Antero Greco - Estadao.com.br
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O Internacional não resistiu à pressão e cedeu o passe (ops, direitos federativos) de Oscar para o Chelsea. O rapaz já aproveita a disputa dos Jogos Olímpicos e fica por Londres assim que terminar a participação da seleção brasileira. Dali em diante começa vida nova, no campeão europeu e, quem sabe?, adversário do Corinthians na disputa do Mundial de clubes.

Oscar despontou tempos atrás como a mais nova joia do São Paulo desde a saída de Kaká. Era incensado como talentoso, intuitivo, habilidoso, criativo e outros adjetivos entusiasmados. Nem bem se profissionalizou, rompeu com o clube e foi à Justiça para defender o direito de trabalhar onde quisesse.

A luta se arrastou até recentemente, já como jogador do Inter. O clube gaúcho precisou ressarcir o São Paulo, para encerrar pendência e acalmar de vez a situação. Afinal, Oscar dizia que não voltaria para o Morumbi de forma alguma e que seu desejo era fazer carreira no Sul. Era uma vitória da vontade do profissional que se tornava destaque no Colorado.

Mal baixou a poeira, ele é convocado para amistosos da seleção, joga bem, ganha a 10, desbanca o ex-favorito Ganso e, num passe de mágico, surge o Chelsea em sua trajetória. Não houve nem muito drama ou enredo arrastado. Num instante, chega o acordo e o rapaz vai embora.

Como cidadão comum tem o direito de decidir seu destino, de comandar a carreira. Fará a alegria dele, da família, dos agentes com a grana que receberá. E também passará a ser visto como um atleta inteligente por alguns treinadores, porque decidiu jogar na Europa. Ao contrário do Neymar, que preferiu permanecer no Santos, para espanto dos pragmáticos.

Que tenha futuro brilhante e vingue no Chelsea. Só fico a imaginar a reação do torcedor do Inter que um tempinho atrás vibrou com a luta do rapaz para permanecer no Beira-Rio. O torcedor é só um apaixonado, que não entende nada de negócios!

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Oscar pode seguir carreira sem preocupações, seja no Inter de Porto Alegre ou em qualquer outro lugar, após o acordo com o São Paulo. O caso se arrasta há mais de dois anos e se tornou embaraçoso recentemente, com vitórias do clube paulista na Justiça do Trabalho. Com os 15 milhões de reais, todo mundo aparentemente fica feliz.

A história começou quando Oscar recém-profissionalizado rompeu contrato com o São Paulo e decidiu ter voo solo, com o respaldo do empresário Giuliano Bertolucci. Na época, alegou que o antigo empregador deixara de cumprir cláusulas, se sentiu pressionado e largou tudo para trás. Esqueceu do clube em que surgiu para a bola.

Depois de incertezas, aceitou proposta para o Internacional, sempre com o São Paulo a afirmar que não abriria mão do que considerava seus direitos. Todas as partes fincaram pé em suas resoluções e só se chegou a consenso após manifestações da Justiça.

O caso pode ser emblemático para tornar mais claras a relação entre clubes (sobretudo aqueles formadores), jogadores e seus representantes. A Fifa, e agora também a justiça comum, reconhece o direito financeiro que o clube de origem tem sobre o atleta. E esse não pode ser negligenciado. Caso contrário, que interesse haverá em investir num garoto e, quando ele estiver pronto para jogar, virar as costas e ir embora sem mais nem menos?

Também é preciso levar em conta o direito de o jogador atuar onde bem entender, desde que cumpra os trâmites legais. Não se pode simplesmente rasgar o que está escritoem contrato. Hámuitas profissões em que se estipulam multas (para ambas as partes) para o caso de interrupção de contrato antes do encerramento. Quem pula fora, banca o que está previsto no acordo previamente firmado.

O certo é que o futebol se trata de um grande e bilionário negócio. Tem muito esperto nesse meio – e nem sempre o jogador é o beneficiário. Aliás, muitas vezes é um dos prejudicados… Quase acontecia isso com o Oscar.

