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Felipão admitiu que a demora para decidir o futuro de Kleber atrasou a reação do Palmeiras no Brasileiro. O treinador aliou a insatisfação do atacante a muitos dos males que atingiram o time durante a competição. Acha que, se tivesse liberado o rapaz na época em que o Flamengo pretendia contratá-lo, vários dissabores teriam sido evitados.

Concordo em parte com Felipão. A atitude de Kleber no episódio da transferência frustrada para o Rio já era passível de dispensa. Ou, no mínimo, de uma bronca bem dada. Ele ficou ouriçado com a perspectiva de ir embora e se irritou com a postura evasiva dos dirigentes. Criticou os patrões na cara-dura, em termos inaceitáveis em qualquer empresa, e tudo passou em branco. Nenhuma reprimenda.

Depois veio o incidente de João Vítor com alguns torcedores e Kleber liderou movimento de boicote ao jogo, por coincidência, com o Flamengo. Felipão não concordou com sua proposta de cancelar a viagem para o Rio, ambos bateram boca e novamente a cartolagem teve desenvoltura paquidérmica para entrar em ação. Depois de incertezas, finalmente se colocou ao lado do técnico e decidiu afastar Kleber.

A saída dele, de acordo com o que diz Felipão, arejou o ambiente, tornou o grupo menos tenso. Percebia-se que Kleber dividia opiniões. Mais do que isso, por falar o que quisesse, sem que nada lhe acontecesse, escancarava falta de comando da cúpula alviverde. Sem contar que, dentro de campo, sua participação era pífia. Que o Palmeiras aprenda a lição e não perca o controle, como aconteceu com o tal Gladiador.

Mas Kleber não concentrava os problemas do Palmeiras. A equipe é frágil, caiu muito no returno, sentiu a falta de qualidade e a pressão da responsabilidade. Não é à toa que Felipão diz que precisa de quatro ou cinco jogadores de peso para fazer bonito em 2012. Ou seja: não se pode induzir o torcedor a imaginar que Kleber era o grande mal. Isso só servirá para desviar a atenção de temas mais importantes.

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Kleber sai do Palmeiras atirando para todo lado. O alvo era Luiz Felipe Scolari, mas sobraram petardos para o clube que o acolheu em duas ocasiões. O rapaz ficou aborrecido com o treinador, por considerá-lo principal responsável por sua dispensa. Mas, na ansiedade de defender-se, lançou mais fagulhas num ambiente já tumultuado.

A ruptura ocorreu um mês atrás, como consequência do episódio em que João Vítor brigou com torcedores na porta do estádio Palestra Itália. Jogadores ficaram revoltados com o incidente e, liderados por Kleber, alguns não queriam viajar para o Rio, para o jogo com o Flamengo. Felipão argumentou que um fato não deveria influir no outro, e bateu boca com Kleber, que lhe disse poucas e boas.

Dali em diante não se falaram mais e a diretoria ficou ao lado do técnico. Tomou uma posição, ao contrário da trombada anterior, em agosto, quando Kleber recebeu proposta para jogar no Flamengo e provocou ruído no elenco. Na ocasião, o atacante soltou o verbo pra cima dos catolas, que se limitaram a dizer que estava “tudo bem”.

Agora, com a iminência de transferir-se para o Grêmio, o jogador rompeu o silêncio e em entrevista à Band falou mal de Felipão. Ok, todos têm direito a manifestar sua opinião, a dar sua versão em fatos polêmicos. Não deveria ser diferente com Kleber.

Só que ele poderia ter sido mais gentil com o clube. Ao dizer que os jogadores e funcionários não gostam de Felipão de novo estendeu o mal-estar para o Palmeiras. Envolveu seus colegas, já que sobre eles vai pairar a dúvida, e também dirigentes. Não era o caso, num momento em que o time tenta livrar-se do rebaixamento.

Parece aquele jogador que é expulso e, ao sair de campo, tenta levar rivais consigo. Poderia admitir problemas com Felipão e deixar o desabafo para depois da última rodada. Teria sido cortês, elegante. Com a temporada encerrada, e talvez já sem vínculo com Palmeiras, falaria o que quisesse, sem risco de ter causado mais estragos.

Sairia com imagem menos arranhada. E seria o correto para alguém que fez juras de amor à camisa verde, quando retornou de Belo Horizonte. Que seja feliz em Porto Alegre, se de fato for pra lá. E que encontre finalmente um porto seguro para uma carreira desde cedo vista como promissora, mas que fica sempre no ‘quase’. E sobretudo que deixe o Palmeiras em paz.

