Há situações em que fazer bonito é fazer o básico e o prático. Como na bola que Kleber recebeu, menos de dois minutos antes do encerramento da partida do Palmeiras contra o Tigre, na noite desta quarta-feira, pela Libertadores. Ele ficou livre, no mano a mano com o zagueiro, na entrada da área, fez o corte, abriu o clarão pra chutar a gol ou passar. Preferiu o segundo drible, deu chances para a recuperação da defesa e armou o contragolpe do adversário.
O que aconteceu na sequência? Falta para os argentinos, bola levantada na área, ninguém subiu e ela sobrou para Peñalba marcar o gol da vitória. Um castigo do tamanho de um bonde para o Palmeiras, que teve a vitória a seus pés, ou na hipótese menos desastrosa voltaria para casa com um ponto. Ficaria com 4 no total, como o Sporting Cristal, contra 7 do Libertad. Perdeu, se complicou e está com 3, ao lado do horroroso Tigre.
Kleber não deve ser crucificado, e ter muitas oportunidades para provar que foi uma contratação útil. Mas, caramba, o sujeito acaba de chegar, está nas primeiras apresentações pelo time e não se deu conta do tamanho da trolha em que vive o Palmeiras? O momento não é de golaços, mas apenas de gols, simplesmente empurrar a bola pra rede. Ele voltava consagrado com um bico na redondinha. Em vez disso, fica com o papel de vilão da jornada.
Mas, de forma geral, a equipe teve comportamento de vilã, aí incluído o técnico Gilson Kleina. Diante de um rival fraco, botinudo, limitado, a opção deveria ter sido a de jogar pra frente desde o começo. E não satisfazer-se com a perspectiva de empate. O Palmeiras passou o primeiro tempo num joguinho rame-rame e só depois da metada de segunda etapa percebeu que a tarefa não era tão complicada. Foi quando criou as chances.
O time carece de muitos ajustes, sobra individualismo em quem não tem cacife pra tanto. Falta regularidade a alguns (como Valdivia) ou raciocínio para outros (como Maikon Leite, um velocista que desperdiça a maioria dos lances). E sobretudo é preciso encontrar uma fórmula mágica para evitar que a defesa leve tantos gols de cabeça. O que não é de hoje.
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Partimos do princípio de que somos contra a violência e a favor do jogo limpo. Pronto, assim não haverá dúvida de que defendemos atitudes corretas. Isto posto, vamos ao que interessa: que punição mais estapafúrdia essa que o tribunal esportivo impôs ao Ronaldinho Gaúcho! Um jogo de suspensão por levantar o pé demais em dividida com Kleber, no clássico disputado entre Atlético-MG e Grêmio, na 26.ª rodada.
O lance passou batido pelo árbitro Héber Roberto Lopes, que nem deu bola para o esboço de reclamação de Kleber. A jogada morreu ali e os dois jogadores, experientes, rodados, se evitaram depois disso. Incidente superado, o jogo seguiu em frente e terminou com empate de 0 a 0, no Estádio Independência. Cada um foi pro seu lado e caso encerrado.
Encerrado coisa nenhuma. O episódio foi levado adiante pela Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, com base nas imagens da televisão. Demorou um tempo, como sempre, até vir o julgamento nesta terça-feira. E a condenação de Ronaldinho, por jogo brusco. Só não pegou pena maior, por consideração aos serviços prestados à seleção. Héber Roberto Lopes, também denunciado por omissão, foi absolvido.
Alto lá, aí tem contradição. Se Ronaldinho mereceu gancho de um jogo, porque o lance foi considerado ostensivo demais, o juiz também deveria ir pra “geladeira”, por ter permitido tamanha atrocidade. Ora, o correto era não acontecer nem uma coisa nem outra. E não foi algo tão fora do comum para merecer a onda que se criou em torno.
A tevê é um recurso auxiliar em situações muito graves. Um exemplo? Mauro Tassotti, hoje auxiliar no Milan, quebrou o rosto de Luis Enrique, no jogo entre Itália e Espanha, no Mundial de 1994, nos EUA. O juiz não viu, mas as câmeras flagraram a cotovelada e Tassotti passou o resto da Copa suspenso. Ponto para o tribunal da Fifa.
No caso brasileiro, houve exagero, e como sempre o julgamento ocorre muitos dias após o episódio a ser julgado. Se for assim, os senhores do STJD poderão requerer fitas de todos os jogos das Séries A, B, C, D e encontrarão, a cada rodada, diversos lances mais ríspidos, igualmente merecedores de atenção e de farta aplicação de punições. Vai faltar data para os julgamentos.