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Quase um ano e meio atrás, Ronaldinho Gaúcho era recebido com festa enorme pela torcida do Flamengo, no mesmo dia em que milhares de pessoas sofriam com dilúvio na região serrana do Rio. A presença do astro em parte serviu para suavizar aquele momento difícil da vida dos cariocas. A contratação dele, depois de cerrado leilão com o Grêmio, dava esperança ao rubro-negro de reviver grandes momentos e abria caminho para novas conquistas.

Tão pouco tempo se passou e a nova realidade nesse caso amoroso ficou explícita na noite de sábado, mais precisamente aos 30 minutos do segundo tempo do clássico com o Internacional. Após o terceiro gol colorado, Joel Santana chamou Deivid e o colocou em campo, no lugar do astro antes intocável. Enquanto se encaminhava para a lateral, Ronaldinho ouviu vaias, agudas, doídas, porque vinham não dos rivais, mas de seus fãs.

A mudança ocorreu cinco minutos depois de Ronaldinho ter emperrado um ataque do Fla, ao perder a bola e proporcionar o contragolpe do Inter e o gol de Dátolo. Uma vitória que parecia certa, quando o placar estava com 3 a 1, se transformou no mais recente episódio dessa fase conturbada do time e do ídolo. Na estreia, na semana passada, empate de 1 a 1 com o Sport.

O torcedor não perdeu a paciência com Ronaldinho. “Paciência” existe com atleta meia-boca, com aquele esforçado e limitado tecnicamente. Com esses, o máximo que se pede é um pouco de calma, de tolerância, porque uma hora vão acertar. Se acertarem…

Com Ronaldinho é diferente – e pior. O simpatizante do Fla se desencantou, pois dia a dia vê ruir a imagem de um artista da bola que se torna sombra do gigante que foi. As proezas dele só não viram lenda, não vão parecer lorota de boteco ou mentira de pescador, porque a testemunhá-las há os teipes de jogos, dribles, gols e passes que um dia enfeitiçaram plateias. Um caso de amor que se rompe. E não tem coisa mais triste do que fim de caso.

A angústia se repete ¬– a todo momento se fica numa ansiedade tremenda à espera do ressurgimento de Ronaldinho. Neste sábado, no Engenhão, parecia que ele reapareceria ao marcar, de pênalti, os 2 a 0 para o Fla e em seguida dirigir uma reverência ao público. Instintivamente passa pela cabeça: “Agora, vai”. Ilusão, que os minutos seguintes se encarregaram de desfazer.

Não é correto Ronaldinho desmantelar-se dessa maneira. Não é justo ele próprio contribuir para isso. Ele não tinha direito de fazer essa falseta com os milhões que o aplaudiram e um dia chegaram a colocá-lo num patamar frequentado, até então, apenas por Pelé, Garrincha e Maradona.

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Vitórias são importantes, sempre e em quaisquer circunstâncias. Mas há triunfos especiais. Os 2 a 1 sobre o Internacional, de virada, provavelmente eram o grande estímulo que o Fluminense precisava para crescer na Taça Libertadores. Ao eliminar um rival que conquistou duas vezes a competição foi uma prova de força que o tricolor deve usar para os duelos contra o Boca Juniors, rival nas quartas e ao já enfrentou na fase de grupos.

O segundo clássico entre brasileiros foi emocionante e tenso, sobretudo no primeiro tempo, quando surgiram os gols. O Inter apostava na possibilidade de marcar, para impedir a decisão por pênaltis e para colocar enorme pressão sobre os donos de casa. E conseguiu, aos 13, com Leandro Damião.

Não deu nem tempo de espalhar preocupação, porque dois minutos depois Thiago Neves levanta a bola na área, Fred pula junto com Leandro Euzébio e o zagueiro consegue o empate. O jogo ficou mais quente, o Inter um pouco assustado e tentando sair em contra-ataques. Teve uma chance com Oscar.

O equilíbrio foi desfeito no último lance da primeira fase. Outra vez, quase do mesmo lugar, Thiago Neves cobrou falta. A bola viajou, passeou sobre os zagueiros colorados e encontrou a cabeça de Fred: gol. Virada em momento psicológico oportuno.

