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Não sei que sentimento Palmeiras e Lusa despertam mais, nos seus torcedores: pena ou raiva? Impressionante como ambos têm poder inesgotável de decepcionar quando mais se acredita em sucesso. Um desandou a dar vexames nas últimas rodadas, ainda assim se classificou para a próxima fase do Paulista. A outra transformou-se, num piscar d’olhos, de favorita a rebaixada no torneio doméstico. Dá-lhe constrangimento.

Ambos são caso de internação. A Lusa teve momento glorioso no ano passado, com desempenho notável na Segundona nacional. Liderou de cabo a rabo, passou por quase todo mundo como trator, faturou o título e foi “rebatizada” como Barcelusa. Dava gosto ver a turma de Jorginho em campo. Não foi por acaso que, mesmo com algumas baixas, iniciou 2012 cheia de prosopopeia.

As primeiras rodadas, no entanto, deixaram muita gente com um pé atrás. O time não acertava, tropeçava, perdia posições. Ficava só a esperança de que, de um momento para outro, reapareceria o futebol de 2011. Engano, que virou pesadelo com os 4 a 2 para o Mirassol. A Lusa volta ao papel ao qual se habituou há décadas: é coadjuvante, está na segunda linha, fica à sombra e dá calafrios em sua apaixonada torcida.

Algo semelhante acontece com o Palmeiras. Inacreditável como tem capacidade para mudar – para pior. Até dias atrás, ostentava uma bela invencibilidade, jogava certinho (bonito, em alguns momentos) e fez seus fãs se imaginarem a vibrar com conquistas. Desmanchou-se, voltou a ser time comum, limitado, sem atrevimento.

O que se viu na tarde deste domingo contra o Comercial foi um festival de horrores. O Palmeiras não jogou nada no primeiro tempo e mereceu ficar em desvantagem. Depois, em quase toda a fase final teve dois jogadores a mais e uma dificuldade humilhante para empatar. Conseguiu a igualdade e levou o segundo. Suou e empatou de novo.

Pode-se alegar que o árbitro errou ao anular, aos 52 minutos, aquele que seria o gol da vitória. Também poderia ter dado pênalti em Leandro Amaro na primeira etapa. Erros, pra mim indiscutíveis. Mas que não justificam a bolinha murcha da moçada de Felipão. O Palmeiras é o único dos quatro grandes que entra sem favoritismo na próxima fase

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O São Paulo ganhar não altera grande coisa. O time de Leão é um dos melhores do Paulista, vai se classificar sem nenhuma dificuldade e, antes mesmo do início da competição, era um dos candidatos ao título. Normal, portanto, fazer2 a1 na Portuguesa, no clássico disputado na tarde deste domingo no Morumbi.

O que cutuca é a campanha ruim da Lusa no Estadual. O time do Jorginho foi a sensação da Série B nacional no ano passado, liderou praticamente de cabo a rabo, garantiu a promoção com muita antecedência, comemorou a taça e deixou no ar a impressão de que aprontaria em 2012. Até agora, não aconteceu nada. Ao contrário, com 14 pontos daqui a pouco se aproxima da zona de rebaixamento.

O time sofreu modificações em relação à temporada anterior, mas não a ponto de torná-lo desfigurado ou muito diferente. Não se justifica a queda, sobretudo se se considerar que o nível do torneio regional não é dos mais exigentes. O ataque sumiu, e com 12 gols (como o do Botafogo) só não é pior do que o do Comercial (10). A Barcelusa virou fumaça, uma pena, pelo trabalho do ano passado e por sua torcida.

Torcida que acreditou na possibilidade de a reação aparecer diante do São Paulo. No primeiro tempo até que a Lusa deu algum trabalho para o goleiro Denis, segurou o meio-campo adversário e não foi muito pressionado. No segundo, ainda aprontou, com o gol de Ricardo Jesus aos 3 minutos. Nem deu pra comemorar e Jadson empatouem seguida. Poucomais tarde, Luis Fabiano emplacou a virada.