E podem também, por que não?, rever impedimentos mal marcados, pênaltis (que houve ou não), cera provocada por goleiros, simulação de faltas e assim por diante. Chamam árbitros e bandeirinhas para explicar os lances e, se for o caso, anulam gols, dão pênaltis (e marcam o dia para a repetição da jogada), redistribuem cartões amarelos e vermelhos. Será a glória.
Imaginou que interessante termos jogos “apitados” de novo, mas na sala do tribunal, no tradicional tapetão?
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Você torce para o Palmeiras? Sim, sei, isso vem da infância, a influência do pai, do tio, dos irmãos, não há mais como mudar, etc – e jamais eu recomendaria para alguém que trocasse de clube. Isso não se faz. Equipe do coração se ama incondicionalmente, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, agora e para sempre, por todos os séculos.
Então, torcedor palestrino, prepare-se para sofrer nas 17 rodadas que faltam para o encerramento do Campeonato Brasileiro. Depois de 21 jogos, com 4 vitórias, 5 empates e 12 derrotas, o time parece disposto a instalar-se na zona de rebaixamento. E, pelo andar da carruagem, de lá só sai para disputar mais uma vez a Série B.
Ok, que ainda há tempo para reação, para sair do sufoco, para terminar o ano de maneira mais digna e recomeçar do zero em 2013. Mas a tal recuperação não vem! Nem se o time adversário perder um jogador aos 16 minutos do primeiro tempo. Nem se jogar em casa, diante de seu público! Nem com reza brava.
Pois o Palmeiras com cara de Segundona apareceu na noite deste sábado, no empate por 0 a o com o Grêmio, no Pacaembu. Os gaúchos ficaram sem Kleber, expulso ao acumular dois amarelos em pouco tempo, e souberam resistir à pressão verde. Com o resultado (mais o empate do Flu com o Figueirense por 2 a 2) continuam perto da liderança e neste domingo “secam” o Atlético-MG diante do Corinthians.
Pressão houve, é verdade, mas de qualidade questionável, duvidosa e incerta. O Palmeiras de Maikon Leite, Luan, Márcio Araújo, Thiago Heleno e tantos outros medianos apertou o Grêmio mais na raça e na boa vontade do que na técnica. E, à medida que o tempo passa, se percebe que boa vontade apenas não será suficiente.
É preciso jogar mais, ser mais equilibrado, atrevido, eficiente, contundente. E isso o Palmeiras, aos poucos, parece perder. Houve mais de 20 chutes a gol, a maioria sem representar perigo real. Os arremates melhores foram neutralizados pela zaga ou por Marcelo Grohe. E, no lance mais bonito, o travessão impediu gol de Barcos.
O Palmeiras se preocupa em achar um dedo-duro e se esquece de encontrar o gol.
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O Grêmio é favorito no duelo de hoje com o Palmeiras. Não adianta o torcedor paulista se aborrecer, nem ver demérito nessa projeção, pois se trata de constatação baseada em bom senso. O time gaúcho faz campanha impecável na edição deste ano da Copa do Brasil e se mostra mais equilibrado e sereno do que o rival. Sem conta que jogar no Olímpico sempre é fator a se considerar. O Grêmio cresce em casa.
Vanderlei Luxemburgo não comanda um esquadrão – aliás, não há nenhum no país na atualidade. Mas tem um conjunto mais homogêneo do que o de Felipão. O tricolor tem obtido resultados satisfatórios, não enfrenta crises com torcida nem com jogadores. E, de quebra, ainda acena com a possibilidade de começar com Kleber no ataque. E, como a vida ensina, não tem bicho mais complicado do que “ex” para atazanar…
O Palmeiras vê a Copa do Brasil como alternativa para compensar a série infindável de decepções. O caldeirão no Palestra Itália está prestes a estourar; só se mantém por causa da perspectiva de chegar à decisão do torneio nacional. A pressão sobre dirigentes e treinador é grande – e haverá cobranças, na eventualidade de queda diante dos gaúchos.
Problemas não faltam em um elenco de qualidade muito discutível. O mais recente está ligado, de novo, a Valdivia. O chileno não parece mais disposto a continuar no clube, depois da experiência traumatizante de passar por sequestro-relâmpago, e com isso diminui opções para Felipão.
É muita zica para um clube só. Mas, como futebol é previsível só até a página 5, não se deve descartar a possibilidade de surpresa. E surpresa, hoje em dia, é o Palmeiras segurar resultado satisfatório no Sul e decidir como mandante com menos aperto.
