ficar com Ganso. Provavelmente com uma grana a mais.

A lógica italiana é simplista, simplória e recheada de presunção. Como se acostumaram, nas últimas décadas, a estalar os dedos para ter os craques que desejavam, os poderosos do calcio não se deram conta de que alguma coisa mudou no cenário internacional. Ainda têm poder de sedução, história, estrutura e etc. Mas o dinheiro, apenas, já não atrai, pois no Brasil não anda em falta.

O Santos inúmeras vezes deu a entender que não pretende se desfazer de suas estrelas – pelo menos não agora. Mas, se negociar os astros, certamente mira lucro significativo. Uma troca Robinho x Ganso, hoje em dia, significaria prejuízo para os santistas. Será que cairiam nessa? Duvido.

Pensando bem: tomara que seja apenas especulação. Se o Milan de fato fizer esse tipo de proposta, mostrará que é muito folgado. Ou eles ainda pensam que aqui tem um bando de otários? É pra catar coquinho!

 

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“Buffone”, em italiano, significa palhaço. O que não é o caso de Buffon, em nenhum sentido. O goleiro da Juventus é um dos mais premiados na posição, campeão do mundo, símbolo do clube e outras badalações. Mas nesta quarta-feira teve seu momento trapalhão.

Faltavam cinco minutos para o encerramento do jogo com o Lecce, em Turim, a vitória por 1 a 0 estava no papo para a Juventus, líder e invicta em 36 rodadas. Daí, numa bola fácil, atrasada, Buffon saiu distraído, dominou mal e perdeu a dividida para Bertolacci. O jogador do Lecce até se assutou com o presente, mas tocou para o gol e garantiu o empate para equipe que luta para fugir do rebaixamento. O Lecce  teve Cuadrado expulso aos 9 minutos da etapa final.

O resultado gelou o publico no estádio juventino, manteve a equipe local em primeiro na classificação, só que agora com 78 pontos, um à frente do Milan, que bateu a Atalanta por 2 a 0 (Robinho fez o segundo). Restam duas rodadas para o encerramento de uma das mais equilibradas temporadas do calcio nos últimos anos. A decisão pode ocorrer só no dia 13, no encerramento do torneio.

A besteira de Buffon é mais uma para a coleção recente de lances bisonhos dos goleiros em momentos decisivos. Por aqui, tivemos Júlio César (Corinthians), Deola (Palmeiras), Dênis (São Paulo) aprontando em jogadas fundamentais. Os dois primeiros dançaram, o são-paulino fez crescer o ponto de interrogação que há na cabeça de Leão e dos dirigentes.

Buffon também pode sentir reflexos negativos? Não, este tem crédito de sobra com a torcida. Mas sempre é chato dar mancada desse tamanho, em reta final de campeonato. Goleiro sofre – mas também faz sofrer.

 

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Cansei de elogiar o Barcelona, aqui, na coluna no Estadão, no jornal, em casa, na padaria, na igreja, na Conchinchina. É time de arrepiar, superior a quase todos os rivais com os quais topa. Mas isso não significa que às vezes não recebe ajuda extra, embora não precise. Foi o que ocorreu nesta terça-feira, no Camp Nou.

 Messi e seus acólitos são ótimos, mas contaram com a boa vontade de Bjorn Kuipers. O juiz holandês (e seus auxiliares) foi decisivo na construção do placar de 3 a 1 que deixou o time catalão pela quinta vez consecutiva na semifinal da Copa dos Campeões. Ele marcou dois pênaltis, convertidos por Messi, que desequilibraram o jogo.

 O primeiro, que serviu para abrir o marcador, de fato foi falta de Antonini sobre Messi. Com um detalhe, porém, que passou despercebido para sua senhoria e para o árbitro de linha de fundo: o argentino voltava de impedimento na hora em que disputou a bola. A favor deles, fica o fato de a bola ter resvalado no próprio Antonini, antes da dividida. Messi cobrou e fez 1 a0, num momento em que, só pra chover no molhado, o Barça era melhor, envolvi, tocava mais a bola, chutava mais a gol, etc etc.

 O Milan ainda conseguiu empatar, em bela jogada de Robinho, Ibrahimovic e conclusão de Nocerino. Mas, quase no final do primeiro tempo, Mr. Kuipers marcou pênalti de Nesta sobre Busquets. Houve agarra-agarra na área, o italiano puxou a camisa do espanhol, mas também foi atropelado por Pyuol. O juiz viu só o pênalti, que Messi aproveitou.