O São Paulo parecia não ter sentido a bronca que levou de Leão, pelo desempenho fraco na Copa do Brasil, e passou boa parte do primeiro tempo com futebol esquivo. Melhorou com o gol da Lusa, quando acordou e jogou como se deve. Jadson e Luís Fabiano se destacaram pelos gols e por aquilo que fizeram na etapa final.

Curiosa foi a atitude de Lucas. O rapaz jogou nada até ser substituído na metade do segundo tempo. No intervalo, deixou clara a insatisfação ao dizer que só tocou a bola porque é o que lhe pediram. Indireta para Leão, que o havia criticado dias atrás pelo excesso de individualismo. Reação de imaturidade, que uma boa conversa supera. Desde que o treinador assuma o papel de conselheiro.

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Se tivesse apostado na Loteria Esportiva, já tinha caído fora da corrida pelo prêmio neste sábado. Por culpa da Portuguesa. A Barcelusa, em torno da qual se criou muita expectativa (e com razão), já proporcionou a primeira surpresa do estadual, com a derrota por 2 a 0 para o Paulista, no Canindé. O Corinthians, em compensação, confirmou o favoritismo, mas suou para bater o Mirassol por 2 a 1, de virada, no Pacaembu. Pelo menos cumpriu a parte dele.

O Mirassol seguiu o papel da maior parte dos times do interior que disputam o Paulista e entrou em campo para atuar como franco-atirador diante do campeão brasileiro. Quase deu certo, porque fez 1 a 0 aos 29 minutos do primeiro tempo (Xuxa, de cabeça) e se segurou até os 30 do segundo. Desmorou a partir do momento em que tentou segurar o resultado a qualquer custo e sobretudo ao perder Alex Silva, expulso aos 23 da etapa final.

Com um a mais, Tite tirou o zagueiro Paulo André, aos 28, e colocou o estreante Elton. Não é que o rapaz, na primeira participação, empata? Caiu no gosto do torcedor sem muito esforço. A vitória veio com jogada de Alex, pela esquerda, aos 43 minutos. Ele fez o cruzamento e Dezinho, ao tentar fazer o corte, mandou bonito para dentro do próprio gol.

O Corinthians teve como mérito a postura ofensiva desde a escalação inicial e se valeu do entrosamento, pois basicamente é o mesmo time que conquistou o penta na Série A. Claro que falhou em muitos momentos e seus jogadores saíram com meio palmo de língua pra fora. Impossível exigir, de corintianos ou de quaisquer outros dos grandes, fôlego em dia, com a breve pré-temporada a que tiveram direito. Valeu para tirar a ansiedade da estreia.

Mesmo com atenuantes, ficou o gosto de frustração para a torcida da Lusa, que foi em bom número no Canindé, animada com a campanha na Série B de 2011 e com os resultados dos testes iniciais. O Paulista tratou de estragar a alegria, com o gol de Denner aos 4 minutos, num contragolpe rápido e que pegou a defesa aberta.

A Lusa demorou a recuperar-se do susto e passou o primeiro tempo tentando se recompor. Melhorou no segundo, com modificações que o Jorginho fez (Rai e Mylson entraram), mas ficou muito aquém do time eficiente e determinado do ano passado. Para complicar, levou mais um gol, aos 42 minutos, com Rychelly. Decepção, evidentemente, mas nada para desespero. Tanto que a torcida, ao final do jogo, aplaudiu o time. Atitude simpática. Fica, no entanto, o alerta.

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20.janeiro.2012 12:04:49

De olho na Barcelusa*

Jogos de início de ano não devem ser levados ao pé da letra. O torcedor não precisa se desesperar, se os resultados não agradam, porque a moçada ainda está fora de ritmo e uns voltam mais fofos do que outros. Assim como não pode ficar todo prosa e abusado, se o time atropela sparrings em duelos para desenferrujar. Algumas rodadas de torneios oficiais são necessárias para fortalecer esperanças ou arrasar nervos. Convém, portanto, esperar.