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26.outubro.2011 11:34:26

Fim de caso*

O futebol virou negócio e mexe com dinheiro; para muitos que estão no meio, cifras importam mais do que dribles e gols. Ainda assim a paixão resiste, sobretudo na relação de torcida com jogadores, técnicos e dirigentes, com o que implica de bom ou de ruim. Como arte que imita a vida, o joguinho de bola tem histórias de amor, com episódios de fidelidade, traições, rupturas, tentativas de reaproximação e separação. Casos começam e terminam com velocidade espantosa, como no dia a dia comum.

Exemplo atual da precariedade das relações esportivas é Kleber. A primeira passagem pelo Palmeiras marcou a tal ponto que torcedores e dirigentes ficaram a sonhar com o retorno, na fase em que defendeu o Cruzeiro. A volta ao Palestra foi triunfante e o transformaram em símbolo da raça. O Gladiador havia jurado amor eterno ao clube e retomou o lugar de queridinho da torcida, ao lado de Marcos e de Valdivia, o mago que também pegou o caminho de casa, depois de desterro inglório na Arábia.

Não deu nem um ano e Kleber virou página virada no Palmeiras. Parece personagem daquelas histórias em que o sujeito de uma hora para outra se vê enxotado de casa, sem direito sequer a pegar as roupas no armário. Se vacilar, ainda se vai se enroscar na justiça. O bate-boca com Felipão, duas semanas atrás, depois da briga de João Vítor com torcedores, resultou em afastamento definitivo. A diretoria esboçou reconciliação entre atleta e treinador. Como não teve acerto, está livre para buscar outros ares.

A saída apagada de Kleber é o desfecho de uma série de equívocos. A união ficou abalada a partir do momento em que o Flamengo, quatro meses atrás, escancarou intenção de levá-lo para o Rio. A paquera rubro-negra mexeu com o rapaz, que cobrou postura do Palmeiras, a ponto de se exaltar e soltar os cachorros contra os patrões. O máximo que ouviu, como reação oficial, foi um puxão de orelhas tão levinho que soou como afago. Na ocasião, os fãs dividiram-se entre apoio e cobrança. No fim, relevaram.

Por coincidência, e para azar dele, dali em diante os gols sumiram, o time não demorou a entrar em parafuso, veio à tona a revelação (verdadeira, porém maldosa) de que era filiado à Gaviões e culminou com o desentendimento com o treinador. O amor digere traições, mas uma hora cobra. A torcida então lhe virou as costas. Cansou dos caprichos, detectou nele a volatilidade nos laços que ligam atletas e clubes. Além disso, o escolheu como bode expiatório por mais um ano de frustração e jejum de conquistas.

Esse último aspecto pesa. Em momentos de amargura intensa, a turba exige cabeças. É assim no Palmeiras (lembram de Vagner Love em 2009?) e em qualquer lugar. Raros são os poupados – um Zico no Flamengo, um Marcos no Palmeiras, um Rogério no São Paulo. Apenas para confirmar a exceção à regra.

Leão à solta. Já que a crônica de hoje se meteu a falar de relacionamento, cabe seguir a linha no caso da contratação de Leão pelo São Paulo. Cinco anos atrás, deixou o Morumbi desgastado. Na época, conversei com dirigente influente que elogiava a dedicação do treinador e fazia restrições a seu estilo. Chegou a considerá-lo profissional com prazo de validade, por ser irascível.

Agora está de regresso, numa segunda chance. E, dentre as características que pesaram em favor de sua contratação, de acordo com cartolas, está o fato de ter “pulso forte, comando e vocação vencedora”. Ué, se é assim, por que não o chamaram quando saíram Sérgio Baresi, Ricardo Gomes ou Carpegiani? O São Paulo está carente. Carência deixa vulnerável, nem sempre leva a decisões acertadas. Bem, sorte para clube e técnico, enquanto durar o enlace.

Conselho de mãe. Lembra quando as mamães diziam para os filhos “Cuidado com as companhias”? Pois é, recomendação prosaica e sábia, a ser levada em consideração sempre. Pelo jeito, o ministro Orlando Silva foi menino desobediente e não aprendeu a lição. Por isso, se meteu em enrascada braba. E fico a cismar: onde estão aqueles figurões do esporte com os quais circulou pra cima e pra baixo nos últimos anos? Andou com gente graúda no Rio, em Brasília, Zurique, Copenhague, São Paulo, Johannesburgo e mundo afora. Nos últimos dias, você ouviu alguma palavrinha deles em favor de Silva? Não estão nem aí. Acha que querem sarna?