Esse segundo gol matou o Milan. E o terceiro, marcado por Iniesta no começo da etapa final, só enterrou de vez qualquer veleidade de reação milanista. Daí pra frente, não aconteceu mais nada no jogo. Quer dizer, ocorreu, sim: Pato entrou, para dar mais força ao ataque, ficou menos de 15 minutos, e saiu por… contusão. São 14 nos últimos quatro anos. Esse rapaz precisa procura médicos melhores. E, de reforço, se benzer e achar um pai de santo para tirar o quebranto.

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Uma brincadeira antiga de redações dizia que “o papel aceita tudo”. Era uma forma de os jornalistas mais veteranos lembrarem que muita bobagem saía no jornal nosso de cada dia. Coisas desnecessárias continuam a ser publicadas, só que desta vez em um universo amplo, infinito, que é a internet. Como espaço não é problema, somos bombardeados com milhões de inutilidades a todo momento.

Leio agora, por exemplo, que um site americano de esportes elaborou uma lista de 20 times que poderiam formar uma Liga Mundial de futebol. Do joguinho de bola consagrado em qualquer parte, o soccer; não o football deles. Fiquei na dúvida se citava o nome do dito cujo – mas, vá lá. Em homenagem à transparência e à liberdade de expressão, despejo aqui: é o Bleacher Report … ponto qualquer coisa.

Pois bem. Um articulista bolou uns critérios que lhe vieram na veneta, fez uns cálculos (números sempre dão ar de respeitabilidade a certas coisas sonsas) e chegou à conclusão de que essa Liga deveria ter quatro representantes da Inglaterra: Arsenal, Manchester United, Manchester City e Chelsea. Três espanhois: Barcelona, Real Madrid e Valencia.

Entrariam ainda dois times da Alemanha (Borussia Dortmund e Bayern de Munique), três da Itália (Juventus, Milan, Inter), três (!) da França (PSG, Lyon, Olympique Marselha), mais CSKA Moscou, Shaktar Donestk (o time ucraniano preferido de técnicos da seleção brasileira), Boca, Porto e o nosso Corinthians.

Daria um bom campeonato? Sim. Mas os critérios podem ser contestados. Eu posso montar uma Liga com os meus critérios, você pode bolar outra e assim por diante. Por exemplo: o que justifica ter três franceses? A troco de quê? Qual o peso internacional deles? O que é o Lyon? O que representa o PSG? São times importantes em seu país, mas sem representatividade internacional.

O mesmo dá para dizer do Manchester City e do Chelsea. São equipes da moda, porque recebem rios de dinheiro de russos e outros bilionários. Mas considerá-los mais importantes do que o Liverpool, por exemplo, é dar um pontapé na história do futebol. O mesmo raciocínio se aplica à presença do Valencia. O cara está de brincadeira.

O Porto é ok. Mas e o Benfica? O americano nem deve saber o que representou o time lisboeta no futebol de Portugal e mundial. Sem contar que, por aqui, se despreza o Peñarol. E como imaginar que Santos, São Paulo, cada um com suas três Libertadores e com seus Mundiais, sejam relevados. Grêmio, Flamengo, Cruzeiro, Inter têm duas e passam batidos?!

Fico por aqui. O resto depreenda você mesmo. É muita bobagem em internet. (Pensando bem, até este post é a prova de como se gasta vela com mau defunto no mundo virtual…)

 

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Vi o Barcelona ao vivo em algumas ocasiões. Duas delas nas finais da Copa dos Campeões de 2009 e deste ano – ambas contra o Manchester United. E se pode afirmar sem erro que é um time primoroso. A impressão de domínio sobre os adversários se acentua nos estádios, muito mais do que acompanhar pela televisão.

Foi o que aconteceu na noite desta quarta-feira em Milão. O San Siro lotado pode não ter visto a mais brilhante apresentação do supercampeão espanhol. Mas seguramente viu um espetáculo de primeira qualidade. Exceto por momentos (ou lances isolados), o Barça dominou o Milan como normalmente faz contra quem tenta encará-lo.

A estratégia do técnico Massimiliano Allegri foi a de apertar a saída de bola catalã, com Robinho, Seedorf e Ibrahimovic adiantados. A tática deu certo por dez minutos. E digo dez com boa vontade. O Barcelona aos poucos, quase imperceptivelmente, foi levando o Milan para o campo dele. E assim nasceu o primeiro gol, em jogada de Messi, que passou por Abidal e terminou com desvio contra de Van Bommel.

O Milan empatou em seguida, num bonito gol de Ibra, mas levou o segundo, de pênalti (pra mim exagero do árbitro alemão), marcado por Messi, que precisou chutar duas vezes. A primeira foi anulada porque ele fez a paradinha. E tomou amarelo.