Mas não resisto à tentação de animar-me com a Portuguesa. Pode ser apenas reação de simpatia por uma equipe querida pela origem, pela história, pelo perfil de seus fãs. Pode ser o desejo de ver um clube tradicional recuperar momentos de glória que ficaram no passado. Pode ser precipitação das grossas, uma tentação que derruba cronistas.

O certo é que a Barcelusa merece ser olhada com mais atenção na temporada que tem pontapé inicial amanhã, com a largada de mais um Paulistão. O apelido com o qual seus seguidores se divertem em chamá-la por causa da avassaladora campanha na Série B de 2011 faz sentido. Descontado o exagero (se bem que futebol se faz com hipérboles), a turma de Jorginho tratou os adversários na divisão de acesso nacional com a mesma impiedade do original catalão. O Pep Guardiola do Canindé montou um grupo eficiente, seguro, que carimbou o retorno à elite com folga e autoridade. Trajetória de arrepiar e emocionar.

A expectativa de seus admiradores não é consequência de vaidade tosca ou de cegueira própria dos apaixonados. Há motivos para ancorar o otimismo. Pra começo de conversa, a diretoria manteve a base, nada de extraordinária, mas que conta muito. A Lusa não possui craques de fazerem o queixo cair, tem tempo que não revela um Ivair, um Leivinha, um Enéas, um Dener. Nem mesmo um Edu Bala ou um Rodrigo Fabri. (Por falar nisso, por onde ele anda?)

O elenco foi composto de acordo com a fórmula tradicional – deu espaço para pratas da casa e acolheu rapazes já rodados, vários oriundos de experiências malsucedidas. No purgatório da Segundona, longe do foco da mídia, que se concentra em Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras, o técnico pôde erguer uma Lusa pragmática e simples, sem abrir mão do estilo leve.

Jorginho não é um gênio da estratégia – ainda bem. Mas fala a língua dos boleiros, passa o recado, colhe resultados e pode firmar-se como nome de peso. A Lusa lhe oferece a confiança negada no Palestra, em 2009. Na época, pegou o rojão, após demissão de Luxemburgo, enfileirou uma série de vitórias, mas cedeu o lugar para Muricy. Os dirigentes o consideravam verde para o cargo, com o perdão do trocadilho.

O grande público vai rever ou conhecer melhor, a partir do jogo com o Paulista (17 horas, no Canindé), nomes como os de Weverton, Luís Ricardo, Gustavo, Henrique, Leo Silva, Vandinho, Edno, Guilherme. Essa rapaziada tem a missão de mostrar que a experiência do ano passado valerá muito agora. Corinthians, Palmeiras, Grêmio, Botafogo, Vasco, Coritiba são exemplos de clubes que voltaram mais fortes, depois de períodos sabáticos na divisão de acesso.

A hora é da Lusa e a chance está no Estadual. Ela não fica abaixo dos outros e rivais como Santos e Corinthians vão concentrar-se na Libertadores. A torcida lusa deve ser mais barulhenta do que nunca – e acreditar. Porém, se o título não vier, nenhum drama; o mundo não vai acabar, apesar do que previram os Aztecas. Ou seriam os Incas? Os Maias? Sei lá, isso é para videntes e sabichões.

*(Texto da minha coluna no Estado de hoje, dia 20/1/2012.)

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O ano está acabando, a gente corre atrás dos últimos presentinhos que faltam, dá um pulo no supermercado à procura de pernil, peru, tender (chester, não, por favor!!), panettone e nozes, assunta o preço de vinho e cobiça uma dessas engenhocas eletrônicas novas. O futebol está em recesso por aqui – na Inglaterra não, mas não conta, porque lá são meio lelés mesmo… Em resumo, baixamos a guarda no esporte e no máximo damos espiada no “mercado da bola”.