*(Minha coluna no Estado de hoje, quarta-feira, dia 26/10/2011.)

 

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16.outubro.2011 09:27:04

Jogador é gente*

A gente costuma tratar jogadores de futebol sem meios-termos: ou os vemos como super-homens, versão moderna dos deuses do Olimpo, ou os encaramos como garotos mimados que demoram a crescer e só vivem no bem-bom. Evidente que há profissionais extraordinários, com talento muito acima da média e com salários idem. Com vida de fazer inveja. Da mesma forma, existem os filhinhos de mamãe, cheios de não me toques, que se acham o máximo e depois de algum brilhareco se perdem na vida, se transformam em vaga memória.

 Prefiro enxergá-los apenas e adequadamente como seres humanos, com qualidades e defeitos – tanto os craques quanto os pernas de pau. Uns e outros com direito a episódios de glória e de frustração. Como qualquer um de nós – eu, você, o Chico Barrigudo. Dessa forma, poderemos compreender suas oscilações de maneira mais sensata. Até onde isso for possível, quando se trata de futebol.

 Durante a semana, vários desses rapazes viveram momentos conturbados e nem todos se saíram bem. O que acho ótimo – assim ganham dimensão real. Alegria e superação, por exemplo, sobraram para El Loco Abreu e Fred. Ambos estiveram empenhados em jogos de suas respectivas seleções, meteram-se em viagens malucas e voltaram para o Brasil esbaforidos para atender compromissos de seus times. Correram pra cá e pra lá e no final valeu a pena esfalfar-se. O uruguaio Abreu foi decisivo nos 2 a 0 do Botafogo contra o Corinthians (fez um gol) e o mineiro Fred roubou a cena, com os gols do Flu nos 3 a 1 diante do Coritiba (e ainda perdeu pênalti).

 Bonito. Proezas que vão virar lendas, que marcam as carreiras e que os fizeram cair nos braços da torcida. Mas não é assim pra todo mundo. Neymar, Kleber, João Vítor amargaram dissabores que a rotina de pessoas públicas também apronta. O trio passou por maus bocados, dentro e fora de campo.

 Começo por João Vítor, o peixinho miúdo dessa trinca. Ele tem 23 anos, carreira curta, com passagem em times modestos como Marília e Grêmio Prudente, e pouco tempo de Palmeiras. O prosaico programa de comprar camisas na lojinha do clube, antes de um treino, virou pancadaria, por causa de um fanático que o xingou, e só não acabou em massacre porque a polícia interveio.

 O incidente enveredou por caminho no mínimo distorcido e se passou a discutir se não teria sido ele (e dois acompanhantes) a iniciar a confusão. Os 15 que estavam no boteco e partiram pra cima agiram somente com instinto de solidariedade com um companheiro que apanhava. Espera aí, tem algo errado nessa história. Violência revolta e fica difícil tomá-la com naturalidade. Não acho que João Vítor tenha de dar nem receber pancada. Nem ele nem ninguém. Mas que direito tem um torcedor de enchouriçar a vida do moço, de insultá-lo, de provocá-lo? Talvez João Vítor devesse se fingir de surdo, teria sido mais prudente. Só que nem sempre se consegue manter o sangue frio. Condená-lo por isso, ou ficar em cima do muro como fez o Palmeiras, é deprimente.

 O quiproquó respingou no Kléber. O atacante resolveu tomar as dores do companheiro e ensaiou um levante, ao sugerir que o grupo não jogasse contra o Flamengo na quarta-feira. Nervosismo, bate-boca com Felipão e eis que se vê contemplado com afastamento. Pode ser que Kléber tenha se excedido e se julgou no direito de falar o que quisesse. Afinal, três meses atrás cantou de galo, disse o que bem entendeu e a diretoria se calou. Tivesse havido uma conversa serena e profissional, naquela ocasião, e provavelmente agora ele não agiria dessa forma.