O Inter tomou a iniciativa no segundo tempo, mas foi pouco eficiente. Dorival Junior trocou Datolo por Jajá aos 15 minutos e aos 35 colocou Jô no lugar de Tinga, tudo em nome de velocidade e pressão. O Flu perdeu Fred aos 25, por sentir contusão, e segurou o nervosismo. Foi  com Thiago Neves que teve a melhor chance, em cobrança de falta que tocou a trave esquerda.

O Fluminense se mantém na corrida por taça inédita – e embalado.  Pode  animar-se ainda mais com a conquista do título estadual do Rio. Bela fase.

 

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O Inter abriu caminho para a classificação dele e do Santos para a próxima fase da Libertadores da América. O gol de Gilberto quase em cima da hora garantiu o empate de 1 a1 com o The Strongest,em La Paz, e tornou a matemática do Grupo 1 menos complicada. Agora, os gaúchos e os bolivianos têm 7 pontos, contra 6 do Santos, que nesta quinta-feira recebe o Juan Aurich no Pacaembu.

Qual é a conta, então? O Inter terá ainda pela frente o Santos em casa e o Juan Aurich fora. Se ganhar os dois, vai a 13 pontos e de quebra confirma o primeiro lugar. Para os santistas, basta ganhar dos peruanos amanhã e do The Strongest também como mandante na última rodada. Daí chega a 12 pontos e vai adiante, independentemente do que acontecer no clássico com o Internacional.

A tarefa do Inter não foi fácil, porém conseguiu fazer o que Juan Aurich e Santos anteriormente tentaram sem sucesso, pois foram derrotados na altitude. A turma de Dorival Júnior penou, faltou ar para alguns jogadores, e no entanto sobrou disposição. No primeiro tempo, apesar da dificuldade, criou pelo menos duas chances de gol.  

Na etapa final, levou um baque com o gol de Ramallo no início. A reviravolta começou com as substituições: Bolatti no lugar de Guiñazu, que não esteve bem, e de Gilberto na vaga de Dagoberto, que chegou a se sentir mal por sentir os danos provocados pelo ar rarefeito. E foi Gilberto quem aproveitou cruzamento da direita aos 43 e empatou.

O problema maior do Inter, agora, é resolver a vida de Oscar. O jovem meia foi tirado do time em cima da hora, por recomendação do Departamento Jurídico, já que o São Paulo recuperou os direitos sobre o rapaz. Esse caso ainda vai dar pano pra manga.

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Na quarta-feira gorda do futebol, Messi deu show no Barcelona e Neymar brilhou no Santos. Pra variar, ambos roubaram a cena. O jovem santista marcou todos nos3 a1 sobre o Inter, na Libertadores da América, e chamou de novo pra si a responsabilidade de decidir. Sobrou em campo, e ainda mandou uma bola na trave. É pouco?

Dorival Júnior parece que adivinhou. Na véspera do jogo, o ex-treinador do Santos alertou que Neymar, em dia inspirado, era irrefreável. Dito e feito. A estrela alvinegra apresentou credenciais desde os primeiros minutos no jogo na Vila Belmiro, sinal de que a noite seria dele. Foi pra cima dos zagueiros, movimentou-se, abriu espaço, arriscou chutes. Enfim, foi um tormento.

Neymar fez o primeiro em cobrança de pênalti, ainda na etapa inicial. O lance foi contestado, pois Índio alegou não ter feito faltaem Borges. Nosegundo tempo, ampliou com uma linda arrancada e ainda esfriou a reação do Inter (havia diminuído com Leandro Damião) com outro gol espetacular, ao dominar a bola antes do meio-campo e só parar quando a viu dentro das redes defendidas por Muriel.

Exibições do gênero mostram que Neymar cresce, evolui, dita o ritmo no ataque do Santos, assim como Ganso organiza o meio. E desmonta olhares tortos, previsões de pessimistas que o consideram produto de marketing. E aumenta a dor de cotovelo de quem não torce para o Santos, mas gostaria de vê-lo em seu time. O rapaz joga muito.