 Por isso, passou meio batida entrevista de Gilberto Kassab ao Estadão. O prefeito de São Paulo disse, dentre outras coisas, que pretende auxiliar alguns clubes da capital, depois da força (e tanto!) que deu ao Corinthians para tornar viável o Itaquerão. Para adoçar aqueles que ficaram com bico deste tamanho com as isenções fiscais para o estádio alvinegro, o alcaide acena com alguns benefícios. Em outras palavras, pode facilitar a vida de São Paulo, Palmeiras e Lusa.

 Kassab garantiu que tem um grupo de estudos analisando o que pode ser feito para essa turma. Gosto do termo “grupo de estudos”, passa a sensação de um punhado de sábios reunidos em torno de projetos, planilhas e pareceres técnicos. E, desses encontros, sairão propostas extraordinárias, que mudarão a vida dos clubes e seus seguidores.

 Posso enganar-me, mas esse tipo de declaração tem contorno bem político. O ano que vem tem eleições, Kassab criou partido novo, pretende cavar seu espaço e não é de bom tom desgastar-se com torcidas, sejam elas quais forem. Se, na teoria, ganhou simpatia de corintianos, também em tese deixou descontentes os outros. Então, o melhor é fazer média.

 E como? Sem embaçar os planos. Ao São Paulo prometeu ajuda na reforma do Morumbi e na construção de um hotel. Ao Palmeiras, acena com colaboração na construção da Arena Palestra (aliás, o que houve de exigências para liberar as obras foi um espanto!). Para a Lusa, talvez, promova algum desconto no aluguel do terreno no Canindé. Ou seja, um afago aqui, outro ali. E todo mundo agora se cala.

 Muito bem. Mas fica a pergunta: se a prefeitura deixar de arrecadar com esses clubes, quem vai pagar a conta para equilibrar as finanças municipais? Você tem alguma pista? Eu tenho, e pago todo mês religiosa e pontualmente.

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Foi bonita, singela e emocionante a festa de Portuguesa e torcida pela conquista da Série B do Campeonato Brasileiro. O Canindé viveu talvez a noite mais feliz de sua história, pois pela primeira vez viu a equipe da casa comemorar uma taça. Os 2 a 2 com o Sport consolidaram uma campanha memorável, com 20 vitórias, 12 empates e 3 derrotas. Ainda faltam três rodadas para aumentar a proeza de Jorginho e sua rapaziada.

O troféu talvez não seja valioso para Corinthians, Grêmio, Vasco, Palmeiras, clubes com currículo mais rico e para os quais a Segunda Divisão foi uma mancha, um pesadelo a ser esquecido. Para a Lusa, é prêmio para ficar em evidência, para ser valorizado, admirado. Uma prova de crescimento e um motivo para reforçar a autoestima e fazer com que seja protagonista na elite no ano que vem.

A Portuguesa volta à Série A, depois de mais quatro anos de ausência. E certamente será regresso de um grupo amadurecido e confiante. De preferência com Jorginho à frente. O ex-ponta, o Cantinflas, 46 anos e pouco tempo na estrada como treinador, é um dos segredos do ressurgimento luso. Sem mistérios, sem inventar, sem complicar, moldou o grupo à necessidade da competição. E sem sobressaltos o levou ao topo.

As imagens da televisão mostraram vovós, pais e filhos, crianças a comemorar o título. Moços, homens maduros a chorar porque finalmente soltaram o grito de “É campeão!” para o time do coração. Pode parecer tolice para gente esnobe, mas não para o torcedor da Lusa. Para eles, a terça-feira 8 de novembro de 2011 será pra sempre um dia especial. E que seja só o começo de tempos de glórias. Por que não?

Foi bonita a festa, ó pá, como cantou um dia Chico Buarque.

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Quer deixar o torcedor do Náutico apreensivo? Basta ele ver o time com mais jogadores em campo do que o adversário. Até hoje, em Recife, ninguém esquece o trauma provocado pela Batalha dos Aflitos, em 2005, quando o Grêmio venceu, pela Série B, mesmo com quatro a menos. Na noite desta terça-feira, a história se repetiu em parte: o Náutico ficou no empate de 0 a 0 com a Portuguesa mesmo com dois a mais durante todo o segundo tempo.