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Vasco e Corinthians se enfrentaram recentemente na Taça Libertadores. No torneio continental, o alvinegro paulista se deu melhor e foi para as semifinais. No Campeonato Brasileiro, os cariocas deram a volta por cima, seguram a liderança com aproveitamento total, enquanto os paulistas ficam com o incômodo farolete do último lugar.
A trajetória totalmente oposta de ambos na Série A prosseguiu neste domingo, nos duelos que tiveram fora de casa. O Vasco mostrou eficiência, nos2 a1 sobre o Bahia. O Corinthians foi insosso e inseguro nos2 a0 para o Grêmio. Não é por acaso que um tem 12 pontos e o outro apenas 1 (com três derrotas e um empate) em quatro rodadas.
O Vasco precisou de meio tempo para colocar no bolso outros três pontos. A estratégia do Bahia, de pressionar jogando em casa, tomou abalo aos 7 minutos, no gol de falta de Juninho Pernambucano, e ruiu aos 31, no bonito gol de Diego Souza.
O Vasco soube controlar o jogo como quis, na etapa final, mesmo com Fernando Prass sendo obrigado a trabalhar bastante. O técnico Cristóvão ainda colocou Dedé em campo para observá-lo em ação, depois de tanto parado por contusão. O gol de Júnior aos 49 foi pequeno consolo para os baianos.
Os reservas do Corinthians mostraram falta de ousadia total no clássico com o Grêmio. A equipe de Vanderlei Luxemburgo também precisou só de metade do tempo para cumprir a missão – e o fez com os gols de Marco Antônio e André Lima. Poderia ter aumentado, na etapa final, se Kleber não tivesse desperdiçado chance na marca do pênalti. O centroavante ainda se mostra com pouco ritmo.
A derrota provou que o campeão brasileiro tem uma formação titular confiável. Não é por acaso que chega à semifinal da Libertadores. Mas, se precisar de muitos reservas, numa situação de emergência, é bom apelar para uma reza brava.
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Jogador enfrentar ex-clube virou mixaria há muito tempo, tamanha a troca de camisas na carreira. Mas há casos especiais. Nessa categoria, coloco eventual reencontro de Kleber com o Palmeiras. O atacante está recuperado de operação que o tirou dos gramados desde o final de março, tem treinado com mais regularidade no Grêmio e é possível que jogue os duelos dos dias 13 e 21 de junho pelas semifinais da Copa do Brasil.
A perspectiva de jogar contra um clube que defendeu em duas ocasiões em princípio não tem nada de mais e serve até como atração adicional. A curiosidade, no caso, é ver como reagirá a torcida, com quem teve relação especial.
No ano passado, viveu momento delicado no Palmeiras, quando surgiu convite para jogar no Flamengo. A proposta o agradou, mas não houve acordo, porque os dirigentes palestrinos bateram o pé e o mantiveram. Na época, parte dos fãs lhe virou as costas, ao retornar à equipe, enquanto outra continuou a apoiá-lo.
Em seguida, veio trombada feia com Felipão, no incidente entre João Vítor e alguns torcedores, que terminou em sopapos diante da sede do Palestra, na rua Turiaçu. Kleber liderou movimento que propunha o time não disputar uma partida do Brasileiro, no Rio, como repúdio ao gesto contra o colega, e tirou Felipão do sério. Nunca mais jogou no Palmeiras.
Como se comportará agora a torcida do Palmeiras? Vai recebê-lo com carinho, indiferença, hostilidade? O mais sensato, em minha opinião, é ter atitude neutra, por educação e estratégia. Por educação, porque agressividade não leva a nada. Por estratégia, porque o futebol já mostrou que não é nada bom cutucar jogadores como Kleber. Esse tipo de desafio só serve para estimulá-los. Daí, quem pode pagar a conta será o próprio Palmeiras.
Bobagens à parte, os clássicos em Porto Alegre, no dia 13, e em São Paulo, no dia 21, podem reviver grandes momentos entre as duas equipes, sobretudo nos anos 1990. E que sejam bem melhores do que o 1 a 0 para o tricolor gaúcho no último domingo.
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Felipão admitiu que a demora para decidir o futuro de Kleber atrasou a reação do Palmeiras no Brasileiro. O treinador aliou a insatisfação do atacante a muitos dos males que atingiram o time durante a competição. Acha que, se tivesse liberado o rapaz na época em que o Flamengo pretendia contratá-lo, vários dissabores teriam sido evitados.