O Santos também cresce, se ajusta na temporada. Vai bem no Paulista e contra o Inter foi pouco incomodado. Por méritos, por distribuição em campo, pela forma como atuaram seus jogadores e pelo desequilíbrio provocado por Neymar. O Inter colaborou com esquema muito cauteloso e porque peças fundamentais, como Oscar (apareceu bem no lance do gol) e D’Alessandro, nesta quarta-feira ficaram apagados.

 

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Quem disse que não há novidade nos Estaduais? No Rio Grande do Sul, tem. Internacional e Grêmio, dois gigantes históricos, ficaram fora da decisão do primeiro turno do Gauchão. A Taça Piratini será decidida entre Caxias e Novo Hamburgo. Uma decepção para as maiores torcidas do Sul, mas que não deixa de ser interessante por quebrar a rotina e por servir de alerta para os dois bichos-papões. Na melhor das hipóteses, um deles disputará o título.

O Inter saiu da briga no meio da semana, ao perder para o Grêmio, que teve Vanderlei Luxemburgo a observar das arquibancadas. O profexô estreou neste domingo e saiu de campo decepcionado, já que seu time cedeu empate ao Caxias aos 40 do segundo tempo (Marcos Paulo) e quase tomou a virada aos 43. Kleber havia feito o gol do tricolor. Nos pênaltis, a derrota por 5 a 4, já que Marco Antonio errou a cobrança dele.

Dizer que o Grêmio caiu por culpa de Luxemburgo é injusto. Tão injusto quanto aplaudir o técnico, caso a equipe tivesse passado adiante. Com três treinamentos apenas, não se pode dizer que mudou a cara do time que esteve até dias atrás sob comando de Caio Júnior. Assim como não o estragou. Fica a advertência para Luxa: treinar time com forte apelo popular como o Grêmio exige eficiência. A sorte dele é que o Inter ficou fora. Mas tem o segundo turno…

O Novo Hamburgo também se garantiu com vitória, mas no tempo normal e por 3 a 2 diante do Juventude. Uma final diferente, que terá os favoritos de sempre apenas como torcedores e a imaginar o que fazer para garantir uma boquinha na segunda metade da competição. Estaduais são vistos de esguelha por muita gente, mas ainda mexem com emoção e o humor de torcedores. A turma do Sul que o diga.

 

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Uma brincadeira antiga de redações dizia que “o papel aceita tudo”. Era uma forma de os jornalistas mais veteranos lembrarem que muita bobagem saía no jornal nosso de cada dia. Coisas desnecessárias continuam a ser publicadas, só que desta vez em um universo amplo, infinito, que é a internet. Como espaço não é problema, somos bombardeados com milhões de inutilidades a todo momento.

Leio agora, por exemplo, que um site americano de esportes elaborou uma lista de 20 times que poderiam formar uma Liga Mundial de futebol. Do joguinho de bola consagrado em qualquer parte, o soccer; não o football deles. Fiquei na dúvida se citava o nome do dito cujo – mas, vá lá. Em homenagem à transparência e à liberdade de expressão, despejo aqui: é o Bleacher Report … ponto qualquer coisa.

Pois bem. Um articulista bolou uns critérios que lhe vieram na veneta, fez uns cálculos (números sempre dão ar de respeitabilidade a certas coisas sonsas) e chegou à conclusão de que essa Liga deveria ter quatro representantes da Inglaterra: Arsenal, Manchester United, Manchester City e Chelsea. Três espanhois: Barcelona, Real Madrid e Valencia.

Entrariam ainda dois times da Alemanha (Borussia Dortmund e Bayern de Munique), três da Itália (Juventus, Milan, Inter), três (!) da França (PSG, Lyon, Olympique Marselha), mais CSKA Moscou, Shaktar Donestk (o time ucraniano preferido de técnicos da seleção brasileira), Boca, Porto e o nosso Corinthians.