A luta entre o líder da divisão de acesso e o terceiro colocado tinha tudo para ser equilibrada. Lusa e Náutico fazem campanhas regulares e são candidatos à promoção. O prognóstico se confirmou, no primeiro tempo, com poucos lances de perigo e muita marcação. Tudo corria normalmente até os 44 minutos, quando Ferdinando derrubou Kieza e levou vermelho. Marcelo Cordeiro revoltou-se com o árbitro e também foi expulso.

Jorginho e os atletas da Lusa que restaram foram para os vestiários preocupados, com razão. (Vestiários modo de dizer, pois todos ficaram no gramado….) Porque sabiam que a pressão seria total no segundo tempo. O treinador do time paulista não teve dúvida: colocou todo mundo atrás, exceto Edno, que ficou sozinho no ataque e ainda com a responsabilidade de tapar, dentro do possível, o meio-campo.

Não deu outra: o Náutico se jogou no ataque, pressionou, teve domínio de bola muito superior, mas falhou num quesito básico: eficiência. Não houve qualidade nas jogadas, não houve criatividade e, até certo ponto, a Lusa não teve a vida tão dificultada. Com a vantagem numérica, a equipe pernambucana conseguiu seu melhor momento num chute de Philip que bateu no travessão. No fim, saiu de campo até sob algumas vaias e Kieza quis partir pra cima de um torcedor mais folgado.

Com esse resultado, a Lusa segurou a ponta, agora com 39 pontos, contra 35 do Náutico. A Ponte está em segundo, com 38, e avança. A Lusa, desta vez, volta para casa com sensação de dever cumprido.

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O São Paulo é dos que mais mudaram no Campeonato Paulista. O que não é novidade, para time treinado por Paulo Cesar Carpegiani. Não há treinador que mexa mais em escalação do que ele – e faz tempo. Não foi diferente no duelo com a Portuguesa, na tarde deste domingo, em Barueri, pelas quartas de final do Campeonato Paulista. E no fim de seu bem, com a vitória por 2 a 0 e a vaga para as semifinais, em que terá o Santos pela frente.

A equipe teve alterações, para variar, só que desta vez com motivos independentes da vontade do treinador. Alex Silva contundiu-se em treino durante a semana e Lucas sentiu dores antes do jogo. Ficaram à parte e Carpegiani optou por defesa com dois zagueiros (Rodolpho e Miranda), manteve Ilsinho na meia, Rodrigo Souto na marcação e Marlos entrou no ataque, para jogar ao lado de Dagoberto. Mexe daqui, movimenta dali, saiu tudo certo.

O jogo teve início bom, com velocidade dos dois lados. Mas logo caiu o ritmo – e com meia hora Carpegiani teve de mudar novamente, pois Rodrigo Souto se machucou e pediu para sair. O técnico colocou Henrique na frente, para ajudar Marlos e Dagoberto. A alteração deu resultado em seguida, com o gol de vantagem marcado por Ilsinho aos 35 minutos.

No segundo tempo, Carpegiani incomodou-se com a disposição da Lusa de atacar (com Rafael Silva, Luís Ricardo e Jael), teve uma recaída defensivista e trocou o atacante Marlos pelo zagueiro Luís Eduardo. O clássico já não era grande coisa; ficou mais monótono.

A Lusa só conseguiu incomodar duas vezes, aos 29 (com Luís Ricardo) e aos 33 (com Ferdinando), que obirgaram Rogério Ceni a defesas difíceis. Justamente quando a Lusa se animava, levou o segundo gol, em contra-ataque que culminou com passe de Ilsinho para Dagoberto mandar para o gol, aos 35 minutos. O jogo acabou ali, a Portuguesa jogou a toalha e viu o tempo escorrer em favor do São Paulo. Mais uma zebra era espantada.