Concordo em parte com Felipão. A atitude de Kleber no episódio da transferência frustrada para o Rio já era passível de dispensa. Ou, no mínimo, de uma bronca bem dada. Ele ficou ouriçado com a perspectiva de ir embora e se irritou com a postura evasiva dos dirigentes. Criticou os patrões na cara-dura, em termos inaceitáveis em qualquer empresa, e tudo passou em branco. Nenhuma reprimenda.
Depois veio o incidente de João Vítor com alguns torcedores e Kleber liderou movimento de boicote ao jogo, por coincidência, com o Flamengo. Felipão não concordou com sua proposta de cancelar a viagem para o Rio, ambos bateram boca e novamente a cartolagem teve desenvoltura paquidérmica para entrar em ação. Depois de incertezas, finalmente se colocou ao lado do técnico e decidiu afastar Kleber.
A saída dele, de acordo com o que diz Felipão, arejou o ambiente, tornou o grupo menos tenso. Percebia-se que Kleber dividia opiniões. Mais do que isso, por falar o que quisesse, sem que nada lhe acontecesse, escancarava falta de comando da cúpula alviverde. Sem contar que, dentro de campo, sua participação era pífia. Que o Palmeiras aprenda a lição e não perca o controle, como aconteceu com o tal Gladiador.
Mas Kleber não concentrava os problemas do Palmeiras. A equipe é frágil, caiu muito no returno, sentiu a falta de qualidade e a pressão da responsabilidade. Não é à toa que Felipão diz que precisa de quatro ou cinco jogadores de peso para fazer bonito em 2012. Ou seja: não se pode induzir o torcedor a imaginar que Kleber era o grande mal. Isso só servirá para desviar a atenção de temas mais importantes.
Kleber sai do Palmeiras atirando para todo lado. O alvo era Luiz Felipe Scolari, mas sobraram petardos para o clube que o acolheu em duas ocasiões. O rapaz ficou aborrecido com o treinador, por considerá-lo principal responsável por sua dispensa. Mas, na ansiedade de defender-se, lançou mais fagulhas num ambiente já tumultuado.
A ruptura ocorreu um mês atrás, como consequência do episódio em que João Vítor brigou com torcedores na porta do estádio Palestra Itália. Jogadores ficaram revoltados com o incidente e, liderados por Kleber, alguns não queriam viajar para o Rio, para o jogo com o Flamengo. Felipão argumentou que um fato não deveria influir no outro, e bateu boca com Kleber, que lhe disse poucas e boas.
Dali em diante não se falaram mais e a diretoria ficou ao lado do técnico. Tomou uma posição, ao contrário da trombada anterior, em agosto, quando Kleber recebeu proposta para jogar no Flamengo e provocou ruído no elenco. Na ocasião, o atacante soltou o verbo pra cima dos catolas, que se limitaram a dizer que estava “tudo bem”.
Agora, com a iminência de transferir-se para o Grêmio, o jogador rompeu o silêncio e em entrevista à Band falou mal de Felipão. Ok, todos têm direito a manifestar sua opinião, a dar sua versão em fatos polêmicos. Não deveria ser diferente com Kleber.
Só que ele poderia ter sido mais gentil com o clube. Ao dizer que os jogadores e funcionários não gostam de Felipão de novo estendeu o mal-estar para o Palmeiras. Envolveu seus colegas, já que sobre eles vai pairar a dúvida, e também dirigentes. Não era o caso, num momento em que o time tenta livrar-se do rebaixamento.
Parece aquele jogador que é expulso e, ao sair de campo, tenta levar rivais consigo. Poderia admitir problemas com Felipão e deixar o desabafo para depois da última rodada. Teria sido cortês, elegante. Com a temporada encerrada, e talvez já sem vínculo com Palmeiras, falaria o que quisesse, sem risco de ter causado mais estragos.
Sairia com imagem menos arranhada. E seria o correto para alguém que fez juras de amor à camisa verde, quando retornou de Belo Horizonte. Que seja feliz em Porto Alegre, se de fato for pra lá. E que encontre finalmente um porto seguro para uma carreira desde cedo vista como promissora, mas que fica sempre no ‘quase’. E sobretudo que deixe o Palmeiras em paz.