Os italianos grogues reagiram só na segunda etapa, com um golaço de Boateng. Mas admitiram o nocaute, ao tomarem o terceiro, marcado por Xavi em jogada de… Messi, antes da metade da etapa final. Dali em diante, foi só um desfilar de toques sutis do Barça e de um Milan sonhando com novo empate. Mas, no fundo, rezando para o jogo acabar logo, antes que levasse outro gol.

E assim o Barcelona passa por mais um adversário quase como se saísse de um treino.

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Conto do vigário não sai de moda – na vida e no futebol. O Milan quse foi a mais nova vítima de ilusão de vantagem, antes de dar o troco e passar o prejuízo para o rival. O campeão italiano teve gol relâmpago a seu favor (Pato aos 24 segundos), no Camp Nou, achou que surpreenderia o Barcelona, tomou a virada e, no final, volta para casa com empate por 2 a 2, com gol de Thiago Silva aos 47 do segundo tempo. Quer dizer, o conto do vigário mudou de lado e apanhou os espanhóis em cheio.

Gol é bom a qualquer hora. Mas provavelmente ninguém no Milan imaginaria ficar à frente com tanta velocidade. Na primeira descida, Pato se viu livre, no meio da área, na cara de Valdes, e só tocou para o fundo. Ar de espanto no estádio – sobregudo para os jogadores do Barça. Como se dissessem: “Que petulância foi essa?”

Atrevimento que durou mais uns dez minutos, período que os catalães levaram para se reorganizarem e em que houve mais duas arrancadas italianas. Depois, com tudo serenado, se viu o filme mais conhecido em apresentações do Barça: domínio, troca de passes indefinidamente até surgirem a brecha e o chute para o gol. Abbiati que o diga, pois teve trabalho e levou sustos.

A superioridade do Barcelona virou gol de empate graças à persistência e à inteligência de Messi. Ele partiu para cima da defesa do Milan, ganhou de Ambrosini uma bola que parecia perdida e deixou Pedro sozinho para empurrar para o gol. O ritmo não mudou muito na etapa final, sempre na mesma toada: Barça na pressão e Milan na espera. Resultado: gol da virada, em cobrança de falta de Villa.

Os 2 a 1 deixaram os donos da casa mais reconfortados, seguros de que o adversário, desfalcao de Gattuso, Ibrahimovic e Robinho, não teria forças para reagir. Ao contrário, esperava-se até diferença maior – e assim foi a partida até os acréscimos. Em cobrança de escanteio que era mera formalidade, Thiago Silva subiu uns três metros e testou sem dó, sem chance para Valdes: 2 a 2 e o gostinho de decepção para o Barça.

Só o futebol prega essas peças. O Barcelona tem camisa? Sim. O Milan também.

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Passam-se alguns dias e eis que surgem novas notícias de que Paulo Henrique Ganso trocará o Santos por algum time da Europa, de preferência da Itália, ou mais especificamente de Milão. Agora, a fonte da informação é uma entrevista que o meia concedeu para o Sky Sports, um canal a cabo, da mesma natureza que a ESPN ou o SporTV.

No bate-papo, perguntam ao Ganso se ele prefere Milan ou Inter. O santista diz que tanto faz, embora se sinta perto da Itália porque tem muitos amigos por lá. Pronto, isso foi o suficiente para reacender a polêmica em torno do futuro dele! Daqui a pouco, volta a tona a discussão sobre sua relação com o clube que o projetou e com o qual tem pendência a resolver.

Em várias ocasiões, critiquei neste blog a impaciência de Ganso e de seus representantes a respeito do futuro. Deixei clara minha posição, que repito mais uma vez: que retome a carreira normalmente, após a pausa forçada pela cirurgia no joelho, ganhe títulos, se firme na seleção. O sucesso (entenda-se transferência para o exterior) será consequência natural.

No caso desta entrevista para a Sky, não vejo nenhuma indelicadeza por parte de Ganso. As respostas são as mesmas de sempre nesse tipo de papo: ele faz média com a Itália, elogia Milan e Inter, fala que aprecia o calcio. Enfim, a lenga-lenga de sempre. Se fosse abordado por algum jornalista espanhol, derramaria elogios para Real e Barça. Se falasse para ingleses, encheria a bola de Manchester, Chelsea, Arsenal, Liverpool… E por aí vai.

Há horas em que a gente tem de parar de procurar pelo em ovo. Ganso deu uma entrevista como tantas outras. Os italianos puxaram a sardinha pra brasa deles, fizeram um barulho e até entendo. É apelo para a audiência local, e nada além disso. A gente por aqui é que precisa entender certas sutilezas e não servir de caixa de ressonância.

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