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A primeira fase do Campeonato Paulista terminou. Até que enfim! Nas quatro primeiras colocações faz tempo que não havia margem para surpresas. O que se definiu, apenas, foi a situação de cada um, com São Paulo a puxa a fila, seguido de Palmeiras, Corinthians e Santos.

As vagas de Ponte, Mirassol e Oeste eram bolas cantadas por aquilo que vinham fazendo. O São Caetano é que se deu mal ao perder em casa para o Linense por 2 a 0. Melhor para a Lusa, que tomou o lugar do Azulão, com o 1 a 0 sobre o São Bernardo em cima da hora.

Se der a lógica, o quarteto principal segue adiante, o que só confirmará a mesmice da competição paulista, aliás uma das mais sem graça dos últimos anos. Mas vejo na Ponte e na Lusa dois focos para surpresas, para eventual azar de Santos e São Paulo, seus respectivos adversários nas quartas de final, a serem disputadas em jogos únicos.

A Ponte mostrou força neste domingo, ao bater o Palmeiras de virada por 2 a 1, depois do susto com o frango engolido pelo goleiro Bruno. Mas o então líder foi apenas uma de suas vítimas entre os grandes. Antes, a Macaca havia feito 1 a 0 no Corinthians e no São Paulo, além de 3 a 1 na Lusa, fora o empate por 2 a 2 com o Santos. Por ironia, perdeu para Oeste e Mirassol, ambos por 2 a 1. É um time ajustado, que pode complicar e chegar à final, como aconteceu em 2008, quando foi derrotado pelo Palmeiras.

A Lusa oscila e entrou na bacia das almas. Mas justamente por isso ganha moral, confiança e mais do que nunca é franco-atiradora. O São Paulo, que já levou surra histórica da Lusa no Paulista, que se cuide, pois é quem tem a perder. Não vejo Oeste e Mirassol em condições de afastar Palmeiras e Corinthians. Se isso acontecer, é zebra mesmo

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Fazia algum tempo que Neymar não desequilibrava para o Santos. Depois da participação decisiva no Sul-Americano Sub-20, o astro da Vila foi figurante no time, com raros momentos de brilho e ausência de gols. Na noite desta quarta-feira, ele voltou a extrapolar: fez 2 gols muito bonitos, deu o passe para o terceiro (de Leo), nos 3 a 0 sobre a Lusa, fora jogadas de efeito. Foi o garoto terrível que a torcida estava acostumada a ver e do qual sentia saudade.

Valeu a pena Neymar ter sido liberado para curtir carnaval em Salvador. Gastou energia, rodou a baiana e quem pagou o pato, na volta, foi a Portuguesa. Desde o começo, esteve endiabrado e transformou em cinzas o esquema defensivo da equipe de Jorginho, o treinador adversário. Um dos que saíram com as costas doloridas foi o zagueiro Jaime, por causa de algumas entortadas que levou, sobretudo no lance do primeiro gol. Neymar foi o dono da partida.

O jovem atacante transformou-se de novo na síntese do espírito atrevido que se espera do Santos. Vá lá que nem sempre isso acontece e em várias oportunidades, na atual temporada, foi até o contrário. Mas como essa imagem é forte, boa, vendável, tem tido o reforço da diretoria. Não foi tanto por eventuais erros que Adilson Batista perdeu o emprego. Ele saiu porque a cartolagem temia que a preferência dele por cautela em determinados jogos pudesse arranhar esse invólucro de “time espetáculo”.

Na prática, o Santos não foi arrasador contra a Lusa, embora tenha sido muito superior. Mas resgatou seu bom nome com os dribles dados por Neymar – claro que não foi isso, mas parecia até que lhe pediram para abusar. Está de novo embolado com outros grandes, na briga pela liderança, e agora espera o retorno de Ganso, que pode ocorrer no sábado contra o Botafogo. Mesmo que por alguns minutos, deve desfilar na Vila. É promessa de mais qualidade. Tomara.

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