O futebol virou negócio e mexe com dinheiro; para muitos que estão no meio, cifras importam mais do que dribles e gols. Ainda assim a paixão resiste, sobretudo na relação de torcida com jogadores, técnicos e dirigentes, com o que implica de bom ou de ruim. Como arte que imita a vida, o joguinho de bola tem histórias de amor, com episódios de fidelidade, traições, rupturas, tentativas de reaproximação e separação. Casos começam e terminam com velocidade espantosa, como no dia a dia comum.
Exemplo atual da precariedade das relações esportivas é Kleber. A primeira passagem pelo Palmeiras marcou a tal ponto que torcedores e dirigentes ficaram a sonhar com o retorno, na fase em que defendeu o Cruzeiro. A volta ao Palestra foi triunfante e o transformaram em símbolo da raça. O Gladiador havia jurado amor eterno ao clube e retomou o lugar de queridinho da torcida, ao lado de Marcos e de Valdivia, o mago que também pegou o caminho de casa, depois de desterro inglório na Arábia.
Não deu nem um ano e Kleber virou página virada no Palmeiras. Parece personagem daquelas histórias em que o sujeito de uma hora para outra se vê enxotado de casa, sem direito sequer a pegar as roupas no armário. Se vacilar, ainda se vai se enroscar na justiça. O bate-boca com Felipão, duas semanas atrás, depois da briga de João Vítor com torcedores, resultou em afastamento definitivo. A diretoria esboçou reconciliação entre atleta e treinador. Como não teve acerto, está livre para buscar outros ares.
A saída apagada de Kleber é o desfecho de uma série de equívocos. A união ficou abalada a partir do momento em que o Flamengo, quatro meses atrás, escancarou intenção de levá-lo para o Rio. A paquera rubro-negra mexeu com o rapaz, que cobrou postura do Palmeiras, a ponto de se exaltar e soltar os cachorros contra os patrões. O máximo que ouviu, como reação oficial, foi um puxão de orelhas tão levinho que soou como afago. Na ocasião, os fãs dividiram-se entre apoio e cobrança. No fim, relevaram.
Por coincidência, e para azar dele, dali em diante os gols sumiram, o time não demorou a entrar em parafuso, veio à tona a revelação (verdadeira, porém maldosa) de que era filiado à Gaviões e culminou com o desentendimento com o treinador. O amor digere traições, mas uma hora cobra. A torcida então lhe virou as costas. Cansou dos caprichos, detectou nele a volatilidade nos laços que ligam atletas e clubes. Além disso, o escolheu como bode expiatório por mais um ano de frustração e jejum de conquistas.
Esse último aspecto pesa. Em momentos de amargura intensa, a turba exige cabeças. É assim no Palmeiras (lembram de Vagner Love em 2009?) e em qualquer lugar. Raros são os poupados – um Zico no Flamengo, um Marcos no Palmeiras, um Rogério no São Paulo. Apenas para confirmar a exceção à regra.
Leão à solta. Já que a crônica de hoje se meteu a falar de relacionamento, cabe seguir a linha no caso da contratação de Leão pelo São Paulo. Cinco anos atrás, deixou o Morumbi desgastado. Na época, conversei com dirigente influente que elogiava a dedicação do treinador e fazia restrições a seu estilo. Chegou a considerá-lo profissional com prazo de validade, por ser irascível.
Agora está de regresso, numa segunda chance. E, dentre as características que pesaram em favor de sua contratação, de acordo com cartolas, está o fato de ter “pulso forte, comando e vocação vencedora”. Ué, se é assim, por que não o chamaram quando saíram Sérgio Baresi, Ricardo Gomes ou Carpegiani? O São Paulo está carente. Carência deixa vulnerável, nem sempre leva a decisões acertadas. Bem, sorte para clube e técnico, enquanto durar o enlace.
Conselho de mãe. Lembra quando as mamães diziam para os filhos “Cuidado com as companhias”? Pois é, recomendação prosaica e sábia, a ser levada em consideração sempre. Pelo jeito, o ministro Orlando Silva foi menino desobediente e não aprendeu a lição. Por isso, se meteu em enrascada braba. E fico a cismar: onde estão aqueles figurões do esporte com os quais circulou pra cima e pra baixo nos últimos anos? Andou com gente graúda no Rio, em Brasília, Zurique, Copenhague, São Paulo, Johannesburgo e mundo afora. Nos últimos dias, você ouviu alguma palavrinha deles em favor de Silva? Não estão nem aí. Acha que querem sarna?
*(Minha coluna no Estado de hoje, quarta-feira, dia 26/10/2011.)