Daria um bom campeonato? Sim. Mas os critérios podem ser contestados. Eu posso montar uma Liga com os meus critérios, você pode bolar outra e assim por diante. Por exemplo: o que justifica ter três franceses? A troco de quê? Qual o peso internacional deles? O que é o Lyon? O que representa o PSG? São times importantes em seu país, mas sem representatividade internacional.

O mesmo dá para dizer do Manchester City e do Chelsea. São equipes da moda, porque recebem rios de dinheiro de russos e outros bilionários. Mas considerá-los mais importantes do que o Liverpool, por exemplo, é dar um pontapé na história do futebol. O mesmo raciocínio se aplica à presença do Valencia. O cara está de brincadeira.

O Porto é ok. Mas e o Benfica? O americano nem deve saber o que representou o time lisboeta no futebol de Portugal e mundial. Sem contar que, por aqui, se despreza o Peñarol. E como imaginar que Santos, São Paulo, cada um com suas três Libertadores e com seus Mundiais, sejam relevados. Grêmio, Flamengo, Cruzeiro, Inter têm duas e passam batidos?!

Fico por aqui. O resto depreenda você mesmo. É muita bobagem em internet. (Pensando bem, até este post é a prova de como se gasta vela com mau defunto no mundo virtual…)

 

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08.fevereiro.2012 12:54:00

Fazer a América*

Desde ontem está no ar a edição 2012 da Taça Libertadores, torneio que existe há meio século e que há duas décadas virou fixação dos brasileiros. Obsessão tão forte que muita gente entra na Copa do Brasil e na Série A não pela honra de brigar pelo título, mas para ter uma vaga na competição continental. O que considero um equívoco e uma chatice. O caminho para ganhar fama universal começa com conquistas domésticas.

 O pontapé inicial da turma de cá ficou para o Fluminense, com o 1 a 0 no Arsenal – o argentino, que tem uma Sul-Americana, não o original londrino. O Vasco estreia hoje em casa; o Inter, amanhã, em Porto Alegre. Santos, Corinthians e Flamengo esquentam motores para a semana que vem. Sexteto de respeito, acostumado com o torneio e responsável por sete títulos. Retrospecto nada desprezível e que permite sonhar.

Sem patriotada, se não der zebra um deles pelo menos estará na final. São elencos de qualidade, com nada a dever aos adversários, que não têm padrão mais refinado do que os brazucas. A nossa América não ostenta esquadrões, morre de inveja (e de medo) de um Barcelona, mas sempre guarda surpresas.

E, se um daqui chegar à final, contra quem será? Talvez enfrente o Boca, maledetto devastador de representantes verde-amarelos que está de volta, depois de duas temporadas. Ou pode pegar a Universidad de Chile, que tem jogado futebol redondinho e faturou a Sul-Americana de 2011. Chivas, Cruz Azul, Peñarol, Velez não podem ser esquecidos, e correm por fora. Apostas e portas abertas.

A Libertadores é bacana, campeonato tinhoso, recheado de artimanhas. Reúne o que há de melhor e de pior no folclore da bola. Há duelos inesquecíveis, em função do empenho e da habilidade dos rivais. Não faltam jogos históricos, por causa de viradas que pareciam impossíveis. Assim como há tira-teimas fenomenais levados para os pênaltis. A Libertadores já crucificou craques e consagrou pernas de pau, numa confirmação de que é contraditória e atraente.

Não são poucos os registros de arranca-rabos que beiram a guerra entre nações. Por obra e graça da globalização, estão em declínio as picuinhas entre vizinhos. Mesmo assim, não passa ano sem no mínimo uma confusão das bravas, das que fazem os europeus nos olharem com superioridade colonialista e lamentar o espírito belicoso dos cucarachas.

Alguém se envergonha disso? Eu não. Está certo que a Copa dos Campeões, também conhecida pelo nome pomposo de Uefa Champions League, é coisa fina. Já cobri vários jogos ao vivo e, de fato, a organização é impecável. Se bem que, em termos técnicos, há disparidades, pois gigantes convivem com nanicos. Também por lá é fácil encontrar partidas mequetrefes. Faz parte. Não existe campeonato só com baile de gala; há os arrasta-pés.