 Neymar é caso clássico do prodígio que paga pela fama rápida. Neste ano disputou Sul-americano Sub-20, Paulista, Libertadores, Brasileiro, Copa América e amistosos da seleção. Esteve no centro de queda de braço entre Santos, Barça, Real Madrid. No meio-tempo, faz um montão de comerciais, apanha mais que boi ladrão e decide jogos. Chega uma hora em que se cansa, reclama, leva amarelo depois do enésimo chute, aplaude juiz com ironia e é expulso. É demais! Só falta aparecer um puritano e advertir que se está a “criar um monstro”, como naquela trombada com Dorival Júnior.

 O choro de Neymar, após o jogo com o Atlético-MG, é prova de que por trás do popstar bem pago e badalado, existe um homem e não uma máquina de jogar bola ou fazer dinheiro. E homem que é homem chora.

 *(Texto da minha coluna publicada no Estado de hoje, dia 16/10/2011.)

 

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Escrevi diversas vezes aqui que o Palmeiras se desintegra, que sua história centenária sofre agressões permanentes, sob o olhar complacente e omisso de quem deveria preservá-la. A briga em que se envolveu  João Vítor e o afastamento de Kleber do grupo que na noite desta quarta-feira enfrentará o Flamengo são os dois episódios mais recentes da decadência. Para piorar, a perspectiva é de agravamento da situação.

A discussão e pancadaria entre João Vítor e torcedores, na loja oficial do clube, mostram a que ponto chega o descontrole de ambos os lados. Os atletas há muito não se sentem seguros de atuar numa equipe carente de títulos, sem rumo na política e com diretoria inábil. Os fãs acumulam frustrações, percebem que o time regride, enquanto rivais crescem. Entra ano, sai ano, e é só amargura. As conquistas parecem apenas coisa do passado – e um passado escondido, já que os troféus estão amontoados em caixas num depósito qualquer na cidade. Daí, se procura um bode expiatório, que pode ser um João Vítor, jogador sem expressão.

Em vez de partirem sinais de pacificação e ousadia, o que vem do clube são apenas novos indícios de atritos e briga pelo poder. A cartolagem parece mais preocupada com sua vaidade, com os compromissos com grupelhos e sabe-se lá com que mais. Respeito às tradições do Palmeiras é tema relegado a segundo plano, bobagem para ‘românticos’ perderem tempo.

 Tempo quem perde é a agremiação, ao ainda dar espaço para gente que há muito deveria ter tirado o time de campo e aproveitar o que o clube lhe proporcionou. Gente que já usufruiu demais do Palmeiras, e que no entanto não sai de cena. Gente que se sustenta só por estranhos acordos políticos. Gente que não está nem aí para o mal que desencadeia. Gente que é responsável por essa tensão que descamba para violência.

Para entornar o caldo de vez, o futebol está à deriva. Quem deveria mandar só tem conversa mole, se esquiva em situações delicadas e larga tudo nas mãos de Felipão. O técnico passou a exercer funções que não seriam suas, dá declarações fortes, entra em atritos com jogadores, já não tem a coesão no elenco e não consegue obter resultados positivos em campo. Daí os choques com jogadores, as caras feias pra todo lado. É um círculo vicioso sem fim.

 E qual a postura da diretoria, mais uma vez? Respostas vagas, como na explicação do afastamento de Kleber e na nota oficial sobre a confusão com João Vítor (vai esperar as investigações). Vão plantar batatas!, como diria o pessoal do Bom Retiro, onde havia palestrinos de verdade.

 

 

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O Palmeiras lutou bravamente, na noite desta quinta-feira, no clássico com o Vasco. Correu, suou, pressionou, venceu, e bem, por 3 a 1. O resultado, porém, foi insuficiente para levá-lo adiante na Copa Sul-Americana. O gol sofrido – aliás um golaço de Jumar – derrubou as pretensões da turma de Felipão. Faltou mais um. O Vasco vai em frente, por causa desse gol e dos 2 a 0 que obteve na ida, em São Januário.

Bateu na trave, mais uma vez, para o Palmeiras, que segue sua sina de coadjuvante. Antes do jogo, houve apresentação da nova/velha camisa, que lembrou os primeiros meses da parceria com a Parmalat, no início dos anos 1990. Ídolos como Edmundo e César Sampaio desfilaram pelo Pacaembu. Havia no ar, na véspera de o clube completar 97 anos, esperança de voltasse a ser protagonista, como é sua vocação histórica.

Com a bola a rolar, o Palmeiras sufocou o Vasco, com Valdivia, Luan, Maikon Leite e Kleber a rondar a área. Na base do abafo, o Palestra ficou em vantagem, com o gol de Luan, após rebatida de Fernando Prass em chute de Valdivia. O ritmo forte foi até a metade do primeiro tempo, quando o Vasco conseguiu equilibrar e se segurar.