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A gente costuma tratar jogadores de futebol sem meios-termos: ou os vemos como super-homens, versão moderna dos deuses do Olimpo, ou os encaramos como garotos mimados que demoram a crescer e só vivem no bem-bom. Evidente que há profissionais extraordinários, com talento muito acima da média e com salários idem. Com vida de fazer inveja. Da mesma forma, existem os filhinhos de mamãe, cheios de não me toques, que se acham o máximo e depois de algum brilhareco se perdem na vida, se transformam em vaga memória.
Prefiro enxergá-los apenas e adequadamente como seres humanos, com qualidades e defeitos – tanto os craques quanto os pernas de pau. Uns e outros com direito a episódios de glória e de frustração. Como qualquer um de nós – eu, você, o Chico Barrigudo. Dessa forma, poderemos compreender suas oscilações de maneira mais sensata. Até onde isso for possível, quando se trata de futebol.
Durante a semana, vários desses rapazes viveram momentos conturbados e nem todos se saíram bem. O que acho ótimo – assim ganham dimensão real. Alegria e superação, por exemplo, sobraram para El Loco Abreu e Fred. Ambos estiveram empenhados em jogos de suas respectivas seleções, meteram-se em viagens malucas e voltaram para o Brasil esbaforidos para atender compromissos de seus times. Correram pra cá e pra lá e no final valeu a pena esfalfar-se. O uruguaio Abreu foi decisivo nos 2 a 0 do Botafogo contra o Corinthians (fez um gol) e o mineiro Fred roubou a cena, com os gols do Flu nos 3 a 1 diante do Coritiba (e ainda perdeu pênalti).
Bonito. Proezas que vão virar lendas, que marcam as carreiras e que os fizeram cair nos braços da torcida. Mas não é assim pra todo mundo. Neymar, Kleber, João Vítor amargaram dissabores que a rotina de pessoas públicas também apronta. O trio passou por maus bocados, dentro e fora de campo.
Começo por João Vítor, o peixinho miúdo dessa trinca. Ele tem 23 anos, carreira curta, com passagem em times modestos como Marília e Grêmio Prudente, e pouco tempo de Palmeiras. O prosaico programa de comprar camisas na lojinha do clube, antes de um treino, virou pancadaria, por causa de um fanático que o xingou, e só não acabou em massacre porque a polícia interveio.
O incidente enveredou por caminho no mínimo distorcido e se passou a discutir se não teria sido ele (e dois acompanhantes) a iniciar a confusão. Os 15 que estavam no boteco e partiram pra cima agiram somente com instinto de solidariedade com um companheiro que apanhava. Espera aí, tem algo errado nessa história. Violência revolta e fica difícil tomá-la com naturalidade. Não acho que João Vítor tenha de dar nem receber pancada. Nem ele nem ninguém. Mas que direito tem um torcedor de enchouriçar a vida do moço, de insultá-lo, de provocá-lo? Talvez João Vítor devesse se fingir de surdo, teria sido mais prudente. Só que nem sempre se consegue manter o sangue frio. Condená-lo por isso, ou ficar em cima do muro como fez o Palmeiras, é deprimente.
O quiproquó respingou no Kléber. O atacante resolveu tomar as dores do companheiro e ensaiou um levante, ao sugerir que o grupo não jogasse contra o Flamengo na quarta-feira. Nervosismo, bate-boca com Felipão e eis que se vê contemplado com afastamento. Pode ser que Kléber tenha se excedido e se julgou no direito de falar o que quisesse. Afinal, três meses atrás cantou de galo, disse o que bem entendeu e a diretoria se calou. Tivesse havido uma conversa serena e profissional, naquela ocasião, e provavelmente agora ele não agiria dessa forma.
Neymar é caso clássico do prodígio que paga pela fama rápida. Neste ano disputou Sul-americano Sub-20, Paulista, Libertadores, Brasileiro, Copa América e amistosos da seleção. Esteve no centro de queda de braço entre Santos, Barça, Real Madrid. No meio-tempo, faz um montão de comerciais, apanha mais que boi ladrão e decide jogos. Chega uma hora em que se cansa, reclama, leva amarelo depois do enésimo chute, aplaude juiz com ironia e é expulso. É demais! Só falta aparecer um puritano e advertir que se está a “criar um monstro”, como naquela trombada com Dorival Júnior.
O choro de Neymar, após o jogo com o Atlético-MG, é prova de que por trás do popstar bem pago e badalado, existe um homem e não uma máquina de jogar bola ou fazer dinheiro. E homem que é homem chora.
*(Texto da minha coluna publicada no Estado de hoje, dia 16/10/2011.)
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