A Libertadores é um grande barato – ou assim deveria ser encarada pelos brasileiros. Não se trata de questão de vida ou morte. A ansiedade já estragou planos ambiciosos – e o Corinthians talvez seja um dos exemplos mais bem acabados de como entrar em parafuso em consequência de derrapadas sul-americanas. Coloca-se tamanha pressão que leva a quedas memoráveis como a do ano passado.

Não deveria ser assim. O prestígio e a força de um clube não se medem só pela Libertadores. Claro que faz bem ao ego, ao currículo e ao bolso atingir o topo da América. Mas não é tudo. A combinação entre descontração e eficiência funciona mais do que ter a faca entre os dentes. O Santos usou essa receita na campanha do tri.

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 8/2/2012.)

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O Corinthians poderia ter voltado do Sul com a vida mais complicada. Isso não aconteceu por causa de Alex, um ex do Inter. O meia acertou um míssil rasteiro, no canto esquerdo do gol de Muriel, e garantiu o empate aos 44 minutos da etapa final. O 1 a 1 deixou o alvinegro a curta distância do líder Vasco – 57 a 55 – e pode ter efeito psicológico benéfico na reta decisiva do Brasileiro. Para o colorado, representou o fim do sonho do tetra.

O começo corintiano foi bom, com o meio-campo atento na marcação e com pressão feita por Alex, Willian e Liedson. Era uma maneira de o então líder mostrar que não pretendia encolher-se diante dos donos da casa. Não durou muito essa carga. Com menos de 15 minutos, o Inter equilibrou e passou a rondar a área de Júlio César. A situação lhe ficou mais favorável com a expulsão de Alessandro aos 42 minutos.

No segundo tempo, foi o Inter quem comandou o jogo, conforme o figurino e por necessidade. O Corinthians é que se sentiu sobrecarregado, por ter um jogador a menos e porque o Vasco fazia a parte dele com os 2 a 0 no Bahia e retomava a ponta. Para complicar, Nei deixou o Inter em vantagem, aos 21 minutos, com gol de cabeça. Se desenhava o ambiente para apreensão.

O Corinthians quase se conformava com a derrota, e com a necessidade de descontar três pontos nas sete rodadas finais, quando D’Alessandro fez falta de bobeira, nas proximidades da área, levou o segundo amarelo e, por extensão, o vermelho. Uma ironia para o melhor em campo. Alex ajeitou, botou efeito na bola e fez a torcida corintiana comemorar no Beira-Rio.

O empate animou – e não poderia ser diferente. Porque mostrou poder de fogo do Corinthians na hora em que a competição embica para a definição. Mas persiste a oscilação, o pecado maior em sua campanha. Há momentos, por exemplo, em que Danilo é eficiente e aparece para defender ou para finalizar a gol. Em outros, ele some. O mesmo ocorre com Alex, com Willian, com Liedson. A defesa tem hora em que é uma fortaleza; em outras, deixa buracos enormes – e o Inter não soube aproveitar-se disso. Pagou o preço de sair da briga.

Na teoria, como já escrevi aqui, o caminho do Corinthians é menos espinhoso do que o Vasco, que vejo neste momento como o grande concorrente ao título. Para a turma de Tite, restam adversários da parte de baixo da tabela, como Avaí, América, Atlético-PR, Ceará, Atlético-MG, Figueirense, Palmeiras. Apreensivos e tecnicamente inferiores.

O Vasco tem meia dúzia de clássicos, com São Paulo, Santos, Botafogo, Palmeiras, Avaí, Fluminense e Flamengo. No papel, são paradas mais duras e equilibradas. Não é menos fácil também para Flamengo (Grêmio, Cruzeiro, Coritiba, Figueirense, Atlético-GO), Inter e Vasco. Nem para o Botafogo (Cruzeiro, Figueirense, Vasco, América, Inter, Atlético-MG, Fluminense).

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  • João Carlos: Grande artigo, Antero. Nelson Rodrigues chamava esta baixa autoestima de complexo de vira latas.
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