O panorama ficou mais alviverde, no começo da etapa final, com o gol de Kleber. Àquela altura, no mínimo, a decisão da vaga iria para os pênaltis. Até que Jumar acertou o chute mais certeiro da vida dele: da intermediária, mandou um míssil no ângulo esquerdo. Marcos não teve nem coragem nem reação de mexer-se. Esfriou o estádio.

O Palmeiras passou o restante do segundo tempo à procura de espaços e de jogadas. Mas se limitou, na maior parte das vezes, aos cruzamentos para a área e às bolas paradas. Chegou ainda o terceiro gol, com falta cobrada por Marcos Assunção, mas já em cima da hora. O placar serviu apenas como consolo.

O Paulista foi, a Copa do Brasil também, a Sul-Americana idem. Resta o Brasileiro para salvar mais uma temporada frustrante. Será que dá? Tenho sérias dúvidas.

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23.agosto.2011 16:15:49

Kléber é da Fiel. E daí?

Está engraçada a história de que Kléber é associado da maior torcida organizada do Corinthians. O fato de que na adolescência o hoje Gladiador palmeirense frequentou arquibancadas como Fiel alvinegro deve ser visto com naturalidade. Encará-lo como prova de caráter dúbio do atleta é atitude insensata, injusta, amoral.

Como qualquer um, Kléber tem o direito de simpatizar sejá lá com o time que for. A paixão pessoal só não pode interferir no desempenho como profissional. E, salvo prova em contrária, ele jamais amoleceu ou amarelou ao enfrentar o Corinthians. Pode ter muitos defeitos, mas não é canela-de-vidro, nem medroso.

Algum corintiano, que conheça a história de seu clube, teria a petulância de não considerar Sócrates e Rivellino como dois dos maiores ídolos que já  vestiram o manto alvinegro? Duvido. No entanto, o Doutor torcia para o Santos e o Reizinho do Parque veio de família de palmeirenses. Aposto que é mínima a quantidade de jogadores que atuam no time de coração.

Por isso, vejo esse episódio como folclore da bola, uma tentativa de dar sabor especial à semana do dérbi, o confronto mais charmoso do futebol paulista. Não merece mais do que algumas provocações em mesa de boteco e um par de risadas. O resto é bobagem e hipocrisia das grossas.

 

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No comentário anterior aqui no blog, postado no começo da madrugada, critiquei a iniciativa do tribunal esportivo de julgar Kleber, Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves por falta de fair-play e ou atitude desportiva no clássico entre Palmeiras e Flamengo na semana passada. O atacante foi denunciado por não colocar a bola pra fora, após atendimento de um adversário. Os rubro-negros corriam risco de pegar gancho por terem forçado terceiro cartão amarelo naquele jogo.

O tribunal absolveu o trio – no que fez bem. Poderia ter sido poupado de perda de tempo, já que nenhum deles cometeu delito grave a ponto de sofrer alguma punição. Para quem não leu o que escrevi antes, achei deselegante a atitude de Kleber. Ele deixou escapar oportunidade de mostrar-se cavalheiro, mesmo ao considerar que os rivais não tiveram comportamento cortês durante a partida. Mas não era caso de suspensão.

Ronaldinho e Thiago Neves fizeram a coisa mais manjada no futebol, que é forçar o terceiro amarelo para “zerar” a situação em jogo que consideravam de menor risco e estarem aptos na sequência. E, logo em seguida, como se sabe veio o duelo histórico com o Santos, em que Ronaldinho sobretudo comeu a bola.

Os advogados dos jogadores alegaram falta de regras a respeito do fair-play e convenceram os auditores. O engraçado nessa história toda foi o “esclarecimento” de Thiago Neves. Ele disse que não disse no dia seguinte à partida com o Palmeiras que o terceiro amarelo havia sido combinado com Ronaldinho Gaúcho. Nada disso. Segundo Thiago, seu desejo é o de disputar todos os jogos.

O tribunal acreditou nele, mesmo com registro de imagem e som, já que concedeu entrevista ainda no aeroporto. Vai entender. Ficou o dito pelo não dito – e viva São Benedito!

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O Tribunal Esportivo é importante, mas às vezes exagera no zelo. Na pauta da sessão marcada para hoje está o julgamento de Kleber por falta de fair-play no jogo em que Palmeiras e Flamengo empataram por 0 a 0 na semana passada. O atacante foi denunciado porque não colocou uma bola pra fora, como cortesia. Em vez de ceder o lance para o adversário, resolveu arriscar o chute a gol. O gesto provocou início de tumulto.

A atitude de Kleber foi tosca – eu disse isso na tevê, além de escrever aqui e na coluna no Estadão. Faltaram-lhe cavalheirismo, picardia, elegância. Em seu favor, alegou no dia seguinte que os jogadores do Fla também não se comportaram com altivez em diversos momentos. Citou cotoveladas, faltas ríspidas e abuso de cera.

Erros, sem dúvida. Mas que não justificavam sua reação. Kleber seria diferente – e superior – se mostrasse desprendimento e não se mantivesse no nível dos demais, que considerou baixo e antidesportivo. Perdeu oportunidade de dar lição e agir como verdadeiro “Gladiador”.

Daí a ser levado para o tribunal há um disparate. O fair-play é bonito e o defendo. A Fifa sempre prega cortesia e lisura como partes integrantes do jogo, embora nem sempre faça uso dessas qualidades. Só que não há regra escrita determinando que um atleta que, numa bola ao chão, não possa ganhar a dividida. Kleber fez papelão, mas não descumpriu regulamento, apesar de ser denunciado no artigo 258 do Código de Disciplina (assumir atitude contrária à disciplina e moral esportiva).

Da mesma forma, considero severa demais a perspectiva de Thiago Neves e Ronaldinho Gaúcho pegarem até 10 jogos de suspensão por terem forçado terceiro amarelo, no mesmo jogo, e assim evitarem o confronto com o Ceará. Ambos acharam mais conveniente zerarem logo a série e trataram de levar a arbitragem à punição que lhes interessava.

Ok, é falta também de fair-play, mas nenhum crime contra o esporte. O ‘erro’ de Thiago Neves foi o de ter sido sincero, ao admitir a manobra, aliás tão comum, nem por isso uma lindeza. O procurador do tribunal, Paulo Schimitt, disse que o futebol não pode ser um vale-tudo – e assino embaixo. Mas esse é um pecadilho, um pecado venial, diante das botinadas, carrinhos, entradas criminosas, cotoveladas muitas vezes ignoradas.

Um pito – e olhe lá! – nos dois rubro-negros já estará de bom tamanho. Carga pesada, de fato, deveria ocorrer sempre contra os desleais e violentos. Esses têm de ser combatidos. Meu maior sonho, porém, é ver um dia um tribunal  punir cartolas e afins que não agem com fair-play e transparência com um bem cultural e público tão importante como o futebol. Aí, sim, será um festival e tanto de condenações, suspensões, afastamentos.

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Empate em campeonato por pontos corridos é uma casca de banana. Que o digam Palmeiras e Flamengo. Ambos não passaram do 0 a 0, nesta quarta-feira, no Pacaembu, e viram distanciar-se a liderança, que se mantém sob a guarda segura do Corinthians. Como consolo, restam no bloco dos quatro primeiros. O Fla é terceiro, com 20, o Palestra vem em seguida com 19. O São Paulo (21) fecha o quarteto.

A atração da noite foi Kleber. Depois de quase três semanas de especulações e desencontros, o atacante enfim retornou ao Palmeiras e diante do clube que pretendia contratá-lo. Foi bem recebido pela torcida, entrou com a faixa de capitão e rodeado de crianças. Uma forma de mostrar que os desencontros com a diretoria estavam superados.

Com a bola a correr, Kleber foi o lutador de sempre, mostrou entrosamento com Maikon Leite, criou poucas situações de gol e no final ainda irritou os ex-futuros colegas numa jogada de falta de fairplay. Quer dizer, nada fora do script normal. Ou melhor, justiça seja feita: houve um lance, no primeiro primeiro tempo, em que sofreu falta, no mínimo a um passo da área.

O jogo teve marcação acentuada e, ainda assim, o ritmo não foi ruim. Não foi um clássico sonolento, apesar de tecnicamente abaixo do que se esperava por times que têm pretensão de chegar ao título.

Como consequência disso, Marcos e Felipe apareceram poucas vezes. Diria que cada um fez uma boa defesa. No mais, os atacantes tiveram escassa liberdade. A comemorar o resultado só mesmo o Corinthians – ou, vá lá, também o São Paulo.

 

 

 

 

 

 

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